Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O OLHO DE DEUS

por Thynus, em 21.11.14
A diferença entre passado, presente e futuro
é apenas uma ilusão obstinadamente
persistente.

ALBERT EINSTEIN
 
O que é a verdade? Quando se refere ao passado, é uma pergunta difícil de responder. Winston Churchill disse uma vez que «a história é escrita pelos vencedores». Caso ele tenha razão, quais são então os documentos históricos em que podemos confiar? O que foi assente data de há uns seis mil anos e segue apenas o rasto de alguns breves passos da humanidade neste planeta. E até mesmo esse registo está cheio de lacunas, transformando a história numa tapeçaria esfarrapada e esburacada pelas traças. O mais notável de tudo é que muitos dos grandes mistérios da história desapareceram por esses buracos abaixo e estão à espera de ser redescobertos — incluindo acontecimentos que marcam mudanças essenciais na história, momentos únicos que modificam as civilizações.
Um desses momentos ocorreu no ano 452 da era cristã, quando as hostes devastadoras de Átila, o Huno, invadiram o Norte da Itália, destruindo tudo à sua passagem. Roma encontrava-se praticamente indefesa perante o assalto bárbaro e temia-se que não resistisse. O papa Leão I saiu de Roma a cavalo e encontrou-se com Átila nas margens do lago Garda. Falaram em privado, em segredo, e não existe registo escrito do que se passou. Após o encontro, Átila virou as costas a uma vitória certa e ao saque de Roma pelos seus soldados, e abandonou prontamente a Itália.
Porquê? Que levou Átila a desistir? A História não oferece nenhuma resposta.
Vire esta página para descobrir como estivemos perto da destruição, um momento perdido no tempo em que a civilização ocidental esteve a ponto de ser mortalmente ferida pela ponta de uma espada — uma lâmina conhecida como Espada de Deus.
 
O que é a realidade? Trata-se simultaneamente da pergunta mais simples e mais difícil, e ao longo dos séculos tem desconcertado filósofos e físicos. Em A República, Platão descreveu o mundo real como nada mais que uma sombra vacilante projetada na parede de uma caverna. Milhares de anos mais tarde, e por estranho que pareça, os cientistas chegaram à mesma conclusão.
A própria página em que isto está escrito (ou o e-reader na sua mão) é feita sobretudo de nada. Olhe mais profundamente para o que parece sólido e descobrirá uma realidade feita de átomos. Separe-os e encontrará um minúsculo núcleo duro de protões e neutrões, rodeado por invólucros vazios com uns quantos eletrões em órbita. Mas até mesmo essas partículas fundamentais podem ser divididas: em quarks, neutrinos, bosões, etc. Aventuremo-nos a maior profundidade e penetraremos num estranho mundo ocupado apenas por vibrantes cordas de energia, as quais talvez sejam a verdadeira fonte do fogo que projeta as sombras de Platão. 
A mesma singularidade ocorre quando se olha para fora, para o céu noturno, uma imensidão que ultrapassa o entendimento, um vazio sem limites pontilhado por milhares de milhões de galáxias. E essa vastidão pode ser apenas um universo entre muitos que se expandem infinitamente. E então o nosso próprio universo? A mais recente teoria é que tudo o que experimentamos — da mais pequena corda de energia a vibrar à maior galáxia a girar em volta de um turbilhão de buracos negros que dilaceram a realidade — talvez não seja mais do que um holograma, uma ilusão tridimensional na qual, de facto, talvez estejamos todos a viver numa simulação artificial.
Poderá isso ser possível? Podia Platão ter tido razão: não vemos a realidade à nossa volta e tudo o que sabemos nada mais é do que a sombra vacilante projetada na parede de uma caverna?
Vire esta página (caso seja realmente uma página) e dê conta da assustadora verdade.
 
A visão apocalíptica de um futuro anunciado por um passado distante. Numa área remota da Mongólia, cai um satélite de pesquisa, desencadeando uma busca frenética por sua valiosa carga: o projeto de um físico que estuda a energia negra - e uma imagem chocante de destruição da Costa Leste dos EUA.
Ao Vaticano, chega uma encomenda contendo dois estranhos objetos: uma caveira com gravações em aramaico antigo e um livro encadernado em pele humana. Os testes de DNA revelam que pertenceram ao mesmo corpo: o rei mongol Gengis Khan.
O comandante Gray Pierce e a Força Sigma preparam-se para descobrir uma verdade ligada à decadência do Império Romano e a um mistério que remonta ao início da Cristandade, assim como a uma arma escondida há séculos e que encerra o futuro da humanidade.
 
(James Rollins - O Olho de Deus)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:53


EROTISMO

por Thynus, em 20.11.14
 

 
Já disse e vou repetir: a revolução sexual é uma farsa, para além da pílula, que logo levará a modernidade secular ao abismo, entregando o mundo ocidental nas mãos dos evangélicos que engravidam suas mulheres com competência. A secularização, ao contrário do que se imagina, deixou todo mundo estéril. Nós, contemporâneos, andamos sozinhos pela casa, mobiliada com nossas demandas pessoais. Espelhos vazios.
Onde está a farsa? A cartilha com demandas é tanta que a libido morre de medo de falhar. Mulheres não relaxam querendo se manter jovens e independentes, homens tomam Viagra aos 15 anos com medo de não satisfazerem as namoradas. E estão “certos” no que fazem porque mulheres e homens são, hoje, poços sem fim de exigências. O que vai matar o mundo contemporâneo são seus sucessos, e não seus fracassos. Sucesso na democracia tornando a vida irrespirável de tantos direitos. Sucesso na Medicina nos fazendo viver muito sem ter ninguém com quem viver. Sucesso na solidão feita de liberdades.
O mundo contemporâneo optou pela masturbação como forma independente de erotismo. O modo como alguns inteligentinhos afirmam que vivem “pelo desejo” chega a nos tocar, fazendo que a piedade precise ser maior do que a que existe no estoque. Uma vida de masturbação (mesmo que a dois) cria uma manada de entediados. A luxúria, que um dia nos assustou e excitou, logo será ensinada nos jardins de infância como direito sexual à liberdade.
Não quero dizer que o mundo foi melhor um dia. Mas, em matéria de sexo, não tenho dúvidas de que foi. Nossas avós faziam sexo melhor do que nós. Nunca foram santinhas (e mesmo quando foram). Mesmo quando mantidas virgens, sexo oral e anal eram comuns como o ar que respiramos. Hoje o sexo anal é algo que se conquista. Que canseira...
Escutar o orgasmo de uma mulher é como o canto de uma sereia grega, faz-nos dar o que ela quiser. Hoje, as mulheres começam a sonhar com o dia em que eram objeto de desejo masculino. Talvez, em breve, os islamitas cheguem à conclusão de que as mulheres não mais precisam usar burca porque o desejo acabou...

(Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé - A Era do Ressentimento)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:16


Falta de libido

por Thynus, em 20.11.14

000000000000tesao-admiracao.jpg

 Tesão: refere-se a alguns dos órgãos sensoriais que participam de uma excitação sexual, com a ereção do pênis, no caso dos homens e, nas mulheres, pode chegar a um estado de umedecimento vaginal. Da mesma forma que o termo tensão, também a palavra tesão deriva, por via popular, do latim tensio-onis do verbo tendere, que significa esticar, retesar, distender. Muitas vezes a palavra tesão é utilizada para se referir a uma pessoa, homem ou mulher, que desperta grande sensualidade
 

 

 
Libido é um termo popularmente associado
apenas à sexualidade, no entanto é mais
abrangente e constitui toda experiência de
prazer e a base de todas as nossas
construções. Usamos a libido para nos
relacionar com pessoas, com o trabalho e
com tudo o que está ao nosso redor.
Sendo a libido a força que nos liga mais
fortemente à vida, podemos compreender
sua importância.

Manoelita dias dos Santos - A Lógica da Emoção

Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos: a libido sciendi, desejo de conhecimento, a libido sentiendi, desejo sensual em sentido mais amplo, e a libido dominendi, desejo de dominar.
(A Origem do Tesão)

Desde o início da revolução dos anos 60, tudo virou de ponta-cabeça para
apagar os séculos de repressão, e através de uma mudança silenciosa e 
gradativa no relacionamento amoroso. O que era velado tornou-se assim
dizendo, “oficial”. O sexo deixou de ser conversa de mocinhas no
banheiro ou de revista suéca. Deixou de ser feito às escondidas no banco
traseiro dos carros para serem realizados nos motéis e no clima de paz,
amor e pílulas anticoncepcionais, soltando as amarras e sem o casal
pensar em casamento. Este passou a ser questionado. A libido passou a
ser fator determinante para um casal continuar junto.
Albertino Aor da Cunha - A Mentira Nua e Crua)

Hoje, o tesão é facilmente associado a tudo que se difere do tradicional “papai-mamãe”, uma vontade de extrapolar os limites da moral e as repressões sexuais. Se no início era só por instinto de sobrevivência, a própria censura, preconizada há séculos às questões sexuais, tornou-se uma poderosa propulsora da atual libido.
(A Origem do Tesão)

 
 
A noite chegou, você terminou todos seus afazeres, as crianças dormem tranquilamente e ao seu lado está o homem que você ama, cheio de desejo. Porém, a única coisa que você consegue pensar é em virar para o lado e dormir.
Quem já passou por isso precisa saber que não está sozinha. Pesquisa divulgada no ano passado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo por meio do Cresex (Centro de Referência e Especialização em Sexologia) do Hospital Pérola Byington revela que 48,5% das mulheres que procuram ajuda médica por conta de disfunções sexuais sofrem de falta ou diminuição do desejo sexual, dor durante as relações sexuais ou dificuldade para atingir o orgasmo. A pesquisa com 455 mulheres também mostrou que apenas 13% dos casos têm origem orgânica, a imensa minoria, portanto.
Descontados os problemas físicos que podem levar às disfunções sexuais, podemos pensar em alguns aspectos socioculturais que afetam a sexualidade feminina.
Em primeiro lugar, precisamos considerar que as meninas aprendem a repreender a sexualidade desde pequenas. Enquanto aceitamos e até incentivamos a masturbação e a curiosidade sexual masculina, ensinamos as meninas a se resguardarem, a não expressarem sua sexualidade. Elas, portanto, se tornam mulheres que desconhecem o próprio corpo e todo o prazer que ele pode lhes proporcionar.
Depois que cresce, a mulher é incentivada a se casar e procriar. Dentro da família assume, na maioria das vezes, o papel de cuidadora, responsável pelo bem-estar de todos. Exatamente como nossas avós, com a diferença que muitas ainda têm de trabalhar fora.
A mulher, cansada, passa a enxergar o parceiro que costumava atrai-la tempos atrás como parte das suas obrigações. Uma visão nada sexual.
Os homens também em geral têm pouca paciência e habilidade para despertar o prazer feminino. Muitas vezes parecem esquecer que a relação sexual envolve, nesse caso, duas pessoas e que uma é bem diferente deles.
As revistas e programas femininos só aumentam a sensação de culpa ao dizerem que é preciso ser criativa para “apimentar” a relação. Como se para ser criativo não fosse preciso sentir desejo sexual e não vice-versa.
Como abrir espaço para o desejo? Antes de tudo, é preciso se livrar da culpa e sentir-se merecedora do prazer sexual. É necessário dissociar a relação conjugal da vida cotidiana, tentar ver o homem como parceiro de fato na busca pelo que lhe agrada e, se preciso, buscar ajuda profissional.
Assumir toda a responsabilidade por uma vida sexual pouco satisfatória é supor, erroneamente, que o sexo é algo dissociado das outras áreas da vida.

(Mariana Fusco Varella)
Os tubarões inventaram o sexo, o segredo da sobrevivência... Na natureza o sexo está por detrás de tudo

 

 

 


Viagra para elas: prazer no cérebro e maior fluxo sanguíneo

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:14


Força é poder

por Thynus, em 19.11.14
 
Niccolò Maquiavel, autor italiano do século XVI, que escreveu O Príncipe, é conhecido como o pai do estadismo moderno porque aconselhou os príncipes do Renascimento a deixar de lado os padrões de virtude aceitos e "recorrer ao mal quando necessário". Ele não reconhecia autoridade mais alta que a do Estado, então seus conselhos aos príncipes eram... bem, eram maquiavélicos. Ele admitia descaradamente que seu critério de virtude era tudo aquilo que permitisse ao príncipe sobreviver politicamente. Embora seja melhor para o príncipe ser temido do que amado, ele deve evitar ser odiado, porque isso pode comprometer seu poder. O melhor de tudo é perseguir impiedosamente o poder, dando a impressão de correção. Por exemplo:

Uma mulher processa um homem por difamação de caráter, acusando-o de tê-la chamado de porca. O homem é considerado culpado e obrigado a pagar indenização. Depois do julgamento, ele pergunta ao juiz:
- Isso quer dizer que não posso mais chamar a Srta. Harding de porca?
O juiz responde:
- Correto.
- E quer dizer que não posso chamar uma porca de Srta. Harding?
- Não - diz o juiz -, o senhor tem toda a liberdade para chamar uma porca de Srta. Harding. Não há nisso nenhum crime.
O homem olha nos olhos da Srta. Harding e diz:
- Bom dia, Srta. Harding.

