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Venceste, Galileu

por Thynus, em 04.07.11
No Outono de 2009 comemorou-se o aniversário de 300 anos do início das observações pelo telescópio de Galileu Galilei. A ocasião pareceu propícia a Piergiorgio Odifreddi para reler os escritos de Galileu e repensar as idéias novas que eles de forma tão poderosa introduziram na cultura da modernidade. Idéias que, como as de Darwin, foram ferozmente atacadas, mas, ao contrário das idéias de Darwin, já derrotaram definitivamente a oposição obscurantista, ao ponto de até mesmo seus antigos inimigos procurarem apropriar-se delas. Com sua habitual verve controvérsia, Odifreddi reconstrói um capítulo crucial na luta que, desde o alvorecer da civilização ocidental, está sendo travada entre religião e ciência, entre supertição e razão.

Piergiorgio Odifreddi (1950) estudou matemática na Itália, nos Estados Unidos e na União Soviética, e ensinou Lógica na Universidade de Turim e na Cornell University. Ele ganhou o prêmio Galileo em 1998 da União Matemática Italiana, em 2002 o Prêmio Peano da Mathesis e em 2006 o Prêmio Italgas pela divulgação. Entre seus livros: O Evangelho Segundo a Ciência (1999), Era uma vez um Paradoxo (2001), Mentiras de Ulisses (2004), O matemático impertinente (2005) e Por que não podemos ser cristãos (e católicos menos ainda)(2007).

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publicado às 09:09


Caro Papa, escrevo-te...

por Thynus, em 04.07.11
No outono de 1959 Piergiorgio Odifreddi cruzou o limiar do Seminário de Cuneo. Sua intenção era um dia se tornar papa, e abençoar de uma janela da Praça de São Pedro a multidão em êxtase. Mas ele logo aprendeu que "o caminho que leva ao trono papal é mais acidentado e sinuoso de como uma criança pudesse ingenuamente imaginar." E, acima de tudo, que "para poder um dia comandar era necessário começar imediatamente a obedecer" e a ser ser subserviente: coisa que já, então, não não gostava particularmente. Cinquenta anos depois, o matemático impertinenete lembra aqueles tempos e, por uma vez, contendo o seu tom habitual de ardor e provocação, escreveu com grande respeito e sinceridade a aquele que realmente se tornou papa. Mesmo que, como cientista, não abjure do dever intelectual de permanecer fiel aos fatos da realidade física, histórica e biológica. E é forçado a refutar ponto por ponto o teólogo Joseph Ratzinger, que, ao contrário, acredita no que vai para "além" da realidade e faz fronteira com a metafísica, a meta-história e a meta-biologia. Nesta carta confrontam-se, assim, dois métodos, duas atitudes, duas visões de mundo. Por um lado, o "entendimento para crer", que aceita prudentemente dar crédito apenas ao que se entende e conhece. E por outro, o "acreditar para entender" que se atreve a apostar naquilo que ainda não se entende ou não se sabe, na esperança de que tudo se vai esclarecer e justificar mais tarde. Mas, acima de tudo, nesta carta são contrapostos dois Credos. De um lado, o Credo canónico dos Fiéis, comentado por Ratzinger na sua memorável Introdução ao cristianismo. E do outro lado, o Credo apócrifo dos racionalistas, enunciado por Odifreddi em uma carta que se apresenta como uma introdução não menos memorável ao ateísmo.

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publicado às 09:07


Os Mandarins

por Thynus, em 04.07.11
Desfolhar os Mandarins significa imergir-se na vida, na história, na humanidade. A estrutura é perfeita, complexa, uma sequência de acontecimentos que se encaixam, com grande serenidade, cenas de toda a espécie, todas ligadas por um único fio condutor que é a confrontação interna, a parálise do homem público e do homem privado, a procura de uma dimensão que inevitavelmente conduzirá ao falhanço. Simone mostra-nos o que se esconde por trás do escritor francês da moda, como podeia ser Camus ou como procurava ser Sartre... É a história do intelectual "engagé", visto com os olhos de Madame de Bouvoir, mulher sem óculos escuros ou filtros, negando qualquer feminismo, porque não se importava nunca de ser cuel, in primis consigo mesma, na autobiografia. Poucos se lembram que Camus (Henri?) era um homem fraco, às vezes viscoso, arrogante e insensível. Simone é bastante tolerante com Sartre (Robert?, não o é com aqueles que, embora não sendo franceses, se comportam da mesma maneira (o seu amor americano) e ambígua com Paul (Francine?). A fratura final é evidente, a miséria por detrás dos homens de poder intelectual, que sempre permanece poder, é clara e deixa-nos com um final ligeiro, um pouco resignado, mas com esse pouco de esperança que Simone nos passou e em que ela acreditava. Sem dúvida, a obra-prima da Europa do pós-guerra.

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publicado às 09:06

"Fui chamada. Quinta-feira às dez horas." Uma jovem mulher sem nome, numa cidade romena, um compromisso forçado e temido com os serviços secretos do regime de Nicolae Ceausescu. Durante a viagem de eléctrico para apresentar-se na entrevista, fotos e figuras da vida atravessam a mente da protagonista: a sua infância em uma cidade da província e o desejo semierótico que ela sentiu pelo pai, o primeiro casamento com um homem que "não foi capaz de bater-me e, portanto, me desprezava ", as histórias angustiantes de seu avô sobre a deportação. E depois a jovem amiga Lilli, que foi morta por um sentinela na fronteira com a Hungria, enquanto tentava fugir do país; e Paul, os seus dias e noites passadas em álcool muitas vezes, mas também os momentos felizes passados junto com ele, como flashes fugazmente acesos. Tudo lhe vem à memória e se entrelaça com o presente,aos interrogatórios e aos vexames, à ansiedade presente e aos artifícios com que o pensamento tenta teimosamente não sucumbir. Com este importante romance Herta Müller dá-nos uma exploração tocante e magistral de como a ditadura chega a tomar posse de cada fibra humana.

Herta Müller foi galardoada com o Nobel de Literatura de 2009 por "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados". Em 1984 foi distinguida com o Prémio Aspekte e onze anos depois recebeu o prémio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka. Em 2003, foi galadoarda com o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em 2004 com o prémio de literatura da Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, com o Prémio Würth de literatura europeia.

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publicado às 09:05

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