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NO INÍCIO...

por Thynus, em 29.07.15
 
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Deus sentira-se de tal modo defraudado por a Sua criação mais auspiciosa—o Homem feito à Sua imagem e a Mulher feita segundo a imagem aperfeiçoada do Homem, para dominarem sobre todos os outros seres do Mundo—ter resultado tão defeituosa e rebelde que, depois de os fazer expulsar do jardim do Éden, apesar da insistência dos anjos, se mostrara inabalável na recusa de uma nova tentativa para criar a Humanidade.
Apesar da Sua omnisciência (talvez devido ao cansaço de ter feito aquele imenso Mundo em apenas seis dias), no instante da criação do Homem sentira-se muito orgulhoso e satisfeito com a Sua obra e não lhe achara qualquer defeito ou mácula. Assim, na euforia que se seguiu, não vendo entre todos os animais desse Mundo uma companheira adequada para oferecer à Sua criatura, caíra na tentação de dar vida a um novo ser, feito à imagem do anterior, mas aperfeiçoando o modelo com a introdução de pequenas mas significativas diferenças.
Como desejava um material mais raro do que o pó utilizado na primeira tentativa, adormeceu profundamente o Homem, nas margens do rio Tigre que limitava a Oriente o jardim do Éden, e tirou-lhe uma das costelas que substituiu por carne, esculpindo a partir do osso uma nova criatura em forma de Mulher.
Ao contemplar a Sua obra, Deus achou-a tão bela que, em vez de lhe soprar a vida pelas narinas como fizera ao Homem, lha insuflou através dos lábios beijando-a e, com surpresa, sentiu pela primeira vez o Seu espírito vibrar de emoção nesse fugaz contato com a matéria.
Deus conduziu a Mulher para junto do Homem que despertara e observou cheio de curiosidade a sua reação. Para Seu espanto, o Homem, ao ver diante de si aquele novo ser em toda a sua esplêndida nudez, não se ergueu do lugar, nem agradeceu a dádiva ao Criador, limitando-se a exclamar:—Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne! Chamar-se-á mulher, visto ter sido tirada do homem!
Ouvindo estas frases, Deus admitiu pela primeira vez que talvez a sua melhor criação não fosse afinal tão perfeita no espírito como era na carne e pensou se não seria um risco pôr a árvore da ciência do bem e do mal ao seu alcance. Porém como já era tarde, retirou-se para descansar ao sétimo dia e não voltou a pensar no assunto.
E, um dia, as Suas criaturas eleitas atraiçoaram-no e quando Deus os confrontou com o crime da rebeldia e da desobediência, o Homem culpou a Mulher e a Mulher culpou a Serpente pela tentação de provar o fruto proibido. E Deus, ferido no Seu orgulho e no Seu amor, vestiu-os com túnicas de peles e expulsou-os para sempre do Jardim das Delícias, antes que descobrissem o fruto da árvore da vida e vivessem eternamente. Apesar do seu arrependimento e das suas súplicas, Deus lançou-lhes terríveis maldições:—Tu, Mulher, por teres desejado ser mais inteligente do que o Homem e igual ao teu Deus, procurarás com paixão o teu marido, a quem serás sujeita. Aumentarei os sofrimentos da tua prenhez e parirás teus filhos com dor, suor e lágrimas. Chamar-te-ás Eva pois serás a mãe de todos os viventes.
A Mulher chorou o Paraíso Perdido e a sua nova condição na terra.
Em seguida, Deus amaldiçoou o Homem:—Tu, Homem, que provaste o fruto proibido da inteligência, procurarás o alimento, à custa de penoso trabalho, em todos os dias da tua vida e comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de onde foste tirado: porque tu és pó e em pó te hás-de tornar! E todo o Homem nascido da tua semente há de ser tentado e enganado pela Mulher, por toda a Eternidade, como tu foste pela tua.
E Deus enviou querubins armados de espadas flamejantes expulsá-los do Paraíso, pela porta do Oriente, para as terras desérticas da futura Babilônia, entre os rios Tigre e Eufrates que Adão, o primeiro homem, deveria tornar férteis pelo esforço do seu lavor e castigo.
Quando Deus acalmou a Sua ira e pôde pensar com serenidade nas duas criaturas caídas em desgraça, viu que dispunha apenas do casal primordial, Adão e Eva, para povoar o mundo e, como não queria voltar com a palavra atrás, criando novos seres, foi forçado a prolongar as suas vidas miseráveis assim como a dos seus descendentes, tornando-as férteis durante séculos para que a Humanidade pudesse crescer e multiplicar-se com algum sucesso.
Mesmo assim o processo era tão lento que os Filhos de Deus, contrariando os desígnios do Pai, decidiram sair da esfera celeste e contribuir para o acréscimo da Humanidade, escolhendo entre as mais belas filhas dos Homens as que bem quiseram para mulheres e da sua união nasceram os gigantes e os famosos heróis dos tempos remotos, paridos em grande dor pelas filhas dos Homens, pois a maldição divina jamais fora levantada.
Deus, tomando conhecimento da desobediência das forças celestes e da desordem cósmica que isso implicava, arrependeu-se mais uma vez de ter criado o Homem e a Mulher e, sofrendo amargamente, castigou de novo as Suas criaturas:— Não quero que o meu espírito permaneça indefinidamente no homem, pois o homem é carne, por isso, os seus dias não ultrapassarão os cento e vinte anos.
E Deus enviou o Dilúvio e destruiu as terras da Mesopotâmia e todos os seres vivos, permitindo que apenas Noé com a sua família—a nona geração de Adão—e um casal de todos os animais em vias de extinção se salvassem numa arca, abrindo assim o caminho para uma nova Humanidade, num processo quase idêntico ao anterior.
Deus contava com a efemeridade da vida a que havia condenado os homens e com a sua lentidão em crescer e se multiplicar, para tão cedo não ser importunado pelos seus erros e desacatos, nem ter de os vigiar, punir ou premiar pelos seus atos. E então Deus deixou os homens entregues a si próprios e esqueceu-se deles.
Porém, contrariando os desígnios divinos, as forças celestes interessaram-se de novo pela Humanidade e, para acelerar o seu crescimento, concederam aos descendentes de Noé, tal como haviam feito aos de Adão, uma esperança de vida de mais de novecentos anos nos homens e uma juventude e fertilidade quase eternas nas mulheres, segundo consta nos registros do livro das gerações nascidas de Adão, de todos os Patriarcas de antes e depois do Dilúvio, no Livro do Gênesis, que não enunciaremos aqui, por ser demasiado extenso e não servir os propósitos deste nosso conto.

 (Deana Barroqueiro - CONTOS ERÓTICOS DO ANTIGO TESTAMENTO)
Memórias de Lúcifer

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publicado às 17:38


O homem sem cabeça

por Thynus, em 27.07.15
 
UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA decente deveria ser baseada no princípio do consentimento dos governados. Essa idéia ganhou aceitação geral, mas pode ser contestada tanto por ser muito forte quanto por ser muito fraca. Muito forte, porque sugere que as pessoas devem ser governadas e controladas. Muito fraca, porque mesmo os governadores mais brutais precisam, em certa medida, do consentimento dos governados,  e geralmente o obtêm não apenas à força. (Noam Chomsky) 

A propaganda representa para a democracia aquilo que o cacetete (isto é, a polícia política) significa para o estado totalitário.
(Noam Chomsky) 