As piadas sempre admitiram que a dissimulação maquiavélica, principalmente quando temos certeza de não sermos atingidos, é tentadora para todo mundo.
Um homem ganha 100 mil dólares em LasVegas e, como não quer que ninguém saiba, leva o dinheiro para casa e o enterra no quintal. Na manhã seguinte, ele sai e encontra apenas um buraco vazio. Vê pegadas que levam à casa vizinha, pertencente a um surdo-mudo, então pede ao professor que mora mais adiante e conhece a linguagem de sinais que o ajude a confrontar o vizinho. O homem pega o revólver e vai junto com o professor bater na porta do vizinho. Quando o vizinho atende, o homem sacode o revólver na frente dele e diz para o professor:
- Fale para esse sujeito que se não me devolver meus 100 mil dólares vai morrer agora!
O professor passa a mensagem ao vizinho, que responde ter escondido o dinheiro em seu próprio quintal, debaixo da cerejeira.
O professor vira para o homem e diz:
- Ele se recusa a falar. Diz que prefere morrer.
Não é de surpreender que Maquiavel tenha proposto a pena de morte, porque era mais interessante para o príncipe ser visto como severo do que como misericordioso. Em outras palavras, ele concordava com o cínico que dizia: "A pena capital significa nunca mais ter de dizer: "Você de novo?'"
Por mais corretos que aparentemos ser (ou imaginemos ser), Maquiavel acreditava que, no fundo, somos todos maquiavélicos.
Sra. Parker é convocada a fazer parte de um júri, mas pede para ser dispensada porque não acredita na pena capital. O defensor público diz:
- Mas, minha senhora, não se trata de um julgamento de assassinato. É um caso de direito civil. Uma mulher que está processando o ex-marido porque ele perdeu numa aposta os 25 mil dólares que tinha prometido gastar na reforma do banheiro para o aniversário dela.
-Tudo bem, eu vou - diz a Sra. Parker. -Acho que estou errada em ser contra a pena capital.

Mas espere um pouco. Será que essa piada é conosco? Alguns historiadores hoje acreditam que Maquiavel estava brincando com uma espécie de maquiavelismo às avessas: parecendo mau quando, na verdade, defendia as virtudes dos velhos tempos. No fim das contas, será que Maquiavel na verdade estava satirizando o despotismo? Em seu ensaio "O Príncipe: ciência política ou sátira política?", o historiador Garrett Mattingly, ganhador do premio Pulitzer, diz que Maquiavel é injustiçado. "A ideia de que esse livrinho (O Príncipe) pretendia ser um sério tratado científico sobre governo vai contra tudo o que sabemos da vida de Maquiavel, de seus escritos e da história de seu tempo."
Em outras palavras, Mattingly acha que Maquiavel era um cordeiro em pele de lobo.

((Tom Cathcart e Daniel Klein - Platão e um Ornitorrinco Entram Num Bar...)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:27


Os cínicos

por Thynus, em 19.11.14
 
 
De vez em quando, na história dos costumes, volta a aparecer o look do maltrapilho e sempre podemos notar que, quando isto acontece, ao desleixo pelas roupas acompanha-se uma precisa escolha de vida. Só para lembrar alguns casos históricos, basta mencionar os cínicos gregos, os bohémiens de todos os tempos, os existencialistas franceses, a beat generation, os hippies e, em época mais recente, os punks. Deixando de lado os modismos culturais, o exemplo clássico continua sendo o maltrapilho barbudo, o clochard, aquele que prefere dormir ao ar livre, quem sabe debaixo de uma ponte do Sena, antes de chegar a qualquer tipo de entendimento com o mundo do trabalho. Pois bem, apesar de não ser nossa intenção juntá-los todos como se fossem uma coisa só (botando na mesma panela, por exemplo, os cínicos e os punks), não podemos deixar de notar que todos estes  ovimentos são marcados por uma inextinguível sede de Liberdade. E é justamente este o caminho a seguir se quisermos compreender o pensamento dos cínicos.
A Liberdade, entendida pelos cínicos como Bem Supremo da Alma, só pode ser alcançada através da autossuficiência. O verdadeiro cínico nunca ficará escravo das suas necessidades físicas e emocionais, nunca ficará com receio da fome, do frio e da solidão, e tampouco terá desejos de sexo, de dinheiro, de poder e de glória. Se para vocês isto parece loucura, é só porque ele escolheu uma maneira de viver totalmente contrária àquela escolhida pela maioria. Uma vez que se tenha chegado à conclusão de que os verdadeiros valores da existência são os da alma (da psyché), o cínico exerce uma crítica destrutiva acerca dos valores tradicionais. Ele é um extremista do pensamento socrático: reduz o ser a mera convivência consigo mesmo e repudia o parecer por considerá-lo um insuportável e inútil acessório.
 
Antístenes, Diógenes, Crates, Métrocles e Ipárquias foram os mais famosos representantes desta escola.

