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"Viva e deixe os outros viverem!"

por Thynus, em 26.01.13

O propósito de todo ser humano é alcançar a felicidade possível sem perder a noção da responsabilidade individual pelos próprios atos. Ser feliz só é possível através da liberdade com responsabilidade. Quem não for capaz de assumir as conseqüências de seus atos, não conseguirá viver com a consciência em paz e em harmonia.

Religiões e filosofias foram – e ainda o são – utilizadas como mecanismos de dominação coletiva sob o argumento de que o passado da humanidade demonstra sua necessidade de impor limites. É necessário que se perceba o espírito como ser presente que, embora assentado sobre seu passado, está sempre olhando para o futuro. Sem esquecer o passado, é preciso viver o presente com o olhar no futuro. As religiões valorizam mais o passado que o futuro do ser humano, impondo-lhe que carregue sempre alguma culpa.
As religiões, como são praticadas, servem para determinadas classes de crentes. Para outras, ela necessitam de interpretações e compreensões mais avançadas sob pena de se extinguirem. Elas devem ser entendidas de formas distintas e de acordo com o nível de evolução do espírito.
Na maioria delas, o conceito de felicidade passa pela culpa e pela negação à vida na matéria. Entender que ela, a felicidade, só poderá ocorrer alhures, pós-morte, é negar o sentido da existência, conseqüentemente o presente.
Não entregue sua felicidade à crítica das religiões, das filosofias, dos outros ou dos equívocos que cometeu. A religião, por natureza, deve facilitar o processo de crescimento do ser humano. Tome a sua como auxiliar de seu equilíbrio psicológico e espiritual. Não coloque sua felicidade à mercê das contingências acidentais de sua vida ou mesmo de uma fase de turbulência por que esteja passando. Lembre-se de que viver não é ato isolado de um ser humano. É um contexto, uma conexão e um sentido. Na união dessas realidades junta-se o Espírito que é você. Assuma o comando de sua vida e a coloque a serviço do propósito de ser feliz. Siga aquele ditado que diz ‘viva e deixe os outros viverem’.
Ninguém no mundo está irremediavelmente condenado a sofrer ou a penar eternamente, seja na vida ou na morte. As teorias que levaram o ser humano a se achar perdido ou condenado a sofrer pelos atos o distanciaram de sua própria felicidade. O ser humano está ‘condenado’ a ser feliz e essa conquista é feita individual e coletivamente. Ele foi presenteado por Deus que lhe deu a Vida

(Adenauer Novaes - "Felicidade sem culpa")

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publicado às 19:55

Os QR Codes (códigos de resposta rápida) completam quase duas décadas de existência e, depois de serem exaustivamente utilizados em diversas campanhas de marketing, foram empregados em uma ação turística que mescla tecnologia e tradição histórica.
A agência MSTF Partners, de Lisboa, em conjunto com a BIN e a Lobo Mau, criou uma campanha para promover Portugal por todo o mundo. Utilizando pedras de calçada (chiado) e o trabalho dos calceteiros – uma profissão praticamente extinta -, os desenvolvedores elaboraram QR Codes que, quando fotografados, oferecem conteúdo para os usuários logo após a exibição da mensagem: “Acabou de ler o primeiro código QR do mundo feito em calçada portuguesa”.
O código criado e montado à mão com pedras portuguesas é interpretado por dispositivos móveis e, quando lido, reproduz o barulho dos martelos usados durante a montagem e dá informações turísticas, culturais, comerciais, gastronômicas e hoteleiras da região.

A ideia deu tão certo que as pedras com mais de 500 anos de história foram levadas para uma das cidades mais visitadas do mundo, Barcelona. O objetivo era incentivar turistas espanhóis a conhecer Portugal. Quem teve curiosidade de fotografar o QR Code na Espanha, acabou ganhando uma noite grátis em um hotel português.
O vídeo dá a entender que os QR Codes feitos com pedras de calçadas portuguesas serão levados para outros lugares do mundo, inclusive Rio de Janeiro. Será? Vamos aguardar.
O diferencial aqui não é a tecnologia em si, que como já dissemos, foi utilizada milhares de vezes pelo mundo, mas a ideia de combinar a tradição com o moderno, a fim de incentivar o turismo. A tecnologia acabou por ficar em segundo plano, atuando como um suporte de uma grande ideia.

