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  • Quantos homens sabem observar? E, desses poucos que sabem, quantos observam a si próprios? “Cada pessoa é o ser mais distante de si mesmo”


A VIAGEM ATÉ NÓS MESMOS é sempre a mais longa e tortuosa, pois implica dar muitas voltas para encontrar algo que estava tão perto que éramos incapazes de ver. Não é por acaso que, das três perguntas existenciais
clássicas – Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? –, a da identidade venha em primeiro lugar, pois aquele que não sabe quem é dificilmente terá consciência do que deixou para trás ou do destino que tem diante de si.

Tentamos responder à pergunta “Quem somos?” falando sobre nossa profissão e o cargo que ocupamos, mostrando o carro que dirigimos ou mesmo dizendo qual religião professamos, mas esses elementos estão à margem da verdadeira essência de uma pessoa.
Assim como nossos sonhos nos definem, nossa identidade é a sensibilidade que nos distingue dos demais companheiros humanos, é nossa contribuição única para o mundo, nossa missão pessoal. Encontrar essa missão pode ser o trabalho de toda uma vida, mas apenas o fato de buscá-la já nos permite saber aonde vamos.
(Allan Percy – “Nietzsche para Estressados)

  • Contrariamente ao que frequentemente pensou a filosofia moderna, é necessário dizer que o eu não se constitui a si próprio sem o outro. Pelo contrário, eu não sou sem o outro, eu não sou eu sem o tu. O outro faz parte de mim. A minha identidade é atravessada pela alteridade. A alteridade é constitutiva da minha identidade. (Anselmo Borges – “Janela do (In)Visível”)

  • O animal é que vive exclusivamente da imediatidade do presente. O ser humano, esse, conjuga os verbos no passado, no presente e no futuro. Pela memória, sabemos que vimos de um passado, pela atenção, damos por nós no presente, pela expectativa, pela esperança, projectamo-nos no futuro. E é integrando o passado, o presente e o futuro, que nos vamos erguendo, na procura de uma identidade sempre a caminho. (Anselmo Borges – “Janela do (In)Visível”)

  • Quem consegue se "descolar" de seu cônjuge anterior enfrenta a tarefa de estabelecer um "novo sentido do eu", um "novo sentido de identidade". Num casamento longo, o sentido de identidade de cada indivíduo se torna unido ao da outra pessoa e, de fato, ao próprio casamento. Depois da ruptura do casamento, cada pessoa deve "retroceder à sua experiência prévia e encontrar outras imagens e raízes de independência, para ser capaz de viver só e enfrentar a segunda chance que o divórcio oferece". (Anthony Giddens – “Modernidade e Identidade”)

  • Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. (Arnaldo Jabor – “Amor é Prosa, Sexo é Poesia”)

  • Seria realmente uma tarefa difícil fazer coincidir a imagem que tenho de mim mesmo com aquela que os outros têm a meu respeito. Quem está com a razão? E qual é o verdadeiro indivíduo? Se avançarmos alguns passos e levarmos em conta que o homem ainda é um desconhecido, tanto para si mesmo como para os outros, mas um desconhecido cuja existência é demonstrável, o problema da identidade torna-se ainda mais complexo. (C. G. Yung – “Psicologia e Religião”)

  • Nunca tive, e ainda não tenho, a percepção do sentimento da minha identidade pessoal. Apareço perante mim mesmo como o lugar onde há coisas que acontecem, mas não há o «Eu», não há o «mim». Cada um de nós é uma espécie de encruzilhada onde acontecem coisas. As encruzilhadas são puramente passivas; há algo que acontece nesse lugar. Outras coisas igualmente válidas acontecem em outros pontos. Não há opção: é uma questão de probabilidades. (Claude Lévi-Strauss – “Mito e Significado”)

  • Você tem as emoções que acha merecer. No entanto, muitas vezes, não são as emoções que você quer. Longe disso. Todos fazem malabarismo de sentimentos "ruins" e "bons", o que leva ao julgamento pessoal. Envolta em sentimentos "ruins" — raiva, medo, inveja, hostilidade, papel de vítima, autopiedade e agressividade — há uma imagem pessoal que precisa dessas emoções negativas. Não há duas pessoas que as utilizem da mesma forma. Construímos nossa identidade de maneira ímpar. Algumas pessoas usam o medo para motivar a si mesmas na superação de desafios; outras o utilizam para se sentirem dependentes e vitimadas. Algumas lançam mão da raiva para controlar qualquer um que esteja à vista; outras temem a raiva e jamais a demonstram. No entanto, seu senso de self— e consequentemente a autoestima — está atado a todos os sentimentos que você possui. (Deepak Chopra – “Efeito Sombra”)

