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A prática de qualquer arte tem certos requisitos gerais, inteiramente independentes de lidarmos com arte da carpintaria, da medicina ou a arte de amar. Antes de tudo, a prática de uma arte exige disciplina. Nunca serei bom em coisa alguma, se não a fizer de modo disciplinado; tudo que eu só puder fazer quando “estiver disposto” pode ser uma diversão bonita ou aprazível, mas nunca me tornarei mestre nessa arte. O problema, porém, não é só o da disciplina na prática da arte particular (digamos, praticando-a certo número de horas todos os dias), mas é o da disciplina na vida inteira da pessoa. Pode-se pensar que nada é mais fácil, para o homem moderno, do que aprender disciplina. Não passa ele oito horas por dia, da maneira mais disciplinada, num trabalho que é estritamente rotinizado? O fato, entretanto, é que o homem moderno tem excessivamente pouca auto-disciplina fora da esfera do trabalho. Quando não trabalha, quer ficar ocioso, espreguiçar-se ou, para usar uma palavra mais bonita, “repousar”. Este próprio desejo de ociosidade é, em grande parte, uma reação contra a rotinização da vida. Precisamente por ser forçado, durante oito horas diárias, a gastar energia para fins que não são os seus próprios, de maneiras que não são as suas, mas lhe são prescritas pelo ritmo do trabalho, o homem se rebela e sua rebelião toma a forma de uma auto-complacência infantil. Em acréscimo, na batalha contra o autoritarismo, ele se tornou desconfiado de qualquer disciplina, da imposta pela autoridade irracional assim como da disciplina racional imposta por ele mesmo. Sem tal disciplina, contudo, a vida se toma estilhaçada, caótica e falha de concentração.

(Erich Fromm - "A Arte de Amar") 

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