(http://3bits.net/2012/portugal-tem-o-primeiro-qr-code-feito-em-uma-calcada/)

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publicado às 19:53

EM UM DE SEUS AFORISMOS mais célebres, Buda disse que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Do nascimento à morte, a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos a essa dor só depende de nós. Se a encararmos de forma trágica, ela se transformará em sofrimento. Uma coisa é o que acontece no exterior e outra é o que se dá no interior de cada indivíduo. Aquele que tem medo de enfrentar a dor a receberá sempre como uma maldição. Ele nunca saberá o que fazer com a escuridão que toma conta de sua vida, que antes parecia tão feliz. O filósofo lida com a dor e tenta extrair dela um benefício em forma de conhecimento. Mesmo os momentos mais duros da vida, como quando sofremos uma terrível perda, são portas abertas em direção a algo que precisávamos conhecer. Se estivermos conscientes de que todo fi m é ao mesmo tempo um começo, a dor e o possível sofrimento serão para nós uma escola que nos permitirá entender mais profundamente o que significa ser humano.

 

(Allan Percy - "Nietzsche para estressados")

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publicado às 15:38


O Cheiro do medo

por Thynus, em 22.01.13
 Pesquisas do IB com olfato de animais de laboratório
podem ajudar na compreensão do cérebro humano
O artigo “The Vomeronasal Organ Mediates Interspecies Defensive Behaviors through Detection of Protein Pheromone Homologs” revela, por meio do estudo do sistema olfativo, informações inéditas para a compreensão de como determinados comportamentos são gerados pelo cérebro. De acordo com o professor Fabio Papes, do Departamento de Genética, Evolução e Bioagentes do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, um dos autores do artigo, apesar de se tratar de pesquisa básica, os resultados são subsídios importantes para estudos futuros na área médica destinados à compreensão de doenças comportamentais humanas. Além de Papes, também assinam o artigo os pesquisadores Darren W. Logan e Lisa Stowers, do Scripps Research Institute, localizado em La Jolla, no estado americano da Califórnia.
Experimentos feitos com camundongos comprovaram, a partir de técnicas de Bioquímica, Biologia Celular e Molecular, que células sensoriais olfativas são capazes de detectar o odor associado a uma proteína conhecida como MUP (Major Urinary Proteins), encontrada na pele, nos pelos, na urina, na saliva e em outras secreções corpóreas de predadores, provocando comportamentos defensivos de medo em espécies de animais que são presas daqueles predadores.
Em um dos experimentos realizados no estudo, quando camundongos normais são simplesmente expostos aos odores de predadores, comportamentos de medo são gerados nesses animais. Essas respostas foram diagnosticadas a partir do acompanhamento de vários efeitos nas presas, incluindo ritmo de batimentos cardíacos, taxa respiratória, características de locomoção e posicionamento na gaiola, além da liberação de hormônios de estresse. “Isso acontece para odores de várias espécies de predadores, como gatos, ratos, cobras, raposas, entre outras”, acrescenta Papes. Um aspecto importante é que tais respostas são inatas, por não dependerem de experiência prévia, o que, segundo o pesquisador, indica que o cérebro de camundongos é preparado geneticamente para gerar tais comportamentos.
Outro experimento, em que os próprios predadores, anestesiados e depois introduzidos no ensaio, são utilizados como estímulo, resultou em comportamentos inatos de medo muito substanciais por parte dos camundongos. No entanto, de maneira surpreendente aos pesquisadores, camundongos mutantes – produzidos nos Estados Unidos e trazidos para o Brasil por Papes – nem se dão conta da presença dos predadores e, em vídeo gravado pelos cientistas, são vistos repousando sobre eles durante o experimento.
O professor explica que nesses animais mutantes, um pequeno e enigmático órgão sensorial presente no nariz de vertebrados, o órgão vomeronasal, não é ativo, pois não há a presença de uma proteína essencial para que os neurônios sensoriais desse órgão funcionem. Já que essa é a única mudança nos animais mutantes, Papes afirma que tal experimento forneceu forte evidência de que os odores de predadores que geram medo são detectados pelo órgão vomeronasal. Segundo o professor, curiosamente, seres humanos também possuem o mesmo órgão na cavidade nasal. “Na verdade, o órgão foi identificado primeiramente em nossa própria espécie, há quase 200 anos, porém, os estudos moleculares e funcionais do órgão vomeronasal em humanos são ainda imaturos e preliminares”, afirma.
Ao avaliar as regiões do cérebro envolvidas com o sistema olfativo, os pesquisadores observaram que em animais normais tais regiões são fortemente ativadas quando há exposição aos odores de predadores. Nos mutantes, no entanto, nenhuma das células foi ativada. “Nesse caso, não há comportamento, detecção e não tem ativação do cérebro”, enfatiza o professor.
Medo

