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por Thynus, em 04.12.12
O PODER DO AGORA
ou como o Passado e o Futuro, criações da mente, podem condicionar o Agora e impedir de ver o milagre da vida que se manifesta no presente. O Passado e o futuro actuam como filtros e alienam-nos do Agora.


“A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infini
to potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encober-tos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente. Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também o tornam mais pesado a cada momento, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na actualidade. A acumulação de tempo na mente humana, colectiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado.


Nunca nada aconteceu no passado; acontece no Agora.
Nunca nada acontecerá no futuro; acontece no Agora.
Aquilo que você considera o passado é uma memória, armazenada na mente, de um antigo Agora. Quando relembra o passado, você reactiva uma memória — é o que você está a fazer agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projecção da mente. Quando o futuro chega, chega como Agora. Quando pensa no futuro, você está a pensar agora. E óbvio que o passado e o futuro não possuem uma realidade que Lhes seja própria. Tal como a Lua não tem luz própria, mas só pode reflectir a luz do Sol, também o passado e o futuro não passam de pálidos reflexos da luz, do poder e da realidade do sempiterno presente. A sua realidade é "pedida emprestada" ao Agora.

Há pouco, enquanto falava do presente eterno e da irrealidade do passado e do futuro, dei comigo a olhar para aquela árvore ali em frente da janela. Já tinha olhado para ela várias vezes, mas desta vez era diferente. A percepção exterior não mudara muito, excepto que as cores pareciam mais vivas, mais vibrantes. E havia agora uma outra dimensão. Tenho dificuldade em explicar isto. Não sei como, mas eu estava consciente de alguma coisa invisível que eu sentia ser a essência da árvore, o seu espírito interior, se preferir. E, de certo modo, eu fazia parte disso. Agora compreendo que, antes, eu não via realmente a árvore, mas apenas uma sua imagem, insípida e morta. Quando olho para a árvore agora, algum desse conhecimento ainda continua presente, mas posso sentir que se começa a dissipar. Está a ver, a experiência já começa a recuar para o passado. Poderá um dia alguma experiência semelhante ser mais do que uma visão fugaz?
Você esteve livre do tempo por alguns instantes. Passou para o Agora e por conseguinte teve a percepção da árvore sem o filtro da mente. A consciência do Ser tornou-se parte da sua percepção. Juntamente com a dimensão intemporal, aparece uma espécie diferente de saber, um saber que não "mata" o espírito que vive dentro de cada criatura e de cada coisa. Um saber que não destrói a santidade nem o mistério da vida e que contém em si um amor e uma reverência profundos por tudo o que é. Um saber do qual a mente nada sabe.

Concentre a sua atenção no Agora e diga-me que problemas tem neste momento.
Você não me responde porque é impossível ter um problema quando a sua atenção está inteiramente no Agora. Uma situação precisa de ser resolvida ou aceite – porquê fazer dela um problema? Porquê fazer um problema seja do que for? A vida não é já suficientemente complexa? Para que precisa dos problemas? Inconscientemente, a mente adora problemas, porque eles lhe dão uma espécie de identificação. Isso é normal, e é insensato. O "problema" significa que mentalmente você está a permanecer numa situação sem ter a ver-dadeira intenção ou a possibilidade de a resolver e que, inconscientemente, você faz dela parte da sua sensação de identidade. Fica tão envolvido na sua situação de vida que perde a sua sensação de vida, de Ser. Ou então transporta na sua mente o fardo insensato das mil e uma coisas que você tem ou que poderá vir a ter de fazer no futuro em vez de concentrar a sua atenção na única coisa que pode fazer agora.

Quando cessa o esforço compulsivo para se afastar do Agora, a alegria de Ser flúi em tudo o que você fizer. No momento em que a sua atenção se voltar para o Agora, você sente uma presença, uma quietude, uma paz. Deixa de depender do futuro para a realização e satisfação pessoais — não espera dele a salvação. Portanto, não se apega aos resultados. Nem o insucesso nem o sucesso têm o poder de alterar o seu estado interior de Ser. Você descobre a vida subjacente à sua situação de vida.
Na ausência do tempo psicológico, a sua sensação de identidade deriva do Ser e não do seu próprio passado. Portanto, deixa de existir a necessidade psicológica de ser uma coisa diferente do que você já é. No mundo, ao nível da sua situação de vida, você pode na verdade vir a ser rico e famoso, a ter sucesso, a estar livre disto ou daquilo, mas na dimensão mais profunda do Ser você está completo e inteiro agora.”

(Eckhart Tolle, in “O Poder do Agora”)


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publicado às 17:43



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