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As mãos

por Thynus, em 14.02.13

Elas são nossos órgãos manejadores, com os quais seguramos e agarramos, tomamos a vida nas mãos, fazemos a paz, tratamos dos doentes, acariciamos e abençoamos, mas também manipulamos (do latim: manas = mão). Palavras tais como "apreender" mostram como elas estão próximas das funções superiores. Para poder apreender alguma coisa é preciso tomá-la na mão em sentido figurado, e isso ocorre de maneira análoga a agarrar algo. Quando agarramos, o polegar move-se em oposição aos dedos. Quando queremos apreender algo, recorremos igualmente à oposição. Somente entendemos "rico" com a ajuda de "pobre", "grande" torna-se concebível para nós através de "pequeno" e "bom" remete-se a "mau". No mundo polar, toda apreensão e compreensão precisa dos contrários. A mão o explicita anatomicamente.
O leque de possibilidades de nossas mãos torna explicito o princípio fundamental do qual elas dependem. É Hermes/Mercúrio, o deus do comércio [em alemão, Handel/Hand = mão] e dos negócios [Verhandeln], dos ofícios [Handwerk] e da destreza manual, um negociador [Unterhändler] tão hábil como refinado, responsável pela comunicação entre deuses e homens, mas também entre os homens.
As mãos são órgãos muito individuais. Não existem duas mãos iguais entre si. Os criminalistas utilizam esse fato quando estabelecem identidades a partir do padrão de linhas das impressões digitais. No âmbito da comunicação não-verbal, as mãos são tão confiáveis como a boca e significativamente mais sinceras que os conteúdos proclamados. Até mesmo sua temperatura permite tirar conclusões importantes. Mãos quentes expressam o desejo de contato, elas vêm do coração como o sangue que as esquenta. Mãos frias, ao contrário, falam de distância. Elas não estão bem irrigadas de sangue e deixam entrever que seu possuidor retêm sua energia vital e não procura o encontro. Nas mãos suadas e frias vibra, adicionalmente, o medo. Quando alguém começa a suar frio, sente-se mais atormentado que comunicativo.
A impressionante sinceridade das mãos e sua pele sincera são utilizadas na psicoterapia quando, durante a sessão, medimos e observamos a resistência da pele. Vale a pena, especialmente em fases críticas, conversar diretamente com a pele do paciente, já que suas respostas são mais diretas e têm menos reservas. Enquanto seus possuidores ainda dão uma impressão bastante cool, suas mãos já podem demonstrar uma grande agitação que absolutamente não chegou ainda à consciência do afetado. É a pele da mão, portanto, que transmite o essencial das profundezas da alma.
Mãos fortes, bem irrigadas e que já ao cumprimentar agarram calorosamente, mostram alguém que está acostumado a lançar mão e tomar a vida nas próprias mãos. Em comparação a estas, há mãos que são abandonadas ao cumprimentar. Esse modelo "chorão" quer dizer: "Você pode fazer o que quiser comigo, eu não tenho nenhuma pretensão (na vida)". Finalmente, deveria mencionar-se ainda as mãos sensíveis, que sentem e expressam muito sem grande ênfase física. Elas pertencem a pessoas semelhantes. Entre elas, há todos os tipos de gradação. Somente o fato de que cada pessoa tem sua própria caligrafia tanto concretamente como em sentido figurado mostra as amplas possibilidades de expressão das mãos.
O fato de que estendamos as mãos para saudar e para nos despedir pode ter sua origem em uma época em que as pessoas, mais intuitivamente dotadas, apreendiam a linguagem das mãos de maneira óbvia. Quando ainda hoje selamos negócios com um aperto de mãos, isso é também um símbolo de sinceridade. Ao apertar as mãos, pode-se sentir se o negócio está em ordem e é sustentável para as duas partes.
A linguagem das mãos, portanto, permite que se compreenda muito sem que se recorra à expressão das linhas das mãos ou se avalie a caligrafia. Até mesmo tais métodos, considerados ocultistas, têm encontrado crescente reconhecimento. Recentemente, um grupo de médicos ingleses pode comprovar uma relação convincente entre o comprimento da linha da vida e o comprimento da vida. Todas essas possibilidades mostram como as mãos são expressivas e individuais e quão claramente elas, sendo nossas melhores ferramentas, tornam a obra de nossa vida apreensível. Elas mostram problemas de contato e estruturas de comunicação, mostram nossa habilidade para estabelecer ligações e revelam nossa capacidade de assumir compromissos.

(Rüdger Dahlke - "A doença como linguagem da alma")

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publicado às 20:21



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