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A reabertura da caixa de Pandora!

por Thynus, em 06.12.10

A moça deslumbrante, pura fatalidade, tem um nome — “Pandora” — ao mesmo
tempo esclarecedor e muito enganador. Significa em grego: aquela que tem todos os
dons — porque, diz Hesíodo, “todos que tinham sua casa no Olimpo lhe concederam
um dom” —, a menos que signifique, como acham alguns, “aquela que foi dada aos
homens por todos os deuses”. Pouco importa, aliás. Fato é que as duas leituras são
boas: Pandora aparentemente tem todas as virtudes possíveis e imagináveis, pelo
menos em termos de sedução (ou de moral, coisa que, como você sabe, é algo bem
diferente). Além disso, foi de fato enviada aos homens pelo conjunto dos olímpicos,
que os querem punir.

(Luc Ferry - A Sabedoria dos Mitos Gregos) 

 

(Pandora) ergue uma estranha “jarra” (que na mitologia logo se
chamará “caixa de Pandora”) dentro da qual Zeus se dera o trabalho de colocar todos
os males, todas as desgraças e todos os sofrimentos que devem se abater sobre a
humanidade. Apenas a esperança fica presa no fundo do funesto recipiente! E isso pode
ser interpretado de duas maneiras. Pode-se primeiro achar que os humanos não
poderão sequer se agarrar a alguma esperança, visto que ela não saiu da caixa. Pode-se
também entender, o que me parece mais adequado, que a eles resta a esperança, o que
está longe de ser uma vantagem concedida por Zeus. De fato, não se engane: a
esperança, para os gregos, não é um bom presente. É inclusive uma desgraça, uma
tensão negativa, pois esperar é continuar carente, é desejar o que não se tem e,
consequentemente, estar de certa maneira insatisfeito e infeliz. Quem espera se curar é
porque está doente, quem espera ser rico é porque é pobre, de forma que a esperança é
mais um mal do que um bem.

(Luc Ferry - A Sabedoria dos Mitos Gregos)

 

... o nascimento a partir
da união sexual do homem com a mulher vai tornar os mortais realmente mortais. Você
se lembra de que, na idade de ouro, eles não morriam por inteiro ou, melhor dizendo,
morriam o menos possível; desapareciam de forma gradual, durante o sono, sem
aflição nem sofrimento e sem nunca pensar na morte. Além disso, depois de
desaparecerem, permaneciam de certa maneira em vida, pois se tornavam daemons,
anjos da guarda encarregados de distribuir aos homens as riquezas, de acordo com o
mérito de cada um. Com o surgimento de Pandora, os mortais se tornam totalmente
mortais, e isso, por um motivo de real profundidade: é que o tempo, tal como o
conhecemos, com sua sequência de males — velhice, doenças, morte —, realmente nasce. 

(Luc Ferry - A Sabedoria dos Mitos Gregos)

 

Como na Bíblia, a saída da idade de ouro vem acompanhada por
uma funesta calamidade: o trabalho. Dali em diante, de fato, será preciso que os
homens ganhem seu pão com o suor do rosto, e isso por pelo menos duas razões. A
primeira, eu já disse: Zeus “tudo escondeu”, ele enterrou no chão os frutos que servem
de alimento ao homem, principalmente os cereais com os quais se fabrica o pão, de
forma que ele vai precisar se esforçar para se alimentar. Mas há também a encantadora
Pandora e, com ela, diz a Teogonia, da qual cito um pequeno trecho, “a raça e as tribos
das mulheres, grande flagelo para os mortais”:
Elas moram com os homens e da pobreza maldita não querem a companhia (mais
claramente, não aguentam a pobreza): precisam mais do que o bastante. É como
nas colmeias, em que as abelhas engordam os zangões e tudo se passa
desfavoravelmente para elas; o dia inteiro, até o pôr do sol, trabalham e fazem
seus favos de cera branca, enquanto eles permanecem no fundo da colmeia. É a
fadiga do outro que eles armazenam em suas panças.

Não é muito feminista, concordo, mas a época de Hesíodo não é a nossa. De
qualquer forma, está terminada aquela bela idade de ouro em que os homens podiam
todo dia rejubilar-se com os deuses e se alimentar com toda inocência, sem nunca se
sacrificar às necessidades da dura labuta. Mas o pior, se podemos assim dizer, é que a
mulher, evidentemente, não é um mal absoluto.

 (Luc Ferry - A Sabedoria dos Mitos Gregos)

 

abordamos um dos temas mais profundos da mitologia: se a ordem
cósmica fosse perfeita, caracterizada por um equilíbrio imutável e sem falhas, o
tempo simplesmente pararia, isto é, a vida, o movimento, a história, e não haveria,
inclusive para os deuses, nada mais a se ver nem fazer, ficando claro que o caos
primordial e as forças que ele não para de engendrar de vez em quando não podem
nem devem jamais desaparecer totalmente. E a humanidade, com todos os seus
vícios e, principalmente, com a sucessão infinita de gerações que isso implica, desde
o envio de Pandora e da morte “de verdade” para os homens, é indispensável à vida.
Magnífico paradoxo que se pode formular da seguinte maneira: não há vida sem
morte, não há história sem sucessão de gerações, não há ordem sem desordem, não
há cosmos sem um mínimo de caos.

 (Luc Ferry - A Sabedoria dos Mitos Gregos)

 

 

Pandora foi a primeira mulher criada por Hefesto a mando de Zeus para castigar os homens que tinham recebido o fogo sagrado de Prometeu. Zeus então implementa uma nova vingança cruel, criando Pandora, a primeira mulher, «Aos homens, como punição pelo fogo, eu vou dar-lhe um mal de que toda a gente vai ser feliz e fazer feliz a seu próprio mal" (Apolodoro). Os deuses meteram mãos à obra e criaram a mulher que Hermes chamou Pandora, deram-lhe um vaso fechado e enviaram-no como presente a Epimeteu irmão de Prometeu. Pandora tinha sido condenada a nunca abrir o vidro, mas a curiosidade para ver o que estava dentro foi tão grande que a mulher, levantando com a mão a tampa da caixa, dispersou os males que aos homens provocam lágrimas. Do vaso saíram a guerra, a velhice, a doença, o ódio, a inveja, a preguiça, e muitos, muitos males que só de pensar fazem estremecer. Apenas Elpis, a Esperança, foi deixada no interior (mas por quanto tempo?) porque Pandora foi capaz de colocar de novo a tampa na caixa (ainda haverá uma tampa? Existirá ainda este nosso mundo? - Hesíodo, Trabalhos e dias, 42 e ss.)

 


Periodicamente loucos sob a capa de grandes políticos benfeitores da humanidade, garantem a reabertura da caixa de Pandora, como se a sua missão fosse controlar o crescimento populacional, visto que a Grande Mãe não é capaz de alimentar-nos a todos.
E então gastam milhões, destroem vidas humanas que poderiam ser salvas com apenas alguns centavos!
“A guerra destrói o que a paz cria”

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publicado às 11:43



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