Depois das evidências com o órgão vomeronasal, os pesquisadores embarcaram em uma busca às moléculas liberadas pelos predadores capazes de gerar comportamentos de medo em camundongos. Utilizando uma combinação de métodos moleculares, Papes e colaboradores chegaram à comprovação de que os odores envolvidos são na verdade proteínas pertencentes à família de MUPs. Originalmente, os pesquisadores purificaram esse estímulo a partir da urina de ratos, mas depois demonstraram que proteínas semelhantes de outros predadores, como gatos, também produzem o mesmo efeito de medo em roedores de laboratório.

 

Além da identificação das proteínas e do órgão que detecta tais estímulos sensoriais, Papes afirma que o projeto trouxe a compreensão de um outro aspecto fundamental desse sistema. Por meio de uma análise detalhada da ativação de grupos de neurônios no órgão vomeronasal, foi comprovado que as células que respondem aos odores dos predadores não são as mesmas que respondem a outros odores capazes de gerar comportamentos, como os feromônios de agressividade, de comportamento sexual ou de cuidado maternal. “Sendo assim, o sistema olfativo já é geneticamente programado para responder adequadamente a odores com diferentes qualidades”, pontua.

 

Regiões olfativas ativadas no cérebro por odores de predadores (Foto: Divulgação)O trabalho aponta para a conclusão de que algumas células possuem receptores que detectam as proteínas capazes de gerar respostas de medo. Outras possuem receptores que detectam moléculas que induzem agressividade. Outra descoberta é que esse sistema de medo funciona especificamente para o fim de gerar respostas defensivas em animais. A partir desses traços, os pesquisadores pretendem dar continuidade à pesquisa para identificar os receptores moleculares envolvidos em cada caso e, principalmente, saber de que maneira o cérebro interpreta as informações detectadas.

 

