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FEMINISMO

por Thynus, em 12.10.14
Abaixo, uma charada que intriga as pessoas há décadas:
Um homem vê seu filho sofrer um terrível acidente de bicicleta. Ele recolhe o rapaz, coloca-o no banco de trás do carro e corre para o pronto-socorro. Quando levam o rapaz para a sala de cirurgia, o cirurgião diz: "Ah, meu Deus! É meu filho!"
Como é possível?
Ah-ha! O cirurgião é uma mulher, mãe do rapaz (a história faz sentido em inglês porque a palavra para "cirurgião", surgeon, não tem género, é neutra, podendo indicar tanto um homem, quanto uma mulher). Hoje em dia, nem mesmo Rush Limbaugh (Radialista conservador norte-americano) ficaria intrigado com essa charada; o número de médicas nos Estados Unidos está rapidamente igualando o número de médicos. E isso é resultado do poder da filosofia feminista do final do século XX.
 
Quando a BBC fez uma enquete entre ouvintes sobre o maior filósofo do mundo, nenhuma filósofa mulher apareceu entre os vinte primeiros (quem venceu foi Karl Marx). As mulheres acadêmicas de todo o mundo ficaram furiosas. Onde estava a filósofa neoplatônica grega Hypatia? Ou a ensaísta medieval Hildegard de Bingen? Por que Heloísa, do século XII, foi excluída, quando Abelardo, que aprendeu tanto com ela quanto ela com ele, recebeu votos (embora também não tenha chegado aos vinte primeiros)? E a protofeminista do século XVII Mary Astell? E onde estavam as contemporâneas Hannah Arendt, Íris Murdoch e Ayn Rand?
Seria a academia irremediavelmente chauvinista, resultando na ignorância do público educado sobre essas grandes filósofas? Ou será que os porcos de sua época devem ser culpados por não levarem essas mulheres a sério naquele tempo?
O verdadeiro alvorecer da filosofia feminista data do século XVIII, com a obra seminal (ou deveríamos dizer ovular?) de Mary Wollstonecraft, Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher. Nesse tratado, ela acusa nada menos que Jean-Jacques Rousseau de propor um sistema educacional inferior para as mulheres.
O feminismo recebeu uma reinterpretação existencialista no século XX com a publicação de O Segundo Sexo pela filósofa (e amante de Jean-Paul Sartre) Simone de Beauvoir. Ela declarou que não existe uma coisa como a feminilidade essencial, que ela considerava uma camisa-de-força imposta às mulheres pelos homens. Ao contrário, as mulheres têm liberdade para criar sua própria versão do que é ser mulher.
Mas qual a flexibilidade do conceito de mulher? Será que o equipamento reprodutivo de que nascemos dotados não tem nada a ver com a nossa identidade de gênero? Algumas feministas pós-Beauvoir pensam que não. Dizem que todos nascemos como uma tela em branco sexualmente; nossa identidade de género é algo que recebemos depois, da sociedade e de nossos pais. E hoje em dia aprender os papéis de gênero virou uma coisa mais traiçoeira que nunca.
Dois homens gays estão parados numa esquina quando uma loira deslumbrante e curvilínea passa com um vestido decotado e justo, de chiffon. Um dos homens diz ao outro: - Numa hora dessas, eu queria ser lésbica!
Papéis de género tradicionais são uma mera imagem mental, inventada pelo homem para manter as mulheres subservientes? Ou esses papéis são biologicamente determinados? Esse enigma continua dividindo filósofos e psicólogos. Alguns pensadores profundos se apegam com firmeza às diferenças determinadas pela biologia. Por exemplo, quando Freud declarou que "anatomia é destino", estava empregando um argumento teleológico para defender a tese de que o modo como é construído o corpo da mulher determina o papel da mulher na sociedade. Não é claro a quais atributos anatómicos ele se referia ao concluir que as mulheres deviam passar roupas. Ou pensemos em outro determinista biológico, o colunista de humor Dave Barry, que afirma que, se uma mulher tiver de escolher entre pegar uma bola de beisebol e salvar a vida de uma criança, ela vai escolher salvar a vida da criança sem nem conferir se o outro time está para marcar um ponto.
E existe a questão se os homens são também determinados biologicamente. Por exemplo, como resultado de sua anatomia os homens são predispostos a utilizar critérios primitivos na escolha de uma esposa?
Um homem está saindo com três mulheres e tentando decidir com qual vai se casar. Ele dá 5 mil dólares a cada uma para ver o que farão com o dinheiro.
A primeira faz uma repaginada completa. Vai a um salão chique, arruma o cabelo, faz as unhas, se maquia, e compra várias roupas novas. Ela diz que fez isso para ficar mais atraente para ele, porque o ama muito.
A segunda compra para o homem uma porção de presentes: uma coleção nova de tacos de golfe, alguns acessórios para o computador e umas roupas caras. Diz que gastou todo o dinheiro com ele porque o ama muito.
A terceira mulher investe o dinheiro no mercado de ações. Multiplica muitas vezes os 5 mil dólares. Devolve-lhe os 5 mil dólares e reinveste o restante numa conta conjunta. Diz que quer investir no futuro deles porque o ama muito.
Qual delas ele escolhe?
Resposta: a que tem peitos maiores.

QUIZ
Essa piada é antifeminista ou anti-porco-chauvinista? Discuta.
Vejamos outro texto que discute a diferença essencial entre homem e mulher. Tem de ser essencial porque o Primeiro Homem era livre de imagens mentais sociais e sua impulsividade, portanto, era inata.
Deus aparece a Adão e Eva no paraíso e anuncia que tem dois dons, um para cada, e que gostaria que eles resolvessem quem fica com qual. Diz assim:
- O primeiro dom é a habilidade de fazer xixi em pé. Impulsivamente, Adão grita:
- Mijar em pé? Puxa vida! Parece uma boa! Fico com esse.
-Tudo bem - diz Deus -, esse dom é seu, Adão. Eva, você fica com o outro: orgasmos múltiplos.
Os resultados sociais e políticos do feminismo são vários: direito de voto, proteção a vítima de estupro, melhor tratamento e compensação no local de trabalho. Recentemente, uma outra explosão social do feminismo despertou reações machistas. Dessas brotou uma nova categoria: a piada politicamente incorreta.
Dizer que uma piada que faz graça com o feminismo é politicamente incorreta acrescenta a ela uma nova dimensão: "Sei que esta piada contraria a filosofia liberal aceita, mas, ora, não se pode mais brincar?" Ao qualificar assim uma piada, o piadista alega seu direito à irreverência, uma qualidade que pode tornar a piada ainda mais engraçada e socialmente mais perigosa para o piadista, como nesta, um tanto excessiva:
Num vôo transatlântico, o avião atravessa um enorme temporal. A turbulência é horrível e as coisas vão de mal a pior quando uma asa é atingida por um raio.
Uma mulher perde o controle. Levanta-se, no corredor do avião, e grita:
- Sou jovem demais para morrer! - E completa: - Mas já que eu vou morrer, quero que meus últimos minutos na Terra sejam memoráveis! Ninguém nunca me fez sentir como uma mulher de verdade! Bom, pra mim chega! Tem alguém neste avião capaz de fazer com que eu me sinta uma mulher?
Faz-se um momento de silêncio.Todo mundo se esquece do próprio perigo e todos olham, perplexos, a mulher desesperada na frente do avião. Então um homem se levanta lá no fundo. É um bonitão alto, bronzeado, com cabelo preto, e ele avança pelo corredor devagar, desabotoando a camisa.
- Eu posso fazer você se sentir uma mulher - diz.
Ninguém se mexe. Enquanto o homem se aproxima, a mulher vai ficando excitada. Ele tira a camisa. Os músculos de seu peito se contraem quando ele estende o braço segurando a camisa e diz para a mulher trémula:
- Passe esta camisa.
Como reação ao ataque das piadas politicamente incorretas surgiu uma nova categoria: histórias que começam como as típicas piadas chauvinistas de antigamente, mas com uma virada em que a mulher se dá bem.
Dois entediados crupiês estão esperando na mesa de dados de um cassino. Uma loira muito atraente chega e aposta 20 mil dólares numa única jogada de dados. Diz ela:
- Espero que vocês não se importem, mas sinto que tenho muito mais sorte quando estou completamente nua.
Em seguida, tira toda a roupa, sacode os dados e grita:
- Vamos lá, baby. Mamãe precisa de roupa nova!
Quando os dados param de rolar, ela dá pulos de alegria e grita:
- Ganhei! Ganhei! -Abraça os dois crupiês, um de cada vez, pega as fichas que ganhou e a roupa e vai embora depressa.
Os dois olham um para o outro, de boca aberta. Por fim, um deles pergunta:
- Quanto deu?
O outro responde:
- Não sei. Pensei que você estivesse olhando.
Moral da história: nem todas as loiras são burras, mas todos os homens são homens.
Eis outro exemplo desse gênero neofeminista:
Uma loira está sentada ao lado de um advogado num avião. O advogado fica insistindo que ela jogue com ele para verem quem tem mais conhecimentos gerais. Por fim, diz que oferece a ela uma vantagem de dez para um. Toda vez que ela não souber a resposta para uma pergunta dele, ela paga cinco dólares.Toda vez que ele não souber a resposta para uma pergunta dela, ele paga cinquenta dólares.
Ela concorda em jogar e ele pergunta:
- Qual a distância entre a Terra e a estrela mais próxima?
Ela não diz nada, simplesmente entrega para ele uma nota de cinco dólares. Ela pergunta:
- O que sobe uma montanha com três pernas e desce com quatro?
Ele pensa um longo tempo, mas acaba admitindo que não faz a menor ideia. E entrega a ela uma nota de cinquenta dólares.
A loira guarda o dinheiro na bolsa sem comentários.
O advogado diz:
- Espere aí. Qual a resposta para a sua pergunta?
Sem dizer uma palavra, ela entrega para ele uma nota de cinco dólares.

