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A CONDIÇÃO HUMANA

por Thynus, em 04.12.12

“A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente..Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si. (Gén.1,6-7)

“Adão e Eva viram que estavam nus e tiveram medo. A recusa inconsciente da sua natureza animal depressa se instalou. A amea-ça de que poderiam ser dominados por poderosos impulsos instintivos e voltar de novo a uma inconsciência total era na verdade muito real. A vergonha e os tabus apareceram à volta de determinadas partes do corpo e de funções corporais, especialmente da sexualidade. A luz da sua consciência não era ainda suficientemente forte para eles travarem amizade com a sua natureza animal, para a aceitarem e sentirem prazer nesse aspecto de si próprios – quanto mais irem mais longe e encontrarem o divino oculto na sexualidade, a realidade dentro da ilusão. Portanto, fizeram o que tinham de fazer. Começaram a dissociar-se do corpo. Passaram a sentir que tinham e não que eram um corpo.
Quando as religiões apareceram, essa dissociação tornou-se ainda mais forte, sob a forma da crença de que nós não somos o nosso corpo. Ao longo dos séculos, inúmeras pessoas, tanto no Oriente como no Ocidente, tentaram encontrar Deus, a salvação ou a iluminação através da rejeição do corpo. O que tomou a forma da recusa dos prazeres sensuais ou da sexualidade em particular, de jejuns e de outras práticas ascéticas. Chegaram a infligir dor ao corpo numa tentativa de o enfraquecerem ou castigarem porque o consideravam pecador. No cristianismo, chamava-se a isso mortificação da carne. Outros tentavam escapar do corpo entrando em estados de transe ou procurando experiências extra-sensoriais. Ainda hoje há muitos que o fazem. Diz-se que o próprio Buda praticou, durante seis anos, a rejeição do corpo através de jejuns e de formas extremas de ascetismo, mas ele só alcançou a iluminação depois de ter desistido de tais práticas.
O facto é que nunca ninguém atingiu a iluminação através da rejeição do corpo, nem da resistência ao corpo, nem de alguma experiência extra-sensorial. Embora uma tal experiência possa ser fascinante e possa dar-lhe um vislumbre do estado de libertação da forma material, no final de contas você terá sempre de voltar ao corpo, onde o trabalho essencial de transformação tem lugar. A transformação é através do corpo, não fora dele. É por isso que nunca nenhum mestre aconselhou que se lutasse contra o corpo ou que se o abandonasse, embora os seus seguidores, pelo menos os que se identificavam com a mente, o tenham feito muitas vezes.“
(Eckhart Tolle in “O Poder do Agora”)


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publicado às 17:47



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