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O que é o amor?

por Thynus, em 27.01.14

”Amor é fogo que arde sem se ver... 

É nunca contentar-se de contente”.

(Camões)

O amor cristão mostrou-se como ágape, um amor fraterno que se devota ao outro. Não é o amor de casais, erótico-romântico. Mas, ao trazer a liberdade para perto da palavra “amor”, contaminou esta última em toda a sua aplicação. Trouxe também para o interior do amor erótico-romântico, o dos casais, tudo de que este precisava para ser o amor romântico par excellence, a saber, a liberdade. O casal romântico surgiu na história segundo a narrativa em que a moça ou o moço, contra o destino imposto pelas famílias – o que seria a condição natural –, inventam de se rebelar para poderem viver juntos, unirem-se sexualmente, curtirem-se e se cuidarem. Essa rebeldia e entrega à atividade do namoro, próprias do amor romântico moderno, cantada e contada pelos literatos, só foi possível porque um dia o amor beijou a liberdade cristã. Jesus abriu as portas para que as núpcias pudessem ter sabor de aventura. Foi do amor cristão que nasceu a ideia de liberdade individual inerente ao amor romântico e moderno. No limite, foi dessa liberdade que o Romantismo retirou a regra atual de que o melhor casamento é aquele efetuado “por amor” – regra que fez o Romantismo se adaptar muito bem aos desígnios democrático-liberais que ganharam voz e vez no mundo moderno ocidental. 
(Paulo Ghiraldelli Junior - Como a Filosofia pode explicar o Amor) 
 
 

 

 

O amor é um sentimento e, enquanto tal, é difícil de descrever. Sendo a fonte e a razão da vida (uma vida com amor tem muito mais sabor e côr), muitas e muito divergentes podem ser as definições de amor. Definir frio e calor, fome e sede, saúde e doença é facil, mas, sendo o amor um sentimento tão íntimo e peculiar, torna-se complicado para nós humanos dar uma definição abrangente do Amor. Para entendê-lo somos quase que forçados a recorrer a três dimensões do amor sugeridas por três grandes mestres espirituais: Eros (Platão), Philia (Aristóteles) e Ágape (Jesus Cristo). Poderíamos talvez dizer que o ser humano não precisa de amor, mas de amores. Precisa sim de três: Ágape, Eros e Philia, para que seja um ser (quase) completo. Completo como um ente único manifestando três aspectos do amor humano e divino que se complementam e são transferidos para os objetos desses amores, interagindo com outros entes também únicos.

 

 

 

 

 Platão, no diálogo O Banquete, define o amor como Eros que podemos traduzir como desejo ou falta.(1) Amor na ausência ou falta. Quem nunca ouviu a expressão "amor platónico"?

"Afinal, amamos mesmo o que desejamos. E não há quem não deseje. O que lhe faz falta, claro. Amor pela cunhada, por exemplo. Pelas metas e resultados a alcançar. Pelo lucro esperado. Pela fatia de mercado que ainda teima em ser do concorrente.(Veja como Clóvis Barros Filho define "Eros" a partir de 9:22)
Na sequência, Aristóteles. Philia.(2) Amor na presença, desta vez. Pelo que já é nosso. Pelo encontro vivido. Pelo que alegra (philia é alegria). Pelo regozijo. Amor mais raro que o primeiro, certamente. Afinal, ir atrás do que se deseja é movimento de qualquer um. Mas conseguir se alegrar com a mesma mulher um quarto de século depois do matrimônio, aí, sim, já exige um pouco de sofisticação. De elevação. Não por acaso o filósofo Baruch Spinoza definiu a alegria como "passagem ao estado de maior potência do próprio ser", sendo a tristeza "passagem ao estado de menor potência do próprio ser". Enquanto o amor de Platão é amor na ausência (desejo) do ser amado, contrariamente, para Aristóteles, é amor na presença.(Veja como Clóvis Barros Filho define "Philia" a partir de 23:30)
Faltava um terceiro amor. Os dois primeiros foram rápidos demais. Ágape, claro. Por que não tinha pensado antes? Minha salvação. Amor muito diferente dos dois primeiros. Amor pelo próximo. Por qualquer um. Por isto mesmo não se confunde nem com o desejo nem com a alegria de quem ama.
Afinal, não desejamos qualquer um – hum, depois de uma certa idade, não sei não. Tampouco nos alegramos com qualquer um. Como seria boa a vida e a convivência se assim fosse. Mas no mundo que nos cabe viver, o que mais tem é mala, convenhamos.
Ágape é afeto do amante, centrado no amado. Que por ele e sua alegria muito fará. Amor que faz bem a ambos. Bem demais. Confere às vidas colorido maior. Questão de descolar do próprio umbigo. Transcender o útil. Sentimento de muitos por seus filhos pequenos ajuda a esclarecer."(Veja como Clóvis Barros Filho define "Ágape" a partir de 41:36)

 (Clóvis de Barros Filho - A Filosofia explica as Grandes Questões da Humanidade)

 

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (Jo 15,12)

 

 
Vale a pena (diria até que é obrigatório) ouvir atentamente a brilhantes exposição sobre o Amor proferida pelo professor Clóvis de Barros Filho, no vídeo abaixo.

 

 

NOTAS:

 

(1) "É EM O Banquete QUE PLATÃO EXPÕE A VISÃO SOCRÁTICA DO AMOR. LEMBRAMOS DESSE MARAVILHOSO DIÁLOGO — O PRIMEIRO QUE EU MESMO DESCOBRI NA ADOLESCÊNCIA —, SOBRETUDO O CÉLEBRE DISCURSO DE ARISTÓFANES. O POETA EXPLICA QUE, ANTES, ÉRAMOS FORMADOS APENAS DE UM CORPO DUPLO. OS MACHOS TINHAM DOIS SEXOS MASCULINOS, AS FÊMEAS, DOIS SEXOS FEMININOS, E OS ANDRÓGINOS, UM SEXO DE CADA GÊNERO. INFELIZMENTE, ZEUS DECIDIU CORTAR EM DOIS NOSSOS DISTANTES ANCESTRAIS. DESDE ENTÃO, PROCURAMOS INCESSANTEMENTE NOSSA METADE, QUE, QUALQUER QUE SEJA NOSSO SEXO, PODE SER HOMEM OU MULHER, SEGUNDO A NATUREZA DE NOSSA DUPLA ORIGEM. PARA ARISTÓFANES, ESSA BUSCA É JUSTAMENTE O QUE CHAMAMOS DE AMOR. O AMOR É O DESEJO DE ENCONTRAR NOSSA UNIDADE ORIGINAL PERDIDA. E ELE OFERECE A MAIOR FELICIDADE QUANDO NOS PERMITE reencontrar nossa metade e restaurar nossa plena natureza. 
O AMOR É MESMO O DESEJO DE ALGO QUE NOS FALTA. É O MOTIVO PELO QUAL O AMOR NÃO PODE SER  DIVINO: OS DEUSES NÃO SENTEM FALTA ALGUMA! “O QUE NÃO TEMOS, O QUE NÃO SOMOS, AQUILO DE QUE SENTIMOS FALTA: SÃO ESSES OS OBJETOS DO DESEJO DO AMOR”, EXPLICA SÓCRATES ( O Banquete, 200E). PARTINDO DESSA CONSTATAÇÃO, O FILÓSOFO VAI FALAR DO AMOR, EVOCANDO OUTRO MITO, O DE EROS. E, COISA BASTANTE RARA, QUE VALE SUBLINHAR, ELE PRETENDE TER RECEBIDO ESSE ENSINAMENTO DE UMA MULHER: DIOTIMA. ESSA MULHER DE MANTINEIA LHE ENSINOU QUE O AMOR, NÃO PODENDO SER UM DEUS, FEZ-SE UM daimon, UM MEDIADOR ENTRE OS DEUSES E OS HOMENS. SEMPRE INSATISFEITO, SEMPRE EM MOVIMENTO, SEMPRE EM BUSCA DE SEU OBJETO, SEMPRE MENDIGANDO, EROS LEVA OS HOMENS A DESEJAREM COISAS TÃO DIVERSAS COMO A RIQUEZA, A SAÚDE, AS HONRARIAS, OS PRAZERES DOS SENTIDOS ETC. MAS, EM ÚLTIMA INSTÂNCIA, O QUE ELES DESEJAM ACIMA DE TUDO É A IMORTALIDADE. É O MOTIVO PELO QUAL ELES FAZEM FILHOS E CRIAM OBRAS, QUER DE ARTE, QUER DO ESPÍRITO. APESAR DE TUDO ISSO, CADA UM SABE NO FUNDO DE SI MESMO QUE A MORTE PERMANECE UMA REALIDADE INCONTORNÁVEL, E QUE NEM O AMOR DE NOSSOS FILHOS NEM O DE NOSSAS OBRAS jamais nos levará a uma felicidade durável." ((Frédéric Lenoir - Sócrates, Jesus, Buda, três mestres de vida)