(Tom Cathcart e Daniel Klein - Platão e um Ornitorrinco Entram Num Bar...)

publicado às 18:17


IDEALISMO ALEMÃO

por Thynus, em 12.10.14
Ah, que é isso! Deve haver mais alguma coisa num objeto além dos meros dados sensoriais. Tipo, lá no fundo.
O filósofo do século XVIII Immanuel Kant achava que sim. Ele leu os empiristas britânicos e, conforme diz, eles o despertaram de seu sono dogmático. Kant tinha concluído que nossas mentes são capazes de nos fornecer a certeza de como o mundo realmente é. Mas os empiristas demonstraram que, como o nosso conhecimento do mundo exterior nos vem através dos sentidos, ele é sempre, em certo sentido, incerto. Um morango só é vermelho ou doce quando observado através de certo equipamento: nossos olhos e nossas papilas gustativas. Sabemos que algumas pessoas com papilas gustativas diferentes podem não experimentar absolutamente os morangos como doces. Então, Kant perguntou, o que é um morango "em si" que o faz parecer vermelho e doce - ou não - quando ele passa por nosso equipamento sensorial?
Podemos achar que a ciência é capaz de nos dizer o que uma coisa realmente é em si, mesmo que nossos sentidos não o consigam. Mas se você pensar um pouco, vai ver que a ciência não nos leva realmente mais perto do que é um morango em si. Não ajuda muito afirmar que uma certa combinação química do morango e um certo aparato neurológico da pessoa se combinam para determinar se o morango parece doce ou azedo - e que essa combinação química é aquilo que o morango é "realmente" em si mesmo. O que queremos dizer por "uma certa combinação química" é apenas "o efeito que observamos quando passamos o morango através de certos equipamentos". Passar o morango pelos aparelhos meramente nos revela como o morango parece ao passar pelos aparelhos, da mesma forma que dar uma mordida em um morango nos diz como ele parece quando passa por nossas papilas gustativas.
Kant concluiu que não podemos saber nada sobre as coisas em si mesmas. A ding an sich, a coisa em si, disse ele, é "igual a x". Podemos conhecer apenas o mundo dos fenômenos, o mundo das aparências; não podemos saber nada do mundo transcendente, numenal por trás das aparências.
Ao afirmar isso, Kant preparou o caminho para uma mudança de paradigma na filosofia. A razão não pode nos dizer nada sobre o mundo além dos nossos sentidos. Nem o Deus como o registrador de dados de Berkeley nem qualquer explicação metafísica do mundo podem ser obtidos por meio da razão pura. A filosofia nunca mais foi a mesma.
SECRETÁRIA: Doutor, tem um homem invisível na sala de espera.
DOUTOR: Diga-lhe que não posso vê-lo.
Você pode não ter achado essa piada muito útil para explicar a distinção kantiana entre o fenomenal e o numenal. Isso porque ela perde um pouco na tradução. Abaixo está a piada como ouvimos num restaurante tipicamente alemão na Universidade de Königsberg:
SECRETÁRIA: Herr Doktor, tem uma ding an sich na sala de espera.
UROLOGISTA: Outra ding an sich! Se eu receber mais uma hoje, vou sair gritando! Quem é?
SECRETÁRIA: Como eu vou saber?
UROLOGISTA: Descreva-a para mim.
SECRETÁRIA: O senhor deve estar brincando!
Aí está: a piada sich original.
Existem nessa piada mais implicações do que parece. A secretária escolheu, por razões dela, não revelar ao doutor as suas provas de que existe uma ding an sich na sala de espera. Sejam quais forem as provas, devem ser fenomenais (se você está estiver sacando a gente). Qual foi a pista? Deve ter sido alguma coisa no âmbito dos sentidos. Talvez um sexto sentido, talvez apenas os sentidos de um a cinco, mas certamente um sentido em algum sentido. A história por trás da história é que a secretária fez sua tese de doutorado sobre Crítica da Ração Pura de Kant para descobrir que havia, assim, limitado suas opções de carreira a secretária e operadora de fritadeira. Ela, portanto, interpretou o pedido do médico de "Descreva-a para mim" não como "Quais fenômenos sensoriais você está experimentando?", mas sim "Descreva para mim como ela é em si mesma, por trás das aparências". Compreensivelmente ela ficou incomodada com essa pergunta, embora depois tenha se recuperado e casado com o primo do médico, Helmut, e tido três filhinhos adoráveis.
Para Kant e para grande parte da epistemologia que veio depois dele, as perguntas sobre o que podemos saber e como podemos saber podem ser analisadas em termos do que podemos dizer significativamente a respeito do que sabemos e de como sabemos. Que tipo de afirmações sobre o mundo contêm conhecimento do mundo?
Kant enfrentou a tarefa de responder essa pergunta dividindo tudo o que se afirma em duas categorias: analítica e sintética. Afirmações analíticas são aquelas verdadeiras por definição. A afirmação "todos os ornitorrincos são mamíferos" é analítica. Ela não nos informa nada de novo sobre qualquer ornitorrinco de verdade, além daquilo que podemos descobrir simplesmente procurando "ornitorrinco" no dicionário. "Alguns ornitorrincos são vesgos", por outro lado, é sintética. Ela nos fornece uma informação nova sobre o mundo porque "vesgo" não faz parte da definição de "ornitorrinco". "Alguns ornitorrincos são vesgos", nos revela alguma coisa sobre ornitorrincos que não descobriremos procurando "ornitorrinco" no dicionário.

Em seguida, Kant traça uma distinção entre afirmações a priori e a posteriori. Afirmações a priori são aquelas que somos capazes de fazer com base apenas na razão, sem recorrer à experiência sensorial. Nossa primeira afirmação "Todos os ornitorrincos são mamíferos" é sabidamente a priori. Não precisamos examinar um bando de ornitorrincos para ver que ela é verdadeira. Precisamos olhar apenas no dicionário. Juízos a posteriori, por outro lado, têm por base a experiência sensorial do mundo. "Alguns ornitorrincos são vesgos" é algo que só podemos saber conferindo um bando de ornitorrincos - ou conferindo pessoalmente ou acreditando na palavra de alguém que diz ter conferido.

Até aqui vimos exemplos de afirmações analíticas a priori ("Todos os ornitorrincos são mamíferos) e afirmações sintéticas a posteriori ("Alguns ornitorrincos são vesgos"). Kant perguntou: "Existe um terceiro tipo de afirmação, sintética a priori?" Seriam afirmações que nos fornecem um conhecimento novo sobre o mundo exterior, mas que não podem ser conhecidos apenas pela razão. Os empiristas haviam insinuado que não existe conhecimento sintético a priori, uma vez que nossa fonte de conhecimento do mundo exterior é a nossa experiência sensorial. Mas Kant disse: "Espere aí! E afirmações como: 'Todo acontecimento tem uma causa?'" Ela é sintética: nos revela alguma coisa nova sobre o mundo além daquilo contido nas definições de "causa" e de "acontecimento". Mas também é a priori, conhecida pela razão apenas, não pela experiência. Como assim? "Porque" disse Kant "ela tem de ser tomada por verdadeira se pretendemos ter experiência inteligível". Se não tomamos por verdade que a situação atual é causada por uma cadeia de acontecimentos precedentes, não perceberíamos sentido em nada. Seria como viver dentro do filme Cidade dos Sonhos, de David Lynch, onde as coisas acontecem sem ordem coerente. Teríamos de desistir de fazer qualquer tipo de afirmação ou julgamento sobre o mundo porque não poderíamos contar com a coerência do mundo de uma hora para outra.
Centenas de piadas giram em torno da confusão de afirmações analíticas a priori com afirmações sintéticas a posteriori:
Existe um método garantido de viver até uma idade bem avançada - comer uma almôndega por dia durante cem anos.
A piada consiste em dar uma "solução" analítica a priori para um problema que pede uma solução sintética a posteriori. A questão embutida aí sobre um método garantido de longevidade pede claramente alguma informação sobre o mundo. "Quais são as coisas que a experiência demonstrou conduzir à longevidade?" Esperamos na resposta algo como "parar de fumar" ou "tomar 400ml da co-enzima Q-10 antes de dormir". Mas aqui a resposta é analítica, com uma pequena irrelevância sobre almôndegas lançada para enevoar nossa mente. "Para viver até uma idade avançada, viva cem anos, porque cem anos é, por definição comum, uma idade avançada. Coma umas almôndegas também. Não vai fazer mal nenhum." (Bem, talvez toda a gordura trans das almôndegas possa, sim, fazer algum mal; mas não, é claro, se você as comer durante cem anos.)
Outra:
JOE: Que cantor fantástico, hein?
BLOW: Se eu tivesse a voz dele, seria tão bom quanto ele.
Mesma coisa. O que indicamos por "cantor fantástico" é alguém que possui uma voz incrível - do tipo que o intérprete em questão evidentemente deve ter. Então a afirmação de Blow "Se eu tivesse a voz dele, seria tão bom quanto ele" não nos diz nada de novo sobre o talento de Blow como cantor. O que ele está dizendo de fato é: "Se eu fosse um cantor fantástico, eu seria um cantor fantástico." E se isso não for verdade por definição, nada é.
Agora uma demonstração mais complexa do que acontece quando confundimos afirmações sintéticas a posteriori com afirmações analíticas a priori:
Um homem experimenta um terno feito sob medida e diz para o alfaiate:
- Quero que encurte esta manga! Tem 5 centímetros a mais!
O alfaiate diz:
- Não. Dobre o cotovelo assim. Está vendo, a manga sobe.
O homem diz:
- Bom, tudo bem, mas agora veja a gola! Quando eu dobro o braço, a gola sobe até a metade da minha cabeça.
O alfaiate diz:
- É? Levante a cabeça e empine para trás. Perfeito. O homem diz:
- Mas agora o ombro esquerdo fica 7 centímetros mais baixo que o direito!
O alfaiate diz:
- Não tem problema. Dobre o corpo na cintura para o lado esquerdo e ficam iguais.
O homem sai da loja usando o terno, o cotovelo direito dobrado e voltado para fora, a cabeça para cima e para trás, o corpo dobrado para a esquerda. O único jeito que dá para caminhar é com um passo convulso, sacolejante.
Então, dois transeuntes o vêem.
Diz o primeiro:
- Olhe aquele coitado daquele aleijado. Me dói o coração olhar para ele.
Diz o segundo:
- É, mas o alfaiate dele deve ser um gênío! O terno lhe cai com perfeição!
Sintético versus analítico, certo? (E não estamos falando de tecidos aqui.) O desconhecido pensa: "O alfaiate desse homem fez um terno perfeito para ele." Essa é uma afirmação sintética a posteriori que pretende fornecer informação, baseada em observação, sobre o alfaiate e sua aparente habilidade em confeccionar o terno. Mas, para o alfaiate, "Este terno que eu fiz tem um caimento perfeito" é realmente uma afirmação analítica. É o mesmo que dizer: "Este terno que eu fiz é um terno que eu fiz." Isso porque qualquer terno que o homem experimente terá um caimento perfeito, uma vez que o alfaiate ajusta o homem ao terno.
A personagem engajada Mafalda apresenta nessa charge uma alusão a Kant. Colocada em uma situação em que lhe permitiria obter vantagem de forma desonesta, no caso ficar com o troco errado, a personagem prefere ''ouvir'' o inquilino que mora dentro dela a'' roubar''. Esse inquilino, para Kant, é chamado de Imperativo Categórico, e nada mais é do que a consciência dela. Para esse filósofo, nós sabemos o que é certo e o que é errado, e nosso ímpeto contrário a determinada moral é barrado pela nossa ética social. Já para Nietzsche essa moral não existe, ela é apenas fruto de uma opinião social do que é certo, e com isso barra as vontades inatas dos outros- tido por ele como essencial, isso ele chamou de Filosofia dos Escravos, pelo o qual quem inventa a moral (o fraco) quer dominar o forte (quem segue os instintos) dizendo o que se deve fazer e o que é proibido.