  • Cada um de nós construiu uma identidade com base no ego, na qual nos designamos um papel aceitável que acabe reprimindo toda a nossa expressão pessoal. Em vez de sermos quem realmente somos, nós nos tornamos uma caracterização da pessoa que achamos que "deveríamos" ser. Ao longo do tempo, nossa percepção pessoal sufocada se torna um terreno fértil perfeito para que as sombras se enraízem. (Deepak Chopra – “Efeito Sombra”)

  • “A unidade evidente do macrocosmo e do microcosmo demonstra para os homens o modelo de sua cultura: a falsa identidade do universal e do particular.” (Adorno – “Dialética do Esclarecimento”)

  • A sábia natureza diminui, na maioria dos idosos, a visão, como se quisesse que eles não percebessem os detalhes do seu envelhecimento. Muitos idosos já nos disseram: “Ruga faz sofrer”. Não há dúvida de que a velhice provoca uma crise de identidade. Pois o que resta pela frente é a exacerbação, o aumento dos sinais da senilidade. (Abrahão Grinberg – “A Arte de Envelhecer”)

  • "Você, suas alegrias, tristezas, ambições, decisões, seu senso de identidade, o amor – tudo isso não é mais que a atuação de um enorme conjunto de células nervosas." (Francis Crick)

  • A perda repentina dos amigos e colegas, da rotina que preenchia seus dias, de seu status e senso de importância pode rapidamente levar à depressão. A perda de identidade é para o homem, sob muitos aspectos, similar à morte de um ente querido. Começa pela negação, é seguida pela depressão, pela raiva e, se tudo vai bem, pela aceitação. (Bárbara & Allan Pease – “Por que os homens mentem E as Mulheres choram?”)

 

  • Na esfera das relações humanas, a fé é qualidade indispensável a qualquer amizade ou amor significativos, “Ter fé” em outra pessoa significa estar certo de que ela merece confiança, da imutabilidade de suas atitudes fundamentais, do núcleo de sua personalidade, de seu amor. Não quero dizer com isto que uma pessoa não possa mudar de opinião, e sim que suas motivações básicas permanecem as mesmas; que, por exemplo, seu respeito à vida e à dignidade humana é parte dela própria, não sujeita a mudanças.
    No mesmo sentido temos fé em nós mesmos. Somos conscientes da existência de um ser, de um núcleo em nossa personalidade que é imutável e que persiste através de toda a nossa vida, apesar das circunstâncias variáveis e independentemente de certas alterações em opiniões e sentimentos. Esse
    núcleo é que constitui a realidade por trás da palavra “Eu”, e sobre ele se baseia a nossa convicção de nossa própria identidade é ameaçado e tornamonos dependentes de outras pessoas, cuja aprovação se toma, então, a base de nosso sentimento de identidade. Só quem tem fé em si mesmo é capaz de ser fiel aos outros, porque só assim pode estar certo de que será num tempo futuro o mesmo que é hoje e, portanto, de que agirá e sentirá como agora se espera que o faça. A fé em si mesmo é uma condição de nossa capacidade de prometer, e se o homem, como disse Nietzsche, pode ser definido por sua capacidade de prometer, então a fé é uma das condições da existência humana. O que importa em relação ao amor é a fé no amor que se tem, em sua capacidade de produzir amor em outros e em seu merecimento de confiança. (Erich Fromm - A arte de Amar)

 

 

A imagem que nós e os outros temos de nós corresponde àquilo que somos? Ou depende de variáveis que não podemos controlar?



Identidade from Espaço Ética on Vimeo.

Os teus valores são a tua identidade...
Quem és tu? Qual o teu discurso identitário?
Sou um espaço de mitoses e meioses, sou neurónio que sinapseia,  sou sangue que circula, sou coração que palpita, sou joelho que dobra, sou intestino que peristalta...  Isso tudo é verdade, mas não define ninguém.
É preciso que contes o que fizeste da tua vida, as tuas escolhas, os critérios para escolher a vida que levas. São os valores que nos definem e permitem a quem nos escuta saber quem realmente somos. O discurso identitário é de índole moral e afectivo, antes de qualquer coisa: tem muito a ver com aquilo que fez/faz palpitar o teu coração.

 



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publicado às 13:20



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