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É um facto. Por razões pouco claras, o número de pedófilos no clero é extremamente elevado. Talvez porque o diabo escolhe para tentar quem está 'mais próximo' de Deus, ou talvez porque muitas vocações estão longe de ser autênticas, ou talvez por algum outro motivo que desafia a lógica humana.
É bom lembrar as declarações chocantes do observador permanente junto das agências da ONU, em Genebra, monsenhor Silvano Tomasi, que em Setembro de 2009 disse, palavras textuais, que “apenas entre 1,5% e 5% do clero católico parece ter-se envolvido em casos de abuso de crianças”. Só 5%? Um em vinte?
Aplicando um percentual semelhante a toda a população portuguesa, deveríamos concluir que, hoje, em Portugal contaríamos com cerca de meio milhão de pedófilos, que, felizmente, parece um pouco irreal. Transpondo a mesma lógica estatística para a realidade brasileira (cerca de 200 milhões de habitantes), teríamos que concluir que no Brasil haveria cerca de 10 milhões de pedófilos. Que barbaridade!
É difícil levar um filho para os cuidados de um padre, quando se sabe que há 5% de chance de colocá-lo nas mãos de um pedófilo. Que ninguém duvide que a igreja tornou-se um lugar perigoso para as crianças!
Sempre em Genebra, perante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o porta-voz do Vaticano conseguiu declarar que, no entanto, na maioria dos casos de abuso no clero católico, não se trataria de facto de pedófilos, mas somente de homossexuais com certa atração por adolescentes.
Agora, como então, o Vaticano parece mais empenhado em diminuir a gravidade do fenómeno da pedofilia na Igreja que em combatê-lo com a determinação e coragem necessárias. Uma indicação clara desta atitude é a tendência de lembrar que a maioria dos casos de abuso infantil ocorre nas famílias e que mesmo Igrejas não-católicas têm o problema da pedofilia. Ou, então, alegar que isso é obra da maçonaria (ou do diabo, sabe-se lá!).
Finalmente, o caso do “padre” Murphy, um estuprador serial que foi capaz de abusar de "apenas" (pasme-se!) 200 crianças. Ele nunca foi punido. O Vaticano, segundo a reconstrução do New York Times, disse que Murphy, quando o seu caso foi analisado pela Igreja, ele então estava muito doente e que já tinha passado muito tempo desde esses factos, razão porque foi decidido não reduzi-lo ao estado secular ou puni-lo de outro modo.
O mesmo jornal americano acusa hoje o papa Ratzinger e o Secretário de Estado Bertone por ter estado entre aqueles que não decidiram agir contra o “padre” Murphy. O Vaticano e nomeadamente o Osservatore Romano falam de acusações vis e infundadas, negam qualquer tipo de encobrimento, mas não contestam a reconstrução do New York Times sobre a opção da Igreja em não punir Murphy com as sanções previstas no Direito(?) Canônico pelos muitos abusos de que ele foi artífice. Se fosse um desgraçado de um padre de uma paróquia da serra, estava certamente já a arder no fogo do inferno (ou do Tribunal da santa(?) inquisição); mas, tratando-se do “padre” Murphy dos dólares... coitado, estava doente! Enfim, uma igreja corrupta, com dois pesos e duas medidas!
E acabo com as palavras da teóloga inglesa Myra Poole: "É terrível o que estes homens (padres pedófilos) fizeram, mas a responsabilidade é dos bispos e do Papa", que "deviam ir para a prisão com eles", porque este tipo de abusos resulta de "uma cultura aceite pela Igreja"... "A grande tragédia" é que os altos responsáveis "não serão responsabilizados", antecipa. E os padres continuarão a ser "mudados para outras paróquias para continuar com as suas coisas". " É uma situação muito grave.
Uma igreja baixa e de costumes corruptos?! De uma igreja dessas libera nos, Domine!

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publicado às 14:11



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