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Portugal

por Thynus, em 03.01.13

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa)

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publicado às 07:32

"Depois do Inverno, morte figurada,

A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores "
(Miguel Torga).

VIDA É RESSURREIÇÃO CONSTANTE!
Muita gente pensa que a Páscoa da Ressurreição é "monopólio" exlusivo dos cristãos, mas a Páscoa é de todos, é universal. Que não nos convertamos em coveiros da Ressurreição: "O cristianismo matou Jesus. Os judeus não o conseguiram; eles o crucificaram, naturalmente, mas falharam, não puderam matá-lo. Ele sobreviveu à crucificação, e este é o significado da ressurreição — não que Jesus tenha sobrevivido fisicamente, mas que a crucificação provou ter sido inútil. Os judeus não puderam destruí-lo; eles tentaram, mas ele sobreviveu. Onde os judeus falharam, os cristãos foram bem-sucedidos, mataram-no sem qualquer crucificação. Eles o mataram através da oração, do dogma, da organização. Os seguidores e apóstolos conseguiram êxito onde os inimigos falharam" (Osho). De facto, a Ressurreição não pertence ao domínio da razão ou das religiões; pertence ao domínio da fé, e, mais do que isso, é uma pendência do coração: essa capacidade de emocionar-se e extasiar-se perante o mistério da vida que se renova continuamente e nos interpela. Não são, pois, os dogmas ou definições os aferidores da Ressurreição, mas sim o coração! Por isso, a Ressurreição é património de todos os homens e mulheres (cristãos e não-cristãos, crentes e ateus) que acreditam na vitória da Vida sobre a morte. É imperioso que nos libertemos de dogmatismos impostos pelas igrejas apenas com o ojectivo de preservar o seu poder: "A letra mata, mas o Espírito dá Vida!" (2Cor.3,6)
Podemos acreditar, negar ou duvidar da Ressurreição de Jesus; mas o arrebatamento vital da natureza que viceja com exuberância e se abre para o Sol da Primavera é uma realidade inquestionável e um apelo de Ressurreição. "A vida é constantemente uma ressurreição. A cada momento ela morre, a cada momento nasce de novo... Você não pode se encontrar, a não ser que se perca. E não pode renascer (ressuscitar), a não ser que morra" (Osho).

Enquanto o Natal, também ele uma celebração de origem pagã (Dies Natalis Solis Invicti), é celebrado em 25 de Dezembro (solstício do Inverno), “a Páscoa pode cair em qualquer data entre 21 de março e 25 de abril, sendo comemorada no domingo seguinte à primeira Lua Cheia após o equinócio da primavera do hemisfério Norte, (21de março). Essa data foi acomodada para que coincidisse com a Páscoa judaica, cuja data era fixada pela primeira Lua Cheia da primavera. A Lua Cheia nessa época do ano representa a ovulação da Mãe do Mundo, enquanto os tradicionais ovos de Páscoa têm sua origem no símbolo pagão usado para o renascimento do deus-que-ressuscita” (Philip Gardiner). A Primavera (ou Páscoa) torna-se assim para todos (cristãos e não-cristãos) uma interpelação à celebração da vitória da Vida sobre a morte: "Onde está, ó morte, a tua vitória?" (1Cor.15,55).

Mais do que nunca, num mundo do "salve-se quem puder", individualista, ganancioso e competitivo, onde parece imperar o culto da morte e da violência, urge que todos os que acreditam na força da Ressurreição façam de cada dia uma Páscoa; sejam o Sol da Primavera que gera vida, ilumina e aquece os corações! Permito-me reverberar este apelo com palavras que só os poetas sabem dizer:

"Com flores de rododendro cor de fogo
anuncio aos sentidos
o milagre
da ressurreição.
E o Cristo vivo, em que se transfigura
a mais vil criatura
que atravessa a praça,
é como uma graça
a mais da primavera.
Ah, quem pudera
todos os dias
olhar o mundo assim, repovoado
de fraternidade,
quente de um sol desabrochado
em cada pétala da realidade!"

(Miguel Torga, poema escrito em 19 de Abril de 1987, não sei se em dia de Páscoa, mas claramente à luz da Ressurreição).

