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Cubismo

por Thynus, em 28.02.13

Caracterizado pela representação da visão tridimensional de pessoas e objetos por meio de formas geométricas, este movimento tem como principais fundadores Pablo Picasso e Georges Braque. O quadro ‘Les demoiselles d’Avignon’, de Picasso, evidencia o descompromisso com a aparência real das coisas, que eram geometrizadas e retratadas com cores fechadas.  O movimento se dividiu em três fases: a cezannista, a analítica e sintética. A primeira foi fortemente marcada pela obra de Cézanne, com suas paisagens geométricas, bem como pela arte africana, devido a suas formas simples e volumetrias duras. A segunda se caracteriza pela decomposição da obra, cujos planos são retratados de forma sobreposta, permitindo a visão de todos os ângulos da figura. A terceira, por fim, procurou tornar novamente as figuras reconhecíveis, e utilizou colagens de diversos materiais (do vidro ao metal) nas pinturas. Os principais pintores cubistas foram (além de Picasso, Braque e Cézanne) Fernand Léger, Juan Gris e Marcel Duchamp. 

(sur.re:a.lis.mo)
sm.
(cu.bis.mo)
sm.
1. Art.Pl. Movimento artístico do início do séc. XX, iniciado na pintura (Georges Braque, Pablo Picasso) e que se estendeu à escultura, caracterizado por representar a visão tridimensional de pessoas e objetos por meio de formas geométricas como que percebidas simultaneamente nas três dimensões
[F.: cubo (1) + -ismo.]
(Dicionário Aulete digital) 

 

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publicado às 22:54


Bento XVI renunciou, viva o papa!

por Thynus, em 28.02.13

Assim se proclamava, nas monarquias, quando um rei morria ou era deposto e o sucessor vinha saudado. Mais importante do que o panegírico do que partia, era hora de olhar para a frente, com esperança ou receios.
Eu estava numa reunião no palácio São Joaquim, aqui no Rio, em 2005, durante o último conclave, almoçando com os bispos auxiliares, quando foi anunciada a fumaça branca. Saímos da mesa e corremos à televisão. Foi quando eu disse: “Não sei quem será, mas vai chamar-se Bento XVI”. Quando Ratzinger saiu no balcão, alguns me olharam como se eu tivesse feito uma adivinhação. Na verdade, foi uma aposta por eliminação. O novo papa certamente não retomaria a série dos Pios, não seria um seguimento de João ou de Paulo, nem do composto João Paulo. Restava, no século XX, um papa, Bento XV, que ficara poucos anos, de 1914 a 1922, mas que interrompera a caça antimodernista de Pio X. Não saiu papa um reacionário como o secretário de estado espanhol Merry Del Val (o Sodano ou o Bertone daquele momento). Era um bispo de uma diocese importante, Bolonha, que fora pouco antes denunciado de modernista, em carta, a seu antecessor.O novo papa abriu a missiva, lacrada por ocasião da morte de Pio X e convocou o assustado acusador.
Uma lógica destas apontaria, indo um pouco mais atrás, na eleição de 1878, para um possível futuro Leão XIV. O papa anterior do mesmo nome também interrompera a prática de seus dois antecessores reacionários, Gregório XVI e Pio IX. E indicou que esperassem o próximo consistório, para verem seu novo estilo. E foi então quando nomeou cardeal o grande teólogo John H. Newman, convertido da Igreja Anglicana, crítico do Vaticano I e mal visto pelo outro cardeal inglês, Henry Manning. Aliás, o papa Bento XVI tinha Newman em grande admiração e o beatificou em 2010 (alguns historiadores, para incômodo de muitos, falaram de um companheiro de toda a vida, enterrado junto com ele, numa possível porém incerta relação homosexual, o que não diminuiria em nada seu enorme valor). Mas atenção, voltando ao presente, as lógicas não se repetem e o futuro é sempre inesperado.
Com o atual precedente, um papa pode (e até deve, em certos casos) deixar o poder ainda em vida, num movimento que passa dos poderes absolutos e pro vita, para uma visão com possíveis prazos para o exercício de um poder que aparecia nos últimos séculos como irrenunciável .
O importante agora é descobrir o que estará diante do futuro papa. Tudo parece indicar que João Paulo I morreu ao tomar consciência da dimensão dos problemas que o esperavam. Carlo Martini (que tantos sonhamos como um possível “Papa bianco”), em 1999 lembrou temas estratégicos a serem enfrentados por possíveis futuros concílios: a posição da mulher na sociedade e na Igreja, a participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, a sexualidade, a disciplina do matrimônio, a prática do sacramento da penitência, a relação com as Igrejas irmãs da ortodoxia e, em um nível mais amplo, a necessidade de reavivar a esperança ecumênica. Poderíamos agora dizer que são temas colocados hoje diante do papa que vem aí.
Cada vez é mais importante desbloquear posições congeladas. Uma, urgente, seria superar o impasse criado por Paulo VI em 1968, no seu documento Humanae Vitae, sobre a contracepção. Tratar-se-ia de aceitar, ao nível do magistério, o que já é uma prática normal de um número enorme de fiéis: o uso dos contraceptivos.
Mas nos textos de teólogos espanhóis, sacerdotes alemães e austríacos, declarações de bispos australianos, estão outros pontos da agenda. Haveria que começar por superar a dualidade e uma hierarquia rígidas entre ministérios ordenados (dos padres) e não ordenados, abrindo para uma pluralidade de ministérios (serviços), como na Igreja dos primeiros séculos. E aí se coloca o tema da ordenação das mulheres. No dia da ressurreição, as mulheres foram as primeiras a serem enviadas (ordenadas) a anunciar a Boa Nova (Mateus, 28,7; Marcos, 16,7:”Ide dizer aos discípulos e também a Pedro…”; Lucas, 24,9; João, 20,17).
Teria também que desaparecer o que é apenas próprio da Igreja latina desde o milênio passado: o celibato obrigatório. O celibato é próprio da vida religiosa em comunidade e não necessariamente dos presbíteros (sacerdotes). Os escândalos recentes de uma sexualidade reprimida e doentia estão exigindo uma severa revisão. Isso levaria a ordenar homens e mulheres casados.
Há que levar a sério a ideia da colegialidade do Vaticano II, sendo o bispo de Roma o primeiro entre todos no episcopado. Numa visão ecumênica, o segundo seria o Patriarca de Constantinopla, que vive no Fanar, um bairro grego pobre de Istambul, onde estive no ano passado. Os encontros fraternos e a oração em comum de João XXIII e de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, foram abrindo caminho nessa direção.
Claro, são antes de tudo anseios, mais do que possibilidades certas. Mas a história é inexorável e, pouco a pouco, posições que pareciam petrificadas podem ir sendo revistas ou, pelo menos, vão crescendo pressões nesse sentido. A Igreja, arejada por tempos novos na sociedade, seculares e republicanos, não poderá ficar à margem de um processo histórico contagiante. Talvez temas congelados terão que esperar futuros pontificados ou outros concílios, mas estarão cada vez mais presentes e incômodos, num horizonte que desafia os imobilismos.

