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O público na privada

por Thynus, em 27.11.14
 
O papel do Estado
As coisas quase sempre andam pior numa instituição pública do que numa privada basicamente por quatro motivos: pouca competição, garantia de perpetuação, pouco foco no resultado e baixo nível de controle dos processos. Esses motivos serão analisados a seguir:

COMPETIÇÃO: A competição é o principal fator de evolução das empresas. Em uma sociedade livre, as companhias lutam entre si para conquistar e manter seus clientes. Isso só pode ser feito por meio de investimentos em melhor qualidade dos processos, dos produtos, das pessoas, o que leva à redução de custos e possibilita à empresa oferecer produtos com menores preços tornando-a mais competitiva. Nessa corrida, a sociedade ganha como um todo, já que a economia agita-se gerando resultados efetivos, como laboratórios criando mais remédios, empresas de construção civil erguendo cada vez mais edifícios de modo cada vez mais eficiente e barato. Tudo para ganhar mais mercado, pois se uma empresa ficar parada, será engolida por suas concorrentes. Nessa luta, só há uma vencedora: a sociedade, que recebe os frutos de toda essa evolução. Para se atingir esse círculo virtuoso só é necessário que existam regras claras e liberdade para competir.
No caso das atividades públicas, muitas vezes existe um monopólio controlando o setor, ou seja, não há competidores. Prestando bom ou mau serviço, a população é obrigada a usar os serviços públicos, por falta de opções. Se você precisa, por exemplo, tirar um passaporte, é obrigado a usar a mesma repartição pública, quer lhe atenda em cinco minutos ou em cinco horas. Não é possível escolher uma outra opção, como uma empresa privada, para obter esse documento.
Se tal escolha fosse possível, uma empresa privada rapidamente perderia os clientes se os fizessem esperar cinco horas por um documento. Certamente essa empresa iria à falência, na medida em que seus clientes (os cidadãos) teriam outras opções e, com certeza, passariam a escolher companhias mais ágeis.

GARANTIA DE SOBREVIVÊNCIA: Empresas públicas não vão à falência. Mesmo que os serviços sejam péssimos, mesmo que haja competição com empresas da iniciativa privada (como o setor petroquímico — petróleo) e as estatais sofram prejuízos atrás de prejuízos, ainda assim a empresa pública pode contar com o socorro do Estado para tapar os rombos e manter a atividade. Efeito disso é a redução cada vez maior da presença do espírito de melhoria e do senso de urgência de mudança. A sensação de imortalidade reforça a baixa qualidade e a ineficiência dos órgãos públicos. Essa sensação estende-se aos funcionários públicos que lá trabalham, uma vez que a Constituição os protege contra a demissão. Enquanto nos Estados Unidos ou na Inglaterra, por exemplo, os servidores públicos podem ser demitidos a qualquer momento caso apresentem baixo desempenho, no Brasil eles não têm esse risco.

MERITOCRACIA: Em qualquer empresa existem bons e maus funcionários. Nas empresas privadas tudo ocorre de forma bastante simples. Geralmente os bons, que se dedicam mais e trabalham melhor, são promovidos quando surgem as oportunidades. Isso funciona como estímulo para todos, eles sabem que se forem dedicados, chegarem no horário, realizarem seu trabalho direito, terão mais chances de serem reconhecidos por seu mérito e, assim, serem promovidos.
Já nos órgãos públicos, a situação é diferente. Uma infinidade de regras rígidas define as promoções, baseando-se em fatores como tempo de serviço e realização de cursos. Pouco valor se dá à competência e à dedicação, uma vez que esses são fatores subjetivos e que, portanto, não podem ser levados em conta dentro das regras de impessoalidade dos órgãos públicos.
Além disso, não há um dono, em muitos casos o presidente da empresa está lá não porque galgou ao cargo, mas porque foi nomeado, porque é próximo ao político que está no poder. O mesmo ocorre com os cargos de confiança à sua volta. Ele próprio nomeia amigos, parentes, pessoas para as quais deve favores, ou das quais já projeta receber favores no futuro. O Brasil possui atualmente 25 mil “cargos de confiança”, ou seja, posições de trabalho preenchidas por mera indicação política. Na Inglaterra existem apenas cem. Se essas pessoas forem incompetentes, não tem problema, a população cobrirá sua ineficiência, pois continuará usando os serviços prestados por não dispor de alternativas.
Num ambiente onde o corporativismo vale mais que o mérito, em que o parentesco vale mais que a competência e onde as regras rígidas de promoção valem mais do que a capacidade, qual o estímulo existente para todos os outros funcionários? Para que irão dedicar-se, se isso não fará muita diferença em seus salários e seus cargos no futuro? Pior: quanto melhor desempenharem suas funções, mais os políticos incompetentes que foram nomeados se beneficiarão do seu trabalho, justificando que permaneçam por mais tempo no topo das empresas. Assim, é muito mais difícil que um funcionário público produza para a sociedade o mesmo que um trabalhador da iniciativa privada.

