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PROSTITUIÇÃO INFANTIL

por Thynus, em 24.11.14
Incesto e pedofilia são profundamente reprovados hoje, mas não era assim no século XIX. Embora provoque náuseas aos moralistas, a prostituição infantil é então corrente, às vezes evocada com um humor que atualmente seria inaceitável. Oscar Wilde ridicularizava um impressor de livros eróticos: “Ele gosta das primeiras edições, particularmente de mulheres: as menininhas são sua paixão.”
Mas havia grandes contrastes sociais. As classes trabalhadoras revoltavam-se mais do que os ricos em relação a essas condutas: “Se sua filha disse a verdade, a guilhotina seria suave demais para o senhor!”, exclama uma vizinha de um trapeiro de Saint-Aignam, França (Muchembled, Robert, op. cit, p. 261).

A prostituição homossexual foi duplamente reprimida. Em nome da homofobia e da própria prostituição. No final do século XIX, em Nova York, funcionava o Golden Rule Pleasure Club, onde os interessados poderiam contratar um jovem disposto a tudo para satisfazer a sua clientela. Em Paris, não era menor o movimento de homossexuais se prostituindo. O que mais irritava as conservadoras autoridades francesas era a captação de soldados para entreter os gays ricos. Os rapazes da Garde Imperiale eram os preferidos desses senhores.

No século XIX, Paris e Londres assistem à chegada de multidões de prostitutas. Os principais perigos que as ameaçam são de engravidar — o Tâmisa carrega os cadáveres de milhares de crianças de que elas se desvencilham — e contrair uma doença venérea: a sífilis. Calcula-se que 66% das prostitutas da Europa tinham sífilis.
Não havia problemas com as prostitutas registradas, que trabalhavam em bordéis. Essas estavam sob controle. Mas aquelas que buscavam seus clientes nas calçadas e que dependiam unicamente de seu faturamento para comer tornaram a epidemia muito séria. Como vimos no capítulo anterior, em Londres, em 1880, havia o mito infeliz de que a relação sexual com mulheres virgens poderia curar a sífilis. Surgiram bordéis especializados.
Não era difícil encontrar babás ou balconistas, que sacrificavam sua virgindade por um guinéu de ouro. O arrependimento podia vir na hora do ato. Por essa razão os bordéis de virgens ficavam em locais afastados. Casas mais especializadas tinham seus próprios médicos que atestavam a veracidade da virgindade, uma vez que a indústria de falsas puras se ampliou bastante.
Em muitos bordéis, virgens profissionais eram “defloradas” várias vezes por semana. As casas que ofereciam defloramentos se espalharam durante a virada do século XIX e atuavam em Londres, Paris, Nova York e Berlim. O constante desejo, primeiro por virgens, e depois por adolescentes, fez surgir uma legislação mais dura, sem, contudo, inibir inteiramente essas práticas.
Na metade do século XIX existiam, em Londres, em torno de 1.500 prostitutas com menos de 15 anos, segundo a pesquisadora social Josephine Butler. A demanda de virgens do período provocou um outro problema, com o aliciamento que as famílias mais pobres faziam das próprias filhas. Mendigos passaram a vender suas crianças, aos 12 ou 13 anos de idade, a preço vil.

(Regina Navarro Lins - O Livro do Amor, vol.2)

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publicado às 17:21

 

 
No mundo todo, academias de ginástica exercitam o corpo, colégios ensinam habilidades técnicas e autoescolas ensinam a dirigir veículos, mas praticamente não há escolas que eduquem e treinem o Eu para dirigir o mais complexo de todos os veículos, a mente humana.
Capacitar o Eu para ser gestor psíquico não é apenas vital para a desaceleração do pensamento; é também fundamental para promover uma emoção saudável e uma mente criativa. Mas tal capacitação parece algo inalcançável nesta sociedade exteriorizante. Entretanto, é possível! O seu Eu está capacitado? Porque temos um rico sistema sensorial que nos conecta com o mundo externo, viciamo-nos em atuar nele e não nos equipamos para intervir nos solos psíquicos. Deixamos essa responsabilidade para a psiquiatria clínica e a psicoterapia quando já estamos doentes, ou ainda para a espiritualidade, a filosofia e os autores de autoajuda. Cometemos erros graves por não termos desenvolvido ferramentas psiquiátricas, psicológicas, psicopedagógicas e sociológicas para prevenir os transtornos emocionais e potencializar as funções mais importantes da inteligência.
Quando ocorre uma nova virose, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e cientistas de inúmeras universidades são mobilizados para evitar uma epidemia. Entretanto, não ficamos desesperados com a falta de tecnologia para prevenir fobias, depressão, anorexia, pânico, bullying e o mal do século, a SPA. Bilhões de pessoas são atingidas por esses sintomas nas sociedades modernas, e parece que estamos hibernando.
A OMS, cientistas e professores de todas as universidades deveriam ser mobilizados para a necessidade vital de gerenciar pensamentos, proteger a emoção, filtrar estímulos estressantes, olhar com os olhos dos outros, pensar como humanidade. Nossa espécie está em crise, por causa não apenas de ataques terroristas, epidemia das drogas, violência urbana, violência nas escolas, violência contra as mulheres, consumismo, pedofilia, discriminação, mas da hiperconstruçãode pensamentos que violenta nossa mente e da inabilidade do Eu como gestor da nossa psique.
Você deve escolher se ficará na plateia, assistindo passivamente aos pensamentos produzidos pelos fenômenos inconscientes (o gatilho, as janelas da memória e, em especial, o autofluxo), ou se assumirá o papel de diretor do script da sua história. Dependendo da sua decisão, as técnicas comentadas a seguir poderão ser vitais.
Nunca seremos plenamente donos do nosso próprio destino, como Jean-Paul Sartre e os demais existencialistas sonhavam. Nunca seremos plenamente autônomos como Paulo Freire almejava. Mas não estamos de mãos atadas. Podemos e devemos deixar de ser meros atores coadjuvantes e assumir o papel de ator principal do teatro mental.
Se nosso Eu for equipado para conhecer a última fronteira da ciência, o processo de construção de pensamentos e educado para gerir nosso intelecto, as prisões, pelo menos a maioria, tornar-se-ão museus, muitos policiais tornar-se-ão poetas, muitos psiquiatras e psicólogos terão tempo para cultivar flores. E as guerras? As guerras mudarão de estilo, não serão mais usadas armas para extrair o sangue, e sim ideias para injetar o amor, o altruísmo e a tolerância no mundo. Pensaremos não mais como feudos, mas como uma família humana.

(Augusto Cury - ANSIEDADE, como enfrentar o mal do século)