Antístenes, filho de Antístenes, chamado de “Verdadeiro Cão” (Aplokúon), nasceu em Atenas em 446 a.C. Uma vez que tinha nascido de pai ateniense e de mãe escrava, não podia aspirar aos direitos plenos de um cidadão, mas parece que isso não chegava a incomodálo, e que, aliás, até era para ele fonte de prazer. Tomou gosto pela filosofia frequentando primeiro os sofistas (Górgias), depois Sócrates e finalmente um grupo de amigos que tinham exatamente as mesmas ideias que ele e com os quais fundou a escola “cínica”. Parece que o nome da escola foi escolhido por causa do lugar onde eles costumavam conversar: o Cinosargue (Kunósarghes = cão ágil), um ginásio para estudantes estrangeiros situado fora das muralhas de Atenas, à margem do Ilisso. Outros contam, no entanto, que foi chamado de cínico por ter passado a vida inteira vivendo como um cão de rua (kúon). (Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos, VI, I, 19.) Segundo Diocles de Magnésia, foi o primeiro a “dobrar a capa”, isto é, a torná-la suficientemente ampla para nela se deitar à noite, na prática, o inventor do saco de dormir. (Ibid., VI, I, 13.)
Eis como Xenofonte o descreve no Simpósio (citação livremente tirada do Simpósio de Xenofonte, IV, 34 e seguintes):
“No meu entender”, diz Antístenes, “a riqueza não é um bem material que se pode guardar em casa como se fosse um objeto, mas sim uma disposição da Alma, pois do contrário não se poderia explicar como alguns, embora possuindo muitos bens, continuam vivendo no risco e na estafa com a única finalidade de acumular ainda mais dinheiro. E tampouco poderíamos entender o comportamento de certos tiranos tão sedentos de poder e de tesouros que se deixam levar a crimes cada vez mais horrendos. São como pessoas que, mesmo comendo sem parar, continuam famintas. Eu, ao contrário, embora aparentemente pobre, possuo tantas coisas que até tenho dificuldade em contá-las: durmo, posso comer e beber onde achar mais aprazível e sinto-me como se o mundo inteiro fosse meu. Para tornar a comida mais apetecível, recorro ao meu próprio apetite: fico algum tempo sem comer e depois de um dia de jejum qualquer alimento que leve à boca torna-se da melhor qualidade. Quando o meu corpo precisa de amor, deito-me com uma mulher feia, de forma que ela, justamente porque ninguém a deseja, possa acolher-me com o máximo da felicidade. Resumindo, meus amigos, o que realmente importa é não precisar de coisa alguma.”
A partir do que ele próprio diz, dá para entender que lá no fundo alguma fraqueza em relação às mulheres ele bem que devia ter. Certa vez, com efeito, deixou escapulir esta frase: “Ah, quem me dera poder ter em meus braços Afrodite! Eu a fulminaria!” (Clemente de Alexandria, Estrômata, II, 406, 6 (cit. em G. Reale, Storia della filosofia antica, vol. I: Dalle origini a Socrate, Vita e pensiero, Milão 1983/4, p. 397).) Outros ditados famosos dele são: “Preferiria morrer antes de sentir prazer!” (Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos, VI, I, 3) e “Nenhum homem amante do dinheiro pode ser bom!” (Estobeu, Antologia, III, 10, 41.) Admirava Sócrates pela sua “impassibilidade”, embora o mestre não perdesse uma ocasião sequer para escarnecê-lo. Certo dia, por exemplo, ao vê-lo sujo e com a capa toda rasgada, disse-lhe: “Através desses buracos, ó Antístenes, posso ver toda a tua ambição.” (Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos, VI, I, 8) Com o passar dos anos tornou-se cada vez mais sensível à dor física, muito mais do que se poderia esperar de alguém como ele. Quando já estava com oitenta e um anos, atormentado por uma grave doença, ficava se queixando o tempo todo. Certo dia recebeu a visita de Diógenes, o seu discípulo predileto. O que os dois se disseram foi mais ou menos o seguinte:(Ibid., VI, I, 18)
– Está precisando de um amigo? – perguntou Diógenes, entrando.
– Oh, Diógenes, sejas bem-vindo! – exclamou Antístenes com expressão sofrida. – Quem poderá livrar-me deste meu contínuo sofrer?
– Eis aqui a resposta para a tua pergunta – respondeu tranquilamente Diógenes, apontando para uma espada.
– Ora essa – reagiu Antístenes levantando-se de chofre. – Falei do “sofrer” e não da “vida”!

Diógenes de Sinope nasceu em 404 a.C. (Todas as anedotas relativas a Diógenes de Sinope, excetuando-se aquelas especificamente atribuídas a outras pessoas, foram tiradas da Vidas dos filósofos de Diógenes Laércio, VI, II). Seu pai, Icésio, tinha uma casa de câmbio bem no centro da cidade, mas um belo dia, depois de tanto mexer com moedas, achou melhor ele mesmo fabricar muitas delas para seu uso pessoal. O filósofo Eubúlides (Eubúlides de Mileto, discípulo de Euclides, filósofo de Mégara.) afirma que quem falsificou o dinheiro foi o próprio Diógenes, mas de qualquer maneira pai e filho foram ambos condenados, o primeiro à prisão perpétua e o segundo ao exílio. Durante o processo, Diógenes defendeu-se jogando a culpa em Apolo. Parece de fato que o oráculo de Delfos havia-lhe dito: “Volta para casa e dá novas instituições à tua cidade” e que ele, sem saber ao certo o que fazer, acabara propondo as novas moedas. A pena que lhe foi infligida, de qualquer forma, não deve tê-lo deixado muito preocupado, uma vez que parece ter comentado a sentença dizendo: “Se os meus concidadãos condenaram-me a viver longe, quer dizer que eu os condenarei a viverem aqui!”
Ao chegar a Atenas, encontrou Antístenes e não levou mais de meia hora para filiar-se à escola cínica. Num primeiro momento o velho filósofo ficou muito orgulhoso com a força das suas palavras mas então, quando percebeu que o novo aluno estava disposto a ir com ele até ao fim do mundo, ameaçou-o com o bordão para que fosse embora; Diógenes no entanto, nem um pouco amedrontado, esticou mais ainda a cabeça e disse: “Podes bater à vontade, ó Antístenes, mas saiba que nunca irás encontrar um pedaço de pau tão duro que consiga expulsar-me!”
Diógenes de Sinope foi uma verdadeira mina de anedotas. Sabemos que vivia num tonel e andava por toda parte com uma lanterna acesa na mão, mesmo de dia, afirmando em voz alta: “Procuro o homem.” Muito conhecido é o seu encontro com Alexandre o Grande.
O rei percorria a cavalo uma rua de Corinto quando o viu sentado na escadaria do Craneu, (Ginásio de Corinto.) aproveitando o sol.
– Eu sou Alexandre o Grande, e tu, quem és?
– Sou Diógenes, o Cão.
– Pede o que quiseres.
– Saia da frente, estás fazendo sombra.
As suas necessidades primárias haviam sido reduzidas ao mínimo indispensável: uma capa como traje e como cama, tanto no verão quanto no inverno, uma tigela para comer e uma vasilha para beber.
Certo dia, no entanto, depois de ver um garoto espalhar as lentilhas diretamente no pão, jogou fora a tigela, e ao ver o mesmo rapaz tomar água juntando as palmas das mãos, jogou fora também a vasilha. Quanto a sexo, praticava a masturbação achando-a mais rápida e direta. A quem o repreendia por fazê-lo em praça pública respondia: “Quem me dera poder acalmar também a fome com uma simples massagem no estômago!”
Querendo acostumar-se com a variação da temperatura, no verão deitava na areia quente e no inverno procurava a neve. Pode parecer estranho, mas, pensando bem, é o que nós também fazemos nos dias de hoje. Como todos os cínicos, mantinha em relação ao prazer uma atitude bastante desconfiada. Certa noite, ao encontrar um amigo que ia a um banquete, gritou para ele: “Vais voltar pior.” Não tinha lá muita consideração pelos semelhantes: contam que uma vez foi visto interrogando uma estátua. A quem lhe perguntava por que fazia aquilo respondeu: “Estou treinando para perguntar em vão.”
O seu relacionamento com Platão nunca foi bom. Considerava a conversa platônica “uma verdadeira perda de tempo” e Platão respondia com a mesma moeda definindo-o um “Sócrates enlouquecido” (Heliano, Varia historia, XIV, 33). Numa disputa filosófica entre os dois, o assunto em pauta foi a teoria das Ideias.
“Estou vendo nesta sala uma mesa e uma taça”, disse Diógenes olhando em volta, “mas não vejo nem ‘mesidade’ nem ‘tacidade’.”
“Nada mais justo”, respondeu Platão, “uma vez que a sua mente só tem a capacidade de ver a mesa e a taça, e não as ideias.”
Diógenes não suportava que Platão, um filósofo, pudesse morar numa casa confortável e cheia de coisas bonitas. Certo dia, durante um repentino aguaceiro, entrou como uma fúria no quarto de dormir do outro e pisoteou com os pés enlameados os cobertores rendados e os tapetes, depois saiu de novo para a rua, sujou os pés com o maior cuidado, e voltou para dentro a fim de pular novamente em cima dos cobertores e dos tapetes (Brunetto Latini, op. cit., cap. VIII, 13). Platão ficou olhando sem nada dizer.
“Estou pisoteando o orgulho de Platão!”, gritou Diógenes.
“Com o mesmo orgulho”, respondeu Platão.
De qualquer maneira ninguém pode acusar Diógenes de falta de humor. Certo dia, assistindo ao treinamento de um arqueiro particularmente incapaz, foi sentar-se bem ao lado do alvo: “É o único lugar”, disse, “onde me sinto em segurança”. Outra vez, quando visitava uma linda mansão cheia de tapetes e de alfaias, cuspiu na cara do dono; logo a seguir limpou-lhe o rosto com a capa e pediu desculpas dizendo não ter encontrado na casa inteira um lugar bastante feio para nele cuspir.
No decorrer da sua longa vida teve de enfrentar todo tipo de peripécias: certo dia, quando, já velho, navegava no mar aberto não muito longe de Egina, foi capturado por um pirata e levado a Creta para ser vendido no mercado de escravos. Quando o arauto perguntou o que sabia fazer, ele respondeu: “Comandar os homens.” E quando viu um sujeito todo cheio de joias, um tal de Seníades, que olhava para ele com interesse, acrescentou: “Venda-me a esse pobre coitado, pois pelo jeito que está todo enfeitado, parece estar precisando urgentemente de um amo.” Seníades comprou-o e Diógenes ficou na casa dele até morrer, como mestre dos filhos. Matou-se aos noventa anos, segurando a respiração.
Contam que em suas últimas vontades pedia que o seu corpo não fosse sepultado, mas sim jogado numa vala como comida para os animais. Longe disto, no entanto, os seus amigos acabaram brigando para ver quem teria a honra de enterrá-lo e, no fim, decidiram erguer, à custa do Estado, um monumento funerário formado por uma coluna de mármore encimada por um cão.

