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"ABRE-TE"

por Thynus, em 05.12.10

Se Sarte diz “o inferno são os outros”, Gabriel Marcel responde: “para mim o céu são os outros”. Por isso o filosofo diz ainda: 'Só há um sofrimento e é ser sozinho'. Apenas existe um sofrimento e é o estar só. A afirmação poderá parecer exagerada, mas o certo é que, para muitos homens e mulheres de hoje, a solidão é o maior problema da sua existência. Aparentemente, o homem actual está melhor comunicado do que nunca com os seus semelhantes e com a realidade inteira. Os meios de comunicação multiplicaram-se de modo espantoso. O telefone permite manter uma conversa com as pessoas mais distantes. A televisão introduz nas nossas casas imagens de todo o mundo. A rádio acabou com o isolamento. A internet permite ás pessoas falarem-se e verem-se umas às outras a milhares de kilómetros de distância… Por outro lado, o público impõe-se sobre o privado. Fala-se de associações de todo o tipo, círculos sociais, relações públicas, encontros. No entanto tudo isso não impede que uma solidão indefinida, difusa e triste se vá apoderando de muitos homens e mulheres. Lares onde as pessoas se suportam com indiferença ou agressividade crescente. Crianças que não conhecem o carinho e a ternura. Jovens que descobrem com amargura que o encontro sexual pode encobrir um egoísmo enganoso. Amantes que se sentem cada vez mais sós depois do amor. Amizades que ficam reduzidas a cálculos e interesses inconfessáveis. O homem actual vai descobrindo pouco a pouco que a solidão não é necessariamente o resultado de uma falta de contacto com as pessoas. Antes que isso, a solidão pode ser uma doença do coração. Se a minha vida é um deserto, o mundo inteiro é um deserto, mesmo que esteja povoado de todos os tipos de pessoas. Sem dúvida, são muitos os factores que podem levar uma pessoa a esse isolamento interior que se manifesta em frases cada vez mais escutadas entre nós: «Ninguém se interessa por mim». «Não acredito em ninguém». «Que me deixem só. Não quero saber nada de ninguém». Mas para superar o isolamento, é necessário abrir-se de novo à vida. Aceitar-se a si mesmo com simplicidade e verdade. Escutar de novo o sofrimento e a alegria dos outros. Destruir o círculo obsessivo dos «meus problemas». Recuperar a confiança nos gestos amistosos dos outros por muito limitados e pobres que nos possam parecer. A fé não é um remédio terapêutico que possa prevenir ou curar a solidão. O crente está submetido, como qualquer outro, às tensões da vida moderna e às dificuldades da relação pessoal. Mas pode encontrar na sua fé uma luz, uma força, um sentido, una energia para superar o isolamento, a solidão e a incomunicação. Como aquele homem surdo e mudo, incapaz de comunicar-se, que escutou um dia a palavra curadora de Jesus: «Abre-te!».

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publicado às 18:30



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