(Luiz Alberto Gómez de Souza)

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publicado às 17:08


Panta rei?

por Thynus, em 28.02.13

Novo ano, vida nova? Esperança não-delirante? Então, mais uma vez, cante-se a primeira estrofe da marcha-rancho "Até Quarta-feira" (composta por H. Silva e Paulo Setti), grande sucesso em 1967 na voz do sambista mineiro Mário de Souza Marques Filho, eternizado como Noite Ilustrada: "este ano não vai ser igual aquele que passou". Então, novamente, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Em meados do século 20, o mesmo Noite Ilustrada gravou esse clássico do cientista Paulo Vanzolini e, desde aquela época, amiúde recordamos da fundamental — em todos os sentidos — "Volta por cima". Afinal, em vários momentos e de muitas maneiras, cada um do seu jeito, sempre podemos dizer que "ali onde eu chorei / qualquer um chorava / dar a volta por cima que eu dei / quero ver quem dava". Este ano não vai ser igual àquele que passou! Aliás, daria para ser de outro modo? Há possibilidade de algum ano, mês ou dia ser idêntico a outro qualquer, como se ficássemos aprisionados no "feitiço do tempo?" Eis aí a chave para abrir um dos pensamentos mais instigantes quando se deseja refletir sobre a vida no dia-a-dia e as intercorrências dela advindas; fala-se com freqüência uma frase que pareceria máxima popular: "Nenhum homem toma banho duas vezes no mesmo rio, pois, quando volta a ele, nem o rio é o mesmo e nem mais o homem o é". Essa correta percepção remonta à Antigüidade. Voltemos até Platão que, ainda jovem e vivendo na cidade natal de Atenas, pode conhecer pessoalmente Sócrates, a quem considerou "o mais sábio e o mais justo dos homens" (condenado ao suicídio em 399 a.C., antes que o ardoroso discípulo completasse trinta anos de idade). A admiração de Platão pelo mestre foi tamanha que, de todos os seus inúmeros e memoráveis "Diálogos", Sócrates só não é a principal personagem (sempre vencedora nos debates!) em um deles. No entanto, antes do contato inicial com a sua maior influência, foi apresentado a Crátilo, um pensador que defendia a concepção de que nada é estável (o conhecimento ou a ação), pois tudo, na vida e no cosmos, é fluidez e mudança constante; essa tese provocava e incomodava por demais a Platão, a ponto de ele ter passado a existência procurando conciliar e explicar a presença do provisório e do permanente, do passageiro e do duradouro, do mutável e do imutável. O nome desse pensador que impactou o adolescente Platão será também o título de um dos seus "Diálogos", e nele o autor traz à tona a fonte original das idéias preconizadas um pouco superficialmente pelo lembrado Crátilo. No diálogo ele remete a Heráclito de Éfeso (nascido nessa cidade da Ásia Menor, atual Turquia, e por muitos exaltado como o mais importante entre os filósofos pré-socráticos). Afirma Platão que "Heráclito diz em alguma passagem que todas as coisas se movem e nada permanece imóvel. E, ao comparar os seres com a corrente de um rio, afirma que não poderia entrar duas vezes num mesmo rio". De fato, embora não tenha restado obra alguma completa desse pré-socrático, entre os fragmentos esparsos aquele que foi numerado como 91 diz literalmente: "Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio. Dispersa-se e reúne-se; avança e se retira". Essa idéia é sintetizada pela expressão grega "panta rei" (tudo flui). Panta rei é também título de um bem tramado livro de Luciano de Crescenzo, no qual simula uma conversa com Heráclito. Crescenzo, napolitano nascido em 1928, engenheiro e alto executivo de multinacionais até a idade de 50 anos, decidiu mudar tudo e, abandonando a segura carreira, buscou outro equilíbrio, tornando-se escritor, ator, roteirista, apresentador de televisão. Não o fez sozinho e é dele uma belíssima e esperançosa expressão — felizmente não mutável — que pode nos ajudar nos antigos e novos vôos: "Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros".