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publicado às 16:36


O papa em guerra com a mídia

por Thynus, em 23.11.14
No dia 20 de março de 2010, o papa tentou um golpe e escreveu uma carta para os católicos irlandeses. O conteúdo da carta era uma mistura de gratidão pelos muitos irlandeses que continuavam sendo católicos, apesar dos tempos duros que Igreja de Pedro atravessava, e um pedido de desculpas pelo  que tinha acontecido naquele país. O papa dizia abertamente que ele era culpado e que ele estava envergonhado. Mas os críticos entenderam essa mesma carta, que deveria aliviar as coisas, como outra confirmação de que o Vaticano não queria admitir a gravidade da situação diante daquela crise que, na verdade, era global. Os críticos do papa diziam que ele deveria ter dirigido essa carta, a todos os católicos do mundo. Mas como a carta foi endereçada apenas para os irlandeses, os críticos viram nisso outra tentativa da Igreja de negar a crise mundial.
Mas essa crítica ao papa não era justa. Logo na primeira frase o papa reconhecia que os casos de abuso sexual dentro da Igreja causaram a crise que não se limitava à ilha da Irlanda, e que esses casos afetavam muitos países. Mas o papa não fez um pedido geral de desculpas, endereçado ao mundo inteiro. Como ele poderia fazer isso? Pedir desculpas pelos abusos e pelos encobrimentos dos casos que a Igreja Católica cometeu no mundo inteiro com certeza teria um poder destrutivo dentro da Igreja. Porque seria uma suspeita geral do bispo de Roma, o que equivalia a afirmar que os bispos do mundo inteiro encobriram casos de abuso sexual e pedofilia cometidos por padres. Como os bispos irlandeses foram visitar o papa, ele limitou-se a se dirigir à Irlanda em sua carta, na esperança de que a mensagem chegasse a outros países.
Não havia dúvida de que além de pedir desculpas o papa teria que tentar prevenir que isso voltasse a acontecer. Bento XVI sabia que ele teria que criar um mecanismo para evitar que padres voltassem a abusar de crianças e adolescentes. Seus opositores não achavam que pedir desculpas fosse o suficiente, mas eles não podiam dar um golpe ainda maior contra o papa. Todos no Vaticano sabiam que o cardeal Joseph Ratzinger tinha tido um atrito com o carismático João Paulo II, justamente com relação ao assunto da punição de clérigos importantes que cometeram abusos sexuais.
Mas então um caso controverso na Alemanha finalmente deu a munição que a mídia estava esperando contra o papa: um suposto caso em que o arcebispo Ratzinger de Munique se envolveu para encobrir o caso de um padre que tinha abusado de crianças. Agora a mídia parecia pronta para destroçar o papa. O que aconteceu foi o seguinte: em 1980, o arcebispo de Munique, Joseph Ratzinger,  oncordou em transferir para Minique um padre que estuprou crianças e adolescentes da diocese de Essen. O padre deveria fazer terapia, mas não fez. Ele voltou a trabalhar na Igreja e abusou de outras crianças. Essa era a munição que a mídia esperava, para usar contra o Vaticano. Principalmente a mídia dos Estados Unidos. Joseph Ratzinger estava envolvido pessoalmente no sistema que causava tanto dano nas igrejas dos Estados Unidos: em vez de serem punidos, padres que cometeram crimes sexuais são simplesmente transferidos de um lugar para outro, podendo entrar novamente em contato com crianças. No início, havia uma grande dúvida se Ratzinger era culpado ou não. Apesar de ninguém discordar que ele transferiu um padre que estuprou crianças. Mas ele sabia que o criminoso iria ser colocado como conselheiro de crianças e adolescentes? O The New York Times parecia não se importar com essa dúvida. Eles atacaram o papa e o Vaticano e, ao mesmo tempo, descobriram detalhes novos sobre um caso horrível nos Estados Unidos. Um presente divino.
De acordo com a Igreja Católica dos Estados Unidos, o padre católico Lawrence Murphy cuidou de mais de duzentas crianças entre 1950 e 1974, quando ele trabalhou como diretor de uma escola para crianças surdas. Segundo pesquisas do The New York Times , o cardeal Joseph Ratzinger evitou um caso contra Murphy em 1996. Isso era suficiente. Agora, um dos jornais mais importantes do mundo tinha decidido atacar de vez. Eles criticaram o papa diretamente em uma série de artigos. Com isso, a briga atingiu um novo patamar. Agora não se tratava mais de falhar em denunciar o desejo sexual de padres, agora se tratava de atacar e prejudicar Bento XVI diretamente. Ele foi acusado tanto nos Estados Unidos como em Munique, de proteger dois criminosos sexuais entre os padres e de sujar as próprias mãos. Agora as provas pareciam irrefutáveis de que padres e clérigos da Igreja Católica são de fato um grupo de homens sexualmente perturbados, e que entre eles existem homens que cometem abusos sexuais e outros que encobrem tudo. As provas eram claras e até o alto clero viu que o papa também fazia parte da sujeira. O corvo não bicava o olho de mais ninguém.
Com exceção das críticas, todos na Igreja sabiam que era um absurdo, além de injusta e errada a alegação dizendo que Bento XVI quis encobrir crimes sexuais de padres. O papa e o Vaticano penavam para conseguir minimizar os danos. O padre Federico Lombardi foi enviado novamente para a linha de frente. No dia 26 de março de 2010, Lombardi atacou o jornal The New York Times de volta. O chefe da imprensa do Vaticano acusou o jornal de noticiar especulação em vez de pesquisar os fatos corretamente e se manter fiel à sua fama de jornal sério e de qualidade. Lombardi tinha uma carta na manga para mostrar ao prestigioso jornal: ele tinha uma confissão. Em Munique, Gerhard Gruber, o ex-vigário chefe do arcebispo Joseph Ratzinger, assumiu a culpa. Gruber, que agora estava com 81 anos de idade, testemunhou que Joseph Ratzinger não tinha a mínima ideia da decisão do vigário chefe de renomear para o trabalho com crianças o padre pedófilo. Com isso, o padre voltou a estuprar crianças e o vigário Gruber sentia muito por isso... Ele pediu mil desculpas para as crianças que foram vítimas desse padre, porque Gerhard Gruber devolveu o cargo a um homem cujas criminosas preferências sexuais eram conhecidas.
No dia 31 de março de 2010, o padre Federico Lombardi atacou o The New York Times mais uma vez. A emissora de rádio da qual Lombardi é chefe noticiou sobre Thomas Brundage, vigário chefe de Milwaukee entre 1995 e 2003, responsável pelo caso do padre Lawrence Murphy, que morreu em 1998. Brundage criticou o jornal. Ele disse que o The New York Times trabalhou negligentemente, pois os jornalistas nem sequer foram falar com ele, a pessoa responsável pelo caso Murphy. Ele exibiu documentos mostrando que o caso não tinha acontecido como o jornal havia noticiado, dizendo na ocasião da morte de Murphy que a má-conduta dele não fora a público. Era uma mentira e uma bobagem falar que Joseph Ratzinger havia tentado encobrir tudo: pelo contrário, Joseph Ratzinger insistia em punir Murphy, que havia sido suspenso do prelado por causa da sua idade.
No dia 1o de abril, o The New York Times recebeu outro golpe, dessa vez de um dos clérigos mais importantes dos Estados Unidos, o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada. O ex-bispo de São Francisco é um homem tímido, ele não é alguém que gosta de entrar em conflitos. Fiquei muito orgulhoso quando fui um dos poucos a conseguir uma entrevista com ele. Levada é um patriota, ele ama o seu país natal e está convencido de que os Estados Unidos e o Vaticano conseguiram muitas coisas quando trabalharam juntos. – Estou convencido de que os americanos sabem que o papa João Paulo II foi um instrumento importante para ganhar a Guerra Fria contra a União Soviética – disse-me Levada, na Congregação para a Doutrina da Fé, no primeiro semestre de 2010. Quando um homem como Levada ataca uma instituição tão velha e respeitável como o The New York Times, isso significa que ele está muito irritado. Levada acusou o jornal de “violar todos os critérios de justiça”, justamente o jornal que pode ser descrito como “a dama de cinza”, ou seja, como um modelo global para o jornalismo correto. Segundo Levada, eles organizaram uma campanha contra o papa baseados em especulações. O Vaticano ganhou essa guerra contra a mídia. O The New York Times reconheceu terem acusado erroneamente o papa Bento XVI em todos os casos e escreveram uma nota de reparação, divulgada à opinião pública internacional. No dia 26 de abril de 2010, o jornal escreveu que Joseph Ratzinger perseguiu os criminosos sexuais e fez com que eles fossem responsabilizados. Foi divulgada ainda uma nota voltando atrás na suspeita de que o papa tentara encobrir os casos. O seu papel nos casos de Munique e de Milwaukee tinham sido muito mais complexos do que eles haviam noticiado. Pela primeira vez, o silencioso papa pôde respirar tranquilo desde que começara aquela guerra com a mídia.