Como as áreas do cérebro que respondem a essas proteínas de medo são as mesmas que respondem a situações de medo no ser humano, estudá-las no modelo animal é um caminho para entender a gênese de distúrbios comportamentais relacionados ao medo em seres humanos, para Papes. “Ainda não estudamos maneiras para tratar essas doenças, mas fazemos pesquisa básica que levará à compreensão detalhada de como o cérebro funciona para gerar o comportamento. Um dia será possível modular tais comportamentos com base nesses resultados. Trata-se de uma descoberta importante para a área médica”, segundo Papes.
O professor lembra que o número de pessoas com doenças comportamentais ou que fazem uso de drogas para modular comportamentos é bastante significativo em nossa sociedade. Estima-se que três em cada dez pessoas tomem medicamentos para modular, tratar ou controlar problemas comportamentais nos EUA. Os casos variam de efeitos simples até condições graves. Segundo o professor, os seguintes exemplos são relacionados em maior ou menor grau aos comportamentos estudados na pesquisa: fobias, síndrome do pânico, estresse pós-traumático (PTSD), além de alguns aspectos da esquizofrenia e do autismo. Em uma relação interessante, ele acrescenta que pessoas que não possuem olfato têm tendência à depressão e são mais suscetíveis a uma série de distúrbios e disfunções comportamentais.
O sistema olfativo foi escolhido para o estudo publicado na Cell porque os comportamentos são gerados nos camundongos de maneira inata, na presença de odores de outras espécies. Papes esclarece que a importância do olfato no comportamento em animais é inegável, mas, em humanos, onde o sistema visual tem maior importância, a olfação adquiriu papel secundário. No entanto, diferentemente da maioria das respostas em sistemas sensoriais humanos, existe uma relação muito direta entre estímulo e comportamento no sistema olfativo de animais-modelo, pois quando a resposta é inata há pouca interferência da memória e do aprendizado. Ademais, de acordo com o professor, “é um modelo essencial para estudar as propriedades integrativas sensoriais do sistema nervoso de mamíferos”.
As pesquisas realizadas no passado restringiam-se ao estudo dos feromônios, que induzem respostas comportamentais estereotípicas, ou seja, comuns entre todos os indivíduos da mesma espécie. Hoje, porém, com o advento da biologia molecular, os cientistas têm a capacidade de estudar esse aspecto focando nos genes relacionados a comportamentos específicos. “Estamos estudando de que maneira nosso genoma prepara nosso organismo para responder ao mundo. Quando estudam essa transformação de estímulo sensorial dentro do cérebro para gerar comportamentos, os neurobiologistas estão interessados em qualquer aspecto dessas transformações, desde o que ocorre nos órgãos sensoriais, até como o cérebro interpreta o mundo”, reforça Papes.
Papes explica que, do ponto de vista dos sistemas sensoriais, os estímulos só existem fora do organismo, sejam eles fótons de luz, ondas sonoras, ou moléculas, como no caso do sistema estudado por ele. De alguma forma, o sistema nervoso detecta essas informações e as transforma em atividade elétrica dentro do cérebro, o único elemento que existe à disposição do sistema nervoso para representar e interpretar o que está fora do organismo. “Não existem as moléculas, a luz, os sons dentro do organismo, dentro do cérebro. O cérebro transforma aquela energia que existe fora em atividades elétricas dentro dos neurônios. Esse aspecto também foi interessante para vermos como a transformação de moléculas em estímulos elétricos se dá dentro do sistema olfativo. E por último, procuramos entender como o comportamento é gerado, ou seja, por que essa via neural resulta num comportamento de medo e não em um comportamento de cópula ou agressividade”, explica.
Segundo o autor, quando o projeto começou no Scripps Research Institute, já existia uma quantidade substancial de estudos indicando que comportamentos de medo eram gerados em camundongos e ratos na presença de odores de predadores. Eles revelavam que algumas espécies, ao apresentar comportamentos defensivos, estavam de fato defendendo-se de uma situação adversa. Os trabalhos que trouxeram esses dados não foram realizados por biologistas moleculares, mas por etologistas – estudiosos do comportamento animal – sendo cruciais naquele momento inicial, pois mostraram que o comportamento era gerado de maneira inata, sugerindo uma organização pré-programada do sistema nervoso. “Se o organismo responde de maneira inata a um estímulo, é porque ele já é preparado geneticamente para responder a esse estímulo”.
As informações constantes desses estudos preliminares indicaram que genes do genoma preparam as células neuronais, os conjuntos de células, e o sistema nervoso como um todo para responder àqueles estímulos e gerar comportamentos de maneira adequada. Tal fato tornou o estudo molecular muito mais fácil. “Quando sabemos que já existe um sistema pré-programado geneticamente, podemos desenvolver a investigação utilizando métodos de biologia molecular”, completa o autor.
Investimento
Para Papes, que estuda a olfação desde o pós-doutorado na Universidade de Harvard, EUA, o estudo molecular do sistema olfativo provou ser um excelente modelo para compreender como o cérebro é organizado. Pesquisas como essa que deu origem ao artigo publicado na Cell explicam por que o investimento em estudos do sistema olfativo tem se intensificado em todo o mundo, inclusive no Brasil. A parte desse trabalho desenvolvida na Unicamp recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Fundo de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e Extensão (Faepex), da Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp.
De acordo com o professor, desde 2004, após a concessão do Prêmio Nobel de Medicina/Fisiologia a dois pesquisadores na área de olfação, a comunidade científica tem dado muita atenção ao estudo molecular olfativo. Além disso, a publicação de pesquisas desta área em grandes revistas científicas também tem sido intensificada. Segundo Papes, “muitos pesquisadores da área estudam agora o sistema olfativo de insetos, pois a modulação da olfação é um importante alvo biotecnológico para o controle de populações de pragas, parasitas e vetores transmissores de doenças, como atestam publicações recentes nas revistas Nature e Science”.

(Maria Alice da Cruz)

