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Esquecer 500 anos de massacres?

por Thynus, em 25.08.11

 

 
De há alguns anos para cá, está acontecendo na Igreja Católica um "processo de revisionismo" da história com o objetivo de branquear 500 anos de crimes contra a humanidade: Cruzadas, perseguição e extermínio de "bruxas" e "hereges", de judeus, de cientistas, etc.
Como estes relatos históricos estão bem documentados e ninguém pode negar a sua existência, a estratégia católica passa por "reinterpretar" alguns desses factos como "diatribas medievais". O que é premente para os novos inquisidores da informação é fazer aparecer como secundário o papel da Igreja da época, que na verdade foi a principal instigadora.
Certamente para muitas autoridades civis medievais poderia ser útil eliminar fisicamente os hereges, que eram, por vezes, também, ao mesmo tempo adversários políticos, ou pelo menos um exemplo "perigoso" de liberdade individual numa era de obediência absoluta (não por acaso "heresia" significa "escolha"), mas isso não diminui a responsabilidade histórica e moral da Igreja Católica, tanto que o Papa João Paulo II sentiu a necessidade de pedir perdão por esses crimes horrendos, embora um pouco apressadamente e sem aprofundamentos particulares.
De facto, parece que a partir precisamente deste pedido de perdão, que remonta ao ano 2000, alguns apologistas católicos começaram a fazer o trabalho de revisionismo que recentemente encontrou a cumplicidade inevitável da própria televisão italiana (RAI).
Um episódio muito triste de desinformação a esse respeito foi o episódio de Voyager (16 de fevereiro de 2005) em que os condutores tiveram o desplante de afirmar que, em 1209, em Béziers (França), não teria havido alguma expedição da Inquisição, mas apenas um "acerto de contas” feudal pelo que "ninguém deveria pedir desculpas."
Estas são as palavras vergonhosas da autora do serviço. De resto, como é bem sabido, quem realizou o assédio e a matança de todos os 20 mil moradores da cidade foi o legado papal Arnaud-Amaury (o abade branco), que numa carta escrita ao papa Inocêncio III, cujo original é orgulhosamente exibido na Biblioteca do Vaticano, se vangloriou de tudo o que tinham feito usando as seguintes palavras:
"No dia seguinte, à festa de Santa Maria Madalena, começamos o cerco de Beziers, uma cidade que parecia albergar durante um longo tempo a mais numerosa das armadas. Mas não há nenhuma força ou cautela contra Deus! Os nosso não respeitaram nem posição, nem sexo, nem idade: cerca de vinte mil homens foram passados ao fio da espada e esta imensa carnificina foi seguida de saques e incêndios por toda a cidade: um resultado justo da vingança divina contra os culpados!"Se a RAI pretende seguir essa linha, isto é, dar espaço a campanhas de desinformação histórica, tendentes a negar o horror da Inquisição católica, isto não pode ser um acidente.
O problema não é tanto compreender o que aconteceu exactamente no passado da Europa, mas entender como essa vergonha enorme pela história da humanidade seja a raiz que gerou e sobretudo justificou todos os conflitos que ocorreram até ao nosso século e até aos nossos dias.

 
De facto, o "presumido direito divino" reivindicado pela Igreja Católica para poder exercer um papel influente sobre a sociedade e sobre as Leis, incluindo aquelas que regulam a vida dos não-católicos, dos não-cristãos e dos não crentes, vem precisamente desta "tradição inquisitorial."
Quais "raízes cristãs"?! Não por acaso a Itália tornou-se ridícula, juntamente com um ou outro Estado católico, quando propôs a inserção na Constituição Européia de uma citação das "raízes cristãs". A maioria dos Estados europeus, obviamente, preferiu estender um véu piedoso sobre um passado tão inapresentável.

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publicado às 12:52


A caça às bruxas

por Thynus, em 24.08.11
ou seja:
Como um milhão de mulheres foram torturadas e mortas num arco de 5 séculos pela Igreja Católica.


