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Nada neste mundo consome mais rapidamente um homem que a paixão do ressentimento.

Friedrich Nietzsche
 
Nietzsche ironizou o fato de Dante Alighieri ter colocado no portal do “Inferno” de sua “Divina Comédia” a inscrição: “Também a mim criou o eterno amor”. Quando o mais justificável era cogitar em: “Também a mim criou o eterno ódio”.
 
Já alguma vez viu uma flor infeliz ou algum carvalho com #stresse? Conhece algum golfinho deprimido, alguma rã com problemas de auto-estima, algum gato que não relaxe, ou algum pássaro que sinta #ódio e #ressentimento? Os únicos animais que ocasionalmente poderão sentir algo parecido com negatividade ou mostrar sinais de comportamento neurótico são os que vivem em contacto íntimo com os seres humanos e se ligam desse modo à mente humana e à sua insensatez.
(Eckhart Tolle)
 

Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.



Que a religião já causou incontáveis mortes e torturas ninguém discute. De fato, se tem alguém que nunca ligou para o “não matarás” foi a igreja, não é mesmo? Ao longo da história, ela sempre tratou de perseguir os mais sábios, de calar os mais inteligentes.
Nunca interessou às igrejas, gente que contestasse sua doutrina, que fugisse da máxima divina do: “não pense, creia!”. Na esteira dessa filosofia, incontáveis foram trucidados. Afinal, o placebo psicológico precisa ser entregue e as pessoas comuns tem de ser mantidas quietas a qualquer preço.
Nada tem obtido mais sucesso nessa seara do que a religião. Só que a promessa de salvação não é suficiente. Criou-se outra genial invenção: a AMEAÇA da danação eterna… O inferno.
Se é para inventar, que se invente bem não é verdade? Não importa se é injusto, ou desproporcional. Não importa se a punição será infinita para crimes finitos. O que importa é que mantenha os apedeutas calmos e produtivos. Algo que gere tamanho pavor, que faça o povo parar de se preocupar com a vida de que tem e viver para uma vida que se diga que terão. Assim, sobra mais para quem criou e se beneficia da mitologia. Essa é a ideia toda e ela é maquiavélica, mas é genial!
Ocorre que para isso funcionar, é preciso que se insira na mente desses pobres coitados, a patologia de que são constantemente ameaçados. De que são vigiados dia e noite, de maneira tão vil, que até mesmo sonhos pecaminosos podem condená-los. É preciso aprisioná-los de tal forma, que não possam determinar sequer, o que fazem com seus corpos. Mas e quanto à alma? A alma que se dane, ela nunca interessou de fato à igreja. O alvo sempre foi o que as “ovelhas” fazem com seus corpos.
O religioso ao longo do tempo se acostumou com as ameaças e com o medo. Isso passou a fazer parte da vida de todos eles, desde quando entregam seu dízimo em uma vã tentativa de comprar seu ingresso para a vida eterna, até o momento em que colocam suas cabecinhas de vento entupidas de culpas judaicas-cristãs em seu travesseiro.
 
O que move de fato a indústria da religião é o mesmo que lota os “recamiers” dos psicanalistas: a culpa. A maldita culpa. Culpa que de forma tão competente, foi inserida no livro mágico bem no começo, com Adão e Eva. A doutrina cristã conseguiu através dessa mesma mentalidade, instituir o imponderável, a falácia de que o prazer é um pecado e de que o sofrimento é uma virtude. Quão baixo pode-se ir?
E porque está cheio de culpa e medo, o religioso quando confrontado em suas ilusórias crenças medievais, faz aquilo que aprendeu desde criança, para proteger suas superstições: ameaça. Esse é o seu habitat. Essa é a sua praia…ele está em casa. Já se acostumou a viver com medo. Convive com essa sensação desde muito menino, quando sentado em sua carteirinha na escola dominical, ouvia sobre Satanás, que aparecia de forma tão rotineira quanto o salvador palestino. Medo de deus, medo do diabo, medo de sua sexualidade, medo da vida. E ela assusta mesmo, mas é preciso vivê-la. A questão é: como vivê-la? Como encarar a fragilidade humana? Como encarar a mortalidade? Como encarar o fato de que para cá viemos sozinhos e iremos sozinhos? Respondo: do único jeito possível! De frente! Sem paliativos, sem anestesias, sem promessas de outra vida da qual ninguém voltou. Há que se viver essa plenamente, afinal é a que temos. Quando chegar a hora…que venha. Olharei para trás e pelo menos saberei que vivi. Com erros e acertos…mas vivi.
Sendo assim, aos religiosos que nos lêem e, principalmente aos evangélicos em sua homilética doentia, por favor compreendam algo: ameaça é crime! Ameaça é covardia! Ameaça é fraqueza!
Poupem seu tempo e o nosso! O embate deve ser saudável, intelectual, filosófico, analítico. E aí vale tudo. Tudo mesmo! Mandem o que tiverem de melhor. Seus melhores argumentos, seus versículos campeões. Bring it on!!!!
Nunca recusamos a discussão, não desprezamos a retórica, mesmo a mais néscia. Claro que quem fala o que quer, ouve o que não quer, mas faz parte do jogo. Se não sabe brincar, não desça para o “play”. Mas façam o obséquio de não nos ameaçar fisicamente! É cafona, improfícuo…não é “cristão”.
Lembrem que vivemos em uma democracia, em um estado laico onde a igreja é constitucionalmente separada do estado. Lembrem que a inquisição já acabou e não deixou saudades, só covas rasas. Lembrem que foi justamente a individualidade de mulheres corajosas, como a Andrea, que vocês agora ameaçam, que garante suas liberdades, mesmo as de falarem as piores asneiras, seus idiotas! É ela que garante através de sua militância que vocês religiosos não sejam os próximos da fila. Foram mulheres assim que sofreram para que hoje todas as outras pudessem votar. Que morreram queimadas porque exerceram sua sexualidade. Que foram presas para que deixassem de serem tratadas como meros utensílios domésticos, assim como o foram na sua amada Bíblia. E se do outro lado do mundo ainda existem mulheres que não podem dirigir, não podem se vestir como gostariam ou não podem mostrar seus rostos, agradeçam a religião. Portanto, se ainda assim querem ameaçar, pelo menos o façam com direção e competência.
Não ameacem também gays por buscarem a felicidade. É direito inconsútil de cada um perquiri-la, desde que não prejudiquem quem está ao lado. Prestem atenção para o fato cristalino de que essa agressividade homofóbica, além de ser mais afeta ao nazismo do que ao cristianismo, psicanaliticamente falando, é o mesmo que passar um baita recibo de frustração e “viadagem”. Quem se preocuparia com o fato de que o próximo está transando com outra pessoa do mesmo sexo senão alguém que deseja enormemente fazê-lo? A Bíblia é só a desculpa. A mesma neblina utilizada para disfarçar o preconceito e como corolário, subjugar as mulheres, perseguir ateus e condenar a ciência.

 


Fernando Pessoa nos ensina com a habitual propriedade: “todo mal do mundo advém de nos preocuparmos uns com os outros.” É de clareza meridiana que ele se referia à enorme capacidade que o ser humano tem de projetar no próximo, suas falhas e frustrações, a mania vagabunda que as pessoas tem de se incomodar com a felicidade alheia.
Portanto, antes que nos ameacem com perigos metafísicos em detrimento dos físicos, lembro que neste blog, estamos conscientes da “ameaça divina” e da tola “aposta de Pascal”. Como blasfemos, hereges e apóstatas, sabemos o que está escrito na Bíblia. Mas gostaria de informar, só para poupar tempo, de que não poderíamos ligar menos para essas bobagens. Negamos o Espírito Santo sem problemas e se Jeová quiser nos punir, deve, em sua onisciência, saber onde nos encontrar. Aliás, seria até bom, pois teria algumas perguntinhas para ele. Mas galera…na boa…tem que ser ele, tá bom? Não adianta mandar recado do pastor não, valeu?
Destarte, quero terminar lembrando a aqueles evangélicos que adoram a suástica ao invés do crucifixo, que ameaças nunca levaram ninguém a lugar nenhum. Que se funcionassem, os movimentos de minoria ao longo da história teriam falhado, quando o que se viu, foi justamente o contrário. Por derradeiro, ressalto ainda que, para vocês evangélicos que clamam por “respeito” às suas crenças, saibam que, assim como Cristo ensinou, o respeito não brota do medo…mas sim, da compaixão.
 
(Humberto P. Charles)
 

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publicado às 22:31



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