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Nós nascemos sozinhos. Nós vivemos sozinhos. Nós morremos sozinhos. E qualquer coisa neste intervalo que possa nos dar a ilusão de que não estamos sós, nós nos agarramos a ela.
Voltaire
 
" O homem é do tamanho do seu sonho."
Fernando Pessoa
 
A manhã é a juventude do dia; tudo é luminoso, fresco e fácil; sentimo-nos vigorosos e dispomos de todas as nossas faculdades. Não devemos abreviá-la levantando tarde, nem gastá-la em ocupações ou em conversas vulgares; pelo contrário, devemos considerá-la como a quintessência da vida e, por assim dizer, como algo sagrado. Em contrapartida, a tarde é a velhice do dia; estamos abatidos, falantes e atordoados. Cada dia é uma vida em miniatura, onde todo despertar é um pequeno nascimento, cada manhã fresca é uma pequena juventude e cada adormecer na noite é uma pequena morte. Para completar a analogia, poderíamos considerar o desconforto e a dificuldade de despertar como as dores do parto.

 
 
Pela manhã, chegamos desse desconhecido mundo da noite. Durante a noite, nosso elemento anímico-espiritual está mergulhado no Cosmo, nas origens; nós nos encarnamos pela manhã, levando algum tempo até estarmos totalmente presentes em nosso corpo inteiro. Para isso alguns precisam de um bom café ou de um cigarro; outros, de uma ducha fria ou uma caminhada. Aos poucos vamos chegando ao nosso corpo, e isto corresponde àquela fase da vida em que rendemos o máximo, para depois, no final do dia, quando já nos sentimos cansados, irmo-nos 'desligando' até que nos desprendamos completamente e penetremos novamente no mundo do qual temos pouca consciência — o da noite. Assim, podemos também falar do 'amanhecer' e do 'entardecer' da vida.
Na fase em que estamos entrando para a vida, a educação e o ambiente precisam contribuir para que o corpo se fortifique e se desenvolva sadiamente. É preciso que gradativamente 'ponhamos os pés no chão'. O corpo saudável é a condição para que, mais tarde, tenhamos uma vida anímica e espiritualmente harmônica.
Na segunda metade da vida, especialmente após os 42 anos, será a maior consciência espiritual que contribuirá para a harmonia do todo, mesmo que o corpo já esteja afetado por doenças ou mazelas da idade. Um equilíbrio anímico e espiritual é premissa para o bem-estar físico. Na fase do meio, do desenvolvimento anímico ou psicológico, a maneira como nos relacionamos com os outros e a nossa relação com o mundo externo é fundamental para o bem-estar e a harmonia. Assim, existe a possibilidade de um desabrochar contínuo, físico, anímico e espiritual, e até o final da vida podemos aprender de nossas vivências e experiências, mesmo que sejam dolorosas.
 
(Gudrun Burkhard, “Tomar a Vida nas Próprias Mãos”)
 

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publicado às 19:48



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