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publicado às 07:20


DE VOLTA PARA CASA

por Thynus, em 03.01.13
 
Aquilo de que você se apercebe como uma densa estrutura física chamada corpo, o qual está sujeito à doença, à velhice e à morte, não é, em última análise, real – não é quem você é. É uma percepção errónea da sua realidade essencial, que está para além do nascimento e da morte, e deve-se às limitações da sua mente, que, tendo perdido contacto com o Ser, cria o corpo como evidência da sua crença ilusória na separação e para justificar o seu estado de medo. Mas não volte as costas ao corpo, porque dentro desse símbolo de impermanência, de limitação e de morte, de que você se apercebe como uma criação ilusória da sua mente, oculta-se o esplendor da sua realidade essencial e imortal. Não dirija a sua atenção para mais lado nenhum na sua busca da Verdade, porque ela não se encontra senão dentro do seu próprio corpo.

Não lute contra o corpo, porque ao fazê-lo você está a lutar contra a sua própria realidade. Você é o seu corpo. O corpo visível e tangível é apenas um véu ténue e ilusório. Por debaixo dele fica o corpo interior invisível, a porta para o Ser, para a Vida Não Manifesta. Através do corpo interior, você está inseparavelmente ligado a essa Vida Única não manifesta – sem nascimento, sem morte, eternamente presente. Através do corpo interior, você é uno com Deus para sempre.

(Eckhart Tolle in "O poder do Agora")

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publicado às 07:06


Deus morreu?

por Thynus, em 01.01.13

Há pouco mais de cem anos, Nietzsche proclamou a morte de Deus. Desde então o mundo não é o mesmo. É certo que para Nietzsche o cristianismo é que é propriamente uma religião niilista, de tal modo que, com a proclamação da morte de Deus, é o mar infindo das novas possibilidades do sim à vida que se abre. No entanto, à morte de Deus não se seguiria a morte do homem e do sentido último de toda a realidade?
Segundo as análises de Gilles Lipovetsky, "Deus morreu, as grandes finalidades extinguem-se, mas toda a gente se está a lixar para isso (...). O vazio do sentido, a derrocada dos ideais não levaram, como se poderia esperar, a mais angústia, a mais absurdo, a mais pessimismo": isto escreveu ele em A era do vazio. Os espíritos mais atentos acham, porém, que é necessário dar antes razão a L. Kolakowski, o filósofo polaco agnóstico, quando afirma que, desde a proclamação da morte de Deus por Nietzsche, nunca mais houve ateus serenos: "Com a segurança da fé desfez-se também a segurança da incredulidade. Ao contrário de um mundo familiar, protegido por uma natureza benéfica e benigna, como era proposto pelo ateísmo iluminista, o mundo sem Deus dos nossos dias é sentido como um caos opressor, eterno. É um mundo privado de todo o sentido, de qualquer orientação, sinal de direcção, estrutura (...). De há cem anos a esta parte, (...) praticamente nunca mais vimos ateus serenos (...). A ausência de Deus tornou-se a ferida sempre aberta do espírito europeu, por maior que tenha sido o esforço feito para esquecê-la, recorrendo a toda a espécie de narcóticos (...)".
Como escreveu o filósofo Eusebi Colomer, recentemente falecido, a própria expressão "morte de Deus" não é unívoca, pois pode ter e tem múltiplos sentidos. Pode significar que Deus realmente nunca existiu, embora só recentemente tenhamos feito essa descoberta. Pode querer dizer que talvez Deus exista, mas os homens, que outrora se lhe dirigiram pela fé e pela invocação, hoje já não acreditam nele. Talvez queiramos apenas exprimir a experiência de ausência e aparente silêncio de Deus, própria do nosso tempo. Segundo a fé cristã, Deus morreu verdadeiramente no mundo na Sexta-Feira Santa histórica de há dois mil anos, e é talvez ainda em Sexta-Feira Santa que nos encontramos, de tal maneira que clamamos com Jesus do alto da cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que é que me abandonaste?" Talvez estejamos apenas a referir-nos à necesssidade de transcender constantemente as nossas ideias acerca de Deus, e, neste sentido, a "morte de Deus" significa a morte dos ídolos fabricados por nós. Afinal, que Deus era esse que morreu? Se o Deus verdadeiro é o Deus sempre maior, que transcende sempre tudo quanto possamos pensar ou afirmar dele, então os deuses enquanto ídolos têm que morrer, para ser possível a fé no Deus verdadeiro...
Neste domínio, a pergunta essencial consiste em saber se é possível ser homem sem colocar honestamente a questão de Deus. É que ser homem é a abertura ao Infinito, e, assim, a questão do homem é a questão de Deus precisamente enquanto questão.

