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"Outro erro fundamental do cristianismo [...], absolutamente inexplicável e que manifesta diariamente suas terríveis conseqüências, é o fato de ele, contra a natureza, ter arrancado o homem do mundo animal ao qual pertence em essência e ter dado valor apenas a ele, considerando os animais até mesmo como coisas [...]. O referido erro fundamental é, porém, a conseqüência da criação que parte do nada, segundo a qual o Criador (cap. 1 e 9 da Gênese) entrega ao homem todos os animais — como se estes fossem coisas e sem nenhuma recomendação de bons tratos, como faz o vendedor de cães quando se separa dos seus filhotes — para que ele os domine, ou seja, faça com eles o que bem entender; em seguida, no segundo capítulo, o criador eleva o homem ao grau de primeiro professor de zoologia, encarregando-o de escolher os nomes que os animais teriam de carregar para sempre, o que novamente constitui apenas um símbolo da sua total dependência do homem, em outras palavras, a privação de seus direitos. Sagrada Ganga! Mãe de nossa espécie!
Um anúncio do tão benemérito Círculo de Munique para a proteção dos animais, com data de 27 de novembro de 1852, empenha-se com a melhor das intenções para citar da Bíblia "os preceitos que pregam a consideração pelos animais" e menciona os seguintes trechos: Provérbios de Salomão 12, 10; Eclesiástico 7, 24; Salmos 147, 9; 104, 14; jó 39, 41; Mateus 10, 29. Mas tudo isso não passa de uma pia fraude que conta com o fato de que ninguém irá procurar tais passagens na Bíblia: apenas a primeira, bastante conhecida, diz algo a respeito, ainda que tenuamente. As restantes certamente falam dos animais, mas não da consideração por eles. E o que diz o primeiro versículo? "O justo sente compaixão pelo próprio rebanho." — "Compaixão!" — Que expressão! Tem-se compaixão de um pecador, de um malfeitor, não de um animal inocente e fiel, que freqüentemente provê o alimento do seu dono e não recebe nada em troca a não ser uma forragem escassa. "Compaixão!" Não compaixão, mas justiça é o que se deve aos animais."!

(Arthur Schopenhauer - "A Arte de Insultar")

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publicado às 18:00



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