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POLÍTICAS DA DIFAMAÇÃO

por Thynus, em 20.01.15
"Não há nome que me designe, nem marca, nem sinal. As designações são escolhidas por homens inseguros, que precisam de uma palavra para cristalizar as suas vagas emoções, de uma luz fraca para guiar-lhes os passos incertos.
(...) Roma já não é a Cidade da Fé, uma cidadela do misticismo. É uma organização política, e os seus padres são estadistas e políticos, ansiosos pelas glórias do poderio material e da subjugação de reis e governos, ambiciosos de poder para si mesmos. O Santo Império Romano, através da corrupção, da intriga e da avareza, transformou-se no Negro Império Romano, que procura escravizar todos os homens para ficar cada vez mais rico. Que é feito da fé que antes lhe dava verdade e radiância? Tornou-se uma espada implacável nas suas mãos.
(...) Enquanto a espada da ambição não for quebrada, nenhum homem, em nenhuma parte do mundo, estará a salvo, nenhum governo estará firme, e o sonho dos justos, um sonho de liberdade e esclarecimento, terá que ser sonhado nas celas das prisões e na solidão mais escura.
(...) A Igreja de Deus transformou-se na Igreja de patifes e saltimbancos, de atores e malfeitores, de mentirosos e inimigos, de intriguistas perigosos. A sombra da mitra está ofuscando o sol de Cristo."

(Taylor Caldwell - A LUZ E AS TREVAS)
 
 
A era das redes sociais e da tagarelice total é também a era que consolidou a destruição do debate político tal como os filósofos idealistas do Iluminismo sonharam quando conceberam a democracia republicana. Hoje, o debate político é, antes de tudo, uma política da difamação. Tal fato não se restringe apenas ao óbvio da miséria das redes sociais, mas também ao universo dos agentes culturais (não há gente menos confiável do que a maioria das pessoas que trabalha com os produtos do intelecto e da estética). O mundo da cultura é um mundo no qual a difamação é a principal arma no duelo de ideias. Só uma criança pode confiar nos agentes produtores de cultura. Toda a idealização da cultura caiu por terra. Esperamos que um ceticismo sistemático venha nos salvar da fé cega no conhecimento institucionalizado nas universidades e nos centros culturais. Os inimigos do pensamento dominaram o comércio das ideias. E quando não se pode confiar mais na atividade comercial, seja ela qual for, perde-se o essencial da vida civilizada. O comércio é marca última da condição humana moral. Quando o comércio de ideias se contamina com a má-fé, é como se você não pudesse mais confiar em quem lhe vende um produto porque sabe que ele não vai entregá-lo. Quando se perde a fé no comércio, tudo está perdido – ele é o limite de nossa esperança histórica na civilização.

(Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé -- A Era do Ressentimento)

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publicado às 09:44



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