(Anselmo Borges - "Janela do (In)Visível")

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publicado às 12:13


As mulheres muitas vezes se admiram de que os homens possam ter um sentimento quase religioso com um time de futebol, mas raramente se mostrem dispostos a investir a mesma quantidade de energia emocional num relacionamento com elas.
O homem é capaz de esconder suas emoções e sentimentos da mulher que ama, mas ficar visivelmente emotivo e apaixonado quando seu time joga, e especialmente quando esta perdendo.
Como é que ele pode ser tão obstinadamente fiel e devotado a um bando de jogadores atarracados e não necessariamente brilhantes, que ele não conhece e que não estão nem ai com ele, e não demonstrar nem um décimo da mesma devoção para com ela? Durante quase todo o tempo de existência da raça humana, os machos foram polígamos por razões de sobrevivência. Havia pouca oferta de homens porque muitos morriam nas caçadas e nas guerras. Era razoável, portanto, que os sobreviventes adotassem as viúvas em seus haréns, o que também aumentava a chance de poderem transmitir seus genes. Do ponto de vista da sobrevivência da espécie, fazia sentido que um macho tivesse dez ou vinte fêmeas, mas não fazia sentido que uma fêmea tivesse dez ou vinte machos, já que ela só podia parir um filho de cada vez. Somente 3% das espécies animais, raposas e gansos, por exemplo, são monógamos. O cérebro da maioria das espécies, inclusive a humana, não está programado para a monogamia. Este é o motivo pelo qual os homens protelam ao máximo' assumir compromisso com a mulher e têm tanta dificuldade de manter um relacionamento monogâmico. Mas nós diferimos das outras espécies no sentido de que nossos cérebros evoluíram e desenvolveram grandes lobos frontais que nos permitem tomar decisões conscientes a respeito do que queremos e do que não queremos fazer. Portanto, não adianta que os homens infiéis afirmem que não podiam evitar. Eles tinham poder de escolha. Para a mulher, manter um compromisso, pelo menos até que sua prole seja auto-suficiente, é algo que está programado em sua psique.

(Bárbara & Allan Pease - "Por que os homens mentem E as Mulheres choram?")

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publicado às 11:48


Os males do sistema arterial

por Thynus, em 01.01.13

Eles nos falam de tensões equivalentes àquelas do sistema venoso, mas no sentido ativo. As emoções são excessivas e se manifestam em excesso (jovialidade, excitação etc.) ou então estão retidas, sufocadas. A dificuldade, até mesmo a incapacidade, para fazer o que for preciso na nossa vida para sentir alegria, prazer ou felicidade se traduz pela hipertensão arterial. Ao contrário do sistema venoso, não temos a impressão de estar sendo impedidos, mas sobretudo de não saber, de não poder, de não ser ou não ter sido capazes de arrumar um lugar para o amor, para a alegria de viver.
A hipertensão nos mostra uma grande tensão devida à vontade de busca de solução, mas o medo, muitas vezes, impede que as nossas emoções existam, o que faz a pressão subir no interior. Tudo toma proporções excessivas que nos amedrontam. Esse medo nos cristaliza e endurece a parede das nossas artérias, ampliando assim, através da arteriosclerose, o fenômeno da tensão. Um dos medos fundamentais associados à hipertensão é o medo da morte; temos medo que ela chegue antes que tenhamos podido fazer o que tínhamos de fazer. O sentimento de urgência então se desenvolve em nós e faz ainda mais "subir a pressão". Aí também encontramos laços com a homeopatia que utiliza o Aconit para tratar a hipertensão arterial, mas também o medo da morte e todos aqueles que se constroem sobre um processo de pânico.
A hipotensão nos fala da derrota, do nosso sentimento de vítima. Vencidos pelos acontecimentos, sem saída, não estamos mais em condições de fazer a pressão subir para relançar a máquina. A dinâmica principal é passiva e o desencorajamento ultrapassa o sentido da luta. Provavelmente, sentimos falta de amor na nossa vida, desse alimento que procura ou ao menos facilita a alegria e a razão de viver, de sentir o nosso coração batendo dentro de nós. Faltou-nos essa chama ou, talvez, nós não a tenhamos mantido.

(Michael Odou - "Diga-me onde dói e eu te direi por quê")

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publicado às 08:29

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