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Estamos na idade mídia, com cabeças de idade média. Somos uma geração midieval.
 
Entender a IDADE MÉDIA não quer dizer que esta é inferior a IDADE MODERNA. Mas é perceber que a classificação dada foi feita pelos modernos, que tinham por objetivo inferioriza-la, contudo muitos ainda vivem com rotulações e classificações absurdas.
Idade Média - Idade moderna - rotulos
 
Foram os árabes os primeiros a compreender que Aristóteles era um dos
grandes filósofos. Enquanto o mundo ocidental mergulhava na Idade das Trevas, o
mundo islâmico continuou a se desenvolver intelectualmente.
(Paul Strathern - ARISTÓTELES em 90 minutos)

Quando a Bíblia uniu-se ao poder, o que conseguimos foi
uma era de progresso, de esclarecimento, de felicidade e
de plenitude? Teria sido ótimo, mas não — e não foi por acaso
que a Idade Média recebeu o apelido de Idade das Trevas. Foi
criada a Inquisição, o progresso praticamente ficou paralisado,
reinava a intolerância, e quem ousava utilizar o cérebro
livremente acabava torturado equeimado em fogueiras — ad
majorem Dei gloriam, é claro.

(ANDRÉ CANCIAN - ATEÍSMO & LIBERDADE )
 

 
Já demonstramos que elas são capazes de remover o orgão masculino, não de fato arrancando-o do corpo humano, mas ocultando-o através de algum encanto, do modo como já descrevemos. Contaremos aqui alguns exemplos desses casos.
Na cidade de Ratisbon, vivia um jovem que, depois de uma briga com uma certa menina, desejando abandoná-la, ficou sem o membro. Foi-lhe, digamos, lançado algum encanto de forma que em seu corpo ele nada via ou tocava - era perfeitamente liso. Preocupado com o que lhe ocorrera, foi a uma taberna beber vinho. Depois de lá sentado por alguns momentos, entahulou conversa com uma das mulheres da taberna e acabou contando-lhe toda a sua tristeza, explicando-lhe tudo, e mostrando a ela como seu corpo ficara. A mulher, astuta, perguntou se ele não suspeitava de ninguém que o tivesse encantado. Ele então falou-lhe da tal menina, revelando à mulher toda a história, ao que ela o aconselhou.
- Se não bastar a persuasão, é melhor que uses de alguma violência para fazê-la restaurar a tua saúde.
E assim, naquela mesma noite, o jovem ficou a postos no caminho por onde a bruxa costumava passar. Quando ela se aproximou, interpôs-se-lhe no caminho e suplicou-lhe que restituisse a saúde de seu corpo. A moça sustentou que era inocente e que nada sabia a respeito.
Ele então jogou-se em cima dela e, enlaçando-a pelo pescoço com uma toalha, avisou:
- A menos que me devolvas a minha saúde, hás de morrer nas minhas mãos.
A bruxa, impossibilitada de gritar, e com o rosto já inchado e lívido, balbuciou:
- Deixa-me ir que vou te curar.
O jovem afrouxou a toalha e a bruxa imediatamente tocou-o com a mão entre as coxas, dizendo:
- Agora tens de volta o que desejas.
O jovem contou depois, que, mesmo antes de olhar ou palpar, sentiu que o membro lhe fora restituído pelo mero toque da bruxa.