O RELÓGIO DE KANT
Kant deu primazia à razão pura na medida em que via pouca necessidade de experiência pessoal para resolver os problemas de conhecimento.
Consequentemente, ele nunca se aventurou além de sua cidade natal, Königsberg, e viveu uma vida solitária, de hábitos extremamente regulares, como suas caminhadas diárias depois do jantar. Conta-se que os cidadãos de Königsberg acertavam os relógios de acordo com a posição do professor Kant em sua caminhada diária para cima e para baixo da mesma rua (que depois seria conhecida como a Philosophengang ou "Passeio do filósofo").
Talvez menos conhecido (provavelmente por não ser verdade) é o fato de que o sacristão da catedral de Königsberg também confirmava o horário do relógio da torre da igreja observando o horário do passeio de Kant, e Kant, por sua vez, estabelecia o horário de seu passeio pelo relógio da torre.
Isso é que é confusão entre analítico e sintético! Kant e o sacristão pensam que estão obtendo novas informações observando um o comportamento do outro. Kant acha que, ao observar o relógio da torre, está obtendo o horário oficial alemão, que, por sua vez, é estabelecido pela observação da rotação da Terra. O sacristão acha que, ao observar a caminhada diária de Kant, está obtendo o horário oficial alemão porque o sacristão acredita na pontualidade inerente de Kant. Na verdade, ambos chegavam simplesmente a uma conclusão analítica, verdadeira por definição.
A conclusão de Kant, "Faço minha caminhada às 15h30", realmente constitui uma afirmação analítica: "Faço minha caminhada quando faço minha caminhada" - porque Kant determina que são 15h30 por um relógio que é calibrado por sua caminhada. A conclusão do sacristão, "Meu relógio está correto", se resume a "meu relógio diz o que meu relógio diz", porque seu critério para a precisão de seu relógio é a caminhada de Kant, que, por sua vez, é baseada no que diz seu relógio.

(Tom Cathcart e Daniel Klein - Platão e um Ornitorrinco Entram Num Bar...)
Georg Wilhelm Friedrich Hegel foi um filósofo alemão. Recebeu sua formação no Tübinger Stift. Hegel foi um dos criadores do idealismo alemão e naturalmente da gênese do que é chamado de hegelianismo. 
 A essência do materialismo e a consciência social "vem em completa oposição a filosofia alemã, a qual desce do céu à terra",  na obra A ideologia alemã Marx e Engels relevam o antagonismo a esta ideologia, no materialismo "sobe-se da terra ao céu e não o oposto". A transição do idealismo (ideologia alemã dominante) se deu por volta de 1837 a 1846.
A ideia central desta obra (manuscritos) é basicamente mostrar o processo real da vida, não o da "consciência". Não são as ideias os meios para explicar as contradições e sim partir das próprias contradições materiais para compreender a realidade. É fundamental ter a consciência de que na luta de classes é a mesma que reflete nas ideias, como dizia Engels: "Uma grama de ação vale mais que uma tonelada de teoria", o que Marx e Engels também chamam de "desmitificação das ideias", ou seja, pensar o homem como ser ativo e não ser pensante.
O empirismo e idealismo para Marx e Engels na obra citada cria uma realidade, "narra os fatos como eles se apresentam na consciência", um modo de pensar que falseia a realidade, sendo assim possível de manipular a realidade. Portanto a ideologia empírica e idealista serviria para reprodução da classe hegemônica e seus interesses particulares. Marx e Engels aborda esta questão na p.10, ainda na introdução da obra.