 
MINHA avó era uma mulher rara. Tinha muitas boas qualidades, mas era terrivelmente supersticiosa e sabia uma quantidade de “coisas extraordinárias”, das quais a nossa sabedoria escolar não podia suspeitar nada. Em nossa cidade havia uma velha rua solitária, chamada Hohl, na qual até em pleno dia raramente se encontrava um ser humano. Daí dessa rua, guardada por velhas árvores, uma ampla escada de pedra conduzia à torre de Stephan. Contava minha avó uma vez que, por essa escada, passeava um homem, vestido de negro, entre as doze da noite e uma da madrugada. Por que havia escolhido aquele homem precisamente essa escada para o passeio, era seu segredo; muito mais singular, porém, era a circunstância de esse homem não ter cabeça.
Sem dúvida uma história muito rara que me causou muitas preocupações quando criança. Refleti sobre o assunto um dia e outro, e cheguei à conclusão de que sem cabeça não se podia ir passear. Foi isto, sem dúvida, um grande descobrimento. Hoje, não longe dos setenta, reconheci, contudo, que durante toda a minha vida não fui um sábio, mas um pobre louco. Talvez esse reconhecimento me faça agora realmente um sábio; mas a sabedoria veio muito tarde. Torna-se uma pessoa inteligente quando na longa viagem, que se chama a vida, se aproxima da última estação.
Não fui eu sábio e filósofo, mas minha avó. Necessitei de setenta anos para aprender que se pode realmente andar passeando sem cabeça por este formoso mundo. Para minha vergonha tenho de confessar que por mim mesmo não teria caído nunca nessa verdade; foi meu bom amigo da foice e do martelo que me auxiliou. Meu amigo era um santo singular; nele nunca sabia a mão esquerda o que fazia a direita. Durante anos me tinha pregado que os trabalhadores não deviam adquirir nenhum compromisso com a burguesia e com os chamados “social-fascistas”. Só a “ditadura do proletariado” podia trazer-nos a solução. A democracia era um engano, a liberdade um “preconceito pequenoburguês”, a ética social um “estimulante para os frouxos”.
Mas um dia o meu amigo veio visitar-me, meteu o martelo e a foice num caixote de antigüidades, e gritou: “Agora temos o justo! Frente única! Morra o fascismo! Salvemos a democracia!” Apelava aos “social-fascistas”, aos liberais, aos maçons, aos católicos, ao Papa, aos pequeno-burgueses. O presidente Roosevelt, que antes era apenas um “reflexo do capitalismo americano”, converteu-se de repente num gênio político. O sr. Browder defendeu-o com todo o calor de sua alma fogosa e declarou modestamente, num discurso pelo rádio, que os reacionários combatiam Roosevelt, mas que na realidade só se referiam a ele, Browder. Era uma época magnífica aquela da “frente única” contra o fascismo, da luta da democracia contra Hitler, o antropófago e “cão raivoso da Europa”. Recordei ao meu amigo sua posição anterior, mas gritou-me na cara: “Isso é dialética social; disso não entendes nada”.
Logo fez Stalin seu pacto com Hitler. Meu amigo perdeu por algum tempo a voz. Mas chegou a nova ordem de Moscou e começou outra vez a trabalhar o bico. “Estes vis imperialistas! A Inglaterra tem a culpa da guerra! Churchill e Roosevelt são os sacerdotes de Mamon por quem deve sacrificar-se o proletariado!” E meu amigo me mostrou um formoso desenho de “New Massas”, onde Roosevelt, vestido de bruxa no inferno, revolve o fogo de uma caldeira onde é cozinhada a sopa da guerra. Churchill, com seu grosso charuto na boca, aparece ali como um vampiro e sorri. H. Hillman, como víbora, contempla os manejos de Roosevelt, enquanto Knox e Stimson arrastam a um pobre proletário para ser cozido na caldeira e encher a barriga do imperialismo. Até me trouxe meu amigo um boletim “Aos judeus”, no qual se diz que só a política de Stalin pode libertar o mundo do anti-semitismo. Recordei-lhe que há muitos anos, na Palestina, foi editado também um manifesto dessa espécie, no qual se defendia o nacionalismo árabe contra o perigo judeu. Mas meu amigo me gritou na cara: “Isto é dialética social; tu não entendes”.
Veio o ataque de Stalin contra a Finlândia. Mencionei ao meu amigo uma frase de Lenin em 1918: “Um socialista russo que negue a liberdade da Finlândia é um chauvinista”. Mas meu amigo me mostrou um artigo do novelista Alexis Tolstoi, no Pravda, onde se lê: “Stalin sabe o que convém mais à Finlândia. Ele, mais que nenhum outro, sabe o que assegurará a felicidade a todos os povos da humanidade. Ele pensa em tudo o que pode alegrar a vida do homem. Não há um só ser humano de que ele não seja amigo e ao qual não abra seu coração. Oh! quão mais ditosos seriam os ingleses se Stalin pudesse fundar a felicidade do povo inglês!” Mas desgraçadamente já não entendia nada disso. Era dialética social.
Meu amigo atribuía aos ingleses todos os pecados; não falava uma palavra de que Hitler, coberto pela aliança de Stalin, espezinhava os povos da Europa. Os ingleses eram os malditos imperialistas. O fato de Stalin anexar partes da Finlândia, meia Polônia, Bessarábia a até a Bucovina, que nunca pertenceu à Rússia, naturalmente não era “imperialismo”, mas apenas dialética social.
Veio logo o fim amargo. Hitler fez marchar seus exércitos contra a Rússia e Stalin apelou para a ajuda dos “imperialistas”, da Inglaterra e dos Estados Unidos. Devíeis ver a cara do meu amigo. “Esse Hitler assassino! Ladrão, bandido, que assalta países e povos e os põe em seus alforjes, e que nem sequer consente que Chaplin use os seus bigodes!” E meu amigo se pôs a ajudar a Knox, Stimson a pôr o proletariado na caldeira. Churchill, o “pirata do mar”, converteu-se num grande estadista e Roosevelt teve repentinamente o destino do mundo em suas mãos.
Recordei ao meu amigo o caso de Lindbergh e do senador Weeler, que na véspera haviam sido qualificados como representantes da tradição americana e comparados com Jefferson e Lincoln. Pôs-se enraivecido e resmungou que “não queria ter nada que ver com gente que trabalhava para Hitler”, Stalin esteve sempre contra Hitler. Só concertou a aliança com ele para preparar a guerra contra ele. “Mas foi Hitler que marchou sobre Moscou”, disse. “Porque do contrário Stalin teria marchado sobre Berlim”, acrescentou o amigo. “Esta é a dialética social da história”.
Olhei fixamente o meu amigo, e descobri que não tinha cabeça. Minha avó tinha toda razão. Pode um ser humano passear sem cabeça. É até mais cômodo. “Mas devia ter uma cabeça”, objetareis. Sim, mas era só um rosto com dois olhos, e estes não viam. Uma cabeça é uma cabeça quando serve para pensar. Sobre os ombros do meu amigo podeis pôr uma cabaça, um nabo, um tambor ou um pedaço de madeira; prestará os mesmos serviços. Como comunista, pode ir a passeio sem cabeça.

(Rudolf Rocker - As Idéias Absolutistas no Socialismo)
Tinha razão o meu velho professor ao dizer-nos: "quem aos 18 anos não for comunista, não tem coração. Mas quem aos 30 anos for comunista, não tem cabeça".

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publicado às 18:14


Um Homem é a sua Circunstância

por Thynus, em 19.07.15
"O homem é o homem e a sua circunstância"
(José Ortega Y Gasset)
Não é possível chegar ao entendimento sem perceber e superar as próprias circunstâncias
 
Quando me amei de verdade,
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,
na hora certa.
Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade,
pude perceber que o
sofrimento emocional é um sinal
de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade,
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar alguma coisa
ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e - qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoismo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!

Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
 
(Kim e Alison McMille)
José Ortega y Gasset e a encruzilhada da clareza
 

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publicado às 12:31


EM NOME DE ZEUS

por Thynus, em 17.07.15
Os Dez Mandamentos são extremamente
claros e definidos porque não foram
decididos em uma assembléia.

