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 Segundo as estatísticas,  181 mil católicos alemães deixaram a Igreja em 2010, em boa parte devido aos abusos sexuais protagonizados por sacerdotes. Por outro lado, a Igreja Católica alemã recebeu cerca de 600 pedidos de indemnização de vítimas de abusos sexuais.
Na Alemanha, Estado e religião não são separados: o Estado dá ajuda aos seminaristas que se preparam para o sacerdócio, dá subsídios para creches e lares para idosos geridos por confissões religiosas, ajuda a reparar algumas igrejas. Além disso, o Ministério das Finanças assume automaticamente uma taxa, geralmente entre 8 ou 9 por cento, de cada declaração de imposto e a transfere para as igrejas. Pode-se dar a contribuição para os católicos, evangélicos e judeus. Também se pode optar por não dar a ninguém, mas, se és baptizado, és automaticamente tributado, apesar de não seres praticante. É um sistema que já vem desde 1827. Na Alemanha, este imposto é considerado moralmente obrigatório: quem não quiser pagar, pode fazê-lo apenas rompendo com a Igreja. O não cumprimento resulta numa comunicação aos órgãos competentes que irão cancelar os sacramentos recebidos: portanto, uma espécie de "excomunhão".
Há uma fortíssima colaboração entre Estado e Igreja: graças a um controle de cruzamento de dados, em caso de incumprimento do tributo, as autoridades enviam uma carta pedindo o pagamento, alegando, nomeadamente, a documentação relativa e o certificado comprovativo de afiliação religiosa. Isso é que permite à Igreja da Alemanha certificar com tamanha precisão o número de desistentes. Assim, a crise da fé é para todas as denominações religiosas uma crise econômica.
As doações de impostos na Alemanha estão em queda livre: de acordo com pesquisas recentes, um quarto dos católicos decidiu retirar a contribuição até agora acordada para a paróquia. O rumor causado pelos casos de pedofilia em todo o mundo, no clero, certamente irá resultar numa redução líquida do número de contribuintes que passam parte do seu imposto para a Igreja. Tanto na Alemanha como noutros países.
"Quanto mais o escândalo aumenta, menor é a predisposição a apoiar financeiramente a Igreja”, reconhecem na Cúria. O relatório do Governo irlandês e os achados processuais em dezenas de Países demonstram que por décadas muitas dioceses se preocuparam apenas em salvar o bom nome e os seus bens e propriedades, colocando entraves às investigações da justiça civil, escondendo provas, encobrindo crimes, denegrindo as vítimas. A decepção poderá levar milhões de fiéis a penalizar financeiramente a Igreja.
Além de danos (incalculáveis) causados à imagem da Igreja e dos choques causados à sua relação de confiança com as famílias, a longa onda do escândalo de pedofilia abate-se como um "tsunami" nos cofres dos Palácios Sagrados. O movimento planetário de desprezo pelo clero "infiel" prejudica o "tesouro" em milhões de euros recolhidos anualmente através de leilões, doações e outras ofertas de crentes.
"A mídia sempre se refere à class action, às indemnizações das vítimas de abuso do clero, aos honorários advocatícios, que desde 2001 têm forçado as dioceses americanas a vender escolas, hospitais, conventos, universidades, mas na realidade o maior prejuízo económico é o colapso das doações", explicam os escritórios financeiros da Santa Sé.
Há mais de um fantasma a pairar nos dias de hoje, nas salas do poder do Vaticano. Não são apenas as terríveis consequências da imagem resultante do surgimento de cada vez mais sensacionais casos criminais de depravação sexual por portadores de batina ou hábito de que também fazem parte vértices da hierarquia eclesiástica, mas algo mais imediatamente tangível.
Por outras palavras, teria sido melhor para a Igreja, um certo número de males imediatos (resultantes das consequências da emersão dos casos, no entanto, pronta e devidamente sanados), que uma falsa tranqüilidade derivada do encobrimento dos casos.

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publicado às 12:29



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