CORRUPÇÃO: Além da falta de competição, da despreocupação em introduzir inovações para sobreviver e da cultura de valorização dos colaboradores pelo apadrinhamento e não pela competência dos órgãos públicos, há ainda outro agravante que os tornam um perigo para a sociedade:o enorme potencial para roubo e desonestidade. Nas empresas privadas, existem duas partes que podem roubar: o dono ou os funcionários. Imaginar o dono roubando, com raras exceções, não faz sentido, pois ele estaria tirando algo que já lhe pertence. Além disso, ele dedica boa parte de sua energia para que os funcionários não roubem sua empresa. Mesmo no caso de grandes corporações, os acionistas costumam ter um conselho vigilante para impedir fraudes e desvios por parte dos executivos. Claro que existem casos, como Enron e WorldCom, empresas americanas que foram à falência por causa de desvios. Mas esses exemplos tornaram-se notórios justamente por serem exceções, na medida em que o sistema costuma manter um rígido controle sobre as corporações.
Nos órgãos públicos a situação é bem pior. Caso o presidente seja desonesto, ele pode desviar recursos da empresa para seu patrimônio pessoal e, não sendo pego, terá ganhos nada modestos com isso. Mesmo sendo honesto, ainda restam todos os outros funcionários, dentre os quais encontra-se uma parcela disposta a roubar. O presidente tem muito menor estímulo para vigiá-los, pois caso desviem recursos da empresa, esses prejuízos não serão seus e sim da sociedade como um todo. Isso faz com que, de modo geral, as empresas públicas sejam muito mais corruptas do que as privadas.

(ALEXANDRE OSTROWIECKI, RENATO FEDER - CARREGANDO O ELEFANTE)
 

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publicado às 13:07


SEM DISCRIMINAÇÃO NÃO HÁ VIDA

por Thynus, em 26.11.14
‘Discriminação’ e ‘preconceito’ estão entre as palavras mais estigmatizadas atualmente. Numa sociedade em que as pessoas são prejudicadas pela cor da pele, sexo, sexualidade e deficiências físicas, é normal que o início da luta pela igualdade desperte sensibilidades exageradas. Por isso, todo cuidado é pouco para não sairmos afobados caçando bruxas por aí. Sem discriminação e preconceito não haveria vida possível. Sem discriminação e preconceito nós nem levantaríamos da cama pela manhã. ‘Preconceito’ quer dizer ‘pré-conceito’. Todos os conceitos que formamos anteriormente na vida e que nos auxiliam a tomar decisões no presente são formas de preconceito. São conceitos préformados. Em suma, toda forma de aprendizado se dá pela aquisição de preconceitos. Abandonar nossos preconceitos significaria deixar de lado tudo o que aprendemos e começar do zero. Trata-se de uma idéia bela e romântica, mas impossível de se colocar em prática. São os preconceitos que fundam nossas decisões, e toda tomada de decisão é uma discriminação. Sem a discriminação de opções não é possível fazer escolhas.
Discriminações e preconceitos fazem parte essencial de nosso convívio social. Por exemplo, se não houvéssemos formado uma série de pré-conceitos sobre as crianças e não soubéssemos usá-los para discriminá-las adequadamente dos adultos, não poderíamos protegê-las daquilo que é inapropriado para a sua idade. Quando os preconceitos fornecem um fundamento adequado para as discriminações, agimos com sabedoria. Problemas começam a surgir quando discriminações são feitas por preconceitos inconsistentes. Entretanto, se por um lado a maioria das discriminações por cor da pele, sexo, sexualidade e deficiências físicas são fundadas em preconceitos sem consistência, por outro há algumas que são justificadas. Numa seleção de emprego, preterir uma pessoa negra para uma função que pode ser executada independentemente da cor da pele é uma discriminação injustificada. Por sua vez, se estiverem selecionando um ator para viver o Superman nos cinemas, provavelmente nenhum ator negro será escolhido, pois o Superman dos quadrinhos é branco. Pouco interessa a competência dos atores negros que querem atuar no papel. A menos que o diretor pretenda fazer uma versão alternativa do Superman, atores negros não serão escolhidos, pois ele levará para as telas a adaptação mais fidedigna possível dos quadrinhos. Semelhantemente, atores brancos de olhos azuis dificilmente seriam escolhidos para interpretar o Pelé, a menos que se tratasse de uma versão cinematográfica bastante alternativa.
Essas são discriminações de cor da pele bastante justificáveis. O preconceito que as fundamenta é consistente, e se já vivêssemos numa sociedade madura, não haveria razão para ressentimentos. Mas, as reações a essas discriminações mostram que ainda não atingimos essa maturidade. A sensibilidade exagerada frente às discriminações por cor da pele, sexo, sexualidade e deficiências físicas, além de atacar todas as que são injustas e devem ser abolidas, também ataca as que têm uma justificativa plausível. No exemplo que estamos trabalhando, caso atores negros fossem preteridos para interpretar o Superman, é possível que os próprios atores ou representantes de entidades em defesa dos negros protestassem argumentando que os negros são tão bons atores quanto os brancos e acusando a sociedade de racismo e intolerância. É verdade que não há qualquer impedimento, relacionado à cor da pele, para que um ator seja tão bom quanto outro; é também verdade que vivemos numa sociedade racista e intolerante. Mas, quando essas verdades são usadas para atacar uma discriminação justificada, elas se tornam  mal-empregadas, passam a denotar uma sensibilidade demasiadamente histérica, e acabam marcando um gol contra na luta contra as discriminações que realmente devem ser combatidas. Pois, a opinião pública toma antipatia das causas justas quando elas se transformam numa caça às bruxas, e acaba aprendendo a reagir com má vontade nos casos em que ela permanece justa. É preciso muito cuidado com os excessos. Como diz o poeta, um pouco de prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém.