KONRAD ADENAUER, 1876-1967
 
 
A região que hoje chamamos Olímpia já era habitada no terceiro milênio a.C. O primeiro local sagrado naquela parte da Peloponésia ocidental foi dedicado à deusa Ge. Muito mais tarde, Olímpia se transformou na cidade-templo de Zeus. No ano de 776 a.C., ocorreram as primeiras competições em Olímpia, e temos um registro escrito com o nome do vencedor – “Coroibos de Elis”. As competições atléticas ocorriam a cada quatro anos durante um período de 1.168 anos, de 776 a.C. a 393 d.C. Regras rígidas foram estabelecidas, tanto para os competidores quanto para a audiência. Os atletas deveriam treinar pelo menos durante dez meses; eles também deveriam ser gregos livres que não tivessem cometido assassinato nem se comportado de uma maneira indecente em um local sagrado. Trinta dias antes do início dos jogos, os atletas se reuniam no campo de treinamento em Elis, a 57 quilômetros de Olímpia, onde ficavam morando juntos em habitações simples e recebendo a mesma comida. Os Jogos Olímpicos eram apenas para os homens; as mulheres e os escravos não tinham permissão nem mesmo para assistir, havendo até mesmo uma lei que dizia que qualquer mulher que fosse surpreendida assistindo aos jogos seria atirada do Monte Typaion. Por que essa implicância com as mulheres? Todos os participantes tinham de competir nus e, mais tarde, os organizadores os obrigaram também a treinar sem roupa. Por que tudo isso?
Tanto os juizes das competições quanto o público tinham de ter certeza absoluta de que os atletas participantes eram seres humanos normais, que não haveria trapaça e que todos teriam a mesma oportunidade. A palavra “atleta” na verdade deriva da palavra grega athlos e significa prêmio ou honra. E qual a relação de tudo isso com a história da Argonáutica? Fique um pouco mais comigo.
Até o 13° Jogo Olímpico em 728 a.C., uma única competição ocorria: a corrida de velocidade em um percurso de um estádio, uma distância de mais ou menos 200 metros. Foi somente em 720 a.C. que uma corrida mais longa foi acrescentada, em um percurso de dois estádios, cerca de 400 metros. O primeiro vencedor olímpico dessa corrida foi Acanto de Esparta. A partir de então, novos esportes foram incluídos em cada um dos Jogos Olímpicos. A história dos jogos foi minuciosamente pesquisada por vários historiadores. Heródoto, o “pai dos historiadores” (490-426 a.C.), lia pessoalmente trechos das suas obras em voz alta no Olímpia, e foi assim que ele se tornou conhecido dos seus compatriotas. O historiador grego Diodoro (cerca de 100 a.C.), autor de quarenta volumes de livros de história, visitou os 180 Jogos Olímpicos.
É fácil para mim utilizar a história dos Jogos Olímpicos para demonstrar que monstros, Titãs, “seres mistos” ou outros seres estranhos não participavam deles. Os competidores ficavam nus e nenhum ser híbrido ou hermafrodita jamais teria tido permissão para assistir aos jogos. Nenhum robô à la Talos tinha sido programado para proteger os inúmeros templos olímpicos que continham ouro e prata. Nenhum dragão que cuspia fogo guardava com olhos incansáveis as valiosas oferendas feitas aos deuses e nenhuma descendência “divina” corrompia os jogos. Pelo menos podemos ter certeza disso a partir de 776 a.C. Competições eram realizadas em Olímpia antes disso, mas não estão incluídas em nenhum registro histórico.
A mais antiga referência conhecida à Argonáutica encontra-se no quarto poema de Píndaro, que escreveu a história por volta de 500 a.C. Certamente não havia gigantes, Titãs ou outros descendentes dos deuses à solta naqueles dias, caso contrário teriam sido mencionados nos registros históricos de Olímpia. Eles também não existiam um quarto de milênio antes disso, nos primeiros Jogos Olímpicos. Não obstante, a história faz referência a deuses, robôs, ao Velocino de Ouro e a um dragão que nunca dorme. Por conseguinte, as primeiras pessoas que contaram a história da Argonáutica inventaram seus monstros ou os extraíram de fontes bem mais antigas. Não vejo nenhuma outra alternativa.
A invenção fantástica de um “vau falante” ou de um “homem de metal” não se encaixa facilmente na época de Píndaro e nem mesmo na de Apolônio. O mesmo podemos dizer do dragão que nunca dorme e que não tem necessidades físicas, cospe fogo e é imortal. Se essas figuras tivessem sido inventadas nas histórias fantásticas da época, nós teríamos conhecimento desse fato. Afinal de contas, na Grécia antiga, havia uma enorme quantidade de poetas e sonhadores. Um grande número das suas histórias resistiu aos milênios, mas nenhum deles menospreza as mentiras inventadas pelos outros. Assim sendo, certamente essas histórias precisam ser mais antigas do que os primeiros Jogos Olímpicos.
Quanto mais nos aprofundamos no nevoeiro da história humana, mais improváveis se tornam as invenções tecnológicas, como as mencionadas na Argonáutica. Nosso modelo evolucionário nos levaria a concluii que quanto mais recuássemos no tempo, mais simples seria o pensamento humano. Ou será que existe alguém que seriamente deseje propor a idéia de que os contadores de histórias pegaram suas tabuinhas de argila no instante em que a primeira escrita foi inventada? Acompanhe-me em uma viagem mental, que nos fará recuar 4.000 anos.
Estamos na cidade de Assur, que existiu cerca de 2.000 a.C. O desenvolvimento da escrita encontrava-se a todo vapor e as pessoas já tentavam riscar em tabuinhas de argila algumas leis decretadas pelo nosso hábil governante. Este exige de cada um dos seus subordinados que implemente de imediato as leis, em vez de julgar as coisas de acordo com o capricho do momento. A elaboração dessas “tabuinhas da lei” é muito difícil. Primeiro, a mistura correta de argila precisa ser comprimida em armações de madeira, e depois amassada e alisada. A seguir, o escriba traça linhas finas na argila com uma pedra afiada. Todo o processo já foi testado durante semanas, com a argila mole sendo gravada repetidamente com os sinais em forma de cunha. Às vezes, a ferramenta de pedra risca muito profundamente e a impressão fica muito larga na parte superior; outras vezes, uma pressão excessiva é aplicada. Ou então a mão do escriba treme. Com freqüência, a argila mole cede no lugar errado, ocultando um traço importante que transforma uma palavra em seu oposto — como “injusto” em “justo”.
Finalmente, as armações de madeira são colocadas ao sol para secar. Após algumas horas, podemos ver que a escrita já não parece correta porque o calor empena a armação. Além disso, muitas tabuinhas se quebram quando são removidas da armação.
Você pode ver, portanto, que em 2.000 a.C. escrever era ao mesmo tempo um processo exaustivo e uma séria responsabilidade. Poucos dominavam essa nova arte. Imagine então que aparece um sonhador que só tem uma coisa em mente: ele exige 5.000 tabuinhas para poder gravar nelas uma história inventada, um sonho, digamos — ou, como ela seria chamada um milênio mais tarde, um conto de fadas! Os sacerdotes, a tribo, o governante só permitirão tal coisa se a considerarem extremamente importante. E que tipo de história poderia ser importante a ponto de exigir que alguém passasse anos gravando-a na argila?
Apenas uma, sem dúvida, que descreva uma série de eventos antigos, poderosos e, é claro, verdadeiros, que precisam ser conservados para a posteridade. As mentiras e as invenções não são gravadas na argila — e os sonhos definitivamente também não.
E foi isso que aconteceu. Depois que a humanidade finalmente inventou a escrita, ou melhor, a aprendeu com os deuses, os textos registrados eram acordos comerciais e, mais tarde, decretos reais ou relatórios sobre guerras e batalhas. Os poucos especialistas que sabiam escrever, escolhidos a dedo, não usavam esse conhecimento para registrar tolices. As tabuinhas de argila não existiam para imortalizar as fantasias de qualquer sonhador. As únicas coisas escritas eram aquelas realmente importantes — inclusive as histórias a respeito dos deuses, das suas armas sobre-humanas e poder sobrenatural. Essas histórias já existiam e não foram inventadas de repente. Não havia lugar para uma literatura trivial ou escapista nos textos sagrados. Tanto os governantes quanto os sacerdotes se teriam recusado categoricamente a dar sua aprovação.
Por que então as descrições de uma misteriosa tecnologia dos deuses são encontradas entre os mais antigos registros escritos? O que tornou essas coisas tão importantes a ponto de serem escritas? A Epopéia de Gilgamesh foi escrita milhares de anos antes de Cristo, bem como as histórias dos primeiros imperadores chineses e seus dragões celestes. E, na versão mais antiga da história de Gilgamesh, escrita em tabuinhas de argila há 5.000 ou 6.000 anos, encontramos o robô Chumbaba, a “torre dos deuses”, a “porta que fala como uma pessoa” e os projéteis dos deuses, rápidos como o relâmpago. É claro que também ouvimos falar em uma jornada espacial, pois Gilgamesh é levado da terra e descreve o que vê de uma grande altitude.
Acho melhor parar por aqui; já explorei essas histórias em outros livros, que podem ser examinados por aqueles que desejem se aprofundar no assunto.1, 2
Há cento e noventa anos, o historiador Professor Dr. Ernst Curtius escreveu o seguinte:3 “A história não conhece a infância de nenhuma raça.” Isso é verdade, pois cada povo só começa a fazer um registro histórico depois de formar uma comunidade a respeito da qual algo pode ser escrito. Heródoto certamente não foi o primeiro historiador do planeta; a história foi escrita séculos e milênios antes dele. Heródoto foi uma pessoa erudita. Ele pesquisou meticulosamente as bibliotecas da sua época, pois sua curiosidade e interesse eram sempre crescentes, e ele queria descobrir a verdade a respeito dos deuses gregos.
Por sua cuidadosa pesquisa, ele descobriu as origens dos deuses gregos no Egito. Descobriu que os egípcios foram o primeiro povo a manter registros precisos a respeito dos seus deuses e reis, e que eles tinham conhecimento de festivais muito antigos que “apenas recentemente começaram a ser celebrados na Grécia”.4 Heródoto descobre no antigo Egito seus deuses gregos, junto com todos os ritos que lhes são dedicados, e não se sente nem um pouco culpado por ter-se aberto com relação a isso, embora seus devotos compatriotas facilmente pudessem ficar ofendidos. Heródoto declara com bastante naturalidade que ísis nada mais é do que o nome egípcio para Deméter. A deusa Atena e os deuses Hélio, Ares e muitos outros têm sua origem no Egito. No segundo livro das Histórias, a partir do capítulo 60, Heródoto descreve diversos festivais em homenagem a esses deuses e como eram celebrados no Egito. Ele sempre mantém uma perspectiva crítica, fazendo uma distinção entre suas experiências pessoais e as coisas que lhe foram contadas por terceiros. Ele também registra meticulosamente as coisas sobre as quais não quer escrever, seja por serem sexualmente ofensivas, seja por não acreditar no que lhe foi contado. Heródoto até mesmo explora a questão sobre o motivo pelo qual esses seres sobrehumanos são chamados de “deuses”. A resposta a que ele chega não dá margem a dúvidas: porque eles foram os primeiros mestres da humanidade e também porque “determinavam todas as coisas e dividiam tudo entre si”.
Heródoto também extrai contagens de anos das suas fontes egípcias capazes de nos causar uma grande surpresa. No capítulo 43 do seu segundo livro, ele escreve que Héracles era conhecido pelos egípcios como um deus muito antigo. Ele diz que 17.000 anos se passaram entre a época de Héracles e o reino de Amasis. A seguir, ele fornece dois números que perturbam a cabeça dos nossos especialistas. Para o Heródoto itinerante — e tudo isso, é claro, aconteceu por volta de 450 a.C. — os sacerdotes de Tebas mencionaram o nome de 341 gerações de governantes que eles haviam cuidadosamente registrado. De acordo com Heródoto, essas 341 gerações correspondem a 11.340 anos, e a partir de então “não houve mais deuses com forma humana” no Egito. Heródoto não estava meramente batendo papo com simples pedreiros ou comerciantes fofoqueiros. As pessoas com quem ele falou eram sacerdotes instruídos e quando, impressionado, ele perguntou a eles se suas afirmações eram verdadeiras, essa elite de sacerdotes confirmou que os 341 reis tinham sido pessoas “bem diferentes dos deuses’’ e, que antes deles, deuses haviam governado o Egito e vivido entre os seres humanos. (Quem quiser verificar essas afirmações pode ler o livro 2, capítulos 142 a 145, das Histórias de Heródoto.) E uma vez mais I leródoto nos garante que os egípcios sabiam de tudo isso “com certeza, porque eles continuamente computam os anos e os registram”. Os mesmos sacerdotes também leram para Heródoto, a partir de um livro, o nome dos 330 reis, junto com os períodos em que governaram, que se seguiram ao reinado do Faraó Vienes.
Os perspicazes exegetas, filólogos, arqueólogos e historiadores religiosos dos dias de hoje não conseguem aceitar a idéia desses enormes períodos de tempo. Antes do início da história escrita, eles só têm conhecimento do grande buraco negro da Idade da Pedra, durante a qual os seres humanos que descendiam dos macacos lenta e infalivelmente expandiram seu conhecimento. Eles aprenderam a usar instrumentos de pedra e pouco a pouco desenvolveram a linguagem. Eles formaram tribos para sua segurança, inventaram a ponta de flecha, a lança e finalmente o arco, e a certa altura descobriram como extrair o ferro da rocha. Nessa mesma época, eles ergueram gigantescas construções megalíticas. E, quando finalmente inventaram a escrita, imediatamente usaram estiletes de pedra para imprimir nas tabuinhas de argila histórias fantásticas com uma tendência tecnológica!
