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O peito feminino

por Thynus, em 14.02.13
 O peito feminino, tanto por sua função como por sua forma, tem importância central. Chamada de mama na linguagem utilizada pela medicina, ele simboliza a maternidade e a capacidade de nutrir. Com o crescimento da criança no útero, crescem também os seios, e no momento do nascimento eles estão túrgidos devido ao leite que os enche. A primeira vez em que a criança é amamentada desperta um sentimento de volúpia entre mãe e filho. Além do mais, isso tem um efeito favorável em relação às dores puerperais e à recuperação do útero. É, por assim dizer, o sinal para a recuperação após o nascimento. Além do sentimento de felicidade e de volúpia sentido pela maioria das mães ao amamentar, esse ato traz também alívio aos seios túrgidos, sendo agradável também nesse sentido. Embora mamar seja um reflexo inato à criança, o contato com o seio macio e o fluxo de leite morno a enche igualmente com uma sensação de felicidade e satisfação.
Os seios são extremamente sensíveis. O suave toque acariciante das faces infantis e sobretudo o toque dos lábios e da língua ao mamar despertam sensações voluptuosas em muitas mulheres. Neste sentido, o fundamento do amor materno é também de tipo sexual. A partir disso, Groddeck conclui que amamentar atiça a paixão na mulher e a estimula a voltar a procurar as relações sexuais. Ele interpreta essa observação a serviço da conservação da espécie como biologicamente significativa. Entretanto, depõe contra isso o fato de que é justamente a amamentação que fornece um escudo prevenindo uma nova concepção demasiado precoce.
 A temática sexual do seio que amamenta é combatida sobretudo por aqueles que colocam a maternidade no céu, condenando entretanto a sexualidade ao inferno. A relação sexual geral do peito feminino, ao contrário, é inquestionável. Ele é tomado voluptuosamente na boca tanto quando amamenta como quando é beijado, um procedimento que ocorre no plano superior do corpo e que não deixa de ser semelhante à relação sexual completa que ocorre abaixo. O seio desempenha aqui o papel do pênis penetrante, correspondendo a cavidade bucal à vagina. Sem levar em conta a questão de se a criança, ao mamar, já vivencia a mulher na mãe, o significado central do peito na vida posterior é evidente. O vinculo com o seio é o primeiro que o ser humano vivencia. Neste sentido, é natural que ele continue procurando o amor no seio. Isso é válido também para as mulheres. Elas gostam de pressionar-se mutuamente contra o peito, transmitindo assim uma terna sensação de proteção. A relação de uma mulher com o peito de outra mulher é naturalmente muito mais próxima que a de um homem com o membro de um companheiro do mesmo sexo. Apertar alguém contra o peito é sempre um gesto de simpatia e de amor. Também, nenhum outro órgão expressa a compaixão de forma mais intensa e calorosa; em nenhum outro lugar, por exemplo, pode-se reclinar a cabeça e chorar. Que os seios, além de sua função maternal de alimentação, são também um órgão de relacionamento, é mostrado pelo fato de eles serem permanentemente salientes unicamente entre os seres humanos, enquanto nos "outros mamíferos" só se desenvolvem temporariamente na época da amamentação.
No amor sexual, finalmente, o peito torna-se órgão sexual, já que os homens buscam instintivamente o peito, chamado hoje em dia de seio. Essa expressão em si mesma é errada, pois a rigor um seio designa uma sinuosidade, uma baia, o espaço no meio, o decote. Esse lugar entre os seios vem sendo desnudado desde a Antiguidade para excitar o outro sexo. Por mais que as tendências da moda tenham variado ao longo das diferentes épocas, só muito raramente se renunciou à exposição desse local tão excitante. Em parte, épocas mais antigas chegaram a ser até mesmo mais generosas a esse respeito; basta pensar nos vestidos da época de Luís XIV que deixavam os seios livres, isso para não falar na "moda" dos chamados povos primitivos. No antigo Egito, a profundidade do decote correspondia ao grau de influência social, e em Atenas as mulheres burguesas compareciam às ocasiões festivas com o busto nu. O topless, portanto, não é de forma alguma uma invenção de nossa época liberal.
 Os seios também são acentuados de maneira menos óbvia: erguidos por meio de espartilhos, atados e ao mesmo tempo exibidos por sutiãs, postos em forma por corpetes especiais ou simplesmente quando a mulher aperta os braços por baixo deles e se exibe. Até mesmo o acinturamento da roupa serve em parte para acentuar o busto. Jóias tais como broches e colares apontam para as preciosidades que estão abaixo. Para muitos seres do sexo masculino, mais excitante que o peito nu que se oferece é a sugestão de que eles poderiam merecer visão tão generosa. Neste sentido, as resvaladiças mulheres que usam vestidos decotados agem de forma igualmente hábil e (semi) consciente.
Assim como as mulheres sempre tiveram a tendência de empregar seus seios, por natureza proeminentes, no jogo social, os homens jamais o quiseram evitar. São quase exclusivamente homens que, no que diz respeito aos seios, determinam os caminhos muito retilíneos da moda.
