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Keith O'Brien pede "perdão" por comportamento que "ficou, por vezes, aquém dos padrões que se esperariam de um padre, de um arcebispo e de um cardeal".
O cardeal escocês Keith O'Brien, que se demitiu na segunda-feira do cargo de arcebispo, devido a acusações de conduta indecente, reconheceu hoje ter tido um "comportamento sexual" inapropriado, e pediu "perdão às pessoas que ofendeu".
"As últimas duas acusações que foram feitas contra mim tornaram-se públicas. No início, contestei-as devido ao seu caráter anónimo e impreciso. Agora, quero aproveitar a oportunidade para reconhecer que o meu comportamento sexual ficou, por vezes, aquém dos padrões que se esperariam de um padre, de um arcebispo e de um cardeal", declarou o alto dignitário, em comunicado.
"Àqueles que ofendi, apresento as minhas desculpas e peço perdão. À Igreja Católica e ao povo da Escócia, também peço desculpa", acrescentou o mais velho clérigo britânico da Igreja Católica, com 74 anos.
Estas declarações surgem após a publicação, a 24 de fevereiro, no jornal britânico The Observer, de um artigo em que três padres e um ex-padre acusavam o cardeal O'Brien de ter tido "comportamentos indecentes" para com eles, a partir dos anos 1980.
Um padre queixou-se de ter sido vítima de atenções indesejadas por parte do cardeal, após um serão "bem regado".
Um outro afirmou que O'Brien aproveitava as orações noturnas para ter atitudes impróprias.
O cardeal negou, então, tais acusações, mas um dia após a sua divulgação, anunciou, todavia, a demissão do cargo de arcebispo de Saint Andrews e Edimburg, na Escócia, e decidiu renunciar à participação no conclave destinado a eleger o sucessor do papa Bento XVI.

Lobby gay no Vaticano pode ter levado Papa a abdicar 

No momento de sua iminente despedida, voltam à tona os escândalos que marcaram o pontificado de Bento XVI. De acordo com o diário italiano de centro-esquerda La Repubblica, no dia 17 de dezembro de 2012, quando deitou os olhos sobre o dossiê elaborado por três cardeais octogenários incumbidos de investigar o chamado caso Vatileaks – o escrutínio de documentos papais –, Bento XVI tomou a decisão de que renunciaria. 

Em miúdos, o relatório de 300 páginas se baseia no não cumprimento de dois mandamentos, o sexto e o sétimo. O sexto mandamento proíbe o adultério, mas, como esse ato não é realizável no mundo dos prelados, fala-se em proibição da pederastia. 

Por sua vez, o sétimo mandamento refere-se a casos de corrupção, também identificados pelos cardeais liderados pelo espanhol Julián Herranz. Os outros dois cardeais, responsáveis pela investigação realizada entre abril e dezembro do ano passado, são o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Jozef Tomko. 

Segundo o inquérito, baseado em entrevistas com dezenas de bispos, cardeais e laicos, uma série de sacerdotes da Santa Sé teriam pecado, e, até prova em contrário, esses graves pecados poderão se transformar em delitos. 

O quadro piora quando o La Repubblica revela o seguinte: oficiais do Vaticano teriam, por conta de suas atividades mundanas, sofrido “influências externas” de laicos. 

Tradução: os oficiais do Vaticano estão sendo chantageados.

O escândalo, contudo, não pode ser visto como um complô de um diário de centro-esquerda, visto que o Corriere della Sera, prestigiado diário de centro-direita, também reportou sobre a gravidade do dossiê em 11 de fevereiro, data em que Bento XVI anunciou sua renúncia.
Difícil mesmo é saber se esse último escândalo foi, de fato, a gota d’água para o atual Papa.
Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, revelou que não haverá “nem desmentidos, nem comentários” sobre as “informações e opiniões” feitas pela imprensa às vésperas da resignação de Bento XVI.
O La Repubblica, é verdade, pode deixar o leitor por vezes perplexo. Por exemplo, diz que esta foi a primeira vez que a palavra “homossexualidade” foi pronunciada nos aposentos de Bento XVI.
O diário revela que os cardeais identificaram villas, saunas, e residências usados por um arcebispo italiano com seus amantes.
No entanto, casos gays não são novidades no Vaticano – e é difícil acreditar que a palavra “homossexualidade” nunca tenha sido citada pelo atual Papa. Angelo Balducci, um dos Cavalheiros de Sua Santidade, não foi afastado do cargo em 2010 porque tinha várias relações com homens, inclusive com o nigeriano Chinedu Thomas Ethiem, cantor de capela da basílica de São Pedro?
Bento XVI, diga-se, não permite gays ativos a estudar para o sacerdócio. Seria, portanto, interessante saber os termos utilizados pelo Papa ao tratar o caso Balducci.
A corrupção no relatório dos cardeais também parece endêmica, inclusive no Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Ettore Gotti Tedeschi, ex-presidente do IOR, foi despedido em maio de 2011. Seu crime: tentava, há mais de dois anos, limpar as finanças da Igreja. Tedeschi, que após sua demissão temia ser assassinado, escreveu um documento oficial para que sua luta fosse  continuada pelo seu sucessor. O cargo deixado por Tedeschi só foi preenchido nove meses mais tarde…
E, é claro, são numerosos os casos de pedofilia não resolvidos – e vítimas, por tabela, não conseguem processar padres culpados.
Devido “à idade avançada”, Bento XVI renunciará dia 28 de fevereiro. Até a Páscoa um novo Papa deverá ser escolhido. Ele terá de lidar com o dossiê de 300 páginas sobre os podres da Igreja que talvez tenham levado Bento XVI a abdicar.