publicado às 01:55

 
O argumento de que os seres humanos são movidos por impulsos primitivos é em parte científico, em parte moral, e em parte psicológico. Esse pensamento pode ser resumido em uma frase: “Nascemos maus porque Deus está nos punindo, e até a ciência concorda com isso”. Um número enorme de pessoas acredita em alguma parte dessa frase, ou nela inteira.
Vamos examinar o que parece ser a opinião racional, o argumento científico. Todos nascemos com uma memória genética que nos fornece os instintos básicos que precisamos para sobreviver. A evolução visa a garantir a propagação de nossa espécie. Nossas necessidades instintivas trabalham lado a lado com nossa necessidade emocional de coletar alimento, encontrar abrigo, conquistar poder e procriar. Nosso medo instintivo nos ajuda a evitar situações perigosas que ameaçam nossa vida e nossa família.
Assim, um argumento evolucionário é usado para nos persuadir de que nossos medos e desejos, instintivamente programados desde o útero, dominam nosso cérebro racional e mais evoluído, com sua razão e sua lógica (ignorando a óbvia ironia de que o cérebro racional inventou a teoria que o rebaixou). Não há dúvida de que as reações instintivas são parte da estrutura do cérebro. Alguns neurocientistas se convenceram do argumento de que certos indivíduos são programados para se tornar antissociais, criminosos, alcoólatras agressivos, assim como outros são programados para ter ansiedade, depressão, autismo e esquizofrenia.
Mas a ênfase no cérebro reptiliano ignora uma verdade. O cérebro é multidimensional, o que permite que qualquer experiência aconteça. Qual experiência será dominante não é algo automático nem geneticamente programado. Existe um equilíbrio entre desejo e contenção, entre escolha e  compulsão. Aceitar que a biologia é um destino destrói o propósito do ser humano: devemos nos submeter ao destino apenas em último caso, mas o argumento da força do cérebro reptiliano faz da submissão a primeira escolha. Como compensar isso? Não aceitamos que nossos antepassados tenham se conformado com o erro humano porque lhes disseram que isso era herança da desobediência de Adão e Eva no Jardim do Éden. A herança genética corre o risco de induzir à mesma resignação, camuflada de ciência.
Mesmo que uma pessoa sinta medo e desejo todos os dias, numa reação natural ao mundo, não precisa ser governada por esses sentimentos. Um motorista parado numa autoestrada de Los Angeles e sufocado pela poluição sentirá a mesma reação de fuga ou luta de seus ancestrais quando caçavam antílopes na savana africana ou tigres no norte da Europa. Essa reação ao estresse, um impulso instintivo, está em nós, mas não faz o motorista abandonar seu veículo e sair correndo ou atacar os outros motoristas. Freud afirmou que a civilização depende do controle dos impulsos primitivos, de modo que valores mais altos possam prevalecer, o que é uma grande verdade. Mas, pessimista, ele acreditava que pagamos um alto preço por isso. Reprimimos nossos impulsos inferiores, mas nunca os extinguimos nem fazemos as pazes com nossos medos mais profundos e nossa agressividade. O resultado é a erupção da violência em massa, como ocorreu nas duas guerras mundiais, quando toda essa energia reprimida cobrou o seu preço de uma maneira horrenda e incontrolável.
Não podemos resumir os milhares de livros escritos sobre esse tema ou oferecer uma resposta perfeita. Mas, com certeza, rotular seres humanos como títeres do instinto animal está errado, em primeiro lugar porque denota uma total falta de equilíbrio. O cérebro racional é tão legítimo, poderoso e evolucionário quanto o cérebro reptiliano. Os maiores circuitos, que criam um ciclo de feedback entre os dois, são maleáveis. Se você é um enforcer no hóquei profissional, sua tarefa é provocar as brigas na quadra de gelo, e por isso você provavelmente escolheu moldar os circuitos de seu cérebro para favorecer a agressividade. Mas sempre existe uma possibilidade de escolha, e, se algum dia você se arrepender dela, pode se retirar para um mosteiro budista, meditar sobre a compaixão e moldar os circuitos cerebrais numa direção superior. As opções sempre existem.
Com raras exceções, a liberdade de escolha não é proibida na programação original. “Meu cérebro me fez fazer isso” é uma desculpa esfarrapada para quase todo comportamento indesejável. Podemos ter consciência de nossas emoções e escolher não nos identificarmos com elas. Isso é muito mais difícil para uma pessoa que sofre de transtorno bipolar, dependência de drogas ou fobia. Mas o caminho para a saúde do cérebro começa com a consciência. E também acaba com ela, pois a consciência permite cada passo do processo. No cérebro, a energia flui aonde a consciência vai.
Quando a energia para de fluir, ficamos bloqueados. Essa barreira é uma ilusão, mas, quando acontece, parece real. Vamos supor que uma pessoa tenha um medo mortal de aranhas. Fobias são reações paralisantes. Um aracnofóbico não pode ver uma aranha sem ter um acesso automático de medo. O cérebro reptiliano desencadeia uma complexa cascata química. Os hormônios correm pela corrente sanguínea, aceleram o coração e elevam a pressão sanguínea. Os músculos se preparam para a fuga ou para a luta. Os olhos se fixam, com a visão concentrada no objeto que provoca o medo. A aranha se torna enorme aos olhos da mente. Tão forte é a reação de medo que o cérebro racional – a parte racional, que sabe que as aranhas são na maioria pequenas e inofensivas – se desliga.
Esse é um exemplo excelente de alguém que está sendo usado pelo cérebro. Ele impõe uma falsa realidade. Todas as fobias são, no fundo, distorções do que é real. A altura não é necessariamente motivo para pânico, nem espaços abertos, nem voar de avião ou uma infinidade de outras coisas que os fóbicos temem. Desistindo do poder de usar o cérebro, quem tem uma fobia se vê preso numa reação paralisante.
As fobias podem ser tratadas com sucesso restabelecendo a consciência e devolvendo o controle ao usuário do cérebro. Uma técnica é fazer a pessoa imaginar o que tem medo. Um aracnofóbico, por exemplo, é solicitado a visualizar uma aranha e imaginar a imagem cada vez maior e depois cada vez menor. Depois, fazer a imagem andar para a frente e para trás. Esse simples ato de movimentar o objeto temido pode ser muito eficiente para eliminar seu poder, porque o medo congela a mente. Aos poucos, o terapeuta pode usar uma aranha numa caixa de vidro. O paciente é solicitado a se aproximar o máximo que puder sem sentir pânico. A distância pode mudar dependendo do nível de conforto do paciente, e com o tempo essa liberdade também restaura o controle. O fóbico aprende que tem outras opções além de apenas fugir.
É óbvio que o cérebro racional pode dominar até mesmo os medos mais instintivos, caso contrário não existiriam alpinistas (medo de altura), equilibristas (medo de cair) ou domadores de leões (medo da morte). O lado triste, porém, é que somos todos como o fóbico que nem consegue imaginar uma aranha sem suar frio.
Cedemos ao medo, não de aranhas, mas de coisas normais: fracasso, humilhação, rejeição, velhice, doença e morte. É uma trágica ironia que o mesmo cérebro capaz de dominar o medo também possa nos sujeitar a medos que nos perseguem por toda a vida.
As chamadas “criaturas inferiores” estão livres do medo psicológico. Quando uma onça ataca, a gazela entra em pânico e luta por sua vida. Mas, se não existe nenhum predador por perto, esse animal leva uma vida despreocupada. Os humanos, porém, passam por terríveis sofrimentos interiores, e esses sentimentos se traduzem em problemas físicos. Os riscos são muito altos se permitirmos que nosso cérebro nos use. Mas, se começarmos a usá-lo, as recompensas serão infinitas.

(DEEPAK CHOPRA, RUDOLPH E. TANZI - SUPERCÉREBRO)

publicado às 17:32

As mentiras maximizam os ganhos, principalmente aqueles entre
cobertas e travesseiros, porque ela era uma maravilha na cama!
E que dizer das mentiras híbridas? - Aquelas mentiras que tanto um
quanto outro conta. Ela e ele mente. H. L. Mencken: “É difícil acreditar
que um homem esteja dizendo a verdade quando você sabe muito bem
que mentiria se estivesse no lugar dele” ou, “Toda pessoa que diz sempre
a verdade acaba sendo apanhada em flagrante” (Oscar Wilde), são frases
célebres que explicam o nosso comentário. No caso dela, nas
conversinhas com as amiguinhas, o que vigora é a frase de Thomas Szacz: 

“O pênis não mente jamais”.
(Albertino Aor da Cunha - A Mentira Nua e Crua)
 
 
A ideia oficial que nos governa, de que o sexo e o amor caminham em plena sintonia, não se confirma quando, num casal que está em processo de encantamento recíproco, o homem se vê totalmente travado sexualmente. É claro que essa não é uma regra geral, mas acontece com regularidade suficiente para servir de exemplo aqui. O homem sente-se envergonhado e incapaz de explicar o que está acontecendo, posto que em geral é a primeira vez que isso ocorre – e, quando eles dizem isso, não costuma ser uma mentira para atenuar seu constrangimento. A mulher, por sua vez, sente-se pouco atraente, tendo a sensação de tê-lo decepcionado, de não ser tão interessante quanto ele pensava – esse tipo de reação, mais que lógica, não tem nenhuma correspondência com a realidade; muitos desses homens já estiveram com mulheres bem menos atraentes e nada disso lhes aconteceu.
Como explicar um fato dessa natureza? Por que essa inibição justamente quando o envolvimento parecia crescer e evoluir para um elo intenso e promissor? E tudo isso acontecendo com um homem que nunca teve problema sexual? Não há explicação conhecida para o nosso nível oficial de consciência, e sempre que isso acontece o mais sábio é consultar o segundo nível. Essa consulta pode ser feita de duas maneiras. A primeira seria buscar um fundamento de natureza patológica, ou seja, averiguar se haveria um problema escondido por trás dessa dificuldade. Esse modo de pensar, a meu ver simplificador, é comum a muitos profissionais de psicologia. A outra maneira, bem mais a meu gosto, seria tentar entender a boa e lógica razão para o acontecido.
Prefiro partir do ponto de vista de que, em casos como esses, caracterizados por um envolvimento amoroso intenso e em alguém sem antecedentes de dificuldades sexuais, deve haver um motivo justo para a inibição.
De acordo com minha experiência, acompanhando várias dezenas de histórias desse tipo, a razão para a inibição é uma espécie de freada que o homem provoca em seu ímpeto na direção do envolvimento amoroso. Ou seja, a fusão romântica é um anseio forte em todos nós, mas também assusta bastante. Num contexto desses, o medo reina e inibe a sexualidade, talvez como último recurso para tentar levar o homem – e o casal – a ir mais devagar, ponderar acerca de todas as variáveis envolvidas no caso deles e, principalmente, aprender que o elo amoroso intenso provoca muito medo, medo esse que tem consequências.
Os homens costumam pensar e dizer que seu pênis não lhes obedece, que eles são governados por uma “cabeça própria”. De certa forma, têm razão: não é o nível oficial de consciência que determina a ereção, e sim esse segundo nível; ou seja, o que governa o pênis é a nossa cabeça, mas não aquela parte que obedece às regras oficiais, e sim a que produz uma atividade racional mais sofisticada, governada por processos muito relevantes que as pessoas deveriam conhecer melhor. Em vez de se insurgir contra os ditames propostos pelo segundo nível de consciência, sempre é bom verificar se eles não contêm pontos de vista interessantes, ligados antes de tudo ao nosso próprio bem-estar e a mecanismos saudáveis de sobrevivência.
Em outras palavras, em vez de buscar a ajuda dos urologistas, valer-se de medicações que, em princípio, estimulariam a função erótica até mesmo contra a vontade dessa consciência maior – talvez esse seja um nome mais adequado para os processos que acontecem dentro de nós, muitas vezes submersos e camuflados pela consciência oficial –, o mais sábio seria acatar seus ditames, dar continuidade ao namoro sem insistir na intimidade sexual e deixar que ela flua quando for chegada a hora. Nos assuntos sentimentais, serenidade, competência e paciência para esperar que todas as variáveis amadureçam são requisitos fundamentais para aumentar as chances de sucesso.
Muitos outros exemplos podem ser dados para mostrar a influência da consciência maior sobre a função sexual que, sem dúvida nenhuma, a ela está submetida. Cito apenas de passagem o fato de que muitos homens se sentem totalmente inibidos sexualmente diante de mulheres que consideram ousadas e agressivas em sua abordagem, aquelas que tomam a iniciativa e provocam neles uma reação desagradável, como se estivessem sendo pressionados. E estão! Aqui, outra vez, o pênis está agindo com mais sabedoria do que a consciência oficial, que sugere que todos os homens devem estar sempre dispostos e disponíveis para qualquer possibilidade erótica, mesmo que seja do tipo “atração fatal” (lembram-se do filme de mesmo título?). Em situações em que se pressente que seja esse o caso, nada mais justo que a inibição do interesse erótico.
Em tom de brincadeira, mas pensando em transmitir a serenidade necessária aos homens que se veem diante desse tipo de dificuldade, escrevi o seguinte em Homem: o sexo frágil? (1989, p. 183): “[...] me baseio na ideia de que o pênis tem sempre razão! Ele só participa de festas para as quais foi convidado e nas quais se sente absolutamente à vontade. E de nada adianta impor alguma coisa ao pênis, pois ele é anarquista por vocação e se rebela contra qualquer tipo de ordem”. Seus ditames foram feitos para ser respeitados e não contestados, e muito menos para ser entendidos como indícios patológicos. Nem tudo que escapa à nossa consciência oficial é ruim e, de alguma forma, está operando contra nós. O problema pode estar justamente nessa consciência oficial que, por vezes, consideramos depositária de todas as nossas verdades e talvez não seja tudo isso.

