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De tudo e de nada, discorrendo com divagações pessoais ou reflexões de autores consagrados. Este deverá ser considerado um ficheiro divagante, sem preconceitos ou falsos pudores, sobre os assuntos mais variados, desmi(s)tificando verdades ou dogmas.
O propósito de todo ser humano é alcançar a felicidade possível sem perder a noção da responsabilidade individual pelos próprios atos. Ser feliz só é possível através da liberdade com responsabilidade. Quem não for capaz de assumir as conseqüências de seus atos, não conseguirá viver com a consciência em paz e em harmonia.
Religiões e filosofias foram – e ainda o são – utilizadas como mecanismos de dominação coletiva sob o argumento de que o passado da humanidade demonstra sua necessidade de impor limites. É necessário que se perceba o espírito como ser presente que, embora assentado sobre seu passado, está sempre olhando para o futuro. Sem esquecer o passado, é preciso viver o presente com o olhar no futuro. As religiões valorizam mais o passado que o futuro do ser humano, impondo-lhe que carregue sempre alguma culpa.
As religiões, como são praticadas, servem para determinadas classes de crentes. Para outras, ela necessitam de interpretações e compreensões mais avançadas sob pena de se extinguirem. Elas devem ser entendidas de formas distintas e de acordo com o nível de evolução do espírito.
Na maioria delas, o conceito de felicidade passa pela culpa e pela negação à vida na matéria. Entender que ela, a felicidade, só poderá ocorrer alhures, pós-morte, é negar o sentido da existência, conseqüentemente o presente.
Não entregue sua felicidade à crítica das religiões, das filosofias, dos outros ou dos equívocos que cometeu. A religião, por natureza, deve facilitar o processo de crescimento do ser humano. Tome a sua como auxiliar de seu equilíbrio psicológico e espiritual. Não coloque sua felicidade à mercê das contingências acidentais de sua vida ou mesmo de uma fase de turbulência por que esteja passando. Lembre-se de que viver não é ato isolado de um ser humano. É um contexto, uma conexão e um sentido. Na união dessas realidades junta-se o Espírito que é você. Assuma o comando de sua vida e a coloque a serviço do propósito de ser feliz. Siga aquele ditado que diz ‘viva e deixe os outros viverem’.
Ninguém no mundo está irremediavelmente condenado a sofrer ou a penar eternamente, seja na vida ou na morte. As teorias que levaram o ser humano a se achar perdido ou condenado a sofrer pelos atos o distanciaram de sua própria felicidade. O ser humano está ‘condenado’ a ser feliz e essa conquista é feita individual e coletivamente. Ele foi presenteado por Deus que lhe deu a Vida
(Adenauer Novaes - "Felicidade sem culpa")
Os QR Codes (códigos de resposta rápida) completam quase duas décadas de existência e, depois de serem exaustivamente utilizados em diversas campanhas de marketing, foram empregados em uma ação turística que mescla tecnologia e tradição histórica.
A agência MSTF Partners, de Lisboa, em conjunto com a BIN e a Lobo Mau, criou uma campanha para promover Portugal por todo o mundo. Utilizando pedras de calçada (chiado) e o trabalho dos calceteiros – uma profissão praticamente extinta -, os desenvolvedores elaboraram QR Codes que, quando fotografados, oferecem conteúdo para os usuários logo após a exibição da mensagem: “Acabou de ler o primeiro código QR do mundo feito em calçada portuguesa”.
O código criado e montado à mão com pedras portuguesas é interpretado por dispositivos móveis e, quando lido, reproduz o barulho dos martelos usados durante a montagem e dá informações turísticas, culturais, comerciais, gastronômicas e hoteleiras da região.
A ideia deu tão certo que as pedras com mais de 500 anos de história foram levadas para uma das cidades mais visitadas do mundo, Barcelona. O objetivo era incentivar turistas espanhóis a conhecer Portugal. Quem teve curiosidade de fotografar o QR Code na Espanha, acabou ganhando uma noite grátis em um hotel português.
O vídeo dá a entender que os QR Codes feitos com pedras de calçadas portuguesas serão levados para outros lugares do mundo, inclusive Rio de Janeiro. Será? Vamos aguardar.
O diferencial aqui não é a tecnologia em si, que como já dissemos, foi utilizada milhares de vezes pelo mundo, mas a ideia de combinar a tradição com o moderno, a fim de incentivar o turismo. A tecnologia acabou por ficar em segundo plano, atuando como um suporte de uma grande ideia.
