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As pernas

por Thynus, em 14.02.13

Nossas pernas, juntamente com os pés e as articulações do joelho e do tornozelo, formam aquelas unidades funcionais que respondem à pergunta: Como vai, como anda? Ainda que em geral prestemos pouca atenção ao fato, toda a nossa vida descansa sobre as pernas. Responsáveis pelo movimento no espaço, elas mostram como estamos no caminho. A relação das extremidades inferiores com a realidade concreta é simbolizada pelo contato com o chão. Enquanto os braços estão pendurados no ar, as pernas, com os dois pés, estão apoiadas no chão. Elas deixam ver que postura assumimos na vida e como nos colocamos nela, como nos apresentamos e se somos melindrosos, se somos dissimulados e o que representamos, onde deturpamos e o que formamos. O posicionamento é algo central, e a maneira como nos posicionamos em relação à vida decide como nos sentimos nela. A postura pessoal mostra se estamos a caminho na vida unicamente sozinhos ou a dois. Os adolescentes, que ainda não se firmaram e ainda estão em movimento, andam juntos.
Assim como os braços, as pernas também tendem a conservar energia cinética não convertida. Impulsos de fuga bloqueados encarnam-se em tensões, impulsos de luta rejeitados em cãibras, uma postura indolente encarna-se na musculatura correspondente. Há tantos tipos de perna como há pessoas e pontos de vista. Apesar disso, é possível reconhecer determinados padrões recorrentes. Não é por acaso que falamos de extremidades, já que são elas que nos põem em contato com os extremos da proximidade e da distância. Sua tarefa é sondar os extremos.
Pernas maciças e musculosas, que tendem a manter-se algo afastadas uma da outra devido às massas de músculos que colidem ao caminhar, permitem entrever uma personalidade semelhante. Apesar de toda a sua força, a mobilidade espontânea e mudanças bruscas não são seu forte. O andar rígido, robótico, dá forçosamente uma impressão de esforço. A mobilidade fluente e flexível é substituída pela força robusta. Se a isso se somam ainda os maciços pés correspondentes, está pronto o elefante na loja de porcelana.
O pólo oposto é representado por pernas fracas com uma musculatura muito pouco desenvolvida, que têm problemas para manter seus proprietários sobre os pés e ameaçam ceder a qualquer momento. Com dificuldades para manter-se sobre as próprias pernas e sem pontos de vista firmes, os afetados declaradamente necessitam de apoio. Eles estão caminhando com pernas que precisam de reforço que cuide de sua postura e de seu progresso. De maneira correspondente, eles buscam apoio em toda parte e cortejam aquela confiança que se desenvolve tão mal em sua plataforma de vida. Como compensação, eles freqüentemente tentam adquirir consistência ao menos em cima, acentuando especialmente os músculos dos braços ou o cérebro.
Pernas de arame são igualmente finas, mas de forma alguma fracas. Elas se destacam pela mobilidade intensa, espontânea, que pode chegar à inquietude nervosa. Sempre caminhando, elas têm problemas para chegar e para ficar. Tais pernas são consideradas atraentes, pois são rijas e esbeltas, além de ágeis e nervosas. A instabilidade oculta-se discretamente por trás da elegante mobilidade atarefada.
Às de arame opõem-se as pernas maciças e subdesenvolvidas, cujos proprietários chamam a atenção pelo andar com o qual se arrastam pela vida. Eles costumam escutar desde pequenos: "Erga as pernas!" ou "Você ainda vai tropeçar nos próprios pés!" Eles freqüentemente seguem essas profecias, colocam-se em seu próprio caminho, têm dificuldades em se manter sobre os pés e mais ainda em progredir. A fraqueza de sua postura e de seus pontos de vista mostra-se abaixo, como o lastro que eles arrastam consigo. Pode-se imaginar que seu andar arrastado, que lembra o de alguém que está dormindo, é totalmente inapropriado para ir de encontro à vida. Arrastando-se pelo caminho, falta-lhes muitas vezes a estabilidade e a perseverança necessárias para percorrê-lo.

(Rüdger Dahlke - "A doença como linguagem da alma") 

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publicado às 14:11



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