(Andreas Englisch - O homem que não queria ser Papa)

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publicado às 17:33

No final dos anos 90, graças à globalização das mídias, um escândalo sacudiu o mundo: o conhecido cantor americano Michael Jackson era acusado, pela imprensa falada e escrita, de abuso sexual de crianças. Passava-se da pederose à pedofilia. Por que o assunto teria ressurgido? Algumas hipóteses se esboçavam. A revista Veja, por exemplo, ligava o número de casos aos problemas da vida moderna: crianças estavam tendo menos atenção dos pais, sobretudo das mães, que cada vez mais entravam no mercado de trabalho. Os filhos acabavam nas mãos de babás, creches e parentes.
Segundo o mesmo veículo, o SAC, Serviço de Advocacia da Criança, entidade ligada à OAB, fez uma pesquisa a partir dos processos registrados de 1988 a 1992 e chegou ao número de 2700 denúncias de abuso sexual ao ano. A realidade, contudo, devia ser muito maior. Nos EUA, por exemplo, estimava-se que 500.000 crianças sofressem esse tipo de abuso por ano. Diferente de outros crimes, como o assalto, o criminoso era, quase sempre, alguém muito próximo da vítima. “Mais do que conhecido, ele é uma pessoa especial, em quem a criança confia e de quem ela gosta”, explicava o psiquiatra Claudio Cohen, coordenador do Cearas, Centro de Estudo e Atendimento Relativos ao Abuso Sexual, da USP.
Segundo uma pesquisa nacional, 62% dos abusos sexuais contra menores ocorriam, então, dentro do seio familiar. As meninas seriam as maiores vítimas, representando 83% dos casos. Pais e padrastos eram os principais abusadores, respondendo por 50% dos casos – na proporção de três casos cometidos por pais para cada um por padrastos. Tios e outros parentes respondiam por 12% dos abusos e estranhos – vizinhos e amigos – pelos 38% restantes. Diante dessa constatação, ficava difícil falar desse tipo de crime: ele envolve “um dos mais sagrados tabus das civilizações – o incesto, que diferencia o homem dos animais e garante o equilíbrio fundamental a uma pessoa”.
A revista sublinhava ainda que não se podiam confundir gestos de carinho, fundamentais para o desenvolvimento afetivo das crianças, com abuso sexual. “O que define abuso sexual não é o ato em si, que na maioria das vezes dispensa a relação sexual completa entre o adulto e a criança, mas a intenção com que é praticado,” esclarecia o dr. Cohen. Mas não era nada fácil distinguir teoria e prática! O dr. Cohen traçou um perfil de quem cometia esse tipo de abuso sexual: “Em geral, é um homem tímido, aparentemente incapaz de maltratar uma mosca, desprovido de agressividade no trato social, sem iniciativa. [...] Mesmo uma prostituta ou um garoto de programa é capaz de assustar o agressor de crianças. Trata-se de pessoas consumidas pela ideia de inferioridade, que só conseguem exercer um mínimo de sedução e autoridade diante de meninos e meninas”.
A preferência por crianças simplificaria o processo de sedução, bastando às vezes doces ou trocados – método usado desde sempre. Também padres da Igreja Católica foram alvo de relatos, engrossando queixas que vinham desde o século XIX. Marcas deixadas nas vítimas ficavam para sempre: tendência a ficar emocionalmente infantilizados, medo, dependência e fragilidade emocional, além de tendência ao sadismo. Meninos acabavam se tornando agressores na idade adulta e meninas tinham dificuldades de relacionamentos afetivos. Diante do aumento do número de casos e da sua maior repercussão no mundo inteiro, o alerta estava lançado: a erotização começava na infância.
Graças à Internet, a circulação no meio virtual de imagens de crianças sendo usadas como objetos sexuais aumentou. A propagação da informação valeu-se de uma velocidade até então impensável. O Brasil passou a ocupar um desonroso terceiro lugar, atrás apenas dos Estados Unidos e da Rússia, no ranking mundial de sites de pornografia infantil. Os agressores eram jovens de classe média, entre 17 e 24 anos, atraídos pelas expressivas somas oferecidas pelo tráfico de pornografia infantil. Uma foto podia valer cem dólares, e um vídeo de cinco minutos, mil. Atores mirins, meninos e meninas da própria família, incluindo bebês, eram mostrados nus ou semi-nus, em posições variadas, para agradar a clientela: homens com mais de quarenta anos, profissionais liberais ou executivos, em sua maioria. O barateamento de câmaras digitais, das web cans e de programas de edição multiplicou a troca de imagens e arquivos.
Desde 1995, quando a internet chegou ao Brasil, mais de duzentos projetos de lei foram encaminhados ao Congresso na tentativa de regularizar minimamente o espaço cibernético nacional. A única mudança significativa ocorreu, contudo, em 2003, no Estatuto da Criança e do Adolescente. O artigo 241 determina que é crime “apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive pela rede mundial de computadores e internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo crianças ou adolescentes”. A pena é de dois a seis anos e recai também sobre quem agencia, autoriza ou facilita de qualquer modo a participação dos pequenos.
O nó da questão é a pouca participação da sociedade nessa discussão. Muitas crianças brasileiras, por ignorância ou negligência parental, são precocemente sexualizadas: meninas exibem unhas pintadas, saltos altos, roupa justa inspirada naquela das animadoras de programas infantis, maquilagem de brinquedo. Houve época em que dançavam não mais o “atirei o pau no gato”, e sim na “boquinha da garrafa”. Elas recebem todo tipo de informação e nas festinhas de aniversário conjugam verbos como “ficar”, “beijar” e “namorar”... Nossas crianças vivem cercadas de objetos e mensagens publicitárias que as incitam a viver num mundo onde toda forma de querer é voltada à satisfação imediata. Por que não a sexual? O sonho publicitário – na televisão, no shopping e nos outdoors – promete-lhes tudo, pela compra ou pelo consumo. Ele abre as portas à inevitável frustração, sobretudo para nossas crianças pobres, as maiores vítimas de abusos. Os pais, por sua vez, se calam diante da exploração dessa infância que, quando vendida, também lhes possibilita o acesso a objetos e às delícias do consumo. Tudo colabora, enfim, para banalizar a imagem da criança e diminuir a aversão à pornografia infantil.

(MARY DEL PRIORE - Histórias íntimas)