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

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publicado às 17:06


Assim passa a glória do mundo

por Thynus, em 28.02.13

Sic transit gloria mundi! Poucos não terão até hoje ouvido ou lido em algum lugar esta sentença verdadeira e terrível pela própria veracidade. A expressão tem seu uso mais comum para ressaltar a nossa efêmera existência, mas resulta de um ritual bastante utilizado na coroação de papas: diante do recém- eleito, o mestre de cerimônias coloca um pedaço de estopa ao qual se ateia fogo; enquanto as palavras são pronunciadas, o pano é rapidamente consumido pelas chamas.
Poder e glória, quando assumidos com empáfia ou insolência, quando sinais de soberba e petulância egoísta são, de fato, passageiros. Uma glória assim é pura fantasia ou simples quimera. Essa palavra tem origem no grego khimaira — que significa mais exatamente cabra —, mas que entrou para nossos vocabulários como sinônimo de ilusão ou coisa inexistente, pois na mitologia indica um animal monstruoso (corpo de cabra, cabeça de leão e cauda de cobra), filha de Tífon, um monstro terrível metade humano, e de Équidna, um outro monstro — metade mulher, metade serpente; ambos descendentes de Gaia, a Terra. Desse modo, a glória e o poder carregados de vaidade são devoradoras quimeras.


É curioso como até o nosso calendário, agora chamado de comum ou gregoriano (por ter sido reorganizado pelo Papa Gregório XIII em 1582), é afetado pela arrogância daqueles que pretendem garantir fugazmente a imortalidade e se apegam à "glória do mundo". Até o século 8 a.C. o ano do mundo romano da Antigüidade — do qual herdamos essas medidas — tinha apenas dez meses e se iniciava em 1º de março (martius), depois vinha aprilis, maius, iunius e, a partir daí, foram usados numerais (de 5 a 10) para denominar os meses seguintes (quinctilis, sextilis, september, october, november e december). No século seguinte, para acertar mais a fixação da contagem com o tempo de duração da volta da Terra em torno do Sol, os romanos introduziram mais dois meses (januarius e februarius) que ficaram para o final; só no século 1 a.C. o ditador Júlio César fez nova reordenação, passando janeiro e fevereiro para o início e mantendo doze meses (o que confunde até agora muitos que não entendem por que chamamos de sete/mbro ao mês que numeramos com nove, ou a dez/embro como aquele que é o doze).
No entanto, como Júlio César, nascido no mês quinctilis, foi assassinado, Marco Antônio, general romano e seguidor daquele, por compor o Segundo Triunvirato (junto com Otávio e Lépido), decidiu homenagear o líder e trocou o nome do antigo quinto mês para julius, mantendo os 31 dias que este comportava. Porém, a luta pelo poder veio à tona, e, a pretexto de proteger a honra familiar ofendida (pois Marco Antônio abandonara o antes conveniente casamento com Otávia, irmã de Otávio, e desposara Cleópatra, firmando-se como senhor do mundo oriental), a guerra foi declarada e, vencido, Antônio cometeu suicídio.
A mexida no calendário e no império não acaba aí, claro. Com a destituição de Lépido e, depois, a derrota de Marco Antônio, o outrora Otávio (também chamado Otaviano) em janeiro de 31 a.C. recebeu do Senado o título de Augusto, e, mais adiante, foi sagrado como o primeiro imperador de Roma e, por fim, Grande Pontífice. O imperador entendeu não ser adequado para alguém "do porte dele" não ser também homenageado com um nome no ano e não teve dúvidas em alterar o sexto mês, antigo sextilis, para augustus, criando o nosso atual agosto. Mas, não ficou contente; sextilis, seguindo a lógica de alternância dos meses com 30/31 dias (exceto fevereiro, pela sua posição mais anterior de último do ano, quando se fazia o acerto final da translação), sucedia a julius (grande, nos seus 31) e, desse modo, tinha duração de 30 dias. Sem problema; a lógica foi quebrada e ordenou que "seu" mês não fosse inferiorizado e passasse a ter, também, 31 dias.
Quase ninguém mais liga agosto ao outrora Augusto e, menos ainda, lembra que julho/agosto são os únicos consecutivos com o mesmo número de dias em memória do poderoso imperador. Os meses passam, o tempo com ele e, afinal, como sabiamente escreveu o mineiro Ari Barroso há pouco mais de meio século na perene canção Risque, "creia, toda quimera se esfuma, como a brancura da espuma que se desmancha na areia..."