( http://www.cartacapital.com.br/internacional/lobby-gay-no-vaticano-pode-ter-levado-papa-a-abdicar/ )

Eugene Drewermann (ex-padre) reconhece, fruto da sua experiência de psicoterapeuta, que a percentagem de homossexuais dentro da Igreja católica é grande, como consequência principal da sua moral repressiva e da atitude quanto ao celibato, quer entre religiosos de sexo masculino como do sexo feminino, chegando aos 25% os jovens seminaristas que, de forma permanente ou esporádica, se dedicam a práticas homossexuais. Homossexualidade que era considerada pela Igreja como uma das formas mais graves de pecado (os acusados pelo "crime nefando" eram sentenciados à fogueira pela Santa Inquisição). Se fosse agora, muito havia que queimar!
Também entre os Bispos e Cardeais ainda há muita gente que não se esqueceu do velho "viciozito".

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publicado às 23:10


Bento XVI renunciou, viva o papa!

por Thynus, em 28.02.13

Assim se proclamava, nas monarquias, quando um rei morria ou era deposto e o sucessor vinha saudado. Mais importante do que o panegírico do que partia, era hora de olhar para a frente, com esperança ou receios.
Eu estava numa reunião no palácio São Joaquim, aqui no Rio, em 2005, durante o último conclave, almoçando com os bispos auxiliares, quando foi anunciada a fumaça branca. Saímos da mesa e corremos à televisão. Foi quando eu disse: “Não sei quem será, mas vai chamar-se Bento XVI”. Quando Ratzinger saiu no balcão, alguns me olharam como se eu tivesse feito uma adivinhação. Na verdade, foi uma aposta por eliminação. O novo papa certamente não retomaria a série dos Pios, não seria um seguimento de João ou de Paulo, nem do composto João Paulo. Restava, no século XX, um papa, Bento XV, que ficara poucos anos, de 1914 a 1922, mas que interrompera a caça antimodernista de Pio X. Não saiu papa um reacionário como o secretário de estado espanhol Merry Del Val (o Sodano ou o Bertone daquele momento). Era um bispo de uma diocese importante, Bolonha, que fora pouco antes denunciado de modernista, em carta, a seu antecessor.O novo papa abriu a missiva, lacrada por ocasião da morte de Pio X e convocou o assustado acusador.
Uma lógica destas apontaria, indo um pouco mais atrás, na eleição de 1878, para um possível futuro Leão XIV. O papa anterior do mesmo nome também interrompera a prática de seus dois antecessores reacionários, Gregório XVI e Pio IX. E indicou que esperassem o próximo consistório, para verem seu novo estilo. E foi então quando nomeou cardeal o grande teólogo John H. Newman, convertido da Igreja Anglicana, crítico do Vaticano I e mal visto pelo outro cardeal inglês, Henry Manning. Aliás, o papa Bento XVI tinha Newman em grande admiração e o beatificou em 2010 (alguns historiadores, para incômodo de muitos, falaram de um companheiro de toda a vida, enterrado junto com ele, numa possível porém incerta relação homosexual, o que não diminuiria em nada seu enorme valor). Mas atenção, voltando ao presente, as lógicas não se repetem e o futuro é sempre inesperado.
Com o atual precedente, um papa pode (e até deve, em certos casos) deixar o poder ainda em vida, num movimento que passa dos poderes absolutos e pro vita, para uma visão com possíveis prazos para o exercício de um poder que aparecia nos últimos séculos como irrenunciável .
O importante agora é descobrir o que estará diante do futuro papa. Tudo parece indicar que João Paulo I morreu ao tomar consciência da dimensão dos problemas que o esperavam. Carlo Martini (que tantos sonhamos como um possível “Papa bianco”), em 1999 lembrou temas estratégicos a serem enfrentados por possíveis futuros concílios: a posição da mulher na sociedade e na Igreja, a participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, a sexualidade, a disciplina do matrimônio, a prática do sacramento da penitência, a relação com as Igrejas irmãs da ortodoxia e, em um nível mais amplo, a necessidade de reavivar a esperança ecumênica. Poderíamos agora dizer que são temas colocados hoje diante do papa que vem aí.
Cada vez é mais importante desbloquear posições congeladas. Uma, urgente, seria superar o impasse criado por Paulo VI em 1968, no seu documento Humanae Vitae, sobre a contracepção. Tratar-se-ia de aceitar, ao nível do magistério, o que já é uma prática normal de um número enorme de fiéis: o uso dos contraceptivos.
Mas nos textos de teólogos espanhóis, sacerdotes alemães e austríacos, declarações de bispos australianos, estão outros pontos da agenda. Haveria que começar por superar a dualidade e uma hierarquia rígidas entre ministérios ordenados (dos padres) e não ordenados, abrindo para uma pluralidade de ministérios (serviços), como na Igreja dos primeiros séculos. E aí se coloca o tema da ordenação das mulheres. No dia da ressurreição, as mulheres foram as primeiras a serem enviadas (ordenadas) a anunciar a Boa Nova (Mateus, 28,7; Marcos, 16,7:”Ide dizer aos discípulos e também a Pedro…”; Lucas, 24,9; João, 20,17).
Teria também que desaparecer o que é apenas próprio da Igreja latina desde o milênio passado: o celibato obrigatório. O celibato é próprio da vida religiosa em comunidade e não necessariamente dos presbíteros (sacerdotes). Os escândalos recentes de uma sexualidade reprimida e doentia estão exigindo uma severa revisão. Isso levaria a ordenar homens e mulheres casados.
Há que levar a sério a ideia da colegialidade do Vaticano II, sendo o bispo de Roma o primeiro entre todos no episcopado. Numa visão ecumênica, o segundo seria o Patriarca de Constantinopla, que vive no Fanar, um bairro grego pobre de Istambul, onde estive no ano passado. Os encontros fraternos e a oração em comum de João XXIII e de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, foram abrindo caminho nessa direção.
Claro, são antes de tudo anseios, mais do que possibilidades certas. Mas a história é inexorável e, pouco a pouco, posições que pareciam petrificadas podem ir sendo revistas ou, pelo menos, vão crescendo pressões nesse sentido. A Igreja, arejada por tempos novos na sociedade, seculares e republicanos, não poderá ficar à margem de um processo histórico contagiante. Talvez temas congelados terão que esperar futuros pontificados ou outros concílios, mas estarão cada vez mais presentes e incômodos, num horizonte que desafia os imobilismos.

