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por Thynus, em 03.12.12
O choro não só é a nossa primeira expressão de estado de ânimo, mas também a mais básica. O sorriso e o riso são sinais únicos e bastante especializados, mas o choro é partilhado com milhares de outras espécies animais. Quase todos os mamíferos (para não falar das aves) emitem altos gritos, chios, guinchos ou grunhidos quando estão assustados ou têm dores. Entre os mamíferos superiores, cujas expressões faciais se desenvolveram com dispositivos de sinalização visual, esses sinais de alarma acompanham-se de características “caras de medo”. Quer se trate de animais jovens ou adultos, essas respostas indicam que sucedeu alguma coisa grave. O jovem chama a atenção dos pais, o adulto chama a atenção dos outros membros do grupo social.
Quando pequenos, podemos chorar por diferentes motivos. Choramos se temos dores ou fome, se ficamos sós ou perante estímulos estranhos e desconhecidos, se perdemos de repente o apoio físico ou se não conseguimos atingir um objetivo urgente. Essas situações podem resumir-se a dois fatores importantes: dor física e insegurança. Em ambos os casos, quando o sinal é transmitido, produz (ou devia produzir) respostas protetoras da parte dos adultos. Se a criança está separada do adulto quando emite o sinal, este produz o efeito de reduzir a distância entre eles até que a criança seja pegada ao colo e embalada, ou acariciada, ou afagada. Se a criança já está em contato com o adulto, ou se o choro persiste após tal contato, seu corpo é examinado, à procura das possíveis causas da dor. O adulto continua a preocupar-se até o sinal se interromper (a esse respeito, o choro difere fundamentalmente das atitudes de riso e sorriso).
A ação de chorar consiste em tensão muscular acompanhada de vermelhidão da cabeça, lacrimejar, abertura da boca, retração dos lábios, exagero da respiração com expirações intensas e, evidentemente, estridentes vocalizações de tonalidade elevada. Nas crianças mais velhas, também inclui corrida na direção do adulto, ao qual se agarram.
Descrevi com certo pormenor esse tipo de comportamento, apesar de ser tão usual, porque é a partir dele que evoluíram as nossas manifestações mais especializadas, como o sorriso e o riso. Quando se diz “rir até chegarem às lágrimas aos olhos”, faz-se referência a essa relação, embora, em termos evolutivos, seja o contrário que se passa — choramos até rirmos.

(Desmond Morris - "O Macaco Nu")

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publicado às 18:30



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