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O Mito de Circe

por Thynus, em 05.12.10

Há quem diga que os transformava a todos em porcos antes mesmo de perguntar como se chamavam; quem por sua vez afirma que, antes de ir com eles para a cama ou depois, transformasse um em leão, outro em touro ou em rã ou em galo. Outros dizem, finalmente, que na realidade não os transformava, mas, simplesmente conseguia revelar aquilo que já eram fazendo aflorar a sua natureza escondida de porcos ou de burros.
Filha do sol e de uma ninfa, ambiguamente oscilante entre deusa e maga, femme fatale e dama socorredora, amante vingativa e divindade benigna, prostituta e mãe de heróis, senhora da natureza selvagem e mestra de refinados luxos, desde há séculos a figura de Circe modula-se sobre a dupla natureza dos fármacos a que está confiado o seu poder: poções potentes, em grau de produzir lúgubres degradações, mas também luminosas sublimações, capazes de tornar o indivíduo melhor ou talvez de transformá-lo em deus. A figura de Circe como pérfida sedutora continuará a ser composta e recomposta por séculos até às imagens fin de siècle de mulher «besta», pronta a enganchar os machos na sua sexualidade omnívora e felina. O lado positivo do poder de Circe será por sua vez redescoberto pelas artistas do Novecentos, para as quais Circe torna-se figura da mulher moderna, livre e consciente, capaz de contestar os estereótipos da cultura heróica patriarcal («Não estás cansado de matar? - pergunta a Odisseo a Circe de Atwood. - Não estás cansado de dizer Avante?»), mas também símbolo dos riscos de isolamento e das dificuldades de comunicação com o outro sexo ínsitas na nova condição feminil.


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publicado às 23:44



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