(Luiz Alberto Gómez de Souza)

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publicado às 17:08


A Inquisição e as mulheres

por Thynus, em 12.12.12

Os inquisidores, em toda parte, Brasil ou Europa, usavam um manual denominado Malíeus Maleficarum que fornecia ao interrogador todos os elementos para descobrir os sinais de bruxaria numa mulher, por mais dissimulados ou ínfimos que fossem. A idéia central do manual era a de que o mal está em toda parte, mas que é de dois tipos: natural (pestes, secas, inundações) e maléfico (decisão voluntária de destruir ou sabotar a ordem do mundo, decisão vinda do rival de Deus, o Diabo, o Maléfico ou Maligno).
As mulheres, sem exceção, são colocadas como mal maléfico porque, por natureza, são crédulas, faladoras, coléricas, vingativas, de vontade e memória fracas e insaciáveis, prestando-se a todas torpezas sexuais. Consideradas como desordem (isto é, como Natureza ainda não submetida à regra, à ordem e, portanto, à Cultura), todas as mulheres, sejam elas esposas, parteiras, bruxas, prostitutas ou freiras, são sempre descritas exclusivamente em termos sexuais (a bruxa dorme com o diabo e a freira, com Deus; a puta dorme com todos, a freira, só com Jesus — uma canção de Chico Buarque nos revela como essas imagens exclusivamente sexuadas das mulheres ainda permanecem no imaginário e no cotidiano brasileiro, de tal modo que o encontro matinal da puta, voltando do trabalho, com a freira, indo à missa, é uma espécie da síntese da imagem feminina brasileira para o olhar masculino).
A finalidade da confissão das acusadas, perante o Inquisidor, era a de ser transformada em peça fundamental da própria acusação, sobretudo como auto-acusação e como delação de todas as pessoas próximas envolvidas (muitas vezes, como se sabe, um processo inquisitorial era feito menos para condenar um acusado e mais para que ele, através da delação, apontasse alguém que, de fato, era a pessoa visada pela inquisição). Aceitando confessar-se, a acusada realizava a finalidade principal da Inquisição como instituição: reconhecia o tribunal e, portanto, reforçava o sistema.
Através das confissões, a historiadora nos mostra o quadro da repressão sexual dessas mulheres: a acusação de bigamia decorre da luta entre homens rivais e revela a estrutura do casamento como relação de força; a de sodomia, é meio para eliminar uma mulher indesejável e justificar a separação lícita sem que os espancamentos anteriores recebam punição e sem que o dote da esposa precise ser devolvido, perdendo ela também a dotação do marido (nessa acusação, a prova é obtida pela resposta afirmativa à pergunta: ”houve deleitação?”, isto é, prazer). Mas, de todas as acusações, é a confissão da feiticeira que melhor ilumina a situação sexual dessas mulheres. A acusação de feitiçaria é sempre sexual, pois a feiticeira é aquela que dorme com o diabo. Mas as confissões mostram as dificuldades matrimoniais das mulheres que procuravam solucioná-las pela magia, com poções e filtros, naesperança que os maridos lhes ”dessem a boa vida” e lhes tivessem ”amor e amizade”. A procura da feitiçaria revela a incapacidade da Igreja para ajudá-las.
Todavia, a preocupação da Igreja com as feiticeiras e a sodomia (homossexualidade feminina) se deve ao temor de que criassem um ”mundo feminino”, próprio, desvinculado do controle eclesiástico (mundo feito de solidariedade e sobretudo de profissionalização das mulheres). Reencontramos aqui algo semelhante ao que vimos quando a Igreja decidiu ensinar a ler às mulheres. O mesmo medo de perder o controle sobre elas.


(Marilena Chaui – “Repressão Sexual”)

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publicado às 08:01


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por Thynus, em 05.12.12

"Na Grécia antiga, o homossexualismo masculino era não só permitido como altamente respeitado. O cristianismo veio condenar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo com que o homossexualismo fosse banido.
Na era vitoriana, até a existência da homossexualidade era negada. Se descoberta, era considerada obra do diabo e punida com severidade. Mesmo às portas do século XXI, as gerações ma
is antigas ainda acreditam que o homossexualismo seja um fenómeno "antinatural". Ele, na verdade, sempre esteve presente desde que o feto do sexo masculino deixou de receber a dose necessária de hormônio, A palavra "lesbianismo" vem da ilha grega de Lesbos e surgiu em 612 a. C. A homossexualidade feminina não é vista com tanto preconceito quanto a masculina, provavelmente porque está mais associada à intimidade do que ao que se considera "perversão." 

(Allam e Barbara Pease in "Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?)

