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Na Terra como no céu

por Thynus, em 10.12.17
 
 
Há quanto tempo vêm as estrelas 
A desvanecer-se 
A luz a enfraquecer...
VANSEN (748-834, China)
 
 
Para a formação da Terra eles disseram 'Terra'.
Ela surgiu de repente, como uma nuvem, como uma bruma, a formar-se, a desabrochar [...]
PN'OL VUH: The Muyun Bnok
 
 
Nada vive eternamente, tanto no céu como na Terra. Até as estrelas envelhecem, definham e morrem. Houve uma vez um tempo antes de o Sol e a Terra existirem, um tempo antes de haver dia ou noite, antes, muito antes, de existir alguém para registrar o início para os que viessem depois.
Mesmo assim, imagine o leitor que foi testemunha desse tempo.
Uma vasta massa de gás e poeira está rapidamente a desfazer-se sob seu próprio peso, a rodopiar cada vez mais depressa, a transformar-se, uma nuvem turbulenta e caótica, naquilo que parece ser um disco delgado, nítido e regular. Exatamente no seu centro arde sem chama um fogo rubro e lânguido. Observe lá do alto, por cima do disco, durante 100 milhões de anos e verá a massa central tornar-se mais branca e mais brilhante, até que, após algumas tentativas abortadas e incompletas, explode num clarão, um fogo termonuclear sufocado. Nasceu o Sol. Fielmente, ele brilhará durante os 5 bilhões de anos seguintes — até a matéria dentro do disco ter evoluído para seres capazes de reconstituírem as particularidades da sua origem e da deles próprios. Somente as regiões mais interiores do disco são iluminadas, pois, mais para fora, a luz do Sol não consegue chegar. Mergulhe nos recessos da nuvem para observar as maravilhas que aí se operam. E descobrirá um milhão de pequenos mundos rodopiando em redor do grande fogo central. Aqui e além uns milhares deles, grandes, muitos a girar perto do Sol, mas outros a grandes distâncias, estão destinados a encontrar-se, a fundir-se, a transformar-se na Terra. O disco rodopiante do qual se formam os mundos aglutinou-se a partir da matéria esparsa que salpica uma vasta região do vaco interestelar dentro da galáxia da Via Láctea. Os átomos e partículas que o formam são destroços da evolução galáctica — aqui, um átomo de oxigênio produzido a partir do hélio no inferno incandescente de alguma estrela gigante vermelha há muito extinta; além, um átomo de carbono expelido da atmosfera de uma estrela rica em carbono nalgum sector galáctico muito diferente; agora temos um átomo de ferro que ficou livre para participar na formação do mundo através da poderosa explosão de uma supernova no passado ainda mais distante. 5 bilhões de anos após os acontecimentos que descrevemos, estes mesmos átomos talvez circulem na sua corrente sanguínea.
É aqui, no disco escuro, palpitante e fracamente iluminado, que começa a nossa história: não só a história tal como se passou, mas também um grande número de outras versões que poderiam ter existido se as coisas se tivessem passado de forma um nadinha diferente; a história do nosso mundo e da nossa espécie, mas também a história de muitos outros mundos e formas de vida destinados a nunca existirem. O disco está cheio de murmúrios de futuros possíveis.
Durante a maior parte da sua vida, as estrelas brilham pela transmutação de hidrogênio em hélio. Isto acontece a pressões e temperaturas enormes no seu interior. Há 10 milhões de anos, ou mais, que as estrelas vão nascendo na galáxia da Via Láctea — dentro de grandes nuvens de gás e poeira. Rapidamente se perde quando toda a placenta de gás e poeira que em tempos envolveu e alimentou uma estrela, é devorada pela sua inquilina, ou novamente expelida para o espaço interestelar. Quando,são um pouco mais velhas — mas estamos ainda a falar da infância das estrelas — consegue distinguir-se um disco maciço de gás e poeira com as faixas interiores a girar rapidamente em círculo à volta da estrela e as exteriores movendo-se de forma mais lenta e majestosa. Detectam-se discos idênticos em redor de estrelas que mal saíram da adolescência, mas, neste caso, apenas como leves resquícios do que foram — são, principalmente, poeiras, quase já nenhum gás, e cada grão de poeira é um planeta em miniatura orbitando à volta da estrela central. Nalguns deles conseguimos avistar bandas escuras, isentas de poeiras. Talvez metade das estrelas do céu, mais ou menos tão maciças como o Sol, possuam esses discos. As estrelas mais velhas já não os têm, ou, pelo menos, algo que possamos vislumbrar. O nosso próprio sistema solar retém, até hoje, uma faixa de poeira, muito difusa, em órbita à volta do Sol, chamada nuvem zodiacal, uma reprodução esfiapada do enorme disco do qual nasceram os planetas.