Entre 1227 e 1235 a Inquisição foi estabelecida contra as "bruxas" e contra os "hereges" com uma série de decretos papais.
Em 1252, o papa Inocêncio IV autorizou o uso da tortura para forçar "confissões" de bruxaria por parte de mulheres suspeitas. Este papa criminoso, depois da sua morte, foi enterrado na Catedral de Nápoles, com uma inscrição que começa com estas palavras: Hic superis dignus, requiescit papa Benignus...
Mais tarde, Alexander IV deu à Inquisição todo o poder para torturar e matar, em caso de bruxaria que envolvesse heresia.
5 de dezembro de 1484: o Papa Inocêncio VIII publica a bula "Summis desiderantes affectibus" sobre as bruxas, que impunha a investigação sistemática para descobrir e justiçar as bruxas em toda a Europa.


 
No "Malleus Maleficorum" (O Martelo das Bruxas) uma espécie de “manual do inquisitor perfeito, os "especialistas" da Igreja Católica (ou seja, os frades dominicanos Heinrich Kramer Institor e Jacob Sprenger), elencavam em pormenor o que combinavam as bruxas: “matam a criança no ventre da mãe, tal como os fetos das vacas e das ovelhas, tiram a fertilidade dos campos, secam as uvas das videiras e a fruta das árvores; enfeitiçam homens, mulheres, animais de tração, vacas,rebanhos e outros animais domésticos; fazem sofrer, sufocar e morrer as vinhas, pomares, prados, pastagens, milho, trigo e outros cereais; além disso perseguem e torturam homens e mulheres através de sofrimento assustadores e terríveis e dolorosas doenças internas e externas, e impedem os homens de procriar e as mulheres de conceber..."
De 1257 a 1816 a Inquisição torturou e queimou na estaca milhões de pessoas inocentes. Eram acusadas de bruxaria e heresia contra os dogmas religiosos e julgadas sem processo, em segredo, com o terror da tortura.
Se "confessavam" eram consideradas culpadas de bruxaria, se "não confessavam" eram consideradas heréticas, e depois queimadas na fogueira. Não escapava nenhuma.
Algumas eram submetidas à prova da pedra no pescoço, ou seja, a suposta criminosa era lançada na água amarrada a uma pedra. Se se afogava era inocente, mas se se mantinha à tona da água, era uma bruxa ... em qualquer caso tinha que morrer!
Durante três séculos, alguns historiadores estimaram que nove milhões de bruxas foram exterminadas, cerca de 80% das mulheres e meninas. As mulheres eram violadas e torturadas, os seus bens eram confiscados desde o momento da acusação, antes do julgamento, porque ninguém alguma vez era absolvido.
A família inteira era despossessada de todo o bem; desenterravam-se até os mortos para queimar os seus ossos.
O Malleus Maleficorum estabelecia que a bruxa acusada deveria ser "com muita frequência exposta às torturas". As caças às bruxas eram campanhas bem organizadas, realizadas, financiadas e executadas pela Igreja e pelo Estado.
Este reinado de terror durou cinco séculos, sob a bênção de pelo menos 70 papas, todos de alguma forma comprometidos com estes crimes hediondos.
 
Para que servia o terror? Para dominar e explorar o povo, para subjugar os rebeldes, para impôr uma religião não querida pelo povo e enriquecer os dignitários (autoridades religiosas) e os seus cúmplices (os interrogadores). Estes últimos gozavam de privilégios especiais e eram considerados acima da lei.

Porque é que as mulheres eram o alvo favorito? Porque se queria eliminar o princípio feminino. O papel natural de guias por elas exercido na comunidade ameaçava o poder da autoridade (princípio masculino). As mulheres ocupavam-se da saúde (os homens aprendiam a partir delas) e transmitiam as tradições; as mais velhas arbitravam com sabedoria as contendas. Tinham um poder e uma força natural, encarnavam a soberania do princípio feminino com os seus valores de conservação, proteção, ajuda mútua, condivisão ... transmitiam força à população.
Algumas personalidades famosas foram vítimas da Inquisição. A mais conhecida é, sem dúvida, Joana d'Arc, a pastora, que assumiu o comando do exército, salvou a França da invasão inimiga e colocou no trono o legítimo rei. Mas foi acusada de bruxaria e heresia porque usava calças e cavalgava como um homem e, portanto, foi queimada viva. "Em 9 de maio de 1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada, sendo canonizada pelo Papa Bento XV - era a Santa Joana d'Arc. A canonização traduzia o desejo da Santa Sé de estender pontes para a França republicana, laica e nacionalista." Primeiro, foi queimada viva pela Santa Inquisição; depois, canonizada pela mesma Igreja inquisidora e obscurantista. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, sempre de acordo com os reais interesses!
 
