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Apenas para homens

por Thynus, em 12.02.17
Nos próximos dois capítulos, quero conversar com cada cônjuge individualmente. Quero incentivar que as mulheres leiam o capítulo para homens, e que os homens leiam o capítulo para mulheres. Se vocês lerem juntos, terão muito a conversar. As questões que abordarei são aquelas que surgem mais frequentemente quando o sexo é discutido na sala de aconselhamento.



LIMPEZA É IMPORTANTE

Cara, uma das coisas que ouço com mais frequência de mulheres é que os homens vão para a cama cheirando a meião suado e, então, querem que a esposa chegue perto e tenha intimidade com simplesmente todas as partes do seu corpo.

Acho que não vai dar.

Anos atrás, fizemos um programa de rádio sobre higiene. Prefiro não saber antecipadamente o tema do programa do qual vou participar porque gosto de abordar o assunto como uma novidade — assim como acontece com o ouvinte. Não quero que o quadro pareça produzido ou artificial. Assim, como é meu costume, pouco antes de entrarmos no ar perguntei ao produtor qual era o assunto sobre o qual iríamos falar.

— Higiene e sexo — disse ele.

— Não, é mesmo? — disse eu.

— Higiene e sexo — repetiu ele.

— Você não está falando sério.

— Sim, estou.

— Bem, vou logo avisando, antes que o programa fracasse, que essa talvez seja a ideia mais estúpida que já tivemos.

Eu não poderia estar mais errado. Os telefones começaram a tocar assim que o tópico foi explicado, e as ligações continuaram entrando a todo vapor durante o programa inteiro, de uma hora de duração. Tivemos uma tremenda audiência porque maridos sujos que não tomam banho, não escovam os dentes ou não se preparam antes de ir para a cama de fato desanimam sexualmente as mulheres — e, finalmente, essas mulheres podiam falar sobre isso.

Deixe-me colocar a questão da seguinte maneira: às 10 da noite, o pelo da sua barba se parece com uma lixa grossa. Toda a tensão que você sentiu no escritório transpirou por sua pele, manchou suas axilas e fez seu pé cheirar como um monte de adubo. Muito embora você tenha poder suficiente para levar uma mulher ao êxtase e trazê-la de volta apenas com seu dedo indicador, se você nunca usar uma lixa para aparar as unhas das mãos, poderá fazer que sua esposa grite, mas por uma razão bastante diferente.

Rachel Herz, professora de psicologia experimental na Universidade Brown [em Rhode Island, Estados Unidos], publicou um estudo no qual fez a 332 universitários uma série de perguntas sobre o que lhes gerava atração pelo sexo oposto. As alunas disseram sistematicamente que o cheiro as atraía a um homem muito mais do que as características visuais.[1]

Em outras palavras, ainda que você seja “sarado”, não irá muito longe se estiver cheirando a rato morto.

Portanto, aprenda a usar o sabonete. Tome banho antes de se enfiar na cama se você teve um dia ocupado e estressante, ou se quiser que sua esposa fique particularmente próxima (você sabe do que estou falando). Se você tornar a experiência da sua esposa mais prazerosa, ela será mais receptiva.

E lembre-se: sua própria “fungada” não é uma medida boa o suficiente. O olfato da mulher é fisiologicamente mais apurado que o do homem. Portanto, ainda que você ache que não está fedendo, isso não significa que o nariz superior de sua esposa não vá captar algum sinal ofensivo.



SUTIL É MELHOR

Por alguma razão, a maioria de nós, homens, ainda reside mentalmente em algum lugar próximo da era do homem das cavernas quando se trata de romance. O que quero dizer é que nós ainda achamos que as mulheres gostam de ser agarradas à força, apertadas e maltratadas.

Às vezes, se o cenário estiver adequado, “maus-tratos” pouco agressivos e brincalhões podem ser bem-vindos; mas, em 90% das vezes, uma mulher gosta que o toque de seu homem seja muito mais sutil. Ela não quer que você agarre os seios dela como se estivesse apertando uma bola de tênis para ver se ela fica plana; ela não gosta que você lhe dê um tapa no traseiro como se ela tivesse feito um gol. Ela quer que o seu toque seja sutil. Se você quer de fato passar o dia inteiro “aquecendo” sua esposa, precisa assumir uma abordagem mais suave e dar atenção a áreas menos óbvias.

Veja a seguir alguns comentários reais feitos por mulheres ao falarem sobre maneiras pelas quais homens no passado fizeram seu coração derreter:

“Tirando uma mecha do meu cabelo da frente do meu rosto.”

“Penteando meu cabelo.”

“Entrelaçando a mão no meu cabelo.”

“Beijando atrás da minha orelha.”

“Tocando minha face.”

“Sentando-se perto de mim e colocando o braço ao redor do meu ombro.”

“Colocando a mão na minha coxa quando estávamos sentados perto um do outro no cinema, num jantar ou no sofá assistindo televisão.”

Uma mulher deu o seguinte testemunho: “Fazíamos nossa caminhada noturna. Paramos no topo da colina e, quando me virei para ele, ele passou a mão pelo meu rosto. Então, tocou meu cabelo. De repente, eu simplesmente o queria”.[2]

Não existe no grupo um único “Eu simplesmente adoro quando ele agarra de repente a minha virilha!”. Mas perceba quantas mulheres se referiram ao seu companheiro passando a mão por seus cabelos. Quando foi a última vez que você fez isso?

A diferença aqui é que, enquanto muitos homens tendem a ser sexualmente direcionados em seus pensamentos, as mulheres tendem a ser orientadas sensualmente.[3] Ir direto para as partes íntimas de uma mulher ou participar de um espancamento mamário não anunciado não é sensual; é sexual (ainda que não muito, pelo menos para a mulher!).



DEIXE QUE SEUS DEDOS FALEM

A maioria das mulheres, em geral, não experimentará o orgasmo por meio apenas do ato sexual. Não importa se seu primeiro nome é Don e seu último nome é Juan — fisiologicamente, o ato sexual parece planejado para um propósito: fazer que o homem deposite seu esperma. É um cenário ideal para o seu orgasmo, mas não necessariamente para o de sua parceira; portanto, vá com calma — você precisará que suas mãos também se envolvam.

A maioria das mulheres precisa ter seu clitóris estimulado para que consiga chegar ao orgasmo. O clitóris é um pequeno botão de carne localizado logo acima da abertura da vagina. Sua esposa, na verdade, tem dois conjuntos de lábios de carne, chamados de grandes lábios (ou lábios maiores) e pequenos lábios (ou lábios menores). Os lábios maiores são cobertos de pelos. Os lábios menores formam um V de cabeça para baixo. O clitóris é aquele botão de carne bem no vértice; ele é cercado por um capuz. Quando a mulher não está plenamente excitada, o “volume” do clitóris normalmente fica escondido em dobras de pele.
 
Assim como o pênis, o clitóris varia de tamanho de mulher para mulher. Alguns se sobressaem por entre os lábios e são fáceis de encontrar; outros são menores. Quando um marido sensível e amoroso faz bem o seu trabalho e excita ternamente sua esposa, o clitóris normalmente fica maior, facilitando sua descoberta.

Isto pode chocar alguns homens, mas o clitóris de uma mulher tem, na verdade, em média cerca de vinte centímetros de comprimento. Você só vê cerca de um décimo disso, é claro; o restante está aninhado dentro do corpo da mulher. A área que se destaca ao ser envolvida com o prazer é parte de um corpo principal muito maior, uma espécie de iceberg do amor com apenas a ponta disponível para o..., bem, olho nu (o trocadilho é proposital). Os outros quase vinte centímetros que você não vê se estendem para trás, na forma de um ossinho da sorte para dentro da pélvis.[4] Isso torna toda a área bastante receptiva ao toque sexual.

A concentração de vasos sanguíneos e nervos na ponta do clitóris o torna hipersensível ao toque. Marido, isso significa que ele é um extraordinário centro de prazer ou de dor intensa. Você está lidando com um instrumento extremamente sensível. Acima de tudo, por favor, entenda que o clitóris não é uma manivela que leva ao êxtase. Nem é como o acelerador de uma motocicleta, que basta ficar virando, virando e virando para que sinta o poder literalmente explodir debaixo de você. O clitóris é um órgão muito sensível que precisa ser manipulado com cuidado. Às vezes a manipulação indireta é a melhor. Um toque direto pode ser doloroso, dependendo da mulher. Nesse caso, você deverá mexer nos lábios ao redor do clitóris para estimulá-lo indiretamente. Algumas mulheres precisam que o clitóris seja lubrificado antes de ser tocado, e muitas gostam que ele seja acariciado com movimentos circulares.

Você também deverá variar a intensidade, o local e a duração dessas carícias. O que parece bom por dois minutos pode se tornar doloroso depois de três. Normalmente um toque provocante mais leve é o caminho preferido — contudo, com a proximidade do orgasmo, ela pode querer um toque mais vigoroso e direto. Essa é a vantagem do sexo conjugal: com o passar do tempo, você aprenderá o que sua esposa prefere.

Praticamente qualquer posição sexual permite ao homem ter pelo menos uma das mãos livre. Se você ou ela estiver por cima, se você estiver por trás e ela ajoelhada, ou se vocês estiverem na posição da colher, você pode passear com a mão e, com muito cuidado, encontrar esse pequeno e delicado amigo. Você precisa se familiarizar com esse pequeno botão se desejar fazer que sua esposa se sinta verdadeiramente satisfeita.

Mulher, permita-me acrescentar uma pequena nota aqui, especificamente para você: ajude seu marido a agradá-la. Cada mulher é diferente; cada clitóris, por assim dizer, prefere um toque singular. Em vez de deixar seu marido adivinhar, ou fazer que ele se sinta estúpido ou incapaz porque seu toque não é o certo, tome a iniciativa de guiá-lo.

Uma vez que essa pode ser uma questão bastante sensível, tente usar a motivação positiva. Assim que ele esbarrar em algo que funciona, seja efusiva: “Oh, sim, querido, é bem aí. Isso é perfeito”. “Ah, você está me deixando tão molhada.” “Oh, bem aí, esse é o ponto. Sim!” “Ah, não pare, oh, por favor, sim, bem aí, por favor, não pare!”

Se ele ficar excitado demais, não se envergonhe de pedir que ele se acalme um pouco: “Calma, querido, aqui é um pouco sensível”. Com o passar do tempo, você pode se sentir suficientemente confortável para guiar a mão dele. Lembre-se: você é a única que de fato sabe como é um toque em seu corpo. Seu marido pode procurar indicações, mas você facilitará muito as coisas para ele se for um pouco mais verbal.



ELES NÃO SÃO TÃO SENSÍVEIS QUANTO VOCÊ ACHAVA

A aréola — a parte escura onde fica o bico do seio — não é tão sensível quanto os homens costumam achar. De fato, alguns pesquisadores de Boston sugerem que a aréola é de duas a três vezes menos sensível que o dedo indicador de uma mulher.

Isso não significa que você pode tratar o bico do seio como o botão do rádio do seu carro; mas de fato indica que você pode precisar ser um pouco mais firme para fazer uma carícia que sua esposa aprecie.

Assim, lembre-se mais uma vez de que os seios de cada mulher são diferentes — não apenas em tamanho, mas em sensibilidade também. Algumas podem alcançar o clímax simplesmente por terem os seios afagados. Outras não vão chegar nem perto.



FAÇA AMOR COM ELA

As mulheres sabem que os homens tendem a ter mais interesse no sexo do que elas. O simples fato de você estar excitado não significa outra coisa para sua esposa senão que você gosta de sexo e que deseja que ela o “sirva”.

Por isso é tão importante garantir que sua esposa saiba que você está fazendo amor com ela. Você quer que ela saiba que seu desejo não é simplesmente ter um orgasmo (ainda que você não rejeite, caso ela o ofereça...), mas que seu desejo se concentra realmente nela. Ela é a única com quem você deseja estar.

Como fazer isso? Preliminares apressadas, movimentos vigorosos e, depois, sair de cima dela e cair imediatamente no sono não é a melhor receita. Deixe-me contar-lhe o que faz as mulheres se sentirem especiais durante o sexo, segundo elas mesmas:

“Quando ele conversa comigo durante o ato de amor, dizendo que me quer e por que e como eu o excito. Fale mais!”

“Contato visual. Quando estamos nos beijando. Quando estamos nos amando. Gosto de ver a expressão em seus olhos, porque, quando ele está me amando, sua expressão é muito carinhosa.”

“Quando fazemos amor, ele me toca na face, diz meu nome, brinca com o meu cabelo. Isso faz que eu sinta que ele está feliz por estar comigo.”[5]

Penso que, a esta altura, você já entendeu a questão: descubra formas de fazer que sua esposa saiba que você a deseja mais do que deseja o sexo. Torne o sexo pessoal, apaixonado e relacional.



O PONTO “DELA”

Hoje em dia, praticamente todo mundo já ouviu falar sobre o famoso ponto “G”, que tem esse nome devido ao dr. Graffenberg, o médico que o descreveu pela primeira vez, meio século atrás. Para a mulher, o ponto G é, em termos anatômicos, a esponja uretral. Desculpe-me se isso estraga um pouco do mistério, mas agora você já sabe.

Embora haja variação em relação à sensibilidade do ponto G feminino, ele certamente é algo com que o cônjuge sensível quer se familiarizar. Mas não se empolgue demais. Em vez de falar sobre o ponto G, prefiro conversar com os casais sobre o que eu chamo de o ponto “dela”.

O que descobri é que o ponto dela se move. Não importa do que você o chame — ponto G, ponto M, ponto Z, ponto quente — na terça-feira ele está aqui, mas no sábado está ali. Se você ficar muito obcecado por algo que leu num artigo de revista, vai perder o ponto dela.

Nosso trabalho como homens é descobrir o que faz a nossa mulher vibrar. O que faz a sua esposa vibrar talvez não seja o que mexe com a minha.

Mas agora que sua instrução se ampliou e você sente que o livro valeu o dinheiro gasto, vamos ver o que o famoso médico tinha a dizer sobre um ponto capaz de fazer sua esposa entortar os dedos do pé.

Antes de qualquer outra coisa, amigo, deixe-me adverti-lo: o ponto G não é um gatilho que pode ser apertado para disparar fogos de artifício à vontade. Você precisa encontrar o caminho que leva até ele. Se pressionar os dedos ali e começar a procurar, estará sujeito a transformar sua esposa em uma baleia assassina em vez de uma lânguida gatinha. Faça sua parte primeiro e, assim que sua esposa estiver excitada, coloque gentilmente um ou dois dedos (a palma da mão deve estar voltada para você) na vagina dela. A próxima parte varia de mulher para mulher, mas, de modo geral, cerca de dois a quatro centímetros acima da abertura da vagina na parede frontal, você terminará sentindo um pequeno ponto que tem alguns sulcos, ou que parece um pouco mais áspero que a pele ao redor. Uma vez que você estará tocando a uretra, sua esposa pode ficar preocupada com a sensação de querer urinar — mas logo depois, se você continuar aplicando uma pressão delicada, essa vontade se transformará numa sensação bastante agradável. Você saberá que tirou a sorte grande quando os gemidos começarem.

Talvez você ache mais fácil localizar o ponto G de sua esposa pedindo que ela se deite de bruços e abra as pernas para você. Nesse caso, você vai pressionar os dedos para baixo. Tente esfregar para cima e para baixo e também de um lado para outro, e incentive sua esposa a dar algum feedback. Esse ponto gera uma sensação diferente em cada mulher, de modo que você precisará descobrir o que é mais prazeroso para sua esposa. Ficará ainda melhor se você usar as duas mãos na brincadeira, estimulando o clitóris ao mesmo tempo em que massageia o ponto G.

Para atingir o ponto G durante a relação, costuma ser melhor colocar a esposa por cima. O homem deve se deitar com os joelhos erguidos, para que sirvam de apoio para a esposa. Com a prática, ela conseguirá direcionar o pênis de seu marido exatamente para o ponto certo.

Então fique firme.

Outra alternativa é o marido penetrar a esposa por trás, tentando conscientemente acariciar o ponto G com o pênis. Isso exigirá mais do que movimentos a esmo, é claro; será necessário um esforço sensível da parte do homem.



BRIGAS POR CAUSA DA FREQUÊNCIA

— Então — disse eu ao homem sentado à minha frente, o qual tinha três filhos e estava casado havia dezoito anos — o que você realmente gostaria de fazer na cama?

— Sexo seria muito bom — respondeu ele.

Eu deveria ter sido mais específico.

Quando um casal me procura para falar dos problemas em sua vida amorosa, as “brigas por causa da frequência” estão entre os desacordos mais constantes. Embora tenha conversado com algumas mulheres que desejam sexo mais frequentemente que seus maridos, de modo geral, os homens sentem como se tivessem de implorar para conseguir cerca de metade do sexo que eles gostariam de ter.

Não fique ressentido quando sua esposa não quiser sexo com a mesma frequência que você; a diferença costuma ser hormonal. Ela não tem a sua testosterona correndo pelo corpo, então, não espere que ela tenha o mesmo desejo que você, nem a culpe por isso. Ainda que algumas coisas possam melhorar o desejo, só dá para controlar o que fazemos com o desejo ou com a falta dele — nunca o desejo em si.

A maioria dos homens precisa de um ajuste para menos. Pare de esperar que sua esposa atenda a suas necessidades sexuais perfeitamente. Ajuste-se para que haja melhorias. A vida sexual perfeita que você tem em mente com certeza não existe; é muito melhor trabalhar na direção de algo que seja melhor do que brigar por um ideal que duas pessoas provavelmente nunca alcançarão.

Vou me expor um pouco aqui. Às vezes os autores se perdem no imaginário e apresentam exemplos irreais. Sou um homem de 48 horas; depois de mais ou menos 36 horas, o sexo se torna muito, muito importante para mim. Mas, sabe de uma coisa? Ter sexo a cada 48 horas raramente acontece no lar dos Leman. Seria uma semana atípica para Sande e eu ficarmos juntos três ou quatro vezes. Com minha agenda de viagens, cinco filhos e a loja de antiguidades de minha esposa, a Shabby Hattie, simplesmente não temos tempo nem energia para fazer sexo com a frequência que eu gostaria — mas, mesmo assim, temos uma vida sexual boa. Por quê? Porque não deixo o que poderia ser atrapalhar o que realmente temos.



FANTASIAS FEMININAS

As mulheres têm, sim, fantasias. Mas elas nunca se igualarão às masculinas. Contudo, felizmente para você, a maioria das fantasias femininas está de fato dentro do alcance do homem comum. Duas autoras fizeram uma pesquisa na qual pediram a mulheres que descrevessem suas fantasias românticas. As respostas foram animadoras:



Você pode comemorar por descobrir que nenhuma das fantasias citadas mencionou o desejo de ser coberta por diamantes, envolvida em pele de marta ou sequestrada num iate particular e seguir para a Ilha da Fantasia. Não, as fantasias descritas por mulheres de todas as idades eram facilmente realizáveis pelo homem comum, que trabalha das 8 às 5 da tarde.[6]



As fantasias incluíam coisas como praticar esportes ao ar livre, fazer compras, ir a concertos e comer em bons restaurantes. A chave principal para essas “fantasias” é que as mulheres queriam que os homens cuidassem de todos os detalhes envolvidos, desde o cuidado com as crianças até as reservas. É muito comum o homem dizer “Querida, vamos viajar no final de semana?” e, então, deixar na mão dela a responsabilidade de procurar o hotel, fazer as reservas no restaurante, conseguir alguém para ficar com as crianças etc.

Se as fantasias de sua esposa envolverem um jantar, procure um cenário de intimidade. Salões menores e baias ou cabines com luz de vela são preferíveis a uma atmosfera barulhenta e agitada. Procure lugares em que se usem guardanapos de pano e que toquem música lenta ou suave. Vá com estilo: arrume-se um pouco e, quem sabe, compre para sua esposa uma joia ou bijuteria, talvez um vestido novo. E, uma vez lá, tenha em mente que sua conversa vai determinar o sucesso ou o fracasso de seu jantar. Sanna e Miller sugerem o seguinte:[7]



Ela quer ouvir:
    Que ela está bonita.