(2) "MUITO ANTES DE JESUS, ARISTÓTELES, BRILHANTE DISCÍPULO DE PLATÃO, JÁ HAVIA FEITO EVOLUIR A NOÇÃO DE AMOR. PARA ELE, O AMOR NÃO É APENAS DESEJO. ELE TAMBÉM PODE SE MANIFESTAR NA AMIZADE QUE PERMITE AOS SERES HUMANOS SE ALEGRAREM JUNTOS NUMA PARTILHA RECÍPROCA. SOBRE ESSE AMOR DE AMIZADE, QUE ELE CHAMA DE philia, PARA DIFERENCIÁ-LO DE eros, ARISTÓTELES NÃO HESITA EM AFIRMAR QUE ELE CONSTITUI, COM A CONTEMPLAÇÃO DIVINA, A MAIS NOBRE ATIVIDADE DO HOMEM, AQUELA QUE LHE PERMITE SER VERDADEIRAMENTE FELIZ ( Ética a Nicômaco). ESSA VISÃO NÃO RESTRINGE ABSOLUTAMENTE A VISÃO SOCRÁTICA, MAS A COMPLETA: SEM CHEGAR À CONTEMPLAÇÃO DIVINA, O AMOR HUMANO PODE DESABROCHAR NO PRAZER E NA ALEGRIA; ELE NÃO É MAIS APENAS UMA PULSÃO, UM DESEJO FUNDAMENTALMENTE AMBIVALENTE, NEM SEMPRE UMA FALTA OU INSATISFAÇÃO. ARISTÓTELES FAZ, assim, do amor uma experiência alegre e uma virtude.
JESUS DIRÁ AINDA SOBRE O AMOR UMA COISA QUE NÃO ANULA AS CONCEPÇÕES DE eros E DE philia. É POR ISSO QUE OS AUTORES DOS EVANGELHOS PROCURARÃO NA LÍNGUA GREGA UMA TERCEIRA PALAVRA PARA DESIGNAR A CONCEPÇÃO CRISTOLÓGICA DO AMOR: ágape. PARTINDO DO DISCURSO DE JESUS, ESSA palavra introduz uma nova dimensão que vai além do desejo-eros, ou da amizade-philia. Ágape é um amor no qual dominam a benevolência e o dom." (Frédéric Lenoir - Sócrates, Jesus, Buda, três mestres de vida)

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publicado às 17:59


O Deus que é, o Deus que está

por Thynus, em 26.01.14

Quem teve trabalhos de tradução deu-se conta das enormes dificuldades da tarefa. Tudo se complica ainda mais quando se vem de e se vai para mundos diferentes. Porque uma língua é um mundo e não um simples instrumento. Um caso típico destas dificuldades encontra-se na tradução da Bíblia, ao passar do mundo hebraico para o mundo grego e, depois, latino e outros. O grande Adolf von Harnack chamou a atenção para o imenso problema.
Para explicitar, ouçamos o Credo cristão: "Creio em Jesus Cristo. Gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, ressuscitou ao terceiro dia." Segundo a fé cristã, isto é verdade? Sim, é verdade. Mas a pergunta é: o que deriva dessas afirmações para a nossa existência de homens e mulheres, cristãos ou não? O Credo é teologia dogmática, especulativa. Ora, a teologia dogmática tem que ver com doutrinas e dogmas, com uma estrutura essencialmente filosófica. Pergunta-se: os dogmas movem alguém, convertem alguém, transformam a existência, dizem-nos verdadeiramente quem é Deus para os seres humanos e os seres humanos para Deus? Por outro lado, quem apenas recitar o Credo tem de perguntar: o que fez Jesus entre o nascimento e a crucifixão? O que é o que o levou à cruz? Quais foram as suas relações com Deus, com as mulheres, com a sociedade, com a religião, com o dinheiro, com a política? O que moveu a sua vida, o que pensou, o que queria? Que nos deixou realmente em herança?
Vejamos exemplos mais concretos da dita tradução e dos seus perigos. No capítulo 3 do livro do Êxodo, narra-se a experiência que Moisés fez com a manifestação de Deus na sarça ardente - ardia e não se consumia. "Não te aproximes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é um lugar sagrado." Moisés cobriu a face com temor. Deus disse-lhe que tinha visto as misérias e as angústias do seu povo e que estava disposto a libertá-lo. E Moisés: se os filhos de Israel me perguntarem qual é o teu nome, que lhes responderei? E Deus: "Eu sou aquele que sou." Dir-lhes-ás: ""Eu Sou" enviou-me a vós." A fórmula em hebraico: ehyeh asher ehyeh ("eu sou quem eu sou", "eu sou o que sou") é o modo de dizer que Deus está acima de qualquer nome, ele é a Transcendência pura, que não está à mercê dos homens, mas diz também o que Deus faz: Eu sou aquele que está convosco na história da libertação, que vos acompanha nessa gesta de liberdade e salvação. A Tradição, porém, na sequência dos Setenta, compreendeu aquele ehyeh asher ehyeh como "Eu sou aquele que é", "Eu sou aquele que sou", e Javé afirma o Ser absoluto de Deus, filosofando Santo Tomás, nesta linha, sobre Deus como Ipsum Esse Subsistens (O próprio Ser Subsistente). Deste modo, apesar de não ser errado, perdeu-se a dinâmica do Deus que está presente e acompanha na história da libertação.
No Novo Testamento, João Baptista, preso, mandou os discípulos perguntar a Jesus se ele era o Messias. Jesus respondeu dizendo: Ide dizer-lhe o que vistes e ouvistes: os coxos andam, os cegos vêem, a boa-nova é anunciada, a libertação está em marcha.
A teologia, a partir da Bíblia, é, antes de mais, teologia narrativa e não dogmática. Quer dizer: tem uma estrutura histórica. Na teologia especulativa, o centro de interesse é o ser; na teologia narrativa, o decisivo é o que acontece. Por isso, na perspectiva cristã, o fundamental e essencial consiste na pergunta: O que é que acontece quando Deus está presente? Na linha dogmático-doutrinal, pode dar-se um assentimento intelectual, mas a existência continua inalterada.
Decisivo na orientação do Papa Francisco foi esta passagem do dogma e da doutrina para a existência e a praxis transformadora. O que acontece quando Deus está presente? Afinal o nome de Deus, tantas vezes ouvido no Natal, é Emmanuel, o Deus connosco. Como escreveu o deputado europeu Paulo Rangel, "Deus não é esse ser distante e estático que é, mas antes o ser próximo e interactivo, Deus pode não ser afinal Aquele que é. Deus é Aquele que está."