Homem ou mulher, quem quer que usasse a cabeça era uma ameaça para a riqueza e o poder de uma minoria privilegiada, e era então eliminado.
Uma mulher similar era considerada uma bruxa e queimada, após o que se tomava posse dos seus bens. Qualquer mulher não casada, dotada de uma habilidade incomum, ou caracterizada por um traço particular (cabelo vermelho, por exemplo) arriscava a acusação de feitiçaria e, portanto, tinha que ser queimada.

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publicado às 14:46

 

"Na Grécia antiga, o homossexualismo masculino era não só permitido como altamente respeitado. O cristianismo veio condenar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo com que o homossexualismo fosse banido. Na era vitoriana, até a existência da homossexualidade era negada. Se descoberta, era considerada obra do diabo e punida com severidade. Mesmo às portas do século XXI, as gerações mais antigas ainda acreditam que o homossexualismo seja um fenómeno "antinatural"." (Allam e Barbara Pease) O mesmo defendem confissões religiosas. Em dezembro do ano passado, o cardeal mexicano Javier Lozano Barragan disse que os homossexuais “nunca entrarão no reino dos céus” e que “não se nasce homossexual, mas torna-se um”.  Mais recentemente Silas Malafaia (pastor evangélico) declarou: “a homossexualidade é uma rebelião consciente contra o que Deus estabeleceu na Criação. A Bíblia diz que Deus criou o ser humano como macho e fêmea, e em seguida instituiu o casamento heterossexual e a família... A homossexualidade é, antes de tudo, uma questão de comportamento, de preferência. É uma conduta aprendida ou induzida. Psicólogos e psiquiatras são unânimes em afirmar que o fator mais importante para uma criança decidir sua preferência sexual é a maneira como ela é criada.” Em 2010 o mesmo pastor Malafaia, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, optou por veicular através de 600 outdoors, no Rio de Janeiro, a seguinte mensagem homofóbica: “Em favor da família e preservação da espécie. Deus fez macho e fêmea”.
Actualmente todos os médicos e psicólogos estão de acordo em considerar a homossexualidade “natural”. Não é portanto um distúrbio psicológico, mas uma variante normal do comportamento sexual humano.
As teses mais modernas e atendíveis retêm a homossexualidade inata, portanto independente de factores ambientais e educativos. As explicações que a atribuem a “traumas infantis” ou à “ausência de um dos genitores” são consideradas ridículas e carentes de qualquer fundamento.
"Infelizmente, estatísticas demonstram que, entre os adolescentes suicidas, 30 por cento são gays e lésbicas. Um em cada três transexuais comete suicídio. Um estudo da educação desses jovens concluiu que foram criados em famílias ou comunidades altamente preconceituosas, que pregavam o ódio e a rejeição aos  homossexuais, ou em religiões que tentavam "salvá-los" com orações ou terapia" (Allam e Barbara Pease)
O pesquisador Jacques Balthazart, da Universidade de Liège (Bélgica), retomou a polêmica tese sobre o “gene gay”. O seu estudo, intitulado “Biologia da homossexualidade: gay nasce, não escolhe ser”, sugere que alterações hormonais durante a vida embrionária podem determinar mudanças no comportamento sexual do indivíduo.
Balthazart disse que o efeito da sua pesquisa ajudará a encarar o homossexualismo como natural: “Se a homossexualidade não é um defeito, uma perversão ou uma escolha, não há motivo para perseguir os homossexuais”, afirmou o pesquisador, cuja tese contraria a posição religiosa sobre o tema.
Muitos homossexuais hoje escolhem de viver abertamente a sua homossexualidade, não fazendo dela um mistério e sentindo-se orgulhosos de si. No entanto a homossexualidade é ainda objecto de fortes preconceitos na nossa sociedade. O homossexual normalmente tem medo de expor-se por temor de ser objecto de chacota, insultos, de ser rejeitado e marginalizado. Compete a todos nós, gays, lésbicas, e, sobretudo, heterossexuais difundir uma cultura de respeito mútuo e defender a visibilidade.
