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Globalização

por Thynus, em 12.01.13
Trata-se de um processo que visa a unificação de todos os mercados do mundo sob a articulação das multinacionais. Ela quer o predomínio das regras de mercado sobre regulamentos ditados pelos governos dos países. Marca o ingresso do capitalismo em uma nova etapa de seu desenvolvimento, em que as corporações multinacionais começam a contestar a soberania dos estados nacionais. Considera que o Estado deve prioritariamente exercer a função de garantir a liberdade do mercado, o cumprimento dos contratos e a propriedade. Coloca, em segundo plano, qualquer outra função do Estado, em especial, a sua função social.
O liberalismo, em termos políticos, proporcionou importante contribuição à democracia ao se opor a variadas formas de absolutismo e autoritarismo, defendendo a liberdade do cidadão. Contudo, em termos práticos, a maioria dos adeptos do neoliberalismo tem preconizado grandes cortes nos gastos sociais do Estado, elevação das taxas de juros, promoção da privatização das companhias estatais, como no setor de transporte, saúde, educação, energia e telecomunicações, e defesa do livre comércio internacional e dos grandes investimentos financeiros especulativos. A questão fundamental é que o modelo econômico-político neocapitalista admite a exclusão como princípio de funcionamento. Em todos os países onde está sendo aplicado, tem levado a uma situação em que as macrocontas destes são ajustadas, com queda da inflação, saldo da balança financeira e estabilidade econômica, embora aumente o desemprego e piore sensivelmente a situação dos mais pobres, promovendo o alargamento da distância que separa as classes sociais mais abastadas das menos favorecidas, gerando ainda mais bolsões de miséria.
Concretamente, o fim do século e do milênio foram marcados pela violência física e simbólica contra os excluídos, contra a liberdade de sonhar e construir uma “terra sem males”. A globalização, novo rosto do projeto de dominação, é baseada na apropriação privada dos recursos e da terra, na exploração da força de trabalho, na expansão de um sistema de mercado integrador e homogenizador. Alguns modelos de globalização querem impor a abertura arrasadora da economia do país aos interesses externos e financiamentos multinacionais, o desmonte do Estado e a dramática diminuição dos investimentos públicos, dos programas sociais. Educação, saúde, moradia e lazer são tratados como mercados rentáveis. Essa lógica de organização econômica, política e social gera violentos mecanismos de exclusão social, o desrespeito aos direitos humanos, a exploração sem limites dos recursos naturais, com repercussões desastrosas para as futuras gerações.
O conceito “globalização” está manchado pela face escura da modernidade, por sua racionalidade instrumental e eficácia funcionalista, e pela face antissocial do capitalismo em sua forma tardia de neoliberalismo. Seu produto final é sofrimento e exclusão econômica, em função da maximização dos lucros.
Só globalizou-se o econômico! E o social?
Outro engano é o desenvolvimento sustentável. Como o próprio termo sugere, a primeira preocupação não é com o meio ambiente, mas com o desenvolvimento e, consequentemente, com as possibilidades de exploração dos recursos naturais existentes, exaurindo-lhes toda a capacidade de produzir capital. Dessa forma, a sustentabilidade almejada é a dos sistemas econômicos, e não de seres humanos e toda a vida existente no planeta.
Conclusão: A globalização é uma tragédia para a maioria da humanidade, tanto a economia mundialmente integrada como o mercado se regem pela competição e não pela cooperação. Se dermos livre curso à competição sem a cooperação, podemos nos devorar e colocar em risco todo o sistema de vida. A verdadeira globalização – a verdadeira sustentabilidade planetária – depende de mudanças profundas na concepção de pessoa, de natureza e da implementação de um outro modelo de sociedade, onde o determinante não seja o capital, o lucro, mas a vida de homens e mulheres interagindo com toda a natureza. Precisamos redescobrir a solidariedade, a corresponsabilidade, a compaixão, a partilha, o cuidado.

(Christian de Paul de Barchifontaine - "Bioética e início da vida")

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publicado às 21:50



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