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A mulher e suas armas naturais

por Thynus, em 25.11.12
A natureza destinou às jovens o que, em dramaturgia, chama-se efeito teatral, dando-lhes por poucos anos abundante beleza, encanto e corpulência, à custa de todo o resto de sua vida, para que, durante esses anos, elas pudessem se apoderar da fantasia de um homem em tal medida, que ele de alguma forma fosse induzido a ficar honestamente com uma delas para sempre. Ao dar esse passo, o homem parece não ter recebido nenhuma garantia segura e suficiente por parte da mera reflexão racional.
Sendo assim, a natureza proviu a mulher, bem como todas as suas criaturas, de armas e instrumentos necessários para a segurança e a duração de sua existência. Também nesse caso a natureza procedeu com sua habitual parcimônia. Do mesmo modo como, por exemplo, as formigas fêmeas, após a cópula, perdem as asas doravante desnecessárias ou até perigosas para a prole, geralmente depois de uma gravidez ou mais a mulher perde a beleza, provavelmente pela mesma razão.
As mulheres, por serem mais frágeis, são levadas pela natureza a fazer uso não da força, mas da astúcia: eis a origem de sua esperteza instintiva e da sua tendência inextirpável à mentira. Pois, assim como a natureza dotou o leão de garras e dentes, o elefante e o javali de presas, o touro de chifres e a sépia da tinta que turva a água, também dotou a mulher da arte de fingir para proteger-se e defender-se, e toda a força que deu ao homem sob a forma de vigor físico e de razão, dispensou à mulher sob a forma do referido dom. A dissimulação é, portanto, inata à mulher e própria, quase na mesma medida, tanto à estúpida quanto à inteligente. Sendo assim, fazer uso da dissimulação em qualquer ocasião é tão natural para a mulher como o uso imediato das armas o é para aqueles animais durante um ataque; de certo modo, ela tem a sensação de estar dispondo dos seus próprios direitos.

(Arthur Schopenhauer - "A Arte de Insultar")

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publicado às 21:14


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