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por Thynus, em 05.12.12
A MAGIA DO TOQUE

"O amor é como um fluido". Preenche as fendas. Enche os espaços vazios ao seu próprio ritmo. Somos nós, são as pessoas que o impedem construindo falsas barreiras. E quando o amor não pode encher os nossos corações e as nossas mentes, quando estamos desligados das nossas almas, que são amor, então, todos nos tornamos loucos." Amar não é uma opção. É uma necessidade.
Pode desperta
r para a presença de uma alma companheira através de um olhar, um sonho, uma memória ou um sentimento. Pode despertar pelo toque das suas mãos ou dos seus lábios, e a sua alma é reanimada de volta à vida plena. O toque que desperta pode ser o do seu filho, de um dos pais, de um irmão ou de um verdadeiro amigo. Ou pode ser o seu amado, procurando através dos séculos beijá-la mais uma vez para relembrá-la de que estão juntos, sempre, para a eternidade.
(Só O AMOR É REAL - Brian L. Weiss)

O toque é fundamental para a vida. Testes feitos em macacos por Harlow e Zimmerman demonstraram que a falta do toque em macacos muito jovens causava depressão, doenças e morte prematura. Resultados semelhantes foram constatados em crianças abandonadas. Um estudo com bebês de dez semanas a seis meses chegou a um resultado impressionante: os filhos das mulheres que foram instruídas a fazer carinhos neles tinham muito menos gripes, resfriados, vômitos e diarréia do que aqueles que não recebiam afagos. Outra pesquisa concluiu que mulheres neuróticas ou deprimidas se recuperavam melhor quando eram acariciadas, e, quanto mais demorados e freqüentes os toques, mais rápida a recuperação. James Prescott, pioneiro no estudo da relação educação-violência, chegou ao seguinte resultado: nas sociedades em que não há o hábito de acariciar as crianças estão os mais altos índices de adultos violentos. As que crescem cercadas de carinho geralmente se tornam pessoas melhores, mais saudáveis e felizes. Pedófilos e pessoas com desvios sexuais freqüentemente têm em suas vidas histórias de rejeição, violência e indiferença na infância, às vezes passada em instituições. Em muitas culturas que não praticam o toque físico, os animais de estimação suprem essa carência. Esse contato tem se revelado valioso na superação da depressão e de outros problemas mentais.
A pele é a parte mais extensa do corpo humano, chegando a medir cerca de dois metros quadrados. Nela, distribuídos de maneira irregular, há 2.800.000 receptores para a dor, 200.000 para a temperatura e 500.000 para o toque e a pressão. Desde que nascem, as meninas são muito mais sensíveis ao toque e, quando adultas, a sensibilidade de sua pele é pelo menos dez vezes maior que a dos meninos. Um estudo cuidadoso concluiu que mesmo os meninos mais sensíveis ao toque não chegavam ao índice alcançado pelas meninas de menor sensibilidade. A pele da mulher é mais fina que a do homem e tem uma camada de gordura que aquece no inverno e dá maior resistência.
A ocitocina é o hormônio que provoca a vontade de ser tocada e dispara os receptores do toque. É fora de dúvida que a mulher, com receptores dez vezes mais sensíveis que os do homem, dá maior importância aos carinhos que faz em seu companheiro, seus filhos e amigos. Uma pesquisa sobre linguagem corporal demonstrou que a mulher ocidental, durante uma simples conversa, geralmente toca em outra mulher de quatro a seis vezes mais que o homem em outro homem. Mulheres usam uma variedade maior de expressões sensoriais: uma pessoa de sucesso tem um "toque mágico", outra indelicada pode ser "casca grossa". Adoram "manter contato", mas não gostam de quem "gruda". Descrevem um acontecimento como "tocante", uma "verdadeira sensação". Falam em dar um "toque pessoal". Se aborrecem com quem "cai na sua pele" e fica "batendo na mesma tecla". É provável que a mulher, quando zangada e não querendo qualquer contato com um homem, diga: "Não me toque!" Para ele, o aviso não causa grande efeito.
Que lição se tira daí? Para ganhar pontos com as mulheres, toque, mas não agarre. Para as crianças se desenvolverem mentalmente saudáveis, faça muito carinho nelas.
(Allam e Barbara Pease, in “Porque os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor”)