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publicado às 17:31

A palavra é recente, mas a questão não tem idade. O neologismo deriva de “pedófilo”, de uso corrente no século XIX. Esse termo, por sua vez, substituiu o antigo “pederasta”, que tomou um sentido especial como “amor de jovens meninos”, mais tarde sinônimo de homossexualismo. A palavra derivou da expressão “pedofilia erótica” proposta por Krafft-Ebing, em 1886, no seu Psicopatia sexualis, para qualificar a atração sexual em relação às pessoas impúberes.
A pedofilia sempre existiu. Na Bíblia, há passagens no Gênese em que se oferecem crianças ou virgens da família aos algozes, para evitar sevícias sexuais aos hóspedes da casa. Na Roma antiga, senhores serviam-se de seus pequenos escravos, sobre os quais tinham poder de vida e morte. Desde as primeiras visitas do Santo Ofício às partes do Brasil, no século XVI, inquisidores assinalavam o estupro de crianças. Meninos e meninas de seis, sete e oito anos eram violentados por adultos sem nenhum drama de consciência. Senhores sodomizavam moleques ou molecas escravas, padres faziam o mesmo aos seus coroinhas, e parentes e crianças da família participavam de uma ciranda maldita na qual um único pecado contava para a Igreja: o do desperdício do sêmen. Afinal, ele deveria ser usado exclusivamente para a procriação. E era apenas esse crime que o inquisidor perseguia. O fato de ser cometido com pequenos passava despercebido. Era coisa secreta e o silêncio protegia os culpados.
Ao final do século XIX, o médico Francisco Ferraz de Macedo, em estudos sobre a prostituição no Rio de Janeiro, denunciava a exploração sexual de crianças “que preferiam indecências”. Descrevendo-as com os narizes escorrendo, maltrapilhas, “olhar espantado e rosto macilento”, diagnosticava sem piedade: “eis um mísero sodomita passivo dos mais desprezíveis”.
No início do século XX, porém, o segredo foi rompido e passou de privado a público. O alarme soou e o Código Penal começou a sancionar as relações entre crianças e adultos. A partir da lei de 25 de setembro de 1915, o artigo 266, que se referia ao crime de corrupção, foi modificado para constituir dois parágrafos distintos.
“§1o Excitar, favorecer ou facilitar a corrupção de pessoa de um ou outro sexo, menor de 21 anos, induzindo-a à prática de atos desonestos viciando a sua inocência ou pervertendo-lhe de qualquer modo o senso moral.
“§2o Corromper pessoa menor de 21 anos de um ou outro sexo, praticando com ela ou contra ela ato de libidinagem.”
Os primeiros escândalos vieram à tona na França. Numa época em que a Igreja e o Estado se degladiavam para saber a quem caberia a educação, pública ou privada, emergiam notícias sobre “a pedofilia de pedagogos”. Nas últimas décadas do século XIX, o combate em favor da escola pública apoiava-se na defesa de professores laicos. Isso porque alguns padres já tinham sido condenados à prisão e degredo por molestar alunos. Em outros casos, além da Igreja, a própria família mergulhava em silêncio conivente.
Para discutir a questão, Crisólito de Gusmão publicou, em 1920, a obra Dos crimes sexuais: estupro, atentado ao pudor, defloramento e corrupção de menores. Por considerar o assunto de “maior atualidade” e assinalar a evolução das leis penais contra os que molestavam menores, o jurista antecipava: “a vítima atual” seria “a corruptora” no futuro próximo. E essa eram os “velhos afetados de isocronia sexual”, a maioria com mais de cinquenta anos: “o extremo da idade das vítimas está em correspondência inversa com a dos agentes, comprovando-se que sobre 4315 vítimas de tais delitos, 1500 são de idade de 3 a 6 anos (!) e 1310 maiores de 6 e menores de 12 anos, e isso porque como já o demonstramos a excitação sexual em certos pervertidos senis somente se pode produzir pela relação inversa da idade, de modo que, como o fizemos sentir, à medida que a idade dos delinquentes se eleva a das suas vítimas se abaixa numa correspondência horrenda e pasmosa, se tem bem nítida impressão da extrema gravidade social de tal delito, no qual o maior coeficiente de criminalidade é dado pelas pessoas de idade já amadurecida e avançada que se deleitam com o despertar de ocultos apetites e, impotentes, se satisfazem na mórbida contemplação do desfolhar da inocência”.
Mas como se desfolharia a tal inocência? Da forma mais crua. Quem a descreve é o médico Hernani Irajá, que denominava a pedofilia de “parestesia sexual ou pederose”.
“Alguns atraem com grande habilidade as pequenas vítimas, mimoseiam-nas com presentinhos, brinquedos, doces; cativam-lhes pacientemente a confiança até chegar o momento propício. Outros utilizam-se de vários planos e usam até as ameaças e a violência. Em geral, tais indivíduos contentam-se com toques imorais, apalpadelas e masturbação mútua; outros vão mais longe, empregando as topoinversões, tais como a sodomia, o cunnilingus, o fellatio, a paedicatio, o coito inter femora, etc. Alguns chegam a violências maiores, praticando o estupro.”
Variados eram os casos contados pelo médico. Atores, inúmeros! Desde o “intelectual, poeta e pervertido sexual”, casado, pai de filhos que atraía meninas de seis a doze anos com quem praticava coito axial e cunnilingus até meretrizes que abusaram de um garoto de oito anos! Irmãos com duas meninas de quatro e seis anos ou “uma moça, filha de distinta família que, secretamente, ensinava posições e movimentos lascivos a crianças, para que representassem imitações de cópula, gozando ela com isto”.
Segundo tais especialistas, as causas da pedofilia decorriam do “esfalfamento sexual” e eram produzidas por embriaguez alcoólica. E seus atos realizados por idiotas e dementes, sobretudo os “dementes senis”. E esclarecia: “A pederose faz parte das cronoinversões, isto é, inversões de tempo ou idade”. Se ela se manifestasse num homem jovem era porque este estaria atacado de decadência senil. “Seria imprudente julgar o culpado de um atentado sobre uma criança apenas pela sua aparência física: ele poderá parecer robusto, mostrar-se bem conformado e, no entanto ser vítima de um começo de impotência sexual”, explicava outro médico, o dr. Bourdon, que acreditava na eficácia dos tratamentos da tiroide para tais “perversos e sádicos”. Ou na eficácia das técnicas de outro doutor, o Freud: “A pederasia pode combinar-se com a inversão. É provável que a sua eclosão possa ser provocada por emoções violentas na infância, e que então a psicanálise a possa curar [...] A causa psíquica que faz agir o autor desses atentados é frequentemente a vergonha de uma impotência viril. A criança ou a menina, ignorante, não se dá conta do estado do parceiro e se submete docilmente a essas fantasias que causarão a ereção”.
No combate à pederasia ou pederose, importantes, segundo os estudiosos, eram os esportes e o regime alimentar correto, “sobretudo a marcha e os passeios ao ar livre”. Mas os exercícios físicos não foram suficientes para diminuir o abuso sexual contra crianças. Mais à frente, a “pederasia” converteu-se em pedofilia, inclusive com o aparecimento na Europa, nos anos 1970, do “militantismo pedófilo”. Os casos multiplicados de abuso sexual exporiam publicamente o que antes era segredo: a destruição da inocência.

(MARY DEL PRIORE - Histórias íntimas)

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publicado às 17:30


SUPER BACANAL INFANTIL

por Thynus, em 23.11.14
Claro que o Papa deu o bilhete azul para o Bispo de Boston. Porque esse cara passou da conta! O que ele fez, afinal? Acobertava os atos libidinosos dos padrecos da sua região. Ou seja jogava um pedófilo pra lá e trazia outro pedófilo pra cá. Assim eles iam revezando as criancinhas, sempre com material novo, muito mais excitante, do que transar com as mesmas menininhas, os mesmos menininhos de sempre, não é?
Quando derramaram o pote do safado, conseguiram apenas, 450 - quatrocentos e cinqüenta – (não são 45) – processos de pedofilia contra os “garanhões” da sua arquidiocese. Sabe lá, ele mesmo, em quantos deve estar metido. Ora, 450 crianças nas mãos desses “garanhões” do sexo, dá para fazer uma monstruosa bacanal. Já imaginaram 450 crianças peladinhas, e os padres passando a vara aqui e ali, alternando meninos com meninas, uns mais gordinhos, outras mais franzinas, uns com 15 anos outros com 8 anos, tudo passado na cara pelos barbados de batina? Ah!... Você não está gostando do jeito que eu estou explicando isso, não é?!... Pois você acha que foi diferente? Talvez assim: -Vem cá filhinho... Jesus vai levar você pro céu se você der uma xxxxxx aqui!... – Ou quem sabe assim: -Abra um pouquinho mais as perninhas queridinha que Deus vai te abençoar ainda mais... – Ou assim: -Aí, menininho! Com força, vai! Jesus vai te abençoar!...
É chocante, não é? Mas o que você acha que seja pedofilia de religioso? É isso!... Misturar a crença das pobres e ingênuas criancinhas, que acreditaram no que os pais ensinaram, que acreditaram no que os padres afirmaram e tome vara! É chocante mesmo! É covarde mesmo! É sujeira mesmo! É nojento mesmo! São 450 casos que vieram à tona e se transformaram em processos. Imaginem o resto!... Imaginem nas outras arquidioceses! Imaginem nas outras cidades! Imaginem nos outros países! Imagine aqui mesmo no Brasil! Pois já não pegaram um padreco, na terceira idade, que morava com 4 meninas aqui mesmo no Rio? Revezava com as quatro!... Pode?!
Eu só queria aproveitar a oportunidade e lembrar a você do seguinte:
Esses mesmo caras, esses mesmos cínicos, esses mesmos pecadores, esses mesmos sujos com cara de inocentes, são os mesmíssimos que estão lá no púlpito bradando: -Só Jesuuusss saaalllvaaaa!... O amorrrr de Deeuuusss é maiorrrr!!!... - E vocês, que nem uns palhaços, acreditando nisso. Pudera, não salvam nem a eles mesmos!... E se gabam que salvaram A e B da sarjeta e da prostituição.
Olhe aqui, seus partidários do Belzebu. Essa raça de safados, foram os mesmos que escreveram a Bíblia com O ÚNICO PROPÓSITO DE FICAREM RICOS! Vê se põe isso na sua cabeça oca e passa a enxergar pelo menos o primeiro palmo adiante do seu nariz.