(http://3bits.net/2012/portugal-tem-o-primeiro-qr-code-feito-em-uma-calcada/)
EM UM DE SEUS AFORISMOS mais célebres, Buda disse que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Do nascimento à morte, a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos a essa dor só depende de nós. Se a encararmos de forma trágica, ela se transformará em sofrimento. Uma coisa é o que acontece no exterior e outra é o que se dá no interior de cada indivíduo. Aquele que tem medo de enfrentar a dor a receberá sempre como uma maldição. Ele nunca saberá o que fazer com a escuridão que toma conta de sua vida, que antes parecia tão feliz. O filósofo lida com a dor e tenta extrair dela um benefício em forma de conhecimento. Mesmo os momentos mais duros da vida, como quando sofremos uma terrível perda, são portas abertas em direção a algo que precisávamos conhecer. Se estivermos conscientes de que todo fi m é ao mesmo tempo um começo, a dor e o possível sofrimento serão para nós uma escola que nos permitirá entender mais profundamente o que significa ser humano.
(Allan Percy - "Nietzsche para estressados")
Depois das evidências com o órgão vomeronasal, os pesquisadores embarcaram em uma busca às moléculas liberadas pelos predadores capazes de gerar comportamentos de medo em camundongos. Utilizando uma combinação de métodos moleculares, Papes e colaboradores chegaram à comprovação de que os odores envolvidos são na verdade proteínas pertencentes à família de MUPs. Originalmente, os pesquisadores purificaram esse estímulo a partir da urina de ratos, mas depois demonstraram que proteínas semelhantes de outros predadores, como gatos, também produzem o mesmo efeito de medo em roedores de laboratório.
O trabalho aponta para a conclusão de que algumas células possuem receptores que detectam as proteínas capazes de gerar respostas de medo. Outras possuem receptores que detectam moléculas que induzem agressividade. Outra descoberta é que esse sistema de medo funciona especificamente para o fim de gerar respostas defensivas em animais. A partir desses traços, os pesquisadores pretendem dar continuidade à pesquisa para identificar os receptores moleculares envolvidos em cada caso e, principalmente, saber de que maneira o cérebro interpreta as informações detectadas.
Você sabe que não pode "conversar como gente adulta" com um cão, mas simplesmente não conhece outra forma de comunicação. Estou aqui para lhe dizer que existe um modo muito melhor.
(...) Não seria mais simples se existisse um idioma universal que todas as espécies conseguissem entender? "Impossível'', você deve estar dizendo. "Nem mesmo os seres humanos falam o mesmo idioma!" É verdade, mas isso não impede que as pessoas tentem há séculos encontrar uma linguagem comum. No mundo antigo, todas as pessoas da classe alta e de boa educação estudavam grego. Assim, poderiam ler e entender os documentos mais importantes. Em certo período da era cristã, qualquer pessoa importante conseguia ler e escrever em latim. Hoje, o inglês está no topo da "cadeia alimentar". Aprendi isso da maneira mais difícil quando cheguei aos Estados Unidos. Se você não nasceu falando inglês, essa é uma língua difícil de aprender - mas todas as pessoas, dos chineses aos russos, a aceitam como o idioma internacional dos negócios. Os seres humanos procuraram outras maneiras de derrubar a barreira do idioma. Por exemplo, se você for cego, independentemente do idioma que fala, pode usar o braile. Se for surdo, pode compreender qualquer pessoa que use a língua de sinais. A matemática e as linguagens de computador atravessam muitas fronteiras linguísticas e permitem que pessoas que falam idiomas diferentes consigam facilmente se comunicar, graças ao poder da tecnologia.
Se os seres humanos têm sucesso ao criar essas linguagens coletivas, não podemos inventar um modo de conversar com outras espécies do planeta? Não existe um idioma que todos possamos aprender e que signifique a mesma coisa para todas as criaturas?
Boa notícia! Fico feliz em dizer que a linguagem universal (...) já existe. E os seres humanos não a inventaram. É uma língua que todos os animais falam sem ao menos perceber, inclusive os humanos. Além disso, todos os animais nascem sabendo essa linguagem instintivamente. Até mesmo os seres humanos nascem fluentes nessa língua universal, mas costumamos esquecê-la porque somos treinados, desde a infância, a acreditar que as palavras são o único meio de comunicação. A ironia é que, apesar de pensarmos que não sabemos mais essa língua, nós a falamos o tempo todo. Sem saber, a emitimos o tempo todo, todos os dias! Outras espécies de animais ainda conseguem nos entender, mesmo que não tenhamos a mínima ideia de como entendê-las. Eles nos compreendem com clareza, mesmo quando não sabemos que estamos estabelecendo uma comunicação.