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publicado às 12:51


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por Thynus, em 27.11.12
A eleição sexual não exclui nenhuma parte do corpo. Há pessoas, por exemplo, para as quais a forma da orelha tem grande importância. Há aqueles que só atingem o orgasmo brincando com as partes cartilaginosas da orelha da sua companheira.
O fenômeno que Freud descobriu e a que chamou “transposição de baixo para cima”, atribui à orelha a importância de um órgão sexual. Para o chinês, coçar orelhas o
u bochechas, não é embaraço, mas felicidade.
A boca tem maior importância na eleição sexual. Lábios espessos, carnudos, passam por ser indicadores de forte sexualidade. Homens e mulheres de lábios estreitos podem ser excessivamente sensuais e, pelo contrário, certas mulheres de lábios grandes e grossos, ficam frias e não encontram nenhum prazer no beijo. A boca pequena e a boca grande desempenham um papel importante na seleção sexu al. A língua, a maneira de agitá-la, de esticá-la, de movimentá-la entre os lábios, pode ser também muito atraente e excitante. Os chineses quando botam a língua para fora, estão indicando surpresa. Muitas pessoas concentram toda a sexualidade na boca. Os dentes também possuem, de acordo com a enorme variabilidade que apresentam, um papel muito importante na sexualidade. Assim chega-se a entender porque tantas pessoas riem por qualquer motivo, a não ser o prazer de mostrar os dentes.
A sonoridade de uma voz, o timbre, a potência, a profundidade e a pureza, possuem igualmente grande, decisiva e rápida atuação no desencadear do amor repentino.
Alexandre Dumas Filho, romancista e dramaturgo francês (nasceu em 1824 e morreu em 1895) cita uma observação pessoal no seu romance La Maison du Vent. Uma jovem atriz visitava ao escritor e ouviu a voz de um de seus amigos que conversava em uma sala vizinha.-- Que voz magnífica, disse ela, interrompendo uma frase após tê-la escutado em silêncio. Dumas teve de apresentá-la ao amigo a seu pedido, e imediatamente ela passou a amá-lo, ou melhor, já o amava desde o momento em que ouvira a sua voz. O amigo foi sensível a esse encantamento, apresentou-a e um grande amor nasceu entre eles e durou por muito tempo.
Em outro caso, agora recente, o de um amor à distância, nascido via bate papo da inernet, terminou no momento em que a moça ouviu pela primeira vez, a voz do homem que a impressionara na escrita eletrônica.
Antipatias sexuais nascem facilmente graças à voz. Há mulheres que se queixam que a voz dos maridos faz mal aos seus ouvidos, ou de que têm um marido que fala alto e em timbre desagradável. O grande número de mulheres que se impressionam por cantores mostra a importância da voz. São numerosas as garotas ou rapazes atingidos subitamente pelo amor de um cantor ou de uma cantora famosa.
Os cegos, pela ausência da possibilidade de ver expressões de comunicações visuais, desenvolvem uma sensibilidade particular para reconhecer as mensagens vocais e traduzir o significado emocional de uma voz.
Mantegazza no seu livro Fisiologia do Amor, entendeu que “... A sedução da voz possui alguns dos caracteres atribuídos à antiga magia: Ela nos surpreende e nos fascina, sem que possamos encontrar a razão de um distúrbio tão grande causado por alguns acentos, algumas palavras.
Sentimo -nos quase humilhados por sermos vencidos sem combate e subjugados sem o nosso consentimento. Mais de uma vez temos resistido às seduções da vista, às violências do tato, mas a voz nos subjuga e nos joga, com pés e mãos atados, nos braços de uma potência misteriosa que exige de nós cega obediência e contra a qual é inútil qualquer rebelião.
Esta influência da voz permanece eternamente, nunca é esquecida e sobrevive, muitas vezes, ao próprio amor. Após longos anos de silêncio, de indiferença, de desprezo, o vento nos traz uma voz, um som, como no primeiro dia de nosso amor, somos perturbados, surpreendidos, reconquistados. O ouvido joga a isca nas águas mais profundas das nossas afeições e mais um amor renasce por milagre das suas cinzas, graças a uma voz querida que pensávamos ter esquecido há muito tempo”.
Quanto mais o companheiro sexual ocupa uma situação elevada, mais a submissão é fácil, e mais a luta sexual é feroz entre eles. Porque nos submetemos apenas para que o outro companheiro se submeta também por sua vez? - Casamentos com grandes figuras da arte acabam mal porque o orgulho pessoal não os faz submissos nem concordantes. Há garotas que ao ouvir determinada música cantada por um determinado cantor chegam ao orgasmo por mais trivial que seja a música. Não importa qual o tipo de música, pode ser até um bate-estaca da pesada que pode acionar o erotismo. As mulheres acreditam que quem é grande artista musical deve ser, também, grande artista no amor e esperam deles grandes êxtases sexuais, quando, muitas vezes ficam decepcionadas com a realidade que encontram. Grande quantidade de grandes artistas são amorosos mediocres. Amam muito a si mesmos. Além disso uma forte bissexualidade que existe sempre, impede-os de aplicar, no amor, todas as suas faculdades eróticas. São muitas vezes impotentes e muitas vezes frios, preferindo, as mulheres, satisfações lesbianas. A maioria dos homens e das mulheres que se entregam a artistas queimam-se como borboletas na luz. Além do mais, quasi todos os artistas são um pouco infantis.
A estatura pode também ter influência decisiva na eleição amorosa. O amor repentino nasce muitas vezes da impressão deixada por uma bela altura, pela marcha, por um certo gesto que desperta determinadas lembranças infantis.
Certas características da altura, pernas esbeltas ou pernas curtas, ou belos braços, desempenham sempre um nítido papel na eleição amorosa.
A mão também decide movimentos de simpatia ou de antipatia. Gabriel D’Annunzio dedicou à sua Gioconda as belas mãos da Duse.
Há homens que olham, de início, a mão das mulheres e muitas vezes são estas que afirmam que amam a tal ou qual homem porque este tem belas mãos. São hipnotizadas por elas e sentem um grande amor pelo dono das mãos. Muitos pianistas, por exemplo, ou desenhistas, cuidam das mãos de maneira extraordinária e chegam a inventar um método próprio para lavá-las ou então utilizar os serviços de uma manicure. Acabam casando com a manicure! -- A grande importância da manicure vem da super-estima erótica das mãos. Há a máscara da homossexualidade em tais predileções (preferência pelas zonas erogenas bissexuais).

