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As últimas notícias que fizeram emergir, na Alemanha, vários casos de abuso sexual e violência em colégios da igreja, devem fazer-nos reflectir. Notoriamente - e infelizmente – também nos círculos clericais e desde sempre o abuso sobre menores é um dado de facto. Que é ainda pior do que o abuso perpetrado no mundo secular, porque não se pode realmente aceitar que propriamente onde se pensa que a vida, a dignidade e o bem-estar das pessoas são sempre colocados em primeiro plano, aconteçam tais abusos graves e, paradoxalmente, muitas vezes escondidos pela mesma Igreja. E, não tenhamos dúvida, o acontecido na Alemanha, na Irlanda ou onde quer que seja, é apenas a ponta do iceberg!
O homem é feito de carne e espírito. Carne e espírito que não se devem desviar da existência de desejos legitimamente humanos, mas onde deve ser controlado qualquer excesso. O desejo carnal é aceitável somente no caso em que se mantenha um critério admissível por toda a Comunidade. Até mesmo um homem da Igreja pode ter as mesmas pulsões, mas o fato de que - por fé ou por imposição ritual - ele seja convidados a alienar parte da sua natureza apenas por ética de estado, em alguns casos eis que esta imposição o torna escravo e perseguidor às ordens de pulsões humanas tornadas paradoxais pela alienação de si mesmas.
A abstenção total de relações sexuais, regra rígida das pessoas que se consagraram ao Senhor, impõe uma série de contradições, a partir da essência mesma dos seres humanos. Por outro lado, é de realçar e lembrar que nenhuma entidade divina alguma vez deixou rastro de uma imposição desse género. Quem já leu a Bíblia sabe muito bem. Deus criou seus filhos para amar-se e multiplicar-se. Não certamente para fazer actos de penitência ad omnia, sobre algo algo que vem, nomeadamente, daquele mecanismo perfeito que se chama corpo humano.
Por conseguinte, abster-se de seu corpo perfeito, produz, a longo prazo, uma pressão que presumivelmente resultará numa série de pulsões de tal modo fortes que são capazes de se transformar em tirania. E quais podem ser então os objetos de desejo das pessoas a quem é imposto um tão natural fechamento a escutar as solicitações da carne? As crianças. Por uma série de razões "óbvias".
A criança é indefesa. Ainda não conhece o mundo dos adultos. Não sabe nada do que é sexo, pelo menos no que diz respeito ao desejo fundamentado que só um adulto pode ter. A criança não sabe como lidar com um convite sexual. Porque ainda o vê como um jogo possível. O prazer que pode obter – num modo totalmente natural – ao ser acariciada, pode finalmente ser visto como algo na linha de fronteira entre o jogo e o prazer. Isto claramente, quando “os jogos” em questão não implicam qualquer tipo de abuso ... E quando a fúria animal se abate ferozmente sobre corpos inocentes, mais uma vez a criança é incapaz de reagir. Vive o abuso como algo terrível no plano físico, mas que não pode categorizar. Na melhor das hipóteses, em seguida, sua mente vai ajudar a combater os danos, desconectando-se de toda a recordação do que aconteceu. Mas é um truque da psique apenas temporário. Com o tempo, alguma coisa será quebrada: o frasco de vidro frágil em que as memórias a esquecer foram armazenadas na ocasião.
Eis portanto um quadro: por um lado, os homens castrados de pulsões humanas, que se tornam algozes da humanidade em progresso. Por outro, vítimas desarmadas, silenciosas, submissas, simplesmente porque ainda não sabiam as regras do jogo da vida.
O mundo ao redor? Esse cala-se. Por mil razões.
A Igreja cala-se também porque "não é bom" que o mundo tramele de um defeito tão grave no mecanismo de sua organização. Quem fala de Amor Universal, não pode ostentar a bandeira de obscenidades indescritíveis. É interessante notar, por outro lado, a tendência da Igreja, nos últimos tempos, em afastar de si os gays e transexuais motivando que "a obscenidade de certas escolhas sexuais não pode ser acolhida na casa de Deus".
Exige-se ao mundo secular que não possa ser ele mesmo. Não será isto uma outra forma indigna de impor o seu poder? Num mundo de castas, a Igreja é claramente a mais poderosa e terrível. Impõe regras que não aceita para si mesma. Segue estradas intransitáveis e indecorosas, sabendo que tudo será discutido, mais tarde, no silêncio das salas escuras do poder eclesiástico.
O Amor Universal não existe. É um bluff. Uma lenga-lenga bisbilhotada mais por hábito do que por convicção.
O Amor é apenas um truque. Veste de boas intenções qualquer monstro sanguinário presente na terra. Toma na mão pequenas flores que devem ainda a florescer. E penetra-as com prazer sádico, até chupar a sua última gota de sangue. E combina espírito e violência como se de uma salada se tratasse. Nada mais.

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publicado às 08:12



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