Essa linguagem universal entre as espécies é chamada energia.
(Cesar Millan - "O encantador de cães")
É interessante perceber que o Homo sapiens é a única espécie que se deixa guiar por um líder sábio, gentil, compassivo e amável. Podemos até seguir líderes instáveis, mas essa é outra história! Por mais difícil que seja compreender isto, no reino animal Fidel Castro ganharia a posição de líder, em detrimento de Madre Teresa. No mundo animal, não existe moralidade, certo ou errado. Por outro lado, os animais nunca enganam para ter poder - eles não conseguem. Os outros animais descobririam as verdadeiras intenções num piscar de olhos. Os líderes da natureza devem projetar a força mais óbvia e incontestável. No reino animal, só existem regras, rotinas e rituais - com base na sobrevivência do mais forte, não do mais esperto ou mais justo.
Já ouviu falar do "cheiro do medo"? Não é apenas uma expressão. Os animais sentem as vibrações de energia, mas o olfato é o segundo sentido mais forte - e, em um cão, a energia e o olfato parecem estar bem ligados. Os cães esvaziam as glândulas anais quando sentem medo, emitindo um odor que é percebido não apenas por outros cães, mas também por outros animais (in-cluindo os seres humanos). O olfato de um cão é ligado ao sistema límbico, a parte do cérebro responsável pela emoção. No livro The Dogs Mind: Understanding Your Dogs Behavior,∗ dr. Bruce Fogle cita estudos dos anos 70 que mostram que os cães conseguem detectar ácido butírico - um dos componentes da transpiração dos seres humanos - a uma concentração um mi-lhão de vezes mais baixa do que a que conseguimos. Pense nos detectores de mentira que conseguem perceber mudanças na transpiração das mãos de uma pessoa quando ela está mentindo. Basicamente, seu cão é um "detector de mentiras" ambulante!
Os cães realmente "farejam" o medo em nós? Eles o percebem imediatamente. Diversos corredores e carteiros podem afirmar isso, pois eles correm ou passam caminhando pelas casas, fazendo os cães latirem, rosnarem ou mesmo pularem o portão ou o muro. Pode se tratar de um cão que tenha adotado o papel de protetor da casa e que leve essa função muito a sério. Muitos carteiros e corredores têm cicatrizes que provam como cães agressivos e fortes - que eu chamo de cães na zona de alerta - saem de controle. (Os cães na zona de alerta são um assunto sério; falarei sobre eles mais adiante).
Para entender como os cães sentem os estados emocionais, imagine a seguinte situação, ao passar por uma casa com um cão na zona de alerta: Talvez o cão que late tenha um segredo. Pode ser que ele tenha mais medo de você que você dele! Mas, quando você fica paralisado de medo, o equilíbrio de poder muda instantaneamente. O cão percebe sua mudança de energia pelo "sexto sentido"? Ou será que fareja uma mudança na química de seu corpo ou de seu cérebro? A ciência ainda não explicou isso claramente aos leigos, mas, na minha opinião, é uma combinação das duas coisas. Após ter passado décadas observando, tenho certeza disto: não há como "blefar" com um cão da mesma maneira como se blefa com um amigo bêbado em um jogo de pôquer. Quando você sente medo, o cão instantaneamente sabe que tem vantagem sobre você. Você projeta uma energia fraca. E, se o cachorro escapar, é bem mais provável que você seja mordido ou perseguido por ele do que se tivesse ignorado os latidos e seguido em frente. No mundo natural, os mais fracos acabam sendo eliminados rapidamente. Não há certo ou errado - é assim que a vida na terra tem sido há milhões de anos.