(Alfredo Bernacchi - ATEU GRAÇAS A DEUS)

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publicado às 15:40


A Sombra Projectada

por Thynus, em 23.11.14
 

 

 
Pense na pessoa que, quanto a si, é prepotente, preguiçosa, desonesta e corrupta. É capaz de dizer “fulano é prepotente, preguiçoso, desonesto e corrupto... Tal como eu!”?
Pense na antipatia à volta dos homossexuais... que parte destas pessoas, que rejeitam de uma forma mais ou menos velada a homossexualidade, é que nunca se sentiu completamente confortável na sua própria sexualidade. Pense na conveniência de conhecer os seus inimigos a todo o momento – se o inimigo está ‘lá fora’, então não está ‘cá dentro’. Logo, não tenho que carregar esse peso na consciência, nenhuma obrigação de me auto-examinar.
A consciência do ego, aquele pedaço de bolacha Maria a flutuar num vasto e profundo oceano, desconhece por completo o que se esconde nas águas profundas sob si. A verdade é que aquilo que está contido no subconsciente são um sem fim de sistemas energéticos, dinâmicos e activos, capazes de invadir e controlar na totalidade a mente consciente.
Será possível que um homem, qualquer homem, mesmo o mais sincero de todos, seja capaz de erradicar toda a sua sexualidade? E se é, qual o preço a pagar? É fácil responder a esta questão: basta olhar para todos os escândalos à volta do clero, desde os filhos bastardos até à pedofilia. E quem são os ‘mais puros’ que exigem este sacrifício do clero? Que Deus é esse que apregoam e que aniquilam em simultâneo ao negar uma parte da natureza humana? Que sombra poderemos encontrar nestes homens?
 Limitar-se a negar algo nunca irá funcionar a seu favor. Os nossos componentes inconscientes englobam um quantum energético que possui o poder para abandonar o oceano profundo e entrar no nosso mundo, completamente livre de qualquer interdição da mente consciente. Se isto não fosse verdade os nossos políticos, propagandistas e agências de publicidade ficariam rapidamente sem emprego. Na verdade as técnicas e ferramentas utilizadas durante a Segunda Guerra Mundial para desinformar, manipular e esconder informação não teriam sido adquiridas pelos acima referidos. O objectivo é sempre o mesmo: apelar ao subconsciente e provocar projecções positivas sobre produtos, de um simples caramelo ao detergente da roupa, do carro de luxo ao político que quer chegar a primeiro-ministro.
Ninguém projecta conscientemente. Isso seria pura e simplesmente uma contradição. Ninguém acorda pela manhã com a intenção de sair à rua e projectar os seus aspectos negados, rejeitados e escondidos. E, contudo, a energia psíquica em cada um de nós, principalmente a que se encontra fora do nosso alcance, no subconsciente, manifesta-se através de uma dinâmica que o próprio ego não consegue compreender, nem conter. É assim que nos apaixonamos, que tememos um estranho na rua, e recriamos as histórias dos nossos relacionamentos uma e outra vez.
A mente é como um computador analógico capaz de funcionar apenas devido à nossa história pessoal. Até certo ponto, a mente procura situações análogas para poder atribuir significado a algo ou alguém. “Quando é que no passado senti o que estou a sentir agora?”, “O que sei eu sobre esta situação’”, “O que posso ir buscar ao passado para melhor processar este evento?”. Apesar de cada momento na nossa vida ser absolutamente único, o nosso sistema psíquico, funcionando a partir de dados da experiência do passado, como a ansiedade, inunda o campo da nova experiência com a informação antiga. E assim projectamos a nossa vida interior, ou aspectos dela, para cima de indivíduos, grupos, nações. É desta mesma maneira que os propagandistas, os publicitários e os políticos procuram invocar em nós respostas positivas ou negativas. Com frequência a capacidade de crítica do ego consciente é suplantada pelos poderes da programação histórica e os novos momentos da nossa vida sofrem em benefício do passado.
Tenho um vizinho que apelida todos os políticos e homens com poder de decisão de “bananas”. Para ele são todos uns “bananas”! Está a ver televisão, surge um politico e a reacção dele, colérica, é sempre a mesma: “Olha para aquele banana!” O curioso deste meu vizinho é que a sua esposa, enquanto foi viva, tratou-o sempre por “banana”. Ele não consegue ver a ironia nem a projecção. Uma vez que a esposa partiu, o “banana” deixou de estar nele e passou a ser projectado em todos os homens com poder de decisão. Este exemplo ilustra o que disse até agora.
Assim, aquilo que não somos capazes, ou não queremos, ver em nós próprios, ou aquilo que perturba a imagem que queremos mostrar ao mundo de nós, é muitas vezes distanciada do ego consciente através de um mecanismo de projecção que desassocia estes aspectos negados. Uma vez que a energia, a maldade, se encontra agora ‘lá fora’, eu não tenho que lidar com ela ‘cá dentro’.
Mais uma vez, nós não projectamos conscientemente, motivo pelo qual as nossas projecções são tão poderosas, tão capazes de reacções desproporcionais ao que está a acontecer. Quem seria capaz de imaginar que aquilo ‘lá fora’ a que eu reajo tem a sua origem ‘cá dentro’? Quem seria capaz de imaginar que a realidade que eu vejo ‘lá fora’ é mais um aspecto de quem eu sou? Não admira que eu tenha a reacção que tenho, e que sinta uma enorme atracção pela situação ou pessoa!
Nós estamos continuamente a correr em direcção à nossa Sombra, e acreditamos ser algo ‘lá fora’ da qual podemos distanciar-nos. Com cada projecção da Sombra, a nossa alienação potencial daquilo a que se chama realidade aumenta. Quanto mais despejamos os nossos detritos sobre os outros, mais iremos ganhar uma visão distorcida da realidade. Muito raramente conseguimos ver o mundo, e os outros, tal como são de verdade. Guerras foram feitas, romances conquistados, relacionamentos iniciados e terminados sobre as projecções da Sombra. No final perguntamo-nos para quê tanto esforço...
Quantas pessoas projectaram na Princesa Diana as suas vidas por viver? Os seus sonhos, os seus sorrisos, a sua bondade? Tudo projecções da Sombra. E depois, na sua morte prematura, choraram as suas próprias vidas por viver. Quanta da vida sofrida desta mulher não foi apenas um carregar aos ombros as Sombras de milhares, senão milhões, de pessoas? De que se alimenta a bisbilhotice e a inveja se não da fuga de nós próprios?
Aquilo que não conhecemos, ou temos receio de conhecer, magoa-nos de verdade. E muitas vezes magoa ainda os que nos rodeiam. Muito frequentemente aquele que recebe a projecção da Sombra dos outros – seja ele um bruxo, pedófilo, toxicodependente, ladrão, judeu, chinês, homossexual, ou qualquer outro mártir do nosso inconsciente – irá ser acusado, humilhado, marginalizado, morto, ou ignorado. Mas estes são apenas os corajosos que carregam a nossa vida secreta, a nossa Sombra, e por este motivo iremos odiá-los, humilhá-los e destrui-los, porque cometeram o pior dos crimes: mostraram-nos o que se esconde dentro de nós.
Infelizmente, quanto mais fraco for o estado do ego mais intolerável se torna, e maior o potencial para julgar os demais de maneira categórica. O mesmo é dizer: maior o preconceito e a intolerância.