Crates (Na história da civilização grega, entre poetas, filósofos e literatos, há nada menos de onze personagens chamados Crates), Ipárquia e Métrocles, respectivamente marido, mulher e cunhado, eram uma família inteira de cínicos. A época é muito posterior à de Antístenes, tanto assim que é difícil acreditar que Crates, o mais idoso deles, tenha realmente sido discípulo de Diógenes. A acmé de Crates, isto é, o período mais produtivo, com efeito, aconteceu por volta de 323 a.C., quando Diógenes o Cão já estava com mais de oitenta anos.
Embora fosse filho de Asconda, um dos homens mais ricos de Tebas, Crates passou quase a vida inteira na pobreza: parece que depois do encontro com Diógenes despojou-se de todos os seus bens e doou aos tebanos duzentos talentos, gritando: “Crates está libertando Crates.”
Depois de chegar em Atenas foi apelidado de “abridor de portas” (thurepanoiktes) (Su(i)da, ed. Westermann, p. 429 (cit. em Burckhardt, op.cit., p. 104)) devido ao seu péssimo hábito de entrar a qualquer hora na casa das pessoas sem bater, só para oferecer adágios e máximas de vida. Parece que, do ponto de vista físico, não era bonito, e talvez fosse até meio corcunda. Quando se exercitava no ginásio todos riam dele. Certa vez brigou feio com um campeão olímpico, um tal de Nicódromo, e saiu de lá com um olho roxo. No dia seguinte podia ser visto andando pelas ruas de Atenas com uma escrita na testa, “Isto é obra de Nicódromo”, e uma seta apontando para o olho machucado. Todas as noites aparecia nas esquinas injuriando as prostitutas à espera de clientes: dizem que as respostas das “madames” serviam-lhe como treino para as contendas que tinha na ágora com os outros filósofos (Todas as anedotas sobre Crates foram tiradas de Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos, VI, V).
Como todos os cínicos, teve uma vida muito longa: obviamente comer pouco e viver ao ar livre devia ser bom não só para a alma como também para o corpo.
Métrocles nasceu em Maroneia, na Trácia (Ibid., VI, VI). Em criança era muito tímido e os pais acharam por bem entregá-lo a um mestre capaz de moldar o seu caráter. O escolhido foi o cínico Crates que, enquanto isto, tinha criado a fama de duro. Antes de mais nada, Crates aconselhou-lhe que cuidasse dos músculos e levou-o ao ginásio para fortalecê-lo. Só que, durante um exercício com os halteres, Métrocles acabou soltando um pum e a coisa pareceu-lhe tão humilhante que decidiu deixar-se morrer de inanição. O pobre Crates fez de tudo para demovê-lo e depois, quando já perdera as esperanças, perguntou:
– Preferes a morte à vida?
– Prefiro.
– Devo então concluir que sabes muito bem o que é a morte e o que é a vida?
– Não, mas ainda assim prefiro morrer.
– E não tens curiosidade de saber no que poderias tornar-te se decidisses viver? De conhecer tudo aquilo que podes estar perdendo ao desistir da vida?
– E o que poderia eu estar perdendo?
– Segue-me e irás saber.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, Crates comeu uns dois quilos de tremoços e em seguida levou Métrocles para visitar os arcontes.
– Pois bem, estes são os arcontes da cidade: algum dia tu poderás ser um deles.
Ao dizer isto fez uma mesura e soltou um peido ainda mais estrondoso do que aquele que envergonhara o aluno no ginásio. Em seguida, levou-o até os estrategos, os prítanes e os éforos, soltando cada vez um fragoroso pum. Resumindo, tanto peidou que no fim o rapaz acabou se acostumando e desistiu da ideia do suicídio. Nos anos seguintes, Métrocles tornou-se um grande filósofo e também morreu muito velho... estrangulando-se com as próprias mãos.
Hipárquia, (Ibid, VI, VII, 96.) a irmã de Métrocles, a única filósofa na nossa história, devia ser realmente muito bonita, pois, do contrário, não se entenderia o incrédulo espanto com que Diógenes Laércio fala da união dela com o velho Crates. Ao que parece, todos os jovens mais atléticos e ricos de Maroneia queriam tê-la como esposa e ela, para não ser obrigada a afastar-se do mestre, chegou a ameaçar o suicídio. Os pais da jovem, coitados, foram então falar com o filósofo, suplicando-lhe que fizesse alguma coisa para dissuadi-la. Crates, que afinal de contas devia ser um bom sujeito, confiou na própria feiura e apresentou-se diante da jovem completamente nu, dizendo: “Aqui está o teu esposo, Hipárquia, coberto de todas as suas riquezas.” Ela, no entanto, como verdadeira cínica, casou-se com ele mesmo assim. Acasalaram em público e tiveram um filho a quem chamaram de Pásicles (Eratóstenes de Cirene, fr. 21 Jacoby (veja Diógenes Laércio, VI, V, 88)).