"Tal como os heterossexuais, gays e lésbicas não escolhem a sua orientação sexual. Cientistas e a maioria dos especialistas em sexualidade humana concordam: o homossexualismo é definitivo. Pesquisadores acreditam que a orientação sexual é quase completamente determinada ainda na vida intra-uterina, confirmada por volta dos cinco anos de idade e é incontrolável. Durante séculos foram empregadas as mais variadas técnicas para tentar livrar as "vítimas" de tendências homossexuais, desde a extirpação das mamas até à psicoterapia e ao exorcismo. Nenhuma deu certo. O máximo que se conseguiu foi fazer com que alguns bissexuais só mantivessem relações com o sexo oposto, forçar alguns homossexuais à solidão e levar muitos deles ao suicídio.
Pesquisas confirmam o que os cientistas sabem mas não ousam discutir: com uma simples injeção de hormônio no momento certo é possível controlar o sexo do cérebro e determinar a sexualidade do feto. Mas isso levantaria uma série de questões morais, éticas e humanas - com toda a razão" (Allam e Barbara Pease).
Homofobia significa medo do homossexual. Mas o termo homofobia não é um termo satisfatório, enquanto focaliza a atenção sobretudo sobre as causas individuais, "irracionais", transcurando as componentes culturais e as raízes sociais da intolerância e portanto mais assimiláveis ao racismo, à xenofobia, à misoginia, etc.
Como o racista, o homófobo normalmente está ligado a um sistema codificado de crenças que retém de dever defender da ameaça de sujeitos que considera perigosos. A nível sociocultural, a homofobia pode ser definida como "um sistema de crenças e estereótipos que torna justificável e plausível a discriminação com base na orientação sexual; o uso de uma linguagem ou slogan ofensivo nos confrontos das pessoas gays; qualquer sistema de crenças que desvaloriza os estilos de vida homossexuais em confronto com os heterossexuais".
"Se durante o início da gestação de um feto do sexo masculino ocorrer uma baixa de testosterona, as chances de nascer um menino gay aumentam incrivelmente, já que os hormónios femininos é que vão configurar o cérebro.
Estudos feitos na Alemanha nos anos 70 demonstram que mães que passam por situações de stress durante o início da gravidez têm possibilidades seis vezes maiores de gerar um filho gay. Principalmente o stress causado por problemas emocionais e certas doenças faz cair o nível de testosterona, assim como alguns medicamentos que baixam esse nível. Da mesma forma o álcool e a nicotina têm efeitos nocivos, enquanto que uma dieta adequada e uma vida tranqüila só podem trazer benefícios. Todas essas afirmações são feitas com base em pesquisas efetuadas em vários centros de ciência no mundo" (Allam e Barbara Pease).
HYPERLINKS:
* Será o Sexo mais poderoso que a Igreja?
* Celibato e pedofilia: o rei vai nu!
* Enquanto continuar o celibato como lei, a Igreja estará sob o fogo da suspeita. 
* A sexualidade é uma espécie de patologia do cristianismo e da Igreja
* Entre a batina e a aliança
* Sexo e Contradições na Igreja Católica
* Sexo e confessionário
* Celibato obrigatório, o veneno que asfixiou a Igreja romana
* A Hipocrisia do Celibato Católico Romano
* O Calvário Vergonhoso da Igreja Romana
* Pedofilia e Igreja romana: O problema é do celibato imposto?
* O inconsciente da Igreja
* O Calvário Vergonhoso da Igreja Romana
* DESMI(S)TIFICAÇÃO DA SAÍDA DE CENA DE RATZINGER - Cardeal escocês admite "comportamento sexual" inapropriado
*Papa Francisco defende união civil gay, diz New York Times

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publicado às 13:37


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