Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




POLÍTICAS DO RESSENTIMENTO

por Thynus, em 28.01.15
De todas as formas de negação da falta que nos define, talvez a mais ridícula sejam as políticas do ressentimento. Estas se caracterizam por afirmar que tudo que nos molesta tem causa política e negam nosso direito “político” à plenitude. Para esses picaretas da terapia política, a verdadeira clínica é a política, e não a do consultório. E o objetivo dela é a realização da plenitude social.
São políticas do ressentimento toda forma de política que afirma termos direito à felicidade (e não à sua procura, como diz sabiamente a constituição dos Estados Unidos). Se não sou feliz, se não sou capaz de reduzir minha pobreza e sofrimento, a culpa é seguramente de alguém que não sou eu. Claro que nada é fácil, mas as políticas do ressentimento servem para negar nossa responsabilidade em nossa miséria. Todo mundo sabe que a única forma de alguém experimentar um pouco de dignidade é quando somos responsáveis por nossa sobrevivência. Qualquer pai e mãe de filhos mimados e respondões sabe quando está diante de uma afirmação vazia: basta que paguemos tudo para eles para que não tenham a mínima noção do que é responsabilidade.
Mas países como os europeus ocidentais, talvez a civilização mais fútil que já andou sobre a Terra, negam esse fato, mergulhando num poço de políticas do ressentimento, levando sua população a crer que podem abolir a necessidade de trabalho sem garantias, como um dia abolimos a escravidão.
Se Nietzsche havia, um dia, identificado o ressentimento por trás das religiões, seguramente, hoje, ele o identificaria por trás da política como forma de redenção da vida. Se o sol é indiferente ao nosso sofrimento, deve sê-lo por algum preconceito contra nosso direito “político” a sermos o centro do universo.
Nada cresce onde há ressentimento transformado em direito.

(Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé -  A Era do Ressentimento)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:04


Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Notificações de respostas serão enviadas por e-mail.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds