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O "Eu" se completa no "Tu"

por Thynus, em 26.11.12
Amante é ser cúmplice e não companheiro(a) da ação de estar só para viver a paixão, amor ou sensações renovadas diariamente. “O amante ou a amante representam realmente o outro ou a outra; mas o outro de mim, aquele que quase morreu em conseqüência do ser social”. “Se viver com a amante é viver a própria individualidade, e se comumente experimentamos o gozo incomum nessa experiência, por que não pensar que o inevitável encontro com o outro não é senão aquele momento que possibilita encontrarmo -nos a nós mesmos?”(Agenita Ameno).
O verdadeiro encontro com o outro é aquele que descobre o que somos, transformando-nos em novos seres com a descoberta do amor entorpecente pelo outro, na satisfação de possuir a si próprio refletido no outro. A amante para o homem é o fim da busca do outro, o deixar de ser o que é, o não conseguir mais voltar ou olhar para trás, o ser diferente porque passou pelo outro, porque consegue a sua individuação e reflexão sobre a descoberta da verdade e o escape da mentira do amor equivocado. O amor da(o) amante só é verdadeiro se faz cada um refletir, que fora dessa possibilidade não há amor, é também mentira, ou tentativa de fuga de algo que apavora: o continuar eternamente a rotina, o trabalho, o cotidiano, contas a pagar, fim de mês, deveres e encargos.
O encontrar de uma individualidade com outra individualidade remete cada um ao que é, à volta da existência de ser, de fazer-se novo ser, em uma metamorfose de lagarta, borboleta e crisálida. O ser individualizado só, em borboleta esvoaçante na descoberta da paixão amantética companheira e a erotomania do amantilhamento, metáfora de ninfa crisálida. Esse encontro de figura crisálida forma a metamorfose do ser amante: que respira mais e sente muito falta de ar, que transpira em excesso porque o sangue circula mais intensamente, porém mais calmo (o amor tem poder anestesiante), pensamento vazio mas distante, ideias inteligentes e brilhantes até o cúmulo de se julgar apaixonado pelo que é.
Desde esse momento a pessoa amásia sem o calor do outro, ou o seu olhar, sua aproximação e seu toque, não tem estímulo, morre, dependente que é para sobreviver e ser. Parasita praticamente, para não usar o termo “morrer”, ou seja, age mas não reage, é frágil e se entrega. A presença do outro é indispensável para resgatar a sua individuação, a sua existência como indivíduo real, voltando o olhar para si.

(Albertino Aor da Cunha – “A Mentira Nua e Crua”)

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publicado às 10:58



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