(Daniel Grandinetti - Psicologia no Cotidiano)

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publicado às 23:47

* Se você acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho infinito;
* Se você acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda finita;
* Se você não acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho finito;
* Se você não acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda infinita.
(Aposta de Pascal)
 
 
Em termos espirituais, progredir significa chegar a um acordo com Deus; você se sente merecedor e sabe que os benefícios de uma divindade amorosa seriam algo bom em sua vida. É o oposto da famosa aposta de Pascal, que diz que você deve apostar que Deus existe, pois, se não acreditar nele, mas ele for real, poderá acabar no Inferno. O problema é que a aposta de Pascal é baseada no medo e na dúvida. Nenhum deles é um bom incentivo para o crescimento espiritual. Em vez disso, pense em como será positivo saber se Deus é real, não no quanto será ruim escolher a opção errada numa aposta.

Concentre sua mente em achar que Deus é uma experiência válida, não um teste de fé. Ao sentir dúvidas e pressentimentos – o que todos sentimos quando se trata de Deus –, não os subestime. Considere a possibilidade de que tudo o que é dito contra Deus pode não ser bem assim. Apesar de toda a angústia que a vida humana herdou, incluindo as piores que são levantadas contra um Deus amoroso (genocídios, guerras, armas atômicas, déspotas, crimes, doenças e morte), o assunto de forma alguma está definido. Ainda é possível a existência de um Deus afetuoso, que permite que o homem cometa erros e aprenda em seu próprio ritmo. Mas não tire conclusões precipitadas. Adote a postura de que pode solucionar os problemas de violência, culpa, vergonha, ansiedade e preconceito – as raízes dos problemas globais – em sua própria vida. Empreender o crescimento pessoal é bem melhor que lamentar a condição perene do sofrimento humano.

(DEEPAK CHOPRA, RUDOLPH E. TANZI - Super Cérebro)

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publicado às 20:50


MEDO

por Thynus, em 26.11.14
O medo é uma emoção. Apesar da sua invisibilidade, são elas, as emoções, que governam o mundo, ao lado da fome. Partindo das emoções criamos nossas fantasias e as lançamos ao mundo na forma de comportamentos, conceitos e criações. Baseados nelas criamos outro mundo para nós que, dispensando muitas vezes a realidade biológica, pretende impor-se sobre tudo e todos, parecendo desconhecer limites e, às vezes desprezar o princípio de realidade.
Realmente adoramos pensar em nós mesmos como super alguma coisa, cai bem para a nossa vaidade acreditarmos que somos poderosos e que seremos ainda mais se nos comportarmos desta ou daquela forma.
Há cada vez mais técnicas para desenvolver super habilidades e muitas publicações e linhas de pensamento atuando em sinergismo com essa valorização de nossos poderes. É perfeitamente compreensível que alguém que se sente no fundo frágil e teme o amanhã como tememos, busque meios de superar-se e de negar as condições desfavoráveis da existência. Mais tentador fica se pudermos conseguir isso de uma forma fácil, que não exija muito tempo nem esforço de auto conhecimento e aperfeiçoamento. É bastante útil para lidar com o medo.
Isso serve muito a um tipo de desenvolvimento egoísta que me diz que eu preciso dedicar-me ao desenvolvimento de meus super poderes e então serei um vencedor e quem não chega a isso, o faz por incapacidade e merece realmente ser relegado a um segundo plano.
A cultura atual é marcada pelo egocentrismo, baseado no que, podemos dizer que tem traços claramente infantis. Um desses traços é a prevalência da insegurança, do temor pela vida que nos torna cada dia mais interessados apenas em nós mesmos. Somos uma cultura medrosa e que esconde o seu medo mediante a adoção de imagens de superioridade e força ilimitada. É sabido que a paranóia disfarça seu medo sob uma delirante idéia de poder. Nos nossos delírios, desconhecemos a realidade que já existia muito antes de inventarmos a nossa. Podemos perceber isso na pretensão delirante que desenvolvemos de poder alterar tão substancialmente o meio ambiente e nossa biologia, com a ingênua perspectiva de que a natureza acabaria se rendendo aos nossos desejos. Sonhamos poder prescindir dela, esquecemos até que precisamos respirar.
O mundo que criamos devasta qualquer coisa que se oponha a ele, incluindo nós mesmos. Passamos a fazer um enorme esforço para passar por cima de nossa natureza todos os dias. Existem delírios pessoais e coletivos.