(Anselmo Borges)

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publicado às 06:44


Francisco e Obama

por Thynus, em 26.01.14
Bento XVI teve um gesto histórico único ao determinar que no dia 28 do mês de Fevereiro passado, às 20 horas, a sede de Roma ficava vacante, abrindo assim caminho à eleição de um novo Papa. No dia 13 de Março, aconteceu pela primeira vez um Papa jesuíta: o cardeal de Buenos Aires, Bergoglio. O nome escolhido, Francisco, foi todo um programa, que tem realizado. A sua atitude tem sido autenticamente franciscana. Conquistou o mundo, ao inclinar-se, despojado, perante a multidão e pedindo a sua bênção. Depois, com a sua humildade, simplicidade, bondade, compaixão, deixou o Palácio Apostólico para viver normalmente em Santa Marta. O seu interesse pelas pessoas é real e genuíno. Foi a Lampedusa, beija, diz piadas, sorri, ri, acaricia, escreve cartas, telefona. Não tem medo. Declara que também tem dúvidas. Mas Francisco tem pela frente imensos problemas. Diria que o primeiro é tentar converter a sua Igreja ao cristianismo, começando pelos hierarcas. Que os cardeais, bispos, padres, católicos, se convertam ao Evangelho de Jesus. Os problemas são ad intra e ad extra, isto é, no interior da Igreja e na sua relação com o mundo. Dentro, para lá da questão decisiva da conversão, há todo o problema de uma nova Constituição para a Igreja, a começar pelo papado. Não é compreensível que o Papa sozinho tenha tanto poder como o Papa e os bispos juntos, no quadro de uma monarquia absoluta. Significativamente, Francisco não fala de si como Papa, mas como bispo de Roma, o que indica que quer descentralizar, no quadro de maior participação dos bispos e das conferências episcopais. A Igreja Católica é a única instituição verdadeiramente global, e isso tem de implicar descentralização nos vários domínios da vivência do cristianismo. Se a Igreja é de todos, Povo de Deus, impõe-se a participação activa de todos, e será necessário dar também lugar às mulheres nos lugares cimeiros de decisão. Para a pedofilia, tolerância zero. Essencial é a transparência no Banco do Vaticano. No contexto da moral, o próprio Francisco já condenou o legalismo e o ritualismo e avisou que não pode viver obcecada com o sexo. Assim, mostra compreensão em relação aos homossexuais, mandou um inquérito audaz a todos os católicos sobre o novo mundo da vivência familiar. É expectável que se abra a uma revisão da Humanae Vitae e aos anticonceptivos, à participação em toda a vida da Igreja, incluindo a comunhão, por parte dos divorciados recasados. Não irá ainda para a abolição da lei do celibato dos padres, mas poderá abrir as portas aos padres que entretanto casaram e à ordenação de homens casados. Quanto à missão da Igreja para o seu exterior, Francisco já manifestou o seu empenhamento no ecumenismo - diálogo com as outras Igrejas cristãs, nomeadamente a ortodoxa, não sendo impossível vê-lo a visitar Moscovo - e no diálogo inter-religioso, concretamente com o islão. As Nunciaturas Apostólicas, isto é, as Embaixadas do Vaticano em quase todos os países do mundo terão o papel de pontes para a paz e a promoção dos direitos humanos. O Papa Francisco continuará a intervir no mundo como voz político-moral global, proclamando a justiça e a paz. O efeito Francisco é inegável. Está aí a sua imensa influência nos média. Tem 11 milhões de seguidores no Twitter. Foi considerado a personalidade do ano 2013. Granjeou empatia, simpatia e admiração global. A prática religiosa tem aumentado. E a razão é simples: tomou a sério o Evangelho. Mas não se pode ser ingénuo. Encontrará muitas resistências dentro e fora da Igreja. Sobretudo dentro, correndo o risco de, como Obama, cuja popularidade desceu, ver em parte bloqueada a sua revolução pacífica. É o que aconteceria se não conseguisse uma nova Constituição para a Igreja, uma profunda e rápida transformação da Cúria, transparência plena no Banco do Vaticano. Mas há razões para uma esperança fundada. Rodeou-se do G8 cardinalício e quer rapidamente reformar a Cúria. Francisco faz a síntese de franciscano e de jesuíta. Ele é cristão franciscano, com formação de jesuíta para uma estratégia na eficácia.

(Anselmo Borges)

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publicado às 06:43


O HIERÓS-GÁMOS

por Thynus, em 25.01.14
O Céu santo vive na embriaguez
de penetrar o corpo da Terra

Nauck, frag.44

 

 

 

 