Mais do que uma escola filosófica, o cinismo foi um estilo de vida. Uma vez livres das suas necessidades, os cínicos não demonstravam o menor interesse pela política, pela física nem por qualquer outra especulação filosófica que não fosse a ética. Definiam a si mesmos “cidadãos do mundo, sem casa, sem cidade nem pátria”. Sempre houve cínicos, em qualquer época e em qualquer lugar. Vamos lembrar um em nome de todos: um certo Demonace, nascido em Chipre em 90 d.C., um homem que não incomodava ninguém, simples, sempre bemhumorado, amante da paz e amigo de todos. O povo dava-lhe comida sem que ele precisasse pedir. Quando aparecia em alguma assembleia, os arcontes ficavam de pé e todos mantinham o mais absoluto silêncio. Quando já estava muito velho pôs fim a sua própria vida abstendo-se de comer. Os atenienses tributaram-lhe honras fúnebres à custa do Estado e coroaram de flores o seu túmulo. Evidentemente estavam cientes dos próprios vícios e, comparando-se com ele, sentiam-se de alguma forma culpados.

(Luciano de Crescenzo - História da Filosofia Grega)
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:53

O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos.

Marcus Cícero
 

Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto.

Marquês de Maricá
 
O comunismo não é a fraternidade; é a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens; é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho, bane Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanizaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador.
Ruy Barbosa

http://espumadamente.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html
Uma palavra adorada pela esquerda caviar é tolerância. Gostam de acusar aqueles que não compartilham de sua postura negligente ou favorável a ideologias assassinas, como o comunismo, de “intolerantes”. O radical passa a ser então, numa espantosa inversão de valores, o anticomunista.
Note bem: se abomina abertamente o regime que trucidou dezenas de milhões de inocentes, você é “intolerante” e se acha o “dono da verdade”. Não são Stalin e seus acólitos os intolerantes, mas você, por apontar as coisas como são, colocando os pingos nos “is”, sem a covardia típica da esquerda caviar.
Como dizia Popper: “Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os intolerantes, se não corremos o risco de destruição de nós próprios e da própria atitude de tolerância.” Como tolerar pessoas que preferem matá-lo a rebater seus argumentos? Será que os “tolerantes” da esquerda caviar pensam que devemos tolerar os nazistas também, porque ninguém é “dono da verdade”?
A esquerda, aliás, gosta de acusar a direita capitalista de “nazista”, invertendo completamente os fatos. O nacional-socialismo tinha um programa coletivista com vários pontos em comum com a esquerda. Hitler estudou Marx e apreciava seus métodos, além de se considerar o grande realizador do marxismo.
 
Os nazistas e os bolcheviques chegaram a fechar um acordo de cooperação em 1939, o pacto Molotov-Ribbentrop. Eram parceiros até Hitler resolver rasgar o acordo. Ambos disputavam o mesmo tipo de alma. Seu ódio mútuo, posterior, pode ser explicado pelo “narcisismo das pequenas diferenças”, como diria Freud.
Enquanto o pacto entre Stalin e Hitler durou, as ordens para os comunistas do mundo todo, sob a tutela de Moscou, eram para não atacar os nazistas. Nos Estados Unidos, o Partido Comunista (CPUSA) tinha ordens expressas para poupar Hitler de ataques. Eles inclusive estimularam diversas campanhas pacifistas contra o seu governo, fazendo ataques histéricos aos alegados interesses petrolíferos de Rockfeller na subida de tom do governo Roosevelt.
Somente depois que Hitler ignorou o pacto e invadiu a Polônia foi que a propaganda antinazista começou, assim como a campanha pela entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra. O grupo American Peace Mobilization, que tinha o apoio financeiro de Fred Vanderbilt Field, até mudou de nome para American People’s Mobilization, preservando a sigla, mas alterando completamente seu significado. Os comunistas americanos tinham em Stalin sua prioridade, e não os interesses de seu próprio país.
O programa do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista que levou Hitler ao poder deixa claro as similaridades com o socialismo. Defendia, por exemplo, a “obrigação do governo de prover aos cidadãos oportunidades adequadas de emprego e vida”. Alertava que “as atividades dos indivíduos não podem se chocar com os interesses da comunidade, devendo ficar limitadas e confinadas ao objetivo do bem geral”. Demandava o “fim do poder dos interesses financeiros”, assim como a “divisão dos lucros pelas grandes empresas”.
Também pregava uma “reforma agrária para que os pobres tivessem terra para plantar”. Combatia o “espírito materialista” e afirmava ser possível uma recuperação do povo “somente através da colocação do bem comum à frente do bem individual”. Em um discurso proferido no dia do trabalho em 1927, Hitler disse:
Nós somos socialistas, nós somos inimigos do sistema econômico capitalista atual de exploração dos economicamente fracos, com seus salários injustos, com sua ultrajante avaliação de um ser humano de acordo com sua riqueza e propriedade ao invés de responsabilidade e comportamento, e nós estamos determinados a destruir esse sistema custe o que custar.
Conforme escreveu Alain Besançon em A infelicidade do século, comparando comunistas e nazistas, “eles pretendem ser filantrópicos, pois querem, um deles, o bem de toda a humanidade, o outro, o do povo alemão, e esse ideal suscitou adesões entusiásticas e atos heroicos”. Mas o que os aproxima mais é que “ambos se dão o direito — e mesmo o dever — de matar, e o fazem com métodos que se assemelham, numa escala desconhecida na história”. O autor conclui:
O comunismo é mais perverso que o nazismo porque ele não pede ao homem que atue conscientemente como um criminoso, mas, ao contrário, se serve do espírito de justiça e de bondade que se estendeu por toda a terra para difundir em toda a terra o mal. Cada experiência comunista é recomeçada na inocência.
Disso eu tenho dúvidas. Quem ainda pode desconhecer, em pleno século XXI, as atrocidades comunistas? De modo a não restar desculpas, para quem quiser se aprofundar mais na realidade do comunismo e em suas semelhanças com o nazismo, recomendo fortemente o documentário The Soviet Story, de 2008. É um material de primeira.
A revista britânica The Economist fez a seguinte resenha do filme: “The Soviet Story é o mais poderoso antídoto atual para a reparação do passado. O filme é emocionante, audaz e rigoroso. [...] O objetivo principal do filme é mostrar a estreita conexão — filosófica, política e organizacional — entre os regimes nazista e soviético.”
Mas nada disso importa. Basta atacar o comunismo, combater os pilares da esquerda radical, para ser logo tachado de “fascista” ou “nazista”, como se fascistas, nazistas e comunistas fossem tão diferentes assim na prática, e como se nazistas e capitalistas liberais tivessem alguma semelhança.