(Gikovate, Flávio - Mudar, caminhos para a transformação verdadeira)

publicado às 03:48


DETERMINISMO VERSUS LIVRE-ARBÍTRIO

por Thynus, em 10.10.14
 
"Desde que se conceda ao homem o livre-arbítrio desaparece a Onisciência de Deus; 
e, se por outro lado Deus sabe o que farei, já não sou mais livre de fazer outra 
coisa senão aquilo que ele sabe, e o livre-arbítrio deixa de existir, 
para só existir o destino, o fatalismo ou o determinismo".
"Em conseqüência, não sendo livre de agir no Bem e no Mal, nossa responsabilidade, 

também, deixa de existir, subsistindo, unicamente, o despotismo divino. Tal a súmula 
da doutrina católica com o Céu e o Inferno."

(Goethe, conversando com Eckermann em 1825)


 
Enquanto estamos no aqui e agora, temos algum controle sobre nosso destino?
Ao longo dos séculos, muita tinta filosófica se gastou sobre a questão de os humanos serem livres para decidir e agir ou nossas decisões e ações serem determinadas por forças externas: hereditariedade, meio ambiente, história, destino, a Microsoft.
Os dramaturgos gregos enfatizavam a influência do caráter e suas inevitáveis falhas na determinação do curso de eventos.
Quando perguntaram ao romancista do século XX Isaac Bashevis Singer se acreditava em livre-arbítrio, ele respondeu com ironia: "Não tenho escolha." (Essa é uma posição que alguns filósofos assumiram de fato, sem ironia: que somos forçados a acreditar em nosso livre-arbítrio porque senão fica sem base a nossa crença na responsabilidade moral. Nossas escolhas morais estariam fora de nossas mãos.)
Recentemente, a ideia de que forças psicológicas externas ao nosso controle determinam nosso comportamento desgastou a ideia de responsabilidade moral, a ponto de existir agora a "defesa Twinkie", invocado por um réu que afirmou que o açúcar de seu lanche foi que o levou a cometer assassinato. Equivale a "o Diabo me obrigou a fazer isso", disfarçado com trajes psicológicos.
Mas existem também alguns deterministas que dizem: "Deus me obrigou a fazer isso. Na verdade, Deus determina tudo no universo até o mínimo detalhe." Baruch Spinoza, o filósofo judeu holandês do século XVII, e Jonathan Edwards, teólogo norte-americano do século XVIII, foram os que propuseram essa espécie de determinismo teológico. A águia, o sapo e o motorista de caminhão da história abaixo provavelmente acham, todos, que escolheram e executaram livremente suas ações.
Moisés, Jesus e um velho barbudo estão jogando golfe.
Moisés dá uma tacada longa, que cai na relva, mas rola diretamente para dentro do lago. Moisés ergue o taco, separa as águas, e a bola rola em segurança para o outro lado.
Jesus também dá uma tacada longa na direção do mesmo lago, mas quando a bola está para cair bem no meio da água, ela paira sobre a superfície. Jesus caminha tranquilamente sobre o lago e toca a bola para o gramado.
A tacada do homem barbudo bate numa cerca, pula para a rua, quica em cima de um caminhão que está passando e volta para o gramado. Está indo diretamente para o lago, mas aterrissa numa folha de lótus, onde um sapo a vê e engole. Uma águia mergulha no céu, agarra o sapo e sai voando. Quando a águia e o sapo estão passando em cima do gramado, o sapo solta a bola, que vai direto dentro do hole-in-one.
Moisés vira para Jesus e diz:
- Detesto jogar com seu pai.

(Tom Cathcart e Daniel Klein - Platão e um Ornitorrinco Entram Num Bar...)

publicado às 19:02


O PROBLEMA DO MAL

por Thynus, em 10.10.14
 
Tanto a história da queda do homem (Gênesis 3) como a doutrina cristã do pecado original levantam a questão: de onde vem o mal? O primeiro capítulo da Bíblia termina com as palavras: "Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom" (Gênesis 1,31). Porém, logo adiante lemos que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, que a morte fez sua aparição, que a mulher deu à luz com dor, que Caim assassinou seu irmão e que o mal aumentou pelo mundo afora. Chega até o ponto em que Deus lamenta a criação (Gênesis 6,5-8). Ao mesmo tempo, afirmamos que Deus é todo-poderoso. Como se explica isso? Como Deus pode ser todo-poderoso e infinitamente bom, quando há tanto sofrimento no mundo? Denominamos esse conflito de "o problema do mal".
O problema do mal sempre preocupou a humanidade. Ele absorve vários autores bíblicos, como Jó e o Eclesiastes. Teólogos c pensadores já o debateram através de toda a história da Igreja. Para muitas pessoas, esse problema é tão forte que se transforma na própria questão de saber se é possível acreditar em Deus ou não. O dilema pode ser resumido deste modo: se Deus é todo-poderoso, ele não pode ser bom, e se ele é bom, então não pode ser todo-poderoso.
Tal problema pode parecer insolúvel. Mas o que queremos dizer com "todo-poderoso"? Se todo-poderoso significa que Deus é a causa de tudo, tanto a queda do homem do estado de graça como a doutrina cristã da expiação perdem o sentido. Contudo, a Bíblia não proclama nenhuma doutrina desse tipo. Do início ao fim, ela fala de uma força no universo que se opõe a Deus.
A Bíblia afirma que o mal existe de fato no mundo e que a humanidade tem o mal dentro de si. O homem já causou guerras, inimizades e sofrimentos na terra. A Bíblia fala de uma força que se opõe a Deus. Foi o homem que construiu os campos de concentração, foi o homem que usou bombas de napalm e bombas de gás em várias guerras. A história da criação fala metaforicamente da "serpente". Fala das "forças sobre-humanas do mal", de Satã que, segundo a lenda, tinha sido o mais belo de todos os anjos — Lúcifer (portador da Luz) — mas foi expulso para as regiões infernais por se opor à vontade de Deus. Fala também de um poder pessoal de oposição a Deus: o diabo.
Então será que Deus não é todo-poderoso, afinal? Embora todos experimentemos o mal como parte da existência humana, o cristianismo sustenta que o mal um dia será vencido. Tampouco é verdade, como muitos acreditam, que Deus se mostra "mais todo-poderoso" no Antigo Testamento do que no Novo e depois. Bem ao contrário: o mal, seja considerado uma força pessoal ou impessoal, está presente desde o início. Até mesmo a serpente existia antes da queda. O cristianismo, porém, prega a esperança de "novos céus e uma nova terra" quando "Deus será tudo em tudo". Em certo sentido, podemos dizer que o aspecto todo-poderoso de Deus — com referência a seu "poder sem igual" — é algo que será revelado no futuro.
Mesmo assim, para muitas pessoas o problema do mal é o motivo principal para negar o cristianismo. É bem fácil dizer que algum dia o mal será derrotado. Mas onde estava Deus em Auschwitz? Onde estava ele em Hiroshima? Jesus fez a mesma pergunta quando estava na cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".

(Jostein Gaarder, Victor Hellern, Henry Notaker - O Livro das Religiões)

publicado às 18:43


Existencialismo

por Thynus, em 10.10.14
 
A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA. " SE VOCÊ CONCORDA COM ESSA FRASE, VOCÊ É UM EXISTENCIALISTA. SE NÃO, VOCÊ CONTINUA EXISTINDO, MAS ESTÁ ESSENCIALMENTE POR FORA DO EXISTENCIALISMO.

DIMITRI: Tenho de admitir, Tasso, às vezes eu gostaria de ser mais parecido com você.
TASSO: Mas não pode ser! Em termos existencialistas, você é um ser totalmente auto-originado! Você é quem você cria!
DIMITRI: Isso é maravilhoso! Porque eu sempre quis ser da sua altura.

Para mergulhar de cabeça no existencialismo, temos de dar uma provadinha no absolutismo hegeliano do século XIX, a visão filosófica de que só se obtém uma imagem verdadeira da vida olhando de fora para dentro. Foi o humorista Rodney Dangerfield quem disse: "Grande parte do melhor humor se pode encontrar na tensão entre o absoluto hegeliano e o estranhamento existencial do homem"? Provavelmente não. Mas se foi ele, a seguinte piada, clássica, traduz provavelmente o que Rodney queria dizer.
Um homem está fazendo amor com a esposa de seu melhor amigo quando ouve o carro do marido chegando na casa. Ele se enfia no guarda-roupas. O marido entra, vai ao guarda-roupas para pendurar o paletó, vê o amigo nu lá dentro e diz:
- Lenny, o que você está fazendo aí?
Lenny cordatamente encolhe os ombros e diz:
-Todo mundo tem de estar em algum lugar.
Essa é uma resposta hegeliana a uma pergunta existencialista. O marido quer saber por que Lenny especificamente está naquela situação existencial particular - nu e dentro de seu armário. Mas o amigo putativo, Lenny, por razões pessoais, escolhe responder a uma outra pergunta: "Por que alguém está em algum lugar em vez de em nenhum lugar?" Pergunta que só faz sentido se você for um eminente filósofo alemão como Hegel.
Georg Wilhelm Friedrich Hegel dizia que a história se contitui do desdobramento no tempo de "Espírito Absoluto". O espírito de uma época (digamos, o rígido conformismo dos anos 1950) dá origem à sua antítese (o movimento hippie dos anos 1960), e o choque dos dois gera uma nova síntese (os "hippies de plástico" dos anos 1970, como os banqueiros de Wall Street com cabelos cortados à moda dos Beatles).
E assim vai, sempre e sempre, uma dialética de tese/antítese/síntese (que se transforma na nova tese) e assim por diante.
Hegel achava que tinha saltado fora da história e estava olhando de cima para o "todo", de um ponto de vista transcendental. Ele chamava esse ponto de vista de Absoluto. E de lá de cima, as coisas pareciam estar bem. Guerras? Só um movimento na dialética. Pestes? Outro movimento. Ansiedade? Nem se preocupe. A dialética está em movimento e nada se pode fazer a respeito. Só ficar ali e apreciar a paisagem. Georg Wilhelm Friedrich achava que olhava a história do ponto de vista de Deus!