Nossos especialistas, que confinam o cérebro em intermináveis conferências e discussões, e que citam o tempo todo as obras uns dos outros a fim de “permanecer científicos”, não conseguem propor uma explicação melhor do que a psicológica. Eles escrevem frases como:5 “Colocar antes de meados do quarto milênio a cronologia das dinastias mais antigas é ridículo e claramente uma óbvia invenção.” Ou: “Um total absurdo”, ou: “Podemos deixar sem problemas esta passagem de fora, pois ela nada contém além de disparates absurdos.” Este tipo de ponto de vista defende com segurança a idéia de que “a história do antigo Egito só começou realmente por volta de 3.000 a.C.”6 Qualquer outra versão da história da humanidade é inconcebível, mesmo que os historiógrafos dos mais diversos povos forneçam datas concretas. O dogma sagrado da evolução não admite nenhuma outra alternativa.
A fim de explicar todas as incongruências, as pessoas inventam “anos lunares”, acusam os historiadores e historiógrafos de cometer erros com os números, de exagerar a natureza grandiosa dos seus reis ou de inventar tipos de calendário que na verdade nunca existiram — como o calendário Sothis ou Sirius para os reinos faraônicos. E o que acontece à nossa tão elogiada “abordagem científica” se simplesmente desprezarmos todas as datas que um tão grande número de escribas e historiógrafos registrou com tanto cuidado? Heródoto está longe de ser o único a incluir datas e períodos nas suas histórias. No meu livro anterior,7 apresentei números comparativos dos mais diversos lugares. A conclusão a ser tirada não é que os antigos tivessem problemas para contar e sim que simplesmente não queremos reconhecer a realidade daquela época.
Os filósofos gregos Platão (427-347 a.C.) e Sócrates (470-399 a.C.) ainda são considerados, inclusive pela nossa cultura extremamente adiantada, como pensadores ilustres e perspicazes. Seus tratados enchem milhares de páginas e eles se esforçavam o tempo todo para chegar à verdade. Quem quer que leia os Diálogos de Platão descobrirá o verdadeiro significado da filosofia e da dialética. Em seu diálogo intitulado As Leis, Platão inicia uma conversa com um hóspede vindo de Atenas, com Cleinas de Creta e o lacedemônio Megillos. Esses homens também discutem os tempos antigos e o ateniense diz o seguinte:8
Se fizermos um exame mais atento, descobriremos que as pinturas e esculturas criadas há dez mil anos — e estou me referindo a um período de tempo preciso e não usando o termo no sentido vago que geralmente lhe é conferido — não são nem mais belas nem mais feias…
Por que o grego enfatiza o fato de estar se referindo a um período específico de tempo de dez mil anos? Porque os gregos consideravam todos os números acima de dez mil algo que podia variar entre “grande” e “infinito”. No livro 3 do mesmo Diálogo, os homens falam abertamente a respeito da destruição de culturas anteriores.
Está claro que o conhecimento dessas civilizações extintas era evidente por si mesmo naqueles dias e não apenas com relação a pequenas nações dizimadas em um ou outro momento pela guerra ou desastre natural. De modo nenhum. As pessoas tinham conhecimento de uma catástrofe global causada por um grande dilúvio. Podemos ler com detalhes na obra de Platão a respeito da erradicação de cidades e países inteiros e dos pequenos grupos que sobreviveram nas regiões montanhosas. Esses sobreviventes, diz ele, haviam preservado a arte da cerâmica, viviam da caça e eram capazes de fabricar cobertores e armas simples, pois podiam confeccioná- los sem o uso do ferro. Por outro lado, diz ele, o uso dos metais lhes foi ensinado pelos deuses “para que a raça humana, no meio das dificuldades que estavam passando, obtivesse uma força e um ímpeto renovado para se desenvolver”.9
Podemos ler a respeito da maneira pela qual as cidades das planícies e à beiramar foram destruídas e as minas de metal ficaram submersas, o que tornou impossível a obtenção de minérios. Todas as ferramentas também foram perdidas, bem como uma grande parte do conhecimento, inclusive a “arte da política”. As gerações seguintes, escreve Platão, logo esqueceram de que modo muitos milênios haviam se passado.
Muitas pessoas interpretam esse Diálogo como uma espécie de suposição, como se Platão estivesse dizendo: “Vamos supor que isso aconteceu, que o mundo foi arruinado e as pessoas tiveram de recomeçar do início, como isso seria.” No entanto, esse ponto de vista não tem muita utilidade, visto que a menção a culturas extintas não se restringe a As Leis. E o ateniense afirma explicitamente que se está referindo a um número exato de “dez mil anos”.
Mas por que tal catástrofe teria ocorrido? Em a Política de Platão lemos assombrados a respeito de:10
…o milagre da inversão do nascer e do pôr do sol e dos outros corpos celestes. Onde hoje eles se levantam, eles uma vez se punham, e nasciam do outro lado… Isso parece absurdo, mas na nossa época adquire outra dimensão. Simplesmente imagine um globo e faça-o girar sobre o próprio eixo para obter nossos dias e noites. Agora incline o eixo e deixe o globo continuar com a mesma rotação anterior – em outras palavras, sem parar o giro e invertê-lo. O que acontece? Os habitantes da terra têm a impressão de que o sol mudou seu trajeto. É claro que isso não aconteceu, mas o fato de o eixo da terra ter mudado de direção faz com que as pessoas tenham essa impressão. Além disso, uma mudança no eixo da terra também provocará inevitavelmente terríveis inundações. Desde que aprendemos que o campo magnético do nosso planeta se modifica, uma mudança no eixo da terra tem estado dentro dos limites da possibilidade.
O poeta Hesíodo viveu na Grécia séculos antes de Platão. Várias epopéias, poemas e fragmentos de seus trabalhos sobreviveram aos milênios. Sua obra mais conhecida é Teogonia, que foi escrita entre 650 e 750 a.C.11 Nela ele menciona seres terríveis que certa vez habitaram a terra. Os próprios deuses os haviam criado: figuras pavorosas “com cinqüenta cabeças com enormes membros pendurados nos ombros.” 12 O dragão que cuspia fogo também já faz parte da coleção de seres estranhos de Hesíodo. Apolônio, que viveu trezentos anos mais tarde, não pode, por conseguinte, ter inventado o dragão na Argonáutica.
…dos ombros do horrível e serpeante dragão saíam cem cabeças, cujas línguas escuras estremeciam e se lançavam eni todas as direções. De cada par de olhos das cem cabeças a luz cintila e arde… quando ele fixa os olhos, seu olhar queima como fogo. E cada uma das aterradoras cabeças tem sua própria voz retumbante, uma assombrosa multiplicidade de sons…13
Também podemos ler na Teogonia de Hesíodo a respeito de como a deusa Quimera, de quem obtivemos a palavra “quimera” ou “ser misto”, deu à luz “um monstro que resfolegava fogo”.14 O monstro possuía três cabeças, a de um leão, a de uma cabra e a de um dragão. A cabeça de dragão “resfolegava o ardor terrível de um fogo que fulgia intensamente”.
Uma vez mais não está claro de onde Hesíodo obteve essa informação. Supõe-se que ele também tenha usado fontes egípcias originais. Seus relatos são por demais vívidos e precisos, e seu caráter excessivamente tecnológico, para que eles tenham surgido na sua época. Em seu livro Works and Days15 ele escreve que os deuses criaram quatro raças antes de criar a raça humana:
…Primeiro os deuses, os que vivem nas alturas do Olimpo, criaram uma raça de ouro de homens muito discursadores…
A citação anterior foi traduzida de uma versão alemã de 1817. O professor Voss traduziu a frase do grego como “os que vivem nas alturas do Olimpo”. Em versões mais recentes da mesma passagem, encontramos uma perspectiva levemente diferente: “… [deuses] que vivem em casas celestes”.16
Vou colocar lado a lado essas duas traduções, separadas uma da outra por apenas 150 anos, para que você possa compará-las e tirar suas conclusões:
1817
Primeiro os deuses, os que vivem nas alturas do Olimpo, criaram uma raça de ouro de homens muito discursa- dores. Estes eram governados por Crono, que na época reinava no céu. E eles viveram como os deuses, com suas almas recebendo constantes cuidados…
1970
Deuses imortais que vivem em casas celestes primeiro criaram a raça de ouro de frá¬geis seres humanos. Foi na época de Crono, quando ele ainda reinava nos céus. Eeles viveram como deuses, sem ter nenhuma preocupação no coração…
O grego antigo que alguns de nós talvez tenhamos aprendido com dificuldade no colégio não é suficiente para julgar qual das versões é mais precisa. Embora o sentido geral das duas traduções seja de um modo geral o mesmo, existe uma diferença fundamental entre “alturas do Olimpo” e “casas celestes”, e entre “governados por Crono” e “na época de Crono”. Como será a tradução no ano 2100? Depois da “raça de ouro” os deuses criaram uma segunda raça, uma raça inferior, uma “raça de prata”. Esta raça ainda foi criada pelos mesmos deuses, os que “moram nas alturas do Olimpo”, ou, quem sabe, “moram em casas celestes”. Essa “raça de prata” era de uma ordem inferior à raça de ouro, tanto na forma quanto na atitude mental, e era formada por ‘’molengões” mimados pelas mães.
Depois então veio:17 “…uma terceira raça de pessoas barulhentas”. Elas tinham “uma grande força” e “dos seus ombros saíam grandes membros”. Supõe-se que essa raça era empedernida e obstinada, e suas ferramentas de agricultura eram feitas de metal. Mas parece que essa raça também desapontou, de modo que Crono criou uma quarta raça: a dos heróis ou semideuses.
Segundo Hesíodo, nós, modernos, pertencemos à quinta raça, a raça de ferro. Somos uma mistura do “bem com o mal” e sentimos alegria e dor. Mas quando as coisas degenerarem a ponto de crianças não mais se parecerem com os pais, anfitriões não mais acolherem com prazer os hóspedes e irmãos não mais amarem uns aos outros, nossa raça também será destruída em nome de Zeus.
Hesíodo apresenta uma descrição vívida e detalhada da batalha travada entre deuses e Titãs, inclusive dos pormenores das armas envolvidas. Embora os Titãs tivessem sido criados pelos deuses, tiveram de desaparecer da face da Terra. Uma terrível luta ocorreu, na qual até mesmo o deus Zeus esteve envolvido, lançando dos céus grandes relâmpagos explosivos, projéteis que fizeram os mares ferver, incendiaram extensas regiões e subjugaram a Terra. A descrição do massacre feita por Hesíodo cobre muitas páginas, mas vou transcrever apenas um trecho da tradução de 1817:
Também em cima, os Titãs consolidaram seus esquadrões… ruidosamente a terra estremeceu e a abóbada celeste retumbou… e diretamente do céu e do Olimpo investiu subitamente, com um raio, o Trovejador. Golpes desceram em sucessão, retumbando e lançando fogo… chamas sagradas se entrelaçaram… a terra fértil que brotava se incendiou e as grandes florestas tombaram diante da fúria do fogo… depois, os ventos sagrados também se incendiaram e até os olhos dos mais fortes foram cegados… como se a abóbada celeste descesse e se aproximasse da terra, o ruído mais alto e retumbante se manifestou… os deuses enfurecidos avançaram em direção à desordem, os ventos rodopiaram e sopraram turbulentos, espalhando poeira e destruição… Zeus então enviou seu sublime míssil… e um terrível clamor se levantou…
Essa batalha não foi travada com recursos terrestres. A epopéia indiana O Mahabharata18 descreve um episódio bastante semelhante, mas que conta com armas ainda mais terríveis. Também nela, duas raças diferentes de deuses travam uma batalha entre si:
A arma desconhecida é um relâmpago reluzente, um terrível mensageiro da morte, que transforma em cinzas todos aqueles que pertencem ao Vrishni e ao Andhaka. Os corpos consumidos pelo fogo ficaram irreconhecíveis. Os que conseguiram escapar com vida perderam o cabelo e as unhas. Potes de barro se quebraram sem motivo, os pássaros ficaram brancos.
Em pouco tempo a comida se tornou venenosa. O relâmpago tombou na Terra e se transformou em fina poeira.
E o que disse Gilgamesh, quando seu amigo Enkidu morreu com muito sofrimento depois do encontro com o monstro divino Chumbaba? “Terá sido o hálito venenoso da besta celeste que o atingiu?”
 Todas as versões de O Mahabharata disponíveis em alemão são editoradas e mutiladas. Como não sou capaz de ler sânscrito, tenho de recorrer às versões em inglês em muitos volumes. As semelhanças com Hesíodo são por demais marcantes e simplesmente não podem ser desprezadas.
Foi como se os elementos tivessem sido libertados. O sol girava em círculos e, ardendo com o calor da arma, o mundo cambaleou em chamas. Os elefantes, chamuscados pelo fogo, corriam desvairados de um lado para o outro… a água ficou quente, as bestas morreram… o ribombar das chamas fez com que as árvores caíssem uma após a outra como em um incêndio na floresta… Cavalos e carruagens romperam em chamas… milhares de carruagens foram destruídas e depois um profundo silêncio caiu sobre a Terra… um terrível espetáculo se apresentou aos olhos. Os cadáveres dos que tombaram estavam desfigurados pelo insuportável calor… nunca antes vimos arma tão terrível, nunca antes ouvimos falar em tal arma.