(Manoelita Dias dos Santos - A lógica da emoção)

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publicado às 16:33


Morte precoce do tempo emocional

por Thynus, em 25.11.14
O tempo para a emoção não é o mesmo que para a física. Uma das mais graves consequências da SPA é a morte precoce da emoção, ou melhor, da percepção do tempo. Para explicar esse fenômeno, deixe-me exemplificá-lo. Vivemos mais ou menos que os habitantes da Idade Média? A resposta é óbvia. Biologicamente, vivemos muito mais, o dobro. Naqueles tempos, a expectativa média de vida era de 40 anos. Uma amigdalite poderia gerar grave infecção, pois não havia antibióticos. Hollywood retrata de maneira distorcida as mulheres da corte da época, glamorosas, reluzentes. Na verdade, muitas princesas, aos 20 anos de idade, já haviam perdido os dentes e tinham que andar com os lábios cerrados.
Hoje, vivemos, em média, de 70 a 80 anos e estamos progredindo, mas permita-me fazer outra pergunta: do ponto de vista emocional, vivemos mais ou menos do que os gregos, romanos ou do que se vivia na Idade Média? A Síndrome do Pensamento Acelerado nos leva a viver uma vida tão rápido em nossa mente, que distorce nossa percepção do tempo. Vivemos mais tempo biologicamente, mas morremos mais cedo emocionalmente. Oitenta anos hoje passam mais rápido que vinte anos no passado. A medicina prolongou a vida, e o sistema social contraiu o tempo emocional.
Não parece que dormimos e acordamos com a nossa idade? Não parece que nossa existência passou rapidíssimo? Estamos tão atolados com atividades mentais e profissionais que não temos tempo para desfrutar, digerir e assimilar as experiências existenciais. Como disse, estamos na era do fast-food emocional, engolimos nosso nutriente. Não sabemos amar, dialogar, ouvir, sonhar, interiorizar, jogar conversa fora.
Você não sente que os meses e os anos voam? Isso é grave. Um dos nossos maiores desafios é dilatar o tempo. Mas quem tem um Eu treinado para expandir a percepção do tempo? Não sabemos sequer o que fazer com o tédio. As crianças estão tão aceleradas que, quando ficam cinco minutos sem atividade, já reclamam: “Não tem nada para fazer nesta casa!”. Estamos viciados em atividades, viciados em informação, viciados em celulares, viciados em asfixiar o tempo, viciados em pensar.
Devemos viver as experiências lenta e suavemente, como quando saboreamos um sorvete ao sol escaldante do verão. Nosso Eu deve fazer de um dia uma semana, de uma semana um mês, de um mês um ano. As pessoas ansiosas, impacientes, inquietas, que detestam a rotina e querem tudo imediatamente não verão a vida passar; elas são os piores inimigos da sua emoção. E eu? E você?

(Augusto Cury - ANSIEDADE, como enfrentar o mal do século)

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publicado às 16:25


O assassinato da infância

por Thynus, em 25.11.14
Qualquer leigo sabe que uma máquina não pode trabalhar em alta rotação
continuamente, dia e noite, pois corre o risco de aumentar sua temperatura e
fundir suas peças. Mas é quase inacreditável que nós, seres humanos, não
tenhamos a mínima consciência de que pensar exageradamente e sem nenhum
autocontrole é uma fonte de esgotamento mental.
(A. CURY)

