
Cada ser humano é uma humanidade em separado. Cada um de nós tem em si um mundo próprio. Muito embora o condicionemos aos valores adquiridos, chega um dia em que desejamos que ele seja e aconteça como queremos, isto é, longe das pressões exercidas pela sociedade. Quando decidimos romper com os valores e com as expectativas parentais, geralmente, vem a culpa e o sentimento de que as coisas podem dar erradas. Nem sempre, sabemos administrar a liberdade que nós mesmos queremos. A prisão em que vivíamos era mais segura. Saímos dela e entramos em outras que, nem sempre, sabemos se são seguras. Perseguimos a liberdade, mas ela nos assusta. Precisamos aprender a desagradar quando isso for inevitável. A felicidade que se pretende pode exigir que saibamos receber o desagrado dos outros às nossas escolhas, principalmente quando temos consciência de nossos propósitos. Ninguém jamais conseguiria agradar a todos, visto que a unanimidade é impossível em face da diversidade de níveis evolutivos em que nos encontramos. Desagradar aos entes queridos por rebeldia significa viver em função dessa bandeira, isto é, de estar em oposição a alguém. Devemos aprender a não negar os outros, mas afirmar nossos próprios pontos de vista mesmo aos que a eles se oponham.
(Adenauer Novaes - "Felicidade sem culpa")