(Albertino Aor da Cunha - "A Mentira Nua e Crua")

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publicado às 15:30

 

"Na Grécia antiga, o homossexualismo masculino era não só permitido como altamente respeitado. O cristianismo veio condenar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo com que o homossexualismo fosse banido. Na era vitoriana, até a existência da homossexualidade era negada. Se descoberta, era considerada obra do diabo e punida com severidade. Mesmo às portas do século XXI, as gerações mais antigas ainda acreditam que o homossexualismo seja um fenómeno "antinatural"." (Allam e Barbara Pease) O mesmo defendem confissões religiosas. Em dezembro do ano passado, o cardeal mexicano Javier Lozano Barragan disse que os homossexuais “nunca entrarão no reino dos céus” e que “não se nasce homossexual, mas torna-se um”.  Mais recentemente Silas Malafaia (pastor evangélico) declarou: “a homossexualidade é uma rebelião consciente contra o que Deus estabeleceu na Criação. A Bíblia diz que Deus criou o ser humano como macho e fêmea, e em seguida instituiu o casamento heterossexual e a família... A homossexualidade é, antes de tudo, uma questão de comportamento, de preferência. É uma conduta aprendida ou induzida. Psicólogos e psiquiatras são unânimes em afirmar que o fator mais importante para uma criança decidir sua preferência sexual é a maneira como ela é criada.” Em 2010 o mesmo pastor Malafaia, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, optou por veicular através de 600 outdoors, no Rio de Janeiro, a seguinte mensagem homofóbica: “Em favor da família e preservação da espécie. Deus fez macho e fêmea”.
Actualmente todos os médicos e psicólogos estão de acordo em considerar a homossexualidade “natural”. Não é portanto um distúrbio psicológico, mas uma variante normal do comportamento sexual humano.
As teses mais modernas e atendíveis retêm a homossexualidade inata, portanto independente de factores ambientais e educativos. As explicações que a atribuem a “traumas infantis” ou à “ausência de um dos genitores” são consideradas ridículas e carentes de qualquer fundamento.
"Infelizmente, estatísticas demonstram que, entre os adolescentes suicidas, 30 por cento são gays e lésbicas. Um em cada três transexuais comete suicídio. Um estudo da educação desses jovens concluiu que foram criados em famílias ou comunidades altamente preconceituosas, que pregavam o ódio e a rejeição aos  homossexuais, ou em religiões que tentavam "salvá-los" com orações ou terapia" (Allam e Barbara Pease)
O pesquisador Jacques Balthazart, da Universidade de Liège (Bélgica), retomou a polêmica tese sobre o “gene gay”. O seu estudo, intitulado “Biologia da homossexualidade: gay nasce, não escolhe ser”, sugere que alterações hormonais durante a vida embrionária podem determinar mudanças no comportamento sexual do indivíduo.
Balthazart disse que o efeito da sua pesquisa ajudará a encarar o homossexualismo como natural: “Se a homossexualidade não é um defeito, uma perversão ou uma escolha, não há motivo para perseguir os homossexuais”, afirmou o pesquisador, cuja tese contraria a posição religiosa sobre o tema.
Muitos homossexuais hoje escolhem de viver abertamente a sua homossexualidade, não fazendo dela um mistério e sentindo-se orgulhosos de si. No entanto a homossexualidade é ainda objecto de fortes preconceitos na nossa sociedade. O homossexual normalmente tem medo de expor-se por temor de ser objecto de chacota, insultos, de ser rejeitado e marginalizado. Compete a todos nós, gays, lésbicas, e, sobretudo, heterossexuais difundir uma cultura de respeito mútuo e defender a visibilidade.
"Tal como os heterossexuais, gays e lésbicas não escolhem a sua orientação sexual. Cientistas e a maioria dos especialistas em sexualidade humana concordam: o homossexualismo é definitivo. Pesquisadores acreditam que a orientação sexual é quase completamente determinada ainda na vida intra-uterina, confirmada por volta dos cinco anos de idade e é incontrolável. Durante séculos foram empregadas as mais variadas técnicas para tentar livrar as "vítimas" de tendências homossexuais, desde a extirpação das mamas até à psicoterapia e ao exorcismo. Nenhuma deu certo. O máximo que se conseguiu foi fazer com que alguns bissexuais só mantivessem relações com o sexo oposto, forçar alguns homossexuais à solidão e levar muitos deles ao suicídio.
Pesquisas confirmam o que os cientistas sabem mas não ousam discutir: com uma simples injeção de hormônio no momento certo é possível controlar o sexo do cérebro e determinar a sexualidade do feto. Mas isso levantaria uma série de questões morais, éticas e humanas - com toda a razão" (Allam e Barbara Pease).
Homofobia significa medo do homossexual. Mas o termo homofobia não é um termo satisfatório, enquanto focaliza a atenção sobretudo sobre as causas individuais, "irracionais", transcurando as componentes culturais e as raízes sociais da intolerância e portanto mais assimiláveis ao racismo, à xenofobia, à misoginia, etc.
Como o racista, o homófobo normalmente está ligado a um sistema codificado de crenças que retém de dever defender da ameaça de sujeitos que considera perigosos. A nível sociocultural, a homofobia pode ser definida como "um sistema de crenças e estereótipos que torna justificável e plausível a discriminação com base na orientação sexual; o uso de uma linguagem ou slogan ofensivo nos confrontos das pessoas gays; qualquer sistema de crenças que desvaloriza os estilos de vida homossexuais em confronto com os heterossexuais".
"Se durante o início da gestação de um feto do sexo masculino ocorrer uma baixa de testosterona, as chances de nascer um menino gay aumentam incrivelmente, já que os hormónios femininos é que vão configurar o cérebro.
Estudos feitos na Alemanha nos anos 70 demonstram que mães que passam por situações de stress durante o início da gravidez têm possibilidades seis vezes maiores de gerar um filho gay. Principalmente o stress causado por problemas emocionais e certas doenças faz cair o nível de testosterona, assim como alguns medicamentos que baixam esse nível. Da mesma forma o álcool e a nicotina têm efeitos nocivos, enquanto que uma dieta adequada e uma vida tranqüila só podem trazer benefícios. Todas essas afirmações são feitas com base em pesquisas efetuadas em vários centros de ciência no mundo" (Allam e Barbara Pease).
HYPERLINKS:
* Será o Sexo mais poderoso que a Igreja?
* Celibato e pedofilia: o rei vai nu!
* Enquanto continuar o celibato como lei, a Igreja estará sob o fogo da suspeita. 
* A sexualidade é uma espécie de patologia do cristianismo e da Igreja
* Entre a batina e a aliança
* Sexo e Contradições na Igreja Católica
* Sexo e confessionário
* Celibato obrigatório, o veneno que asfixiou a Igreja romana
* A Hipocrisia do Celibato Católico Romano
* O Calvário Vergonhoso da Igreja Romana
* Pedofilia e Igreja romana: O problema é do celibato imposto?
* O inconsciente da Igreja
* O Calvário Vergonhoso da Igreja Romana
* DESMI(S)TIFICAÇÃO DA SAÍDA DE CENA DE RATZINGER - Cardeal escocês admite "comportamento sexual" inapropriado
*Papa Francisco defende união civil gay, diz New York Times

