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por Thynus, em 03.12.12
O poder do engano via interferência física no organismo consegue fazer com que um ser vivo deixe de lado as suas mais profundas regularidades e necessidades biológicas. Uma planta com os genes modificados não se fecha, desnuda e recolhe só porque está um pouco frio ou o sol ficou mais fraco nos climas temperados; ela passa reto pelas estações do ano, como se estivesse de fato nos trópicos ardentes, e continua a produzir suas folhas e frutos em pleno outono e inverno europeus.

Uma experiência com ratos corta o elo entre prazer e satisfação de premências biológicas. Um rato com eletrodos implantados no cérebro é induzido a pressionar uma alavanca que estimula com uma pequena corrente elétrica o seu hipotálamo lateral. A atividade é supostamente tão prazerosa e gratificante para o rato que ele a repetirá de modo compulsivo por horas e horas a fio, a ponto de perder o interesse até em comer e beber (sexo então, nem falar). Resultado: morte por inanição.

O mesmo princípio básico da desinformação orgânica, vale notar, aparece em diversas conquistas tecnológicas que nos ajudam a driblar pelo menos alguns dos tormentos e flagelos debitados à queda de Adão. O anestésico, por exemplo, suprime a sensação de dor da dor, levando-nos a não mais sentir o que sentimos. O soporífero adormece a vigília do insone, infiltrando a sonolência no reduto da insônia. Do mesmo modo, ainda que noutro canal, a pílula anticoncepcional trapaceia o organismo da mulher fazendo com ele funcione parcialmente como se ela já estivesse grávida, quando na verdade não está.

Ao solicitarmos a aplicação do anestésico ou ingerirmos certos tipos de substância nós estamos interferindo quimicamente — e de uma forma muito peculiar — no funcionamento do nosso organismo. Nós estamos disseminando informações químicas no metabolismo com a missão de anular ou alterar os processos naturais por meio dos quais o organismo reage aos estímulos que recebe. Estamos, em suma, praticando o auto-engano no sentido mais palpável e literal do termo.

(Eduardo Giannetti - "Auto-Engano")
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAm3sAD/auto-engano

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publicado às 13:01



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