A ligação da mão e o toque é imprescindível no amor. Quando não há o toque o amor terminou ou então é uma farsa. O toque é o traço maior do amor, seu retoque, seu sinal. Tocar é o começo de cada ato de posse, de cada tentativa de fazer uso de uma pessoa ou coisa. “O toque, o contato físico, constitui o propósito mais imediato da “catexe” objetal, tanto agressiva como afetuosa (Inibição, Sintoma e Angústia - Ed. Delta, vol VI, p. 261).
À continuação, Freud escreve: “Em sua tentativa de prevenir a ocorrência das associações, de obstaculizar a formação de conexões do pensamento, o ego está condescendendo com um dos mandamentos mais antigos e fundamentais da neurose compulsiva - o tabu do toque. Na questão do porquê da abstenção do toque, - do por qual motivo o contato ou contágio desempenha um papel tão extenso na neurose e é tornado o conteúdo de um sistema tão complicado - a resposta é que o toque, o contáto físico, constitui o propósito mais imediato da ‘catexe‘ objetal, tanto agressiva como afetuosa. Eros deseja o contato, porque luta pela união, pelo aniquilamento das fronteiras espaciais entre o ego e o objeto amado. Mas também a destruição que, antes do invento da grande série de armas, poderia se efetivar somente pela proximidade, pressupondo necessariamente o contato físico, o uso das mãos. Tocar uma mulher se tornou, em linguagem vulgar, um eufemismo para o seu uso como objeto sexual. Não tocar os genitais é a enunciação usual da proibição de satisfação auto-erótica. Desde que a neurose compulsiva procurou, em primeiro lugar, realizar o contato erótico e, então, o mesmo contato, subseqüente à regressão, disfarçado em agressão, nada era tabu em tão intenso grau como este mesmo contato, nada era tão adequado para se tornar a pedra angular de um sistema de proibições”.
“O toque na civilização atual ainda significa tabu. Tabu é uma palavra polinésia cuja tradução nos traz dificuldades, porque não possuimos mais a idéia com a qual tem conotação”. “Para nós, a palavra tabu se ramifica em duas direções opostas. Em primeiro lugar, significa sagrado, consagrado, porém, por outro, misterioso, perigoso, proibido e sujo. Na língua polinésia, o oposto de tabu é designado pela palavra ‘noa‘ e significa algo acessível. Desta maneira, qualquer coisa semelhante ao conceito de reserva é inerente a tabu; tabu se expressa essencialmente em proibições e restrições. Nossa combinação de ‘terror sagrado‘ poderia freqüentemente expressar a significação de tabu”.
“O tabu é uma proibição muito primitiva, imposta de fora (por uma autoridade), e dirigida contra os mais fortes desejos do homem. O desejo de transgredi-lo continua no inconsciente; as pessoas que obedecem ao tabu têm um sentimento ambivalente em relação ao que é afetado por ele. O poder mágico, atribuído ao tabu, retrocede para a sua habilidade de induzir o homem à tentação; comporta-se como um contágio, porque o exemplo é contagioso e porque o desejo proibido se desloca no insconsciente para algo mais. A expiação para a violação de um tabu, através da renúncia, prova que a renúncia está na base da observância do tabu”.
De todo o exposto sobre as observações de Freud, percebe-se que, quando não há mais o toque entre os casais, já não há mais o “começo de cada ato de posse”. O esposo ou a esposa sente-se indiferente à posse do outro. Passa a haver o desprezo, o aviltar-se, envilecer-se, rebaixar-se. Com eles o desdém, o não fazer caso, não dar importância, menoscabar. O desdém, desprezo com orgulho, torna-se perigoso e pode criar a renúncia com altivez, o não se dignar. A partir dali o casamento acabou. Nesse caso, dá-se o perigo verdadeiro (angústia verdadeira) , desenvolvido em duas reações: uma afetiva - o desencadeamento da angústia - e a ação, procurando a proteção contra o perigo. A situação de perigo é a situação de desamparo reconhecida, lembrada e antecipada.
O amor tem necessidade de ser expresso fisicamente. Todos gostamos de ser tocados porque tememos que isto seja mal interpretado. Se não buscarmos o toque, permaneceremos sentados na solidão e fisicamente isolados.
No mundo conturbado de hoje a ausência do toque mais se pronuncia, pois estamos mais separados fisicamente que nunca. Na Europa e Ásia, mulheres e homens parecidos beijam-se, abraçam-se e caminham de mãos e braços dados (Tailândia). Ultimamente, jogadores de futebol na Europa e no Brasil estão beijando o rosto do parceiro do jogo, quando este consegue um gol ou se afasta da partida. Tocar-se é natural entre mulheres (elas se beijam e andam de braços ou mãos dadas, principalmente no Brasil), mas rigidamente proibido, desde a infância, entre os homens. Ainda que este tocar se constitua em uma forma de comunicação muitas vezes maior do que as palavras e a expressão.
Colocar seu braço no ombro de outro homem é uma forma de dizer “eu o vejo”, “sinto como você”, “somos amigos” ou “preocupo-me com você”.
Ninguém hesita, entretanto, em tocar um bebê, ou afagar e acariciar um cachorro estranho. São manifestações estranhas e não vencidas pelo elemento humano em pleno terceiro milênio...
(Albertino Aor da Cunha, in “Mentira Nua e Crua”)


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