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publicado às 15:10

Um estudo francês concluiu que os cães também usam o olfato para ajudar a distinguir os estados emocionais dos seres humanos (Hubert Montagner, L'Attachement: Les Debuts de la Tendresse). Não sou cientista, mas, depois de passar uma vida inteira ao lado dos cães, minha opinião é que, sem dúvida, eles podem usar o olfato para perceber até mesmo as mudanças mais sutis na energia e na emoção dos seres humanos ao redor deles. É claro que nem sempre os animais conseguem entender o contexto de nossos problemas - eles não sabem se sofremos uma decepção amorosa, se estamos enfrentando um divórcio ou se perdemos o emprego, pois essas situações humanas não significam nada para eles. Mas tais situações criam emoções - que são universais. Doença e tristeza são sempre doença e tristeza, para qualquer espécie.
Os animais não são ligados apenas a outros animais - eles parecem capazes de captar a energia da terra também. A história está cheia de casos de cães que parecem "prever" terremotos ou gatos que se escondem no porão horas antes de um tornado. Em 2004, meio dia antes de o furacão Charley atingir o litoral da Flórida, catorze tubarões monitorados com chips eletrônicos, apesar de nunca haverem abandonado seu território em Sarasota, repentinamente partiram em busca de águas mais profundas. E pense no terrível tsunami que atingiu o sul da Ásia no mesmo ano.1∗ De acordo com testemunhas, uma hora antes de a onda gigante atingir a costa, elefantes que serviam de atração para turistas na Indonésia começaram a gemer e até arrebentaram suas correntes para fugir para áreas mais altas. Na região toda, os animais dos zoológicos correram para seus abrigos e se recusaram a sair, os cães não queriam ir para a rua e centenas de animais selvagens do Parque Nacional de Yala, no Sri Lanka - leopardos, tigres, elefantes, javalis, veados, búfalos e macacos -, também fugiram para uma área segura.∗ Esses são alguns dos milagres da Mãe Natureza que continuam a me impressionar: são exemplos brilhantes da poderosa linguagem da energia em atividade.
Uma coisa importante a lembrar é que todos os animais ao nosso redor - especialmente os de estimação, com quem dividimos nossa vida - leem nossa energia a cada momento do dia. É claro que podemos dizer o que quisermos, mas nossa energia não consegue mentir, ela não mente.

(Cesar Millan - "O encantador de cães")

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publicado às 14:49


A linguagem universal da energia

por Thynus, em 22.01.13


Você sabe que não pode "conversar como gente adulta" com um cão, mas simplesmente não conhece outra forma de comunicação. Estou aqui para lhe dizer que existe um modo muito melhor.
(...) Não seria mais simples se existisse um idioma universal que todas as espécies conseguissem entender? "Impossível'', você deve estar dizendo. "Nem mesmo os seres humanos falam o mesmo idioma!" É verdade, mas isso não impede que as pessoas tentem há séculos encontrar uma linguagem comum. No mundo antigo, todas as pessoas da classe alta e de boa educação estudavam grego. Assim, poderiam ler e entender os documentos mais importantes. Em certo período da era cristã, qualquer pessoa importante conseguia ler e escrever em latim. Hoje, o inglês está no topo da "cadeia alimentar". Aprendi isso da maneira mais difícil quando cheguei aos Estados Unidos. Se você não nasceu falando inglês, essa é uma língua difícil de aprender - mas todas as pessoas, dos chineses aos russos, a aceitam como o idioma internacional dos negócios. Os seres humanos procuraram outras maneiras de derrubar a barreira do idioma. Por exemplo, se você for cego, independentemente do idioma que fala, pode usar o braile. Se for surdo, pode compreender qualquer pessoa que use a língua de sinais. A matemática e as linguagens de computador atravessam muitas fronteiras linguísticas e permitem que pessoas que falam idiomas diferentes consigam facilmente se comunicar, graças ao poder da tecnologia.
Se os seres humanos têm sucesso ao criar essas linguagens coletivas, não podemos inventar um modo de conversar com outras espécies do planeta? Não existe um idioma que todos possamos aprender e que signifique a mesma coisa para todas as criaturas?
Boa notícia! Fico feliz em dizer que a linguagem universal (...) já existe. E os seres humanos não a inventaram. É uma língua que todos os animais falam sem ao menos perceber, inclusive os humanos. Além disso, todos os animais nascem sabendo essa linguagem instintivamente. Até mesmo os seres humanos nascem fluentes nessa língua universal, mas costumamos esquecê-la porque somos treinados, desde a infância, a acreditar que as palavras são o único meio de comunicação. A ironia é que, apesar de pensarmos que não sabemos mais essa língua, nós a falamos o tempo todo. Sem saber, a emitimos o tempo todo, todos os dias! Outras espécies de animais ainda conseguem nos entender, mesmo que não tenhamos a mínima ideia de como entendê-las. Eles nos compreendem com clareza, mesmo quando não sabemos que estamos estabelecendo uma comunicação.
Essa linguagem universal entre as espécies é chamada energia.