O sistema social cometeu um dos mais dramáticos assassinatos coletivos: o assassinato da infância. O mundo fica estarrecido com o uso de armas de destruição em massa, mas silencia diante das “armas” do sistema social que provocam a destruição em massa da infância de nossas crianças.
O excesso de estímulos, atividades, brinquedos, propagandas, uso de smartphones, videogames, TV e informações escolares satura a MUC dos filhos da humanidade, gera um trabalho intelectual escravo, editando seus pensamentos em níveis jamais vistos.
Uma criança de sete anos, na atualidade, provavelmente tem mais informações do que tinha um imperador no auge da Roma antiga e do que tinham Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, enfim, os grandes pensadores da Grécia antiga.
Diante disso, como evitar que as crianças estejam mentalmente agitadas, desconcentradas, impulsivas, irritadiças, com dificuldade de elaborar suas experiências? Impossível.
Elas são instáveis, irritadiças, intolerantes a contrariedades, inseguras em situações novas, não se deleitam em aprender e têm enorme dificuldade de debater ideias em ocasiões minimamente estressantes.
Nós, adultos, cometemos um crime ao superestimular o processo de construção de pensamentos. Não percebemos que as crianças precisam aprender a proteger a emoção, filtrar estímulos estressantes, desenvolver o prazer por meio de atividades lúdicas, participar de processos criativos que envolvam melhor elaboração, como esporte, música, pintura e relacionamento com a natureza.
Alguns, ao verem crianças e adolescentes agitados e rebeldes a convenções, logo colocam a culpa nos pais, dizendo que são relapsos, que não colocam limites, que não transmitem valores. Sim, há pais que, como educadores, apresentam tais comportamentos doentios, mas a maioria está completamente perdida. Eles agem, mas suas palavras não têm impacto. Impõem limites, mas seus filhos repetem os mesmos erros continuamente. A causa é evidente. Devido à SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado), os jovens não elaboram suas experiências que envolvem perdas e frustrações, e, portanto, o fenômeno RAM não as registra, não forma núcleos saudáveis de habitação do Eu capazes de enriquecer as características da personalidade. O seu Eu se torna engessado, desconectado, flutuante e quase sempre autossabotador.

Por meio dos meus livros, tenho “gritado” em muitos países que estamos violando a caixa-preta da construção de pensamentos dos nossos filhos, o que é gravíssimo. Estamos dormindo e, ao mesmo tempo, sonhando deslumbrados com o mundo digital que criamos.
Nunca foi tão difícil educar uma geração. Não há um culpado, o sistema é culpado. Todos temos nossa responsabilidade no assassinato da infância. O que me dói na alma é saber que esses jovens serão adultos num ambiente de aquecimento global, insegurança alimentar e competição predatória, e precisarão de notável capacidade de liderança e criatividade para dar respostas inteligentes a essas questões. Entretanto, infelizmente, estamos despreparando-os para esse mundo tumultuado que nós mesmos criamos.
Quando as crianças são atingidas pela SPA na primeira infância, até os cinco anos, os pais ficam extasiados, acham que seus filhos são gênios. Não percebem os sintomas. Têm orgulho de contar a todos a esperteza dos filhos, que assimilam as informações rapidamente e têm respostas para tudo. Para piorar o quadro dos gênios, colocam-nos num mar de atividades (escola, aprendizado de línguas, música, esporte) e, além disso, permitem que acessem as redes sociais indiscriminadamente. Esse processo agita mais a mente deles.
Não sabem que crianças têm de ter infância, criar, elaborar, estabilizar sua emoção, dar profundidade aos seus sentimentos, colocar-se no lugar do outro, pensar antes de reagir, aquietar a mente; caso contrário, terão uma emoção instável, insatisfeita, irritadiça, intolerante a contrariedades e, claro, hiperpensante.
Os anos passam, e, na segunda infância, pré-adolescência e adolescência, os pais começam a perceber que algo está errado. O gênio desapareceu. Seus filhos querem cada vez mais para sentir cada vez menos, são insatisfeitos, indisciplinados, têm dificuldade de expressar gratidão, sua autoestima (maneira como se sentem) está combalida, sua autoimagem (maneira como se veem) está fragilizada, não aceitam “não”, são impacientes, querem tudo na hora.
É fundamental que os pais não deem presentes e roupas em excesso aos filhos nem os coloquem em múltiplas atividades. É igualmente fundamental que conquistem o território da emoção deles e saibam transferir o capital das suas experiências, ou seja, que lhes deem o que o dinheiro não pode comprar. Não devem deixá-los o dia inteiro conectados em redes sociais e usando smartphones.
A utilização ansiosa desses aparelhos pode causar dependência psicológica como algumas drogas. Tire o celular deles por um dia e veja como reagem. Além disso, os filhos, bem como os próprios pais, jamais deveriam usá-los em excesso à noite ou dormir ao lado desses aparelhos, pois sua tela libera um comprimento de onda azul que dificulta a liberação, no metabolismo cerebral, de substâncias que induzem o sono.
Pais que superprotegem seus filhos e lhes dão tudo o que pedem colocam combustível na SPA destes. Como digo no livro Pais brilhantes, professores fascinantes, lembre-se de que bons pais dão presentes e suportes para a sobrevivência dos seus filhos, mas pais brilhantes vão muito além: dão a sua história, transferem o mais excelente capital, o das experiências. Muitos pais perdem seus filhos porque não conseguem fazer da relação uma grande aventura.