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publicado às 13:37

O mundo parece ter mudado logo que ficamos sem João Paulo II. Com Wojtyla parecia que tudo estava calmo e que nada acontecia. As coisas estavam no seu lugar e o sexo era reprimido. Os pedófilos, se os havia, estavam contidos, escondidos, ao abrigo do silêncio. Ratzinger fazia um excelente trabalho no Tribunal da Fé e podia silenciar qualquer voz, por mais ofendida que estivesse. Mas acabou a era do star system e a maioria, que se mostrava (e ainda se mostra) muito respeitosa, observa agora como os eventos são precipitadas pelo grande medo da essência sexual do ser humano. Não há dúvida. O sexo existe atinge em pleno tanto os homens comuns como os homens santos. A natureza triunfa e as ereções apresentam-se agora sem véus, em uns e em outros.
São a ciência moderna e homens como Charles Darwin e Sigmund Freud quem imporão à Igreja a necessidade de ter em conta, e sempre contra a sua vontade, uma realidade que, graças aos esforços da razão e da experiência, vão forçando mudanças no modelo perfeito que construiu o dogma expresso magistralmente no novo “Catecismo da Igreja Católica”, editado pessoalmente pelo cardeal Ratzinger por ordem de João Paulo II. A "Lei de Santidade" foi comprometida. A relação sexual, que não tem por fim único a procriação dentro do casamento, também faz parte da vida dos consagrados e está forçando a cúria romana a enfrentar os vínculos entre a castidade, a pureza, e a tendência para abusar de crianças.
"A sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre homem e mulher", diz o “Catecismo ...” e não é um ato puramente biológico, “mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal." Mas nestes tempos conturbados, o desejo transbordou e já não consegue ser mantido em segredo pelo Tribunal da Fé. Em 2003, Tarcisio Bertone, vice-prefeito do ex-Santo Ofício, a respeito da pedofilia, disse numa entrevista ao Observer: "Na minha opinião o pedido de que o bispo esteja obrigado a entrar em contato com a polícia para denunciar um padre que tenha admitido atos de pedofilia é improcedente." Mas em muitos lugares, o escândalo já é impossível de conter, tornando-se um enorme problema jurídico e económico, como nos Estados Unidos, México, Irlanda, onde os pedidos de compensação estão diminuindo as finanças florescentes do Vaticano.
Os ultrajados pedem que se resolva a sua dor e humilhação com grandes somas de dinheiro que lhes permitirão pagar os custos do seu tratamento para superar, de alguma forma, os danos causados pelo abuso. E é que um grande número de homens escondidos no abrigo da santidade, obrigado pelos seus votos a não conhecer mulher, a não procriar, colocaram a sua atenção e os seus desejos em crianças vulneráveis, que não podiam distinguir claramente se o ato que estavam a ser submetidas era lícito, porque quem as submetia era também quem lhes ditava a diferença entre o bem e o mal, entre o correto e o caminho do inferno.
O sexo é, e sem dúvida, a maior força que motiva os seres humanos. E não poderá ser contido com palavras, com as orações que os padres pedófilos ensinaram às crianças para que não revelassem o que aconteceu nas suas escolas, nos colégios e em todos os lugares que deveriam estar seguros e não estiveram. A educação sexual, tal como atualmente ensinada nas escolas seculares, é o antídoto contra os abusos. E a Igreja ainda protesta porque acredita que deve ser ensinada apenas pelos pais e só em casa.
O modelo de sexualidade que a Igreja impôs terá que ir mudando nestes novos tempos. A pedofilia é apenas a ponta do iceberg que há-de obrigar um Concílio Vaticano a considerar, como Galileu fez em seu tempo, a importância de conceber de uma maneira diferente questões como a homossexualidade, o aborto, a abstinência, a inseminação artificial, a castidade, o casamento. A ciência tem muito a ensinar, e é na medida em que a hierarquia católica a conheça e aceite que poderá ir resolvendo conflitos que, caso não o faça, os levará a um Armagedão que ainda pode ser evitado.