(Cesar Millan - "O encantador de cães")

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publicado às 14:48


A energia nos seres humanos

por Thynus, em 21.01.13

É interessante perceber que o Homo sapiens é a única espécie que se deixa guiar por um líder sábio, gentil, compassivo e amável. Podemos até seguir líderes instáveis, mas essa é outra história! Por mais difícil que seja compreender isto, no reino animal Fidel Castro ganharia a posição de líder, em detrimento de Madre Teresa. No mundo animal, não existe moralidade, certo ou errado. Por outro lado, os animais nunca enganam para ter poder - eles não conseguem. Os outros animais descobririam as verdadeiras intenções num piscar de olhos. Os líderes da natureza devem projetar a força mais óbvia e incontestável. No reino animal, só existem regras, rotinas e rituais - com base na sobrevivência do mais forte, não do mais esperto ou mais justo.

Já ouviu falar do "cheiro do medo"? Não é apenas uma expressão. Os animais sentem as vibrações de energia, mas o olfato é o segundo sentido mais forte - e, em um cão, a energia e o olfato parecem estar bem ligados. Os cães esvaziam as glândulas anais quando sentem medo, emitindo um odor que é percebido não apenas por outros cães, mas também por outros animais (in-cluindo os seres humanos). O olfato de um cão é ligado ao sistema límbico, a parte do cérebro responsável pela emoção. No livro The Dogs Mind: Understanding Your Dogs Behavior,∗ dr. Bruce Fogle cita estudos dos anos 70 que mostram que os cães conseguem detectar ácido butírico - um dos componentes da transpiração dos seres humanos - a uma concentração um mi-lhão de vezes mais baixa do que a que conseguimos. Pense nos detectores de mentira que conseguem perceber mudanças na transpiração das mãos de uma pessoa quando ela está mentindo. Basicamente, seu cão é um "detector de mentiras" ambulante!
Os cães realmente "farejam" o medo em nós? Eles o percebem imediatamente. Diversos corredores e carteiros podem afirmar isso, pois eles correm ou passam caminhando pelas casas, fazendo os cães latirem, rosnarem ou mesmo pularem o portão ou o muro. Pode se tratar de um cão que tenha adotado o papel de protetor da casa e que leve essa função muito a sério. Muitos carteiros e corredores têm cicatrizes que provam como cães agressivos e fortes - que eu chamo de cães na zona de alerta - saem de controle. (Os cães na zona de alerta são um assunto sério; falarei sobre eles mais adiante).
Para entender como os cães sentem os estados emocionais, imagine a seguinte situação, ao passar por uma casa com um cão na zona de alerta: Talvez o cão que late tenha um segredo. Pode ser que ele tenha mais medo de você que você dele! Mas, quando você fica paralisado de medo, o equilíbrio de poder muda instantaneamente. O cão percebe sua mudança de energia pelo "sexto sentido"? Ou será que fareja uma mudança na química de seu corpo ou de seu cérebro? A ciência ainda não explicou isso claramente aos leigos, mas, na minha opinião, é uma combinação das duas coisas. Após ter passado décadas observando, tenho certeza disto: não há como "blefar" com um cão da mesma maneira como se blefa com um amigo bêbado em um jogo de pôquer. Quando você sente medo, o cão instantaneamente sabe que tem vantagem sobre você. Você projeta uma energia fraca. E, se o cachorro escapar, é bem mais provável que você seja mordido ou perseguido por ele do que se tivesse ignorado os latidos e seguido em frente. No mundo natural, os mais fracos acabam sendo eliminados rapidamente. Não há certo ou errado - é assim que a vida na terra tem sido há milhões de anos.

(Cesar Millan - "O encantador de cães")

