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Muitos dos sofrimentos narrados nas várias descrições do Inferno são castigos de pressão e constrição. Ospecadores de Dante eram enterrados na lama, encerrados em troncos de árvores, aprisionados em blocos de gelo, esmagados entre rochas.

Seu “Inferno” é psicologicamente verdadeiro. Muitas de suas punições são experimentadas pelos esquizofrênicos e os que tomas mescalina ou ácido lisérgico, sob condições desfavoráveis.

 

“Qual a natureza dessas condições desfavoráveis? Como e por que o Céu é transformado em Inferno?

 

“Em certos casos, a experiência visionária negativa é o resultado de causas primordialmente fisiológicas. A mescalina tende, após a sua ingestão, a se acumular no fígado. Se esse órgão estiver doente, isso pode levar a mente a sentir-se no inferno. Mas, o que é mais importante, do ponto de vista de nosso presente estudo, é o fato de que a experiência visionária negativa pode ser produzida por meios puramente psicológicos. O temor e a angústia barram o caminho para o Outro Mundo celestial e mergulham no Inferno quem ingerir a droga.

 

“E o que é verdade para quem toma mescalina também é válido para os que tem visões espontâneas ou sob a influência do hipnotismo. Foi com base nesse fundamento psicológico que se ergueu a doutrina teológica da preservação da fé, a doutrina com que nos defrontamos em todas as grandes religiões do mundo. Os escatologistas sempre tiveram dificuldades em conciliar seu racionalismo e sua moral com as realidades brutais da experiência psicológica. Como racionalistas e moralistas, sentem que o bom comportamento deve ser recompensado, e que o virtuoso merece subir ao Céu. Mas, como psicologistas, sabem também que a virtude não é a condição única, nem é suficiente, para uma experiência visionária feliz. Sabem que as simples boas ações são impotentes, e que é a fé, ou a confiança no amor, que assegura a bem-aventurança dessa experiência.

(Aldous Huxley – "As Portas da Percepção") 

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