Pense na velha canção de sucesso de Bette Midler "From a Distance", na qual a Divina Miss M imagina que está olhando o mundo lá de cima e acha que a coisa toda é harmoniosa e bacana. É dessa distância que Hegel olha o mundo. No final da canção, Deus em pessoa está olhando por cima do ombro de Bette, apreciando a bela vista. Quem poderia imaginar que Bette Midler é uma hegeliana?
Entra em cena o contemporâneo de Hegel, Soren Kierkegaard, e vem irado. "Que diferença faz se está tudo bem do ponto de vista do Absoluto?", pergunta Soren. Esse não é, nem pode ser, o ponto de vista de indivíduos existentes. Com essa declaração, nasce o existencialismo. "Eu não sou Deus", diz Soren. "Sou um indivíduo. Que importa que tudo pareça muito pacífico lá de cima? Eu estou bem aqui neste pedaço finito da coisa e estou ansioso, estou em perigo de desespero. Eu. E daí que o universo está inelutavelmente rolando em frente - é ameaçador que possa rolar por cima de mim!"
Então, se Kierkegaard encontra você dentro do armário dele e pergunta "O que você está fazendo aí?", não diga "Todo mundo tem de estar em algum lugar." Nosso conselho: invente.
O filósofo francês do século XX Jean-Paul Sartre pegou a ideia kierkegaardiana do assustador isolamento do indivíduo e desenvolveu as implicações disso sobre a liberdade e a responsabilidade humanas. Jean-Paul coloca a coisa assim: "a existência precede a essência", com o que ele quer dizer que os seres humanos não têm essência predeterminada, do jeito que, digamos, um cabide de roupas tem. Somos indeterminados, sempre livres para nos reinventar.

Jean-Paul Sartre era caolho e não era lá um sujeito muito bonito. Portanto, ele pode ter ficado chocado quando seu colega existencialista Albert Camus expandiu a ideia sartreana de liberdade humana dizendo: "Ah, depois de certa idade todo homem é responsável pela cara que tem."
Curiosamente, Camus parecia muito com Humphrey Bogart.
Se vemos a nós mesmos apenas como objetos com identidades fixas, cessamos de Ser, com S maiúsculo. E uma das maneiras de nos vermos como objetos é nos identificarmos com um papel social. Isso, diz Sartre, é mauvaise foi, ou má-fé. E não é nada bom.
Sartre olha o garçom do café e observa que ser garçom é fingir ser garçom. Garçons aprendem a ser garçons construindo sua impressão de um garçom. Garçons andam de um certo jeito, assumem uma certa atitude, estabelecem algum ponto na escala entre intimidade e distância etc. Tudo bem com isso, contanto que o garçom tenha consciência de que é apenas um papel. Mas todos nós sabemos que garçons acreditam que realmente são garçons, que isso é o que são essencialmente. Três mauvaise foi!
As piadas caçoam de nossa tendência impensada de nos identificarmos com as atitudes e valores de nosso grupo social nos apresentando exemplos exagerados. Isso é, em si, um gambito filosófico: o reductio ad absurdum.
Reductio ad absurdum é um tipo de argumento lógico que leva uma premissa até o ponto do absurdo e então afirma que a premissa oposta deve, portanto, ser verdadeira. Um argumento reductio que tem aparecido muito ultimamente é assim: "Se estendermos a ideia de casamento até o ponto de incluir uniões do mesmo sexo, o que irá nos impedir de aprovar casamentos entre pessoas e ornitorrincos?"
Na piada reductio abaixo, Sol atribui um novo sentido à má-fé inerente à identificação com um grupo.
Abe e seu amigo Sol estão dando um passeio. Passam na frente de uma igreja católica, onde um cartaz anuncia "Mil dólares para quem se converter". Sol resolve entrar e ver o que é aquilo. Abe fica esperando do lado de fora. Passam-se horas. Por fim, Sol sai.
- E aí? - pergunta Abe. - O que aconteceu?
- Me converti - diz Sol.
- Não brinca! - diz Abe. - Ganhou os mil dólares?
Sol diz:
- É só nisso que vocês pensam?
(E daí que não somos politicamente corretos? Somos filósofos. Se quiser nos processe!)
Por outro lado, também é má-fé nos ver como donos de possibilidades ilimitadas sem nenhum limite à nossa liberdade.
Duas vacas estão paradas num campo. Uma diz para a outra:
- O que você acha dessa doença da vaca louca?
- Não me importa nem um pouco! - diz a outra.- Eu sou um helicóptero.
Para os filósofos existencialistas, a ansiedade genuína, aquela que chamam de "angst" porque tem um gosto tão amargo quando você diz a palavra, não é sintoma de patologia a ser tratada com terapia. Não, é uma reação humana básica à própria condição da existência humana: nossa moralidade, nossa inabilidade em compreender plenamente nosso potencial e a ameaça de falta de sentido. Quem sabe, é melhor ser um filósofo cabeça-de-vento a ser um existencialista.
Os existencialistas se apressam em diferenciar entre "ansiedade existencial", tal como a ansiedade da morte, que eles sentem brotar da condição humana, e a ansiedade neurótica comum, como a ansiedade de Norman:
Norman começou a ficar ofegante quando viu o médico.
-Tenho certeza de que estou doente do fígado.
- Ridículo - disse o médico. -Você nunca saberia se tivesse doença de fígado porque não há nenhum desconforto.
- Exatamente! - disse Norman. - É esse o meu sintoma.
Martin Heidegger - existencialista alemão do século XX - responderia assim: "Você chama isso de ansiedade, Norman? Você ainda não viveu." E por "viver" eu quero dizer pensar sobre a morte o tempo todo!
Heidegger chegou ao ponto de afirmar que a existência humana é ser-indo-para-a-morte. Para viver autenticamente, temos de encarar de frente o fato de nossa mortalidade e assumir responsabilidade por viver vidas significativas à sombra da morte. Não devemos tentar escapar da ansiedade pessoal e da responsabilidade pessoal negando o fato da morte.
Três amigos morrem em um acidente de carro e se encontram numa sessão de orientação no Céu. O moderador celestial pergunta o que eles mais gostariam de ouvir a respeito de si mesmos quando os amigos e parentes os vissem no caixão.
O primeiro disse:
- Espero que as pessoas digam que eu era um ótimo médico e um bom pai de família.
O segundo disse:
- Gostaria que as pessoas dissessem que como professor eu dei uma grande contribuição à vida das crianças.
O terceiro disse:
- Gostaria de ouvir alguém dizendo: "Olhem, ele está se mexendo!"
Para Heidegger, viver à sombra da morte não é apenas mais corajoso; é o único jeito autêntico de viver, porque nossa hora pode chegar a qualquer minuto.
Esse cartum ilustra os limites de nossa liberdade. Um homem pode, dentro do limite do razoável, pensar em se tornar testemunha de Jeová. Mas pode significativamente pensar em se transformar em pato?
Existe uma outra charada existencialista oculta nessa ilustração, que é a seguinte: "Que diabos esses patos pensam que são?"
Um homem pergunta a uma vidente como é o céu. A vidente olha a bola de cristal e diz:
- Hum. Vejo uma boa notícia e uma má notícia. A boa notícia é que existem vários campos de golfe no céu e que são todos incrivelmente bonitos.
- Nossa! Fantástico! Qual a má notícia?
- É que você tem uma partida marcada para amanhã às 8h30.
Ainda não aceita? Tente esta aqui:
PINTOR: Como é que estão as vendas?
DONO DA GALERIA: Bom, tem uma notícia boa e uma notícia ruim. Um homem entrou e me perguntou se você era um pintor daqueles cuja obra valoriza depois que morre. Eu disse que achava que sim, então ele comprou tudo seu que havia na galeria.
PINTOR: Nossa! Que ótimo! E qual a notícia ruim?
DONO DA GALERIA: Era o seu médico.
Porém, de vez em quando ouvimos uma história sobre a morte que ousa olhar a maior angst na cara e dar risada. Gilda Radner teve a coragem de contar esta aqui na frente de uma plateia quando recebeu o diagnóstico de que estava com câncer terminal:
Uma mulher com câncer vai ver o oncologista, que diz:
- Bom, infelizmente acho que chegamos ao fim da linha. Você só tem mais oito horas de vida. Vá para casa e aproveite ao máximo.
A mulher vai para casa, dá a notícia ao marido e diz:
- Querido, vamos só fazer amor a noite inteira. E o marido diz:
- Sabe como você às vezes está a fim de sexo e às vezes não? Bom, eu simplesmente não estou com vontade hoje.
- Por favor - pede a mulher. - É o meu último desejo, querido.
- Mas eu não estou com vontade - diz o marido.
- Eu imploro, querido.
- Olhe - diz o marido -, para você é fácil dizer isso. Não vai ter de levantar cedo amanhã.
A ênfase existencialista em encarar a ansiedade da morte deu vida a uma nova mini-indústria, o movimento hospice, fundado na filosofia bioética da Dra. Elisabeth Kiibler-Ross, que estimula a aceitação honesta da morte.
CLIENTE DE RESTAURANTE: Como vocês preparam o frango?
COZINHEIRO: Ah, nada especial, não. A gente só conta para eles que eles vão morrer.