Experiência semelhante é narrada por certo Padre venerável da Casa Dominicana de Spires, muito conhecido na Ordem pela honestidade de sua vida e pela sua instrução.
- Certo dia - disse ele - estava eu no confessionário e aproximou-se um jovem que, em meio à sua confissão, pesarosamente, contou que perdera o membro. Atônito, e não querendo dar-lhe crédito
com facilidade, pois que é prova de imprudência, segundo os sábios, acreditarmos em tudo o que ouvimos, pedi-lhe uma prova do que me dizia. O jovem então tirou as roupas e pude ver que nada havia em seu corpo. Perguntei-lhe portanto se suspeitava de alguém que o tivesse enfeitiçado; ao que ele respondeu:
"- Sim." Mas por uma moça que estava ausente e que vivia em Worms.
"- Aconselho-o então", disse-lhe eu, "a procurá-la o mais depressa possível e tentar convencê-la, mesmo com palavras amáveis e com promessas, a desfazer esse encanto.
"E assim ele fez. Depois de alguns dias retornou e me agradeceu. Estava completamente recuperado. Embora acreditasse em suas palavras, tive a prova, mais uma vez, pelos meus próprios olhos."
Ora, para maior clareza do que já relatamos a respeito desse assunto, é preciso reparar em alguns pontos. Primeiro, não se há de acreditar que o membro é de fato arrancado do corpo. Ele é apenas ocultado por alguma arte prestidigitatória do diabo de sorte a não ser visto e nem sentido. O fenômeno é provado pelas autoridades e por argumentos; disso tratamos antes. Convém relembrar que Alexandre de Hales afirma que Fascinação, em seu verdadeiro sentido, é uma ilusão diabólica nunca causada por qualquer alteração material: só existe na percepção do iludido, seja em seus sentidos interiores, seja em seus sentidos exteriores.
Com referência a essas palavras, é preciso ressaltar que, no caso em consideração, dois dos sentidos exteriores - o da visão e o do tato - foram iludidos. A ilusão não se deu nos sentidos interiores - no senso comum, na fantasia, na imaginação, no pensamento e na memória. (Lembre o leitor que S. Tomás diz serem estes só quatro, ao considerar como um só a fantasia e a imaginação. E não sem razão: pois pouca diferença há entre imaginar e fantasiar. (Consultar S. Tomás, 1, 79.) Os sentidos interiores são iludidos quando se quer não ocultar algo de um homem, mas fazer com que ele veja algum espectro, esteja ele dormindo ou acordado.
Quando um homem acordado vê coisas que sob outros aspectos não são o que parecem - como ver alguém devorar um cavalo e o cavaleiro, um homem transformado em fera, ou então se julgar transformado numa fera e sentir necessidade de juntar-se a elas - os sentidos exteriores são empregados pelos sentidos interiores. Pois pelos poderes dos demônios, com a permissão de Deus, as imagens há muito retidas nesse repositório de lembranças que é a memória são de lá retiradas e apresentadas à faculdade da imaginação. Cumpre aditar que tais imagens não são retiradas do entendimento intelectual mas sim da memória, que se situa atrás, na cabeça. São assim de tal forma revividas na imaginação que o homem recebe o impulso inevitável de imaginar, por exemplo, uma fera ou um cavalo, quando estas são as imagens de lá retiradas pelos demônios. E se vê forçado a pensar que de fato está a enxergar aquela fera ou aquele cavalo. E isso parece ocorrer por causa da força impulsiva do diabo que opera por meio de imagens.
Não é de admirar que os demônios sejam capazes de tais prodígios, quando certos fenômenos naturais anormais apontam para o mesmo resultado, como no caso dos loucos desvairados, e dos maníacos e de alguns bêbados, incapazes de discernir entre o sonho e a realidade. Os loucos julgam ver coisas maravilhosas, tais como bestas e outras feras tenebrosas, quando na realidade nada estão a ver. Consultar a questão Se as Bruxas são Capazes de Virar o Intelecto dos Homens para o Amor ou para o Ódio, onde muito se falou a respeito.
E por fim, a razão é evidente por si mesma. Como o diabo exerce o seu poder sobre as coisas inferiores, à exceção da alma, é capaz de nelas causar certas alterações, quando Deus o permite, de sorte a que pareçam o que não são. E tal efeito é por ele conseguido ao confundir ou ao iludir o órgão da visão, fazendo com que um objeto claro fique turvo - como depois do choro, quando a luminosidade, em virtude dos humores recolhidos, parece diversa de antes. Ou então ao agir sobre a faculdade da imaginação através da transmutação das imagens mentaiS, conforme já se explicou. Ou ainda ao ativar vários humores de sorte a fazer com que elementos telúricos e secos pareçam ígneos
