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O homem moderno parece realmente convencido de ser o dono do seu destino. Hoje há um novo modo de se pôr e viver o problema da salvação. Ao homem de hoje oferece-se uma nova esperança terrena. A visão do homem passa de teocêntrica a geocêntrica e antropológica. Isto é, enquanto o homem bíblico e do passado via Deus como o Senhor, o homem moderno sente-se ele como senhor do mundo, como a medida de todas as coisas. Operou-se um radical deslocamento de interesses, uma autêntica revolução copernicana no universo espiritual do homem. Não se considera mais um peregrino que percorre apressadamente o vale de lágrimas deste mundo, todo voltado para a terra prometida da eternidade. Torna-se cada vez mais sedentário; substituiu a tenda movediça pela sólida casa de pedra. As únicas fronteiras que conhece são as terrestres e temporais. Uma esperança humana e terrena tomou o lugar da esperança teologal, da esperança em Deus. Uma nova missão e uma nova acção dão um sentido novo à sua vida: o da conquista gradual e irreversível do mundo. A fidelidade à terra e a preocupação com a construção da cidade terrena ultrapassaram as esperanças e preocupações do mais além. O homem moderno não espera nada mais para além desta vida. Uma nova confiança no homem é a base desta luta gigantesca. O homem não espera mais a salvação de fora, mas constrói-a com as suas próprias mãos. Mas talvez o homem esteja percebendo que foi apressado demais ao proclamar a sua completa autonomia e ao pregar a morte de Deus, considerando-O supérfluo (alguém que está a mais neste mundo). A embriaguez do progresso tornou-o, por pouco tempo, cego diante dos permanentes desequilíbrios que existem no mundo e dos novos fenómenos, que, por sua própria novidade, preocupam. O mundo apresenta-se ainda cheio de problemas não resolvidos. Solucionados alguns, permanecem outros cuja solução parece distante ou mesmo impossível, enquanto surgem sempre novos problemas, criados pelo próprio progresso, pela ciência e pela técnica. Aliás, a ciência e a actividade técnica, embora buscando a salvação do homem, são apenas um dos modos de se dispor a ela, ou melhor, apresentam somente o aspecto mais primitivo, mais rudimentar e superficial da solução dos problemas humanos; restam outros problemas sobre os quais a técnica e a ciência positiva nada ou pouco têm a dizer. Além disso, o homem percebeu à própria custa, infelizmente, que o progresso técnico é fundamentalmente ambíguo, isto é, aberto tanto ao bem como ao mal, à salvação como à perdição do homem. A dura experiência de duas guerras mundiais, os campos de concentração, as terríveis devastações da primeira bomba atómica, o desequilíbrio produzido na ecologia, a poluição atmosférica, a ameaça da guerra química , os focos de guerra civil nos países recentemente independentes, a onda de xenofobismo e de racismo que renasce na velha Europa, o flagelo da droga que destrói a vida de milhares de jovens, o problema da fome e da miséria nos países do Terceiro Mundo, o desemprego gerado pela máquina que substitui com vantagem um grande número de operários, as obscuras e apocalípticas visões dos futurólogos... tudo isto propõe novamente ao homem o problema de uma "salvação" de dimensões mais vastas e profundas. Tudo isto revela ao homem que a salvação e o futuro não depende apenas dele, do progresso da ciência e da técnica, mas que a salvação é também e acima de tudo... dom de Deus. Tudo isto revela que não haverá progresso autêntico enquanto o homem viver de costas voltadas para Deus. Tudo isto mostra que não haverá progresso verdadeiro enquanto o homem quiser construir a cidade sem Deus...

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