(Rodrigo Constantino - Esquerda Caviar)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:53

OU, COMO REZA O DITADO japonês: “O que quer que precise dizer, diga amanhã.” As discussões e os mal-entendidos que nascem das ações impulsivas são grandes fontes de estresse.
Aquele que quer ter sempre razão acaba se tornando impopular e acumula uma longa lista de ofensas e rancores.
Para evitar isso, o escritor Richard Carlson recomenda:
• É muito melhor lidar de forma inteligente com o mundo do que lutar contra ele.
• Para se comunicar bem, evite interromper seu interlocutor ou completar as frases dele.
• Sempre que decidir ser amável em vez de ser o dono da verdade, estará tomando a decisão certa.
No final das contas, se deixarmos de impor nossas opiniões, com o tempo as outras pessoas acabarão percebendo os erros delas sem que tenhamos que nos desgastar com polêmicas vazias.
Como diz Nietzsche, é preciso deixar que as opiniões esfriem no gelo, a fim de tornarmos nossa vida mais fácil.

(Alan Percy - Nietzsche para estressados)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:06

 
Desde pequenos, quando recebemos notas na escola, nos acostumamos com avaliações e julgamentos. Ao julgarmos o passado – de uma época ou de uma pessoa –, sentimos a falsa segurança de ter fechado uma porta.
Ao mesmo tempo, todo julgamento esconde o orgulho de quem se considera dono da verdade. Também revela grande insegurança. De sua posição inatingível, aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias.
Como a vida é um caminho para a frente, é muito mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que já passou, como nos diz Nietzsche. Além disso, as pessoas que agem estão livres de preocupações, que normalmente ocupam a cabeça das que não se movem.
Podemos observar o mundo de duas maneiras: virando a cabeça para trás ou prestando atenção no que temos à nossa frente.
E você? Que caminho prefere?

(Alan Percy - NIETZSCHE PARA ESTRESSADOS)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:52


RELIGIÃO É UM BALAIO DE GATOS

por Thynus, em 17.11.14
A dúvida é o principio da sabedoria.
Aristóteles

Não existe nada de completamente errado no mundo, 
mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia.
Paulo Coelho
 
 

 
Estou escrevendo em português. E você está lendo. Pressuponho que seja brasileiro ou coisa assim, do país onde 99% dos habitantes crêem no Deus divulgado pelo cristianismo, pelo menos assim responderam as pesquisas do IBGE.
Entre os ditos religiosos e outros, com crenças diferenciadas ou nenhuma, em todo o mundo, temos a seguinte salada:
* 1,025 bilhão são católicos romanos. Acreditam na Santíssima Trindade, no poder da Virgem Maria, se submetem ao Novo e ao Velho Testamento (nem em tudo, pois idolatram uma tonelada de Santos, Anjos e acreditam em demônios), acreditam na vida eterna do espírito, que se juntará ao corpo novamente no final dos tempos, em céu, inferno e purgatório e têm o Papa como chefe da igreja e, apesar da fé na mãe de Jesus, discriminam as mulheres na direção da igreja. Nestes, incluem-se aqueles, que se dizem “católicos não praticantes”, que não sabem nem rezar a Ave Maria.
* 800 milhões são Muçulmanos Sunitas. Monoteístas, vinculam-se historicamente ao Velho Testamento do Evangelho, (Torah judeu) que está praticamente reeditado no Alcorão, o seu livro sagrado, escrito por Maomé, segundo eles, ditado por um anjo. Acreditam num paraíso depois da morte, com muitas riquezas, mulheres bonitas e virgens. Não acreditam em Jesus como filho de Deus e nem em Espírito Santo nem demônios, nem em reencarnações.
* 770 milhões são Hinduístas. São politeístas e adoram Deusas dentre as quais estão Shiva, Vishnu ou a Deusa Devi, além de centenas de outras divindades menores, mas só querem ter filhos homens. Reverenciam as castas familiares e religiosas e têm as vacas como animais sagrados e proibidos de comer. Nunca ouviram falar de Jesus, Maria, Espírito Santo, papas, Bíblia, esses valores dos cristãos, tanto quanto Maomé ou Moisés. Essa religião nasceu 1500 anos a/C. Define-se mais pelas ações do que pelas crenças.
* 734 milhões são Protestantes. Cristãos na essência, cultuam a Bíblia, o Novo e o Velho Testamento com menos três livros que a católica, e 50 livros mais que o Torah, cultuam a tríplice identidade divina Pai, Filho e Espírito Santo. Alguns têm forte crença nos poderes desse último e em nome do segundo, fazem exorcismo de demônios, mas não crêem nos poderes de intercessão da mãe de Jesus, ou cultuam imagens de Santos, mas acreditam em Satanás, em céu e inferno, no retorno de Cristo e num julgamento final. São divididos em várias seitas, cada uma com seu bispado independente e suas paranóias, como os Testemunhas de Jeová que proíbem a transfusão de sangue e outras que proíbem até jogar peteca. Muitas separam as mulheres nos cultos e as proíbem de pregar o Evangelho. Desconhecem Maomé, Imãs, Xangô, Shiva, Buda, Mao etc.
* 380 milhões são Maoístas ou Taoístas. Doutrina política, baseada no pensamento de Mão Tse–Tung, dirigente chinês. Uma adaptação do Marxismo-Leninismo. O Taoísmo, um tanto religioso-filosófico, cultua mais a teoria do “nada se deve fazer forçado ou antinatural”. Nos templos taoístas faz-se meditação, apenas. Não acreditam em espíritos, céu nem inferno. Sendo ateus, nada conhecem, nem de ouviram falar, das demais crenças que existem no mundo.
* 364 milhões são Muçulmanos Xiitas. O mesmo “Alah” dos sunitas. São partidários de Ali, (um Imã) homem sagrado, sem o qual não existiriam, sucessor descendente de Maomé. Seguem uma trilha de sangue e são mais fundamentalistas. No restante, seguem  os demais Muçulmanos, adeptos do Islamismo aprendido no Alcorão. Tratam suas mulheres como cadelas e garantem que estão certos. Desconhecem como entidades religiosas Cristo, Buda, Papa, Maria, Confúcio, Ogum, Shiva etc.
* 352 milhões, são Budistas. Considerado como religião é inspirado em Siddhartha Gautama, mais conhecido como Buda e hipocritamente o endeusam, mas não o assumem como Deus. O budismo, portanto, ateu, rejeita o apego ao materialismo como filosofia de vida. Apesar de sua radicalização na China, originou-se na Índia em 563 a/C. Baseia sua filosofia no sofrimento, herança original do homem, suas causas e sua supressão. Nunca ouviram falar de Deus, Jesus, Maomé, Santos nem demônios, céu, purgatório, reencarnação, Maria, Iemanjá etc.
* 212 milhões são Católicos Ortodoxos. Como os anteriores, romanos, porém, com relação ao papa, divergem, pois não o aceitam como chefe da igreja. Concentram-se mais na Rússia e têm na música sacra uma forte influência.
* 14 milhões são Judeus. Monoteístas, têm como parâmetro, as leis de Moisés. Uma das religiões mais antigas do mundo concentra-se principalmente em Israel. A história do povo, seus preceitos e filosofias estão contidos no Torah, que contém apenas os cinco primeiros livros do Velho Testamento da Bíblia. Para eles também, Jesus era apenas um homem comum, profeta como tantos outros, mas não aceitam Maomé como referência e muito menos o Alcorão como verdade. Usam a circuncisão como identificação. Por ironia, os judeus acreditam na justiça divina e no seu povo como escolhido de Deus, seu único senhor, porém a experiência histórica judaica, com bastante freqüência, mostra que suas vidas têm sido de sofrimento e perseguição. Nas sinagogas, separam as mulheres dos homens.
* 12 milhões são Espíritas. Com suas subdivisões, candomblé, kardecismo, umbanda, quimbanda. Fazem parte dos ritos afro-brasileiros. Denominam o único deus de Xangô e têm devoção por várias entidades espirituais, as quais cultuam com orações e oferendas materiais em cultos típicos africanos onde surgiram. Acreditam em Lúcifer o anjo das trevas, e na teoria da reencarnação. Praticam o envolvimento com espíritos de mortos, e os recebem em seus seguidores, chamados médiuns e não discriminam as mulheres. Identificam-se com as personalidades cristãs a quem deram diferentes nomes. Têm na caridade uma base filosófica quase obrigatória para a purificação da alma.
* 250 milhões orientais diversas. Além dessas religiões, existem confucionistas, xintoístas, religião sikh, jainismo, toneladas de seitas tribais identificadas em todas as partes do mundo, a maioria politeístas ou de filosofias atéias de origem oriental primitiva (japonesa, chinesa, coreana, vietnamita). São fechados em suas crenças, com particularidades que as diferenciam de todas as conhecidas.
* 135 milhões são de outras. São politeístas diversas, praticamente regionais como as africanas, indígenas de regiões de sociedades isoladas no mundo. Confundem-se com magias, cosmologia e adoração de objetos e elementos da natureza, como o sol, a lua, a chuva, os vulcões etc.
* 909 milhões são completamente ateus, e não acreditam em nada disso. São totalmente céticos com relação a crenças religiosas, céu, paraíso, demônios, anjos, embora não rejeitem filosofias naturais, naquilo que pode ser efetivamente comprovado. Têm em si próprios o controle de suas vidas, acreditam que a natureza casual rege os seus destinos. São seguidores e admiradores da ciência, tratam as mulheres com dignidade e igualdade. De raciocínio evoluído e lógico, acreditam que a vida espiritual se encerra com a falência do corpo. No Brasil, são discriminados pelos religiosos (maioria) que querem rotulá-los como sinônimo do que não presta.
Entretanto, o que acontece? Você, circunspeto à sua sociedade religiosa, acha que o mundo todo pensa do mesmo jeito que os seus amigos, mas isso é falso. Pelo menos 4 bilhões de habitantes do planeta, ou seja, 2/3 deles, não conhecem os personagens identificados pela sua religião. Assim como você não conhece nada da religião, filosofia ou ateísmo deles, além do que eu acabei de expor. Pense um pouco nisso. Antes de bater no peito, se achar melhor, cheio de razões e dono da verdade, imagine que você faz parte da minoria, diferencia-se muito dos demais e pode estar errado...