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

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publicado às 02:54


Pois as coisas findas...

por Thynus, em 27.02.13

Em uma época em que a televisão ainda não estava presente em inúmeras cidades pelo nosso país afora, a grande e quase única diversão especial infantil e juvenil durante as férias de inverno era o cinema. Aqueles que tivemos de viver e pudemos fruir as obrigações ausentes naquelas circunstâncias, seja cm função de uma idade mais avançada hoje, seja pelo lugar em que vivíamos nos anos 1960, ficamos, claro, com muitas imagens nas nossas "retinas tão fatigadas". Grandes salas, grandes telas, grandes expectativas, grandes memórias.
Há algumas décadas, por exemplo, encarnávamos com perfeição a ansiedade pelo término das aulas no meio do ano letivo e, também, vivíamos a esperança de que as "grandes atrações" — que começáramos a chamar de filmes, substituindo a palavra fita usada pelos adultos — não deixassem de chegar logo, antes que acabassem os folguedos (outra deliciosa palavra antiga!). Uma das recorrentes atrações era o inesquecível desenho longa-metragem Fantasia, de Walt Disney; produzido em 1940, passou a reencantar anualmente nossas vidas. Afinal, é uma animação que apresentou a muitos de nós, nos capturando pelo restante da existência, a beleza profunda de músicas realmente clássicas, como as de Bach, Tchaikovsky, Dukas (menos conhecido, mas o mais lembrado pelas cenas do Mickey como Aprendiz de Feiticeiro), Stravinsky, Beethoven, Mussorgsky, Schubert e, pelo meio, o Amilcare Ponchielli. Esse italiano compôs em 1876 a ópera La Gioconda e jamais deve ter imaginado que dela um dia se usaria a Dança das Horas para seduzir nossas lembranças com os impossíveis e graciosos movimentos de bale feitos por hipopótamos, elefantes, avestruzes e jacarés...
Com o final do recesso, e o encerramento das exibições da linda Fantasia — no duplo sentido, restava-nos esperar que o ano viesse logo a terminar. As férias de final-de-ano — do começo de dezembro até o final de fevereiro — eram mais longas, demoravam agradavelmente para passar (sendo que, agora, até a semana passa rápido demais); por isso, com um calendário estirado, também os dias ficavam mais elásticos, com uma busca vagarosa e preguiçosa de preenchimento. Só nas longas férias de verão é que conseguíamos compreender aquilo que é exclusividade da infância: a imensa e perturbadora consciência contraditória de que, embora se queira tudo para já, há um tempo para tudo na vida.
Tempo para tudo! Nas Escrituras hebraicas está o Livro do Eclesiastes, incorporado pelo Cristianismo em sua Bíblia; esse texto tem uma segunda parte muito conhecida e que vai diretamente contra as vaidosas temporalidades humanas, especialmente na nossa incompreensão sobre o efêmero e o duradouro, sobre a relação entre o passageiro e o infinito. No capítulo 3 do livro religioso, do versículo 1 até o 8, são apresentadas 14 das oposições que estão sempre presentes como conteúdo da vida humana e que vale reproduzir na totalidade.
"Para tudo há momento, e tempo para cada coisa sob o céu: tempo de dar à luz e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de solapar e tempo de construir; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar; tempo de atirar pedras e tempo de juntar pedras; tempo de abraçar e tempo de evitar o abraço; tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar; tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz."
Dança das horas! E o duradouro dentro do efêmero. Por isso, ainda bem que continua existindo o eterno de Carlos Drummond de Andrade, expresso no poema Memória: "Pois as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão".