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publicado às 13:01


Os delírios de Bertone

por Thynus, em 06.12.10

A ignorância Bertone é semelhante apenas à sua má-fé. A Igreja tem escondido, per omnia saecula saeculorum, pedófilos entre as suas fileiras por medo de escândalos e de perder credibilidade e muito dinheiro, enquanto hoje, descobertas as suas porcarias, tem a coragem de dizer que o abuso de menores está ligado à homossexualidade. "Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não existe uma relação entre o celibato e a pedofilia e muitos outros provaram - e disseram-mo recentemente - que a relação é com a homossexualidade. Essa é a verdade, esse é o problema", afirmou o cardeal secretário de Estado do Vaticano.
Cardeais e papas deveriam talvez ler alguns livros a mais e fazer algumas viagens a menos. Não é certamente a visibilidade e a coragem daqueles que vivem abertamente sua homossexualidade a questão, mas a esquizofrenia do clero que, publicamente prega o bem e, na vida particular, faz o contrário. “Bem prega frei Tomás... olhai para o que ele diz e não para o que ele faz”
Agora ficou mais claro porque o Vaticano não quis a descriminalização universal da homossexualidade proposta pela França na ONU: para poder sustentar livremente que a pedofilia deve ser posta em relação com a homossexualidade e evitar, como diz claramente Bertone com as suas declarações, de pôr em discussão a questão do celibato uma pedra angular de sua instituição totalitária que eles chamam de sacerdócio. Não são apenas ignorantes, mas cegos: não vêem a própria realidade. Mas o pior é que, infelizmente, há quem os apoie, e entre estes também alguns psicólogos e psiquiatras (mas não a maioria).

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publicado às 12:16

Durante uma visita oficial ao Chile, o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, recusou a ligação entre os casos de pedofilia dos membros do clero e o celibato, relacionando-os antes com a homossexualidade: "Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não existe uma relação entre o celibato e a pedofilia e muitos outros provaram - e disseram-mo recentemente - que a relação é com a homossexualidade. Essa é a verdade, esse é o problema", afirmou o cardeal.
Por seu lado, associações de homossexuais e deputados chilenos desafiam o número dois do Vaticano a mostrar evidências científicas que associem a homossexualidade à pedofilia: "Adoraria conhecer os estudos científicos que ele diz possuir, pois não compartilho da sua opinião. Tenho em elevada consideração o cardeal Bertone, mas parece-me que, neste ponto, ele está enganado", afirmou o senador democrata cristão Patricio Walker (Chile). "Estudei o assunto e, sendo advogado, não psiquiatra, apresentei projetos de lei contra a pedofilia que hoje são legislação. A pedofilia é um problema mental de natureza sexual que tanto se revela em homossexuais como em heterossexuais", acrescentou.]
E a psiquiatra Tamara Galeguillos, da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, acrescenta: "Desafio o secretário de Estado do Vaticano, a hierarquia da Igreja Católica, a apresentar um relatório científico rigoroso, sério e independente da religião que comprove a referida ligação", sublinhou, manifestando uma posição apoiada nos meios científicos. "Parece-me impossível pensar numa relação direta entre homossexualidade e pedofilia, pelo menos com base na minha experiência", declarou a psiquiatra que, no âmbito do seu trabalho sobre delitos sexuais no Instituto Médico Legal, surgem tanto pedófilos homossexuais como heterossexuais.
“A Comunidade científica da Ordem dos psicólogos do Lazio rejeita firmemente as reivindicações do Secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone, que ligaram a homossexualidade com pedofilia.' A afirmá-lo foi o presidente da Associação de Psicólogos do Lazio, Marialori Zaccaria, para o qual, “as afirmações de uma voz tão autorizada vêm reforçar a existência de uma cultura homofóbica” no seio da Igreja.
"Se podemos compreender o desconforto da Igreja em relação aos numerosos incidentes de abuso que ocorridos dentro da Igreja Católica e denunciados pela imprensa internacional, não podemos aceitar a escolha de uma linha de defesa irresponsável pelos efeitos que pode causar".
No mínimo as declarações do senhor cardeal são irresponsáveis e criminosas. "Não faz sentido cientificamente e é intelectualmente desonesto", aponta Júlio Machado Vaz, psiquiatra e sexólogo e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.
Ao relacionar a pedofilia com a homossexualidade o cardeal pretendeu escamotear a questão do celibato obrigatório, uma pedra no sapato na Igreja romana. Também o Movimento Nós Somos Igreja defende que está na hora da Igreja pôr fim à proibição dos padres casarem. "O celibato deve acabar porque não é essencial para o desempenho das funções de padre", refere Alfreda Ferreira da Fonseca.
A professora de filosofia acrescenta que as denúncias de pedofilia no seio da Igreja Católica podem servir para a instituição "resolver as questões da sexualidade, que devem ser pensadas não com critérios medievais, mas com critérios contemporâneos".
O secretário de Estado do Vaticano pelos vistos perdeu mais uma grande oportunidade de ficar calado ao tentar esconder o sol com uma peneira. Ou será que o senhor cardeal ainda acredita e defende que o Sol gira em volta da Terra? Perdoai-lhe, Senhor, porque ele não sabe o que diz!