(Augusto Cury - ANSIEDADE, como enfrentar o mal do século)

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publicado às 16:25

 
Todos nós dominamos a arte de desistir de partes de nós mesmos quando sentimos que no momento é uma medida necessária para nossa sobrevivência física ou emocional. Quando fazemos isso, é fácil nos vermos como "inferiores" e sermos iludidos pelas nossas crenças sobre o que restou. Para algumas pessoas, a compensação ocorre antes da percepção, sem que cheguem a compreender o que ocorre; enquanto para outras, trata-se de uma escolha consciente.
Uma tarde, enquanto eu trabalhava naquela mesma indústria bélica com meu amigo engenheiro, um convite inesperado aterrissou em minha mesa. Era para uma apresentação informal que seria realizada para a Casa Branca e oficiais sobre o novo sistema, recentemente inaugurado, Strategic Defense Initiative (SDI), popularmente conhecido como "Guerra nas Estrelas". Durante a recepção que se seguiu ao evento, tive oportunidade de ouvir uma conversa entre um dos oficiais de alta patente e o CEO de nossa companhia.
A pergunta feita pelo CEO era relativa aos sacrifícios que o outro havia suportado para alcançar a posição de poder que conquistara. "Quais sacrifícios você teve que fazer para chegar onde está hoje?", era a pergunta. O oficial descreveu como tinha escalado postos no Pentágono e na hierarquia militar até sua atual posição de mando em uma grande companhia multinacional. Eu ouvia atentamente enquanto o homem narrava sua história com honestidade e entusiasmo.
"Para chegar onde estou hoje, tive que me entregar ao sistema. Cada vez que conquistava um posto, perdia mais uma parte da minha vida. Um dia, compreendi que tinha chegado ao topo e olhei para trás, para minha vida. Descobri que havia aberto mão de tanto de mim mesmo que não havia sobrado mais nada. Meus donos eram as empresas e os militares. Tinha deixado escapar o que mais amava: minha esposa, meus filhos, os amigos e a saúde. Tinha trocado essas coisas por poder, saúde e controle." Fiquei pasmo com a honestidade de sua narrativa. Ainda que admitisse ter se perdido no processo, estava consciente do que havia feito. Estava entristecido, mas considerava que era um preço que valia a pena pagar pela sua posição de poder. Ainda que não pelas mesmas razões, nós todos podemos fazer algo semelhante. Para muitos, entretanto, a meta é menos o poder do que a sobrevivência.
Convido-o a mergulhar em si mesmo no momento em que encontrar alguém que lhe desperte um sentimento de proximidade e empatia. Algo de raro e precioso está acontecendo com ambos nesse instante: você acaba de encontrar quem guardava suas partes perdidas que você tanto procurava. Frequentemente trata-se de uma experiência de mão dupla, pois a outra pessoa sente-se atraída pela mesma razão. Usando seu poder de discernimento, você percebe que deve iniciar uma conversa. Comece falando sobre alguma coisa — qualquer coisa — para manter o contato pelo olhar. Enquanto fala, mentalmente proponha a si mesmo a seguinte pergunta: O que vejo nesta pessoa que perdi em mim mesmo, que desisti, ou que tiraram de mim?
Quase imediatamente uma resposta surgirá em sua mente. Pode ser alguma coisa tão simples como um sentimento de realização ou algo tão claro como a voz interior que você reconhece e que tem estado desde criança em sua companhia. As respostas frequentemente são palavras simples ou frases curtas, e seu corpo saberá o que tem sentido para você. Talvez você simplesmente perceba algo de belo nessa pessoa de que você sente falta em si mesmo naquele momento. Possivelmente será a inocência perante a vida, a graça com que anda pelo corredor do supermercado, a confiança que transmite ao executar a tarefa do momento ou, simplesmente, seu brilho ou vitalidade.
Seu encontro não precisa durar mais do que alguns segundos, talvez poucos minutos. Aqueles instantes são a sua oportunidade de sentir a alegria e a euforia do momento. Trata-se de você encontrando uma parte sua em outra pessoa, algo que você tem, bem como o sentimento do que seria despertar alguma coisa assim no seu íntimo. Para os que têm a coragem de reconhecer o sentimento de familiaridade de tais encontros momentâneos, o espelho da perda, provavelmente, é algo que enfrentamos todos os dias. Encontramos uma sensação de plenitude em nós mesmos quando os outros espelham em nós a verdadeira natureza deles. Coletivamente, estamos olhando para nossa plenitude, e criamos individualmente as situações que nos levam a encontrá-la. Sacerdotes, professores, pessoas mais velhas, jovens, pais e filhos são, todos, catalisadores de sentimentos.
Nesses sentimentos encontramos as coisas que ansiamos ter em nós mesmos, o que ainda existe em nós mas está oculto pelas máscaras do que acreditamos que somos. É natural e humano. A compreensão do que nossos sentimentos realmente nos contam a respeito dos outros pode se transformar no mais poderoso instrumento para descobrirmos nosso potencial máximo.