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

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publicado às 23:42


A lógica do tubarão

por Thynus, em 27.02.13

Todas as vezes em que se fala sobre a incrível capacidade humana de dominar a natureza — com os elogios de praxe à nossa inventividade e poderio e, mais ainda, o orgulho de uma racionalidade que se aproxima da petulância — Benauro Roberto de Oliveira, um paulista estudioso da história natural e social, conta e reconta em suas competentes e concorridas aulas uma das lendárias manifestações que cercam a personalidade de Jacques-Yves Cousteau, o francês que se tornou o maior dos oceanógrafos do século 20.
Dizem que um jovem jornalista entrevistava Cousteau sobre o nosso temor aos tubarões e desejava saber quais as chances de um de nós escapar no enfrentamento direto com um desses estupendos animais. O cientista respondeu que as probabilidades de sair ileso eram nulas. O jornalista não se satisfez e perguntou, em seqüência, se o tubarão atacaria se já estivesse alimentado, se fosse de noite, se estivéssemos numa jaula, se fôssemos muitos, se carregássemos um arpão, se entregássemos alguma isca etc.; a cada pergunta, a resposta de Cousteau era a mesma: o bicho atacará de qualquer modo. Irritado, o jovem bradou: mas isso não tem lógica! Com paciência, o genial pesquisador dos mares retrucou: Tem sim, mas é a lógica do tubarão...
É preciso lembrar insistentemente a sabedoria emanada dos muitos modos como a vida se expressa no planeta no qual habitamos (e que muitos preferem chamar de "nosso" planeta, com uma dissimulada satisfação de dono): não somos proprietários, e sim usuários compartilhantes. Podemos, em alguns momentos da nossa história, imaginar que controlamos, dominamos e possuímos sem restrições tudo que nesta terra está, com uma ilusão fugaz de invulnerável soberania.
Basta indagar: quais foram, na percepção humana, os animais mais espetaculares e poderosos deste planeta antes de nós? Os dinossauros! Tiveram hegemonia e vigor exuberante por mais de 110 milhões de anos e desapareceram há mais de 60 milhões de anos antes de aparecer qualquer dos ancestrais mais próximos dos hominídeos. Cento e dez milhões de anos de poderio! No entanto, onde estão hoje esses possantes seres? No tanque do teu carro; no material que faz o carpete sob a tua cadeira; na tinta que imprime o jornal que lês, na tampa da garrafa d'água que seguras; na frágil e banal bolinha de pingue-pongue. Viraram combustível fóssil e matéria-prima! E nós, dominando há apenas 40.000 anos, achamos poder fazer qualquer coisa... Degradar o ambiente, esgotar os recursos, conspurcar a atmosfera, corromper a vitalidade, depravar a convivência biológica, aviltar o equilíbrio natural.
Alexander Pope, o mais importante poeta inglês do século 18 (e autor de tradução em verso da Ilíada e da Odisséia), escreveu em 1734 o Ensaio sobre o homem e nele nos adverte contra a arrogância antropocêntrica: Tudo que é natureza, é arte que desconheces; Tudo que é acaso é direcionamento que não podes ver; / Tudo que é discordância é harmonia não compreendida; / Tudo que é mal parcial, é bem universal.
E se, em um pesadelo (infantil?) inspirado no romance A Metamorfose, de Franz Kafka — no qual um homem acorda um dia transformado em um descomunal inseto —, invertermos a lógica do escritor, e um de nós for visitado pelos insetos que proporcionalmente cabem a cada uma das pessoas no planeta? A ciência calcula que, para cada ser humano na Terra, existem 7 bilhões de insetos! Imaginemos, mesmo em delírio reflexivo, se só os que te "pertencem" viessem te procurar dizendo: Qual é? O que estão fazendo com o lugar que partilhamos? Basta de insultar o nosso abrigo comum e arriscar a proteção da simbiose!
Não tem lógica?