Este também é o lugar ideal para mencionar outra remissão recíproca a Gilgamesh:
Os céus bradejaram, a terra clamou em resposta. O relâmpago se acendeu, o fogo subiu flamejante, choveu a morte. A luminosidade desapareceu, o fogo foi extinto. Tudo que fora atingido pelo relâmpago se transformou em cinzas.
Todas essas armas de destruição em massa — quer descritas por Hesíodo, em O Mahabharata ou na Epopéia de Gilgamesh – foram usadas em épocas anteriores ao início da história escrita. Se as batalhas dos deuses tivessem ocorrido em uma “época histórica”, teríamos relatos precisos com datas. Como este claramente não é o caso, elas devem ter ocorrido nos tempos pré-históricos — ou na imaginação. Eu entendo o ponto de vista dos especialistas que fizeram comentários sobre esses antigos textos antes de 1945. Mas depois do final da Segunda Guerra Mundial, depois de Hiroshima e Nagasaki, deveríamos ter um pouco mais de sabedoria. Hoje sabemos do que os “deuses” são capazes.
Os 24.000 dísticos de O Ramayana também representam um tesouro para a revelação das atividades e habilidades tecnológicas pré-históricas dos deuses. Embora a versão escrita de O Ramayana date do século 111 ou IV a.C., seu conteúdo procede de fontes desconhecidas. O herói da história é Rama, o filho do rei, cuja esposa Sita é raptada pelo demoníaco gigante Ravana e levada para a ilha de Lanka — uma reminiscência da causa da Guerra de Tróia. Com a ajuda do rei dos macacos (e muito apoio tecnológico), Rama consegue recuperar a esposa.19
Um maravilhoso veículo que sobe no ar é detalhadamente descrito. Ele parecia uma pirâmide voadora e decolava na vertical. Ele tinha a altura de um prédio de três andares e voou de Lanka (Sri Lanka ou Ceilão) para a índia. A máquina voadora percorreu, portanto, mais de 3.200 quilômetros. Havia espaço dentro dessa pirâmide voadora para vários passageiros e ela continha algumas câmaras secretas. Quando ela subiu do chão conduzindo Rama e Sita, ouviu-se um terrível ruído. E feita uma descrição de como a máquina faz as montanhas estremecerem e trepidarem, e toma o rumo do céu ao som de trovões, mas também incendeia edificações, campos e florestas. Em 1893, décadas antes de Hiroshima, o Professor Hermann Jacobi fez o seguinte comentário:20 “Não existe nenhuma dúvida de que essa descrição se refere simplesmente a uma tempestade tropical.”
Como afirmei anteriormente, deveríamos ser um pouco mais sábios depois de Hiroshima. No entanto, os comentários que os especialistas ainda fazem a respeito desses textos antigos me fazem sentir como se estivéssemos presos na época errada. Está claro para mim que grande parte do que os historiógrafos da antiguidade registraram não teve origem na sua macabra imaginação, tendo certa vez sido realidade — mesmo que esses horríveis eventos não tenham ocorrido na ocasião em que os poetas e historiadores os descreveram. Se eles tivessem efetivamente testemunhado de perto esses acontecimentos, de qualquer modo, provavelmente não teriam sido capazes de escrever a respeito deles, pois todos estariam mortos. Os historiógrafos não eram testemunhas oculares; eles descreviam coisas que outros haviam visto, ou das quais haviam ouvido falar, de lugares distantes, e depois contavam para seus descendentes, talvez depois de visitar as regiões incendiadas e as cidades atingidas pela devastação. Ou talvez depois de sobreviventes da periferia da batalha terem narrado suas aterradoras experiências a outros que não estiveram envolvidos nos acontecimentos.
Esse tipo de informação, passada adiante à moda chinesa, por meio de sussurros, nunca pode ser exata. Esse fato é ainda mais verdadeiro se levarmos em consideração que nem as testemunhas oculares nem os historiógrafos posteriores tinham a menor idéia a respeito dos modernos sistemas de armamentos. O que mais poderiam eles fazer além de atribuir o que não entendiam a divindades sobrenaturais? Afinal de contas, aos olhos deles, esses seres eram “deuses’’ — pois o que mais poderiam ser? Existe também uma clara distinção em toda a literatura da antiguidade entre os fenômenos naturais e as armas dos deuses.
Em sua Teogonia, Hesíodo também volta a atenção para os Ciclopes.
Imaginava-se que sua estatura fosse semelhante à dos deuses, mas eles só tinham um olho no meio da testa, o que lhes conferiu o nome de “olho redondo”: “O único olho deles era redondo como um círculo e era encravado no meio da face.”21
Poderíamos pensar que os Ciclopes devem ter realmente sido produto da imaginação, visto que nunca houve criaturas com um só olho, mas não estou tão certo disso. Desde o século XVII, existem casos documentados de abortos fortuitos de fetos com um único olho. Além disso, a genética moderna verificou que um único gene é responsável pelos nossos dois olhos. No primeiro estágio fetal dos vertebrados, classe a que pertencemos, desenvolve-se inicialmente uma espécie de faixa de células sensíveis à luz. Se a função do gene “Pax-6” não fosse ativada, essa conglomeração sensível à luz deixaria de se dividir em duas áreas separadas e todos seríamos ciclopes. Só Deus sabe que tipo de experiências genéticas os deuses imaginaram — e de onde os historiógrafos tiraram a idéia dos ciclopes.
 O grego Hesíodo também menciona carros voadores em várias passagens, como em Fragmento 30, no qual Zeus desce do firmamento acompanhado por relâmpagos e trovões. Diz- se também que o antigo governante da Lídia tinha acesso a uma impressionante tecnologia. Ele se chamava Gyges e era originalmente um pastor. Heródoto escreve que Gyges viera, ainda jovem, para o palácio de Candaules e se tornara amigo do governante. Certo dia, Candaules insistiu com Gyges para que se escondesse no seu quarto de dormir para admirar a beleza da sua esposa quando ela se despisse. Gyges fez o que foi pedido, mas a esposa do governante notou o voyeur e no dia seguinte exigiu que ele matasse seu marido, caso contrário ela revelaria a todo mundo o ocorrido, e Gyges perderia a vida. Se ele matasse Candaules, ela o tornaria rei da Lídia — e foi isso que aconteceu. Dizem que Gyges possuía uma máquina que o tornava invisível. Platão escreve a respeito disso em seu diálogo O Estado. Certo dia, quando Gyges ainda era pastor, ocorreram uma grande tempestade e um terremoto, e a terra se abriu. Assombrado, o jovem Gyges espiou dentro do grande buraco que se abrira no chão diante dele. Ele entrou em depressão e:22
…viu, além de outras coisas maravilhosas, um cavalo de ferro oco com janelas. Gyges olhou para dentro e viu um cadáver, aparentemente maior que o de um ser humano. Ele nada vestia além de um anel de ouro em uma das mãos. Gyges então tirou o anel do dedo do cadáver e saiu do buraco…
O anel podia se mover, e Gyges o girou. Ao se encontrar de novo com seus companheiros pastores, ele de repente percebeu que eles não o viam. Dependendo da maneira como ele girava o anel, ele ficava visível ou invisível, mas mesmo quando invisível, ele conseguia ouvir e ver tudo o que se passava ao seu redor. Esse incrível anel deve ter feito com que ele se sentisse extremamente tentado a inspecionar os aposentos da sua rainha. Mas ele deve ter feito algo errado, do contrário ela não o teria notado. E alguém que podia ficar invisível ao seu bel-prazer não deve ter tido muita dificuldade em se tornar o governante da Lídia.
O conto de Gyges é a mais velha história conhecida sobre um voyeur. Ele pode ser pura fantasia, pois quem não gostaria ocasionalmente de poder se tornar invisível? Mas por que toda aquela descrição de uma cavidade subterrânea que continha o esqueleto de um gigante e um cavalo de metal com janelas? De certo modo, essa história lembra a de Aladim, que precisava apenas esfregar sua lâmpada maravilhosa a fim de obter tudo que quisesse.
Os contos de fadas são assim denominados porque coisas fictícias acontecem neles. Os relatos de armas aterradoras utilizadas nos tempos pré-históricos não se parecem nem um pouco com eles. Em primeiro lugar, porque eles descrevem uma tecnologia que somente agora reconhecemos; em segundo lugar, porque contos de fadas não teriam sido gravados em tabuinhas de argila milênios atrás, por razões que já apresentei; e terceiro, porque as armas dos deuses não aparecem nas narrações de um único povo ou nação.
Existe ainda outro motivo pelo qual a essência da história Argonáutica não tem sua origem na Grécia: as constelações.
A leste da constelação do Cão Maior — fácil de achar no céu noturno porque a brilhante estrela Sirius pertence a ela — também encontramos o aglomerado de Argo, ou “nave celeste”, que é relativamente difícil de ser percebido, porque se situa muito baixo ao sul, e na primavera volta a desaparecer à noite. Dizem que o Argo foi colocado no firmamento pela deusa Atena, que também tornou o navio insubmergível e equipado com o vau falante. Mas essa constelação já era conhecida como “nave celeste” pelos antigos babilónios.2* O mesmo é verdadeiro com relação a Áries. Os gregos derivaram a constelação de Áries do Velocino de Ouro. Eles acreditavam que Frixo e sua irmã Hele haviam certa vez voado da Europa para a Ásia no Velocino de Ouro. Hele caiu do Velocino e mergulhou no mar, e é por isso que o canal ali existente é chamado de Helesponto. O carneiro (Áries), contudo, havia se libertado da sua pele de ouro e voara para o firmamento, onde se tornou uma constelação. No entanto, de forma análoga, há muito Áries já era conhecida dos babilônios.
Segundo a lenda, Pégaso, o cavalo grego alado, carregou nas costas a demoníaca Quimera, que tinha cabeças de leão, cabra e dragão. No entanto, essa constelação também já existia milênios antes de Apolônio. O mesmo é verdadeiro com relação à constelação de Touro e ao aglomerado das Plêiades. É fácil demonstrar que os poetas gregos derivaram suas constelações de povos mais antigos e apenas posteriormente revestiram-nas com seus próprios heróis. Podemos ter certeza disso simplesmente porque algumas coisas que os gregos adotaram não eram mais aplicáveis nem mesmo na época deles. Por exemplo, em seu livro Works and Days, Hesíodo avisou que nos quarenta dias nos quais as Plêiades não são visíveis as viagens de navio deviam ser evitadas. Ele diz que o período no qual elas desaparecem é sempre marcado na região do Mediterrâneo por violentas tempestades no mar (as chamadas tempestades de equinócio). No entanto, de um ponto de vista astronômico, essa afirmação já não era mais correta na época de Hesíodo. Na verdade, ela “fora aplicável de 4.000 a 2000 a.C., em uma época na qual o pôr helíaco das Plêiades caía aproximadamente nas semanas que se seguiam ao equinócio da primavera’’.24 Assim sendo, Hesíodo tinha necessariamente de estar recorrendo a fontes mais antigas. Os heróis da Argonáutica navegam o Rio Erídano, que os especialistas modernos tentam situar no norte da Itália. Mas os textos gregos continuamente relacionam esse Erídano com as constelações de Aquário e de Órion. Os astrônomos da antiga Babilônia o viam da mesma maneira, o que é demonstrado por uma tabela astronômica descoberta na biblioteca de tabuinhas de argila de Assurbanipal. E de onde vem o dragão, que também era admirado no firmamento muitas eras antes de os poetas gregos entrarem em cena? Ele aparece nas tabuinhas sume- rianas. Dizem que um ou outro deus mostrou as constelações a um sacerdote e até mesmo as desenhou em uma tabuinha. Entre elas estava o dragão celeste de muitas cabeças. Isso me faz lembrar de imediato as chamadas “jornadas celestes” empreendidas pelo profeta antediluviano Enoque. Neste caso, também foi um “anjo” que fez para ele o mapa do firmamento:25
Vi as estrelas do céu e vi como ele chamava todas pelo nome. Vi como elas eram avaliadas em uma escala precisa de acordo com a força da sua luz, devido à sua amplitude e ao dia em que aparecem.
O mundo das lendas gregas estava sempre relacionado com as estrelas fixas, mas as constelações estelares, aliadas às histórias e idéias enigmáticas a elas associadas, já existiam milênios antes disso. Dizia-se que Prometeu ensinara a humanidade a observar o nascer e o pôr das estrelas. Ele também ensinou aos homens a escrita e diversos ramos do conhecimento e da ciência. Já descrevi a criatura marítima Oannes, que fez exatamente a mesma coisa. Diodoro da Sicília narra algo bastante semelhante em seu primeiro livro, ou seja, que os primeiros seres humanos aprenderam sua linguagem, a escrita e seu conhecimento com os deuses.26 Encontramos exatamente a mesma coisa entre os antigos egípcios,27 japoneses,28 tibetanos,29 maias, incas… Apenas a nossa cultura não se interessa por essas antigas tradições e relatos. É claro que estamos acima dessas bobagens!
Não existe a menor dúvida de que os poetas e historiadores gregos tomavam como base antigas histórias e narravam as versões que criavam a partir delas na sua terra para “torná- las suas”, revestindo-as com deuses e paisagens gregas. Mas a essência dessas histórias, seja em a Argonáutica, seja nos relatos feitos por Hesíodo da batalha entre deuses e Titãs, não se reporta de modo algum à Grécia. Não obstante, acredito que os descendentes dos deuses efetivamente deixaram seus vestígios na região geográfica da Grécia antiga. Vamos ver agora que vestígios poderiam ser esses.

