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No princípio, era o Logos, isto é, no princípio, era a Palavra. Quando se diz no princípio, não estamos a referir-nos ao começo temporal, mas à raiz, ao último, que é o primeiro. A Palavra que era e é no princípio é a expressão de Deus em Deus: é o próprio Deus enquanto dito.
Nessa Palavra, Deus diz todas as coisas e todos os homens e mulheres, toda a criação. A Bíblia refere expressamente que Deus criou pela palavra: Deus falou e tudo foi criado. Por isso, a criação, isto é, o universo, é palavra. As coisas todas são palavras. Cada homem, cada mulher, cada criança é palavra. Dito de outro modo: o universo todo é revelação de Deus. Deus diz-se a si mesmo no Sol, nas estrelas, nas plantas, nos animais, no mar, na história do mundo e dos homens... Cada homem, cada mulher, cada criança é manifestação do próprio Deus. Exprimindo melhor a realidade: Deus pela palavra chamou o mundo, todas as coisas, todos os seres humanos, e eles vieram e vêm à existência. Existir não é senão responder a essa Palavra divina criadora que convoca para a existência.
Depois, as nossas palavras humanas são tentativas de dizer essa Palavra primeira, respondendo-lhe. Fazemo-lo sobretudo na grande poesia, na grande música, na grande filosofia, na oração. De qualquer modo, no fundo, toda a palavra humana que proferimos acende-se nessa Palavra primeira do princípio.
Confessar que Deus é criador o que é que quer dizer senão que Deus quis manifestar-se e por isso criou? Ora, o acto criador é constante, permanente. Por isso, Deus não se revelou de uma vez por todas, Deus revela-se, manifesta-se continuamente, a cada instante...
As religiões todas são apenas tentativas de balbuciar essa revelação de Deus, tentar dizê-la em palavras humanas. Desde sempre, Deus quis, e quer dizer-se, revelar-se. E fê-lo e fá-lo de muitos modos e por muitos meios. E nós, os seres humanos, vamos tentando entender, compreender e dizer também de muitos modos e por muitos meios a manifestação de Deus.
A revelação de Deus é um processo nunca terminado, precisamente porque Deus é infinito. Como é que Deus infinito pode dizer-se de modo adequado, perfeito e acabado no finito? E como é que nós seres finitos podemos captar e compreender o Infinito na sua transparência e limpidez?
Portanto, a vontade de Deus é revelar-se, manifestar-se. Mas, na sua revelação, Deus, porque é infinito, será sempre mistério impenetrável para nós. Deus permanece no segredo. Esta afirmação - Deus permanece no segredo - é, porém, completamente diferente de pretender que Deus anda a dizer segredos a este ou àquele, a esta ou àquela... Para que é que o faria, se precisamente o que ele quer é manifestar-se a todos?
Deus não anda para aí a dizer segredos a ninguém, nem mesmo através de Nossa Senhora.
Aí está a razão fundamental por que inevitavelmente tinha de ficar frustrado, decepcionado, desiludido quem depositou a sua confiança na revelação da chamada terceira parte do segredo de Fátima...

(Anselmo Borges - "Janelas do (In)Visível")

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publicado às 20:03



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