    Que você sente saudades dela.

    Como é bom estar com ela.

    Planos para o futuro de vocês.

    Do que você gosta no relacionamento.

    Planos para o futuro dela (realizar sonhos e objetivos pessoais etc.).

    Interesses dela (incentive-a nisso).

    Como vocês se conheceram (lembranças de um começo maravilhoso).

    Por que ela é especial para você.

    Coisas positivas sobre o restaurante.

    As realizações dela.

    O dia dela

    As ideias dela.

    O apreço que você tem por tudo o que ela faz.

   

  Ela não quer falar sobre:   

    As crianças, os parentes.   

    O escritório.

      Coisas que você tem de fazer que não a envolvem.  

    Qualquer coisa negativa, qualquer coisa que você não gosta em relação a qualquer coisa.  

    Questões sobre as quais vocês discordam e que possam gerar uma discussão.   

    Tarefas de casa.   

    Gastos, contas, impostos.

    Problemas do dia.   

    Outras mulheres, do passado ou do presente.

    Coisas negativas sobre o restaurante. 

    Suas realizações.

    Seu dia..

    Suas ideias.
  
    As dificuldades que você teve para planejar este grande encontro.



É claro que algumas mulheres de fato querem ouvir sobre como foi o seu dia, mas somente depois de você ter demonstrado interesse pelo dia dela. Mantenha o foco positivo sobre ela e seja relacional.

“Mas espere um instante, dr. Leman”, alguns homens podem estar dizendo. “O que há de sexy nisso tudo?”

Ah, meu caro amigo, você cometeu o erro masculino fatal. Você presumiu que “fantasia” e “sexo” estão combinados na mente feminina. Isso não é necessariamente verdadeiro. Mas, sabe de uma coisa? Satisfaça essa fantasia e o interesse de sua esposa pelo sexo com você aumentará cem vezes — desde que ela esteja certa de que você não está fazendo isso apenas porque espera um grande “pagamento” em retribuição.

Uma pesquisa pediu a mulheres que preenchessem o espaço da seguinte frase: “Se ele fosse mais romântico, eu estaria mais inclinada a _____”. As respostas foram:



1. “Ficar mais excitada por estar com ele.”

2. “Manter-me atraente.”

3. “Descobrir o que ele quer; tentar ajudá-lo a satisfazer suas necessidades.”

4. “Ficar com ele em vez de encontrar um novo parceiro.”

5. “Estar de bom humor perto dele.”

6. “Atender suas necessidades sexuais.”[8]



Dentre todos os bilhões de homens sobre a face da terra, sua esposa escolheu você. Por que acha que isso aconteceu? Foi porque ela pensou que a maneira como você agia durante o namoro seria a maneira como você agiria depois que se casassem?

Pensando bem, isso é bastante razoável.

Você está tratando o relacionamento com sua esposa como favas contadas? Você ainda faz as coisas que fazia para “cortejá-la” ou ainda “namora” com ela? Você teria ido ao baile da escola cheirando a óleo de motor de carro? Então por que vai para a cama com esse cheiro?

A maneira mais eficaz de melhorar sua vida sexual, incluindo o desejo de sua esposa por você, é concentrar-se nos outros 95% do seu casamento e trabalhar para edificá-los.


(Kevin Leman - Entre Lençóis)

NOTAS:
[1] Didi Gluck, “The Scent-Sex Connection”, Redbook, nov. de 2000, p. 142.

[2] Lucy Sanna e Kathy Miller, How to Romance the Woman You Love, p. 70-71.

[3] Idem, p. 73.

[4] Citado em Andrew Levin, “Mysteries of the Cligeva”, Men’s Journal, fev. de 2001, p. 49.

[5] Lucy Sanna e Kathy Miller, How to Romance the Woman You Love, p. 81.

[6] Idem, p. 147.

[7] Idem, p. 158.

[8] Idem, p. 189.

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publicado às 15:26


O Corvo

por Thynus, em 11.02.17
 
 
 
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O Corvo: um livro corporativo
Era meia-noite fria; e eu, débil e exausto, lia
alguns volumes de vagos saberes primordiais.
E, já quase a adormecer, ouvi lá fora um bater
como o de alguém a querer atravessar meus portais.
“É um visitante que intenta atravessar meus portais” –
pensei. – “Isto, e nada mais!”

Tão claramente me lembro! Era o gelo de dezembro;
e o fogo lançava – lembro – no chão manchas fantasmais.
Pela aurora eu suspirava e nos livros procurava
esquecer a que ora errava entre as legiões celestiais –
aquela que hoje é Lenore entre as legiões celestiais,
sem nome aqui por jamais.

E o mover suave e magoado do ermo, roxo cortinado
me deprimia e me enchia de terrores espectrais;
de modo que eu, palpitante, calando o peito ofegante,
repetia: “É um visitante que vem cruzar meus portais,
um visitante, somente, que vem cruzar meus portais.
Isto apenas – nada mais.”

Então minha alma ganhou força e não mais hesitou.
“Senhor” – eu disse – “ou senhora que lá fora me chamais.
Mas, porque eu quase dormia, mal ouvi que alguém batia,
que com sossego batia e discrição tão iguais,” –
murmurei, abrindo a porta – “que ao silêncio eram iguais.”
E vi treva, nada mais.

A escuridão perquirindo, lá fiquei, tremendo, ouvindo,
sonhando, em dúvida, sonhos que mortal sonhou jamais.
Mas o silêncio insistia, e a calma nada dizia,
e a única voz que eu ouvia eram meus profundos ais
e o nome dela entre os ecos dos meus repetidos ais.
Só isto, só, nada mais.

Ao cômodo retornando – minha alma em mim se incendiando –,
ouvi de novo mais forte baterem aos meus umbrais.
“É alguém que bate, lá fora, à minha janela agora
e entrada talvez implora” – pensei, e busquei sinais. –
“Acalma-te, coração, pois que são estes sinais
só o vento e nada mais.”

E então abri a janela, e eis que penetrou por ela
na câmara um nobre Corvo desses de eras ancestrais.
Entrou sem deferimento, sem fazer um cumprimento,
dama ou lorde pachorrento, e pousou sobre os umbrais.
Pousou num busto de Palas que havia sobre os umbrais,
pousou lá, e nada mais.

Frente à ave preta, surpresa, sorriu-se a minha tristeza,
vendo o seu grave decoro e os seus ares senhoriais.
“Sem crista embora, e tosado,” – disse eu – “pareces ousado,
duro e antigo Corvo, nado dos noturnos litorais.
Dize-me o teu nobre nome lá nos negros litorais!”
E ele disse: “Nunca mais.”

Meu espanto foi tremendo tais palavras entendendo
(apesar de sem sentido) que ele disse, naturais.
E quem não teria achado que um homem ter avistado
um pássaro assim pousado por cima dos seus umbrais
é grande espanto, ainda mais no busto sobre os umbrais,
com o nome de “Nunca mais”?

Porém a ave ali quieta nada mais disse, discreta,
como se a alma toda desse nesses ditos essenciais.
E nada mais pronunciou, nenhuma pena agitou,
até que de mim saltou: “Amigos já não tem mais.
Na manhã, como os meus sonhos, aqui não estará mais.”
E o Corvo então: “Nunca mais.”

Atônito, ouvindo aquilo que ele enunciara, intranquilo
eu disse: “É tudo o que sabes, e mais adiante não vais.
É o que no passado ouviste de algum dono a cujo triste
destino acaso assististe com teus olhos penumbrais –
e cuja dor se exprimia nas sílabas penumbrais
do teu bordão: ‘Nunca mais.’”

Mas, sem dele desistir, voltou minha alma a sorrir;
e uma poltrona arrastei para junto dos umbrais.
E, então ali me assentando, uns aos outros fui juntando
mil devaneios, pensando na ave de eras ancestrais,
na lenta, negra, agourenta ave de eras ancestrais
que dizia “Nunca mais”.

Lá fiquei, a cogitar, sem um dito endereçar
à ave, cujos olhos fixos em meu peito eram punhais;
lá fiquei, absorto e mudo, pendida sobre o veludo
a cabeça em tal estudo, sob as luzes espectrais –
o veludo que Lenore, entre as luzes espectrais,
não tocará nunca mais.

Supus que o ar ficou mais denso de algum ignorado incenso
que os serafins esparzissem com passos angelicais.
“Teu Deus” – me disse – “gerou-te; pelos seus anjos mandou-te
o esquecimento, e aliviou-te de tuas dores brutais!
Bebe o nepente e te esquece de tuas dores brutais!”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”

“Profeta ou demônio” – eu disse – “que uma asa negra vestisse!
Se foi a procela ou o diabo quem te trouxe aos meus portais;
se nesta terra arrasada, deserta, agra e amaldiçoada,
se nesta casa assombrada pelo horror, de que não sais,
existe alívio – eu te indago, a ti que daí não sais!”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”

“Profeta ou demônio” – eu disse – “que uma asa negra vestisse!
Pelo alto Céu que nos cobre, pelo bom Deus dos mortais,
dize a esta alma – te conjuro – se nalgum Éden futuro
ela há de rever o puro ser que agora não vê mais,
de Lenore o ser radiante e puro que não vê mais.”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”

“Que a senha do nosso adeus seja esse dito, ave ou deus!
Retorna, pois, à procela e aos noturnos litorais!
Sequer uma pluma reste a lembrar o que disseste
e que em meu tédio irrompeste! Deixa, pois, os meus umbrais!
Não biques mais o meu peito e foge dos meus umbrais!”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”

E o Corvo não foi embora: lá ficou, lá se demora,
pousado no busto branco de Palas, sobre os umbrais,
com a aparência tristonha de algum demônio que sonha;
e a luz no piso desenha seus contornos fantasmais;
e eis que, perdida, minha alma dos contornos fantasmais
se livrará – nunca mais!

(Edgar Allan Poe - O Corvo)

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publicado às 22:05


Deleites orais

por Thynus, em 07.02.17
Por alguma razão, os apresentadores de programas de entrevistas estão sempre interessados em ter um psicólogo falando sobre um assunto banal. Certo dia, eu estava assistindo a um desses programas do qual participavam três colegas cristãos “especialistas”. Um desses convidados, infelizmente, parecia mais ansioso para discutir o que um casal não poderia ou não deveria fazer do que para falar sobre a grande liberdade e alegria que Deus planejou para todo casal casado. Ele denunciou em alto e bom som o sexo oral — até mesmo entre os casados. Naturalmente, ele não tinha um versículo bíblico sobre o qual se apoiar, mas, do jeito que falava, parecia que estava olhando o rosto do anticristo!

Meu bom amigo Charlie Shedd, a quem admiro há anos, inclinou-se e disse: “Não critique antes de experimentar!”.

O rosto da “autoridade” ficou pálido, e não pude deixar de dar risada. Muito bem, Charlie!

Se Deus me desse uma varinha mágica que eu pudesse agitar sobre todos os casais, gostaria de uma que instantaneamente desse autocontrole e moderação aos casais não casados (Cabum! Seus zíperes estão travados até o dia do casamento!) e que, do mesmo modo, desse maior liberdade e senso de exploração aos casais casados (bem, bem, bem — veja o que temos aqui!). Realmente acho que as pessoas casadas precisam da atitude citada por meu dermatologista. Tive alguns “sustos” relacionados ao câncer de pele, de modo que o doutor deu uma tarefa a mim e a Sande: “A cada seis meses, você e Sande precisam explorar o corpo inteiro um do outro”. Ele se referia a procurar por verrugas que mudam de cor e assim por diante, mas então acrescentou com um olhar maroto: “Vocês podem transformar isso em algo bem divertido, não é?”.

Pode apostar que sim!

No passado, o sexo oral era olhado com desprezo. De fato, muitos estados norte-americanos ainda têm leis registradas que proíbem esse tipo de atividade. Na minha visão, são restrições ultrapassadas. Consideremos, em vez disso, a poesia bela e quase despreocupada apresentada na Bíblia. Sim, isto é poesia, mas ela demonstra um casal se entregando plenamente um ao outro:



O seu fruto é doce ao meu paladar.
(Cântico dos Cânticos 2.3)

Que o meu amado entre em seu jardim e saboreie os seus deliciosos frutos.
(Cântico dos Cânticos 4.16)

Entrei em meu jardim, minha irmã, minha noiva; ajuntei a minha mirra com as minhas especiarias. Comi o meu favo e o meu mel; bebi o meu vinho e o meu leite. Comam, amigos, bebam quanto puderem, ó amados!
(Cântico dos Cânticos 5.1)

O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de especiarias, para descansar e colher lírios. Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios.
(Cântico dos Cânticos 6.2-3)

Seu umbigo é uma taça redonda onde nunca falta o vinho de boa mistura.
(Cântico dos Cânticos 7.2)

Eu lhe daria vinho aromatizado para beber, o néctar das minhas romãs.
(Cântico dos Cânticos 8.2)


Muitos estudiosos acreditam que algumas dessas passagens se referem diretamente ao sexo oral, isto é, estimular os genitais do parceiro com a boca. Mas, ainda que não tratem disso, elas certamente falam de uma entrega amorosa e de uma liberdade para expressar a paixão de formas criativas e excitantes. De fato, a Bíblia não diz se o sexo oral entre o casal casado é imoral — o que, para a maioria dos estudiosos da Bíblia, significa que não há problema com a prática. Se Deus estivesse tão preocupado em relação a isso, diz o raciocínio, com certeza o teria proibido.

Pense nisto: se não há problema em beijar alguém nos lábios (e não conheço ninguém que, com base em algum fundamento moral, se oponha a isso), por que um beijo em qualquer outro lugar seria “imoral”? Então o homem não pode beijar os seios de uma mulher? E os dedos do pé, a parte detrás do joelho ou outras partes do corpo conhecidas por serem, em algumas pessoas, sensíveis à estimulação oral? Onde se deve traçar a linha arbitrária?

Certamente não é uma questão de higiene. Falando de maneira bem direta, quando uma mulher beija o pênis recém-lavado de um homem, sua boca tem muito mais germes do que o pênis. Se você estiver realmente preocupado com higiene, esqueça o beijo na boca e vá direto ao sexo oral!

Dito isso, nenhum parceiro deve ser compelido a fazer alguma coisa que considere desagradável ou imoral — embora poucos líderes cristãos hoje em dia sugeririam que há algo biblicamente errado com o sexo oral. E a parte desagradável normalmente pode ser superada se ambos os parceiros cuidarem da higiene antes de ir para a cama.

Como psicólogo, também estou bem ciente de que pessoas mais velhas tendem a ver o sexo oral como “tabu”. Com base em minha pesquisa pessoal e na prática de mais de trinta anos de aconselhamento, praticamente todos os casais mais jovens (na casa dos 20 ou 30 anos, casados ou solteiros) fazem sexo oral tanto quanto praticam o ato sexual em si, uma vez que é um “sexo mais seguro”, enquanto que casais mais velhos (dos 40 em diante) tendem a praticar o sexo oral com muito menos frequência, se é que o fazem.

A ironia disso é que quanto mais velho fica o homem, mais ele precisa de estimulação! O sexo oral se encaixa perfeitamente nessa necessidade. Outra grande vantagem do sexo oral para casais mais velhos é que ele não impõe sobre o homem a pressão sobre sua capacidade de ter ou manter uma ereção. Se o homem sabe que é capaz de dar prazer a sua parceira independentemente da ereção, ele se preocupará muito menos em ter ereção (o que, ironicamente, aumenta a probabilidade de que ele venha a ter uma).

Se o sexo oral é algo que vocês não tentaram no passado, deveriam considerar a ideia de acrescentá-lo ao cardápio desta noite.



DISCUTINDO O CARDÁPIO

Se você gostaria de tentar o sexo oral, mas não tem certeza de que seu cônjuge seja receptivo, existem duas opções. Primeiro, você pode levantar o assunto numa conversa gentil e amorosa: “Meu bem, eu queria muito tentar algo novo que agrade você. Que tal se eu começasse a beijar todo o seu corpo?”.

Se seu cônjuge recebe esse tipo de carinho, então pode ser que fique mais inclinado a dá-lo também.

Outra opção, embora você precise ser cuidadoso com esta, é avançar gradualmente para o sexo oral no calor da paixão. Mova-se para baixo dos seios de sua esposa, beijando sua barriga, depois talvez descendo para as pernas, seguindo devagar para a parte interna de suas coxas. Veja como ela reage. Ela demonstra desejar que você vá mais além ou está ficando desconfortável?

Não apresse nada e, se sua esposa estiver hesitante, pare imediatamente. A beleza da sexualidade entre os casados é que vocês têm a vida inteira para crescer, explorar-se mutuamente e desfrutar um do outro. Não há pressa para experimentar qualquer atividade. E pode ser que um dos parceiros nunca se disponha realmente a dar ou a receber o sexo oral. Também não há problema nisso. Existem muitas outras maneiras de um casal desfrutar a intimidade sexual ao mesmo tempo em que ainda experimenta uma variedade de atividades sexuais.

Para as mulheres que querem oferecer um tratamento especial para seu marido, vamos falar sobre fazer o “sr. Feliz” sorrir.



COMO FAZER O SR. FELIZ REALMENTE FELIZ

O Sr. Feliz gosta de ser beijado. Nada o deixa tão feliz como a carícia oral da esposa. Cada homem tem suas preferências, mas, de modo geral, todos seguem os parâmetros a seguir.

Provocação é legal — mas por cerca de dez segundos. Pequenas lambidas suaves ou uma passada gentil da língua podem ser muito excitantes, mas não demora muito tempo e o homem vai querer algo bem mais direto. Ele vai querer que você cubra o pênis inteiro com sua boca. Muitos homens dirão que quanto mais fundo, melhor.

Isso não quer dizer que, assim que tiver o pênis na boca, você não possa parar para respirar. Sinta-se livre para se afastar, lamber um pouco mais, soprar levemente e o que quiser, mas não espere muito tempo para voltar.

Aqui está uma coisa que muitas mulheres não percebem: a parte de baixo do pênis é mais sensível que a de cima. Uma lambida longa e exuberante ali, na fase da provocação, e seu marido vai agarrar o travesseiro e se contorcer de prazer.

Se isso é novo para você, a primeira pergunta que provavelmente desejará fazer é: “E os meus dentes?”. A resposta curta é: “Sim, os dentes machucam!”. Você deve colocar seus lábios acima deles e ser gentil — especialmente se usar aparelho.

A segunda pergunta que normalmente é feita é: “Estou fazendo do jeito certo?”. Ouça, você não está sendo avaliada por juízes olímpicos! “Eu lhe daria um 10, mas os dedos do pé não estavam curvados, de modo que lhe darei um 9,5.” Não se trata de estar certa ou errada, mas sim de seu marido estar ou não gostando. Para descobrir a resposta, você deve perguntar a ele, não a mim! Não se ofenda se, no início, ele disser: “Um pouco mais suave, mais devagar, um pouco mais forte...”. Ninguém nasceu com as habilidades de ser um bom amante, e você não precisa se envergonhar diante do fato de que precisa de mais prática.

Uma terceira pergunta invariavelmente tem a ver com o clímax. Para algumas mulheres, a ideia de engolir o produto da ejaculação é repugnante. Não há nada de natureza prejudicial em relação ao sêmen do homem, e a quantidade expelida durante a ejaculação é relativamente pequena. Mas se a ideia de prová-lo lhe é repulsiva, simplesmente tire a boca antes que seu marido atinja o orgasmo. Com o tempo, você será capaz de perceber esse momento por meio das contrações do pênis. Um marido cuidadoso também pode avisar a esposa se souber de sua relutância. Embora você possa afastar a boca, continue estimulando-o com sua mão; certamente será uma decepção para seu marido se você parar toda a estimulação exatamente no momento em que ele mais estiver gostando.