Os seios, com sua maciez e flexibilidade, são a região do corpo que menos resistência oferece. Esse conhecimento, adquirido de maneira intuitiva pelo bebê, sempre foi usado pelos homens para conquistar toda a mulher por meio dos seios.
 Enquanto as mulheres em geral "pulam no pescoço" dos homens (1), os homens costumam voar para o peito. Sua suave forma semi-esférica é talvez fortemente responsável pela preferência que, também mais tarde na vida, temos por todas as coisas arredondadas. Nele nada repele, sendo tudo atraente e encantador. Sendo assim, tanto em formas de expressão exigentes como nas mais modestas, ele é circundado por imagens que correspondem à sua perfeita forma redonda. Entre as frutas, a maçã é especialmente solicitada em relação a isso, às vezes também as pêras. Para os mamilos, servem de modelo as framboesas e os morangos, ou então os botões das flores. Enquanto os húngaros falam de botões também na linguagem coloquial, os alemães não se acanham em falar de verrugas [Warzen].
Com isso, faz-se referência a algo repelente, repugnante mesmo, que nós na verdade costumamos relacionar com as bruxas velhas e más. Quem gostaria de colocar uma verruga na boca? Essa designação pode ser uma relíquia dos tempos da Inquisição, aquela projeção de loucura coletiva que via bruxas más e sedutoras especialmente nas mulheres atraentes. O movimento feminista descobriu essa temática e, desse lado, fala-se por princípio nas pérolas do peito. A palavra verruga, nesse contexto, permite presumir que em alemão as atitudes inconscientes negativas em relação à feminilidade madura predominam. Estas também têm sua tradição na história. Na Idade Média, os fanáticos religiosos xingavam o decote de "janela do inferno", e os seios de "foles do diabo" ou "bolas do diabo". Até mesmo a política se ocupava dos seios excitantes, e chegaram até nós decretos dirigidos contra sua "vergonhosa exibição". Naquela época tentou-se, especialmente nos países católicos, prevenir o perigoso desenvolvimento dos seios em geral, por exemplo colocando sobre eles pesados pratos de chumbo à noite.
 O peito feminino é de longe o órgão sexual secundário e o chamariz óptico mais importante. Ele é amplamente utilizado nessa função, e às vezes explorado. São sobretudo as industrias de cinema americana e italiana que destacam as "estrelas cheias de curvas" que fazem os corações dos homens baterem mais rápido. As mulheres são reduzidas a três cifras, sendo que o busto ocupa o lugar mais importante. Assim, o peito evidentemente torna-se o órgão pelo qual a mulher necessariamente se deixa definir e pelo qual muitas vezes também se autodefine. Em uma época digital, uma cifra é suficiente. Ânimos mais fora de moda ainda definem seu ideal de maneira mais descritiva. Os seios então devem ser bem formados, firmes e de tamanho médio.
Caso sejam muito pequenos, são degradados como ausentes, e quando são grandes demais passam a ser considerados uma provocação, juntamente com sua proprietária. É difícil para nós conceber que existem culturas que têm outro ideal e que, por exemplo, dão preferência aos "peitos caídos", que lá são símbolos de madurez, fertilidade e de uma vida muito bem vivida.
Na Alemanha, a fórmula simples que se esconde por trás da definição digital é que quanto maior o busto, mais (sexualmente) excitante é a mulher. Trata-se de uma sexualidade com forte orla maternal. O "conquistador masculino" pode esconder-se em tais seios e deixar-se mimar por eles como quando era bebê. É nesse sentido que o sintoma do fetichismo dos seios pode ser interpretado. Tais homens procuram a mãe na mulher, mais que para a satisfação genital madura, para dar-lhes cobertura emocional, abrigo e proteção e, juntamente com isso, a mulher poderosa. que a infantil cultura norte-americana, que vai da comida ao permanente jogo de índios e cowboys e passa por Mickey Mouse, se destaque também aqui, é tão pouco de admirar como a preferência italiana correspondente. Classicamente, a mamma italiana tem seios fartos e coloca-se inteiramente à disposição de suas crianças, grandes e pequenas.
Vários problemas com o peito e com os seios se desenvolvem a partir da valoração social, mas também do respectivo ambiente individual. A silhueta ideal está em boa parte submetida ao gosto de cada época. Se na virada do século a demanda ainda era por silhuetas arredondadas e mais generosas, hoje em dia pede-se uma linha esguia. A imagem ideal da estrela cheia de curvas difundida por Hollywood era a da mulher esbelta com seios grandes. O ideal Twiggy, uma silhueta de rapaz praticamente sem seios, já fez furor no mundo antigo. Nesta variedade de ideais, os problemas não podem ficar de fora. De fato nenhum órgão, incluindo o nariz, é operado tão freqüentemente sem necessidade médica como o peito (glândulas mamárias) feminino. Ao mesmo tempo, entretanto, também nenhum órgão feminino é operado com mais urgência e necessidade, já que o carcinoma da mama é o câncer mais freqüente nas mulheres.

(1) Com o pescoço declara-se o tema da propriedade. Conseqüentemente, quem se atira ao pescoço de outra pessoa visa a (região da) propriedade.

(Rüdger Dahlke - "A doença como linguagem da alma")

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publicado às 14:07


1 comentário

De Juliana Gomes a 18.10.2013 às 20:26

Texto muito bom!

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