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publicado às 12:15

Quanto a sexo, a Igreja Católica tem andado, nos últimos tempos, pelas ruas da amargura. Mas isto não é de agora e até faz parte dos anais da história deste país de brandos costumes. Diz-nos Alexandre Herculano, na sua obra História da Origem e Estabelecimento da inquisição em Portugal: "... Os eclesiásticos, por exemplo, da vasta diocese de Braga eram um tipo acabado de dissolução....Os mosteiros ofereciam os mesmos documentos de profunda corrupção, distinguindo-se entre eles o de Longovares, da Ordem de Santo Agostinho, e os de Seiça e Tarouca, da Ordem de Cister, ou antes nenhum dos mosteiros cistercienses se distinguia, porque em todos eles os abusos eram intoleráveis". Assim se referia Alexandre Herculano ao estado moral dos monges em pleno século XVI, mas quanto aos conventos das freiras a situação não era melhor: "Os conventos de freiras não se achavam em melhor estado, sendo o de Chelas, o de Semide e outros teatro de contínuos escândalos. A história de Lorvão e da sua abadessa, D. Filipa de Eça, é um dos quadros mais característicos daquela época ... Das freiras então actuais uma parte nascera no mosteiro; suas mães não só não se envergonhavam de as criar no claustro e para o claustro, mas aí mantinham também seus filhos do sexo masculino".
Os conventos e mosteiros pouco se distinguiam de vulgares bordéis, onde freiras e abadessas recebiam os seus amantes, na maioria padres, aí tinham os filhos e os criavam, como no célebre convento do Lorvão, nas proximidades de Coimbra, cuja abadessa ficou na História por ter sido encontrada em alegre ménage à quatre com uma outra freira, o bispo de Coimbra e a sua amante (é o mesmo Alexandre Herculano que nos elucida).
Mas é alguém, que vem de dentro da própria Igreja Católica, que pretende dar uma explicação para isto. É o teólogo e médico psiquiatra alemão Eugene Drewermann - atacado e marginalizado por razões óbvias - que, numa perspectiva psicanalítica, vê os "desvios sexuais do homem da igreja" como resultado da repressão sobre a consciência e a sexualidade humanas; nas suas palavras: «o menosprezo do ego, a "mortificação" da pulsão sexual e a submissão do indivíduo ao grupo (isto é, hierarquia da Igreja)» - para a Igreja, a sexualidade humana é ainda considerada como uma "sobrevivência pagã", posição reiterada em 1975 pela Sagrada Congregação da Fé quanto a questões de sexo e de castidade.
O mesmo autor reconhece, fruto da sua experiência de psicoterapeuta, que a percentagem de homossexuais dentro da Igreja católica é grande, como consequência principal da sua moral repressiva e da atitude quanto ao celibato, quer entre religiosos de sexo masculino como do sexo feminino, chegando aos 25% os jovens seminaristas que, de forma permanente ou esporádica, se dedicam a práticas homossexuais. Homossexualidade que era considerada pela Igreja como uma das formas mais graves de pecado, os acusados pelo "crime nefando" eram sentenciados à fogueira pela Santa Inquisição - se fosse agora, muito havia que queimar!
E entre os padres que decidem abandonar o caminho do onanismo (prática muito vulgar entre os eclesiásticos) para se ligar a alguma mulher, confrontam-se as mais das vezes com o problema dos filhos não desejados, sendo, por isso, e segundo aquele teólogo alemão, os abortos coisa frequente. Realidade que entra em frontal contradição com as posições oficiais da Igreja quanto ao aborto, ou melhor dizendo, interrupção voluntária da gravidez, mas, ao que parece, esta proibição é só para os outros.
Contudo, a hipocrisia não fica por aqui. Enquanto que a masturbação - considerada pela Teologia católica como "um acto gravemente oposto à ordem", tal como o álcool, outro refúgio bastante solicitado - funciona como droga para vencer o medo e a insegurança, o "concubinato" é tolerado, desde que o sacerdote em causa não persista ou "não dê escândalo" (cânone 1395 do Direito Canónico), isto é, que não haja conhecimento do "pecado", por outras palavras, que fique pelo segredo do confessionário.
A Igreja Católica (continuamos a citar a obra de Drewermann, Funcionários de Deus) «falsifica a neurose em santidade, a doença em eleição divina e a angústia em confiança em Deus», separando, como realidades opostas, o pensamento da sensibilidade, a actividade intelectual da vivência emocional. Filosofia própria de uma religião que «é inimiga da natureza e oposta ao amor» e que tem como objectivo não a sua libertação, mas a subjugação do homem: a sua destruição como indivíduo livre e senhor do seu destino.
Contrariamente ao que pensam alguns renovadores da Igreja católica, temerosos desta não se saber moldar aos novos tempos e por isso apressar o seu desaparecimento, jamais esta Igreja aceitará as palavras de Jesus (de Kazantzakis) para a sua amante, Maria Madalena: "Eu não sabia, minha bem-amada, que o mundo era tão belo e a carne tão santa... Eu não sabia que a alegria do corpo não era pecado."

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publicado às 19:52


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