Às vezes o homem aprecia que a esposa faça contato visual enquanto o beija. Lembre-se de que os homens tendem a ser mais visuais. Se você não se importar de ter uma luz leve no quarto, ou até mesmo algumas velas, seu marido poderá gostar da visão tanto quanto gosta da sensação. Isso talvez exija que você segure seu cabelo para trás de modo que ele não funcione como uma cortina.

Embora normalmente nos refiramos a isso como “sexo oral” por falta de uma expressão melhor, não significa que apenas a língua precise estar envolvida. De fato, você pode aumentar muito o prazer de seu cônjuge ao trazer as mãos para a brincadeira. Se sua boca estiver cansada, você poderá fazer uma pequena pausa enquanto acaricia seu marido com as mãos. Ou pode usar a boca e as mãos juntas, acariciando seu marido nas partes mais íntimas enquanto lhe beija o corpo todo.

Algumas mulheres que aconselhei se surpreenderam com o fato de terem aprendido a gostar de praticar o sexo oral. Isso deixou de ser uma imposição para se tornar um prazer verdadeiro. Quando uma mulher demonstra desfrutar do prazer que dá ao marido, ela está lhe oferecendo um presente de intensidade rara. Nada excitará mais seu homem do que saber que você está excitada — particularmente enquanto você faz algo que o atiça.



COMO FAZER SUA ESPOSA MORDER O TRAVESSEIRO

Alguns homens podem se surpreender com o fato de que, quando uma mulher se masturba, quase todas elas estimulam o clitóris; relativamente poucas inserem algo na vagina.

O que isso revela? Que a parte mais estimulável da genitália feminina está do lado de fora. Não me entenda mal: as mulheres gostam da sensação de ter o pênis do marido dentro de si. Mas quando se trata de estimulação sexual, elas preferem ser acariciadas e esfregadas, mais do que penetradas.

Considere o seguinte: não há maneira mais suave ou gentil de estimular sua esposa do que com sua língua. Se ela realmente preferir ser acariciada, que outro instrumento mais hábil você possui do que sua língua?

Não consigo imaginar outra coisa!

Mesmo assim, algumas mulheres são tão hesitantes quanto a permitir que o marido faça sexo oral nelas quanto hesitam em fazer sexo oral no marido. “Posso entender o fato de ela não querer fazer isso em mim”, alguns maridos já me disseram, “mas por que ela não desejaria recebê-lo?”.

Tenha em mente que não existe ato mais fisicamente íntimo que você possa praticar com sua esposa do que o sexo oral. Aqueles políticos do passado que tentaram sugerir que sexo oral não é realmente “sexo” não enganaram ninguém; todos nós sabemos disso. A mulher fica tão vulnerável quanto poderia estar, e é possível que pense: “Ele vai achar isso nojento? E se eu tiver um cheiro ruim, ou um gosto ruim? Será que ele não está de fato odiando isso?”. Com pensamentos desse tipo, é difícil para algumas mulheres simplesmente se deitar de costas e desfrutar da experiência.

De fato, as mulheres com quem converso, na maioria, confessam que no início do casamento, elas não queriam que o marido fizesse sexo oral nelas e, quando isso por fim acontecia, elas tinham tanta vergonha que a prática não era algo particularmente agradável. Assim que superam essa dificuldade psicológica, essas mesmas mulheres passam a amar o sexo oral — quanto mais demorado, melhor. Mas isso é de fato uma dificuldade para muitas mulheres.

Por conta disso — mais uma vez, falando como psicólogo — esse é um dos exemplos no qual o prazer do marido é tão importante quanto o da esposa. Você se entrega a ela quando alivia esses temores ao garantir-lhe, verbalmente ou de outra forma, que isso é algo de que você gosta.

Para o bem dos dois, a esposa deve se banhar antes de ir para a cama. Se ela se sentir limpa, vai se constranger menos. Você, homem, vai seguir sem pressa para completar cada estágio. Embora você talvez não se importe que sua esposa o acorde com a boca em seu pênis, ela normalmente desejará que você comece devagar.

Beije-a atrás da orelha, vá descendo pelo pescoço, passe algum tempo em torno dos seios, não se esqueça daquele ponto adorável na parte de dentro do cotovelo e, de modo provocante, pule a parte do meio e vá direto para as pernas. Aquele ponto atrás do joelho pode deixar uma mulher louca se você souber lambê-lo do jeito certo. Esses lugares macios podem ganhar vida durante uma lenta sessão de amor. Ao mudar de direção, você pode descobrir que algo acontece quando beija gentilmente a parte interna das coxas de uma mulher que a faz deslizar para baixo! Se fizer isso do jeito certo, seguindo vagarosamente de volta ao norte, sua esposa estará praticamente (ou talvez literalmente, se você for sortudo) implorando que você a beije no lugar certo. Quando fizer que ela realmente deseje isso, e lhe der aquele beijo leve e sensual, poderá levá-la a começar a morder o travesseiro por medo de acordar as crianças.

Eis uma posição particularmente agradável para fazer isso: olhando para os pés dela, escorregue sua mão direita para baixo de sua esposa (debaixo das nádegas dela). Seus dedos estão logo ali, querendo fazer uma pequena dança na genitália dela, e sua boca tem pleno acesso às regiões vulneráveis; as bordas do clitóris e as dobras dos lábios estão todas ali para que seus dedos e sua língua trabalhem juntos.

Homens, tudo tem a ver com o clima e o tempo reservado para chegar lá. Se você deixar sua esposa no ponto, ela se esquecerá de onde está e se perderá no caminho por onde você a levar. Você se surpreenderá com o que uma professora de escola dominical faz e diz no calor de tal paixão. Quando sua esposa está excitada, toda essa área fica sensível. Não ignore nada, e varie os movimentos de sua língua. Você pode alternar lambidas, puxões carinhosos (com os lábios, nunca com os dentes!) e beijos. Acima de tudo, lembre-se deste mote: Gentilmente, homem, gentilmente. A reclamação mais comum nessa área é que o homem é muito bruto e acaba machucando sua esposa, em vez de lhe dar prazer. Isso é particularmente verdadeiro à medida que ele sente que sua esposa está esquentando e ele se deixa levar. Sua língua precisa ser insistente, mas leve. Preste atenção nas reações de sua esposa. Ela pode estar tensa demais para dizer “Ai!” (por não querer ferir seus sentimentos); portanto, verifique as indicações não verbais.

A propósito, não se esqueça das mãos. Deixe seus dedos tocarem qualquer lugar que sua língua não puder alcançar. A estimulação combinada pode fazer sua esposa estremecer. Estenda a mão e acaricie-lhe os seios, ou estimule o clitóris com os dedos enquanto lambe um pouco mais embaixo. Ou então, beije gentilmente seu clitóris com a boca enquanto penetra sua vagina com um ou dois dedos, talvez alcançando o ponto “dela”.

Tendo esboçado os possíveis prazeres do sexo oral, quero acrescentar que homens e mulheres não devem nunca, jamais forçar o parceiro a fazer qualquer coisa que este não queira. Lembre-se daquele versículo: “O amor não procura seus interesses”. Se o seu cônjuge — pela razão que for — considera o simples pensamento no sexo oral algo desagradável, detestável ou imoral, é errado de sua parte fazer que ele se sinta culpado ou pressioná-lo para que “ceda”.



ALGUNS PRAZERES DO SEXO ORAL

Se você já é hábil nas artes do sexo oral, aqui vão alguns “prazeres” especiais nos quais talvez não tenha pensado:



    Chupe algumas balas de sabor forte (como menta e eucalipto) antes de beijar seu parceiro, ou deixe uma pastilha para garganta na boca enquanto você dá conta do recado. O “mentol” na sua língua provocará uma sensação bastante prazerosa.
    Outra boa ideia é colocar uma xícara de chá quente perto da cama. Vá tomando pequenos goles. Isso não apenas faz seu parceiro ter um gosto bom, mas o calor extra da língua deixará seu cônjuge louco.
    Sussurre enquanto dá prazer a seu parceiro.
    Esposas, lembrem-se de que os homens são bastante visuais. Se puder deixar que seu marido veja o que você está fazendo, e talvez até prender o cabelo para cima, ele ficará muitíssimo agradecido. Um contato visual de vez em quando é um poderoso afrodisíaco!



Mal posso esperar pelas correspondências que receberei sobre este capítulo!

(Kevin Leman - Entre Lençóis)

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publicado às 18:20


O grande “O”

por Thynus, em 07.02.17
Muitas mulheres ficam surpresas quando lhes digo que uma grande porcentagem de homens têm inveja do orgasmo delas. Embora as mulheres normalmente tenham mais dificuldade no início para atingir o orgasmo (em especial, na primeira vez), assim que conseguem — bem, da perspectiva do homem, parece que o mundo está explodindo.

Considere aquela famosa cena do filme Harry e Sally – Feitos um para o outro, quando a atriz Meg Ryan finge ter um orgasmo numa lanchonete em Nova York, para o deleite de todos (especialmente para a senhora que diz, com toda franqueza: “Eu quero a mesma coisa que ela está comendo”). Se você estivesse passando por um quarto e ouvisse o que estava acontecendo, seria tentado a chamar a polícia!

Não me entenda mal: nós, homens, adoramos o clímax feminino. Aqueles poucos e intensos segundos valem todo o esforço feito para chegar ali. Mas, quando olhamos para nossa esposa, vemos que ela começa devagar e, então, aparentemente pega uma onda de prazer atrás da outra. Além do mais, quando enfim chega ao orgasmo, ela é capaz de continuar! A maioria de nós, homens — pelo menos aqueles de nós com mais de 30 — são nocauteados e ficam fora de ação por pelo menos meia hora (se não por um dia ou dois). Mas as mulheres têm a habilidade psicológica de ser como o coelho da Duracell: elas continuam, continuam, continuam...

Fisiologicamente, a única coisa que limita o número potencial de orgasmos de uma mulher em determinado encontro sexual é ela própria. Algumas acham que um é suficiente. Outras se cansam e ficam sem energia para buscar algo mais intenso. Mas o corpo da mulher pode continuar de uma maneira que o homem simplesmente não pode.

Entre as mulheres, os orgasmos múltiplos variam. Algumas parecem pegar uma onda de orgasmos, na qual um se sucede ao outro. Outras chegam ao clímax e, então, passam por um período refratário ou de descanso antes que se sintam prontas para gozar outra vez.

Elas também têm mais controle sobre seus orgasmos. O homem consegue controlar sua ejaculação antes de alcançar um determinado ponto, mas, fisiologicamente, ele acaba cruzando uma linha a partir da qual ele simplesmente não consegue controlar se o orgasmo vai acontecer ou não (razão pela qual os homens precisam identificar como se sentem antes de alcançar esse ponto sem volta). Tão logo o homem chegue a um determinado ponto, o orgasmo vai acontecer.

As mulheres, por outro lado, podem parar em praticamente qualquer ponto. Uma esposa pode estar surfando nas ondas de êxtase, a poucos segundos de cair no oceano do orgasmo, mas então escuta o bebê chorar ou pensa que ouviu o vizinho do lado de fora da janela e, de repente, está tão longe do orgasmo quanto a Austrália do Polo Norte. (Minha esposa Sande aderiu à regra do quilômetro. Ela está mentalmente pronta para o sexo, desde que ninguém esteja a menos de um quilômetro da cama sobre a qual o sexo ocorrerá.)

Outra diferença entre o orgasmo do homem e o da mulher se baseia na última experiência sexual. Digamos que um marido tenha estado longe por duas semanas numa longa viagem de negócios. O corpo da mulher pode entrar num tipo de hibernação lenta, no qual ela não está sexualmente ativa. Se já fizer algum tempo desde sua última experiência sexual, ela, em geral, precisará de mais tempo, não de menos, para estar pronta.

Em contrapartida, com o homem acontece exatamente o oposto. Se ele não faz sexo há duas semanas, pode estar a ponto de bala, a afamada “maravilha de trinta segundos”. Seu corpo estará a cem por hora antes mesmo que a esposa o toque. Apenas o pensamento de chegar em casa pode ser suficiente para provocar uma ereção, ao passo que a esposa provavelmente precisará ser “despertada” e conduzida de maneira um pouco mais lenta. Se o homem não tem um orgasmo há bastante tempo, será mais difícil para ele obter o controle ejaculatório. Ele provavelmente não precisará de nenhuma preliminar, enquanto sua esposa, ao contrário, precisará de uma preliminar mais longa.

O potencial para conflito é óbvio!



CHEGANDO LÁ

É bem provável que eu tenha uma visão um tanto tendenciosa, já que, por definição, as pessoas que me procuram, na maioria, o fazem porque têm problemas sérios o suficiente para justificar o pagamento a alguém para conversar sobre eles. Mas, com essa visão tendenciosa, descobri que um dos problemas sexuais mais presentes no casamento é o da mulher que tem dificuldades para alcançar o orgasmo.

O caso mais comum é o que tratei com Jéssica e Davi. Jéssica confessou que, mesmo depois de dez anos de casamento, chegar ao orgasmo era difícil.

— Tive alguns pequenos — disse ela, — mas foi só isso.

Tentei fazer o casal entender a importância de um vigoroso orgasmo feminino para ambos os parceiros.

— Jéssica — disse eu, — a primeira coisa que você precisa entender é que, da maneira como foi planejada por Deus, você tem a capacidade de ter um orgasmo capaz fazer o queixo de Davi encostar no chão. Você é como uma tigresa que saiu da jaula, e precisa trabalhar nessa direção.

Algumas mulheres esperam que o orgasmo surja do nada, sem qualquer trabalho da parte delas — mas as coisas não são assim para a maioria delas. Os homens são exatamente o oposto. Duvido que haja um homem vivo que não tenha chegado ao orgasmo pelo menos uma vez na vida. Ainda que seja celibatário e virgem, ele já teve uma polução noturna (ou doze). Além disso, não é difícil dizer se um homem chegou ou não ao orgasmo. Os sintomas físicos — sendo a ejaculação o principal deles — são bastante óbvios.

Na maioria dos casamentos, a principal preocupação do homem em relação ao orgasmo é adiá-lo até que a esposa esteja satisfeita. Chegar ao orgasmo normalmente não é o problema; a questão é prolongá-lo.

Muitas mulheres, em contrapartida, nunca chegaram ao orgasmo. Outras não sabem se chegaram ou não. A intensidade e a qualidade do orgasmo variam de mulher para mulher e, muitas vezes, é difícil dizer.

A melhor maneira de uma mulher saber se alcançou o orgasmo é perceber se, depois do sexo, se sente frustrada e “reprimida” ou relaxada e satisfeita. Um orgasmo leva a uma liberação em que as tensões acumuladas explodem e depois se dissipam. Um escritor chamou isso de “espirro pélvico”.[Cliford e Joyce Penner, Getting Your Sex Life off to a Great Start, p. 109]  Considero essa uma ótima descrição, pois todos nós já experimentamos o processo de formação de um bom espirro: o corpo inteiro parece se encolher até que, finalmente, vem o espirro e, em seguida, o alívio. Um orgasmo é assim. As carícias sexuais intensificam o prazer, mas também criam uma tensão sensível que exige ser satisfeita.

Se você enfrenta dificuldades para chegar ao orgasmo, apresento algumas sugestões.



1. Tenha o objetivo correto.

Permita-me ser direto: se o principal objetivo de sua atividade sexual é ter um orgasmo, você está no caminho errado. Existem muitos graus diferentes de prazer no sexo. Para alguns de nós, basta um arranhão nas costas e ficamos felizes; uma massagem com loção nos pés e ficamos satisfeitos. Se você for muito específico — com a obrigação de ter um orgasmo, ou, mais específico ainda, ter um orgasmo no exato instante em que seu cônjuge tem um também — só vai piorar as coisas.

O objetivo da sexualidade é expressar união e intimidade com seu parceiro. É uma resposta amorosa na direção de alguém com quem você está comprometido para a vida toda. Para aqueles que têm filhos ou que querem tê-los, é uma maneira de construir uma família.

O sexo é tão profundo, significativo e sério em tantos níveis que acabamos por barateá-lo quando o reduzimos a “Bem, você teve um orgasmo ou não?”. Essa linguagem pertence à Mansão Playboy, não ao leito conjugal.

Mesmo quando a mulher aprende a ter orgasmos, provavelmente não terá um todas as vezes que fizer sexo. Poucas mulheres experimentam o clímax em todo encontro sexual. Se é assim com você, então pode se considerar uma mulher de sorte, mas também integrante de uma pequena minoria. Às vezes uma mulher vai simplesmente satisfazer seu marido (outras vezes o marido pode satisfazer a esposa sem que ele mesmo tenha um orgasmo). O sexo conjugal apresenta todo tipo de situações nas quais o orgasmo não é possível ou é deixado de lado por diversas razões.



2. Ter orgasmo é uma habilidade aprendida.

Devo continuar sendo direto: descobri que muitas mulheres são preguiçosas em relação a essa área de sua vida. Elas presumem que é responsabilidade de seu marido proporcionar-lhes um orgasmo, ou acham que o clímax vai surgir misticamente numa determinada noite debaixo das cobertas. Sinto muito, querida — a não ser que você seja muito sortuda, isso não vai acontecer. Para um pequeno percentual de mulheres, os orgasmos ocorrem sem muito esforço. Para a maioria, porém, é preciso um pouco de experiência para gozar regularmente. Para algumas outras, isso requer muito trabalho e descoberta.
 
 
Pense da seguinte maneira: se você tricota, será que conseguiu fazer um trabalho elaborado na primeira vez que pegou uma agulha de tricô? É claro que não! Se joga golfe, será que conseguiu jogar a bola a duzentos metros logo da primeira vez em que pôs a mão no taco? Aposto que não!
Por que o sexo deveria ser diferente? É preciso tempo, experiência, conhecimento e prática para distinguir-se como boa amante.

Se você tem dificuldades para chegar ao orgasmo, a primeira coisa é não fazer o que várias revistas femininas recomendam: não imagine um outro amante ou um ex; não use pornografia ou filmes eróticos ou qualquer outra coisa que possa vulgarizar o relacionamento e o senso de intimidade com seu marido.

Em vez disso, procure conhecer a si mesma bem o suficiente para poder ajudar seu marido a descobrir o que a excita. Ainda que seu marido tenha tido experiência sexual antes do casamento, seu corpo é singular e exige uma abordagem única. Ajude-o a descobrir esse caminho.

Em outras palavras, você precisa fazer um pouco de exploração — tem de aprender o que a deixa ligada.



3. Tenha mais consciência de sua reação sexual.

Tome um banho longo e quente. Coloque algumas velas, produza-se um pouco e, então, sim, comece a tocar-se. Descubra o que é gostoso. O orgasmo não é o objetivo aqui, mas procure prestar atenção no que estimula o prazer e o desejo. Não tenha medo de explorar seus genitais. Descubra qual a melhor forma de manusear seu clitóris. Algumas mulheres preferem tocar-se de forma indireta, acariciando os lábios genitais ou alcançando o clitóris por cima em vez de diretamente; outras preferem o contato direto tão logo sua excitação atinja um determinado nível.[2]

Talvez seja necessário fazer isso diversas vezes até descobrir o caminho do seu corpo para o prazer sexual. Não se apresse e dê a si mesma bastante liberdade de movimento. Isso não é uma corrida, e ninguém está apontando o calendário acima da sua cama.

Algumas das minhas leitoras podem estar ficando com a face vermelha neste momento, pensando: “Dr. Leman, o senhor está pedindo que eu me masturbe?”.