e aquosos - como alguém que despe a todos dentro de casa sob a impressão de estarem a nadar, dentro d'água.
Cabe ainda indagar, com referência a tais métodos demoníacos, se essa espécie de ilusão pode indiferentemente acontecer aos bons e aos maus, já que certas enfermidades do corpo, conforme se há de mostrar mais adiante, são causadas pelas bruxas mesmo nos que se encontram em estado de graça. Cumpre declarar que não, acompanhando as palavras de Cassiano na segunda Collatione do Abade Sereno. Aonde é necessário concluir que todos assim iludidos cometem, presumivelmente, um pecado mortal. Pois que esse autor diz, conforme se depreende das palavras de S. Antônio: "O diabo não penetra de forma alguma no intelecto ou no corpo de qualquer homem, nem tem o poder de entrar nos pensamentos de qualquer um, salvo se esse homem já se achava despojado de todos os pensamentos santos, já completamente despido de toda e qualquer contemplação espiritual."
Tal opinião concorda com a de Boécio ao dizer, no De Consolatione Philosophiae: "Demos a vós armas tais que, se não as tivésseis jogado fora, estaríeis preservados da enfermidade."
Conta-nos também Cassiano, na mesma obra, de duas feiticeiras pagãs, que, cada uma à sua maneira, enviaram à cela de S. Antônio uma sucessão de demônios, pelo ódio que cultivavam contra ele por
ser muito procurado por várias pessoas todo dia. E tais demônios o assaltaram com o esporão das mais agudas tentações. Mesmo assim o santo homem resistiu-lhes, fazendo o Sinal-da-Cruz na testa e no peito e prostrando-se na mais fervorosa das orações.
Podemos dizer, portanto, que todos os que são iludidos por demônios, para não falar do padecimento de enfermidades físicas, carecem do dom da graça divina. Porque está escrito (Tobias, VI): "O demônio tem poder sobre os que se submetem à luxúria."
Tal também é consubstanciado pelo que dissemos na Primeira Parte, na questão Se as Bruxas são Capazes de Transformar os Homens em Bestas. Contamos da menina que fora transformada em égua e de que modo ela e todos os demais foram persuadidos do fenômeno, exceto s. Macário Pois o diabo é incapaz de iludir os sentidos dos homens santos: quando a menina foi trazida até ele, o santo viu-a como mulher e não em forma de égua, enquanto todos diziam que era com uma égua que ela se parecia. E o santo, através de orações, libertou-a e aos outros daquela ilusão, dizendo que aquilo lhe acontecera porque ela não dera a devida atenção ao sagrado, e nem usara como deveria da Santa Confissão e da Eucaristia. Na verdade, fora enfeitiçada por uma judia, também feiticeira, a pedido de um jovem que lhe fizera uma proposta obscena que recusara. A bruxa, pelos poderes do diabo, transformou-a então numa égua.
Agora podemos fazer uma súmula de nossas conclusões. Os demônios são capazes, para o próprio proveito e provação, de prejudicar o homem bom nos bens materiais, vale dizer, na fortuna, na fama e na saúde do corpo. Límpida é essa verdade no caso de Jó, afligido por males diabólicos. Os homens bons, embora não possam ser levados ao pecado, podem ser tentados na carne, interior e exteriormente.
Os demônios, assim, não são capazes de afligir os homens bons, nem ativa, nem passivamente.
Não ativamente, como ao iludirem os que não se acham em estado de graça. E não passivamente, como ao removerem os órgãos genitais masculinos por algum encanto. Pois que nesses dois sentidos jamais teriam prejudicado a Jó, mormente por algum encanto passivo sobre o ato venéreo. Porquanto Já era de uma tal continência que chegou a declarar: "Jurei nunca pensar numa virgem e muito menos na mulher de outro homem." No entanto, o diabo sabe que tem grande poder sobre os pecadores (ver Lucas, XI: "Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui.").