(Emídio Carvalho - A Sombra Humana)

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publicado às 15:27


O MISTERIO DO 3.º OLHO

por Thynus, em 22.11.14
 O desenvolvimento interior, a elevação espiritual do
homem, a este nível, corresponderá ao que os hindus
chamavam o despertar da Kundalini, a "serpente ígnea".
Kundalini representa a mais elevada classe de energia
disponível aos seres humanos, que fica enroscada no chakra
basal ou da raiz. Para que se atinja o mais elevado potencial
espiritual, essa mesma energia deverá ser liberada para
elevar-se até o chakra coronário, onde proporcionará ao
indivíduo um estado de iluminação antes insuspeitado.
Enquanto permanece atada ao chakra inferior, essa
energia é chamada "o dragão vermelho", que os mitos gostam
de representar como um réptil que guarda um local sagrado. 
Nesta situação, ela estimula os órgãos reprodutores e
proporciona a atividade sexual normal. Uma vez libertada,
torna-se a Serpente Ascendente, a Serpente da Sabedoria, e
flui para cima até atingir o chakra superior, e abrir o chamado
Terceiro Olho, que proporciona uma visão que transcende à
dos homens comuns. O fato de essa energia transcendental
advir da primitiva energia sexual é que deu origem à
superstição de que o sexo é pecaminoso, tal como apregoa a
religião cristã. A abstinência sexual dos iluminados não é
professada por questões da moral profana, e sim como um
recurso de canalizar energia para se obter um estado superior
de consciência, que não é atingido sem se pagar um certo
preço. A castidade imposta "de fora para dentro" através de
regras morais obtusas, tal como a que se impõe aos padres
católicos, não possui a menor utilidade prática nem tem o
menor valor espiritual. Como já disse o próprio Paulo de
Tarso, "é melhor casar-se do que viver abrasado".
(ANTONIO FARJANI - A Linguagem dos Deuses)

— Meu senhor, o circumponto tem inúmeros significados. No Antigo Egito, era o símbolo de Rá, o deus-sol, e a astronomia moderna ainda o utiliza da mesma forma. Na filosofia oriental, ele representa o insight espiritual do terceiro olho, a rosa divina e a iluminação. Os cabalistas costumam usá-lo para simbolizar o Kether, o mais elevado dos Sephiroth e a “mais escondida de todas as coisas escondidas”. Os primeiros místicos chamavam-no de Olho de Deus, e ele é a origem do olho que tudo vê do Grande Selo. Os pitagóricos usavam o circumponto como símbolo da Mônada, a Divina Verdade, a Prisca Sapientia, a união da mente e da alma e o... 
(Dan Brown - O Símbolo Perdido)
 
As representações do Buda
variam, entre a imagem sentada, provavelmente a mais famosa

de todas, ou mesmo deitada e de pé, com uma expressão serena
no olhar. Curioso é ainda referir que três elementos simbólicos
da figura budista são a protuberância na cabeça (capacidade
mental), lóbulos auriculares desenvoltos (capacidade de
percepção) e o mítico terceiro olho (“aquele que tudo vê”,
representando a capacidade mítica de vislumbrar mais além do
que o comum mortal).

PEDRO SILVA - As maiores personalidades da História)
 

Ela fica bem no centro do cérebro e não é um olho, mas uma glândula, chamada de pineal. Segundo cientistas, é um potente centro receptor de informações, relacionado a intuição, espiritualidade e percepção de acontecimentos sutis. Conheça esse radar que funciona dentro de você. O terceiro olho, como um radar, capta informações que dependem de outras regiões cerebrais para serem compreendidas. Essa área, segundo os cientistas, está associada à intuição, à clarividência e à mediunidade.

Tão pequena quanto uma ervilha e na forma de pinha – daí o seu nome –, a glândula pineal é considerada como um terceiro olho, pois tem a mesma estrutura básica de nossos órgãos visuais. Acreditava-se, até há pouco tempo, que era um órgão atrofiado, um olho não desenvolvido, de funções indefinidas. Mesmo assim, despertou o interesse dos cientistas, que descobriram funções relacionadas à física e aos fenômenos paranormais.

Antena Parabólica
Constataram que, como uma antena, a pineal, também chamada de epífise, é capaz de captar radiações eletromagnéticas da lua – que regula ciclos menstruais, por exemplo –, as radiações eletromagnéticas vindas do sol e ainda despertar a produção de certas substâncias neurotransmissoras, que estimulam a atividade física e mental. Também é a glândula pineal que ativa a produção de hormônios sexuais no início da puberdade, iniciando-se assim o ciclo da reprodução humana. Nos animais (sim, ela também está presente neles), capta os campos eletromagnéticos da Terra, orientando as migrações das andorinhas ou das tartarugas, por exemplo. E há ainda funções muito intrigantes relacionadas a esse ponto no centro do cérebro. “A pineal é capaz de captar campos eletromagnéticos não apenas desta dimensão, onde vivemos, que é a terceira, mas também de outras dimensões do Universo, acessando campos espirituais e sutis”, conta Sérgio Felipe de Oliveira, psiquiatra, mestre em ciências pela Universidade de São Paulo e diretor-clínico do Instituto Pineal-Mind, de São Paulo. Segundo a Teoria das Supercordas, da física quântica, existem ao menos 11 dimensões diferentes no Universo e é possível a comunicação entre elas. Em outras palavras: a pineal é capaz de detectar dimensões invisíveis aos olhos comuns, e esse pequeno radar está relacionado a fenômenos como clarividência (vidência de acontecimentos ainda não ocorridos), telepatia (comunicação por meio do pensamento) e capacidade de entrar em contato com outras dimensões (mediunidade).

Feito de cristal
Após analisar a composição da glândula pineal, o cientista Sérgio Felipe de Oliveira detectou na sua estrutura cristais de apatita, mineral também encontrado na natureza sob a forma de pedras laminadas. Segundo suas pesquisas, esse cristal capta campos eletromagnéticos. “E o plano espiritual age por meio desses campos. A interferência divina sempre acontece obedecendo as leis da própria natureza”, esclarece Sérgio Felipe, que é diretor-presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo (Amesp). “Os médiuns, pessoas capazes de entrar em contato com outras dimensões espirituais, apresentam maior quantidade de cristais de apatita na pineal. Os iogues e místicos, que experimentam estados de meditação e êxtase profundos, têm menor quantidade”, atesta Sérgio Felipe. E ninguém pode aumentar ou diminuir essa concentração de cristais, garante o psiquiatra – ela é uma característica biológica, assim como a cor dos olhos e cabelos. Sérgio explica que a glândula é um receptor poderoso, mas quem decodifica as informações recebidas são outras áreas do cérebro, como o córtex frontal cerebral. “Sem essa interação, as informações recebidas não são compreendidas. É por isso que os animais não podem decodificá-las: as outras partes do cérebro deles não têm esse atributo”, conclui.
Onde mora a alma
No Ocidente, a importante função dessa glândula foi descrita no livro A Terceira Visão (ed. Nova Era), escrito por um inglês que adotou o pseudônimo de Lobsang Rampa. O filósofo e matemático francês René Descartes (1596-1650) também se curvou ao fascínio da pineal. Na sua famosa Carte a Mersenne, escrita em 1640, ele afirmava que existe no cérebro uma glândula que é o local onde a alma se fixa mais intensamente. As religiões também consideram o terceiro olho como um centro de percepção espiritual.