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

1:18
A primeira grande ideia também é a última porque o que diziam os estoicos e Aristóteles sobre a vida é em grande medida o que recuperam e ressuscitam os ecologistas do mundo contemporâneo: o valor da vida, o sentido da vida não está na sua individualidade isolada, mas está no seu engajamento, no seu pertencimento, na sua participação...
Eu tinha 5 anos, a televisão de casa pifou, o meu pai abriu e deu um pedaço da televisão para eu brincar. Fiquei feliz por 3 segundos e perguntei pra ele pra quê isso serve? Pra nada, por isso é que eu te dei. Mas, se você pegar esse pedaço da televisão e colocar dentro da televisão, quem sabe a televisão não funcione. E você não entende pra que é que esse pedaço serve. Eu rapidamente percebi que aquele pedaço de televisão só tinha vida dentro da televisão e que a televisão, por sua vez, só funcionaria com todos os seus pedaços dentro.
Didaticamente, as ideias estão colocadas: nós somos o pedaço de uma televisão, a nossa vida só tem sentido dentro dela e a televisão, por sua vez, só funciona conosco dentro. Os gregos deram a essa televisão o nome de Cosmos. Somos partes do Cosmos. Isso quer dizer que o vento venta, a maré mareia, o sapo sapeia e tudo está mais ou menos de boa. Quando o vento venta, ele venta em harmonia com o Cosmos. Da mesma maneira a maré, o sapo, o tsunami, qualquer outra coisa. Quem é que pode comprometer? Quem é que pode comprometer o todo? O gato que vive de acordo com a sua natureza de gato? Certamente não. Como diz Hans Jonas, filósofo, verdadeiro patrono do pensamento ecologista do século vinte e vinte um, “uma ostra não coloca em risco universo!” O que ele quis dizer com isso? Que a ostra ostreia, o gato gateia, o vento venta... Então quem é que compromete, quem é que pode comprometer, quem é que pode viver em desarmonia com o todo? Quem é que pode viver errado? Só pode viver errado quem decide, quem delibera, quem escolhe: nós! Existe para nós um lugar, uma atividade, uma função, uma finalidade, um papel. O que Aristóteles chamava de “lugar natural”. Nesse lugar natural, a especificidade da nossa natureza entra em harmonia com o todo, contribuindo da melhor forma possível para o todo. A vida será boa, quando estivermos no lugar certo fazendo a coisa certa. A vida será catastrófica, quando estivermos no lugar errado fazendo a coisa errada. Podemos lembrar de Romário, centro-avante:
Ah, se Romário fosse goleiro?! Não alcançaria o travessão.
Se Romário fosse lateral direito no lugar de Cafu... Não corre, é preguiçoso.
Se Romário tivesse que marcar... Não marca.
Se Romário tivesse que ser meia e distribuir o jogo... Não distribui, é egoísta.
Romário só é Romário ali, onde Romário foi Romário, parado na banheira, esperando a bola chegar. Ali, Romário é vento que venta, gato que gateia. Ali, a natureza de Romário entra em harmonia com o Cosmos. Romário é genial com a camisa 9.
Todos nós somos dotados de especificidades, talentos, habilidades, gostos, desejos de tudo o que sentimos e que, de certa maneira, nos patrocina o encaixe no todo que, em alguns lugares será fácil e, em outros lugares, será muito difícil ou mesmo impossível. É por isso que os gregos estavam convencidos e o pensamento do século vinte e um agradece e aplaude a convicção grega de que a felicidade é o sintoma de uma vida em harmonia com o todo. É como se a energia do universo passasse por nós, quando estamos no lugar certo e fazendo a coisa certa.
1:25:30 
Gostar das coisas não é uma bobagem. Gostar das coisas é super-importante. Na medida em que você percebe aquilo de que você gosta você conhece mais sobre você. A filosofia começou com essa frase de Sócrates, do oráculo de Delfos: “conhece-te a ti mesmo!” Você tem que se conhecer para saber onde é o melhor lugar de se encaixar no todo e viver bem. Conhece-te a ti mesmo! Conhecer-se a si mesmo é conhecer as próprias idiossincrasias, é conhecer as próprias habilidades, talentos, inclinações, apetites, desejos, etc. Quando você gosta de alguma coisa, você está sendo informado sobre você. Quando você gosta de alguma coisa, é como se o mundo fosse um espelho para você, contando para você aquilo que você não saberia para você, se não fosse o mundo, mundo de que você gosta. Quando você detesta,  preste atenção também porque detestar também é importante: é para você entender qual não é a tua praia. Essas ideias tão antigas, no século XX, foram rebatizadas  pelos americanos com a alcunha de “inteligência emocional”: traga para a consciência os seus afetos; traga para a consciência as suas inclinações e os seus apetites porque você vai-se conhecer melhor e, com isso, tenderá a viver melhor em harmonia com o resto. O que acontece, quando a gente não pode fazer o que mais gosta? Se você nunca mais pudesse fazer o que você mais gosta, iria-se sentir triste. A ética dos gregos é a ética da felicidade (eudaimonia) porque a felicidade é o sintoma do encaixe no todo.
(Clóvis Barros Filho)

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publicado às 23:30


Surrealismo

por Thynus, em 27.02.13

O surrealismo foi um movimento artístico iniciado na Europa na década de 1920, e tinha como objetivo valorizar o sonho e o inconsciente. Influenciados pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, os surrealistas enfatizavam o papel do inconsciente na atividade criativa. De acordo com Freud, o homem deve libertar sua mente da lógica imposta pelos padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade e dar vazão aos sonhos e às informações do inconsciente. O movimento surrealista se dividiu em duas correntes. A primeira, representada principalmente por Salvador Dalí, trabalha com a justaposição e a distorção de imagens conhecidas, como os relógios da obra ‘A persistência da memória’. Já na segunda, as pinturas passam a apresentar formas curvas, linhas fluidas e muitas cores; ‘O carnaval de Arlequim’ representa bem esta vertente. As curvas e as cores vivas, presentes em ambas as correntes do surrealismo, combinavam o abstrato e irreal ao instinto e incoerente, representando a atividade do inconsciente. O grupo dos principais artistas incluía, além de Dalí, Picasso, Magritte, Max Ernst, além do cineasta Luis Buñuel, que transportou a estética surrealista para seus filmes.