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publicado às 23:59

O conceito de julgamento (Urteil em alemão) leva-nos naturalmente a considerar o ordàlio (Gottesurteil — juízo de Deus). A ligação etimológica é perceptível à primeira vista, se assim compararmos as palavras de ambas as línguas. A palavra "ordálio" significa precisamente "juízo divino". Mas não é nada fácil determinar exatamente o que o ordálio significa para o espírito primitivo. A primeira vista, pode parecer que o homem primitivo acreditava que os deuses se manifestavam através do resultado de uma prova ou de um jogo, qual das duas partes tinha razão ou — o que vem a dar no mesmo — em que direção orientaram o destino. É claro que a idéia de um milagre provando qual dos lados tem razão é apenas uma interpretação cristã secundária. Mas a concepção acima referida — a do juízo divino — por sua vez é provavelmente uma interpretação proveniente de uma fase cultural ainda mais antiga. O ponto de partida original do ordálio deve ter sido a competição, o jogo para ver quem ganha. Para o espírito primitivo o fato de ganhar, enquanto tal, é prova da posse da verdade e do direito; o resultado de qualquer competição, seja uma prova de força ou um jogo de sorte, é uma decisão sagrada, concedida pelos deuses. Ainda hoje somos dominados por este hábito mental quando aceitamos como regra que as questões serão decididas por unanimidade, ou quando aceitamos o voto da maioria. Só numa fase mais avançada da experiência religiosa a fórmula será a seguinte: a competição (ou ordálio) é uma revelação da verdade e da justiça porque há uma divindade que dirige a queda dos dados ou o resultado da batalha. Assim, quando Ehrenberg diz que "a justiça secular nasce do ordálio", parece estar invertendo, ou pelo menos exagerando, a seqüência histórica de idéias. Não seria mais verdadeiro dizer que o proferimento da sentença (e, portanto, a própria justiça legal) e o julgamento por ordálio têm ambos suas raízes na decisão agonística, na qual a última palavra é dada pelo resultado de uma competição (seja por sorteio, pelo acaso, ou uma prova de força, resistência etc.)? A luta pela vitória é sagrada em si mesma, mas, uma vez animada por concepções nítidas acerca do bem e do mal, a luta passa a pertencer à esfera do direito; e, vista à luz das concepções positivas do poder divino, passa a pertencer ao domínio da fé. Todavia, o fenômeno fundamental em todos estes casos é o jogo.

(Johan Huizinga - "Homo ludens") 

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publicado às 20:28

Toda civilização só muito lentamente vai abandonando a forma poética como principal método de expressão das coisas importantes para a vida da comunidade social. A poesia sempre antecede a prosa; para a expressão de coisas solenes ou sagradas, a poesia é o único veículo adequado. Não são apenas os hinos e os provérbios que são postos em verso, são também extensos tratados com por exemplo os sutras e sastras da índia antiga, ou os primeiros produtos da filosofia grega. Empédocles encerra todo seu saber em um poema, e ainda Lucrécio continua utilizando a mesma forma. Talvez, em parte, a preferência pelos versos tenha sido determinada por considerações utilitárias: uma sociedade sem livros acha mais fácil memorizar seus textos desta maneira. Mas existe uma razão mais profunda, a saber que a própria vida da sociedade arcaica possui como que uma estrutura métrica e estrófica. A poesia continua ainda hoje sendo o modo de expressão mais natural para as coisas mais "elevadas". Até 1868, os japoneses costumavam escrever em forma poética as partes mais importantes dos documentos de Estado. Os historiadores do direito prestaram uma atenção especial aos vestígios de poesia no direito, pelo menos na tradição germânica. Todo estudante das leis germânicas conhece o antigo texto jurídico frisão em que uma cláusula relativa às diversas "necessidades" ou ocasiões de necessidade nas quais é preciso vender a herança de um órfão, passa de repente a um estilo lírico aliterativo:
"A segunda necessidade é quando o ano se torna custoso e a fome ardente invade a terra, e a criança vai morrer de fome. Pode, então, a mãe pôr à venda o patrimônio da criança, comprando para ela uma vaca, trigo etc. A terceira necessidade é quando a criança está nua e sem teto, e vem o escuro nevoeiro e o frio inverno, e cada homem se abriga em seu lar, num quente refúgio, e o animal selvagem procura a árvore oca e o refúgio das montanhas, para salvar sua vida. Então a criança menor chorará e gritará, e lamentará a nudez de seus membros e sua falta de abrigo, e a ausência de seu pai, que deveria tê-la defendido contra a fome e as frias névoas do inverno, e que agora jaz numa funda e escura cova, sob o carvalho e a terra, preso por quatro pregos."
Creio que aqui estamos perante algo que não é apenas uma ornamentação deliberada, mas sobretudo a circunstância de a formulação da lei pertencer ainda àquela exaltada esfera do espírito em que a forma poética é o modo natural de expressão. Devido precisamente à sua brusca entrada na poesia, este exemplo frisão é típico de muitos outros; em certo sentido, é mais típico do que o Tryggdamal da antiga Islândia que, numa série de estrofes aliterantes, narra o restabelecimento da paz, comunica o pagamento de uma indenização, proíbe energicamente novas lutas e nesse momento, o propósito da declaração de que os "perturbadores da paz" serão em toda a parte considerados fora da lei, passa a ampliar este "em toda a parte" por meio de uma série de imagens poéticas:
"Onde quer que os homens
cacem lobos,
vão à igreja
os cristãos,
no recinto sagrado
sacrifiquem os pagãos,
arda o fogo,
reverdesça o campo,
a criança chame pela mãe,
a mãe alimente o filho,
se cuide o fogo da lareira,
naveguem os barcos,
cintilem os escudos,
brilhe o sol,
caia a neve,
cresçam os pinheiros,
voe o falcão
no longo dia de primavera
(vento forte
em ambas as asas),
onde quer que o céu
se eleve,
se construa a casa,
sopre o vento,
corram para o mar as águas,
semeiem o trigo os servos"
Em contraste com o exemplo anterior, é evidente que aqui se trata de um embelezamento puramente literário de uma cláusula legal bem definida; dificilmente o poema poderia, na prática, servir como documento válido. Apesar disso, também ele dá testemunho da unidade original entre a poesia e a jurisdição sagrada, que é o que aqui nos importa.
Toda poesia tem origem no jogo: o jogo sagrado do culto, o jogo festivo da corte amorosa, o jogo marcial da competição, o jogo combativo da emulação da troca e da invectiva, o jogo ligeiro do humor e da prontidão.