(Däniken, Erich von - A odisséia dos deuses: a história alienígena da Grécia Antiga)


NOTAS
Daniken, Erich von, Der Götter-Schock, Munique, 1992.
Daniken, Erich von. The Return of the Gods, Element Books, 1997.
Curtius, Ernst, Griechische Geschichte. Dem Prinzen Friedrich Wilhelm von l’reussen gewidmet, Berlim, 1857.
Feix, Josef (ed.), Herodot — Historien, Vol. II, Munique, 1988.
Rostovzeff, Michael, Geschichte der Alten Welt, Wiesbaden, 1941.
Bengtson, Hermann, Griechsiche Geschichte von den Anfängen bis in die römische Kaiserzeit, Munique, 1950.
Return of the Gods, páginas 79-82.
Platão, The Dialogues (a tradução desta passagem foi feita do alemão por M. Barton).
Platão, Politics.
Ibid.
West, L. M., Hesiod’s Theogony, Oxford, 1966.
Voss, Heinrich, Hesiod’s Werke und Orpheus der Argonaut, Viena, 1817.
Ibid.
Schirnding, Albert von, Hesiod — Theogonie, Werke und Tage, Munique e Zurique, 1991.
Ver nota 12.
Marg, Walter, Hesiod — Sämtliche Werke/ Theogonie, Erga Frauenkataloge, Zurique e Stuttgart, 1970.
Ver nota 12.
Roy Potrap, Chandra, Tlie Mahabharata, Drona Parva, Calcutá, 1888.
Dutt, Nathan M., The Ramayana, Calcutá, 1891.
Jacobi, Hermann, Das Ramayana, Bonn, 1893.
Ver nota 14.
Platão, The State (a tradução desta passagem foi feita do alemão por M. Barton). Jeremias, Alfred, Handbuch der Altorientalischen Geisteskultur. Astronomie und Astrosophie, Berlim e Leipzig, 1929.
Ibid.
The Book of Enoch (traduzido por M. Barton).
Wahrmund, Adolf, Diodor von Sizilien, Geschichts Bibliothek, Livro 1, Stuttgart, 1866.
Daniken, Erich von, Die Augen der Sphingx, Munique, 1991.
Florenz, Karl, Japanische Mythologie, Tóquio, 1901.
Feer, Léon, Annales du Musée Guirnet, extraits ilu Kandjour, Paris, 1883.

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publicado às 12:52

Quando caracterizamos uma conversa como papo furado, queremos dizer que o que sai da boca do falante é apenas isso. Mero vapor. A fala é vazia, sem substância ou conteúdo. O uso da linguagem não contribui, portanto, para o propósito ao qual pretende servir. Nenhuma informação a mais é comunicada, como se o falante tivesse apenas exalado. A propósito, há certas semelhanças entre papo furado e excremento que fazem papo furado parecer um equivalente especialmente apropriado de falar merda Da mesma forma que papo furado é uma fala que foi esvaziada de todo conteúdo informativo, excremento é matéria da qual foram removidos todos os nutrientes. Ele pode ser visto como o cadáver dos nutrientes, o que resta quando os elementos vitais da comida foram exauridos.
Desse ponto de vista, o excremento é uma representação da morte que geramos e, na verdade, que não podemos impedir de gerar no processo de manutenção de nossa vida. Talvez seja por tornarmos a morte tão íntima que consideramos o excremento repugnante. De qualquer forma, ele não serve mais ao propósito da manutenção do que o papo furado ao da comunicação.
 
(...) Mentir e blefar são formas de embuste ou de logro. Assim, o conceito mais fundamental que caracteriza uma mentira é o de falsidade: o mentiroso é, em essência, alguém que divulga de propósito uma falsidade. O blefe, também, transmite uma coisa falsa. Entretanto, de forma diferente da mentira pura e simples, ele é mais um caso de tapeação que de falsidade. Isso é o que o torna próximo do falar merda. Pois a essência de falar merda não é algo falso, mas adulterado. De forma a avaliar essa distinção, deve-se reconhecer que um embuste ou uma adulteração não precisam ser, de modo algum (à parte a autenticidade em si), inferiores à coisa verdadeira. Aquilo que não é genuíno não precisa ser defeituoso por causa disso. Pode ser, apesar de tudo, uma cópia exata. O problema de uma imitação não é a aparência, mas o modo como foi feita. Isso aponta para um aspecto similar e fundamental da natureza intrínseca de falar merda: embora se origine sem preocupação com a verdade, não precisa ser algo falso. O falador de merda está camuflando as coisas. Porém, isso não significa que ele as entenda erradamente.