Às vezes odeio essa palavra, simplesmente por causa das conotações que se associaram a ela. Quando o marido ou a esposa se autoestimula para alcançar o clímax e evitar intimidade com o cônjuge, ou para participar de pornografia ou algo assim, na minha visão, está agindo de maneira egoísta e destrutiva. Contudo, quando uma esposa está aprendendo a reagir sexualmente ao marido para que os dois possam desfrutar de uma experiência sexual mais profunda e mais rica, ela está trabalhando na direção de uma maior intimidade, não de menor. Do mesmo modo, um marido que esteja tentando aprender a controlar a ejaculação ou que esteja em uma longa viagem de negócios pode ocasionalmente usar a autoestimulação para fortalecer seu casamento em vez de enfraquecê-lo.

Portanto, sim, há momentos em que a masturbação é errada e viciante, e deve ser evitada. Há outros momentos, no entanto, em que familiarizar-se com seu corpo é um ato de generosidade, já que você está treinando para tornar-se um amante melhor para seu cônjuge. Você sabe se o que está fazendo é egoísta e provoca distanciamento de seu cônjuge, ou se é uma preparação para se aproximar ainda mais dele.

Muitas mulheres tiveram mães que se referiam à vagina como “lá embaixo”, como se elas mesmas não possuíssem um órgão genital ou simplesmente tivessem um buraco enorme e não mencionável. Se você está chegando ao casamento com esse tipo de bagagem, então com certeza se sentirá desconfortável em relação ao toque sexual. Mas pense da seguinte maneira: não é pecaminoso tocar seu tornozelo se você estiver na dúvida se o torceu; não é errado desfrutar da sensação agradável de pentear seu cabelo. Se você pode tocar todas as partes do seu corpo, por que não tocar as mais sensíveis?

Quando uma mulher se prepara para ter um bebê, normalmente pratica a respiração, a fim de que, quando chegar a hora do parto, ela seja capaz de encarar o desafio. Por que o sexo deveria ser diferente? Você está aprendendo como se preparar para o sexo ao aprender como chegar ao clímax.

Portanto, sim, deixe seus dedos caminharem pelas páginas amarelas! Diga a si mesma que isso é bom e certo. Seu Criador a planejou para dar e receber prazer sexual; a vergonha está em se contentar com algo menos que isso. Você quer ser uma boa amante para seu marido, e a melhor maneira para que isso aconteça é aprender a realmente desfrutar do sexo, o que significa aprender como ter um orgasmo. Esse é um presente maravilhoso, o melhor que você pode dar a um homem. Portanto, gaste todo o tempo de que necessite para alcançar esse objetivo!

Outra opção é pedir ao seu cônjuge que experimente com você uma sessão de toque “não relacional”. Ele pode deixar os dedos fazerem a caminhada, e vocês dois podem experimentar o que a agrada.



4. Pratique os exercícios Kegel.

Os exercícios Kegel (chamados assim por causa do médico ginecologista dr. Arnold Kegel, que os popularizou) são úteis tanto para homens como para mulheres, para melhorar o ato de fazer amor. Os exercícios destinam-se a ajudar a mulher a se tornar mais orgástica e o homem a retardar o orgasmo.

Os exercícios Kegel trabalham os músculos pubiococcígeos (também chamados de PC), os mesmos que interrompem o fluxo de urina. A primeira coisa que você precisa fazer é localizar os músculos PC. A maneira mais fácil é introduzir gentilmente um dedo em sua vagina e tentar “apertá-lo”. Os músculos que se contraem nesse movimento são os tais músculos PC. (Se preferir descobrir os músculos PC de outra maneira, tente interromper o fluxo de urina enquanto estiver sentada no vaso sanitário.)

Músculos PC bem desenvolvidos são recomendáveis por diversas razões. Eles não apenas têm o efeito de ajudar a diminuir a incontinência, como também podem acrescentar muito à sua vida sexual. Para as mulheres, esses músculos podem ser usados para contrair em torno do pênis, dando ao homem uma sensação de mais aperto. Essas contrações se tornam um tipo de massagem peniana, um prazer agradável ao seu marido. Elas também ajudam como parte de sua jornada para se tornar mais propensa ao orgasmo.

Assim que tiver localizado os músculos, comece contraindo-os e relaxando-os por apenas alguns segundos, dez vezes para começar, seguindo seu ritmo a partir daí. Assim que estiver mais acostumada a realizar essas contrações, você poderá exercitá-las enquanto estiver no carro, ao telefone ou em qualquer ocasião, sem que ninguém perceba. Pode ser bom estabelecer uma rotina, de modo que você se lembre de fazer os exercícios — por exemplo, durante a volta para casa ou assistindo a determinado programa na televisão.



5. Assuma a responsabilidade.

Um número muito grande de mulheres não assume a responsabilidade por seus próprios orgasmos. Elas precisam ser participantes ativas, não apenas receptoras dos avanços de seu marido. Se você quiser frustrar um homem, não lhe diga nada. Deixe-o continuar a lançar dardos no escuro, na esperança de que tenha sorte.

Com o cuidado de não passar a menor impressão de condenação ou acusação, converse com seu marido o mais que puder, sendo encorajadora ao fazer isso. Diga-lhe o que é gostoso. Se achar que ele está chegando perto, mas ainda errando o alvo, pegue gentilmente a mão dele e diga: “Bem aqui, querido, oh, sim, agora você achou...”. Quem sabe quantas grandes sinfonias são criadas com o dedo indicador do marido? Mas aqui está o desafio: cada mulher é diferente, então, ajude seu marido a encontrar seus pontos favoritos.



6. Lembre-se de que o sexo tem mais a ver com relacionamento do que com técnicas.

Se você enfrenta dificuldades para ser sexualmente responsiva, o problema pode não ser se está sendo tocada no lugar certo ou não, se seu marido tem as habilidades sexuais necessárias ou qualquer outra coisa que aconteça debaixo das cobertas. Pode ser que você esteja lidando com algumas questões não resolvidas — talvez um abuso sexual no passado, talvez uma conversa dolorosa ocorrida dois dias antes, que a impeça de abrir-se ao prazer com seu marido.

Não significa que essa conversa tenha sido com seu cônjuge. Pode ser que você tenha se aborrecido com sua sogra; talvez alguém tenha criticado sua forma de criar os filhos ou fez alguma outra coisa que a deixou com um sentimento de inadequação. Você é uma pessoa, inteira, completa e complexa. O sexo às vezes faz brotar o que há de mais dolorido dentro de nós, e feridas podem se manifestar através da maneira como reagimos sexualmente.

Pode ser que seu quarto não seja um ambiente seguro o suficiente para você; talvez você se preocupe que as crianças entrem ou ouçam sua reação. Quem sabe apenas ouvir a descarga de um vaso sanitário seja o bastante para esfriá-la.

Se esse for o caso, pense na possibilidade de sair por algum tempo. Esbanje um pouco e vá a um hotel, onde ninguém importante para você poderá ouvir ou ver o que está acontecendo, e onde ninguém entrará pela porta do quarto.

Em outras palavras, olhe para o seu relacionamento de maneira holística. Seu casamento é muito mais do que ter orgasmos ou não.

A maneira de ver o sexo indica uma grande diferença entre homens e mulheres. Muitos homens o consideram um grande apagador. Para eles, se o carro está quebrado, tudo o que precisam fazer é ter sexo e tudo mais ficará melhor (ainda que o carro continue sem funcionar). Teve uma briga com a esposa? Faça sexo e tudo ficará bem (ainda que nunca fale sobre os problemas). O homem geralmente não precisa conversar sobre o fato de sua esposa estar brava com ele por não ter aparado a grama. Para a mente masculina, “uma vez que tenhamos feito sexo, tudo ficará bem”.

A mulher não funciona desse jeito. Para ela, os problemas apagam o sexo; o sexo não apaga os problemas. Se a esposa estiver chateada com o marido, pode se fechar sexualmente: “Que história é essa de problema resolvido? Ainda nem sequer conversamos sobre isso!”. Se ela estiver preocupada se haverá dinheiro suficiente para pagar a prestação da casa daqui a três dias, pode perder todo o desejo sexual.

Se você tem dificuldades para atingir o orgasmo, olhe para o relacionamento como um todo e, depois, olhe para sua vida inteira. Existem outras questões que a estejam perturbando?



7. Homem, não deixe de apoiar.

Marido: na maioria das vezes, devagar, de leve e macio é a chave. (Naturalmente, chega um ponto em que sua esposa não estará interessada no macio. De repente, ela se torna Jane, a bárbara, e poderá querer toda a energia que Tarzan puder reunir!) Mas, de modo geral, você precisa criar um ambiente relaxante para sua esposa, não se concentrando com muita intensidade no orgasmo: “E então, querida? Gozou?”. Ei, meu amigo, se você precisar perguntar é porque ela não teve um orgasmo! Ajude sua mulher a se sentir bem, mas não a pressione.

Também ajuda se sua esposa souber que você está gostando. Ela pode se fechar se achar que você está entediado ou impaciente. E se isso for verdade, sendo bem franco, você está sendo cruel. Já vi homens gastando horas para fazer um motor ronronar feito um gatinho, mas que parecem se ressentir do fato de que sua mulher precise de trinta ou quarenta minutos de preliminares para se aquecer adequadamente. Sua atitude deve ser: leve o tempo que levar.

Além disso, você é beneficiado por ajudar sua esposa a sentir prazer. Já disse isso antes e vou repetir: para mim, a melhor parte do sexo é saber que estou dando prazer à minha esposa. Às vezes acho que gosto dos orgasmos dela mais do que ela própria! Empenhar tempo e esforço para ajudar sua esposa a chegar lá é algo que vale a pena.

Você precisará se familiarizar com a linguagem de amor de sua esposa para saber o que a ajudará a reagir sexualmente. Se as palavras de afirmação são o que a motivam, diga frases doces, mas provocantes: “Querida, você está tão sexy. Você está tão molhada. Que corpo você tem!”. Algumas mulheres talvez não gostem desse tipo de conversa; outras adoram. Você precisa conhecer sua esposa, e isso significa tornar-se mais comunicativo.
Mais orgasmos, mais relações
 
Agora que conversamos sobre ajudar a esposa a acelerar, vamos falar sobre ajudar o homem a ir mais devagar.



ATRASANDO O ORGASMO (EJACULAÇÃO PRECOCE)

Certa vez, no início do nosso casamento, Sande me deixou mais excitado do que nunca. Ela me parecia boa demais para ser verdade, e lembro-me de pensar: “Que foi que eu fiz para merecer uma mulher tão linda?”. O fato de que ela estava excitada, de que me queria, era o maior fator de excitação que eu podia imaginar. Eu estava pronto para lhe dar meu amor durante a noite inteira. Planejei nos envolvermos em horas de jogos prazerosos, escalando as alturas do êxtase até que a luz da manhã nos forçasse a parar.

E assim começaram os trinta segundos mais intensos da minha vida.

Tudo bem, podem ter sido uns 120 segundos, mas, ainda assim, parei algumas horas antes da meia-noite, para minha decepção.

Isso acaba acontecendo com todo homem. Ejacular antes do desejado é um dos problemas mais comuns entre os homens (isso e a impotência).

É importante que as mulheres entendam isso (portanto, marido, se sua esposa pular esta seção e lhe entregar o livro de volta, devolva-o!). Uma ignorância básica sobre a fisiologia masculina, sobre a excitação feminina e sobre o orgasmo pode levar a diversas acusações. Pelo fato de as mulheres conseguirem controlar seus orgasmos e de poderem parar praticamente a qualquer momento, elas às vezes presumem que o mesmo acontece com os homens. Quando uma mulher pede ao marido para esperar e ele tenta, mas a ansiedade produz exatamente a resposta contrária, bem, às vezes ela leva a questão para o lado pessoal, como se o marido estivesse sendo egoísta de propósito.

Em certos casos, suponho que alguns homens sejam egoístas — na maioria das vezes, porém, a ejaculação precoce tem mais a ver com a falta de habilidade de controlar a ejaculação do que com o egoísmo. Assim que o homem alcança o “ponto sem volta”, o orgasmo acontecerá em questão de segundos, e não há nada que ele possa fazer para impedir.

Quase todo homem enfrenta esse problema uma vez ou outra. Particularmente se ele não faz sexo há algum tempo, pode ser difícil manter o controle ejaculatório. Mas uma incapacidade persistente e constante de controlar o orgasmo (o que significa que não pode escolher quando vai gozar e, com mais frequência do que o contrário, atinge o clímax antes do que deseja) é um problema que, na maioria dos casos, pode ser resolvido.

O que exatamente é um orgasmo prematuro? Masters e Johnson descobriram que o homem comum ejacula depois de dois minutos de movimentos vigorosos. A maioria consegue adiar isso ao mudar o ritmo e a profundidade de seus movimentos, mas se você vai com tudo e acaba ejaculando dentro desses dois minutos, isso não é precoce, é a média. O problema é que poucas mulheres estarão suficientemente estimuladas depois de 120 segundos de movimentos! (Este é outro bom argumento para ajudar as mulheres a alcançar o orgasmo durante as preliminares; a imensa maioria delas chega ao clímax por meio da estimulação do clitóris, não da penetração.)

Penso que o melhor indicador da ejaculação precoce seja este: Você é capaz de escolher quando deseja ter o orgasmo, ou é mais comum que chegue ao clímax antes do que gostaria? Se, via de regra, você chega ao clímax poucos segundos depois de penetrar sua esposa, a tendência é que tenha ejaculação precoce.

Esposa, por favor, seja sensível quanto a isso. Sei que você nem sequer imagina gritar, gemer e cair num orgasmo tão logo seu marido penetre em seu corpo, mas não é assim tão incomum para um homem às vezes ejacular assim que ocorre a penetração. Do mesmo modo que o homem precisa ser paciente com a mulher que aparentemente leva uma eternidade para chegar ao orgasmo, a mulher precisa ser paciente com o homem que chega lá cedo demais.

Os terapeutas desenvolveram três métodos de aprendizado para aumentar o controle ejaculatório (e nenhum deles é agradável!). Se fizermos uma votação entre os homens de todo o país, esta seria uma seção que eles prefeririam ter fora deste livro. Alguns infelizmente têm a atitude de dizer: “Então, não aguentei. Você me deixou maluco. Não consegui parar! Qual é o grande problema?”.

Não é um grande problema se isso acontecer de vez em quando. Isso se torna um grande problema se acontecer com muita frequência.

Homens com essa atitude indiferente estão sendo tão egoístas quanto as mulheres que não fazem nada para se tornarem mais orgásticas. Não use seu casamento ou o compromisso de sua esposa como uma desculpa para se tornar um amante preguiçoso; use isso como motivação para tornar-se um expert na cama.

Como precursora das terapias mostradas a seguir, comece a exercitar seus músculos PC com os exercícios Kegel. Para encontrar seus músculos PC, contraia a região como se fosse conter o fluxo de urina. Esses são os músculos que você deve trabalhar, e fazer isso melhorará seu controle ejaculatório.

Duas ou três vezes ao dia, contraia os músculos PC de dez a vinte vezes. Não use seus músculos abdominais — o erro mais comum ao fazer esse exercício. Em vez disso, certifique-se de que está contraindo os músculos pélvicos. Depois de algumas contrações, respire fundo e segure a respiração por cerca de três segundos.

Esses exercícios são simples e podem ser feitos no carro, enquanto assiste à televisão ou sentado à sua mesa — e ninguém perceberá. O tempo requerido também é mínimo — menos de cinco minutos por dia. Tenha em mente que você talvez tenha de fazer esses exercícios por duas semanas ou mais antes de perceber alguma mudança significativa.



1. Start-stop.

O primeiro método para tratar a ejaculação precoce é chamado de start-stop [começa-para]. Existem inúmeras descrições dele por aí, mas o método passo a passo mais amplo está no livro do dr. Bernie Zilbergeld intitulado The New Male Sexuality [A nova sexualidade masculina]. Embora eu não concorde com tudo o que o dr. Zilbergeld ensina em relação à sexualidade, seu trabalho sobre esse método é bastante amplo e fácil de ser seguido. Apresento aqui uma versão bastante abreviada; se ela não funcionar para você, talvez seja interessante consultar o livro do dr. Zilbergeld.

O marido dá início ao método start-stop ciente de que passará por diversos estágios. Ele iniciará diversas práticas sozinho e trabalhará no sentido de realmente brincar de amor com sua esposa. O objetivo é alcançar quinze minutos de estimulação sem ejacular.

Começando sozinho, o marido deve estimular-se até que esteja excitado, concentrando-se em tomar cada vez mais consciência da mecânica de seu corpo. Não use pornografia ou fantasias impróprias durante essa fase; encher sua mente com tais poluentes apenas prejudicará seu casamento. Sua meta é tornar-se um amante melhor para sua esposa.

Todo homem tem um “ponto sem volta”, quando os músculos ao redor do pênis começam a se mover e a ejaculação é certa. Você deve estimular a si mesmo, mas parar um pouco antes do ponto sem volta. Assim que sentir que está chegando perto demais, pare toda estimulação e espere até a sensação passar. Então, comece de novo.

Homens mais jovens talvez precisem parar por mais tempo que os mais velhos, mas, repetindo, o objetivo é receber quinze minutos de estimulação sem a necessidade de ejacular. Se você não conseguir parar a tempo, simplesmente descarte essa experiência e tente novamente um dia ou dois depois.

Esses exercícios podem ser realizados três vezes por semana. Assim que você alcançar um determinado nível de controle — ou seja, quando conseguir suportar estimulação quase constante (mas variada em intensidade) por pelo menos quinze minutos — então poderá começar a envolver-se num erótico jogo de “começar e parar” com sua esposa. Você precisará da compreensão e da cooperação dela.

Assim que você estiver excitado e sua esposa estiver pronta, penetre-a bem devagar, mas ela deve ficar parada. Espere até se sentir confortável dentro da vagina sem precisar alcançar o clímax. Então comece a mover-se lentamente para dentro e para fora. Se sentir a necessidade de ejacular, pare todo movimento. Essa pode não ser uma experiência agradável para sua esposa — ela precisará ser uma parceira disposta e dócil, esperando pelo período em que você tiver alcançado um melhor controle (e ela será imensamente beneficiada). Isso é, na verdade, mais um “treino” do que uma relação de fato.

Mais uma vez, você deve permanecer dentro da vagina de sua esposa por quinze minutos sem ejacular. Podem ser necessárias várias vezes até que aguente todo esse tempo, mas trabalhe nisso. Com o tempo, você obterá uma melhor compreensão daquilo que o leva imediatamente ao clímax, assim como a maneira de variar seus impulsos e conter seus movimentos, de modo que possa segurar quanto quiser.

As duas técnicas a seguir podem ser usadas em conjunto com o método start-stop.



2. O método do aperto.

O segundo exercício é a técnica do aperto, que pode ser usada em conjunto com o método start-stop. Quando o marido sente que a ejaculação está se aproximando, ele tira o pênis da vagina de sua esposa, ela pega o pênis com o polegar, o indicador e o dedo médio. O polegar deve estar do lado de baixo do corpo do pênis e seus outros dedos devem estar logo abaixo da cabeça do pênis (se for mais confortável para ela colocar o polegar na parte de cima e os outros dedos na parte de baixo, não há problema). Ela deve então apertar gentilmente, mas com firmeza (e de maneira constante) por vários segundos. Na maioria dos casos, isso impedirá que o homem prossiga para uma ejaculação inevitável. O casal pode começar a ter a relação novamente e repetir o aperto sempre que necessário.

Esse método normalmente falha quando o homem espera tempo demais para pedir à esposa que aplique a técnica. Mais uma vez, tudo se resume ao homem aprender a entender seu corpo e suas reações sexuais.



3. Puxar o escroto.

Existem relatos variados sobre o sucesso desse método, mas ele é mais fácil de ser aplicado do que a técnica do aperto, e alguns casais o consideram igualmente bem-sucedido. Quando o marido sente que o orgasmo está próximo (mas antes que a ejaculação seja inevitável), deve pedir à esposa que intervenha. Ela alcança e segura (muito gentilmente) o escroto em sua mão. Sem apertar os testículos (o que seria doloroso), ela puxa o escroto para baixo, para longe do corpo do marido, e o mantém nessa posição por alguns segundos. Assim que a excitação do homem diminuir, o casal pode retomar a relação sexual.