(Cesar Millan - "O encantador de cães")
Toda civilização só muito lentamente vai abandonando a forma poética como principal método de expressão das coisas importantes para a vida da comunidade social. A poesia sempre antecede a prosa; para a expressão de coisas solenes ou sagradas, a poesia é o único veículo adequado. Não são apenas os hinos e os provérbios que são postos em verso, são também extensos tratados com por exemplo os sutras e sastras da índia antiga, ou os primeiros produtos da filosofia grega. Empédocles encerra todo seu saber em um poema, e ainda Lucrécio continua utilizando a mesma forma. Talvez, em parte, a preferência pelos versos tenha sido determinada por considerações utilitárias: uma sociedade sem livros acha mais fácil memorizar seus textos desta maneira. Mas existe uma razão mais profunda, a saber que a própria vida da sociedade arcaica possui como que uma estrutura métrica e estrófica. A poesia continua ainda hoje sendo o modo de expressão mais natural para as coisas mais "elevadas". Até 1868, os japoneses costumavam escrever em forma poética as partes mais importantes dos documentos de Estado. Os historiadores do direito prestaram uma atenção especial aos vestígios de poesia no direito, pelo menos na tradição germânica. Todo estudante das leis germânicas conhece o antigo texto jurídico frisão em que uma cláusula relativa às diversas "necessidades" ou ocasiões de necessidade nas quais é preciso vender a herança de um órfão, passa de repente a um estilo lírico aliterativo:
"A segunda necessidade é quando o ano se torna custoso e a fome ardente invade a terra, e a criança vai morrer de fome. Pode, então, a mãe pôr à venda o patrimônio da criança, comprando para ela uma vaca, trigo etc. A terceira necessidade é quando a criança está nua e sem teto, e vem o escuro nevoeiro e o frio inverno, e cada homem se abriga em seu lar, num quente refúgio, e o animal selvagem procura a árvore oca e o refúgio das montanhas, para salvar sua vida. Então a criança menor chorará e gritará, e lamentará a nudez de seus membros e sua falta de abrigo, e a ausência de seu pai, que deveria tê-la defendido contra a fome e as frias névoas do inverno, e que agora jaz numa funda e escura cova, sob o carvalho e a terra, preso por quatro pregos."
Creio que aqui estamos perante algo que não é apenas uma ornamentação deliberada, mas sobretudo a circunstância de a formulação da lei pertencer ainda àquela exaltada esfera do espírito em que a forma poética é o modo natural de expressão. Devido precisamente à sua brusca entrada na poesia, este exemplo frisão é típico de muitos outros; em certo sentido, é mais típico do que o Tryggdamal da antiga Islândia que, numa série de estrofes aliterantes, narra o restabelecimento da paz, comunica o pagamento de uma indenização, proíbe energicamente novas lutas e nesse momento, o propósito da declaração de que os "perturbadores da paz" serão em toda a parte considerados fora da lei, passa a ampliar este "em toda a parte" por meio de uma série de imagens poéticas:
"Onde quer que os homens
cacem lobos,
vão à igreja
os cristãos,
no recinto sagrado
sacrifiquem os pagãos,
arda o fogo,
reverdesça o campo,
a criança chame pela mãe,
a mãe alimente o filho,
se cuide o fogo da lareira,
naveguem os barcos,
cintilem os escudos,
brilhe o sol,
caia a neve,
cresçam os pinheiros,
voe o falcão
no longo dia de primavera
(vento forte
em ambas as asas),
onde quer que o céu
se eleve,
se construa a casa,
sopre o vento,
corram para o mar as águas,
semeiem o trigo os servos"
Em contraste com o exemplo anterior, é evidente que aqui se trata de um embelezamento puramente literário de uma cláusula legal bem definida; dificilmente o poema poderia, na prática, servir como documento válido. Apesar disso, também ele dá testemunho da unidade original entre a poesia e a jurisdição sagrada, que é o que aqui nos importa.
Toda poesia tem origem no jogo: o jogo sagrado do culto, o jogo festivo da corte amorosa, o jogo marcial da competição, o jogo combativo da emulação da troca e da invectiva, o jogo ligeiro do humor e da prontidão.
(Johan Huizinga - "Homo ludens")
É engraçado como as coisas são. A palavra “luso” (e o seu feminino “lusa”), que tanto pode ser substantivo como adjetivo, serve desde há muito de sinónimo a “português”. Os Espanhóis, sobretudo, utilizam-na muito na imprensa quando querem referir-se a estes seus vizinhos, que somos nós: el gobierno luso, la capital lusa… Talvez a generalidade das pessoas, sem refletir muito no assunto, julgue que se trata de uma abreviatura de “lusitano”. Mas passa-se exatamente o contrário. Luso é anterior aos lusitanos.
(Luís Almeida Martins, - “365 DIAS com histórias da HISTÓRIA de PORTUGAL”)