(...) O que o falar merda deturpa, essencialmente, não é o estado de coisas ao qual se refere – que a mentira deturpa por ser falso — nem as crenças do falante em relação a esse estado de coisas. Uma vez que falar merda não envolve falsidade, difere das mentiras em seu intento deturpador. O falador de merda pode não nos enganar, ou nem ao menos querer fazê-lo, sobre os fatos ou sua interpretação deles. E sobre sua intenção que ele tenta necessariamente nos enganar. Sua única característica distintiva é que, de certa forma, ele deturpa seu objetivo.
Esse é o ponto crucial da distinção entre ele e o mentiroso. Ambos representam a si mesmos de modo falso, como se tentassem comunicar a verdade. O sucesso de cada um depende de eles nos enganarem a respeito disso. O fato ocultado pelo mentiroso é sua tentativa de nos afastar de uma apreensão correta da realidade; nós não podemos saber sobre seu desejo de que acreditemos numa coisa que ele supõe falsa. O fato que o falador de merda oculta sobre si, por outro lado, é que o valor de verdade de suas afirmações não tem um interesse fundamental para ele; o que não devemos descobrir é que sua intenção não é relatar a verdade nem ocultá-la. Isso não significa que seu discurso seja anarquicamente impulsivo, mas que o motivo a orientá-lo e controlá-lo está pouco interessado em saber como são de fato as coisas que ele fala.
É impossível para alguém mentir a menos que julgue conhecer a verdade. Falar merda não requer essa convicção. Uma pessoa que mente está reagindo a verdade e tem, até certo ponto, respeito por ela. Quando um homem honesto fala, diz apenas o que acredita ser a verdade; enquanto, para o mentiroso, é indispensável que ele considere suas afirmações falsas. Entretanto, no caso do falador de merda, essas coisas não contam: ele não está nem do lado do verdadeiro nem do falso. Seu enfoque não é sobre os fatos, como o do homem honesto e do mentiroso, a não ser que sirvam a seu interesse de se safar com o que diz. Ele não se importa se as coisas que fala descrevem a realidade corretamente. Apenas as escolhe ou inventa para satisfazer seu propósito.
Em seu ensaio De Mendacio [Sobre a mentira], santo Agostinho distingue oito tipos de mentira, classificadas de acordo com a intenção ou justificativa com que é contada. Mentiras de sete tipos são ditas apenas porque se supõe que sejam meios indispensáveis para algum fim que não a mera invenção de falsas convicções. Em outras palavras, não é a falsidade em si que atrai o mentiroso para elas. Uma vez que são ditas somente em virtude de sua suposta necessidade com relação a um objetivo que não é o logro, santo Agostinho as considera como ditas contra a vontade: o que a pessoa deseja de fato não é contar a mentira, mas conseguir seu objetivo. Não se trata, em sua opinião, de mentiras reais, e aqueles que as dizem não são mentirosos, no sentido mais estrito da palavra. E a categoria restante a que contém o que ele identifica como “a mentira contada apenas pelo prazer de mentir e enganar, ou seja, a verdadeira mentira”.{“De Mendacio” [Lying], in Treatises on Various Subjects, in Fathers of the Church, R. J. Deferrari (org), vol. 16 (Nova York Fathers of the Church. 1952), p. 109. Santo Agostinho sustenta que contar uma mentira desse tipo é um pecado menos sério do que fazê-lo em três das categorias e mais sério que contá-la nas outras quatro} As mentiras dessa categoria não têm outro objetivo a não ser a propagação da falsidade. Elas são ditas simplesmente por dizer - isto e, por puro amor ao logro:
Há uma distinção entre a pessoa que conta uma mentira e o mentiroso. Aquela mente contra a vontade, enquanto este ama a mentira e passa o tempo desfrutando seu prazer (…) compraz-se nela, exultando com a própria falsidade.{Ibid, p. 79} O que Agostinho chama de “mentiroso” e de “verdadeira mentira” é algo raro e extraordinário. Todos mentem por vezes, mas há muito poucas pessoas para quem ocorreria com frequência (ou mesmo sempre) mentir exclusivamente por amor à falsidade ou ao logro. Para a maioria dos indivíduos, o fato de uma afirmação ser falsa já constitui em si uma razão, por mais fraca e facilmente superável que seja, para não ser feita. No caso do mentiroso genuíno de santo Agostinho, essa é uma razão a favor de se fazê-la. Para o falador de merda, não é algo a favor nem contra. Tanto ao mentir quanto ao falar a verdade, as pessoas são guiadas por suas crenças a respeito de como as coisas são. Isso as orienta quando tentam descrever o mundo de forma correta ou descrevê-lo enganosamente. Por essa razão, mentir incapacita uma pessoa a dizer a verdade da mesma forma que falar merda tende a fazer. Por um excesso de satisfação nesta última atividade, que envolve fazer afirmações sem se preocupar com nada, exceto com aquilo que convém a alguém dizer, o hábito normal de se atinar com a realidade das coisas pode atenuar-se ou até perder-se. Tanto quem mente quanto quem fala a verdade atuam em campos opostos do mesmo jogo, por assim dizer. Cada um reage aos fatos como os entende, embora a reação de um seja guiada pela autoridade da verdade, enquanto a reação do outro desafia essa autoridade e se recusa a satisfazer suas exigências. O falador de merda as ignora como um todo. Ele não rejeita a autoridade da verdade, como faz o mentiroso, e opõe-se a ela; simplesmente, não lhe dá a menor atenção. Em virtude disso, falar merda é um inimigo muito pior da verdade do que mentir.
Aquele que se preocupa em relatar ou ocultar fatos supõe, de alguma forma, que alguns deles são distintos e reconhecíveis. O interesse em dizer a verdade ou em mentir pressupõe que existe uma diferença entre entender as coisas de forma errada e de forma certa, e que pelo menos às vezes é possível perceber essa diferença. Quem pára de acreditar na possibilidade de identificar certas afirmações como verdadeiras e outras como falsas tem apenas duas opções. A primeira seria abrir mão de dizer a verdade e de enganar. Isso significaria abster-se de proferir qualquer afirmação sobre os fatos. A segunda opção seria continuar fazendo afirmações que pretendessem descrever o modo como as coisas são, mas isso não seria outra coisa senão falar merda. Por que se fala tanta merda? É claro que é impossível saber se hoje se fala relativamente mais merda que no passado. Há mais comunicação de todo tipo em nossa época do que já houve antes, mas a parte que equivale a falar merda pode não ter aumentado. Sem pressupor que sua incidência seja maior agora, vou mencionar algumas considerações que ajudam a justificar o fato de que isso seja algo tão notável nos dias de hoje.
É inevitável falar merda toda vez que as circunstâncias exijam de alguém falar sem saber o que está dizendo. Assim, a produção de merda é estimulada sempre que as obrigações ou oportunidades que uma pessoa tem de se manifestar sobre algum tópico excederem seu conhecimento dos fatos pertinentes. Essa discrepância é comum na vida pública, em que os indivíduos são com frequência impelidos — seja pelas próprias inclinações ou por exigência de outrem - a falar sobre questões em que são até certo ponto ignorantes. Exemplos intimamente relacionados se originam de uma convicção generalizada de que é dever do cidadão, numa democracia, ter opiniões sobre tudo ou, pelo menos, tudo aquilo que diga respeito à condução das questões de seu pais. A falta de um nexo significativo entre as opiniões de uma pessoa e sua apreensão da realidade vai tornar-se ainda mais grave, é desnecessário dizer, para alguém que acredite ser seu dever, como agente moral consciencioso, avaliar acontecimentos e condições de todas as partes do mundo.
A atual proliferação do ato de falar merda tem também raízes muito profundas em várias formas de ceticismo, que negam o fato de que possamos ter acesso confiável a uma realidade objetiva e rejeitam, portanto, a possibilidade de sabermos como as coisas na verdade são. Essas doutrinas “ante-realistas” minam a validade de todo esforço desinteressado para se determinar o que é verdadeiro e o que é falso, e até a falta de inteligibilidade da noção de investigação objetiva. Uma das reações a essa perda de confiança tem sido o afastamento da disciplina requerida pelo ideal da correção em direção a um tipo de disciplina completamente diferente, que é imposto pela perseguição a um ideal alternativo de sinceridade. Em vez de buscar chegar primeiramente a representações precisas do mundo comum, o indivíduo se volta para a tentativa de oferecer representações honestas de si. Convencida de que a realidade não tem nenhuma natureza inerente, que ela pudesse ter esperanças de identificar com a verdade sobre as coisas, a pessoa dedica-se a ser fiel à sua natureza. E como se percebesse que, uma vez que não faz sentido tentar ser fiel aos fatos, deve, em vez disso, esforçar-se para ser fiel a si mesma.
Porém é absurdo imaginar que somos determinados e daí suscetíveis a descrições corretas e incorretas, embora supondo que a atribuição de determinação a tudo o mais tenha sido exposta como um erro. Como seres conscientes, existimos apenas em resposta a outras coisas e não podemos conhecer a nós mesmos, de modo algum, sem conhecê-las. Além disso, não existe nada na teoria, e certamente nada na prática, que sustente a opinião singular de que a verdade sobre si é mais fácil de saber. Os fatos a nosso respeito não são particularmente sólidos e resistentes contra uma dissolução cética. Nossa natureza é, na verdade, enganosamente sem substância — muito menos estável e inerente que a natureza das outras coisas. E, já que o caso é esse, sinceridade nada mais é do que falar merda.

 (Harry G. Frankfiut - Sobre Falar Merda)
Sinceridade
 

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publicado às 02:08

E preciso quebrar o mito de que existe ressonância entre pais e filhos por causa do sangue, da hereditariedade. A criança apega-se a quem for sua fonte de energia. Não existe amor materno e paterno, "laços de sangue", e sim apego a fontes de energia e endorfinas. O resto é mitologia familiar.