Para os espíritas – A doutora Marlene Nobre, médica e diretora do jornal Folha Espírita, conta que as funções espirituais e psíquico-espirituais da pequena glândula eram consideradas pelo fundador do espiritismo, Allan Kardec (1804-1869), no século 19, e foram descritas no livro Missionários da Luz (ed. FEB), psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e publicado pela primeira vez em 1958. “Segundo o livro, a melatonina, o hormônio segregado pela pineal, gera os impulsos para as experiências que promovem seu desenvolvimento espiritual”, finaliza a médica.

Para os hindus – Na antiga tradição da Índia, dois chacras, ou centros de energia, são responsáveis pelo desenvolvimento da espiritualidade: o chacra do terceiro olho, que fica na testa, um pouco acima da linha das sobrancelhas, e o chacra coronário, no topo da cabeça. Esses dois centros, que captam e transmitem energia vital, dizem os indianos, revelam informações espirituais que influem em nossas ações e escolhas. “O chacra do terceiro olho é responsável pela clarividência e pela criatividade. O centro coronário nos reabastece de energia cósmica e nos dá força espiritual”, explica a professora de ioga Alda Biggi, do Centro Vishnu de Hatha Yoga, em São Paulo. As cores relacionadas ao chacra que fica no alto da cabeça são o branco, o violeta e o dourado. “Está ligado ao canal central de energia que passa pela coluna vertebral”, diz a professora. Ele rege a glândula pineal, que, para os hindus, é o principal órgão do corpo. “É a representação do céu dentro do homem e está associada às qualidades mais puras e elevadas que temos dentro de nós”, conta Alda. Já o chacra do terceiro olho está ligado à tonalidade azul-índigo e à glândula pituitária, que também fica no cérebro. “Ele influencia todas as formas de expressão, capacidade artística e intelectual”, complementa.

Para os cristãos – “Ela representa o Filho de Deus em nós, nossa consciência espiritual e amorosa, alimentada pela vontade divina que nos chega dos céus e o amor que vem do nosso coração”, diz Amarilis de Oliveira, doutora em psicologia e diretora do Instituto Cisne de Pesquisas, em São Paulo, dedicado a estudos na área da inteligência espiritual. “Ela é a única glândula do corpo diretamente ligada à Consciência Superior”, conclui.


(Um jeito místico de ser

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publicado às 18:53


A COLÓNIA DO DIABO

por Thynus, em 21.11.14
Em 2100, nosso destino é se tornar como os deuses que outrora adorávamos e temíamos. Mas nossas ferramentas não serão varinhas mágicas e poções, mas a ciência dos computadores, a nanotecnologia, a inteligência artificial, biotecnologia e, acima de tudo, a teoria quântica, que é a base das tecnologias anteriores.
Em 2100, como os deuses da mitologia, seremos capazes de manipular objetos com o poder 
de nossas mentes. Computadores farão a leitura em silêncio de nossos pensamentos, 
serão capazes de realizar nossos desejos. Seremos capazes de mover objetos apenas com o 
pensamento, um poder tele cinético normalmente reservado apenas para os deuses. com o poderda biotecnologia , vamos criar corpos perfeitos e estender nossa breve vida. Nós também seremos capazes de criar formas de vida que nunca andaram na superfície da terra. Com o poder da nanotecnologia, seremos capazes de ter um objeto e transformá-lo em outra coisa, para criar algo aparentemente quase do nada. (...) Com os nossos motores, seremos capazes de aproveitar a energia ilimitada das estrelas.
MICHIO KAKU - Física do Futuro
 
“A ciência é a minha paixão; a política, o
meu dever.”

THOMAS JEFFERSON
 
Todos os miúdos da escola conhecem o nome de Thomas Jefferson, o arquiteto e autor da Declaração de Independência, o homem que ajudou a fundar uma nação a partir de um punhado de colônias dispersas no Novo Mundo. Muitos livros se escreveram sobre ele nos últimos dois séculos, mas de todos os Pais Fundadores da América, Jefferson permanece até hoje envolto em mistério e contradições.
Por exemplo, só em 2007 é que uma carta em código, perdida no meio dos seus papéis, foi finalmente decifrada. Fora-lhe enviada em 1801 por um colega da Sociedade Filosófica Americana — organização da época colonial que promovia debates científicos e eruditos. Este grupo estava particularmente interessado em dois tópicos: criar códigos indecifráveis e investigar mistérios à volta das tribos nativas que habitavam o Novo Mundo.
A cultura e a história dos índios americanos fascinavam Jefferson de modo obsessivo. Juntou em sua casa, em Monticello, uma coleção de artefatos tribais que, segundo se dizia, rivalizava com as que se encontravam nos museus (coleção que desapareceu misteriosamente após o seu falecimento). Muitas dessas relíquias índias foram-lhe enviadas por Lewis e Clark no decorrer da sua famosa expedição na América, mas o que muitos ignoram é que, em 1803, Jefferson transmitiu uma mensagem secreta ao Congresso sobre esses dois exploradores, em que revelava a verdadeira finalidade da jornada pelo Oeste.
O leitor ficará a par desse objetivo nestas páginas, pois há uma história secreta acerca da fundação da América que só uns quantos conhecem. Não tem que ver com pedreiros livres, templários ou teorias loucas. Na realidade, um dos indícios pende descaradamente na rotunda do Capitólio norte-americano. No interior desse nobre salão está pendurado o famoso quadro A Declaração de Independência, de John Turnbull. Obra supervisionada por Jefferson, mostra todos os que assinaram o célebre documento — mas pouca gente se apercebe de que Turnbull pintou cinco indivíduos a mais, homens que não assinaram a Declaração de Independência. Porquê? E quem eram?
Para obter uma resposta, continue a ler.
 
Neste novo milênio, o próximo grande passo na investigação científica e na indústria pode resumir-se numa palavra: nanotecnologia. significa, numa palavra, produção a nível atômico, a um milésimo de milionésimo de um metro. Para imaginar algo tão minúsculo, olhe para o ponto no fim desta frase. Os cientistas da Nanotech.org conseguiram fabricar tubos de ensaio tão pequenos que trezentos mil milhões caberiam nesse ponto.
E a indústria nanotecnológica está em expansão. Calcula-se que só este ano sejam vendidos produtos nanotecnológicos no valor de setenta mil milhões de dólares nos EUA. Tais produtos encontram-se em tudo: pasta dentífrica, óleo de proteção solar, creme para bolos, argolas de dentição, peúgas para correr, cosméticos, remédios e até pranchas de competição na neve. Atualmente, cerca de dez mil produtos contêm nanopartículas.
Qual é a desvantagem do desenvolvimento desta indústria? Estas partículas podem provocar doenças e até a morte. Cientistas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), descobriram que as nanopartículas de dióxido de titânio (encontradas no óleo de proteção solar para crianças e em muitos outros produtos) podem ser geneticamente perigosos para os animais. Os nanotubos de carbono (existentes em milhares de objetos usados diariamente, como os capacetes de proteção infantis) acumulam-se nos pulmões e no cérebro dos ratos.
Coisas esquisitas e inesperadas acontecem também a este nível. O papel de alumínio, por exemplo. É inofensivo e prático para guardar restos de comida, mas reduzido a nanopartículas torna-se explosivo.
Trata-se de uma nova fronteira desconhecida. Hoje, não é exigido rotular os efeitos das nanopartículas nem existem estudos quanto às medidas de segurança a tomar com os produtos que as contêm. Há um aspeto ainda mais sombrio em relação a esta indústria. A história desta tecnologia vai mais longe do que o século XX — muito mais. Para descobrir onde tudo começou e as origens desta “nova” ciência…
… Prossiga a leitura.
 