Partindo do princípio que a divindade dá origem a toda a Criação, conclui-se que ela deve conter os gérmenes de todas as coisas. Por esse motivo, se separarmos seus aspectos masculino e feminino, teremos não mais um deus único, mas um casal divino. Como a divindade em sua essência é andrógina, a apresentação de deuses masculinos ou femininos constitui-se numa "especialização" resultante da necessidade de expressar determinados aspectos dos Mistérios. Portanto, quando o mito define o sexo de um deus, ele está simplesmente ressaltando um dos aspectos da divindade, deixando o outro oculto, latente.
O tema da androginia divina é amplamente conhecido pela mitologia universal. Mircea Eliade faz sobre o assunto os seguintes comentários:
"Dado que todos os atributos coincidem na divindade, é de se esperar que nela coincidam, igualmente, sob uma forma mais ou menos manifesta, os dois sexos. A androginia divina não é outra coisa senão uma fórmula arcaica da biunidade divina. O pensamento mítico e religioso, antes mesmo de exprimir este conceito de bi-unidade em termos metafísicos (esse-non esse) ou teológicos (manifesto-não manifesto), começou por exprimi-lo em termos biológicos (bissexualidade). Já tivemos ocasião, mais de uma vez, de verificar que a ontologia arcaica se exprime em termos biológicos. Mas não devemos deixar-nos iludir pelo aspecto exterior desta linguagem, tomando a terminologia mítica no sentido concreto, e profano, "moderno" das palavras. A "mulher" num texto mítico ou ritual nunca é a mulher: ele remete para o princípio cosmológico que ela incorpora. Por isso, a androginia divina, que se encontra em tantos mitos e crenças, tem um valor teórico, metafísico. A verdadeira intenção da fórmula é a de exprimir - em termos biológicos - a coexistência dos contrários, dos princípios cosmológicos - quer dizer, macho e fêmea - no seio da divindade...
"A maior parte das divindades da vegetação - tipo Átis, Adônis, Dioniso - e da Grande Mãe - tipo Cibele - são bissexuadas... A bissexualidade divina é um fenômeno muito espalhado nas religiões e - característica que deve ser sublinhada - são andróginas até mesmo divindades masculinas ou femininas por excelência. Qualquer que seja a forma em que a divindade se manifeste, ela é a realidade última, o poder absoluto, e esta realidade, este poder, negam-se a deixar-se limitar por qualquer espécie de atributo e de qualidades (bom, mau, macho, fêmea). Alguns dos deuses egípcios mais antigos eram bissexuados. Entre os gregos, a androginia não deixou de ser admitida, mesmo nos últimos séculos da antiguidade. Quase todos os deuses da mitologia escandinava conservam ainda vestígios da androginia: Odin, Loki, Tuisto, Nerthus. O Deus iraniano do tempo ilimitado, Zervan, que os historiadores gregos traduziram, com razão, Cronos, é também andrógino".
(Tratado de História das Religiões, p.495)
Temos como resultado desse splitting efetuado na figura divina um casal que realiza o que os gregos nomearam hierós-gámos, um símbolo do encontro entre os princípios masculino e feminino do Cosmo, ou, em outro plano, da união entre o Céu e a Terra. Na Mitologia Grega, essas bodas divinas têm seu protótipo na união entre Urano e Gaia, desdobrando-se (conforme o que vimos sobre deslocamento) nos encontros entre Cronos e Réia, ou Zeus e Hera. Nos mitos dos heróis, tanto o casamento que lhes dá origem quanto as suas próprias núpcias configuram-se como repetições arquetípicas do hierós-gámos. A nível ritual, por conseqüência, o casamento entre o homem e a mulher  reproduz esse arquétipo, e, mais do que isso, uma união somente produzirá frutos se estiver identificada a esse evento divino. Como nada pode ser real fora do mito, quando um casal engendra um filho, não são eles próprios, mas os deuses que se encontram naquele momento. Por esse motivo, o herói, como figura exemplar, é sempre filho da divindade; a mãe é vulgarmente apresentada como mortal, mas este é um recurso de se acentuar o encontro entre o humano e o suprahumano, representado respectivamente pela Terra e pelo Céu. Aqui farei minhas as palavras de Eliade:
"Também para os ritos matrimoniais há um modelo divino, e o casamento reproduz a hierogamia, mais particularmente a união entre o Céu e a Terra. 'Eu sou o Céu', diz o marido, 'tu és a Terra' (Dyaur aham, primitivî tvam; Bradararanyaka Upanishad, VI - 4,20). Já no Atharva Veda (XIV - 2,71) o marido e a mulher são identificados com o Céu e a Terra, ao passo que no outro hino (Atharva Veda, XIV - 1) os gestos nupciais são justificados por um protótipo dos tempos míticos: 'Tal como Agni pegou na mão direita desta terra, eu também pego na tua... que o deus Savitar pegue na tua mão' (...) No ritual da procriação transmitido por Brhadararanyaka Upanishad, o ato criador transforma-se numa hierogamia, de proporções cósmicas, mobilizando grande número de deuses: 'Que Vishnu prepare o molde, que Tvashtar modele as formas; que Prajâpati verta; que Dhatar deponha em ti o germe' (VI - 4,21). Dido celebra o seu casamento com Enéias no meio de uma violenta tempestade (Virgílio, Eneida, IV - 160); essa união coincide com a dos elementos; o Céu abraça a sua esposa, a Terra, cumulando-a com a chuva fertilizadora. Na Grécia, os ritos matrimoniais imitavam o exemplo de Zeus ao unir-se secretamente com Hera (Pausânias, II - 36,2). Diodoro de Sicília (v.72,4) assegura-nos que a hierogamia cretense era imitada pelos habitantes da ilha; o que significa que a cerimônia da união encontrava a sua justificação num acontecimento primordial passado 'naquele tempo' ".(O Mito do Eterno Retorno, p.38)
Do ponto de vista esotérico, a hierogamia pode ser interpretada como a síntese entre os pólos masculino e feminino da alma humana, que deve ser obtida pelo iniciado. O casamento dos heróis dos mitos e contos de fada, debaixo desta abordagem, simboliza o encontro dos opostos que acontece na iniciação. Uma outra alternativa versa sobre uma noiva adormecida, que caberá ao esposo despertar. Esse tema aparece numa parábola hindu, que fala de um deus que deve despertar a sua amada. Na Bíblia, o Cântico dos Cânticos, que descreve o encontro de dois amantes, mostra a noiva dizendo: "Eu dormia, mas meu coração velava, e ouvi o meu amado que batia..." (5:2).
Nos Evangelhos, o arquétipo aparece na ocasião em que Jesus cura a filha de Jairo, que jazia no leito de morte, após um misterioso comentário: "Retirai-vos todos daqui, porque a menina não morreu: está dormindo" (Mt.9:24). O conto da Bela Adormecida trata do mesmo assunto. Neste caso, a noiva representa o mundo manifesto, que se encontra "adormecido", entorpecido pela Grande Ilusão que a existência proporciona. Dentro do homem, a noiva é Psiquê, que se encontra inconsciente de sua origem divina, e precisa efetuar uma peregrinação purificadora pelo mundo dos sentidos antes de reencontrar o seu divino "amante".

 

 

(Antonio Farjani - A linguagem dos deuses)

 

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publicado às 04:03

 O homem é co-autor da obra cósmica, da criação do Universo

 

Deus criou o homem à sua imagem;

à imagem de Deus Ele o criou;

e criou-os homem e mulher.

(Gn. 1, 27)

 

 

 