 

(sur.re:a.lis.mo)
sm.
1. Art.pl. Cin. Liter. Movimento artístico e literário iniciado na Europa da década de 1920, tendo como projeto valorizar ao máximo o irracionalismo, a incoerência, a expressão do inconsciente e, por isso, o instinto, o sonho, as imagens e valores nascidos dessa atitude
[F.: Do fr. surréalisme.]
(Dicionário Aulete digital) 

 

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publicado às 17:01


Cautela com a laborlatria

por Thynus, em 26.02.13

Uma das boas memórias de quem já teve o prazer de mergulhar na produção satírica de Mark Twain — pseudônimo do escritor norte-americano do final do século 19, Samuel Langhorne Clemens — é, sem dúvida, a narrativa da cerca a ser forçadamente pintada pelo menino na obra-prima As aventuras de Tom Sawyer. Em um dia de sol inclemente, à beira do Rio Mississipi, quando tudo chamava para a brincadeira e o lazer descompromissado, eis que surge a convocação compulsória para o trabalho e não há alternativa que o garoto possa encontrar, a não ser tornar todo aquele fardo algo com um dissimulado ar prazeroso e, mais ainda, convocar e convencer a outros que deveriam ajudá-lo com satisfação.
Em um determinado momento, procurando livrar-se da atividade e, até, ganhar algum dinheiro com aquilo que desejava que outros fizessem em seu lugar, aparece o argumento de que "trabalho é tudo aquilo que uma pessoa é obrigada a fazer... Passatempo é tudo aquilo que uma pessoa não é obrigada a fazer".
Pouco mais de um século após, um compatriota de Twain, o cartunista Bob Thaves, desenhou uma de suas instigantes tirinhas que tem como personagens Frank & Ernest, os desleixados e eventualmente oportunistas representantes do "homem comum" do mundo contemporâneo urbano; nesse quadrinho, Ernest, preocupado, pergunta a Frank: "Nós somos vagabundos?" Frank, resoluto, responde: "Não, nós não somos vagabundos. Vagabundo é quem não tem o que fazer; nós temos, só não o fazemos..."
Essa visão colide frontalmente com um dos esteios de uma sociedade que, na história, acabou por fortalecer uma obsessão laboral que, às vezes, beira a histeria produtivista e o trabalho insano e incessante. Desde as primevas fontes culturais da sociedade ocidental, como por exemplo, vários dos escritos judaico-cristãos, há uma condenação cabal do ócio e do não-envolvimento com a labuta incessante; no Sirácida, um dos livros da Bíblia (também chamado Eclesiástico), há uma advertência: "Lança-o no trabalho, para que não fique ocioso, pois a ociosidade ensina muitas coisas perniciosas" (33,28-29).
Já ouviu dizer que o ócio é a mãe do pecado? Ou que o demônio sempre arruma ofício para quem está com as mãos desocupadas? Ou, ainda, que cabeça vazia é oficina do diabo?
Essa não é uma perspectiva exclusiva do mundo religioso. Voltaire, um dos grandes pensadores iluministas e hóspede eventual da prisão na Bastilha dos começos do século 18 por seus artigos contra governantes e clérigos, escreveu em Cândido que "o trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade".
Ou, como registrou Anatole France, conterrâneo e herdeiro, no século seguinte, da mordacidade voltairiana: "O trabalho é bom para o homem. Distrai-o da própria vida, desvia-o da visão assustadora de si mesmo; impede-o de olhar esse outro que é ele e que lhe torna a solidão horrível. É um santo remédio para a ética e a estética. O trabalho tem mais isso de excelente: distrai nossa vaidade, engana nossa falta de poder e faz-nos sentir a esperança de um bom acontecimento".
Não é por acaso que Paul Lafargue, um franco-cubano casado com Laura, filha de Karl Marx, e fundador do Partido Operário Francês, foi pouco compreendido na ironia contida em alguns de seus escritos. Em 1883, quando todo o movimento social reivindicava tenazmente o direito ao trabalho, isto é, o término de qualquer forma de desocupação, o genro de Marx publicou Direito à preguiça, uma desnorteante e — só na aparência — paradoxal análise sobre a alienação e exploração humana no sistema capitalista.
Nessas horas é sempre bom reviver Rubem Braga em O conde e o passarinho que, ao falar sobre o Dia do Trabalho, escreveu: "A ordem foi mantida. Os operários não permitiram que a polícia praticasse nenhum distúrbio".