FAZENDO ESFORÇO

Experimente e descubra qual método (ou métodos) funciona melhor para vocês, mas lembrem-se: não há razão para se contentarem com menos que o melhor. Mulheres podem aprender a ter orgasmos e homens podem aprender a retardá-los. Pode exigir um pouco de trabalho, mas a taxa de sucesso é bastante alta.

Uma vez que a tendência dos homens é ter ejaculação precoce, gosto de dizer-lhes que o pênis é a última coisa que eles deveriam usar para fazer amor. Por que fazer amor com seu pênis se há tantas outras coisas para usar?

“O que o senhor quer dizer, dr. Leman?”

Bem, você tem lábios, língua, pés, mãos, dedos, joelhos e cotovelos, respiração, dentes — e muitas outras partes, se for apenas um pouco criativo. Quando saca imediatamente aquela grande pistola, você está em dificuldades, porque assim que a coisa começa, é como uma carreta descendo a ladeira — sem acostamento!

Quando usa tudo o que tem para dar prazer a sua esposa, e até mesmo para ajudá-la a alcançar o orgasmo antes de penetrá-la, ela provavelmente não se importará com a velocidade com que você vem. Mas quando você se concentra apenas no seu pênis, e este não corresponde, ela ficará muito insatisfeita — e com razão.

Como um esforço de última hora para uma noite especial, alguns homens podem lançar mão da autoestimulação na manhã de um grande “encontro”. Se você está sempre tendo problemas ao ficar muito excitado rápido demais, então algo tão básico quanto a masturbação na manhã daquela noite com sua esposa pode ajudar. Você não deve usar a masturbação para substituir o sexo com sua esposa — isso é alienante e destrutivo. Mas se você a estiver usando como uma preparação para dar mais prazer a ela, creio que é aceitável, e às vezes sábio.

Esposas que querem ajudar o marido em relação a isso também podem ser criativas. Se você costuma ficar frustrada com a rapidez que seu marido chega lá, planeje uma noite especial, mas, na manhã do encontro, acorde-o cinco minutos antes da hora com um rápido “trabalho manual”. Então, estabeleça o clima dizendo: “Isso é apenas uma amostra do que vai acontecer hoje à noite, garotão!”. Não são muitos os homens que vão reclamar que a esposa deseje que eles tenham dois orgasmos num só dia! Preparar seu marido com essa primeira ação pode ajudá-lo a aguentar mais — e, enfim, agradá-la mais — no final daquela noite. E trabalhos manuais rápidos não exigem assim tanto esforço.



CANTANDO JUNTOS

Afirmei isto no início deste capítulo e afirmo de novo no final: a maioria dos homens tem muito mais prazer vendo sua esposa chegar ao orgasmo do que experimentando os seus. O orgasmo de um homem, em geral, perde a importância em comparação com o experimentado por sua esposa.

Por essa razão, não dedico muito esforço ou preocupação em relação àquilo que as pessoas chamam de orgasmos simultâneos. Sim, ele acontece às vezes, e pode ser uma ótima diversão para ambos estarem no êxtase sexual exatamente ao mesmo tempo — mas, mesmo quando isso ocorre, francamente, sinto que estou perdendo alguma coisa. Fico tão envolvido com o que estou experimentando que não consigo contemplar todo o prazer de Sande. E, uma vez que sou muito ligado nela, isso parece de fato uma perda.

Meu conselho é: não pensem muito e nem se preocupem em alcançar orgasmos simultâneos. Agradem um ao outro do jeito que vocês sabem que a outra pessoa deseja ser agradada, e desfrutem plenamente de seus orgasmos.

Mas lembre-se, marido: cavalheiros terminam por último! Não precisamos de muito tempo. Dez ou quinze minutos, se tanto, serão suficientes. Mas um amante verdadeiro levará sua esposa até lá primeiro, e se ele achar que ela deseja, se oferecerá para dar-lhe alguns crescendos a mais. Fazer amor dessa maneira é como o zagueiro que analisa a defesa: você precisa reagir imediatamente àquilo que vê. Se ela estiver em intenso prazer e desejar que você a penetre e você não o fizer, ela ficará brava. Em contrapartida, se ela estiver gostando da maneira como você acaricia seu clitóris e estiver perto do clímax, mas você parar de penetrá-la, ela pode ficar frustrada com isso.

Você não encontrará a chave para essas situações em um livro, porque sua esposa é absolutamente singular em seus desejos e prazeres sexuais. Além disso, ela muda com o passar do tempo. Sua esposa na terça-feira não é igual a sua esposa no sábado. E sua esposa num sábado de janeiro não será igual a sua esposa num sábado de junho. Seja criativo, flexível e aprenda a se tornar um especialista em fazê-la se sentir bem por inteiro.

Agora tire esse sorriso do rosto e comece a trabalhar! (Que tal isso como um pouco de lição de casa?!)

(Kevin Leman - Entre Lençóis) 
"Seleção natural"

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publicado às 15:31


Sexo no inverno

por Thynus, em 07.02.17
Tenho dois amigos que demonstram sua lealdade a mim há muitos anos. Nunca me causaram nenhum problema. Eles são os amigos mais confiáveis, mais confortáveis, mais agradáveis e mais duráveis que já coloquei em meus pés.

Adoro meus chinelos.

Sande os odeia.

Em pelo menos cinco ocasiões diferentes, peguei minha esposa tentando sequestrar meus amigos e mandá-los para o depósito de lixo — mas fui mais rápido que ela. Consegui resgatar aqueles caras todas as vezes.

Logo depois do resgate mais recente, Sande fez um apelo emocionado:

— Kevin, por que você insiste em usar esses chinelos feios e surrados?

— Eles são confortáveis.

— Eles são simplesmente indecentes; estão cobertos de sujeira e de tinta, e não têm mais conserto. Você deveria simplesmente se livrar deles.

— Livrar-me deles? Só porque estão velhos? Só porque estão um pouco desgastados? Que tipo de atitude é esta? — perguntei a Sande. Afinal de contas, será que ela gostaria de ser trocada por outra mulher só porque não tem mais 20 anos? Eu nunca faria isso, assim como nunca me desfaria do meu par de chinelos favorito. Velho não significa inferior, assim como novo não significa melhor.
Pelo direito de passar mais tempo entre os lençóis
 
Quando falo sobre “sexo no inverno” não estou me referindo a aquecer os lençóis naquela época do ano em que as temperaturas caem. Estou falando de desfrutar da intimidade sexual aos 40, aos 50, aos 60 anos e além.

Posso estar sendo parcial porque só estive com uma única mulher, mas, em minha humilde opinião, creio que o sexo realmente melhora à medida que o casal envelhece. Percebo que isso nem sempre acontece. Falei há bem pouco tempo com um homem de 65 anos que não dormia com sua mulher havia mais de dez anos. Não posso imaginar dez semanas, quanto mais dez anos, sem ter sexo com minha esposa. Mas a verdade é que, aquilo que a idade tira, ela normalmente compensa oferecendo outras qualidades.

É certo que o sexo muda. À medida que avançamos para a casa dos 50 anos e além, nosso corpo pode não ser mais tão firme — mas nossa visão também não é lá grande coisa, de modo que as duas fraquezas quase que cancelam uma à outra! Podemos não ter a mesma energia que tínhamos, e nossos membros talvez não sejam nem um pouco flexíveis como eram quando tínhamos 20 anos. Mas, no lado positivo, temos uma vida inteira de experiência no ato de agradar aquela pessoa. Temos a capacidade de controlar melhor nossas reações, o que normalmente leva a um ato de amor mais demorado. E temos a imensurável vantagem de intuir os gemidos de nosso cônjuge, porque estamos juntos há décadas.

Outro ponto positivo é que, assim que os filhos vão embora, em geral há mais liberdade, mais tempo livre e normalmente mais dinheiro. Muitos casais entram na fase do ninho vazio na casa dos 40 anos e com mais certeza nos 50. Em nosso caso teremos o ninho vazio na idade “quente” dos 62 anos! É mais fácil dar uma escapada e, como você provavelmente já percebeu a esta altura, sou um forte defensor do sexo em hotel para casais casados!



VIRANDO A ESQUINA

Permita-me dizer, em primeiro lugar, que você deve esperar por mudanças. Encare o fato: homem, você está perdendo bastante cabelo, senão todo ele. Provavelmente você engordou bastante. Você não consegue pular mais tão alto quanto conseguia fazer. Mesmo o jogador de basquete Michael Jordan provou que até o mais atlético entre os homens não pode desafiar os efeitos sombrios da idade.

Mulher, você percebeu que a gravidade governa mais coisas do que corpos celestes — ela tem um efeito impressionante aqui na terra também. Partes de seu corpo, como rosto, seios e outras, parecem ansiosas para alcançar o chão. Você pode descobrir que precisa de mais lubrificação durante o sexo do que jamais precisou. Seu cabelo, antes tão cheio e perfeito, tão loiro ou tão encantadoramente negro, agora não é tão abundante — e o que são aqueles fios brancos? Não é tinta, minha irmã; são os efeitos do tempo.

Vocês assistiram a todas as mudanças em si mesmos no decorrer do tempo; assim, por que achariam que o sexo não seria afetado também?

Ele muda.

A intensidade e o prazer que vocês experimentam ao fazer sexo nos anos avançados não precisam diminuir, mas o modo como você vê as coisas precisará ser revisado. Quando Michael Jordan voltou para a NBA, ele certamente não era mais o “air Jordan”, o “Jordan voador”, que deixava queixos caídos diante daquelas enterradas de desafiar a gravidade. Um técnico até começou a se referir a ele como “floor Jordan”, o “Jordan terrestre”, por assim dizer. É claro, ele ainda conseguia jogar, mas seus pés estavam enraizados firmemente no chão. Ele teve de descobrir novas maneiras de jogar — fintas com a cabeça, arremessos com pulos pequenos e coisas assim — para conseguir marcar pontos.

A mesma coisa será verdadeira em relação a sua sexualidade. Se vocês estiverem dispostos a fazer algumas pequenas adaptações em função da idade, então descobrirão — como muitos casais descobriram — que o sexo pode de fato ser ainda melhor aos 40, aos 50 e aos 60 anos.



O QUE MUDA PARA O HOMEM

Em sua adolescência e juventude, você podia ter uma ereção lendo uma revista de motores de automóvel. O simples ato de pular na piscina ou ver uma menina bonita passando era suficiente para fazer com que seu corpo reagisse. Tudo o que sua esposa precisava fazer para estimulá-lo a ter uma ereção era subir na cama.

Na verdade, é possível que suas ereções fossem alcançadas tão facilmente que vocês dois podem ter desenvolvido alguns hábitos, nos quais sua esposa raras vezes precisava lhe dar estimulação adicional. De fato, quando vocês eram bem jovens, ela pode ter descoberto que estimulação demais poderia fazer as coisas terminarem muito rápido. Uma esposa me confessou que as preliminares foram unilaterais por muitos anos, pela simples razão de que uma simples carícia fazia seu jovem marido chegar ao clímax antes mesmo que eles fizessem sexo.

Velhos tempos, meu amigo. Agora, suas ereções precisarão ser cultivadas e mantidas. Se sua esposa ignorá-lo, você amolece. Vocês dois precisarão se concentrar em agradar e receber, e isso significa que você vai precisar de mais estimulação peniana direta do que antes.

Cuidado: o Sr. Feliz pode não sorrir com tanta frequência. Ele pode murchar bem no momento que você esperava que ele ficasse em alerta total. Ele pode resistir a todos os esforços para um bis dentro de um espaço de 24 horas, e certamente não será o servo obediente que era na adolescência e na juventude.

Suas ereções, assim que alcançadas, também serão diferentes, assim como o são os colchões. Alguns colchões competem com tábuas em termos de dureza; outros se assemelham a travesseiros. Bem, marido, vai chegar a hora em que você não trará um caibro de madeira para a cama. Pense em “pinho” em vez de “carvalho”. Ainda será duro, mas não tanto quanto costumava ser.

À medida que você envelhece, talvez também descubra algo que jamais teria imaginado em seus 20 e poucos anos: sexo sem ejaculação. Homens mais velhos simplesmente não precisam chegar ao clímax com tanta frequência quanto os homens mais novos. O lado bom disso é que você provavelmente terá condições de prolongar o ato e talvez agrade mais sua parceira. O lado ruim é que a mulher pode ficar chocada com o fato de os papéis terem se invertido e, agora, existir uma dúvida se você vai alcançar o orgasmo. Esposa, não é um fracasso da parte de seu marido fazer amor com você por vinte ou trinta minutos sem, contudo, chegar ao clímax. Não significa que ele não se sente mais atraído por você ou que ele não a considere mais sexualmente atraente. Isso quer dizer apenas que o corpo dele está envelhecendo.

O tempo de recuperação também mudará. As noites de lua de mel, nas quais você era capaz de ter vários orgasmos no espaço de algumas horas, não se repetirão com facilidade. Levará mais tempo para seu corpo se recuperar de sua última experiência sexual antes de estar pronto para alcançar o clímax novamente. Essa mudança será gradual e virá em ondas, mas, à medida que você marcha em direção aos 60, ela será inevitável. (Na verdade, para alguns, isso poderá ocorrer no final dos 40 anos). Quando essa temporada chega, alguns homens precisam esperar horas; outros poderão ter de esperar dias. Mas você precisará esperar.

Existe uma grande vantagem em tudo isso. De vez em quando, as mulheres também gostam de uma “rapidinha” tanto quanto os homens, mas, como padrão, elas tendem a preferir momentos de intimidade sexual mais longos, mais lentos e mais lânguidos. Muito bem, bem-vindo ao inverno — finalmente seu corpo vai se equiparar ao da sua esposa. Você conseguirá demorar mais tempo e ficará mais livre para se concentrar na reação dela. E você pode se tornar um amante muito melhor do que aquele prego que você costumava ser (ou achava que era) aos 22 anos.

Se os problemas de ereção persistirem, tenha em mente que é possível que haja uma causa física por trás deles, como arteriosclerose ou alguma outra doença. Pode ser efeito de algum tratamento ao qual você esteja se submetendo ou de algum estresse que esteja enfrentando. É por isso que recomendo que você faça um check-up se problemas de ereção começarem a surgir. Na era do Viagra e de tantas outras opções, a impotência não é, nem de longe, o problema que costumava ser.

Permita-me dizer uma palavra à mulher que está casada com um marido em processo de envelhecimento: por favor, tenha em mente que um fracasso ocasional no desempenho pode se tornar rotina psicológica se um dos parceiros tiver uma reação extremada. Não leve as coisas para o lado pessoal, e, claro, não faça que se tornem algo ainda mais repetitivo ao colocar uma pressão ainda maior para que seu marido tenha um bom desempenho.

Também insisto que a mulher entenda que ela tem uma clara vantagem nesse quesito: você cresceu sabendo que o interesse sexual pode alcançar um pico e diminuir, mais ou menos como uma onda no mar. Seu marido está acostumado a ir de zero a cem numa ascendente firme e rápida e, depois, a pular da beira do abismo! Você precisará ajudá-lo a entender como manter o amor no meio de um eventual vale, porque talvez ele nunca tenha estado num vale antes.

Além disso, é muito natural que o homem sinta que o problema dele é maior que o seu. Se você não se lubrifica naturalmente, pode continuar sendo estimulada e esperar até que se “aqueça”. Se isso falhar, você pode pegar um tubo de gel lubrificante.

O homem, por outro lado, sabe que não haverá penetração no caso de seu pênis não endurecer. E esse pode ser um pensamento aterrorizante, pois, assim como você não consegue se forçar a ficar lubrificada, ele não pode se forçar a ter uma ereção. Naturalmente, todo conselheiro sabe que a preocupação com isso tende a agravar o problema, em vez de resolvê-lo; mas, quando um homem não está acostumado a lidar com essas questões, até mesmo confrontá-las uma única vez pode se transformar numa verdadeira fonte de inquietação.

Se tudo indica que seu marido não vai estar pronto para uma penetração, mas que quer continuar estimulando-a, seja manualmente, seja oralmente, por favor, permita. Para começo de conversa, vê-la alcançar o orgasmo pode ser suficiente para fazê-lo ter uma ereção. Mas, ainda que isso não aconteça, todo homem quer saber que é capaz de agradar sua esposa sexualmente. Se ele souber que sempre pode recorrer ao uso das mãos caso alguma outra coisa não funcione, ele sentirá menos pressão para ter um desempenho específico da próxima vez — e, portanto, provavelmente o resultado será melhor.

Pense nisso como uma tarefa, que, aliás, não é nada ruim! Deixe seu marido levá-la ao orgasmo da maneira que puder, e não seja contida em suas palavras de incentivo sobre como ele sempre pode satisfazê-la. Ao fazer isso, você pode transformar uma experiência potencialmente humilhante e alienante em uma que cria ainda mais intimidade e satisfação.



O QUE MUDA PARA A MULHER

As mulheres possuem um marcador mais dramático de seu processo de envelhecimento: a menopausa. Psicologicamente, a menopausa marca um dramático ponto de mudança em sua sexualidade. De repente, a sexualidade não está mais ligada à concepção de um filho. Ainda que você tenha tomado precauções durante décadas, existe algo diferente nas relações sexuais uma vez que a concepção se torne impossível. Agora elas têm a ver com intimidade e prazer.

E não há nada de errado nisso.

Não há razão para a menopausa colocar um fim na vida sexual de uma mulher. Em muitas situações, as mulheres costumam se sentir renovadas em termos sexuais. Sim, algumas usam a menopausa como justificativa para evitar aquilo que elas há muito já consideravam insatisfatório, do ponto de vista sexual ou físico. Na maioria dos casos, porém, não existe razão biológica para que as mulheres percam o interesse por sexo durante este período. Ainda que elas de fato experimentem queda no estrógeno, este hormônio em si não está diretamente ligado ao desejo e à resposta sexual. Claro, a diminuição do estrógeno no corpo cria outros sintomas que podem colocar os pensamentos sexuais em banho-maria — as ondas de calor são os mais conhecidos deles —, mas, assim que a menopausa tenha passado, a mulher pode se sentir mais livre do que nunca para explorar novos horizontes sexuais. Mesmo a queda do estrógeno pode agora ser regulada através de medicação.

A reação à menopausa é tão individual que temo fazer generalizações. Algumas mulheres me disseram que pareciam ter perdido todo o desejo por intimidade sexual, enquanto que outra cliente confessou, com uma piscada de olhos: “No dia em que os filhos saíram de casa, eu e Jim começamos a usar todos os cômodos e todos os móveis — e quero dizer todos”.

Outro grande degrau que costuma acompanhar o avanço da idade é a histerectomia. Senhora, essa é uma operação que muitas mulheres levam um pouco na brincadeira. Depois da cirurgia, elas andam muito cedo, dirigem muito cedo, começam a erguer peso muito cedo, fazem sexo muito cedo, e grandes consequências podem surgir. Sei do que estou falando: minha esposa Sande fez a cirurgia e, semelhante a muitas mulheres, sentia-se culpada por ficar tanto tempo sem fazer nada. Planeje um período de seis a oito semanas para se recuperar plenamente.

O marido que estiver lendo estas informações deve estar pulando da cadeira neste momento e dizendo: “Seis a oito semanas? Leman, você está louco?”.

Seis semanas sem relações não necessariamente significam seis semanas sem amor e sem expressão sexual. Os casais podem ser criativos nessas circunstâncias da vida. O Sr. Feliz raramente pensa “vou simplesmente tirar oito semanas de férias”, de modo que uma esposa amorosa fará tudo o que puder para encontrar maneiras criativas de ajudar a aliviar a libido de seu marido.