(Johan Huizinga - "Homo ludens") 

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publicado às 18:59


Luso, o "fundador" de Portugal

por Thynus, em 19.01.13

É engraçado como as coisas são. A palavra “luso” (e o seu feminino “lusa”), que tanto pode ser substantivo como adjetivo, serve desde há muito de sinónimo a “português”. Os Espanhóis, sobretudo, utilizam-na muito na imprensa quando querem referir-se a estes seus vizinhos, que somos nós: el gobierno luso, la capital lusa… Talvez a generalidade das pessoas, sem refletir muito no assunto, julgue que se trata de uma abreviatura de “lusitano”. Mas passa-se exatamente o contrário. Luso é anterior aos lusitanos.

De que Luso estamos a falar? Aparentemente, de uma figura da mitologia greco-latina, de um filho de Baco, o deus do Vinho. Significará isto que os Portugueses são todos uns bêbedos? Claro que não. O facto de este nosso lendário progenitor ser filho de Baco deve-se ao acaso ou, quando muito, a uma coincidência. E pode mesmo derivar de um erro de tradução de obras mitológicas latinas onde autores romanos como Plínio, o Velho, e Varrão atribuíam a Baco a conquista do ocidente da Hispânia. Nesses textos, lusus pode significar “jogo”, “brincadeira” ou “diversão”, e não ser um nome próprio. Estaria assim a falar-se da conquista da região como de um “divertimento do pai Baco”. E daí a confusão com “Luso de pai Baco”, ao que parece por culpa do humanista português André de Resende, que no século XVI, terá traduzido a coisa mal.
Bem ou mal traduzido, o que importa é que Luís de Camões logo a seguir pegou na ideia e a desenvolveu largamente no seu celebérrimo poema épico Os Lusíadas. Daí em diante, o enigmático Luso “tornou-se” mesmo o fundador de Portugal. Coisa que, aliás, veio a dar um jeito enorme durante o período da anexação do país à Coroa espanhola (1580-1640), quando importava reivindicar para este retângulo uma autonomia, uma antiguidade e uma paternidade respeitáveis. E haveria coisa mais venerável e séria do que um país fundado pelo filho de um deus – mesmo que esse deus fosse o do vinho?...
Perguntar-se-á então: se toda esta confusão é muito posterior, de onde vêm os nomes Lusitânia aplicado pelos Romanos a uma das suas províncias da Península Ibérica e Lusitanos a um dos povos que a habitavam? Pode vir da expressão celta Lus Tanos (“Tribo de Lus”), mas não se sabe ao certo, tanto mais que os próprios Lusitanos não se reviam nesse nome.
Certeza, só uma: Luso, filho de Baco, nunca existiu. E baco também não, claro. O melhor será mesmo mudarmos de assunto.

(Luís Almeida Martins, -  “365 DIAS com histórias da HISTÓRIA de PORTUGAL”)

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publicado às 18:56



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