TASSO: Do que você está rindo? Estou falando da angst da morte. Não é para rir.
DIMITRI: Mas existe coisa pior que a morte.
TASSO: Pior que a morte? O quê?
DIMITRI: Já passou uma noite inteira com Pitágoras?

(Tom Cathcart e Daniel Klein - Platão e um Ornitorrinco Entram Num Bar...)

publicado às 03:38


Como surge a sombra humana

por Thynus, em 10.10.14
Durante a leitura deste texto mantenha presente apenas esta imagem: um recém-nascido é capaz de ir da raiva mais agressiva até um estado de alegria eufórica em menos de dois minutos!
Imagine que quando nasce você é um castelo. Um castelo com mais de duas centenas de aposentos! Possui uma cozinha da generosidade e um salão do egoísmo. Uma cave da maldade e um quarto da bondade. Uma sala da amizade e outra da traição. Possui ainda aposentos de inteligência, amor, humildade, paz e respeito. E possui aposentos de estupidez, ódio, arrogância, guerra e desprezo. Muitos aposentos e todos eles úteis no momento certo. Os adultos à sua volta deveriam ensinar-lhe quando é apropriado visitar cada um dos aposentos. Deveriam dizer-lhe que possui aposentos que muito provavelmente nunca sentirá necessidade de visitar, e outros que lhe serão úteis inúmeras vezes, à medida que passeia pelo seu castelo.
O que acontece na realidade é isto: um dia visita o aposento do egoísmo e um adulto diz-lhe que esse aposento é feio. E você fecha a porta e atira com a chave. Algum tempo mais tarde visita a sala da bondade e outro adulto bate palmas e diz-lhe que essa sala é muito bonita. E você decide que irá passar muitos dias aí, mesmo que isso signifique sacrificar uma grande parte de quem é. Noutro dia visita a cave do desprezo. E outro adulto, que vê a sua visita, diz-lhe que essa cave é má! E mais: se você insistir em visitar essa cave novamente será punido! E você fecha a porta e atira com a chave dessa cave!
Por volta dos oito anos encontra-se a viver em cerca de 10 por cento dos aposentos do seu castelo. Aos vinte anos vive num T2, dentro do seu castelo!
Isto é o que acontece a todos os seres humanos! Exceptuando os muito poucos que foram educados por pais verdadeiramente iluminados que compreendiam o ser completo que você era, e é!
Durante os primeiros quarenta anos da sua vida, aproximadamente, irá fechar aposento atrás de aposento. Limitar-se-á mais e mais. Porque, ainda por cima, ensinaram-no a não correr riscos, a procurar a segurança da rotina, nem que sacrifique mais um pouco da sua vida e de quem é!
Por volta dos vinte e poucos anos começa a ter problemas com os aposentos que fechou. E ensinam-lhe a decorar afirmações positivas e a recitar mantras! Isto é o mesmo que viver numa casa que está a cair e você, num acto louco, decide pintar a casa de rosa, para criar a ilusão que a casa é nova em folha! É claro que ela irá cair!
As afirmações positivas são boas, deliciosas na verdade. Mas primeiro verifique o que está escondido na sua mente! A sua sombra, aquilo que você “não é”, os aposentos que se esqueceu já que existem. A maior parte dos nossos pensamentos são projectados a partir do subconsciente. Chamo-lhe a “vozinha da caixa da sombra”. O que temos nos pensamentos das pessoas que recitam afirmações positivas é um monólogo parecido a isto: “Eu amo-me e aceito-me tal como sou... (sorriso) Olha-me para aquele velho que não vê para onde vai, o estúpido!... Eu sou um com o amor Divino (mais um sorriso)... Odeio esta gente que fuma e não tem respeito pelos outros! Javardolas!... Eu perdoo todos os que me magoaram... Agora, como é que posso estragar o dia ao palhaço do meu colega?... Meu Deus, esta dor de costas não me larga! Será que é alguma coisa grave?... A minha mãe deixa-me com os nervos em franja! Se ela hoje me diz que preciso de mudar de vida outra vez, mato-a!... O dinheiro vem a mim facilmente... Eu não posso focar a atenção no que não quero! Eu amo-me e amo os outros... (outro sorriso, mas menos convincente) Estou outra vez atrasado, raios!
O problema real é que não nos apercebemos sequer do diálogo que coloco a itálico! É o diálogo que vem da sombra e que nem nos apercebemos! Excepto se começarmos a prestar verdadeira atenção aos nossos pensamentos. Sei do que falo por experiência própria.
Ainda não encontrei uma pessoa que pratique “pensamento positivo” que esteja verdadeiramente de bem com a vida! Que esteja verdadeiramente entusiasmado e apaixonado pela vida. Há aquelas pessoas que se esforçam tanto por mostrar que isto funciona, mas basta picar as suas sombras e vê-los a espernear! É giro! E assim lá se expressa o meu lado sádico de uma maneira pouco saudável! (Eu sei que essas pessoas, com uma vida fantástica porque recitavam continuamente afirmações positivas, existem! Conheço inclusive alguns dos livros, que podem ser uma ajuda preciosa para acordar – mas para a maioria dos mortais é só isso: servem para acordar).
Há ainda pessoas que fazem muita meditação e paz e amam tudo e todos... E depois alguém trata-os abaixo de cão! Ou são vítimas de violência física... E lá cai por terra a teoria da Lei da Atracção! (Eu também já acreditei nessa teoria – infelizmente está incompleta).
Será que você seria capaz de matar, de atraiçoar, de mentir? Claro que sim! Em dois minutos mostro-lhe uma situação em que o faria sem pensar! Há em nós uma coisa que se chama “instinto de sobrevivência” o qual ultrapassa, fisicamente, a mente consciente, os nossos preceitos morais e todo o lixo mental acumulado, e simplesmente entra em acção.
O problema para muitos pais é como explicar a um filho em que situações o seu medo, estupidez, arrogância, egoísmo, maldade e inveja, para nomear apenas alguns dos comportamentos humanos “negativos”, podem ser úteis.
Dedique algum tempo a estudar isto. Veja em que situações ser mau pode ser bom.
Nós passamos os primeiros 40 anos da nossa vida a acumular sombra. E os restantes a tentar recuperar essa sombra. Os ingleses chamam-lhe “midlife crisis”. Os Sábios chamam-lhe a “noite escura da alma” – uma idade em que perdemos a segurança numa área da nossa vida que nos é querida. E isto acontece por um único motivo: “Aquilo que tu não queres ser não te deixará ser”.

(Emídio Carvalho - A Sombra Humana)

publicado às 00:28

 
 
Se as células opinassem sobre a forma como conduzimos nossa vida, sem dúvida se mostrariam pasmas diante da quantidade de toxinas que toleramos. Por natureza, as células expelem substâncias tóxicas imediatamente ou as neutralizam. A principal atribuição do sistema imunológico é diferenciar os invasores nocivos dos inofensivos. A função dos rins é filtrar as toxinas do sangue. Uma grande flora bacteriana está presente nos intestinos, e lá deve permanecer (tomar antibiótico elimina indiscriminadamente a maior parte das bactérias do corpo e prejudica a digestão por um tempo, às vezes dramaticamente), e uma igualmente vasta variedade de bioquímicos corre no sangue. O sistema imunológico evoluiu para distinguir os bons dos maus. A inteligência de seu corpo está bem acostumada com a toxicidade e se protege contra ela. Para o ser humano, a mesma lição é mais difícil de aprender.
Quando a medicina convencional ignorou a campanha por uma alimentação mais saudável e contra aditivos em alimentos, prestou um desserviço ao bem-estar público. Depois que as indústrias de carne e de laticínios começaram a adicionar hormônios massivamente para acelerar a produção de carne e aumentar drasticamente a quantidade de leite que as vacas leiteiras dão, houve mudanças suspeitas na saúde pública, como o início precoce da menstruação em meninas e o aumento de casos de câncer de mama. (O tecido mamário é muito sensível a substâncias estranhas e pode confundi-las com sinais hormonais.) Mesmo atualmente, um médico mediano tem uma instrução mínima sobre nutrição. Só que os médicos deveriam ter aderido à campanha contra a contaminação potencialmente tóxica do ar, da água e dos alimentos. Populações com água contaminada e saneamento inadequado são vulneráveis a todos os tipos de epidemia e têm expectativa de vida menor. Porém, ainda não estudamos a correlação entre expectativa de vida e aditivos na dieta americana “normal”. O governo monitora o uso de pesticidas e inseticidas por lei, mas raramente persegue ou processa violações. Forças mercadológicas imensas promovem o fast food, carnes preparadas, alto teor de açúcar e uma grande variedade de conservantes. Mas ninguém tem que esperar os estudos para detectar qual aditivo é tóxico e qual não é. Uma alimentação rica em gordura e açúcar já é um risco. Ter cautela é a melhor atitude; uma dieta natural faz mais sentido. Por que não diminuir ao máximo a toxicidade em sua alimentação?
Isso não deve levar a extremismos. Até agora, nenhum estudo comprovou que pessoas que tomam obsessivamente grandes quantidades de suplementos ou que consomem rigorosamente alimentos orgânicos vivem mais do que as que têm uma alimentação normal e balanceada. Toxina é uma palavra assustadora, mas uma abordagem equilibrada é melhor do que uma pureza total motivada pelo medo.
Pesticidas e inseticidas são legalmente obrigados a se decompor até o momento em que o alimento chega ao mercado, e são lavados quando o produto é processado para venda – de qualquer maneira, lavar frutas, legumes e verduras em casa deve ser uma prática padrão. É sensato não confiar totalmente na indústria alimentícia, que garante que não ingerimos conservantes, aditivos e pesticidas em grau suficiente para nos fazer mal. No decorrer da vida, você é o que come. Isso já serve de alerta.
A campanha por uma alimentação melhor faz parte da tendência geral de buscar maior coerência (se pelo menos se espalhasse mais rápido), e os maiores problemas são as toxinas invisíveis que degradam o bem-estar. Estas, também, são bastante divulgadas: estresse, ansiedade, depressão, violência doméstica e abusos físico e emocional. Não dá para ver ou provar essas toxinas, mas a mesma dificuldade – a incoerência – predomina. As pessoas toleram estilos de vida tóxicos além da conta. Elas se comportam de modo a ter um impacto muito grande no corpo, ou aturam comportamentos semelhantes de seus familiares, amigos e colegas. A solução é a autoconsciência, olhando-se de verdade no espelho e descobrindo uma maneira de eliminar toxinas invisíveis de sua vida. O processo é parecido com este:
Sou forte e saudável. Posso comer tudo o que quiser.
Nada parece estar errado.
Coisas “naturais” são para ex-hippies e pessoas que se preocupam demais.
Analisei isso bem e há mais toxinas do que eu imaginava.
É melhor estar seguro do que me arrepender depois.
Tenho que mudar hoje se quiser ser saudável amanhã.
Posso me desacostumar a consumir comida processada, se eu tentar.
Eu mereço sentir bem-estar. Terei que me dedicar, mas valerá a pena.