Um dos grandes benefícios para as mulheres mais velhas é que o maior inimigo do sexo, o cansaço, pode não ser tão grande. Quando ficam mais velhas, as pessoas, na maioria, costumam ter mais tempo e também são menos exigidas. Você não precisa se preocupar se uma criança pequena vai bater à porta pedindo para tomar um copo d’água. Você não precisa fazer as vezes de motorista de táxi a tarde toda e cair na cama exausta. A menstruação terá parado e, uma vez que muitos casais preferem não ter intimidade sexual durante o período menstrual, como casal vocês ganharão outros cinco dias por mês de disponibilidade sexual.

Fisicamente, você deverá tomar cuidados extras com seus genitais. Conforme os níveis de estrógeno diminuírem, suas paredes vaginais se tornarão mais finas e secas. Você precisará usar um lubrificante, e seu marido precisará, ocasionalmente, ser um pouco mais calmo, uma vez que um impulso mais forte pode causar dor em vez de prazer.

Por acaso, uma das melhores maneiras de se manter em forma sexualmente aos 60 e aos 70 é manter seu nível de atividade sexual. Masters e Johnson demonstraram que mulheres mais velhas que têm relações sexuais pelo menos uma vez por semana se lubrificavam mais eficientemente do que aquelas que se abstinham de sexo por longos períodos de tempo. O velho ditado “a falta de uso atrofia o órgão” é bastante preciso no que se refere ao sexo.

Espero que sua atitude não seja parecida com a de Margarete, que veio ao meu consultório com um marido evidentemente infeliz. Depois de apenas alguns instantes na sala de aconselhamento, Jerry, o marido, me disse que ela havia, em essência, pedido dispensa de futuras relações sexuais.

Margarete não negou:

— Veja, dr. Leman, eu realmente acho que fiz o que tinha de fazer. Nunca fui muito ligada em sexo e, francamente, Jerry também não foi muito criativo. Mesmo assim, tenho sido fiel e obediente por 34 anos. O senhor não acha que é suficiente?

Conversamos um pouco sobre a falta de criatividade de Jerry, mas quando chegou a hora de falar sobre Margarete, eu respondi com firmeza à ideia dela de “ser suficiente”:

— Não, não acho.

Na verdade, lancei outra pergunta:

— Como você se sentiria se Jerry dissesse algo assim: “Tudo bem, Margarete, já a sustentei com meu salário por 34 anos. Agora que estou vivendo da aposentadoria, decidi que não quero sustentá-la mais. Você precisará encontrar seu próprio lugar para viver e sua própria fonte de renda. Já cumpri minha missão e, agora, quero ser um pouco mais egoísta”?

— Sabe, Margarete — continuei, — o casamento é para a vida toda; os compromissos que firmamos também. O caminho que você está seguindo é muito perigoso. De fato, se o seu objetivo é enfraquecer espiritualmente Jerry e transformá-lo num marido irritado, em vez de num marido agradecido, continue assim. Você verá a horrível cabeça do egoísmo se levantando mais rapidamente do que você pode imaginar — disse eu. E fui mais adiante: — Quando o apóstolo Paulo diz “dois se tornarão um”, ele está expressando um mandamento. Essa unidade inclui a união física, expressa por meio da intimidade sexual. A união física enriquece todos os aspectos da unidade. Você não pode recusar um aspecto e exigir outro.

— Mas igualmente importante — continuei — é que você está tomando uma decisão unilateral que tem consequência dupla. Simplesmente porque você está cansada do sexo não significa que Jerry também esteja; o que ele deve fazer agora? Ele já foi infiel a você?

— Não — respondeu ela.

— E é assim que você o recompensa? Diga-me, Margarete, por que fazer que um homem, ao que tudo indica respeitável — que, de acordo com todos os outros padrões parece ser um cara muito bom — termine chocando todo mundo ao ter um caso? Ou ser pego indo a uma boate de striptease durante uma viagem de negócios? Ainda que se envolver em casos ou com pornografia nunca seja moralmente aceitável, e que as ações de um homem não devam se basear no comportamento de sua esposa, parece-me que muito disso acontece porque necessidades básicas não estão sendo satisfeitas no casamento. Um homem de 60 anos quer se sentir querido, necessário e valorizado tanto quanto um homem de 30. A noiva dele pode estar bem diferente depois de trinta anos na estrada, mas ela ainda é sua amada, o amor de sua vida; e ele ainda quer que ela o deseje.

Margarete finalmente entendeu que a solução não era interromper o sexo, mas ajudar Jerry a ser mais sensível ao fazer amor.



DE BRAÇOS DADOS

Você provavelmente os viu, como eu: um casal bem idoso andando de braços dados no shopping. Um tem dificuldade para andar, de modo que é apoiado pelo cônjuge. Talvez eles parem para comprar uma rosquinha ou um sorvete, e cochichem para decidir o que vão fazer. Então, invariavelmente, compartilham entre si aquilo que compraram. A esposa talvez limpe a boca do marido pouco antes de beijá-la.

São como duas metades de um todo. Fiéis um ao outro por quatro, cinco, talvez seis décadas, eles não conseguem imaginar a vida longe um do outro. Tenho certeza de que não estão agindo como ginastas no quarto; ninguém está pendurado no lustre; e o Kama Sutra há muito foi deixado de lado ou vendido. Mas olhe no rosto daquele homem e você verá um menino feliz. Ele ainda sabe como agradar sua esposa, e ela ainda quer o que ele tem.

Do ponto de vista emocional, não há nada melhor que isso. Aventuras de uma única noite não chegam nem perto da maravilhosa experiência de fazer amor com a mesma pessoa milhares de vezes.

Aquele casal idoso é uma imagem realmente bela, um retrato impressionantemente profundo do amor para a vida toda que nosso Criador deseja que experimentemos. O sexo no inverno é uma coisa maravilhosa. Ele chega perto do miraculoso quando é precedido pelo sexo na primavera, no verão e no outono — sempre com a mesma pessoa.


(Kevin Leman - Entre Lençóis)

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publicado às 12:55


A dor psíquica é uma dor de amar

por Thynus, em 01.02.17

“A dor é um afeto que reflete na consciência as variações extremas da tensão inconsciente, variações que escapam ao princípio de prazer.”

– Nasio

 

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Quanto mais se ama, mais se sofre. Perder o ser amado ou o seu amor dói tanto que leva a pessoa a mergulhar-se em seu desespero. A maior ameaça ao nosso sofrimento provém das nossas relações com os seres humanos

 



A dor de amar é uma lesão do laço íntimo com o outro, uma dissociação brutal daquilo que é naturalmente chamado a viver junto.

Ao contrário da dor corporal causada por um ferimento, a dor psíquica ocorre sem agressão aos tecidos. O motivo que a desencadeia não se localiza na carne, mas no laço entre aquele que ama e seu objeto amado. Quando a causa se localiza nessa encarnação de proteção do eu que é o corpo, qualificamos a dor de corporal; quando a causa se situa mais-além do corpo, no espaço imaterial de um poderoso laço de amor, a dor é denominada “dor de amar”. Assim, podemos desde já propor a primeira definição de dor de amar, como o afeto que resulta da ruptura brutal do laço que nos liga ao ser ou à coisa amados.I Essa ruptura, violenta e súbita, suscita imediatamente um sofrimento interior, vivido como um dilaceramento da alma, como um grito mudo que jorra das entranhas.

A dor está sempre ligada à subitaneidade de uma ruptura, à travessia súbita de um limite, mais-além do qual o sistema psíquico é subvertido sem ser desestruturado.

De fato, a ruptura de um laço amoroso provoca um estado de choque semelhante àquele desencadeado por uma violenta agressão física: a homeostase do sistema psíquico é rompida, e o princípio de prazer, abolido. Sofrendo a comoção, o eu consegue, apesar de tudo, autoperceber o seu transtorno, isto é, consegue detectar dentro de si o enlouquecimento das suas tensões pulsionais desencadeadas pela ruptura. A percepção desse caos logo se traduz na consciência pela viva sensação de uma atroz dor interior. Vamos propor então uma segunda definição da dor de amar, considerada desta vez do ponto de vista metapsicológico, e digamos que a dor é o afeto que exprime na consciência a percepção pelo eu – percepção orientada para o interior – do estado de choque, do estado de comoção pulsional (trauma) provocado pelo arrombamento não do invólucro corporal do eu, como no caso da dor física, mas pela ruptura súbita do laço que nos liga ao outro eleito. Portanto, a dor de amar é uma dor traumática.

 

Quanto mais se ama, mais se sofre

São os seguintes os diferentes estados simultâneos do eu atravessado pela dor:

  • o eu que sofre a comoção;
  • o eu que observa sua comoção;
  • o eu que sente a dor;
  • e o eu que reage à comoção.

Meu amado me protege contra a dor enquanto o seu ser palpita em sincronia com os batimentos dos meus sentidos. Mas basta que ele desapareça bruscamente ou me retire o seu amor, para que eu sofra como nunca.

Mas o que é que rompe o laço amoroso, dói tanto e mergulha o eu no desespero? Freud responde sem hesitar: é a perda súbita do ser amado ou do seu amor. Acrescentamos: a perda brutal e irremediável do amado. É o que advém quando a morte fere subitamente um de nossos próximos, pai ou cônjuge, irmão ou irmã, filho ou amigo querido. A expressão “perda do ser amado”, usada por Freud nos últimos anos da sua vida, aparece essencialmente em dois textos maiores que são Inibição, sintoma e angústia e Malestar na cultura. Cito um trecho deste último:“O sofrimento nos ameaça de três lados: no nosso próprio corpo, destinado à decadência e à dissolução …; do lado do mundo exterior, que dispõe de forças invencíveis e inexoráveis para nos perseguir e aniquilar.” A terceira ameaça, que nos interessa agora, “provém das nossas relações com os seres humanos.” E Freud precisa: “O sofrimento oriundo dessa fonte é talvez mais duro para nós do que qualquer outro”. Ele examina então, com muito cuidado, um depois do outro, os diferentes meios de evitar os sofrimentos corporais e as agressões exteriores. Mas quando aborda o meio de proteger-se contra o sofrimento que nasce da relação com o outro, que remédio encontra? Um remédio aparentemente muito simples, o do amor ao próximo. De fato, para preservar-se da infelicidade, alguns preconizam uma concepção de vida que toma como centro o amor, e na qual se pensa que toda alegria vem de amar e ser amado. É verdade – confirma Freud – que “uma atitude psíquica como essa é muito familiar a todos nós”. Certamente, nada mais natural do que amar para evitar o conflito com o outro. Vamos amar, sejamos amados e afastaremos o mal. Entretanto, é o contrário que ocorre. O clínico Freud constata: “Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor.” Acho essas frases notáveis porque elas dizem claramente o paradoxo incontornável do amor: mesmo sendo uma condição constitutiva da natureza humana, o amor é sempre a premissa insuperável dos nossos sofrimentos. Quanto mais se ama, mais se sofre.

Como se o eu angustiado já tivesse tido a experiência de uma antiga dor, cuja volta ele teme. A angústia é o pressentimento de uma dor futura, enquanto a saudade é a lembrança triste e complacente de uma alegria e de uma dor passadas.

No outro texto, Inibição, sintoma e angústia, a mesma fórmula – “perda do objeto amado” – é usada por Freud para distinguir a dor psíquica e a angústia. Como diferencia ele cada um desses afetos? Propõe o seguinte paralelo: enquanto a dor é a reação à perda efetiva da pessoa amada, a angústia é a reação à ameaça de uma perda eventual. Retomando o nosso desenvolvimento, propomos refinar essas definições freudianas e precisar: a dor é a reação à comoção pulsional efetivamente provocada por uma perda, enquanto a angústia é a reação à ameaça de uma eventual comoção. Mas como explicar o que parece tão evidente, que a perda súbita do amado ou do seu amor seja tão dolorosa para nós? Quem é esse outro tão amado cujo desaparecimento inesperado provoca comoção e dor? Com que trama é tecido o laço amoroso, para que a sua ruptura seja sentida como uma perda? O que é uma perda? O que é a dor de amar?

 

Perder o ser que amamos

 

A imagem do objeto perdido, a sua “sombra”, cai sobre o eu e encobre uma parte dele.

Vamos deixar as respostas para depois, e consideremos agora a maneira pela qual o eu reage à comoção desencadeada pela perda do ser amado. Definimos a dor de amar como o afeto que traduz na consciência a autopercepção pelo eu da comoção provocada pela perda. Nós a chamamos então de dor traumática. Agora, completamos dizendo que ela é a dor produzida quando o eu se defende contra o trauma. Mais precisamente, a dor de amar é o afeto que traduz na consciência a reação defensiva do eu quando, sendo comocionado, ele luta para se reencontrar. A dor é, neste caso, uma reação.

“… uma aspiração no psiquismo produz um efeito de sucção sobre as quantidades de excitações vizinhas.

esse processo de aspiração tem o efeito de um ferimento (hemorragia interna) análogo à dor.”

Freud

Mas qual é essa reação? Diante do transtorno pulsional introduzido pela perda do objeto amado, o eu se ergue: apela para todas as suas forças vivas – mesmo com o risco de esgotar-se – e as concentra em um único ponto, o da representação psíquica do amado perdido. A partir de então, o eu fica inteiramente ocupado em manter viva a imagem mental do desaparecido. Como se ele se obstinasse em querer compensar a ausência real do outro perdido magnificando a sua imagem. O eu se confunde então quase totalmente com essa imagem soberana, e só vive amando, e por vezes odiando a efígie de um outro desaparecido. Efígie que atrai para si toda a energia do eu e o faz sofrer uma aspiração medular violenta, que o deixa exangue e incapaz de interessar-se pelo mundo exterior. Descrevemos aqui a mesma crispação defensiva do eu que intervém na gênese da dor física (dor de reagir), quando toda a energia psíquica “pensa” a representação do ferimento (FIGURA 1). Essa teoria é amplamente desenvolvida em nosso volume dedicado à dor corporal. Agora, a mesma energia aflui e se concentra na representação do ser amado e desaparecido. A dor de perder um ser caro se deve pois ao afastamento que existe entre um eu exangue e a imagem sempre viva do desaparecido. Agora, a mesma energia aflui e se concentra na representação do ser amado e desaparecido. A dor de perder um ser caro se deve pois ao afastamento que existe entre um eu exangue e a imagem sempre viva do desaparecido.

 

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Figura 1

 

O eu cicatriza a representação do ferimento, por não poder cicatrizar o ferimento real.

Na dor física, o superinvestimento incide na representação do corpo morto.

 

A dor ocorre a cada vez que acontece um deslocamento maciço e súbito de energia. Assim, o desinvestimento do eu dói, e o desinvestimento da lembrança também dói.

A reação do eu para amortecer a comoção desencadeada pela perda se decompõe assim em dois movimentos: um, evidentemente súbito, de toda a sua energia – movimento de desinvestimento – e outro uma polarização de toda essa energia sobre a imagem de um detalhe da pessoa amada – movimento de superinvestimento. A dor mental resulta assim de uma dupla reação defensiva: o eu desinveste subitamente a quase totalidade das suas representações para superinvestir maciçamente uma única representação, a representação do amado que não existe mais. O esvaziamento súbito do eu é um fenômeno tão doloroso quanto a contração em um ponto. Os dois movimentos de defesa contra o trauma geram dor. Mas se a dor do desinvestimento toma a forma clínica de uma inibição paralisante, a do superinvestimento é uma dor pungente e que oprime. Vamos propor então uma nova definição da dor psíquica, como o afeto que exprime o esgotamento de um eu inteiramente ocupado em amar desesperadamente a imagem do amado perdido. O langor e o amor se fundem em dor pura.

Observe-se aqui que a lembrança do ser desaparecido é tão fortemente carregada de afeto, tão superestimada, que acaba não só devorando uma parte do eu, mas também enquistando-se no eu, isto é, tornando-se estranha ao resto do eu que foi desinvestido. Se pensarmos agora no trabalho de luto, veremos que sua realização segue um movimento inverso ao da reação defensiva do eu. Enquanto essa reação consiste em um superinvestimento da representação do morto, o trabalho de luto é um desinvestimento progressivo desta. Realizar um luto significa, de fato, desinvestir pouco a pouco a representação saturada do amado perdido, para torná-la de novo conciliável com o conjunto da rede das representações egóicas. O luto não é nada mais do que uma lentíssima redistribuição da energia psíquica até então concentrada em uma única representação que era dominante e estranha ao eu.

O luto patológico consiste em uma onipresença psíquica do outro morto.

Compreende-se então que se esse trabalho de desinvestimento que deve se seguir à morte do outro não se cumprir, e se o eu ficar assim imobilizado em uma representação coagulada, o luto se eterniza em um estado crônico, que paralisa a vida da pessoa enlutada durante vários anos, ou até durante toda a sua existência. Penso em um analisando que, tendo perdido a mãe quando era muito jovem e sofrendo de um luto inacabado, me dizia: “Uma parte dela está desesperadamente viva em mim, e uma parte de mim está para sempre morta com ela.” Essas palavras, de uma cruel lucidez, revelam um ser distorcido e desenraizado por uma dor crônica. Como não evocar aqui os rostos disformes e os corpos atormentados que habitam as telas desse pintor da dor que é Francis Bacon?


O que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo sabendo-o irremediavelmente perdido.

Entre a cegueira do amor e a clareza do saber, escolho a opacidade do amor que acalma a minha dor.

O eu do enlutado é, portanto, um eu dissociado entre dois estados: por um lado, todo contraído em um ponto, o da imagem do outro morto, com a qual ele se identifica quase totalmente; por outro lado esvaziado e exangue. Lembremo-nos de Clémence, sugada pelas imagens obsessivas do seu bebê morto e esvaziada de toda a sua força. Entretanto, existe uma outra dissociação que provoca a dor de amar. O eu fica esquartejado entre o seu amor desmedido pela efígie do objeto perdido e a constatação lúcida da ausência definitiva desse objeto. O dilaceramento não se situa mais entre contração e esvaziamento, mas entre contração – isto é, amor excessivo dedicado a uma imagem – e reconhecimento agudo do caráter irreversível da perda. O eu ama o objeto que continua a viver nele, ele o ama como nunca o amara, e, no mesmo momento, sabe que esse objeto não voltará mais. O que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo sabendo-o irremediavelmente perdido. Amor e saber se separam. O eu fica esquartejado entre um surdo amor interior que faz o ser desaparecido reviver e a certeza de uma ausência incontestável. Essa falha entre a presença viva do outro em mim e sua ausência real é uma clivagem tão insuportável que muitas vezes tendemos a reduzi-la, não moderando nosso amor, mas negando a ausência, rebelando-nos contra a realidade da falta e recusando-nos a admitir que o amado nunca mais estará presente.

Essa rebelião contra o destino, essa renegação da perda é algumas vezes tão tenaz que a pessoa enlutada quase enlouquece. A recusa de admitir o fato irremediável da perda ou, o que dá no mesmo, o caráter incontestável da ausência na realidade avizinha-se da loucura, mas atenua a dor. Uma vez passados esses momentos de rebelião, a dor reaparece tão viva quanto antes. Diante da morte súbita de um ser querido, acontece freqüentemente que a pessoa enlutada se ponha à procura dos sinais e dos lugares associados ao morto e, às vezes, a despeito de qualquer razão, imagine que pode fazê-lo reviver e reencontrá-lo. Penso em uma paciente que ouvia os passos do marido morto subindo a escada. Ou na mãe que via com uma extrema acuidade o filho recentemente falecido, sentado à sua mesa de trabalho. Nessas alucinações, a pessoa enlutada vive com uma certeza inabalável a volta do morto e transforma a sua dor em convicção delirante. Compreende-se assim que a supremacia do amor sobre a razão leva a criar uma nova realidade, uma realidade alucinada, em que o amado desaparecido volta sob a forma de uma fantasia.


O fantasma do amado desaparecido

A pessoa amada é para o eu tão essencial quanto uma perna ou um braço. Seu desaparecimento é tão revoltante que o eu ressuscita o amado sob a forma de um fantasma.

