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"Depois do Inverno, morte figurada,

A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores "
(Miguel Torga).

VIDA É RESSURREIÇÃO CONSTANTE!
Muita gente pensa que a Páscoa da Ressurreição é "monopólio" exlusivo dos cristãos, mas a Páscoa é de todos, é universal. Que não nos convertamos em coveiros da Ressurreição: "O cristianismo matou Jesus. Os judeus não o conseguiram; eles o crucificaram, naturalmente, mas falharam, não puderam matá-lo. Ele sobreviveu à crucificação, e este é o significado da ressurreição — não que Jesus tenha sobrevivido fisicamente, mas que a crucificação provou ter sido inútil. Os judeus não puderam destruí-lo; eles tentaram, mas ele sobreviveu. Onde os judeus falharam, os cristãos foram bem-sucedidos, mataram-no sem qualquer crucificação. Eles o mataram através da oração, do dogma, da organização. Os seguidores e apóstolos conseguiram êxito onde os inimigos falharam" (Osho). De facto, a Ressurreição não pertence ao domínio da razão ou das religiões; pertence ao domínio da fé, e, mais do que isso, é uma pendência do coração: essa capacidade de emocionar-se e extasiar-se perante o mistério da vida que se renova continuamente e nos interpela. Não são, pois, os dogmas ou definições os aferidores da Ressurreição, mas sim o coração! Por isso, a Ressurreição é património de todos os homens e mulheres (cristãos e não-cristãos, crentes e ateus) que acreditam na vitória da Vida sobre a morte. É imperioso que nos libertemos de dogmatismos impostos pelas igrejas apenas com o ojectivo de preservar o seu poder: "A letra mata, mas o Espírito dá Vida!" (2Cor.3,6)
Podemos acreditar, negar ou duvidar da Ressurreição de Jesus; mas o arrebatamento vital da natureza que viceja com exuberância e se abre para o Sol da Primavera é uma realidade inquestionável e um apelo de Ressurreição. "A vida é constantemente uma ressurreição. A cada momento ela morre, a cada momento nasce de novo... Você não pode se encontrar, a não ser que se perca. E não pode renascer (ressuscitar), a não ser que morra" (Osho).

Enquanto o Natal, também ele uma celebração de origem pagã (Dies Natalis Solis Invicti), é celebrado em 25 de Dezembro (solstício do Inverno), “a Páscoa pode cair em qualquer data entre 21 de março e 25 de abril, sendo comemorada no domingo seguinte à primeira Lua Cheia após o equinócio da primavera do hemisfério Norte, (21de março). Essa data foi acomodada para que coincidisse com a Páscoa judaica, cuja data era fixada pela primeira Lua Cheia da primavera. A Lua Cheia nessa época do ano representa a ovulação da Mãe do Mundo, enquanto os tradicionais ovos de Páscoa têm sua origem no símbolo pagão usado para o renascimento do deus-que-ressuscita” (Philip Gardiner). A Primavera (ou Páscoa) torna-se assim para todos (cristãos e não-cristãos) uma interpelação à celebração da vitória da Vida sobre a morte: "Onde está, ó morte, a tua vitória?" (1Cor.15,55).

Mais do que nunca, num mundo do "salve-se quem puder", individualista, ganancioso e competitivo, onde parece imperar o culto da morte e da violência, urge que todos os que acreditam na força da Ressurreição façam de cada dia uma Páscoa; sejam o Sol da Primavera que gera vida, ilumina e aquece os corações! Permito-me reverberar este apelo com palavras que só os poetas sabem dizer:

"Com flores de rododendro cor de fogo
anuncio aos sentidos
o milagre
da ressurreição.
E o Cristo vivo, em que se transfigura
a mais vil criatura
que atravessa a praça,
é como uma graça
a mais da primavera.
Ah, quem pudera
todos os dias
olhar o mundo assim, repovoado
de fraternidade,
quente de um sol desabrochado
em cada pétala da realidade!"

(Miguel Torga, poema escrito em 19 de Abril de 1987, não sei se em dia de Páscoa, mas claramente à luz da Ressurreição).

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publicado às 07:20



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