 
Ao fundo das Montanhas Rochosas, a terrível descoberta de centenas de corpos mumificados  desperta atenção internacional e provoca acesa controvérsia. Apesar das dúvidas quanto à origem desses corpos, a comissão local da Herança Nativa Americana reivindica os restos mortais pré-históricos, assim como os estranhos artefatos encontrados na mesma gruta: placas de ouro gravadas em escrita desconhecida. No decorrer de uma manifestação no local da escavação, uma antropóloga tem morte horrível e é reduzida a cinzas numa violenta explosão à vista das câmeras de televisão.
Todas as provas apontam para um grupo radical de nativos americanos, do qual faz parte jovem militante que consegue escapar com algumas dessas valiosas placas. Perseguida, pede ajuda a seu tio, Painter Crowe, diretor da Força Sigma. Para ajudar a sobrinha e descobrir a verdade, Painter dá início a uma guerra entre as mais poderosas agências de espionagem do país. Surge contudo uma ameaça ainda maior quando uma assustadora reação em cadeia nas Montanhas Rochosas provoca uma catástrofe geológica que põe em perigo a metade oeste dos EUA. Painter Crowe une forças com o comandante Gray Pierce para desvendar os segredos de uma sombria cabala que manipula a história americana desde a fundação das treze colônias. Mas conseguirá Painter descobrir a verdade — e causar a queda de governos — antes que tudo o que lhe é caro seja destruído?
 
(James Rollins - A Colónia do Diabo)

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publicado às 14:45

Somos mundialmente hostilizados por
uma monolítica e brutal conspiração que
conta, sobretudo, com meios indiretos para
expandir sua esfera de influência... construindo
uma elaborada máquina altamente
eficaz que combina operações militares, diplomáticas,
econômicas, científicas, políticas

e de espionagem.
JOHN F. KENNEDY
 
Deus não teria certamente criado um ser
como o homem, capaz de entender o infinito
para existir apenas durante um dia! Não,
não, o homem foi feito para ser imortal.

ABRAHAM LINCOLN
 
 
As teorias de conspiração abundam em toda a história. Fazem parte da natureza humana. Andamos sempre à procura de padrões no meio do caos, indícios de quem manipula o grande esquema da vida, governos e o rumo da humanidade. 
Alguns desses sombrios conspiradores desempenham o papel de maus; outros, o de benfeitores. Certas cabalas secretas baseiam-se em fatos históricos; outras, em mera ficção; e algumas são o nó górdio de ambas, entrelaçado de forma tão inexplicável que a linha entre a realidade e a ficção se torna uma emaranhada tapeçaria de história falsificada.
E em nenhuma outra organização na história isto é mais verdadeiro do que no caso dos cavaleiros Templários.
Em princípios do século XII, esta ordem começou como um grupo de nove cavaleiros que juraram proteger a viagem dos peregrinos à Terra Santa. Uma poderosa e próspera ordem acabaria por nascer deste humilde início e, temida por papas e reis, propagar-se pela Europa. Em 13 de outubro de 1307, o rei de França e o papa decidiram pôr fim aos Templários, declarando que os cavaleiros tinham cometido grandes atrocidades e heresias. Após essa purga, lendas e mitos toldaram o verdadeiro destino da ordem: histórias de tesouros escondidos e da fuga de cavaleiros para o Novo Mundo; alguns relatos chegam a pretender que a ordem ainda existe em segredo e que protege um poder capaz de refazer o mundo.
Mas ponham-se de parte tais especulações e mitos para voltar a esses primeiros nove cavaleiros. O que muitos desconhecem é que esses nove membros fundadores eram parentes consanguíneos ou por casamento, provenientes da mesma família. Os nomes de oito desses cavaleiros encontram-se registados em documentos históricos. Mas o do nono continua a ser um enigma, o que dá azo a muita especulação por parte dos historiadores. Quem era esse misterioso membro fundador de uma ordem que alcançaria tal proeminência histórica e lendária? Porque nunca foi nomeado como os outros?
A resposta a esse mistério é o começo de uma empolgante aventura.
 
Em 21 de fevereiro de 2011, lia-se na capa da revista Time: 2045, o ano em que o homem se torna imortal. Aparentemente, pode parecer uma declaração extravagante, mas outros cientistas fizeram reivindicações semelhantes. No seu livro Advances in Anti-Age Medicine, o doutor Ronald Klatz escreveu o seguinte: “Dentro de mais ou menos cinquenta anos, supondo que um indivíduo possa evitar ser vítima de um acidente grave ou de homicídio, será totalmente possível viver virtualmente para sempre.”
Estamos a viver um período excitante em que o progresso em medicina, genética e uma miríade de outras disciplinas estão a abrir a mais recente fronteira para a humanidade: eternidade.
Como se manifestará, que forma tomará? A resposta será revelada nestas páginas. Os conceitos que surgem neste romance baseiam-se em fatos e pesquisa exaustiva provenientes de estudos feitos por cientistas soviéticos durante a Guerra Fria. Mas antes de passar à primeira página, devo fazer uma correção quanto às declarações feitas acima. Para dizer a verdade, são demasiado prudentes quanto às suas estimativas.
A eternidade não está apenas ao nosso alcance — já se encontra entre nós.
 
Galileia, 1025. Um cavaleiro templário infiltra-se numa cidadela antiga e descobre um tesouro sagrado há muito escondido no labirinto do forte: o Bachal Isu, ícone de valor incalculável que contém poder misterioso e aterrador que promete mudar a humanidade para sempre. Um milênio mais tarde, piratas somalis atacam um iate no Chifre da África e sequestram uma jovem americana grávida. O comandante Gray Pierce é designado para a missão de salvamento na selva africana. A mulher em questão não é uma turista abastada: é Amanda Gant-Bennett, filha do presidente americano. Com a suspeita de que o sequestro seja máscara para uma intriga bem mais nefasta, Gray vê-se obrigado a confrontar uma sinistra cabala que tem manipulado os acontecimentos ao  longo da história… e agora desafia o atual presidente. Para esta missão única, a SIGMA é auxiliada por agentes especiais com talentos peculiares: o capitão Tucker Wayne, antigo Ranger do Exército, e seu cão de guerra, Kane. Mas o que deveria ser um simples resgate transforma-se em feroz emboscada, quando Gray e a sua equipe descobrem que a refém não passa de um peão num devastador ato de terrorismo com repercussões terríveis. E é apenas o início do perigo… Em outro ponto do globo, a explosão de uma bomba em clínica de fertilização na Carolina do Sul expõe uma conspiração secular… com nosso código genético. Contra o tempo, a força SIGMA corre para salvar um bebê cuja própria existência levanta questões sobre a natureza humana: é possível viver para sempre? E, se for, você viveria?
 
(James Rollins - Linhagem Sangrenta)
 
“Se não definirmos a eternidade como infinita duração temporal, mas intemporalidade, então a vida eterna pertence àqueles que vivem no presente.”
 

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publicado às 13:55



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