Inspirando-nos no fenômeno do membro fantasma, bem conhecido dos neurologistas, chamamos essa alucinação da pessoa enlutada de “fenômeno do amado fantasma”. Mas por que o qualificativo de “fantasma”? Lembro que a alucinação do membro fantasma é um distúrbio que afeta uma pessoa amputada de um braço ou perna. Ela sente de modo tão vivo sensações vindas do seu membro desaparecido, que lhe parece que este ainda existe. Do mesmo modo, a pessoa enlutada pode perceber, com todos os seus sentidos e uma absoluta convicção, a presença viva do morto. Para compreender essa impressionante semelhança de reações alucinatórias diante de duas perdas de natureza tão diferente – a de um braço e a de um ser amado – propomos a hipótese seguinte. Vamos precisar logo que o eu funciona como um espelho psíquico composto de uma miríade de imagens, cada uma delas refletindo esta ou aquela parte do nosso corpo ou este ou aquele aspecto dos seres ou das coisas aos quais estamos afetivamente ligados. Quando perdemos um braço, por exemplo, ou um ser querido, a imagem psíquica (representação ou lembrança) desse objeto perdido é, por compensação, fortemente superinvestida. Ora, vimos que esse superinvestimento afetivo da imagem gera dor. Mas o grau superior desse superinvestimento provocará outra coisa além da dor: acarretará a alucinação da coisa perdida, cuja imagem é o reflexo. De fato, a alucinação das sensações fantasmas provenientes do braço amputado, ou a alucinação da presença fantasma de um marido desaparecido se explicariam, ambas, por um superinvestimento tão intenso da imagem desses objetos perdidos que esta acaba sendo ejetada para fora do eu. E é ali, fora do eu, no real, que a representação reaparecerá sob a forma de um fantasma. Diremos então que a representação foi foracluída, isto é, sobrecarregada, ejetada do eu e alucinada. O fenômeno do membro fantasma ou do amado fantasma não se explica mais por uma simples negação da perda do objeto amado – braço amputado ou ser desaparecido –, mas pela foraclusão da representação mental do dito objeto (FIGURA 2).

Digamos que a impressionante afinidade entre essas duas alucinações fantasmáticas mostra ainda o quanto a pessoa amada é, na verdade, um órgão interno do eu tão essencial quanto podem ser uma perna ou um braço. Só posso alucinar essa coisa essencial, cuja privação transtorna o funcionamento normal do meu psiquismo. A esse respeito, surge uma pergunta capital: quando diremos que essa coisa é essencial para nós?

 

Justamente, chegou a hora de retomarmos nossas interrogações sobre a natureza do amado, cujo luto devemos realizar no caso de sua morte. De fato, entre todos os que amamos, quais são os raros seres que consideramos insubstituíveis, e cuja perda súbita provocaria dor? Quem é meu eleito que faz com que eu seja o que sou, e sem o qual eu não seria mais o mesmo? Que lugar ele ocupa no seio do meu psiquismo para que ele seja tão essencial para mim? Como nomear esse laço que me liga a ele? Com todas essas perguntas, desejaríamos finalmente demarcar o laço misterioso, o do amor, que nos une ao outro eleito. As respostas a essas interrogações vão nos conduzir a uma nova definição da dor.

 

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Figura 2

 

Explicação do fenômeno do “membro fantasma” e do que denomino “amado fantasma”

A imagem psíquica de um braço amputado foi tão superinvestida que acaba sendo projetada para fora do eu e percebida pelo sujeito como um braço alucinado. A sua expulsão deixa no psiquismo um buraco aspirante por onde se escoa a energia do eu até o esvaziamento. Pensamos que esse mecanismo de expulsão da imagem do objeto perdido e o seu reaparecimento no real explicam a alucinação do membro fantasma. Esse mecanismo, que não é outro senão a foraclusão, explicaria também o distúrbio de algumas pessoas enlutadas, que alucinam o defunto e o vêem como se ele estivesse vivo. Chamamos esse fenômeno de amado fantasma. Em ambos os casos, o objeto perdido – o braço amputado ou o morto – continua a existir para o eu.

 

O amado cujo luto devo realizar é aquele que me faz feliz e infeliz ao mesmo tempo

Para saber quem é o meu eleito, o seu papel no seio do inconsciente e a dor que sua morte provoca, devemos voltar por um instante ao funcionamento ordinário do sistema psíquico. Desta vez, vamos abordá-lo de um ângulo particular. Já dissemos que esse sistema é regido pelo princípio de desprazer/prazer, segundo o qual o psiquismo é submetido a uma tensão que ele procura descarregar, sem nunca conseguir completamente. Enquanto o estado permanente de tensão se chama “desprazer”, a descarga incompleta e parcial de tensão se chama “prazer”, prazer parcial. Pois bem, no seu funcionamento normal, o psiquismo permanece basicamente submetido ao desprazer, isto é, a uma tensão desprazerosa, já que nunca há descarga completa. Vamos mudar agora a nossa formulação, e ao invés de empregar as palavras “tensão” e “desprazer”, vamos utilizar a palavra “desejo”. Pois o que é o desejo senão uma tensão ardente vista em movimento, orientada para um alvo ideal, o de chegar ao prazer absoluto, isto é, à descarga total? Assim, diremos que a situação ordinária do sistema inconsciente se define pelo estado tolerável de insatisfação de um desejo2 que nunca chega a realizar-se totalmente. Entretanto, afirmar que a tensão psíquica continua sempre viva, e até penosa, que o desprazer domina ou que nossos desejos ficam insatisfeitos, não exprime, de modo algum, uma visão pessimista do homem. Pelo contrário, esse enunciado equivale a declarar que ao longo da nossa existência estaremos, felizmente, em estado de carência. Digo felizmente porque essa carência, vazio sempre futuro que atiça o desejo, é sinônimo de vida.

Se quiséssemos representar espacialmente essa parte de insatisfação que atiça o desejo, não a imaginaríamos como o trecho de um caminho que ainda nos resta percorrer para atingir enfim o alvo mítico de um gozo pleno. Não, a insatisfação não é a parte não percorrida do trajeto do desejo até a satisfação absoluta. É de outra forma que lhes peço que a representem. Proponho que a imaginemos, antes, sob a forma de um buraco. Um buraco situado no centro do nosso ser, e em torno do qual gravitariam os nossos desejos. O vazio futuro não está diante de nós, mas em nós. O trajeto do desejo não descreve pois uma linha reta orientada para o horizonte, mas uma espiral girando em torno de um vazio central, que atrai e anima o movimento circular do desejo. Conseqüentemente, declarar que nossos desejos são insatisfeitos significa, espacialmente falando, que eles seguem o movimento em espiral de um fluxo que circunscreve uma carência irredutível.

Vê-se bem que a carência não é apenas um vazio que aspira o desejo; ela é também um pólo organizador do desejo. Sem carência, quero dizer sem esse núcleo atraente que é a insatisfação, o impulso circular do desejo se perturbaria e então só haveria dor. Vamos nos expressar de outra maneira. Se a insatisfação é viva mas suportável, o desejo continua ativo e o sistema psíquico continua estável. Se, ao contrário, a satisfação é demasiado transbordante ou se a insatisfação é demasiado penosa, o desejo perde o seu eixo e a dor aparece. Reencontramos aqui a hipótese que habita o nosso texto, isto é, que a dor exprime a turbulência das pulsões no domínio do isso.

Assim, um certo grau de insatisfação é vital para conservarmos a nossa consistência psíquica. Mas como preservar essa carência essencial? E ainda, sendo essa carência necessária, como mantê-la nos limites do suportável? É justamente aí que intervém o nosso parceiro, o ser do nosso amor, porque é ele que faz o papel de objeto insatisfatório do meu desejo, e por isso mesmo de pólo organizador desse desejo. Como se o buraco de insatisfação no interior estivesse ocupado pelo meu eleito no exterior; como se a carência fosse finalmente um lugar vacante, sucessivamente ocupado pelos raros seres ou coisas exteriores que consideramos insubstituíveis e cujo luto deveríamos realizar caso desaparecessem.

Nosso eleito nos é indispensável porque ele nos assegura a indispensável insatisfação.

Entretanto, como aceitar que o meu parceiro possa ter essa função castradora de limitar a minha satisfação? Sem dúvida, esse papel restritivo do ser amado pode ser desconcertante, porque habitualmente atribuímos ao nosso parceiro o poder de satisfazer os nossos desejos e nos dar prazer. Vivemos na ilusão, em parte verificada, de que ele nos dá mais do que nos priva. Mas a sua função no seio do nosso inconsciente é completamente diferente: ele nos assegura a consistência psíquica pela insatisfação que ele faz nascer, e não pela satisfação que ele proporciona. Nosso parceiro, o ser do nosso amor, nos insatisfaz porque, ao mesmo tempo em que excita o nosso desejo, ele não pode – a rigor, será que ele teria os meios de fazê-lo? – e não quer nos satisfazer plenamente. Sendo humano ele não pode, e sendo neurótico ele não quer. Isto significa que ele é ao mesmo tempo o excitante do meu desejo e o objeto que só o satisfaz parcialmente. Ele sabe me excitar, me proporcionar um gozo parcial e, por isso mesmo, me deixar insatisfeito. Assim, ele garante essa insatisfação que me é necessária para viver e recentra meu desejo.

Mas, além do parceiro amoroso, há outros objetos eleitos que poderiam assegurar essa função de recentramento do meu desejo? Sim, como por exemplo esse objeto que é o próprio amor, aquele que o meu parceiro me dedica; ou ainda o amor que eu dedico à imagem de mim mesmo, alimentada pelo reconhecimento dos outros, como a honra ou uma posição social. Um outro objeto eleito, um outro objeto do desejo pode ser também a minha integridade corporal, integridade que eu preservo acima de tudo. Acontece até de o objeto eleito ser uma coisa material tão pessoal como o nosso corpo, como a terra natal ou a casa ancestral. Todos são objetos eleitos e ao mesmo tempo tão internos, tão íntimos, tão intrinsecamente ordenadores do movimento do nosso desejo, que vivemos sem perceber a solidez do seu enraizamento no inconsciente. É unicamente quando somos ameaçados de perdê-los, ou depois de tê-los perdido, que a sua ausência revela dolorosamente a profundidade desse enraizamento. É apenas no a posteriori de sua morte que saberemos se o ser, a coisa ou o valor desaparecidos eram ou não eleitos para nós.

A angústia é uma formação do eu, ao passo que a dor é uma formação do isso.

De fato, quando paira a ameaça de perder um desses objetos considerados insubstituíveis, é a angústia que surge; e ela surge no eu. Se, em contrapartida, um desses objetos desaparece subitamente, sem ameaça prévia, é a dor que se impõe; e ela emana do isso. Sofrerei a dor no isso se perder brutalmente a pessoa amada (luto), o seu amor (abandono), o amor que dedico à imagem de mim mesmo (humilhação), ou ainda a integridade do meu corpo (mutilação). O luto, o abandono, a humilhação e a mutilação são as quatro circunstâncias que, se forem súbitas, desencadearão a dor psíquica ou dor de amar.

Mas vamos ficar com o caso exemplar em que o objeto do desejo é a pessoa amada, cuja perda suscita a dor do luto. Justamente, o que perdemos quando perdemos o ser que amamos? Ou mais simplesmente: quem é o nosso amado?

O amor é a presença em fantasia do amado no meu inconsciente

Se insistem para que eu diga por que eu o amava, sinto que isso só pode exprimir-se respondendo: “Porque era ele; porque era eu.”

Montaigne

Essas linhas de Montaigne são de um belíssimo texto sobre a amizade, escrito pouco depois da morte do seu amigo mais caro, La Boétie. Dentre as muitas amizades que alimentaram a sua alma, ele distingue aquela, única, que o ligava indissoluvelmente ao seu companheiro. Amizade tão poderosa que todas as costuras das suas diferenças se apagaram em uma presença comum. Depois, tentando responder ao motivo de um tal amor excepcional pelo amigo eleito e recentemente desaparecido, Montaigne escreveu essa frase cintilante de beleza e de discrição: “Por que eu o amava? Porque era ele; porque era eu.” Assim, o amor permanece sendo um mistério impenetrável, que não se deve explicar, apenas constatar.

Outro escritor adota uma reserva semelhante diante do enigma do apego ao eleito. Em Luto e melancolia, Freud fala do amor falando da morte. Observa que a pessoa enlutada ignora o valor intrínseco do amado desaparecido: “A pessoa enlutada sabe quem perdeu, mas não sabe o que perdeu ao perder o seu amado.” Graças ao simples “que”, impessoal, Freud sublinha como o ser que mais amamos é acima de tudo um personagem psíquico e o quanto esse personagem virtual é diferente da pessoa viva. Sem dúvida, o amado é uma pessoa, mas é primeiramente e sobretudo essa parte ignorada e inconsciente de nós mesmos, que desabará se a pessoa desaparecer. Mais recentemente, Lacan, também diante do mistério do laço amoroso, inventa o seu “objeto a”. Pois é precisamente com a expressão “objeto a” que ele simboliza o mistério, sem com isso resolvê-lo. O a, afinal, é apenas um nome para designar o que ignoramos, ou seja, essa presença inapreensível do outro amado em nós, esse duplo psíquico que se coagula quando a pessoa do amado nos deixa definitivamente.

Essa é justamente a questão decisiva, tão insolúvel quanto inevitável. Em que consiste o “o” que perdemos ao perder o ser amado? O que une dois seres para que um deles sofra tão profundamente com o fim súbito do outro? Assim, no momento o nosso problema não é mais o da dor, mas o do amor. É realmente o amor que nos interessa agora, porque é demarcando o melhor possível a sua natureza que chegaremos a uma nova definição psicanalítica da dor. Quem é pois aquele que eu amo e considero único e insubstituível? É um ser misto, composto ao mesmo tempo por esse ser vivo e definido que se encontra diante de mim e pelo seu duplo interno impresso em mim.

Para compreender bem como tal ser se torna meu eleito, vamos decompor em duas etapas o processo do amor pelo qual transformamos um outro exterior em um duplo interno.

  • Vamos imaginar uma pessoa que nos seduz, isto é, que desperta e atiça o nosso desejo.
  • Progressivamente, respondemos e nos apegamos a essa pessoa até incorporá-la e fazer dela uma parte de nós mesmos. Insensivelmente, nós a recobrimos como a hera recobre a pedra. Nós a envolvemos com uma multidão de imagens superpostas, cada uma delas carregada de amor, de ódio ou de angústia, e a fixamos inconscientemente através de uma multidão de representações simbólicas, cada uma delas ligada a um aspecto seu que nos marcou.3 Toda essa hera germinada no meu psiquismo, alimentada pela seiva bruta da pressão do desejo, todo esse conjunto de imagens e de significantes que liga o meu ser à pessoa viva do amado até transformá-la em duplo interno, nós o chamamos de “fantasia”, fantasia do eleito. Sei que, usualmente, a palavra “fantasia” é equívoca, pois remete à idéia vaga de devaneio ou de roteiro conscientemente imajado. Entretanto, o conceito psicanalítico de fantasia que elaboramos aqui, para melhor compreender a dor, é extremamente preciso. A fantasia é o nome que damos à sutura inconsciente do sujeito com a pessoa viva do eleito. Essa sutura operada no meu inconsciente é uma liga de imagens e de significantes vivificada pela força real do desejo que o amado suscita em mim, e que eu suscito nele, e que nos une.

A fantasia é a presença real, simbólica e imaginária do amado no inconsciente. Sua função é regular a intensidade da força do desejo.

Mas essa fantasia do amado, mesmo sendo levada pelo impulso do desejo, tem por função frear e domar esse impulso. Contendo esse impulso e evitando que ela prossiga, a fantasia do amado satisfaz o desejo saciando-o parcialmente. Assim, diremos que a fantasia instala a insatisfação e assegura a homeostase do sistema inconsciente. Compreende-se melhor agora que a função protetora da pessoa do amado é, na verdade, a função protetora da fantasia do amado. A fantasia é protetora porque nos preserva do perigo que significaria uma turbulência desmesurada do desejo ou o seu equivalente, o caos pulsional.

Em resumo, a pessoa amada deixou de ser apenas uma instância exterior, para viver também no interior de nós, como um objeto fantasiado que recentra nosso desejo, tornando-o insatisfeito no limite do tolerável. O ser que mais amamos continua sendo inevitavelmente o ser que mais nos insatisfaz. A insatisfação do desejo se traduz na realidade cotidiana do casal pela atração pelo outro, mas também pelo descontentamento em relação a ele.

Assim, o eleito existe duplamente: por um lado, fora de nós, sob a espécie de um indivíduo vivo no mundo, e por outro lado em nós, sob a espécie de uma presença fantasiada – imaginária, simbólica e real – que regula o fluxo imperioso do nosso desejo e estrutura a ordem inconsciente. Das duas presenças, a viva e a fantasiada, é a segunda que domina, pois todos os nossos comportamentos, a maioria dos nossos julgamentos e o conjunto dos sentimentos que experimentamos em relação ao amado são rigorosamente determinados pela fantasia. Só captamos a realidade do eleito através da lente deformante da fantasia. Só o olhamos, escutamos, sentimos ou tocamos envolvido no véu tecido pelas imagens nascidas da fusão complexa entre a sua imagem e a imagem de nós mesmos. Véu tecido também pelas representações simbólicas inconscientes, que delimitam estritamente o quadro do nosso laço de amor.

 

A pessoa do amado

Vamos refinar imediatamente os três modos de presença real, simbólica e imaginária do eleito fantasiado no nosso inconsciente. Mas, antes, vamos distinguir claramente o sentido da expressão “pessoa do amado”, que empregamos para designar a existência exterior do eleito. Se é verdade que a existência fantasiada do outro é mais importante do que a sua existência exterior, não é menos verdadeiro que a primeira se alimenta da segunda, e que a minha fantasia inconsciente só pode desabrochar se o outro estiver vivo. O corpo vivo do eleito, seu corpo de carne e osso, me é indispensável porque sem essa base substrato da minha vida minha fantasia desabaria e o sistema inconsciente perderia o seu centro de gravidade. Ocorreria então uma imensa desordem pulsional, acarretando infelicidade e dor.

Mas por que é preciso que a pessoa do eleito esteja viva para que haja fantasia? Por duas razões. Primeiro, porque ela é um corpo ativo e desejante, do qual provêm as excitações que estimulam o meu próprio desejo, que por sua vez carrega a fantasia. Excitações que são os impactos em mim das irradiações do seu desejo. E depois, porque a dita pessoa é um corpo em movimento, cujo aspecto singular será projetado no seio do meu psiquismo como uma imagem interiorizada que me remete às minhas próprias imagens. Assim, a pessoa concreta do eleito me é absolutamente necessária, porque ela detém um foco irradiante de fontes de excitação que sustenta o meu desejo e, mais-além, a fantasia, e também porque ela é a silhueta viva que se imprime no meu inconsciente e modela minha fantasia.

A pessoa do amado é ao mesmo tempo um corpo vivo dardejando excitações para o meu desejo e uma presença misteriosa que se imprime no meu inconsciente.

Contudo, se o corpo do eleito é para a minha fantasia um arquipélago de focos de excitação do meu desejo e o suporte vivo das minhas imagens, o que sou eu, eu e meu corpo, para a fantasia dele? Justamente, a metáfora da hera é muito evocadora, pois a hera é uma planta que não só rasteja e sobe, mas engancha as suas hastes em lugares bem específicos da pedra, nas rachaduras e nas fendas. Do mesmo modo, o meu apego ao outro eleito, que se tornou meu objeto fantasiado, é uma sutura que não pega em qualquer lugar, mas muito exatamente nos orifícios erógenos do corpo, ali onde ele próprio irradia o seu desejo e me excita, sem com isso conseguir me satisfazer. E, reciprocamente, é no meu corpo, nos pontos de emissão do meu próprio desejo, que a fantasia dele se fixará. Admitiremos assim que a minha própria fantasia atará um laço ainda mais potente se, por minha vez, eu for a pessoa viva sobre a qual se construiu a sua fantasia, se eu me tornei o regulador da sua insatisfação. Em outros termos, minha fantasia será um laço tanto mais apertado quanto mais eu for para o outro aquilo que ele é para mim: o eleito fantasiado.