O motivo que levou o senso comum a continuar a pensar dentro da lógica hoje obsoleta é o de que, embora essas novas descobertas tenham se iniciado há décadas, a nossa cultura ainda não conseguiu absorvê-la filosoficamente. De forma instintiva e inconsciente, para se defender de uma realidade insuportável, continuou-se a pensar como antes. Por outro lado, sem a Física quântica seríamos incapazes de construir a maior parte dos engenhos que temos desenvolvido ultimamente, desde centrais nucleares a simples aparelhos de televisão. Esta é uma triste ironia; embora consigamos aproveitar tecnologicamente a nova teoria, negamos de forma cínica e irresponsável as suas conseqüências filosóficas.
De qualquer forma, não é minha intenção defender idéias que há muito não necessitam ser defendidas, e sim tentar lançar suspeitas sobre os muitos preconceitos quanto à concepção do Universo feita pelos antigos. No mais, interessa-nos aqui tentar penetrar na forma de pensamento destes últimos com o fito de compreendermos um pouco melhor a sua produção mítico-religiosa. Fora de qualquer dúvida, a idéia de que o Universo é composto de dois planos complementares entre si é fundamental para podermos penetrar no Universo mítico, razão pela qual resolvi começar por esse tema.
Os nomes desses dois mundos variam entre os diversos povos, mas a essência da concepção é a mesma. Na tradição zervanita dos persas, todas as coisas têm um duplo aspecto: o mênôk, invisível, e o gêtîk, captável pelos sentidos. Assim, fica provido o Universo de uma dupla face: a terra em que vivemos é mero reflexo de uma terra celestial; o mesmo ocorre com o mar, o céu ou a montanha; o sol que estamos acostumados a ver é simples manifestação de um outro sol, oculto "sob" o sol aparente. As cidades construídas pelos antigos constituíam-se em réplicas de cidades já existentes no plano celestial, da mesma forma que os templos, os palácios ou até uma simples residência materializavam algo previamente existente. Encontramos a mesma idéia entre os hebreus, egípcios, babilônios, hindus, e até mesmo entre os índios da América pré-colombiana. Na obra O Mito do Eterno Retorno, Mircea Eliade apresenta vários exemplos ilustrativos, dos quais extraí uma pequena amostra:
"Segundo as crenças dos mesopotâmios, o rio Tigre tem o seu modelo na estrela Anunit e o Eufrates na estrela da Andorinha. Um texto sumério refere o 'lugar das formas e dos deuses', onde se encontram 'os deuses dos rebanhos e dos cereais'. Também para os povos altaicos as montanhas têm um protótipo ideal no céu. Os nomes dos lugares e os nomes (antiga divisão administrativa do Egito) egípcios eram atribuídos de acordo com os 'campos celestes': primeiro conheciam-se os 'campos celestes', que depois eram identificados na geografia terrestre...
"Uma Jerusalém celeste foi criada por Deus antes da cidade de Jerusalém ter sido construída pela mão do homem: é a ela que o profeta se refere, no Apocalipse sírio de Baruch, II, 2, 2-7: 'Pensas que é essa a cidade da qual disse: Das palmas das minhas mãos te construí? A cidade em que viveis não é a que foi revelada em Mim, a que ficou pronta desde o momento em que me decidia criar o Paraíso e que mostrei a Adão o seu pecado...
"Encontramos esta mesma teoria na Índia: todas as cidades reais indianas, mesmo modernas, são construídas pelo modelo mítico da cidade celeste, onde habitava, na Idade do Ouro (in illo tempore), o Soberano Universal... É assim, por exemplo, que o palácio-fortaleza de Sihagiri, no Ceilão, é construído segundo o modelo da cidade celeste de Alakamanda, e é 'de um acesso difícil para os seres humanos' (Mahâvastu, 39, 2). A própria cidade ideal de Platão tem também um arquétipo celeste (Rep., 592 b; cf. ibid, 500 e). As 'formas' platônicas não são astrais; contudo, a sua região mítica situa-se em planos supraterrestres (Fedra, 247, 250).
"Portanto, o mundo que nos rodeia, no qual se sente a presença e a obra do homem - as montanhas que transpõe, as regiões povoadas e cultivadas, os rios navegáveis, as cidades, os santuários - têm um arquétipo extraterrestre, concebido quer como um 'plano', como uma 'forma', quer pura e simplesmente como uma 'réplica' que existe a um nível cósmico superior".(O Mito do Eterno Retorno, Ed. Mercuryo, p.20)
A tradição judaica também tem a sua contribuição a dar: lemos no Gênesis I que Deus separou a luz das trevas, assim como separa (distingue) "as águas que estão por cima do firmamento" das "águas que estão abaixo do firmamento", respectivamente chamadas de Mi e Ma. Anick de Souzenelle escreve:
"Simbolicamente, podemos dizer que o Mi é o mundo da unidade arquetípica não manifestada, e o Ma, o da multiplicidade manifestada nos seus diferentes níveis de realidade. A raiz Mi encontrará no grego a sua correspondência na raiz Mu (é o nome da letra M e pronuncia-se mi), que preside à formação das palavras ilustrando o mundo dos arquétipos, tais como muein (miein), 'fechar a boca', 'calar-se', e mueein (mieein), 'ser iniciado'. Toda iniciação é uma introdução ao caminho que liga o mundo manifestado ao mundo de seus arquétipos; ela é feita dos arquétipos. As palavras murmúrio, mudo, mistério derivam da mesma raiz.
"A raiz Ma é a raiz-mãe de todas as palavras que significam manifestação (tais como matéria, maternal, matriz, mão, etc.). Cada elemento do 'Ma' é a expiração do seu correspondente 'Mi'. Este repercute continuamente sobre aquele que carrega não apenas a sua imagem, mas sua potência. Nesse sentido, o 'Ma', em cada um de seus elementos, é símbolo do 'Mi'. O símbolo (Syn-bolein: 'lançar junto, unir') une o 'Ma' ao 'Mi'. O Dia-bolein ('lançar através, separar') separa os dois mundos
(O grego dia-bolein origina a palavra diabo, assim como o hebraico shatan (obstáculo) origina Satã. O Diabo é a divindade que "separa" o Mi do Ma, trazendo com isso a ilusão do mundo manifesto que aprisiona o homem. Mas esta é a conseqüência lógica do ato criador: a transformação de Satã em vilão é uma idéia posterior, proporcionado pelo dualismo maniqueísta presente na civilização ocidental), e deixa vagando ao léu o do 'Ma', privado da sua exata referência e da sua exata potência".(O Simbolismo do Corpo Humano - Ed.Pensamento, p.16/7)
Estas últimas palavras da autora nos dão ensejo para apontar algo essencial acerca da mentalidade dos antigos: visto que o mundo físico, o Ma, é mero reflexo do Mi e por isso ilusório, caberá ao homem restabelecer essa ligação perdida para que possa encontrar seu lugar no Universo. Tal proposta se alcança através da religião (do latim religare), que "religa" o homem à sua essência divina através da iniciação; o alicerce desse trabalho é o mito, que confere as chaves dos mistérios do mundo transcendental. O mito, dramatizado através do ritual, torna possível a religião, que por sua vez proporcionará o reencontro com a verdade primordial através da iniciação.
O homem, como ente pertencente ao Ma, tem como seu protótipo a própria divindade no plano do Mi. A iniciação, por conseguinte, visa identificar o homem a esse modelo divino, onde Homem e Deus serão uma só coisa, um único ser. Embora esta concepção nos lembre a cristã, na qual o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, há uma diferença decisiva entre elas: o homem não é um pecador, um condenado desde o princípio que depende unicamente da misericórdia divina, e sim uma peça de vital importância no Universo, pois se constitui num verdadeiro co-participante da Criação. Os gregos chamavam essa classe de homens demiurgos, ou seja, pequenas divindades que participam da obra criadora; cada pessoa cumpriria sua parte nesse trabalho grandioso, pois as suas atividades constituíam-se em reproduções arquetípicas do gesto criador. O agricultor, quando semeava, imitava o Céu ao fecundar a Terra desde tempos imemoriais; o caçador, ao abater sua presa, repetia o deus que matava o monstro primordial, símbolo do Caos existente antes da Criação; o pedreiro, ao erguer um templo ou casa, reproduzia a criação da Terra, pelo divino construtor; o médico, ao curar seu paciente, não eliminava uma doença, mas sim restituía àquele doente a pureza inerente a todas as coisas criadas, uma vez que a doença é sinal de uma desarmonia do indivíduo com o Cosmo. Os alienados, por sua vez, eram os idiotés, que viam seu trabalho como mero meio de sobrevivência, com objetivos unicamente pessoais, sem conseguir captar o seu sentido maior. Dessa forma, acabavam tristemente alijados da grande obra cósmica, a criação do Universo.
Quanta diferença da visão judeu-cristã, que atribui ao homem uma condição de observador passivo e alienado da obra criadora, cabendo-lhe como única virtude a obediência a leis que sequer pode compreender! Uma das seqüelas deste pensamento vicioso consiste no darwinismo social, professado pelas sociedades ocidentais. Baseadas numa distorção da teoria evolucionista de Darwin, as pessoas são induzidas a crer que o mundo é uma gigantesca arena de gladiadores, ou uma selva hostil, na qual "somente os mais aptos sobrevivem". Nosso semelhante, conseqüentemente, é considerado um competidor a quem devemos derrotar, do que dependerá a nossa realização pessoal, gerando conceitos estapafúrdios como "vencedor", "perdedor", ou "chegar lá". Por outro lado, o status de "rei da criação" dá ao homem o direito de dispor do mundo que o cerca de forma perversa, passando da antiga posição de criador ao papel de mero predador da natureza.

