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UM APELO À ESPERANÇA

por Thynus, em 05.12.10

A expressão "um mundo mais justo e fraterno" anda na boca de toda a gente como um sonho lindo que todos queremos realizar. Ao mesmo tempo, há um certo desencanto em todos os grupos sociais ao verificarem que, após tantas tentativas, a justiça tarda e as injustiças alastram. É certo que, objectivamente falando, tem-se verificado um grande progresso no que se refere à tomada de consciência, defesa e promoção dos direitos dos cidadãos. Haja em vista a situação da assistência social, hoje, comparada com a do início deste século. Apesar disso, o descontentamento é generalizado porque, ao comparar o projecto de justiça social que arquitectamos e a realidade que vivemos, ainda nos encontramos muito longe do que já devíamos ter alcançado. Ainda somos vítimas de muitas injustiças. Há diferenças muito gritantes no campo económico, cultural, social e político, entre os diversos sectores e grupos sociais. E porque será que ainda não atingimos, ao menos, um nível mínimo razoável do exercício da justiça? Há consciência da justiça social como nunca. Há progresso económico indesmentível. Há possibilidades tecnológicas que nem sequer se poderiam imaginar há poucas décadas. Há muitas riquezas já exploradas e muitas mais por explorar. Não falta nada! Porque é que falta quase tudo para a maioria? O "pão" é superabundante e, no entanto, milhões de pessoas passam "fome"! Sem dúvida que as grandes palavras do século XX, «liberdade», «justiça», «felicidade», revolucionaram o mundo, mas, essas mesmas palavras, estão hoje em crise. E isto não são teorias dos pensadores. Sentem-no assim os povos dos países mais desenvolvidos. Na sociedade moderna respira-se uma manifesta crise de valores. Parece que a desmesurada ambição de ter abafou a necessidade de ser. Daí que a fé no progresso começa a ser substituída pelo pessimismo. E, por isso, muita gente se interroga sobre o que é que nos espera no futuro? Por outro lado, a fé cristã parece ter perdido a sua força para dar sentido e alento ao ser humano. Não são poucos os que consideram a religião como uma fase já ultrapassada no quadro do desenvolvimento da humanidade. Entre os próprios cristãos, as coisas mudaram profundamente em poucos anos. Cresce a indiferença, o abandono e a «apostasía silenciosa». Difunde-se em não poucos um «desafecto interior» para com a Igreja. Talvez pela primeira vez amplos sectores de pessoas que se dizem cristãs percebem de maneira difusa, a níveis profundos da sua consciência, uma espécie de insegurança ou desassossego em volta da sua fé. São tempos em que a humanidade anda em busca de uma mensagem de esperança. Uma experiência nova capaz de libertar o homem contemporâneo da descrença, do cansaço e da indiferença. O mais importante nestes momentos não é potenciar a autoridade religiosa para impor desde fora uma segurança. Como diz o teólogo alemão Heinz Zahrnt, a renovação não chegará «administrando burocraticamente os resíduos de fé» da sociedade contemporânea. O mais importante não é nem sequer o desenvolvimento da teologia especializada. Alguém disse com ironia que «primeiramente se falava com Deus, depois começou-se a falar de Deus, mais tarde passou-se a falar do problema de Deus e acabou-se falando da possibilidade de falar acerca de Deus». A teologia é necessária, mas o certo é que a esperança apenas pode vir de um Deus que é maior que todas as nossas discussões doutrinais. O que o homem de hoje necessita é que alguém o ajude a encontrar-se com «o Deus da esperança». Um Deus em quem se possa crer, não por tradição, não por medo do inferno ou do fim do mundo, não porque alguém o ordena assim, não porque alguém o explica brilhantemente, mas sim porque pode ser experimentado como fundamento sólido de esperança para o ser humano. Esse Deus só pode ser anunciado por crentes que vivam eles próprios radicalmente animados pela esperança. O testemunho de «uma esperança vivida» é a melhor resposta a todos os cepticismos (descenças), indiferenças e abandonos. O Advento,esse tempo de preparação para o Natal de Jesus,é um chamamento para o despertar da esperança. Se o cristianismo perde a esperança, perdeu tudo. Como cristãos «habituados a crer desde sempre», que fizemos da esperança cristã?

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