Por conseguinte, é preciso saber que quando amamos, amamos sempre um ser híbrido, constituído ao mesmo tempo pela pessoa exterior com que convivemos no exterior e pela sua presença fantasiada e inconsciente em nós. E reciprocamente, somos para ele o mesmo ser misto feito de carne e de inconsciente. É por isso que lhes falo da fantasia. É para compreender melhor que não sofrerei outra dor senão a dor do desaparecimento daquele que foi para mim o que eu fui para ele: o eleito fantasiado.

Agora, devemos separar bem os três modos de presença fantasiada do eleito, para definir o melhor possível o “que” desconhecido que perdemos ao perder a pessoa real e concreta do ser amado.

 

A presença real do amado no meu inconsciente: uma força

A presença real do eleito é uma força, e a sua presença simbólica é o ritmo dessa força.

O status fantasiado do amado assume pois três formas diferentes, que correspondem às três dimensões lacanianas do real, do simbólico e do imaginário. Das três, é a presença real do outro no inconsciente que provoca mais dificuldades conceituais, porque esse qualificativo de “real” pode fazer crer que ele se refere simplesmente à realidade da pessoa do eleito. Ora, “real” não significa uma pessoa, mas aquilo que, dessa pessoa, desperta no meu inconsciente uma força que faz com que eu seja o que eu sou e sem a qual eu não mais seria consistente. O real é simplesmente a vida no outro, a força de vida que anima e atravessa o seu corpo. É muito difícil distinguir nitidamente essa força que emana do corpo e do inconsciente do eleito enquanto ele está vivo e me excita, dessa outra força em mim que arma meu inconsciente. Muito difícil, na medida em que essas forças, na verdade, são uma mesma e única coluna energética, um eixo vital e impessoal que não pertence nem a um nem ao outro parceiro. Difícil também porque essa força única não tem nenhum símbolo nem representação que possa significá-la. É o sentido do conceito lacaniano de “real”. O real é irrepresentável, a energia que garante ao mesmo tempo a consistência psíquica de cada um dos parceiros e do seu laço comum de amor. Em suma, se quisermos condensar em uma palavra o que é o outro real, diríamos que ele é essa força imperiosa e desconhecida que dá corpo ao nosso laço e ao nosso inconsciente. O outro real não é pois a pessoa exterior do outro, mas a parte de energia pura, impessoal, que anima a sua pessoa. Parte que é também, porque estamos ligados, a minha própria parte impessoal, nosso real comum. Entretanto, para que o outro real exista, para que ele tenha essa força real que não pertence nem a um nem ao outro, é preciso que os corpos de um e do outro estejam vivos e frementes de desejo.

 

A presença simbólica do amado no meu inconsciente: um ritmo

Mas se o status real do eleito é ser uma força estranha que liga como uma ponte de energia os dois parceiros e arma o nosso inconsciente, o status simbólico do eleito é ser o ritmo dessa força. Certamente, não se deve imaginar a tensão do desejo como um impulso cego e maciço, mas como um movimento centrípeto e ritmado por uma sucessão mais ou menos regular de subidas e quedas de tensão. Nosso desejo não é um real puro, mas uma cadência definida por um ritmo que a torna singular. Ora, o que é o ritmo senão a figura simbólica de um impulso que avança alternando entre tempos fortes e tempos fracos, repetidos a intervalos regulares? O ritmo é, efetivamente, a mais primitiva expressão simbólica do desejo, e até da vida, pois o primeiro germe da vida é energia palpitante. A força de impulsão desejante é real porque é em si irrepresentável, mas as variações rítmicas dessa força são simbólicas, porque são, ao contrário, representáveis. Representáveis como uma alternância de intensidades fortes e de intensidades fracas, segundo um traçado de picos e de vazios.

Ora, formulamos a hipótese de que a presença simbólica do outro no nosso inconsciente é um ritmo, um acorde harmonioso entre o seu poder excitante e a minha resposta, entre o seu papel de objeto e a insatisfação que eu sinto. Se considero o eleito insubstituível, é porque meu desejo se modelou progressivamente pelas sinuosidades do fluxo vibrante do seu próprio desejo. Ele é considerado insubstituível porque ninguém mais poderia acompanhar tão finamente o ritmo do meu desejo. Como se o eleito fosse antes de tudo um corpo, que pouco a pouco se aproxima, se posiciona e se ajusta aos batimentos do meu ritmo. Como se as pulsações da sua sensibilidade dançassem na mesma cadência que as minhas próprias pulsações, e os nossos corpos se excitassem mutuamente. Assim a cadência do seu desejo se harmoniza com a minha própria cadência, e cada uma das variações da sua tensão responde em eco a cada uma das minhas. Algumas vezes, o encontro é suave e progressivo; outras, violento e imediato. Entretanto, se é verdade que as trocas erógenas podem ser harmoniosas, as satisfações resultantes continuam sendo para cada um dos parceiros satisfações sempre singulares, parciais e discordantes. Nossas trocas se afinam, mas nossas satisfações desafinam. Elas desafinam, porque são obtidas por ocasião de momentos diferentes e em intensidades desiguais. Há uma afinação na excitação e desarmonias na satisfação.

Se a pessoa do amado não está mais aqui, então falta a excitação que escandia o ritmo do meu desejo.

Vê-se bem que o meu outro eleito não é apenas a pessoa que tenho diante de mim, nem uma força, um excitante, nem mesmo um objeto de insatisfação; ele é tudo isso ao mesmo tempo, condensado no ritmo de vida do nosso laço de amor. Ora, quando ele não está mais aqui, quando a irradiação do seu ser vivo e desejante não está mais aqui, e o meu desejo se vê privado das excitações que ele sabia tão bem despertar, perco certamente uma infinidade de riquezas, mas perco principalmente a estrutura do meu desejo, isto é, a sua escansão e o seu ritmo.

A presença simbólica do eleito é um ritmo, mais exatamente o compasso pelo qual se regula o ritmo do meu desejo.

Assim, a presença simbólica do amado no seio do meu inconsciente se traduz pela cadência pela qual deve regular-se o ritmo do meu desejo. Em resumo, o outro simbólico é um ritmo, ou ainda um compasso, ou melhor, o metrônomo psíquico que fixa o tempo da minha cadência desejante.

Essa maneira que temos de conceber o status simbólico do eleito é uma reinterpretação do conceito freudiano de recalcamento, considerado como a barreira que contém o transbordamento das tendências desejantes. É também uma reinterpretação do conceito lacaniano do significante do Nome-do-Pai, considerado como o limite que enquadra e dá consistência ao sistema simbólico. Seja o recalcamento freudiano ou o significante lacaniano do Nome-do-Pai, trata-se de um elemento canalizador das forças do desejo e ordenador de um sistema. Ora, justamente, o ser eleito, definido como um metrônomo psíquico, cumpre essa função simbólica de obrigar o desejo a seguir o ritmo do nosso laço. Assim, diremos que o eleito, dono do compasso imposto ao meu desejo, me impede de me perturbar ao restringir o meu gozo. Ele me protege e me torna insatisfeito. O eleito simbólico é, definitivamente, uma figura do recalcamento e a figura mais exemplar do significante do Nome-do-Pai.

 

A presença imaginária do amado no meu inconsciente: um espelho interior

A pessoa do amado como corpo vivo não é apenas fonte de excitação do meu desejo; ela é também – como dissemos – a silhueta animada que será projetada no meu psiquismo sob a forma de uma imagem interna. O corpo do outro se duplica assim por uma imagem interiorizada. É precisamente essa imagem interna do amado em mim que nós identificamos como a sua presença imaginária no inconsciente.

A presença imaginária do eleito no meu inconsciente é um espelho interior que me envia minhas próprias imagens.

O outro imaginário é pois simplesmente uma imagem, mas uma imagem que tem a particularidade de ser ela própria uma superfície polida, sobre a qual se refletem permanentemente as minhas próprias imagens. Eu me vejo e me sinto segundo as imagens que o outro me envia, seja este outro aquele que tenho diante de mim ou aquele que tenho em mim e que chamo de “outro imaginário”. Em outras palavras, capta as imagens de mim mesmo, refletidas nesse espelho que é a imagem interiorizada do meu amado.

Ora, a imagem interior, do meu amado, a que tenho no inconsciente, enviará as minhas imagens e só despertará sentimentos se estiver apoiada pelo corpo vivo do amado. Preciso ter certeza de que meu amado está vivo para que seu duplo no meu inconsciente possa agir como meu espelho interior. Justamente, a vivacidade das imagens que ele me envia depende da força do desejo que nos une. E a força do desejo depende da vitalidade do corpo. Resumindo, é a força do desejo que carrega as imagens de energia e faz delas os substratos dos nossos sentimentos.

Mas quais são as principais imagens de mim mesmo que esse espelho interior me envia? São imagens que, logo que percebidas, fazem nascer um sentimento. Às vezes, percebemos uma imagem exaltante de nós mesmos, que reforça o nosso amor narcísico; outras vezes, uma imagem decepcionante que alimenta a repulsa por nós mesmos; e freqüentemente uma imagem de submissão e de dependência em relação ao amado que provoca a nossa angústia.

Duas observações ainda, para concluir sobre o status imaginário do outro amado. O espelho psíquico que a imagem do eleito é no meu inconsciente não deve ser pensado como a superfície lisa do gelo, mas como um espelho fragmentado em pequenos pedaços móveis de vidro, sobre os quais se refletem, confundidas, imagens do outro e imagens de mim. Essa alegoria caleidoscópica tem a vantagem de nos mostrar que a imagem inconsciente que temos do eleito é um espelho fragmentado e que as imagens que nele se refletem são sempre parciais e móveis. Mas essa metáfora tem o defeito de sugerir que a presença imaginária do outro seria inteiramente visual, ao passo que sabemos quanto uma imagem pode ser também olfativa, auditiva, tátil ou cinestésica.

A segunda observação refere-se ao enquadramento da imagem inconsciente do amado, isto é, a maneira pela qual imaginamos o amado, não mais segundo nossos afetos, mas segundo nossos valores. Penso nos diversos ideais que, às vezes sem saber, atribuímos à pessoa do eleito. Ancoramos e desenvolvemos o nosso apego conservando no horizonte esses ideais implícitos. Ideais muitas vezes exagerados, até infantis, constantemente reajustados pelas limitações inerentes às necessidades (corpo), à demanda (neurose) e ao desejo do outro. Ora, quais são esses ideais situados na encruzilhada do simbólico e do imaginário? Eis os principais:

Amar é também idealizar o eleito.

  • Meu eleito deve ser único e insubstituível.
  • Deve permanecer invariável, isto é, não mudar nunca, a menos que nós próprios o mudemos.
  • Deve resistir e sobreviver, inalterável, à paixão do nosso amor devorador ou do nosso ódio destruidor.
  • Deve depender de nós, deixar-se possuir e mostrar-se sempre disponível para satisfazer os nossos caprichos.
  • Mas, mesmo submisso, deve saber conservar a sua autonomia, para não nos estorvar…

Esses pseudo-ideais, essas exigências infantis mas sempre imperiosas, são comparáveis às do bebê em relação ao seu objeto transicional.

 

Tivemos que fazer esse longo desvio para responder à nossa pergunta sobre a presença do amado no inconsciente, e compreender assim o que perdemos verdadeiramente quando a sua pessoa desaparece. O eleito é, antes de tudo, uma fantasia que nos habita, regula a intensidade do nosso desejo (insatisfação) e nos estrutura. Ele não é apenas uma pessoa viva e exterior, mas uma fantasia construída com a sua imagem, espelho das nossas imagens (imaginário), atravessado pela força do desejo (real), enquadrado pelo ritmo dessa força (simbólico) e apoiado pelo seu corpo vivo (real, também), fonte de excitação do nosso desejo e objeto das nossas projeções imaginárias.

Entretanto, é preciso compreender bem que essa fantasia não é somente a representação daquilo que o amado é em nós; ela é também aquilo que nos oculta inextricavelmente para a sua pessoa viva. Ela não é apenas uma formação intra-subjetiva, mas intersubjetiva. Vamos dizer de outra maneira: o amado é uma parte de nós mesmos, que chamamos de “fantasia inconsciente”; mas essa parte não está confinada no interior da nossa individualidade, ela se estende no espaço intermediário e nos liga intimamente ao seu ser. Reciprocamente, o amado é ele próprio habitado por uma fantasia que nos representa no seu inconsciente e o liga ao nosso ser. Vemos como a fantasia é uma formação psíquica única e comum aos dois parceiros, e como, até aqui, era inadequado porém necessário falar da fantasia de um ou da fantasia do outro, do “meu” inconsciente ou do inconsciente “do outro”. É isto que queríamos dizer: a fantasia, e mais geralmente o inconsciente que ela manifesta, é uma construção psíquica, um edifício complexo que se ergue, invisível, no espaço intermediário e repousa sobre as bases que são os corpos vivos dos parceiros. Assim sendo, quando nos ocorre perder a pessoa do eleito, a fantasia se abate e desaba como uma construção à qual se retira um dos pilares. É então que a dor aparece.

Assim, à pergunta: “O que perdemos quando perdemos a pessoa do ser que amamos?”, respondemos: perdendo o corpo vivo do outro, perdemos uma das fontes que alimenta a força do desejo que nos unia, sem com isso perder o desejo de vida que nos habita. Perdemos também a sua silhueta animada que, como um apoio, mantinha o espelho interior que refletia nossas imagens. Mas, perdendo a pessoa do amado, perdemos ainda o ritmo sob o qual vibra a força real do desejo. Perder o ritmo é perder o outro simbólico, o limite que torna consistente o inconsciente. Em resumo, perdendo quem amamos, perdemos uma fonte de alimento, o objeto de nossas projeções imaginárias e o ritmo do nosso desejo comum. Isso quer dizer que perdemos a coesão e a textura de uma fantasia indispensável à nossa estrutura.

 

A dor do enlouquecimento pulsional

“Esse enlouquecimento da bússola interior.”

Marcel Proust

A perda do amado é uma ruptura não fora, mas dentro de mim.

Voltemos agora às nossas definições de dor. Assim como se acredita, erradamente, que a sensação dolorosa causada por um ferimento no braço se localiza no braço, também se acredita, erroneamente, que a dor psíquica se deve à perda da pessoa do ser amado. Como se fosse a sua ausência que doesse. Ora, não é a ausência do outro que dói, são os efeitos em mim dessa ausência. Não sofro com o desaparecimento do outro. Sofro porque a força do meu desejo fica privada de uma de suas fontes, que era o corpo do amado; porque o ritmo simbólico dessa força fica quebrado com o desaparecimento do compasso que os estímulos provenientes daquele corpo escandiam; e depois porque o espelho psíquico que refletia as minhas imagens desmoronou, por falta do apoio vivo em que sua presença se transformara. A lesão que provoca a dor psíquica não é pois o desaparecimento físico do ser amado, mas o transtorno interno gerado pela desarticulação da fantasia do amado.

Nas páginas precedentes, fornecemos uma definição da dor de amar como a reação à perda do objeto amado. Agora, podemos precisar melhor e dizer que a dor é uma reação não à perda, qualquer que ela seja, mas à fratura da fantasia que nos ligava ao nosso eleito. A verdadeira causa da dor não é pois a perda da pessoa amada, isto é, a retirada de uma das bases que suportavam a construção da fantasia, mas o desabamento dessa construção. A perda é uma causa desencadeante, o desmoronamento é a única causa efetiva. Se perdemos a pessoa do eleito, a fantasia se desfaz e o sujeito fica então abandonado, sem recurso, a uma tensão extrema do desejo, um desejo sem fantasia sobre o qual se apoiar, um desejo errante e sem eixo. Afirmar assim que a dor psíquica resulta do desabamento da fantasia é localizar a sua fonte não no acontecimento exterior de uma perda factual, mas no confronto do sujeito com o seu próprio interior transtornado. A dor é aqui uma desgraça que se impõe inexoravelmente a mim, quando descubro que o meu desejo é um desejo nu, louco e sem objeto. Encontramos assim, sob outra forma, uma das definições propostas no início deste capítulo. Dizíamos que a dor é o afeto que exprime a autopercepção pelo eu da comoção que o devasta, quando é privado do ser amado. Agora que reconhecemos a fratura da fantasia como o acontecimento maior, intra-subjetivo, que se sucede ao desaparecimento da pessoa amada, podemos afirmar que a dor exprime o encontro brutal e imediato entre o sujeito e o seu próprio desejo enlouquecido.

É nesse instante de intensa movimentação pulsional que, em desespero de causa, nosso eu tenta salvar a unidade de uma fantasia que desmorona, concentrando toda energia de que dispõe sobre uma pequena parcela da imagem do outro desaparecido; imagem parcelar, fragmento de imagem que se tornará supersaturada de afeto. É então que a dor, logo nascida de um desejo tumultuado, ao invés de reduzir-se, se intensifica. Alguns meses depois, uma vez começado o trabalho do luto, a hipertrofia desse fragmento de imagem do desaparecido diminui, e a dor que se ligava a ele se atenua pouco a pouco.

 

Chegou o momento de concluir. Através das diversas hipóteses que apresentei, quis conduzir insensivelmente o meu leitor para o mesmo caminho que me levou a modificar o meu ponto de vista inicial sobre a dor. Parti da idéia comum de que a dor é a sensação de um ferimento e que a dor psíquica é o ferimento da alma. Era a idéia primeira. Se me tivessem perguntado o que é a dor psíquica eu teria respondido sem pensar muito: é a desorientação de alguém que, tendo perdido um ser querido, perde uma parte de si mesmo. Agora, podemos responder melhor, dizendo: a dor é a desorientação que sentimos quando, tendo perdido um ente querido, somos invadidos por uma extrema tensão interna, somos confrontados com um desejo louco no interior de nós mesmos, com uma loucura do interior desencadeada pela perda.

 

Resumo das causas da dor de amar

A dor provém da perda da pessoa do amado.

A dor provém do desmoronamento da fantasia que me liga ao amado.

A dor provém do caos pulsional do isso, consecutiva ao desmoronamento da represa que era a fantasia.

A dor provém da hipertrofia de uma das imagens parcelares do outro desaparecido.

 

Uma última palavra sob forma de pergunta: o que podemos fazer com essa teoria psicanalítica da dor que lhes proponho? Ouso dizer simplesmente: não façamos nada. Vamos deixá-la. Vamos deixar a teoria meditar em nós. Vamos deixar que ela aja sem sabermos. Se essa teoria da dor, por mais abstrata que seja, for realmente fecunda, ela terá talvez o poder de mudar a nossa maneira de escutar o paciente que sofre ou o nosso próprio sofrimento íntimo. Lembremo-nos do tratamento de Clémence, em que a intervenção do psicanalista se situou na encruzilhada da teoria com o inconsciente. Por sua maneira de acolher o sofrimento, de afinar-se com ele e de apresentar as palavras decisivas que comutaram o mal insuportável em dor simbolizada, o psicanalista agiu graças ao seu saber teórico, mas também com o seu inconsciente. Ao fazer isso, pelo seu saber sobre a dor e o seu saber originário da transferência, ele acalmou a dor dando-lhe uma moldura. Tomou o lugar do outro simbólico que, na fantasia de Clémence, fixava o ritmo do seu desejo, esse outro que Clémence tinha perdido ao perder o seu bebê. Diante da dor de seu paciente, o analista se torna um outro simbólico, que imprime um ritmo à desordem pulsional, para que a dor enfim se acalme.

 

(J.-D. Nasio - A dor de amar)

 

 

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A DOR: PRESENÇA E PAPEL NO PSIQUISMO HUMANO

 

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  155. N
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