Cabe, porém, indagar, quanto aos encantos sobre o órgão genital masculino, se o demônio não poderia causá-los de forma ativa. Alega-se que o homem em estado de graça se acha iludido porque em vez de enxergar o membro no seu devido lugar não o vê junto com os demais circunstantes; no entanto, ao admitirmos tal enunciado, parece estarmos contradizendo o que foi dito antes. Pode-se dizer que não há tanta força na perda ativa quanto na passiva; entenda-se por perda ativa não a de quem a sofre, mas a de quem a vê de fora, como é evidente por si só. Portanto, embora o homem em estado de graça possa ver a perda sofrida por outro, sendo, nessa medida, iludido pelo demônio, não é capaz de sofrer passivamente tal perda em seu próprio corpo, pois que, não está sujeito à luxúria. De forma análoga, o inverso é verdadeiro, conforme disse o Anjo a Tobias: "Sobre os que se submetem à luxúria o demônio tem poder."
E o que se há de pensar das bruxas que, vez por outra, reúnem membros masculinos em grande número, num total de vinte ou trinta, e os colocam em ninhos de pássaros ou em caixas, onde se movem como se estivessem vivos e comem grãos de aveia e de trigo? Cumpre entender que tudo isso é feito por obra e ilusão do diabo: o sentido dos que vêem tais coisas se acham iludidos na direção que indicamos. Pois um certo homem contou-nos que, quando perdeu o seu membro, aproximou-se de uma conhecida bruxa e pediu-lhe que o restituísse.
A mulher disse-lhe então para que subisse numa determinada árvore e que, no ninho que lá se encontrava, escolhesse o membro que mais lhe agradasse dentre os muitos que havia. E, quando ele tentou pegar um bem grande, a bruxa disse:
- Não deves pegar esse aí, porque era de um pároco.
Todas essas coisas são causadas pelos demônios através de ilusões ou de encantos, que assim confundem o órgão da visão, transmutando imagens mentais na faculdade imaginativa. E é mister que se diga que tais membros são na verdade demônios naquela forma, da mesma maneira em que aparecem a bruxas e a homens em substância aeriforme e com eles conversam. Fazem tais prodígios também de uma forma mais simples: retirando certas imagens do repositório da memória e imprimindo-a na imaginação.
E se alguém disser que poderiam operar de forma análoga à que conversam com bruxas e com outros homens em corpos criaturais, ou seja, que poderiam causar tais aparições por alteração das imagens mentais na faculdade imaginativa, de sorte a fazer as pessoas imaginarem que estão a conversar com demônios em forma humana, embora estivessem na realidade sob efeito apenas de uma ilusão causada por alguma alteração das imagens mentais nas percepções interiores.
É preciso que se diga: se o demônio não tivesse qualquer outro propósito que não o de mostrar-se aos homens, não haveria de adquirir feição corporiforme: poderia realizar o seu propósito pela ilusão acima mencionada. Mas ele tem um outro propósito a saber, o de falar e o de comer com as bruxas e com elas praticar outras abominações. Portanto é necessário que esteja de fato presente, colocando-se a vista, em forma de corpo humano. Pois que, como diz S. Tomás: "Onde se encontra a força de um Anjo, lá ele opera."
Poder-se-ia perguntar se o demônio por si só, sem o auxílio de qualquer bruxa, consegue remover o membro viril de algum homem, ou se haveria alguma diferença entre um tipo de privação e o outro.
Primeiro, o demônio o remove de fato e o restaura quando é para ser restaurado. Segundo, como o membro não pode ser removido sem lesão, não o há de ser sem dor. Terceiro, o demônio nunca age dessa forma sem ser obrigado por algum Anjo bom, pois este, ao assim proceder, retira do demônio grande fonte de satisfação diabólica: porque sabe ser o demônio capaz de realizar mais bruxarias sobre o ato venéreo que sobre qualquer outro ato. Deus assim o permite. Mas nenhum desses pontos se aplica ao caso da sua ação por intermédio das bruxas, com a permissão de Deus.
E ao se indagar se o demônio não seria capaz de causar maiores males aos homens e às criaturas por si mesmo do que pela intermediação das bruxas, cabe responder que não há termo de comparação entre os dois casos. Pois que ele é muito mais capaz de causar males por meio das bruxas. Primeiro, porque assim mais ofende a Deus, ao usurpar-Lhe criaturas que a Deus eram dedicadas. Segundo, porque quanto mais a Deus ofende, mais poder Lhe é concedido para prejudicar as criaturas. E terceiro, para o seu próprio proveito, ou seja, para a perdição das almas.

(HEINRICH KRAMER e JAMES SPRENGER - O Martelo das Feiticeiras)

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publicado às 19:29


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