(Alfredo Bernacchi - ATEU GRAÇAS A DEUS)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:29


O reforço positivo

por Thynus, em 14.11.14
O primeiro dever de um líder é ser otimista. Como seu subordinado
se sente depois de uma reunião com você? Sente-se estimulado?
Se a resposta é negativa, você não é um líder.

Bernard Montgomery, marechal de campo britânico
durante a Segunda Guerra Mundial
 
Ninguém se lembra disso. Todo mundo parece esquecê-lo. Mas o reforço positivo sempre vence a crítica.
Pouco importa se você está adestrando golfinhos ou motivando os membros de sua equipe – o modo certo de fazê-lo é por meio do reforço positivo. Não se vê adestradores no Sea World batendo nos golfinhos com um bastão de beisebol quando eles não pulam nos arcos certos. Em vez disso, nós os vemos dando pequenos peixes aos golfinhos quando eles atravessam os arcos da maneira correta.
Por que não conseguimos nos lembrar disso?
Estamos ocupados demais perseguindo os problemas e criticando as pessoas que os criaram. É assim que a maioria dos gerentes “lidera”.
Na verdade, isso é uma armadilha do hábito. Certos procedimentos mínimos, porém, têm a capacidade de afastá-lo da armadilha.
Você pode, por exemplo, fazer uma pausa antes de mandar um email ou ligar para um dos membros da sua equipe e decidir que pequeno elogio pode lhe fazer.
O reforço positivo é poderoso quando se trata de orientar e modelar o desempenho humano. Essa revelação continua a nos surpreender, pois temos sido treinados por nossa sociedade a identificar o que está errado e consertá-lo.
 
(Steve Chandler e Scott Richardson - 100 maneiras de motivar as pessoas)
 
“Não há nada que o treinamento não possa fazer.
Nada está além de seu alcance. Pode transformar
a moral ruim em boa; pode destruir maus princípios
e recriar os bons; pode elevar homens a anjos.”

- MARK TWAIN
 
O primeiro princípio organizador de qualquer tipo de “Condicionamento de Sucesso” é o poder do reforço. Devemos saber que, para produzir de uma forma sistemática qualquer comportamento ou emoção, devemos criar um padrão condicionado. Todos os padrões são o resultado de reforço; de forma mais específica, a chave para criar a consistência em nossas emoções e comportamentos é o condicionamento.
Qualquer padrão de emoção ou comportamento que seja reforçado de um modo contínuo se tornará uma reação automática e condicionada. Qualquer coisa que deixamos de reforçar acabará por se dissipar.
Podemos reforçar nosso comportamento ou o de outra pessoa através do reforço positivo; ou seja, a cada vez que produzimos o comportamento que desejamos, damos uma recompensa. Essa recompensa pode ser um elogio, um presente, um novo privilégio etc. Ou podemos usar um reforço negativo. Pode ser uma cara amarrada, um barulho qualquer, até uma punição física. É fundamental compreender que o reforço não é a mesma coisa que punição e recompensa. Reforço é a reação a um comportamento imediatamente depois que ocorre, enquanto a punição e recompensa podem ocorrer muito tempo depois.

(Anthony Robbins - DESPERTE o GIGANTE INTERIOR)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:46



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds