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Férias, descanso ou tédio?

por Thynus, em 05.12.10
São muitos os que pensam que o homem actual, escravo da «sociedade da eficácia», está a perder a capacidade de celebrar, fazer festa e desfrutar profundamente da vida. A actividade pura marca a sua vida inteira. Conseguimos à base do trabalho criar condições mais aptas para uma vida digna, mas, no entanto, não sabemos desfrutar dessa vida. O homem actual suspende temporariamente o trabalho, a tensão e a pressão da actividade para conseguir outra vez o equilíbrio psicológico, a distensão física e uma nova capacidade para o trabalho. Porém em muitas pessoas, «já não existe culto nem celebração nem descanso, mas tão só o direito ao tempo livre, férias e prazer» (H. Rombach). No entanto, o homem não é apenas «uma máquina» que precisa de recuperação, mas um ser que precisa de encontrar-se consigo mesmo e redescobrir as raízes mesmas que dão sentido à sua vida. Por isso o verdadeiro descanso não é tempo morto, prazer vazio, dobrar-se egoísta sobre si mesmo, aborrecimento insuportável, obrigação social de sentir-se feliz e passar bem. O descanso deve ser «re-criação» que nos liberta de novo para a vida e o amor. O problema de muitos é que, ao deixar o seu trabalho e ao não estar ocupados pelas obrigações habituais, se encontram com o seu próprio vazio e a sua incapacidade de comunicar-se com um pouco de ternura, nem sequer com as pessoas mais próximas. Então as férias convertem-se numa fuga louca e o descanso num esforço vão por encher o vazio interior acumulando experiências sempre novas, procurando estimulantes sempre mais fortes ou deixando-se espremer de maneira infantil pela "indústria do tempo livre». No entanto, mais tarde ou mais cedo, corre-se o perigo de encontrar tudo aborrecido já que nós mesmos, com o nosso próprio vazio, somos a fonte e a causa do nosso próprio tédio e aborrecimento. É bom escutar uma vez mais a sabedoria do filósofo Pascal: «Toda a desgraça dos seres humanos procede duma só coisa que é não saber permanecer em paz dentro de uma casa». Dentro da própria casa, no nosso espírito... O descanso gera tédio e torna-se insuportável quando o homem não sabe abrir-se para o melhor que há nele e para Aquele que é fonte de vida e de liberdade. Oxalá saibamos escutar no meio das nossas férias as palavras de Jesus: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco». De facto, Jesus não disse 'retirai-vos' mas 'retiremo-nos' porque ele está sempre presente, quer na actividade quer no descanso. Aliás, enquanto descansavam, veio uma multidão e Jesus, compadecido, começou a ensinar-lhes muitas coisas. Sempre que alguém descansa, parece que Jesus fica com mais trabalho.

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publicado às 18:45



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