 

A partir do que foi dito acima sobre o demiurgo, podemos perceber a pouca importância do tempo formal para os antigos. A idéia de um mundo criado em determinado dia, num passado distante, é uma idéia relativamente moderna. A concepção de um tempo linear, que corre num ritmo inexorável também é apanágio nosso. O plano do Mi, assim como o mundo do inconsciente, desconhece passado, presente e futuro; o tempo implica em nascimento e morte, transformação, evolução, degeneração, todos estes atributos exclusivos do Ma, ou seja, do ilusório mundo manifesto. Para o homem antigo, tudo o que é verdadeiro pertence ao Mi, e portanto não nasce, nem morre, nem poderá transformar-se. Daí depreendemos que, ao contrário da concepção atualmente difundida, Deus não criou o mundo em determinada data, e sim agora. É agora que Deus assenta as bases do Universo, por isso cabe ao homem, como um "pequeno deus", auxiliá-lo nessa tarefa, e assim se fundir com a divindade maior. Não se trata de que Deus precise de nós, mas de ser ou não ser participante desse processo, de estar ou não em harmonia com esse drama primordial, de representar ou não a divindade sobre a Terra. Tampouco convém discutir se o mundo seria ou não criado sem o nosso concurso - essa especulação consistiria em mais uma inutilidade pseudoracional, tal como discutir o sexo dos anjos; o iniciado, ao ocupar o lugar do demiurgo, renuncia à sua própria identidade, tornando-se a imagem de Deus refletida nos domínios do Ma.

(Antonio Farjani - A linguagem dos deuses)

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publicado às 08:08

 

- Claro que não recusarei, Sócrates. Mas, em primeiro lugar, querem que o faça contando-vos uma história, como mais velho que fala aos mais novos, ou que o demonstre com argumentos?
Muitos dos que estavam sentados à sua volta deram-lhe, então, a escolher demonstrá-lo como quisesse.
- Pois bem, parece-me - respondeu ele - que será mais agradável contar-vos uma história:
Era uma vez... existiam somente os deuses e não havia ainda as raças mortais. Quando chegou, então, o momento destinado a o seu nascimento, os deuses modelaram-nas, no interior da terra, misturando terra e fogo e os elementos que com estes se combinam. Quando estavam prontas para ser conduzidas para a luz do dia, os deuses encarregaram Prometeu e Epimeteu de as organizar e de atribuir a cada uma capacidades que as distinguissem. Epimeteu pediu, então, a Prometeu que o deixasse fazer essa distribuição. «Depois de eu a ter feito», disse, «tu passas-lhes uma revista».
E assim, depois de o ter convencido, começou: atribuiu força aos que não tornara rápidos e dotou com rapidez os mais fracos; armou uns e para aqueles a quem dera uma natureza sem armas inventou qualquer outro meio que assegurasse a sua sobrevivência; àqueles que contemplou com a pequenez, deu-lhes a possibilidade de fugirem voando ou uma habitação subterrânea, e aos que fez grandes em tamanho salvou-os com essa mesma atribuição.   
De modo igualmente equilibrado, distribuiu também as restantes qualidades. E fez tudo com cautela, para que nenhuma espécie se extinguisse. Depois de lhes dar os meios necessários para que não se destruíssem uns aos outros, arranjou maneira de os proteger contra as estações enviadas por Zeus, cobrindo-os com pêlos abundantes e carapaças grossas, suficientes para se defenderem do Inverno e eficazes para o fazerem do sol escaldante, e que constituem, para cada um, o seu aconchego natural, quando decidem deitar-se.
Calçou uns com cascos e outros com couro grosso e sem sangue. Em seguida, providenciou diferentes alimentos para as diferentes espécies: para uns, os pastos da terra; para outros, ainda, os frutos das árvores; para os restantes, raízes. A alguns destinou que fossem alimento de outras espécies; a estas últimas deu pequenas ninhadas, enquanto que às que lhe servem de alimento deu a fecundidade, providenciando assim a salvação da sua espécie.
Deste modo, Epimeteu — que não era lá muito esperto — esqueceu-se que gastara todas as qualidades com os animais irracionais; fora desta organização, restava-lhe ainda a raça dos homens e sentia-se embaraçado quanto ao que fazer. Estava ele nesta aflição, chega Prometeu para inspeccionar a distribuição e vê que, enquanto as outras espécies estão convenientemente providas de tudo quanto necessitam, o homem está nu, descalço, sem abrigo e sem defesa. E já estava próximo o dia marcado, em que era preciso que também o homem saísse do interior da terra para a luz do dia.
Sem encontrar qualquer outra solução para assegurar a sobrevivência do homem, Prometeu, roubou a sabedoria artística de Hefesto e Atena, juntamente com o fogo — porque sem o fogo era-lhe impossível possuí-la ou torná-la útil — e, assim, ofereceu-a ao homem. Com ela, este tomou posse da arte da vida, mas não da arte de gerir a cidade, pois esta estava junto do próprio Zeus. Já não fora possível a Prometeu entrar na morada de Zeus, na acrópole — para mais que os guardas de Zeus eram terríveis —, mas entrara, sem ser visto, na sala partilhada por Hefesto e Atena, dedicavam às suas artes, e roubara a arte do fogo a Hefesto e as outras artes a Atena, para as dar ao homem, que delas retirou os meios necessários à vida.
Mas, no fim, por culpa de Epimeteu — é o que dizem —, a justiça perseguiu Prometeu por causa deste roubo. Deste modo, o homem participava da herança divina e, devido ao parentesco com os deuses, foi o único dos animais a acreditar neles. Assim, começou a construir altares e imagens suas. Depois, rapidamente dominou a arte dos sons e das palavras e descobriu casas, vestuário, calçado, abrigos e os alimentos vindos da terra.
Assim providos, inicialmente, os homens viviam dispersos e não havia cidades. Mas viam-se destruídos pelos animais selvagens, pois eram mais fracos que eles em todos os sentidos. A arte que dominavam era-lhes suficiente na procura dos alimentos, mas ineficaz na luta com as feras — com efeito, faltava-lhes a arte de gerir a cidade, da qual faz parte a arte da guerra. Procuraram, então, associar-se e proteger-se, fundando cidades. Só que, ao associar-se, tratavam-se injustamente uns aos outros, já que não possuíam a arte de gerir a cidade. De modo que, novamente dispersos, se iam destruindo...
   

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publicado às 01:21

A Organização Não Governamental Oxfam elaborou um índice que avalia a situação alimentar de 125 países de todo mundo. Portugal arrecadou o 8.º lugar do ranking dos países onde se come melhor devido à facilidade de acesso a àgua potável e a disponibilidade de uma boa diversidade alimentar, entre outros fatores.

O ranking “Good Enough to Eat” foi realizado com base em dados de diferentes anos e com as informações mais recentes disponíveis a partir de fontes globais como a Organização Mundial de Saúde.

Para além disso, o índice teve ainda em conta quatro aspetos. A ONG procurou saber se as pessoas comem o suficiente (um valor medido através da taxa de subnutrição e existência de crianças abaixo do peso normal) e se as pessoas conseguem comprar alimentos (aspeto medido pela comparação entre os preços dos alimentos com outros produtos).

A qualidade dos alimentos (estimado pela diversificação da dieta e acesso a água potável), juntamente com os hábitos alimentares (analisados através da taxa de obesidade e diabetes) foram os outros aspetos em que a Oxfam se baseou para a criação deste ranking.

O primeiro lugar da lista é ocupado pela Holanda, seguida pela França e Suíça. Nos últimos lugares do índice encontra-se a Angola, Etiópia e Chile.

(Boas Notícias)

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publicado às 13:07

 
"Toda a gente deveria ir a Portugal". É o que garante um artigo publicado a semana passada no blogue internacional Le Cahier, da responsabilidade da jornalista franco-canadiana Camille DG, que destaca as cidades de Lisboa, Porto e Lagos e deixa a dica: "há que comer pelo menos um pastel de nata por dia" quando se estiver em terras lusitanas.
 