(GREGG BRADEN - A MATRIZ DIVINA)

“Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos.”

“We are such stuff as dreams are made on.”
William Shakespeare

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publicado às 14:56


DESIGN AROUND YOU

por Thynus, em 25.11.14
Há alguns anos, a marca Volvo lançou uma campanha internacional cuja assinatura era design around you. A primeira ideia comercial era que a marca projetaria o carro levando em conta as necessidades de cada consumidor, o que, obviamente, é impossível. Mas a segunda ideia, mais psicológica, e mais importante para entender o lugar das marcas como agentes de sentido no mundo contemporâneo, era a de que você não está só porque a Volvo está ao seu lado na hora de fazer seu carro. Se é uma inverdade que o carro será taylor made, é uma verdade evidente em nosso mundo que estamos cada vez mais sós, mesmo que cercados de amigos no Facebook, de fotos por toda parte e de celulares que falam conosco o tempo todo.
É essa solidão essencial que a marca tem em mente, mesmo que não saiba, quando cria uma assinatura como essa. Somos seres cada vez mais ilhados e com carência, não só de vínculos, mas de desejo de vínculos, o que é muito pior. É uma ironia máxima o fato de a cultura do desejo ser justamente a que matou o desejo. Nesse sentido, a parceria de uma marca é essencial, inclusive porque entrega um “uso de parceria” muito mais seguro do que o “uso” que as pessoas entregam com suas ambivalências e traições. Pode-se confiar muito mais no serviço de assistência técnica e de pós-venda da Volvo, com suas meninas lindas e doces ao portador, do que nas incertezas de uma relação afetiva com pessoas, além do fato óbvio de que um carro de boa marca é muito mais seguro (no caso da Volvo isso ainda é mais evidente) do que o casamento ou ter filhos.
Por isso, aquilo que se chama branding em breve será um ramo da ontologia, ou seja, a disciplina na Filosofia que trata do essencial, e não do acidente. As marcas, portanto, deverão cumprir cada vez mais o papel de dizer o que é essencial como valor (e fazer esse valor valer, uma vez que seus produtos são confiáveis naquilo que ela diz representar) e separar o joio do trigo na vida dos contemporâneos desesperados por sentido que não os prenda em vínculos incertos e dolorosos. Do design around you migraremos logo para meaning around you, e, quando chegarmos lá, teremos adentrado o terreno do pós-humano e do pós-materialismo, tendo em vista que o materialismo representado por produtos do capitalismo estará ensaiando sua nova vida como doador de sentido para o cotidiano, espaço por excelência no qual os sentidos da vida se dissolvem.

(Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé - A era do ressentimento)

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publicado às 14:54

 
COMO DIZ UM DOS POEMAS mais célebres do taoísmo, no silêncio e no vazio todas as coisas estão presentes em potencial. A mente é como um copo: antes de enchê-la, devemos esvaziá-la. Do vazio e do não ser surge a criatividade.
Uma das histórias da tradição taoísta fala da dificuldade que temos em viver além do ruído das palavras.
Num templo distante, erguido nas montanhas do Japão, quatro monges decidiram fazer um retiro que exigia silêncio absoluto. O frio era intenso e, quando uma onda de ar gelado entrou no templo, o monge mais jovem disse:
– A vela se apagou!
– Por que você está falando? – repreendeu o monge mais idoso.
– Estamos fazendo uma cura pelo silêncio!
– Não entendo por que vocês estão falando em vez de calarem a boca, como foi combinado! – gritou o terceiro monge, indignado.
– Eu sou o único que não disse nada! – declarou, satisfeito, o quarto monge.

(Allan Percy - Nietzsche para estressados)
IMPULSO [DO LAT. IMPULSU] S. F. 1. ATO DE IMPELIR: IMPULSÃO. 2. IMPETO. 3. ABALO, ESTREMEÇÃO. 4. FIG. ESTIMULO INCITAMENTO, INSTIGAÇÃO. O impulso é um atributo presente nas diversas ações que realizamos cotidianamente. Traduz-se tanto nos movimentos e gestos  que praticamos  publicamente, incluindo as relações físicas e psicológicas  com o ambiente  e com as pessoas, como também nas manifestações de nossa subjetividade, ligadas a iniciativa e ímpetos  gerados em nosso intimo.

