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A "civilização do orgasmo"

por Thynus, em 12.01.13

É difícil manter nos dias de hoje uma vida sem influência de tantos males. Estamos sob a impressão do histerismo coletivo, sobretudo de nossos adolescentes e principalmente na fabricação de figuras que se tornam ídolos por qualquer tolice passageira que exibam na mídia, como por exemplo a Tiazinha, a Carla Peres, imitadas por crianças e adultos, sem ao menos falar de nossas jovens.
Heróis não temos mais. A imitação dos adolescentes e das crianças vem desde a lambada, a dança da garrafa, por fim o tchan, o movimento elétrico das nádegas e dos saltinhos sincopados do pagóde. Herói é jogador de futebol e admiração é por cantor de pagóde.
Mimetomania, mania de imitação. O brasileiro sofre desse mal, a ponto de casar e descasar pois que assim procedem os povos do primeiro e do segundo mundo. E por que fazem?
Por hedonismo: doutrina que considera o prazer individual e imediato o único bem possível, princípio e fim da vida moral. O cirenaísmo (doutrina da escola cirenaica ou escola de Cirene, fundada pelo discípulo de Sócrates, Aristipo de Cirene (séc. V a.C., e de seus seguidores, cujo tema central é o hedonismo), parece voltar nos tempos de hoje. O prazer pelo prazer. Estamos na “civilização do orgasmo”, como intitulou Miguel Reale a uma de suas crônicas para O Estado de S. Paulo (20 de novembro de 1993). Ao referir-se a Michael Jackson e Madonna, escreveu: “O que porém, assinala o triunfo de Jackson e Madonna é a vulgaridade intencional e a corporalidade sexual da comunhão estabelecida entre os popstars e seus vassalos, numa explosão de palavras e gestos obscenos...” - “... porque o que interessa é a sua análise como sintoma da forma de vida desta enigmática antevéspera de um novo milênio”. - “ Somos uma pobre humanidade perplexa à beira do terceiro milênio, exausta, sem rumos certos, procurando, às cegas, abrir um caminho entre os restos das ideologias destruídas pelos incêndios de duas guerras universais. Vivemos, pois, desprovidos de ideais, em plena disponibilidade”. - “O que notamos, hoje em dia, é a angústia, o medo de não se chegar a tirar proveito do instante que se está vivendo...” - “Seguir as regras que marcam a superioridade da razão sobre o instinto; obedecer às formas de vida que dão ritmo de beleza às relações sexuais;...” - Como tenho dó desse mundo que se dilacera em busca de um prazer impossível, reduzido à angústia de um perene orgasmo, que só pode ser o acme e culminância da comum entrega amorosa de si...”.
Esta a criatura de nosso tempo: a que mente a si mesma. Por copiagem, mimetismo, que vai no embalo do ter e querer ser, não sendo e nem tendo para mostrar-se para a pessoa mais próxima de si, a esposa.

(Albertino Aor da Cunha - "A mentira nua e crua")

Segundo o professor Clóvis de Barros Filho, na Apologia de Sócrates, Platão define o prazer como a redução do desconforto físico de existir. Mais ou menos assim: comemos para diminuir a fome, bebemos para diminuir a sede, abrimos a janela para diminuir o calor, ligamos o ar condicionado, tiramos o paletó... O prazer gerencia a gestão da micro-existência (kofman): o prazer é gerenciador da pequena vida. E o orgasmo? Quanto tempo dura um orgasmo? Aqui na Bahia não sei, mas lá em casa dura 5 segundos, no máximo 6 ou 7 segundos, se for no final de semana. Se for um gozador excepcional, o orgasmo pode até durar 10 segundos, mas, tentando defender Platão, diria que o orgasmo é rápido. E uma enxaqueca, quanto dura? Já imaginou um orgasmo com prazos de enxaqueca? No final do orgasmo você estaria mais chupado que uma uva-passa! Se der para dar uma gozadinha, melhor, mas o normal é reduzir o desconforto!"

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publicado às 14:52



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