"A vocês, queridos jovens profissionais com uma carreira que não vos dá mais do que duas ou três semanas de férias por ano, apresento-vos Portugal", escreve Mée Reed, uma das colaboradoras do blogue, que assina a crónica e se diz apaixonada pelo país, "destino perfeito para um período entre 10 dias a duas semanas".
 
"Com as suas cidades históricas, as suas praias paradisíacas e as suas vinhas com aroma a Porto, ficarão encantados", assegura a autora do artigo, que acrescenta o facto de Espanha e Marrocos estarem muito perto como uma vantagem adicional para quem tiver um pouco mais de tempo para viajar.
 
O primeiro destino realçado por Reed é a cidade algarvia de Lagos. "As praias estão entre as mais bonitas que já vi na vida", elogia, defendendo que mesmo o enorme aglomerado de banhistas no mês de Agosto lhes dá um "charme" extra. "Afinal, nada melhor quando se está de férias do que outras pessoas em férias", brinca.
 
A colaboradora do Le Cahier assegura que "quem começa uma viagem por Lagos, nunca a termina" e lembra que, durante a visita, nenhum turista pode perder a experiência de saborear um bom prato de frutos do mar ou uma noite de folia nos bares costeiros.

Porto está no topo das preferências
 
Reed faz também referência à capital portuguesa, Lisboa, com as suas "sete colinas", adequadas para grandes caminhadas para quem decidir conhecer a cidade a pé.

"Lisboa é uma cidade histórica com mil e uma histórias mais que interessantes", sublinha, escolhendo como imperdível a hipótese de admirar o pôr-do-sol a partir mais alta colina, como destino ideal para a diversão noturna o Bairro Alto e, claro, os pastéis de Belém como iguaria obrigatória.
 
A fechar a lista, mas no topo das preferências da autora do artigo, está o Porto, cidade pela qual diz ter-se apaixonado imediatamente. "É tão encantador que ficamos com vontade de lá ficar o resto da vida", confessa, aconselhando, depois de um passeio pelas ruas empedradas e os locais históricos, uma subida à ponte que liga as duas margens do Douro "para uma vista esplêndida" da paisagem.
 
Além disso, vale também a pena alugar um carro para visitar as vinhas e desfrutar dos "bonitos circuitos" e descobrir as caves onde as uvas são transformadas em vinho - trazendo, "claro, umas quantas garrafas de vinho do Porto".
 
Na cidade Invicta, Reed recomenda ainda aos amantes do vinho que saboreiem diversas opções numa loja da especialidade e aconselha o aluguer de uma bicicleta para uma "tour" pelas praias ao longo da costa.
 
Em jeito de conclusão, a cronista deixa outras sugestões possíveis: Peniche ("para o surf e a festa"), Coimbra ("cidade universitária e a mais antiga de Portugal") e Évora "(Património da UNESCO, que ainda não conhece mas que parece ser [uma cidade] linda".
 
AQUI deixo o artigo publicado no Le Cahier (em francês).

 jan 8, 2014
Certaines de mes amies ont déjà commencé depuis quelques années leur carrière et ne peuvent plus se permettre, à leur grand désarroi, les grands voyages que nous pouvons nous offrir à l’université, avec nos quatre longs mois de congé. À vous, chers jeunes professionnels dotés d’une carrière ne vous laissant que deux ou trois semaines max de congé par année, je vous présente le PORTUGAL. Cette destination est parfaite pour une période de 10 jours à deux semaines; avec ses villes historiques, ses plages paradisiaques et ses vignobles aux arômes de porto. Vous serez comblés! Pour ceux qui auraient plus de temps, le Portugal est aux frontières de l’Espagne et du Maroc ainsi que tout près de la France.
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Lagos
lagosBon, tout le monde vous dira d’aller par-ci et par-là… Mais je vous le dis, allez à Lagos et restez-y. Les plages de cette ville sont parmi les plus belles que j’ai vues de ma vie! Bon, en août, elles sont remplies, mais c’est charmant, parce que rien de mieux quand tu es en vacances, que des gens en vacances ! Oui-oui, j’ai essayé de m’aventurer de plus en plus loin, pour m’éloigner des foules et trouver ma petite baie personnelle, mais mission impossible. En août, c’est rempli, partout. Or, un gentil jeune homme m’a renseignée sur les bus à prendre qui menaient à d’autres plages, beaucoup plus paisibles, à 30 minutes de route et qui valaient la peine d’être visitées. Manquant de temps (et d’argent), je n’y suis pas allée. Ça reste tout de même à noter pour les plus claustrophobes!
lagosÀ ne pas manquer :
  • - Un repas de fruits de mer (on n’oublie pas qu’on est près de l’océan, hein!)
  • - Le MEILLEUR burger in town et faisant partie du TOP 50 au monde : Restaurant NahNahBah !!!
  • - Une nuit de folie à essayer tous les bars de la petite ville côtière. Charmant. C’est l’endroit par excellence pour faire un pub crawl digne de ce nom. En plus, la plage t’accueille à bras ouverts le lendemain pour  te remettre de ta grosse soirée et décompresser…
Ah oui, faites attention : si vous commencez votre voyage par Lagos, vous ne voudrez plus partir. Promis, juré !
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Lisbonne
Étant donné que c’est la capitale du Portugal, il ne faudrait quand même pas manquer ça, hein? Lisbonne est constituée de sept collines; soyez donc prêts à faire de grosses journées de marche si vous décidez de visiter la ville  à pieds. Personnellement, je me suis accrochée au tramway une fois pour monter, parce qu’on m’a dit que de cette façon, c’était gratuit. Personne ne m’a rien dit cette fois-là, mais je ne suis pas encore certaine d’avoir été tout à fait légale… Oups.
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Ce qui est vraiment cool si tu as un petit budget et tu veux mettre ton argent dans autre chose que les autobus de touristes: les free walking tours. Ils deviennent de plus en plus populaires partout dans le monde. Lisbonne est une ville historique avec MILLE et une histoires des plus intéressantes. C’est donc super passionnant de se rendre sur place pour savoir ce qui s’est réellement passé. En plus, tu découvres des lieux que tu n’aurais jamais vus en marchant tout seul dans les rues! Mais attention, quand ils parlent de FREE, c’est bien gratuit, mais le guide demande un tip personnel à la fin du tour. C’est à votre guise… Sauf que tu auras droit à un regard de la part guide qui te fera sentir un peu cheap si tu ne laisses pas beaucoup. Mais bon, c’est le prix à payer!
À ne pas manquer :
- Le coucher de soleil du haut de la plus haute des collines
- Pour sortir : quartier du Bairro Alto où il y a une fouuuuule de bars
- Bélem, Fatima, Sintra : pour visiter les monuments historiques (si le cœur vous en dit)
- Aller déguster des pastéis de Belém, des genre de tartelette à la costarde DÉLICES et qui coûtent 3 X rien
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Porto
Personnellement, Porto a été mon coup de cœur. C’est une petite ville sur sur le bord d’un cours d’eau qui est siiii charmante qu’elle donne envie d’y rester pour la VIE. Je l’ai visitée 2 fois au complet, en 4 jours, avec des personnes différentes! Après avoir fait le tour du quartier historique et avoir marché dans le dédale des rues en pente, vous devez monter sur le pont qui relie les deux rives de Porto pour avoir une vue splendide sur l’ensemble de la ville qui est séparée par le Douro. Puis, allez sur le bord de l’eau, pour déguster un bon PORTO à PORTO. (C’est à ce moment-là que pour avoir l’air top cool, vous prenez une photo et la mettez sur Instagram, sans omettre le jeu de mots dans les commentaires!) 992996_10151533578206148_1226060669_n
Pour sortir à Porto, il y a plusieurs choix. Ou bien vous allez sur le bord des quais voir le beau pont éclairé et rejoindre la foule de jeunes qui boivent, assis par terre ou debout, le long du fleuve. Sinon,  vous restez à l’intérieur de la ville où il y a de chouettes bars pour boire un verre en paix dans l’ambiance d’un bar branché portugais. C’est ce que je faisais avec deux amis français rencontrés à l’auberge de jeunesse, quand on a remarqué qu’il y a avait beaucoup de gens qui sortaient d’une porte, à l’extrémité du bar. Après plusieurs farces sur ce qui pouvait bien se passer derrière cette porte, nous avons décidé de demander au serveur, qui nous a seulement répondu d’aller voir. Nous sommes donc tombés sur des marches qui nous ont menés à l’étage du haut. Surprise! Nous avons assisté à une soirée de tango portugais. Un vrai spectacle, les danseurs étaient doués, c’était magnifique, langoureux et fusionnel à souhait. Cette soirée fut parfaite!
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Ce qui est encore plus trippant de Porto, c’est de louer une auto et aller visiter les vignobles dans la région de l’Ouro, aux alentours de Porto. Il y a de superbes circuits en campagne où l’on peut découvrir les chais, où se déroule la transformation du moût en vin, et ramener quelques bouteilles de porto, évidemment.
À ne pas manquer :
- Le port de Porto la nuit (et le jour, évidemment)
- Déguster plusieurs portos dans une boutique spécialisée
- Louer une moto pour 24h afin d’aller faire une tournée des plages, plus loin sur la côte
Trucs et astuces au Portugal:
- Il faut manger minimum un pasteis de nata par jour au Portugal!
- Je conseille, si vous avez le budget, de louer une voiture. C’est assez abordable, si vous êtes deux ou plus. Le système de bus est bien, mais un peu minimal, il ne va pas dans toutes les villes et les bus font 14 000 arrêts (bon, j’exagère mais…) avant de se rendre à destination. De plus, pour la région de l’Ouro, il faut oublier sans la voiture. J’aurais bien aimé en avoir une.
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Voici d’autres villes que j’aurais aimé avoir le temps de visiter et dont j’ai entendu parler en bien:
- Peniche : pour le surf + le party :)
- Coimbra : ville universitaire la plus vieille du Portugal!
- Evora : héritage de l’UNESCO, ça a l’air magnifique!
Bon voyage!