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publicado às 02:11


A mente influencia o corpo

por Thynus, em 25.11.14
 
 
"Quando as pessoas não são
capazes de recusar compromissos que não
desejam, é frequente o surgimento de
doenças físicas, precisamente por se tratar
de uma maneira mais "aceitável" de dizer
não. Nessa altura não resta nenhuma alternativa
senão recusar, porque o corpo se encarrega
de dizer não por elas. Nestas circunstâncias,
ser afirmativo é muito mais
saudável. Uma vez vi uma frase estampada
numa T-shirt que resume esta questão de um
modo humorístico: Stress é quando a sua
mente diz que não, mas a sua boca se abre e
diz que sim."
(Brian Weiss)
 
A influencia da mente sobre nosso corpo
De alguns anos para cá, estudiosos do novo campo da psiconeuroimunologia fizeram várias descobertas que começaram a esclarecer como nosso pensamento influencia nossa saúde e nosso bem-estar. (...) Antigamente, a medicina acreditava que mente e corpo eram separados, mas hoje se sabe que nosso sistema nervoso central (sede do pensamento, da memória e das emoções) se comunica diretamente e de forma rotineira com nosso sistema imunológico e endócrino através de um grupo de neurotransmissores e bioquímicos. Esses pesquisadores estão começando a estudar cuidadosamente de que maneira nosso estado de espírito influencia nosso estado de saúde no nível molecular. Um artigo recente ("A Molecular Code Links Emotions, Mind and Health", Stephen S. Hall, Smithsonian, julho de 1989, pp. 62-71.) resume algumas das descobertas desses pesquisadores.
Já em 1964, um estudo demonstrou a ligação entre o conflito emocional e o início e o desenvolvimento da artrite reumatóide. Mulheres emocionalmente saudáveis ficavam livres da doença mesmo quando havia uma predisposição genética para ela.
Mais recentemente, outros pesquisadores identificaram fios nervosos que partem do nosso sistema nervoso central para dois órgãos-chaves do nosso sistema imunológico — o timo e o baço. Outra pesquisa revela que algumas células cerebrais se comunicam diretamente com as células do sistema imunológico através de neuropeptídios, e que outras células cerebrais reagem ao estado de sistema imunológico.
Outro estudo mediu o impacto do estresse sobre o sistema imunológico dos estudantes de medicina. Pouco antes e durante a semana de exames escolares, os estudantes passavam por uma diminuição significativa do seu sistema imunológico.
Cada dia se tornam mais conhecidos os mecanismos fisiológicos que ligam nossos pensamentos e emoções à nossa condição física. Enquanto a pesquisa a respeito dos mecanismos fisiológicos da ligação mente/espírito continua a se desenvolver, o campo da PNL caminha rapidamente, tentando identificar que tipo de pensamento subjetivo tem uma influência positiva sobre nosso corpo.

Em outro estudo, Robert Ader demonstrou que o sistema imunológico pode agir como um órgão sensorial inconsciente, reunindo informações que ajudam nosso corpo a se auto-regular. Ratos com o sistema imunológico superativado recebiam água com açúcar misturada a um produto químico desagradável, que causava náusea, mas também suprimia o sistema imunológico. A maioria dos ratos não queria tomar a água por causa da náusea que ela causava. Esses ratos, porém, continuaram a beber a água. Segundo Ader: "Os animais sabem o que é bom para eles.(...) Os sinais gerados pelo sistema imunológico estão sendo lidos pelo sistema nervoso central" ("A Molecular Code Links Emotions, Mind and Health", Stephen S. Hall, Smithsonian, julho de 1989, pp. 62-71).
Esse tipo de pesquisa está começando a lançar as bases para o que muitos já sentiram com os métodos descritos neste capítulo. Temos maneiras de saber o que é bom para nós, a partir de informações de nossos sistemas sensoriais menos conscientes, como, por exemplo, o sistema imunológico. Temos acesso a essa sabedoria quando nos voltamos para dentro de nós e prestamos mais atenção às mensagens sutis que nosso corpo não deixa de nos enviar.
Enquanto essas pesquisas nos dão a base científica para entender como nosso pensamento afeta nossa saúde, o método de cura automática nos oferece uma maneira específica de usar nossos pensamentos para influenciar nossa saúde de maneira positiva.

(Steve Andréas, Connirae Andréas - A ESSÊNCIA DA MENTE, usando o seu poder interior para mudar)

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publicado às 01:22



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