A história que estas observações nos contam é a seguinte: as estrelas formaram-se em grupo a partir de enormes nuvens de gás e poeira. Um bloco de matéria densa atrai o gás e a poeira adjacentes, torna-se maior e mais denso, pode mais eficazmente apropriar-se de mais matéria e lança-se abertamente no processo que o transformará numa estrela.
Quando as temperaturas e pressões dentro dele se tornam demasiado elevadas, os átomos de hidrogênio — de longe o material mais abundante no universo — comprimem-se uns contra os outros e iniciam-se as reações termonucleares. Se isto sucede numa escala suficientemente grande, a estrela acende-se e a escuridão circundante é expulsa. A matéria transforma-se em luz.
A nuvem desfeita começa a girar, achata-se sob a forma de um disco e os grumos de matéria agregam-se — sucessivamente do tamanho de partículas de fumo, grãos de areia, rochas, penedos, montanhas e asteroides.
O crescimento continua mediante a absorção gravitacional dos detritos pelos objetos maiores. As faixas isentas de poeira constituem as zonas de alimentação dos jovens planetas. Mal a estrela central começa a brilhar, liberta também baforadas de hidrogênio que devolvem partículas ao vazio. Talvez algum outro sistema de mundos, destinado a aparecer milhões e milhões de anos mais tarde nalguma região distante da Via Láctea, confira alguma utilidade a esses blocos de construção rejeitados.
Nos discos de gás e poeira que rodeiam muitas estrelas próximas veem-se, digamos, os viveiros nos quais se vão acumulando e fundindo mundos longínquos e exóticos. Por toda a nossa galáxia existem nuvens interestelares imensas, irregulares, encrespadas e escuras como breu, que se desfazem sob a sua própria gravidade e geram estrelas e planetas.
Acontece cerca de uma vez por mês. No universo observável — contendo algo como 100 bilhões de galáxias —, talvez se forme uma centena de sistemas solares em cada segundo. Nessa profusão de mundos, muitos serão áridos e desertos. Outros podem ser luxuriantes e férteis, nos quais seres perfeitamente adaptados às diversas circunstâncias ambientais se desenvolvem, atingem a maturidade e tentam reconstituir os seus primórdios. O universo é incalculavelmente pródigo.
Agora que a poeira assentou e o disco se adelgaça já é possível descortinar o que se passa lá em baixo. Girando em volta do Sol, vê-se um grande número de asteroides, todos em órbitas levemente diferentes.
Pacientemente, continue a observar. Passam-se várias eras. Com tantos corpos a moverem-se assim tão rapidamente, a colisão de mundos é apenas uma questão de tempo. Se observar mais de perto, poderá ver as colisões que ocorrem em quase toda a parte. O sistema solar nasce no meio de uma violência quase inimaginável. Por vezes a colisão é rápida e frontal e de uma explosão devastadora, ainda que silenciosa, nada mais resta do que cacos e fragmentos. Noutras — quando dois asteroides estão em órbitas e velocidades quase idênticas — as colisões são mais como cotoveladas, toques suaves, os corpos ficam unidos, surgindo então um asteroide duplo, maior.
Passada uma ou duas eras, apercebe-se de que vários corpos muito maiores estão a desenvolver-se — mundos que, por sorte, escaparam a uma colisão desintegradora nos primeiros e mais vulneráveis tempos da sua existência. Esses corpos — cada um deles instalado na sua própria zona de alimentação — vão avançando por entre os asteroides mais pequenos e devoram-nos. Cresceram de tal maneira que a sua gravidade lhes limou as irregularidades; estes mundos maiores são esferas quase perfeitas. Quando se aproxima de um corpo mais maciço, ainda que não o bastante para com ele colidir, um asteroide dá uma guinada, a sua órbita altera-se. Na nova trajetória pode vir a embater noutro corpo qualquer, talvez até a desfazê-lo em mil pedaços, a sofrer uma morte pelo fogo ao precipitar-se no interior do jovem sol que consome a matéria que o rodeia ou a ser gravitacionalmente ejectado para a gélida escuridão interestelar.
Poucos são os que se encontram em órbitas tranquilas, sem serem devorados, pulverizados, fritos ou exilados. Esses continuam a crescer.
Acima de uma certa massa, os mundos maiores atraem não só a poeira, mas também grandes fluxos de gás interplanetário. Veja como se desenvolvem; finalmente, cada um está com uma vasta atmosfera de hidrogênio e hélio, a qual envolve um núcleo de rocha e metal. Passam a ser os quatro planetas gigantes: Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Verá surgirem então os traços caraterísticos da nuvem envolvente. Colisões de cometas com as luas daqueles planetas cinzelam anéis elegantes, enfeitados, iridescentes e efémeros. Os pedaços de um mundo que explodiu voltam a juntar-se, dando origem a uma nova lua amolgada, esquisita, feita de retalhos. Diante dos seus olhos, um corpo com as dimensões da Terra raspa a superfície de Úrano, fazendo-o tombar para um dos lados, pelo
que de imediato cada um deles alinha os respetivos polos com o longínquo Sol.
Mais para o interior, onde o disco de gás entretanto se dissipou, alguns desses mundos estão a transformar-se em planetas, como a Terra, uma outra categoria de sobreviventes nesta roleta russa gravitacional de aniquilamento de mundos. A acumulação final dos planetas interiores não leva mais de 100 milhões de anos, mais ou menos o equivalente, comparando a existência do sistema solar com a duração média da vida de um ser humano, aos primeiros nove meses. Sobrevive uma zona em forma de donut (rosca) com milhões de planetoides rochosos, metálicos e orgânicos: a cintura de asteroides. Biliões de pequenos corpos celestes gelados, os cometas, mergulhados na escuridão além do planeta mais distante, descrevem lentamente as suas órbitas à volta do Sol.
Estão agora formados os principais astros do sistema solar. A luz do Sol jorra através de um espaço interplanetário transparente e quase isento de poeiras, aquecendo e iluminando os mundos. Estes continuam a correr e a querenar em volta do Sol. Mas observe mais de perto ainda e verá que estão a operar-se outras mudanças.
Recorde-se de que nenhum destes mundos tem querer; nenhum pretende estar numa determinada órbita. Aqueles, porém, que se encontram em órbitas circulares, bem-comportadas, tendem a crescer e a prosperar, ao passo que os que estão em órbitas vertiginosas, rebeldes, excêntricas ou imprudentemente inclinadas tendem a ser afastados. Com o passar do tempo, a confusão e o caos do primitivo sistema solar amainam lentamente, dando lugar a um conjunto de trajetórias firmemente mais ordenadas, simples, regularmente espaçadas e, aos nossos olhos, de uma beleza cada vez maior. Certos corpos celestes são selecionados para sobreviverem, outros para serem destruídos ou exilados. Esta seleção de mundos ocorre através da aplicação de algumas leis do movimento e da gravidade extremamente simples. Não obstante a política de boa vizinhança dos mundos bem-comportados, pode ver-se, de vez em quando, um asteroide nitidamente azougado em rota de colisão. Nem mesmo um astro com a órbita circular mais circunspecta tem qualquer garantia de que não será totalmente aniquilado. Para continuar a sobreviver, um mundo como a Terra tem também de continuar a ter sorte.
É surpreendente o papel que algo muito parecido com a sorte tem em tudo isto. Não é possível saber de antemão qual o asteroide que será despedaçado ou expulso e qual o que, em segurança, atingirá a maturidade como planeta. Existem tantos objetos num conjunto tão complexo de interações mútuas que é muito difícil dizer — olhando apenas para a configuração inicial, de gás e poeira, ou até mesmo de os planetas se terem mormente formado — qual virá a ser a distribuição final dos mundos. Talvez algum outro observador suficientemente avançado possa descobri-lo e predizer o seu futuro — ou até pô-lo em marcha para que, milhares de milhões de anos mais tarde, através de alguma sequência de processos complexa e sutil, surja, lentamente, um desfecho desejado.
Mas isso ainda não é para os seres humanos.
Começamos por uma nuvem caótica e irregular de gás e poeira aos tombos e contrações na noite interestelar e acabamos por ficar com um sistema solar elegante e precioso como uma joia, com uma luz brilhante, com os planetas ordenadamente espaçados, tudo certinho como um relógio.
Os planetas mantêm-se separados, já o percebemos, pois os que não o fizerem acabam por morrer.
É fácil entender o motivo por que alguns dos físicos da Antiguidade que penetraram pela primeira vez na realidade das órbitas coplaneares e sem se interceptarem dos planetas julgaram ver nisso a ação de um criador.
Eram incapazes de conceber qualquer outra hipótese alternativa que explicasse uma precisão e um ordenamento tão grandiosos. Mas, à luz dos conhecimentos atuais, não existe aqui qualquer sinal de orientação divina, nada, pelo menos, fora da física e da química. Vemos, pelo contrário, as provas de um tempo de violência implacável e constante no qual foram, de longe, muito mais os mundos destruídos do que os preservados.
Atualmente sabemos como é que a delicada precisão que o sistema solar agora exibe foi extraída do desordenamento de uma nuvem interestelar rodopiante por leis da Natureza que podemos entender — movimento, gravitação, dinâmica dos fluidos e química física. A aplicação contínua de um processo seletivo irracional pode converter o caos em ordem.
A nossa Terra nasceu nessas circunstâncias há cerca de 4,5 ou 4,6 mil milhões de anos, um pequeno mundo de rocha e metal, o terceiro a contar do Sol. Não devemos, porém, imaginá-la a emergir placidamente para a luz do Sol vinda das suas catastróficas origens. Não houve um só momento em que as colisões de pequenos mundos com a Terra cessassem por completo; ainda hoje objetos celestes embatem na Terra ou é a Terra que os atinge. O nosso planeta exibe cicatrizes inconfundíveis de colisões recentes com asteroides e cometas. Só que a Terra possui mecanismos que enchem ou cobrem essas feridas — cursos de água, correntes de lava, formações montanhosas, tectônica de placas. As crateras mais antigas já desapareceram. A Lua, porém, não usa maquilhagem. Quando olhamos para lá, ou para as Terras Altas do Sul, em Marte, ou ainda para as luas dos planetas exteriores, encontramos uma miríade de crateras resultantes de impactos, empilhadas umas sobre as outras, como um registro de catástrofes de eras passadas. Dado que nós, humanos, devolvemos à Terra pedaços da Lua e determinamos a sua antiguidade, é agora possível reconstituir a cronologia da caraterização e entrever o espetáculocolisional que em tempos deu forma ao sistema solar. Não se tratou apenas de pequenos impactos ocasionais, mas sim de colisões maciças,estonteantes e apocalípticas — é a inevitável conclusão que se tira do registro preservado nas superfícies de mundos próximos.
Agora, na meia-idade do Sol, já esta parte do sistema solar se libertou de quase todos os pequenos corpos celestes azougados. Existe uma mão-cheia de pequenos asteroides que se aproximam da Terra, mas a hipótese de os maiores virem a atingir o nosso planeta é pequena. Alguns cometas visitam esta parte do sistema solar, vindos da sua distante terra natal.
É lá que, ocasionalmente, são empurrados de raspão por alguma estrela de passagem ou nuvem interestelar maciça e próxima — e uma chuva de asteroides gelados precipita-se no interior do sistema solar. Hoje em dia, porém, os grandes cometas atingem a Terra muito raramente.
Dentro em pouco reduziremos o nosso campo visual a um único mundo, a Terra. Vamos examinar a evolução da sua atmosfera, superfície e interior, e as etapas que conduziram à vida, aos animais e a nós. O nosso campo de observação estreitar-se-á então progressivamente e será fácil imaginarmo-nos isolados do cosmos — um mundo autossuficiente a tratar da sua vida. Mas, de fato, a história e o destino do nosso planeta e dos seres que nele vivem têm sido profunda e crucialmente influenciados ao longo de toda a história da Terra, e não apenas na altura das suas origens, pelo que existe lá fora. Os nossos oceanos, o nosso clima, os 'tijolos' da vida, a mutação biológica, as extinções em massa das espécies, o ritmo e o andamento da evolução da vida, nada disso pode ser entendido seimaginarmos a Terra hermeticamente isolada do resto do universo, apenas com uma pequena claridade que goteja do exterior.
A matéria que compõe o nosso mundo unificou-se nos céus. Enormes quantidades de matéria orgânica caíram para a Terra, ou foram produzidas pela luz solar, montando o palco para o aparecimento da vida. Uma vez iniciada, a vida sofreu mutações e adaptou-se a um ambiente variável, em parte sob a influência da radiação e colisões do exterior. Atualmente, quase toda a vida na Terra escoa energia colhida da estrela mais próxima. O exterior e o interior não são compartimentos separados.
Com efeito, cada átomo que está cá dentro já esteve em tempos lá fora5.
Nem todos os nossos antepassados estabeleceram a mesma distinção nítida que nós fazemos entre a Terra e o céu. Alguns reconheceram aligação. Os avós dos deuses do Olimpo, consequentemente antepassados dos humanos, foram, na mitologia dos Gregos antigos, Uranus, deus docéu, e a sua esposa Gaia, deusa da Terra. As antigas religiões da Mesopotâmia tinham a mesma crença. No Egito dinástico inverteu-se o sexoaos deuses: Mit era a deusa do céu e Geb o deus da Terra. Os deuses principais do Konyak Nagas, na fronteira himalaia da Índia, chamam-seatualmente Gawang, 'Terra-céu', e Zangban, 'Céu-Terra'. Os Maias Quiché (do que é agora o México e a Guatemala) chamavam universo de Cahuleu, ou seja, literalmente, 'Céu-Terra'.
É aí que nós vivemos. É daí que viemos. O céu e a Terra são um todo inseparável.
 
 
(CARL SAGAN e ANN DRUYAN - SOMBRAS DE ANTEPASSADOS ESQUECIDOS)

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