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

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publicado às 20:34


Não Espere Pelo Epitáfio...

por Thynus, em 26.02.13

Há uma frase que é sempre proferida — quase beirando um chavão — quando em determinadas circunstâncias deseja-se cobrar de alguém uma postura direta, uma posição explícita ou, até, uma atitude clara: Deus vomitará os mornos! Essa ameaça vale também quando se quer amedrontar aqueles ou aquelas que seguem pela vida afora sem nunca aproximar-se minimamente dos extremos, ficando sempre no ansiado ou proclamado como seguro "caminho do meio", evitando-se, assim, qualquer risco de transbordamento ou ruptura da prudência.
Deus vomitará os mornos! Está lá no Apocalipse (último livro da Bíblia dos cristãos), capítulo 3, versículos 15 e 16: "Conheço tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca".
Essa admoestação colide frontalmente com um dos pilares da moral greco-romana desde a Antigüidade e que impregna com intensidade a moral do cotidiano: a virtude está no meio. Tal princípio, nascido como teoria completa no século 4 a.C., a partir da obra Ética a Nicômaco, de Aristóteles, anuncia, três séculos após, um ideal de moderação e uma referência de tranqüilidade expressos por um relato da mitologia trazido nas Metamorfoses do poeta latino Ovídio. Conta ele que Hélios (o Sol) tivera um filho, Faêton, com Climene, mas não acolheu a criança; quando Faêton cresceu, foi em busca do reconhecimento do pai que, tendo-o aceito, ofereceu como presente qualquer coisa que o rapaz desejasse. O pedido do jovem foi poder guiar o carro de Hélios, que antes o advertiu com a obrigação de manter-se eqüidistante do céu e da terra, dizendo-lhe que "pelo meio irás com a máxima segurança"; como o filho não o atendeu, desequilibrando e desviando o Sol, Zeus interveio e liquidou Faêton com um raio.
Ora, há dezenas de mitos, fábulas e histórias com a finalidade de exaltar a exclusividade e preferência do caminho do meio; o que não se deve esquecer é que esse caminho pode também ser o da mediocridade. Em nome da sobriedade, da prudência e do comedimento, o máximo que se obtém em muitas situações é a mornidade mediana, regrada e constantemente refreada.
Nesse sentido, para não ser morno, é preciso ser radical. Cuidado! Em nosso vocabulário usual é feita uma oportunista confusão entre radical e sectário. Radical é aquele — como lembra a origem etimológica — que se firma nas raízes, isto é, que não tem convicções superficiais, meramente epidérmicas; radical é alguém que procura solidez nas posturas e decisões tomadas, não repousando na indefinição dissimulada e nas certezas medíocres. Por sua vez, o sectário é o que é parcial, intransigente, faccioso, ou seja, aquele que não é capaz de romper com seus próprios contornos e dirigir o olhar para outras possibilidades.
É preciso ter limites, mas, estará o limite exatamente no meio? Não é necessário ir ate os extremos, mas é essencial não ficar restrito ao confortável e letárgico centro; muitas vezes o meio pode ficar anódino, inodoro, insípido e incolor. Alguns desses desejos de romper fronteiras mornas só aparecem nos epitáfios, sempre em forma nostálgica e lamentadora de um "eu devia ter..." Para além da mitologia grega, não é por acaso que outros Titãs têm sido tão festejados quando cantam de forma deliciosa e perturbadora (e muitos com eles): "Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer; devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer"...
A sabedoria para equilibrar essas inquietações pode ser encontrada na reflexão feita no século 5 a.C. pelo filósofo chinês Confúcio: "Eu sei por que motivo o meio-termo não é seguido: o homem inteligente ultrapassa-o, o imbecil fica aquém".
Radicalidade é uma virtude; o vício está na superficialidade.

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

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publicado às 20:04


Impressionismo

por Thynus, em 26.02.13

Movimento na pintura do fim do século XIX que usou os efeitos da luz e da cor para retratar a realidade. Seu nome surgiu a partir da obra 'Impressão, nascer do sol', de Claude Monet. Os impressionistas buscavam retratar os efeitos da luz do sol sobre a natureza, e por isso, costumavam pintar ao ar livre. As pinturas modernistas são, portanto, retratos instantâneos, que captam determinado momento em que as cores da natureza refletem a luz do sol. Suas figuras devem ser luminosas e coloridas, de acordo com a impressão visual que causam. O impressionismo chegou ao Brasil no início do século XX e foi representado por artistas como Eliseu Visconti, que retratou paisagens de Teresópolis, e Georgina de Albuquerque, com seu marido Lucílio de Albuquerque, com quem havia viajado pela Europa, onde envolveram-se com as novas correntes artísticas. Os artistas mais renomados do movimento foram Manet, Monet, Van Gogh, Renoir, Cézanne, Pissarro e Degas, entre outros.

 

im.pres.si:o.nis.mo)
sm.
1. Art.pl. Movimento na pintura do fim do séc. XIX, que usou os efeitos da luz e da cor para retratar a realidade: "Parou em seguida diante de um quadro (...) manche de impressionismo, de   um plenarismo  ofuscante..." (Júlio Dantas, Espadas e rosas.))
2. Liter. Mús. Estilo literário e musical caracterizado por expressar impressões subjetivas
[F.: Do fr. impressionisme]
(Dicionário Aulete digital)

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publicado às 16:57

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