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O SUICÍDIO DA ESPERANÇA

por Thynus, em 29.11.12
Nestes últimos dias acompanhamos pela imprensa escrita e falada o anúncio do Primeiro Ministro sobre novas medidas de austeridade para a recuperação da nossa economia. Confesso que fiquei estupefacto e indignado com as palavras do nosso PM. Mas pior ainda fiquei depois da postagem feita por tão sinistra personagem na sua página do Facebook , onde, com linguagem piegas pretende desculpar-se da facada que acabara de espetar pouco antes nas costas daqueles a quem se atreve a chamar amigos. Só um PM “impreparado” é que ignora que um País não cresce com palavras mansas ou com choradeiras para justificar o injustificável. Curiosamente, hoje, François Hollande (Presidente francês) acaba de anunciar que os vencimentos acima de um milhão de euros serão submetidos a impostos de 75%, "sem excepções" para a recuperação da economia francesa no prazo de dois anos. Entretanto, o nosso Primeiro fez precisamente o contrário. É tudo uma questão de ter ou não ter tomates, Sr. PM. Não pode ser o povo trabalhador a pagar a factura dos despesismos e compadrios de uma classe política irresponsável, incompetente e corrupta. Tomates, caro “amigo” PPC, é o que lhe tem faltado para acabar de vez com os compadrios económico-políticos.

Assinala-se hoje o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
Ficar desempregado e não ter meios de subsistência, ter bocas para alimentar e dívidas para pagar são reflexos da grave crise económica que o País atravessa e que estão a fazer aumentar os casos de depressão, de consumo de álcool e do suicídio.
O psiquiatra Álvaro Carvalho afirma que o número de pessoas que se suicidam todos os anos em Portugal será o "dobro" dos números revelados pelas estatísticas. As mais recentes indicam mais de mil casos por ano. De acordo com o especialista, há vários motivos para esta disparidade de números, um dos quais é o facto de o registo do óbito não indicar, em muitas situações, o suicídio como causa de morte, mas sim ‘causa não identificada’.
O preconceito relacionado com as questões religiosas, culturais ou sociais, e o facto de as companhias seguradoras não pagarem os prémios em caso de suicídio são outros factores que "encobrem" a realidade.

Não sei se o nosso PM tem sensibilidade para estas questões, mas de qualquer modo permito-me citar as palavras sábias e oportunas de Francisco Moita Flores que acabei de ler no Correio da Manhã:

“No balanço da comunicação do primeiro-ministro sobre mais austeridade, escutámos de tudo e o seu contrário, ou seja, espremido, para o cidadão comum, não ficou uma réstia de esperança nem de incerteza. Apenas a multiplicação da confusão e da contradição. Julgo que o verdadeiro drama desta crise e deste saber em crise tão profunda não está nos números. Está nos homens que os tratam como meros utensílios. Como se a vida fossem números e nada mais do que algarismos sem alma, sem emoção, sem dignidade.
A secura do número é amada por este saber pobre e frustrante que nem a dimensão simbólica dos algarismos consegue apreender. E por isso, prefiro olhar e resistir a esta crise com a ajuda de outros números cuja carga simbólica trazem dentro de si Vida e Morte. Soubemos que, em 2009, seis portugueses por dia autodeterminaram a morte. Que a linha SOS Voz Amiga (destinada à prevenção do suicídio) recebe milhares de telefonemas suplicando ajuda de gente na brutalidade da solidão, do desemprego, da ruína familiar, da violência doméstica.
Ficámos a saber também que sobem acima de 30 mil os casos de violência doméstica, sempre em crescendo conforme se agudiza a crise, com maior cadência de mulheres assassinadas. Podíamos continuar a fornecer números sobre esta morte da esperança. Talvez se gritasse menos, se houvesse um saber com alma que compreendesse a dimensão trágica do número, acrescentando soluções que tivessem a ver com a dignidade de quem sofre, coisa que não se mede em percentagens do PIB, nem de inflação.“

É muito triste que um PM tenha que ficar na história como “coveiro da Nação”!

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publicado às 16:42



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