 Para livrar sua vida de toxinas invisíveis, o caminho é diferente, mas não tanto. Você deixa de pensar “Eu consigo continuar com isso” e passa a pensar “Minha vida está sendo prejudicada”, até, finalmente, “Eu mereço me sentir bem”. Racionalização e inércia são coisas muito poderosas. Somos capazes de passar anos ingerindo toxinas porque nossa mente encontra motivos para não mudar. Admita o quanto essas forças são poderosas e respeite-as. Você não precisa armar um ataque frontal para tentar purificar sua vida. Basta voltar-se para a direção certa. A sabedoria que levou bilhões de anos para evoluir nas células merece alguns poucos anos de consideração da sua parte.

(Deepak Chopra - Super Cérebro)

publicado às 14:04

 
Há muita desinformação relacionada com esta doença.
É um facto que o nosso corpo diariamente produz células cancerosas.
Se o sistema imunitário estiver a cumprir o seu trabalho, estas células são destruídas.
O problema surge quando estas células não são destruídas.
Muitas vezes um cancro surge como método escolhido pelo corpo para lidar com uma determinada situação e, logo que a situação seja ultrapassada, o cancro entra em remissão espontânea.
O problema é que é praticamente impossível saber quando um cancro está apenas a desempenhar uma função de protecção e quando não.
Saber a causa de um cancro é determinante para a sua cura definitiva. Isto também nem sempre é fácil.
Contudo, no caso de adultos, a maioria dos cancros têm uma causa emocional bastante acentuada.
Em todas as pessoas com quem estive até hoje, diagnosticadas com cancro, descobri um profundo sentimento de ressentimento, mágoa, vergonha e um desejo profundo que algo do seu passado não tivesse acontecido.
A emoção mais difícil de tratar é o ressentimento.
Este cura-se única e simplesmente com o perdão dirigido à pessoa que causou os danos.
E não é fácil perdoar.
Há o perdoar intelectual.
Este é fácil.
Mas o perdoar a partir do coração, o perdoar acompanhado de lágrimas, o perdoar em que temos coragem de abraçar aquele que nos magoou e desejar-lhe toda a bondade e amor da vida, esse é o perdoar difícil.
O processo de perdoar pode ser lento e doloroso.
Temos que ver que a pessoa que nos causou danos foi, ela própria, danificada.
Só é incapaz de amar aquele que nunca foi amado.
E a maior parte das pessoas nunca foi amada.
Quase todos nós, na infância, experienciámos o amor condicionado.
É o único amor que muitos conhecem.
Daí o esforçarmo-nos tanto por agradar aos outros: inconscientemente aprendemos que só somos merecedores de ser amados quando somos pessoas boas.
Decidimos assim reprimir a raiva, o medo, o despeito, a ignorância, a culpa e a vergonha.
Porque queremos que os outros gostem de nós.
Não por sermos quem somos, mas por sermos pessoas boas.
O maior entrave à cura é o estado de negação em que muitas pessoas se encontram.
Quando lhes é perguntado sobre a sua infância atiram imediatamente a resposta que garanta serem julgadas “pessoas boas”.
A pergunta, que pode causar dor, é esta: se é uma pessoa boa porque se está a tratar tão mal a si mesma?
Nós ainda creditamos que alguém nos virá salvar.
Alguém irá tirar-nos do nosso sofrimento.
nos pode salvar se nós não nos quisermos salvar primeiro.
A pergunta que temos que nos fazer é esta: quem errou comigo?
Quem é que eu estou a culpar pelo estado em que me encontro?
E estar disponível para as respostas.
Há quatro atitudes humanas que são a causa da maioria do sofrimento: a justificação, a negação, o ressentimento e a culpa.
Apesar de já desconfiar, depois de ler “A Cabana” fiquei esclarecido: cada justificação nossa serve para encobrir uma mentira.
Quando se apanhar a justificar o que quer que seja pergunte-se: qual é a verdade que estou a esconder?
A negação é a atitude de fazer de conta que está tudo bem.
Quando não está.
O estado de negação leva-nos a proferir afirmações como “faz parte do processo” ou “no fundo fui eu quem criou a situação”.
Isto impede-nos de ir para além da dor.
É aquela atitude de “está tudo bem” quando o nosso coração se encontra ferido para além do imaginável.
O ressentimento mantém-nos presos à pessoa que nos magoou.
É como se estivéssemos com as nossas mãos a apertar o pescoço da pessoa que nos causou danos.
E jamais estaremos livres dessa pessoa enquanto não formos capazes de a olhar nos olhos e dizer-lhe “Eu perdoo-te”.
Mas perdoar com o coração é ir mais longe.
É abraçar a pessoa que nos causou danos e desejar-lhe, do fundo do coração, o melhor que a vida e o amor têm para oferecer.
Só aí estaremos livres.
Não perdoamos porque queremos que a outra pessoa seja punida.
Esquecemo-nos que a vida se encarrega desse pormenor.
Mas enquanto não perdoarmos estaremos sempre acorrentados a quem nos causou danos.
E iremos sofrer continuamente, amarrados a um passado que não voltará mas que será sentido todos os dias.
A culpa tem por objectivo apontar o dedo a quem nos causou danos.
Rouba-nos poder.
Se eu estou onde estou na vida por culpa de outro, então o outro detém poder sobre quem eu sou.
E infelizmente vivemos numa sociedade de pura vitimização.
Há sempre alguém a quem podemos processar, ou acusar, ou criticar, ou de quem nos podemos vingar.
Há um ditado tibetano curioso: “se queres ser feliz por um dia, vinga-te de quem te fez mal. Se queres ser feliz todos os dias, perdoa quem te fez mal”.
Voltemos ao cancro.
As células cancerosas têm necessidades nutricionais muito específicas.
Sobretudo precisam de açúcar e proteína animal.
Eliminar estes dois produtos da dieta é uma garantia de obrigar as células cancerosas a passar fome.
Em realidade as células cancerosas são extremamente frágeis.
Muito mais do que as células saudáveis.
O calor.
O nosso corpo tem uma forma de combater invasores que possam interferir com o seu bem-estar: aumentar a temperatura corporal.
A maioria das bactérias, vírus, e células cancerosas, só conseguem multiplicar-se e existir dentro de parâmetros muito exactos.
A febre é um mecanismo de defesa incrível.
Garante a destruição de qualquer agente agressor.
Tanto quanto sei, todas as pessoas cujos cancros entram em remissão passam por uma fase de um ou dois dias de febres muito altas.
A temperatura elevada garante a destruição das células cancerosas.
Combater a febre é um erro.
É um erro porque estamos a interromper um processo natural.
Há apenas 3 situações em que é importante interromper um estado febril: se a pessoa começar a alucinar, se a febre ultrapassar os 40 graus centígrados ou se se prolongar para lá de 3 dias.
A primeira ferramenta que podemos utilizar para baixar a febre é a couve.
Colocar folhas de couve nas virilhas, axilas, pescoço e testa.
Quase sempre funciona.
A couve é um antipirético natural bastante eficaz.
Toalhas humedecidas também aliviam.
As drogas devem ser sempre a última linha de defesa e nunca a primeira!
Não sei se sou o único a notar que há cada vez mais pessoas a sofrer com este problema.
Talvez os sábios de antigamente, desde os Maias, tenham razão e estejamos a presenciar um novo despertar no planeta.
Sabemos que o campo electromagnético do planeta está a modificar.
Talvez o nosso corpo não esteja preparado para esta situação.
Tudo não passa de conjecturas.
Mas se isto for verdade, acredito que a Re-Ligação é uma maneira de criar no nosso corpo uma sintonia com o ambiente electromagnético do próprio universo.
Mas talvez eu esteja errado.

(Dr. Emídio de Carvalho)

publicado às 14:46



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