(Carlos Vieira - Manual de sobrevivência do ser humano)

 

Às vezes chamado de "hormônio do aconchego", a ocitocina é liberada em resposta a uma variedade de estímulos ambientais, incluindo a pele-a-pele e estimulação cervical experientes durante o sexo. Em níveis normais ocitocina estimula um desejo leve a ser beijada e abraçada por seu amante. Mas sendo tocada (em qualquer parte do corpo) leva a um aumento nos níveis de ocitocina. Isso provoca uma cascata de reações dentro do corpo, incluindo a liberação de endorfinas e testosterona, o que resulta na excitação biológicas e psicológicas. Os nervos em zonas erógenas, tais como os lóbulos das orelhas, pescoço e genitais tornam-se sensibilizados pelos efeitos da ocitocina. Ela promove uma ligação de proximidade, intimidade e desejo que aumenta a receptividade sexual e o desejo de ser tocado provoca ainda mais a ocitocina para ser liberada e assim desejo e excitação são aumentados ainda mais. Simplificando, a ocitocina adora as preliminares. 

(OCITOCINA - A verdadeira droga do amor)


Êxtase, do grego, significa "sair de si". O estado de êxtase é um estado especial de consciência. Êxtase místico é a sublimação do êxtase erótico. Sublimar significa dirigir a carga libidinal para um objecto espiritual . O estado de êxtase místico é o mesmo estado fisiológico do orgasmo, mas sublimado. Algumas condições patológicas também podem desencadear o êxtase místico. O amamentamento, o acto sexual e o parto são processos regulados pelo mesmo coquetel de hormônios e se vividos de forma consciente e em condições ideais, constituem uma experiência extática de profunda transformação. Hoje em dia tornou-se fácil analisar as múltiplas funções dos estados de êxtase. Uma função óbvia é a de ampliar o amor em certos períodos críticos. O “cocktail orgasmogénico" de base produzido pelo nosso corpo sempre inclui hormônios como a ocitocina e as endorfinas , e pode ser considerado um verdadeiro e próprio "coquetel de hormónios do amor ": amor pelo recém-nascido no período perinatal, amor pelo bebê durante a amamentação, amor pelo parceiro durante a relação sexual .

(Êxtase místico, sublimação do êxtase erótico?)

 

O riso e o choro instruem o cérebro a liberar endorfinas para a corrente sangüínea. Endorfina é uma substância cuja composição química é similar à da morfina e da heroína e tem um efeito tranqüilizante sobre o corpo, favorecendo ao mesmo tempo o sistema imunológico. Isso explica por que as pessoas felizes raramente ficam doentes e por que as pessoas infelizes, que vivem se queixando, parecem adoecer com mais freqüência... 

(Bárbara & Allan Pease, in “Por que os homens mentem E as Mulheres choram?”)

A principal substância química que provoca os sintomas da paixão é a feniletilamina, da família das anfetaminas, encontrada no chocolate. É a maior responsável pelo coração disparado, pela mão suada, pelas pupilas dilatadas e pelas "borboletas" no estômago. A adrenalina também é liberada, acelerando ainda mais o coração, deixando a pessoa alerta e com uma sensação de bem-estar. E há ainda as endorfinas, que melhoram o sistema imunológico e curam a gripe. Quando duas pessoas se beijam, seus cérebros fazem uma rápida análise da saliva um do outro e decidem sobre a compatibilidade genética. O cérebro feminino faz ainda um exame químico do sistema imunológico masculino.
Todas essas reações positivas explicam uma coisa: As pessoas apaixonadas são mais saudáveis e resistentes às doenças. O amor faz bem à saúde." 

(Allam e Barbara Pease in “POR QUE Os Homens Fazem Sexo E as Mulheres Fazem Amor?”)

 
 
UMA ATITUDE OTIMISTA PODE SER tão eficaz quanto os remédios para superar a tristeza ou a depressão leve. Quando estamos alegres, o corpo libera endorfinas, uma droga natural produzida pelo organismo e que cria um estado de bem-estar com efeitos tranquilizantes e analgésicos.
O que são as endorfinas?
Endorfinas são hormônios produzidos por nosso organismo, com efeitos similares aos opioides. É um tipo de morfina que nós mesmos criamos para nos sentirmos bem.
São conhecidas como hormônios da felicidade, porque provocam sensações de prazer, anulando o mal-estar e diminuindo a dor.
Produzidas na hipófise, fazem com que os sinais de dor sejam inibidos e não cheguem ao cérebro. Ficam concentradas no corpo caloso (estrutura que conecta os hemisférios direito e esquerdo do cérebro), onde é produzida a maior parte das emoções intensas, como medo, ira, amor e depressão, e no tálamo médio, que transmite ao cérebro os impulsos de dor que são gerados no corpo. Esses neuropeptídeos (pequenas cadeias de proteínas) são liberados através da medula espinhal e correm pela corrente sanguínea.
Por serem produzidos por nosso próprio organismo, esses opioides naturais não produzem nenhum efeito colateral. Ou seja: o melhor remédio contra o desânimo está dentro de nós!
Para se ter uma ideia de seu poder, as endorfinas são cem vezes mais potentes do que a morfina.
 Existem 20 tipos diferentes de endorfinas distribuídas por todo o nosso corpo. Possuem, porém, um inimigo natural: as enzimas que também são produzidas pelo nosso organismo.

Efeitos
As endorfinas têm o mesmo efeito que um analgésico potente ou um sedativo, inibindo a percepção da dor. Além disso, produzem sensações agradáveis, gerando emoções como prazer e alegria.
Quando a concentração de endorfinas no sangue é muito elevada, a realidade é percebida de modo positivo. Por outro lado, quando a concentração é baixa, essa mesma realidade nos parece triste e até mesmo deprimente.
Mas não funciona do mesmo jeito para todo mundo. Algumas pessoas necessitam de uma concentração maior para alcançar esse estado de prazer, enquanto outras conseguem perceber seus efeitos com uma quantidade menor desses hormônios no sangue.
De qualquer modo, as endorfinas são uma droga natural eficiente para todos nós. E não têm contraindicação!

Como atuam?
Seu efeito é imediato. Assim que temos uma sensação de prazer, nosso organismo começa a liberar endorfinas. Elas se ligam a terminações nervosas do nosso corpo, bloqueando, ao mesmo tempo, a resposta de dor.
As endorfinas nos proporcionam um estado de “flutuação” ou prazer que faz aumentar o tempo de resposta do organismo a um estímulo de dor. Assim, em estado de grande bem-estar, nosso corpo demora mais para detectar uma fonte de perigo.
Por exemplo, se temos uma panela com água no fogo, levamos mais tempo para perceber que está fervendo se as endorfinas estão atuando.
Esse é um dos poucos perigos da felicidade!

Funções essenciais das endorfinas
— Promovem a calma.
— Geram bem-estar.
— Melhoram o humor.
— Reduzem a percepção da dor.
— Retardam o processo de envelhecimento.
— Fortalecem o sistema imunológico.
— Reduzem a pressão sanguínea.
— Equilibram os níveis de adrenalina (associados à ansiedade).
— Favorecem a recuperação da fadiga.
— Bloqueiam lesões dos vasos sanguíneos.
— Possuem efeitos antioxidantes.

Como favorecer a produção natural de endorfinas?
 Produzimos endorfinas quando realizamos alguma atividade que faz com que nos sintamos bem ou quando fazemos algo de que gostamos. Quando nos lembramos de momentos agradáveis, nosso corpo libera tantas endorfinas quanto na ocasião em que o fato aconteceu.
Este é o seu fascinante poder: as endorfinas são um circuito que retroalimenta a felicidade.
Toda vez que fazemos algo positivo, geramos uma maior presença de endorfinas em nosso sistema circulatório. As pessoas são diferentes, portanto, cada uma obtém prazer por meio de sua atividade favorita: seja ler um livro, ver um filme, ouvir música, etc.
Em geral, no entanto, os níveis de endorfina de todos nós aumentam quando passeamos pela praia, pegamos sol, recebemos uma massagem relaxante ou tomamos um bom banho. Ou seja, quando realizamos qualquer atividade de que gostamos. Mas também aumentam significativamente quando fazemos sexo (pois nos leva a um estado de felicidade derivado da descarga hormonal em nosso organismo), quando comemos chocolate (foi comprovado que o consumo deste alimento aumenta o número de endorfinas liberadas), quando ingerimos cafeína (algum tempo depois de tomarmos um café, o nível de endorfinas no sangue é mais alto) e, em relação às mulheres, quando elas amamentam (o leite materno contém alta quantidade de endorfinas, que são transmitidas ao bebê para que ele fique tranquilo e feliz).
Outro modo de estimular a produção de endorfinas é praticar exercícios físicos. Quanto mais nos exercitamos, mais endorfinas são liberadas. Andar de bicicleta, correr, caminhar ou fazer qualquer exercício aeróbico inunda nossa corrente sanguínea com essa substância sedante.
Em resumo, existem dois tipos de atividade que aumentam a produção de endorfinas:
1. As prazerosas (incluindo simplesmente pensar ou lembrar).
2. Os exercícios físicos.

(Allan Percy - As vantagens de ser otimista)
Assim como um motor precisa de combustível certo para funcionar, o corpo humano também necessita dele: alimentos originais, integrais.

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publicado às 04:37

EXISTEM DOIS TIPOS DE PESSOAS: as que passam a vida sofrendo com os problemas e as que se esforçam para encontrar soluções.
De que lado você está?
Aquelas que pertencem ao primeiro grupo deixam todos entediados ao explicar repetidamente a gravidade da situação pela qual estão passando, a injustiça que estão sofrendo, a grosseria que este ou aquele lhe fez. Em outras palavras: só querem ficar falando do que as aflige.
Por outro lado, há as pessoas que se concentram nas soluções e, para elas, o problema é apenas um trampolim que gera impulso para a ação.
Faça o teste: a próxima vez que passar por uma situação difícil, não diga “tenho um problema” antes de examinar as possíveis soluções e optar por uma delas.

(Allan Percy - As vantagens de ser otimista)

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publicado às 03:58


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