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A Civilização da empatia

por Thynus, em 28.12.12

Durante séculos, filósofos, cientistas, economistas e psicólogos contribuiram para a difusão da idéia de que o ser humano é por natureza agressivo e utilitário, voltado principalmente para a satisfação egoísta das suas necessidades e do lucro material. A história, portanto, não seria outra coisa que uma batalha sem tréguas entre indivíduos isolados, apenas ocasionalmente unidos por razões de mera utilidade e lucro. Mas nas últimas décadas algumas descobertas sensacionais no campo da biologia e da neurociência têm questionado esta tese, e demonstraram, pelo contrário, que homens e mulheres desde cedo manifestam a capacidade de relacionar-se com os outros de maneira empática, percebendo os seus sentimentos, principalmente o sofrimento, como se fossem seus próprios. À luz desta nova abordagem, Jeremy Rifkin propõe uma reinterpretação radical do curso dos acontecimentos humanos. Se no mundo agrícola a consciência era governada pela fé e no setor industrial pela razão, com a globalização e a transição para a era da informação, a consciência será baseada na empatia, ou seja, sobre a capacidade de sentir na própria carne o estado de ânimo ou a situação de uma outra pessoa. Este resultado foi no entanto conseguido com um preço elevado: a fim de crescer e prosperar, as sociedades cada vez mais complexas e sofisticadas exigiram quantidades cada vez maiores de energia e recursos naturais, impondo um pesado tributo sobre o meio ambiente sob a forma um aumento significativo da entropia. Um incessante auto-esvaziamento, que pode, agora, comprometer definitivamente a saúde da terra e pôr em risco a própria sobrevivência da espécie humana. Mas para Rifkin nem tudo está perdido. Enquanto as sociedades saqueavam os bens da natureza, silenciosamente fez estrada uma nova "consciência da biosfera", que tem o poder de nos fazer realmente ser solidários com o planeta que habitamos, levando-nos a redefinir o curso do desenvolvimento económico e os nossos estilos de vida na direção de uma maior sustentabilidade ambiental. Cabe a cada um de nós garantir que esta nova "cultura da empatia" veja a luz antes que seja tarde demais.

Jeremy Rifkin, presidente da Foundation on Economic Trends de Washington, é professor na Wharton School of Finance and Commerce, onde lecciona cursos de Programa de Educação Executiva sobre a relação entre o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e o desenvolvimento económico, meio ambiente e cultura. Entre seus livros realço: O fim do trabalho (1995), O Século Biotech (1998) e Entropia (1982). Ecocídio (2001), Economia a hidrogénio (2002) e O Sonho Europeu (2004).

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publicado às 09:44



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