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por Thynus, em 13.12.12

O que é propriamente pagão. - Talvez não haja nada mais surpreendente para quem considera o mundo grego do que descobrir que os gregos davam a todas as suas paixões e maus pendores naturais, de tempo em tempo, como que festas e até mesmo instituíram estatalmente uma espécie de ordenamento de celebrações de seu demasiado-humano: é isto o propriamente pagão de seu mundo, que, a partir do cristianismo, não é nunca compreendido, não pode nunca ser compreendido e é sempre combatido e desprezado do modo mais duro. - Eles tomavam esse demasiado-humano como inevitável e preferiam, em vez de insultá-lo, dar-lhe uma espécie de direito de segunda classe, ordenando-o dentro dos usos da sociedade e do culto: aliás, tudo o que tem potencia no homem eles denominavam divino, e o inscreviam nas paredes de seu céu. Não negam o impulso natural que se exprime nas propriedades ruins, mas o ordenam e o limitam a cultos e dias determinados, depois de terem inventado suficientes medidas preventivas para poderem dar àquelas águas selvagens a vazão mais inócua possível. Esta é a raiz de todo liberalismo moral da Antiguidade. Concedia-se ao mal e ao suspeito, ao animalesco-retrógrado ssim como ao bárbaro, pré-grego e asiático que vivia ainda no fundo da essência grega, uma descarga moderada, e · não se procurava seu total aniquilamento. O sistema inteiro de tais ordenamentos era abarcado pelo Estado, que não estava construído sobre indivíduos ou castas singulares, mas sobre propriedades humanas habitUais. Em sua edificação os gregos mostram aquele maravilhoso sentido do típico-fatual que mais tarde os capacitou a se tornarem investigadores da natureza, historiadores, geógrafos e filósofos. Não era uma lei costumeira restrita, clerical ou de casta, que devia decidir na constituição do Estado e do culto de Estado: mas sim a mais ampla consideração da efetividade de todo o humano. - De onde tiram os gregos essa liberdade, esse sentido do efetivo? Talvez de Homero e dos poetas anteriores a ele; pois precisamente os poetas, cuja natureza não costuma ser a mais justa e mais sábia, possuem em compensação esse gosto pelo efetivo, pelo eficiente de toda espécie, e não querem negar totalmente nem mesmo o mal: basta-lhes que ele se modere e não fira mortalmente ou envenene interiormente tudo - isto é, pensam de modo semelhante aos gregos fundadores de Estados e foram seus mestres e precursores. (Nietzsche)

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publicado às 15:50



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