(Boas Notícias)

(Boas Notícias)

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publicado às 12:58

 
Os vinhos portugueses voltam a merecer destaque na prestigiada revista norte-americana Wine Enthusiast. Seis néctares nacionais foram classificados, pela revista, como os melhores vinhos do mundo de 2013, sendo que logo na 2.ª posição surge o vinho português Rubrica, do Alentejo.
 
Já a Wine Spectator, outra publicação norte-americana de referência na área dos vinhos, tinha selecionado quatro vinhos nacionais para a sua lista de 2013.

Agora, é a vez da Wine Enthusiast - que frequentemente dá destaque aos vinhos nacionais - colocar seis vinhos portugueses na lista dos 100 Melhores Vinhos de 2013 para a qual o painel de provadores da revista apreciou mais de 16.500 referências de centenas de regiões do mundo.

Logo na 2.ª posição da lista surge o tinto português Rubrica 2010 produzido pela Luís Duarte (Alentejo) que a revista descreve como um vinho "intenso" e "muito rico". 
 
Na 13.ª posição está o vinho tinto Mouchão 2007 também do Alentejo, que é considerado pelos críticos da revista como um vinho "soberbo", "rústico" e "equilibrado".

Para o 20.º lugar a revista norte-americana selecionou a Quinta do
Cardo Selecção do Enólogo 2010 da Companhia das Quintas (Beira Interior) - um vinho "denso com uma estrutura firme" e uma "textura complexa".
 
Em 26.º lugar surge a Águia Moura em Vinhas Velhas Reserva 2009 (Douro). Um vinho "suave" e "rico" que, segundo a Wine Enthusiast, "impressiona" com o seu sabor a frutos vermelhos.
 
No 40.º posto está o vinho do porto vintage da Quinta do Vale Meão 2011. "Muito seco sem ser demasiado agressivo", a Wine Enthusiast garante que este vinho se destaca pela sua "densidade".
 
O último vinho português da lista para 2013 surge em 56.º lugar e é reservado ao Porto Ferreira Vintage 2011, que é descrito como sendo "extremamente rico" que mostra "poder e determinação".

Clique AQUI para consultar a lista completa dos melhores vinhos para 2013.

(Boas Notícias)

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publicado às 12:56


Somos aquilo que fazemos

por Thynus, em 21.01.14
“Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”, ou ainda;
"O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós." JEAN PAUL SARTRE (1905-1980).
Antes de chegar nesta tão celebre frase, Sartre passou por toda uma construção anterior desse pensamento desembocando posteriormente no pensamento conhecido como existencialista. Em L´Imaginaire desenvolve um pensamento separativista da percepção e da imaginação, em L´Être et le néant contesta o subconsciente freudiano desvinculando-se do determinismo religioso,e  no qual no decorrer da leitura vê-se o cerne da idéia posterior de responsabilizar o homem pelos seus próprios atos expondo a idéia de liberdade como um aprisionamento do ser (“Não somos livres de ser livres”) já que o homem é o único ser capaz de criar o nada:
 “Ao tomar uma decisão, percebo com angústia que nada me impede de voltar atrás. Minha liberdade é o único fundamento dos valores.”
Desta forma gera no homem a angustia de saber que nada o impede de voltar atrás, o medo de arcar com sua própria liberdade. Assim, condenados a uma liberdade insatisfatória, jamais alcançando o que realmente desejamos sendo, portanto, uma liberdade irrealizável.
A Existência precede a essência?
Para o pensamento de Sartre Deus não existe, portanto o homem nasce despido de tudo, qual seja um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem, o que significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para concebê-la, a única natureza pré-existente é a biológica, ou seja; a sobrevivência, o resto se adquire de tal forma que não vem do sujeito é ensinado a ele pelo mundo exterior.
Se Deus não existe não encontramos, já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. Assim não teremos justificativa para nosso comportamento. Estamos sós, sem desculpas.
É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre (pensamento desenvolvido em o ser e o nada). Condenado, porque não se criou a si mesmo, mas por estar livre no mundo  estamos condenados a ser livres, mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é, ou seja;
“Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”.
O homem é aquilo que ele mesmo faz de si, é a isto que chamamos de subjetividade. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é de por todo o homem na posse do que ele é e de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. Para o existencialista não ter a quem culpar já que Deus não existe, e o subconsciente não existe é o que leva ao pensamento da liberdade não livre, pois, junto com eles, desaparecem toda e qualquer possibilidade de encontrar valores inteligíveis, nem um modelinho pré-definido a ser cumprido.
            A fórmula "ser livre" não significa "obter o que se quer", e sim "determinar-se a escolher". Segundo Sartre o êxito não importa em absoluto à liberdade. Um prisioneiro não é livre para sair da prisão, nem sempre livre para desejar sua libertação, mas é sempre livre para tentar escapar.
            Sendo livres somos responsáveis por nossas ações consequentemente somos livres para pensar e conceber nossos próprios paradigmas, não sendo então aquilo que fizeram de nós e sim nos criando a partir do que fizeram de nós. Somos o que escolhemos ser.

(leila caroline j tozetto)

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